Mulheres e cidadãs em plena igualdade e Humanidade

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 ----- O nosso "dia"     (-por Helena Sacadura Cabral, 08.03.2015)        Gosto de ser mulher. Não invejo os homens e quanto mais velha sou, mais tenho consciência dos seus (in)justificados receios. Mas não gosto de quotas ou comemorações de género porque elas representam que os "outros" ainda as consideram necessárias

    O que eu quero é que não haja (assédio nem) violência sobre elas, que o seu salário não seja inferior ao do seu semelhante, que as suas oportunidades sejam iguais, que a maternidade seja encarada como uma opção séria  e não um obrigatório modo de vida, que os filhos sejam uma escolha de dois e não apenas de um.
    Ou seja, quero poder ser diferente do homem sem por isso ser discriminada ou menos respeitada. Quero, enfim, ter direito a ser mulher (livre e com direitos) e fazer parte do meu género sem que compita aos homens concederem-me uma parte desse direito.
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     Ui, ui  hoje é o meu dia !       (-por Teresa Ribeiro, em 08.03.15) C:\Documents and Settings\Admin\Ambiente de trabal
    Quando me perguntam se gosto de ser mulher, respondo que não. Lamento, mas neste aspecto não soube evoluir. Desde que percebi, ainda na primeira infância, que o mundo é dos homens, este sentimento ficou-me colado aos ossos e não há campanha publicitária de pensos higiénicos que me faça mudar de ideias.
      Esta rejeição, que cresceu comigo, nada tem a ver com problemas de identidade sexual. Gosto de cor-de-rosa, de bebés e de sapatos, portanto não há qualquer dúvida, sou muito estereotipada, o que paradoxalmente só veio agravar a relação conflitual que tenho com o meu género desde que me conheço.
    Gostava em menina de brincar com bonecas, mas não da terna displicência do meu avô, que só tinha conversas com o meu primo, mas não sabia do que falar comigo.  Identificava-me com as princesas das histórias de encantar, mas detestava que me apontassem as regras de comportamento "próprias de uma menina"sempre mais restritivas que as dos meninos - e ainda mais que fossem a minha mãe, as minhas tias e a minha avó a ditá-las.  Gostei de crescer com estas mulheres, mas revoltou-me perceber que, por razões diferentes, todas abdicaram de uma maneira ou de outra do que podiam ter sido só pelo facto de terem nascido com um par de ovários.
     Na vida adulta pus-me à prova. De um lado os meus ressentimentos e reivindicações feministas, do outro a realidade, esse tapete onde caí tantas vezes por KO. E tem sido esta a minha vida. Sempre a sopesar o que sou e o que somos. Eu e as mulheres. Eu e elas. Eu que sou elas.     Admiro as mulheres que dizem que se orgulham de ser mulheres, mas quando as oiço não consigo iludir a tristeza funda que me nasce da consciência de que o fazem pela necessidade de se afirmarem como iguais.    A misoginia, a doença infantil do homem das cavernas, continuará a discriminar, segregar, matar, estropiar e escravizar milhões de mulheres (e meninas) em todo o mundo. E é a consciência disto que me mata à nascença o prazer de pertencer à tribo e ainda mais de festejar esta data. Festejar o quê?
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           Relativizando o Dia Internacional da Mulher  (-por João André, em 08.03.15) 
    No Dia Internacional da Mulher uma confissão machista: não dou grande importância ao dia. Cumpro os rituais habituais: desejo um bom DIdM às mulheres importantes na minha vida, coloco um post no blog ou facebook, compro possivelmente uma flor para a minha mãe. Vejo contudo o dia como pouco mais que uma nova versão do Dia dos Namorados:   sem significado a não ser dizer que existe.
     Vejamos as coisas por este prisma:   para quem - como eu - entenda que as mulheres e os homens têm que ter uma efectiva igualdade de direitos e que a sociedade tem que criar condições para que estes existam (atendendo a que há diferenças muito reais entre homens e mulheres), o dia não tem grande importância.   Eu - e muitos outros como eu - não necessito de ser recordado da importância de lutar pela igualdade de direitos.   Para quem esteja no pólo oposto, a questão é ainda mais simples: o dia não fará qualquer diferença.    Para quem esteja algures no meio, dizer que o dia 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher, sem mais, também pouco adiantará.
     O Dia Internacional da Mulher parece-me então ser uma espécie de esmola:  dão-se os parabéns às mulheres e siga a vida como sempre que a consciência está aliviada.
   Os direitos das mulheres, embora mereçam um dia para serem recordados, devem ser conquistados (e defendidos e usufruídos)  todos os dias, geração a geração, entre pequenos gestos e grandes acções.  Um dia como este só faz sentido se for usado da mesma forma que os feriados civis nacionais o são:  com actividades que chamem a atenção para o assunto. De outra forma, qualquer dia teremos as televisões a anunciarem os descontos do Dia Internacional da Mulher para quem compre uma dúzia de lírios.
 
-----  QUOTAS  mínimas  para  Mulheres  e  Homens.
       (-por Luís A.-Conraria,8/3/2015, http://destrezadasduvidas.blogspot.pt/2015/03/quotas-femininas.html)
       QUOTAS FEMININAS
   Nesta excelente entrada, a Sara P. diz que leva a sério o seu preenchimento da quota feminina neste blogue. É um assunto sempre muito debatido, devem as quotas ser impostas ou não? (Sim, enquanto não se atingir um nível digno de literacia e de igualdade liberdade e solidariedade).
    No ano passado, depois de algumas conversas com uma amiga (feminista), a verdade é que me fui tornando um activista da causa feminista e a considerar a hipótese de fazer parte de um movimento nesse sentido. Talvez por isso tenha ficado mais alerta. E houve um dia em que reparei que este blogue com sete co-autores não tinha uma mulher. E, verdadeiramente, pareceu-me absurdo.
    Por essa altura, decidi convidar 4 mulheres para fazerem parte do blogue. A Sandra M., a Sara P., a Vera G.B. (que por motivos profissionais teve de abandonar o blogue) e a Rita C.. Diga-se de passagem que eu já tinha pensado convidar cada uma delas antes. Apenas não o tinha feito porque pensava que não estariam interessadas. Mesmo assim, senti-me um pouco envergonhado ao convidá-las por atacado. Ainda por cima, a Sara P. reagiu logo a perguntar-me se eu a estava a convidar para preencher a quota feminina. Fiquei sem saber o que responder.
     Quase em simultâneo, e apenas por coincidência, fui convidado a escrever na Maria Capaz. E fui convidado precisamente para preencher a quota masculina dessa plataforma feminina/feminista.
     Tudo isto das quotas pode parecer a muitos um pouco absurdo. Mas a verdade é que alguns dos melhores artigos da Maria Capaz foram escritos por homens (incluindo o meu, diga-se). No caso deste blogue, permitam-me, mais uma vez, a falta de modéstia, a diferença foi fabulosa. Ganhou uma vivacidade, poder de choque e uma qualidade que não tinha graças às novas autoras.
    Talvez um dia, quando as empresas forem pressionadas a ter mais mulheres em lugares de topo, percebam isto mesmo. Só têm a ganhar. Não porque as mulheres sejam melhores (ou piores) do que os homens, mas, simplesmente, porque, ao considerarem a possibilidade de recrutar mulheres para lugares de topo, verão duplicada a sua base de recrutamento. E, obviamente, o melhor de entre 100 homens não poderá ser melhor do que a melhor pessoa de entre 200.
    Um bom Dia da Mulher para todas e para todos. Mas, em especial, para a minha mulher, que já percebeu que tem um tecto de vidro invisível para quebrar, e para as minhas duas filhas.     
  -----------    IsabelPS:
   Uma vez fiz parte dum júri, melhor dizendo, fui assessora dum júri constituído só por homens:   corrigi provas escritas e fiz perguntas nas orais de acordo com as minhas capacidades linguísticas, mas só eles tinham direito de voto.
    Para meu grande espanto constatei que quando eu fazia uma pergunta a um homem era frequente que ele respondesse duma forma para mim inesperada, quando os meus colegas faziam uma pergunta a uma mulher, acontecia muitas vezes o mesmo:     a resposta delas, que me parecia perfeitamente razoável, era visivelmente muito surpreendente para eles.
    Tornou-se-me evidente (por isto e por outras coisas que não tinham a ver com género) que os "grupos" tendem a seleccionar quem seja semelhante a eles.    Não é por mal, nem é de propósito, mas pura e simplesmente quem seja diferente corre um altíssimo risco de não ser escolhido/ entendido nas suas respostas.
    Logo aí decidi que, se eu mandasse, os júris da minha instituição teriam de ser obrigatoriamente constituídos por homens e mulheres.   E desde então olhei para as quotas com outros olhos.
  -----------    Zé T.:
     À parte a justeza de acesso e participação das mulheres ...- convém introduzir as Quotas também para salvaguardar o acesso dos HOMENS, sim para proteger os FUTUROS candidatos do outro género a qualquer coisa, pois as mulheres (na sociedade portuguesa e ocidental) estão a conquistar/ obter a maioria dos lugares em várias profissões e categorias:
mais licenciadas, mais professoras, mais enfermeiras e médicas, mais dirigentes, ... mais vendedoras de loja, mais nas caixas de supermercado, ...
   Actualmente, nas listas eleitorais (de vários partidos) tem de existir uma pessoa de outro sexo/género em pelo menos 1 em cada 3 lugares (33%) ... - por mim está bem, no mínimo legal deveria ser sempre 1 em cada 5 (20%) para o outro género e poderia ir até 1 em cada 2 (50%) - mas devendo o lugar desta quota mínima ser na 2ª posição ou intercalada ... e nunca no fim (pois nessa posição geralmente fica de fora, em lugar dificilmente elegível, viciando o objectivo).
 
--- + Contratação Colectiva para diminuir Exploração (de mulheres e de homens)
             (-por j.simões,8/3/2015, http://derterrorist.blogs.sapo.pt/ )
         8 de Março de todos os anos, num país e sociedade que se quer melhor
     É por isso que é importante (a melhoria e defesa da legislação laboral/ código do trabalho,) a CONTRATAÇÃO COLECTIVA (e a respectiva acção dos sindicatos e a inspecção da ACT/Estado), porque lá vem, preto no branco, as categorias profissionais, as funções, as condições... e que para determinada categoria profissional corresponde determinada remuneração,   independentemente do sexo, e da única vez em que a palavra "mulher" aparece é num capítulo do acordo de trabalho que diz "alínea xis, gravidez".
      Faz-me confusão, muita confusão, quando ouço ou leio que as mulheres ganham menos que os homens para trabalho igual. (só pode ser) Nas empresas privadas, dos empresários criadores de emprego e mui liberais, a famosa rigidez patronal. Só pode.
     E sem Contratação Colectiva, sem Direitos Laborais, (e com a merd.. desta selvajaria neoLiberal, desreguladora, "flexível", ...) a EXPLORAÇÃO salarial não é limitada aos trabalhadores do género feminino (trabalhadoras) mas estende-se em especial aos "estagiários", aos precários (sem contrato ou com contrato de curta duração), aos "externos" das Empresas de Trabalho Temporário, ... aos mais fracos ou sem poder de negociação nem defesa legal efectiva.
 
     ... Da difícil, contínua e indefetível luta pelos Direitos Humanos das Mulheres, temos o exemplo simbólico no facto de só em 1975, a ONU ter proclamado o dia 8 de Março como Dia Internacional das Mulheres.
    Quanto à justeza da persistência desta luta, são tantos os argumentos, em pleno século XXI, que basta referir alguns dos problemas com que, nesta matéria, nos debatemos nas sociedades ocidentais:
  . desigualdades salariais, desigualdades de tratamento,
  . violência de género, violência doméstica, violência sexual,
  . assédio sexual, tráfico de seres humanos para efeitos de exploração/ prostituição,
  . exposição a estereótipos consumistas (publicidade, 'modelos') de mercados masculinizados
e tantas, tantas outras, maiores e menores formas de expressão de "machismos" e "micro-machismos"!...
    Isto sem falar na urgência de solidariedade que é preciso reforçar e promover, por esse mundo fora, noutras esferas civilizacionais,       em que as mulheres não têm direito de voto,  nem de estudar, não podem conduzir, não podem circular nas ruas sem estarem sujeitas à humilhação e falta de dignidade -que, muitas vezes, as próprias não reconhecem!- de cobrirem completa ou parcialmente o seu corpo,   onde lhes é negado o direito ao livre-arbítrio,   imposto o casamento forçado, a mutilação genital, a impossibilidade de determinar o seu futuro...   e onde são, simplesmente!, consideradas, nada mais, nada menos, do que mero património familiar e propriedade patriarcal.
----- Portugal e direito ao voto das mulheres  
 Hoje não é o «meu» dia coisíssima nenhuma: é de todos, homens e mulheres, que lutaram, e têm de continuar a lutar, pela não discriminação de metade da humanidade.
           Quanto a direito ao voto feminino, em Portugal foi assim:
      Tudo começou com o decreto 19.692, de 5 de Maio de 1931. Mas com excepções, como a de Carolina Beatriz Ângelo (na foto) que foi a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto (nas constituintes de 28.05.1911), concedido por sentença judicial, após exigência da condição de chefe de família, dada a sua viuvez.
 
Em 1933 e em 1946 foram levantadas algumas restrições, mas só quase no fim de 1968, já durante o marcelismo, é que acabaram por ser removidas quaisquer discriminações para a eleição de deputados à Assembleia Nacional. (Depois do 25 de Abril 1974, o direito universal de voto passou a aplicar-se também às eleições presidenciais e autárquicas.)
 
----- Feminismo  e  anti-sexismo    (-J.Vasco, 24/2/2016, EsquerdaRepublicana)
   Quem acredita que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, o mesmo valor,    quem está contra as imposições sociais impostas pelos papeis de género, e ainda mais contra qualquer lei que não seja cega perante o género e o sexo de cada cidadão  é (também)  anti-sexista.     Quem (luta porque) acredita que as mulheres têm menos direitos e oportunidades do que deviam ter   é (também)  feminista.
    As definições não são iguais, mas têm uma relação profunda. Numa sociedade onde as mulheres são discriminadas (negativamente) ou injustiçadas das mais variadas formas (muito mais do que os homens), quem tenha a lucidez de compreender essa realidade só é anti-sexista se for feminista. Numa sociedade que injustiça as mulheres, querer mais justiça e igualdade de oportunidades implica querer aumentar os direitos e oportunidades das mulheres. 
  E se é verdade que a implicação inversa não é necessariamente verdadeira, é fácil constatar que a esmagadora maioria das/dos feministas são-no por serem antes de mais anti-sexistas. Só uma ínfima minoria de feministas não é anti-sexista.
  Por outro lado, é possível ser-se anti-sexista sem ser feminista, mas isso exige um enorme grau de desconhecimento da realidade: uma imagem muito distorcida/equivocada a respeito da sociedade actual. Já tomei contacto com pessoas nesta categoria: dizem-se anti-sexistas e afirmam querer um mundo justo onde os homens não são privilegiados -  e eu acredito nelas - mas não se consideram feministas pois não consideram que as mulheres sejam significativamente mais injustiçadas/prejudicadas que os homens no contexto em que vivemos. Nalguns casos reconhecem algumas injustiças para com as mulheres, mas contrapõem outras injustiças sexistas para com os homens (por exemplo, em relação à custódia dos filhos) e alegam que as injustiças num sentido e noutro têm uma importância e gravidade semelhante, ou resultam apenas das escolhas livres feitas pelas mulheres. 
      Importa pois desfazer este profundo equívoco. Independentemente de pequenos rituais de etiqueta para os quais pode existir uma pressão social mais forte ou mais fraca consoante o contexto, ou algumas situações extremas (e raras) onde as diferentes expectativas sociais podem ser mais ou menos favoráveis a um sexo/género que outro, devemos centrar a discussão sobre a desigualdade naqueles aspectos que determinam grande parte dos recursos (em tempo e dinheiro) da esmagadora maioria da população: as tarefas domésticas e os ordenados.
     Sobre a primeira questão, os dados são claros (para Portugal: 17h de diferença; para vários países da União Europeia: cerca de 14h de diferença; para os EUA: cerca de 10h de diferença) - em média as mulheres passam muito mais horas que os homens a realizar trabalho doméstico. A discrepância é elevada o suficiente para que não a possamos atribuir exclusivamente a alegadas diferenças relativas a gostos ou preferências. Os indícios a respeito de uma pressão social inescapável e consequente são significativamente claros. Não posso deixar de destacar que estes são valores médios, e que existirão casos onde a discrepância será muito superior a esta. Vale a pena também destacar que os valores apresentados correspondem à carga semanal - cerca de 750h anuais é algo com um impacto tremendo na vida de qualquer um.
     Já no que diz respeito aos salários, sabe-se que existem disparidades salariais significativas (na UE podem oscilar entre os 3.2% na Eslovénia, 13% em Portugal ou 29.9% na Estónia, para uma média geral de 16.3%; nos EUA rondam os 22%), e mesmo que algumas delas possam ser atribuíveis a diferentes escolhas pessoais ou características físicas, é bastante clara a existência de uma discriminação sexista que não dá as mesmas oportunidades a todos.    A este respeito não posso deixar de falar de três estudos elucidativos (entre muitos outros):
      . A partir do momento em que as audições para contratações de músicos esconderam o sexo/género do candidato, a contratação de mulheres aumentou significativamente. Grande parte desse aumento deveu-se a esta alteração no processo de selecção.
       . O código informático escrito por mulheres foi aprovado no repositório GitHub a uma taxa superior à do código escrito por homens, mas apenas nas situações em que o sexo/género do autor não era conhecido.
       . Os salários dos indivíduos que mudaram de sexo foram afectados pela mudança: um aumento ligeiro quando a mudança foi do sexo feminino para o masculino, uma acentuada redução quando a mudança foi no sentido inverso.
      Perante o conhecimento destes factos (e muitos outros), qualquer indivíduo que mantenha a convicção de que não existe um desequilíbrio na nossa sociedade que desfavorece as mulheres ao nível dos direitos e oportunidades está simplesmente em negação. Se continua sem ser feminista, não é certamente anti-sexista.   ---


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Governos, políticas, sistemas de pensões e direitos sociais

Universidade de Verão: «É tempo de governar?»  (-N. Serra, 23/5/2015)

 
    No esteio das edições de anos anteriores, a Associação Fórum Manifesto promove mais uma Universidade de Verão, que se realizará na Pousada da Juventude de Almada nos próximos dias 29 e 30 de Maio.
     Este ano, o evento é dedicado a um conjunto de debates que se perspectivam como fundamentais no ciclo de governação que se avizinha, mantendo-se os traços de abertura, encontro e pluralismo que marcam, desde o seu início, as universidades de Verão da Manifesto.
     A entrada é livre e as inscrições podem ser feitas aqui. Apareçam e divulguem. São todos muito bem-vindos.
Reduzir a TSU dos trabalhadores:  o início de uma reforma  subversiva (-J.Bateira)
Nos anos '50, a Universidade de Chicago ('escola' neoLiberal) participou num programa de ajuda do governo dos EUA visando formar um grupo de economistas de alto nível para ensinarem na Universidade Católica de Santiago (do Chile) e enfrentarem a teoria económica de esquerda, preponderante na América Latina daquele tempo. (...)
       Começaram a defender publicamente o monetarismo e, anos mais tarde, no regime ditatorial de Pinochet, com a ajuda de colegas dos departamentos de economia de grandes universidades americanas, foram elaborando propostas para uma viragem radical na política económica do Chile [incluindo uma reforma das pensões]. (...) O novo sistema eliminou a velha segurança social substituindo-a por contas privadas individuais [descontos para si mesmo]. Quem tinha contribuído para o sistema anterior recebeu ‘títulos de dívida’ do Estado que foram depositados nas contas e rendiam quatro por cento. As receitas do novo sistema foram geridas por fundos de pensões privados. A taxa do desconto para a pensão foi fixada em 10% do salário, adicionada de 3% para um seguro de vida e invalidez. Isto reduziu substancialmente os descontos e aumentou o montante do salário líquido, o que tornou o novo sistema muito popular entre as classes trabalhadoras. ... -(Mitchell Orenstein, 2005)
      Um outro importante revés na campanha de privatização das pensões veio do Chile, aquele muitíssimo simbólico lugar, onde um governo de centro-esquerda da Presidente Michelle Bachelet iniciou em 2006 uma grande reforma do pioneiro sistema privado de pensões. Na introdução ao Relatório da Comissão de Reforma das Pensões, Bachelet anunciou que o sistema privatizado tinha “baixa cobertura ... pouca concorrência e grandes encargos em comissões ... e discriminava as mulheres”, uma incrível confissão para um país cujo sistema de pensões se tinha tornado um modelo internacional. -(Mitchell Orenstein, 2011)
    De  lá para cá  e  de  cá para lá    (-J.Rodrigues,  Ladrões de B.)
"Syriza tem que fracassar, senão, como os governos dos outros países da União Europeia continuarão dizendo a seus povos que não alternativa?"
     Vale a pena seguir o Blog do Emir, ... sobre o que se passa do lado de lá e do lado de cá. ... ao contrário de cá, lá as forças progressistas tiveram, apesar de todas as dificuldades, vitórias significativas desde a viragem do milénio.   Cá, as derrotas têm-se sucedido.   Uma das razões é indirectamente apontada por Sader:   “Uma certa esquerda europeia tem dificuldade de compreender o caráter nacionalista, antimperialista, popular, dos governos pós-neoliberais.” Uma certa esquerda europeia ainda dominante não acerta na chave ganhadora da política nas semiperiferias e nas periferias do sistema mundial.   Entretanto, o Syriza, claro, não tem de fracassar: basta só levar o seu carácter objectivamente nacionalista, antimperialista e popular até às suas consequências mais óbviasPrecisamos mesmo no lado de cá de governos pós-neoliberais, ou seja, de governos que reconquistem a margem de manobra que só a reconquista de instrumentos de política (monetária, financeira e económica) pode conceder.

----      Noruegueses, esses comunas   (J.Mendes, 25/5/2015, Aventar)

- O que faz com que a Noruega surja sempre no topo dos índices de desenvolvimento?



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Hiperactividade, sociedade, educação e negócio

Ritalina: hiperactividade, educação ou negócio ?    (-por João Paulo, Aventar, 27/4/2015)

    Em democracia não há territórios sagrados, apesar de existirem algumas reservas, na sociedade não médica, à entrada na esfera clínica. Normalmente, quem arrisca, leva com uma bateria de batas brancas em cima que, com argumentos quase sempre básicos, acaba por intimidar.
     Aviso, portanto o leitor, de que não é minha intenção entrar na discussão médica sobre a Ritalina (fármaco 'contra' a 'hiperactividade'), até porque, ao ler parte da informação oficial disponível, fiquei suficientemente assustado, para nem tentar perceber o mecanismo da droga mais comum nas escolas, por estes dias.  O meu olhar é o de Professor.
    Nas nossas escolas a quantidade de crianças medicadas é absolutamente assustadora – quase não há turma em que dois ou três meninos não tome algum tipo de medicação para a hiperactividade. E, diz-me o senso comum, que não é possível que cerca de 10% das nossas crianças sejam portadoras desta “doença”. Não é possível.
   E, parece-me que há três  factores que contribuem para este manifesto exagero da Ritalina nas escolas:
   a) a sociedade em geral e as famílias em particular, que não conseguem educar.   Se até há uns anos, a sociedade depositava todas as responsabilidades formativas na escola, agora a situação tornou-se ainda pior com a destruição total que Pedro Passos Coelho promoveu junto da unidade nuclear da nossa sociedade – a família;
   b) a escola de Nuno Crato (e...), que, com menos currículo, com menos diversidade, com mais exames e centrada nos conteúdos, afastou a escola dos alunos, das aprendizagens e promoveu a indisciplina, o conflito a instabilidade.
   c) o negócio. O infarmed diz que em 2013 foram vendidas, em Portugal, duas?.. caixas de Ritalina. Mas, no mesmo documento onde se refere esta barbaridade, é também apresentado um valor – sete milhões e meio de euros é o total do negócio deste princípio activo.
    Ora, perante isto, importa perguntar:
    – se a Ritalina não serve às crianças, a quem interessa drogar os nossos alunos ?  (e também os cidadãos em geral ?!)
                 -----xxx----- :
    Hiperactividade (é doença?, mau comportamento?, falta de exercício físico?, falta de valores e regras? …) e  seu combate com fármacos  é um tema importante e oportuno.
   .. Pelo que li, este grave problema não é só de agora nem só de Portugal, mas está a piorar e expandir-se…
   ..Tem uma componente social/ educacional (ou sua deficiência, até por também existir menos tempo disponível e disponibilizado para os filhos/ família, …), focada por JP.
   .. Mas também tem uma componente ‘ambiental' e alimentar, pois os OGM e pesticidas (ver comentários), mais o processamento dos alimentos e seus aditivos (preservantes/ edulcorantes/ hormonas/ …),  TAMBÉM influem no metabolismo das crianças/ jovens e no seu desenvolvimento e comportamento, na sua saúde e bem-estar ou sua falta.
   .. Claro que a ‘moda’ das teorias/ ideias da psico/pedagogia mais o grande negócio dos fármacos para tudo … também ajuda a ‘visualizar/ enquadrar’ o problema.
  


Publicado por Xa2 às 07:41 de 29.04.15 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Neoliberais: trabalho sem direitos nem dignidade ; país a morrer !

DIREITO À GREVE AMEAÇADO?    (-por A.B. Guedes)

 

   O patronato mundial tem vindo nos últimos anos, nomeadamente em algumas instâncias internacionais como a OIT, a colocar em questão o direito á greve no âmbito da liberdade de associação sindical de ação coletiva dos trabalhadores. Pretendem no fundo dissociar o que é indissociável, ou seja a greve é essencial á liberdade individual dos trabalhadores se associarem e agirem coletivamente.
    Esta estratégia patronal emergiu com a queda do Muro de Berlim e pretende confinar a liberdade de associação sindical a um tipo de liberdade igual á liberdade que um cidadão tem de se associar num grupo de escuteiros ou numa coletividade!   Liberdade de se associar mas não de agir coletivamente e recorrer a uma arma, ainda essencial, a greve, para contrabalançar o desequilíbrio existente entre o poder patronal e o poder do trabalhador individualmente considerado.    Este combate está novamente neste momento a ser travado na OIT e a Confederação Sindical Internacional está na frente desta luta.
     O que se passa neste momento no Brasil, altura do campeonato de futebol, mostra bem quão poderosa pode ser ainda a arma da greve!   Bem utilizada e nunca banalizada, a greve, para além de um direito fundamental dos trabalhadores, pode ser uma arma essencial na defesa dos direitos coletivos e objetivos de emancipação dos trabalhadores. Daí que em vários setores sociais, nomeadamente nos órgãos de comunicação social, em geral propriedade dos grupos económicos privados, exista um clima anti greve. Chama-se a atenção para as perdas económicas e incómodos da greve, para o seu cariz político e até para os seus efeitos negativos nas empresas. Para alguns editorialistas as greve seriam interessantes e aceitáveis se fossem folclóricas, ou seja, se não molestassem ninguém”.
     Alguns escrivas são provocadores e vão esmiuçar a vida de um ou outro sindicalista ou dizer que um outro já é há muitos anos dirigente sindical, enfim, que é uma espécie de agitador, etc, etc. Temos que estar atentos porque no quadro da onda anti sindical atual, própria da ideologia económica neoliberal, existe e vai crescer a onda anti greve.   Em breve teremos vozes a pedir uma revisão da lei da greve. Este governo tem claramente essa ideia na manga!
    Todavia, os sindicalistas e militantes sindicais devem ser os primeiros a defender a greve. Esta para ser eficaz, deve ser assumida pelos trabalhadores ou, pelo menos, pela maioria dos trabalhadores.   Assumida significa que, em geral, deveria ser votada pelos trabalhadores que vão entrar em greve.    A tendência atual, fruto de vários constrangimentos e práticas sindicais, não vai muito por esse caminho.    Mas, atenção, a greve é um direito e uma arma que pode ter dois gumes!

 
VERGONHA NACIONAL!
 
O Professor Joaquim Azevedo, coordenador do grupo de trabalho sobre a natalidade denunciou á Antena 1 que existem empresas que obrigam as mulheres a assinar declarações em que se comprometem a não engravidar nos próximos cinco anos. Tal denúncia corajosa é bem -vinda até porque, quem sofre tal vexame e atentado aos direitos fundamentais, está frequentemente impedido de o fazer na devida altura.
O emprego em Portugal é escasso e os trabalhadores e trabalhadoras calam e não se queixam às autoridades nomeadamente à Autoridade para as Condições do Trabalho e á CITE.    O problema, tal como muitos outros do trabalho, não é fácil de resolver nos dias que correm em que o desemprego atingiu taxas históricas em Portugal e a precariedade cresce a olhos vistos em particular para as jovens gerações de trabalhadores tornando o mundo laboral português numa selva. Mas francamente, haja vergonha!   Se  queremos defender a família, a natalidade, fazendo eloquentes discursos sobre os perigos do envelhecimento da população e a crise demográfica tomemos medidas concretas para responder a estes desafios.    Medidas positivas que estimulem a natalidade e protejam as trabalhadoras que queiram engravidar. Não basta ter uma inspeção e uma comissão da igualdade.
    É necessário que estas entidades atuem e tenham capacidade operacional para o fazer! Mas este governo não tem essa preocupação. A sua política é a proteção das empresas e não dos trabalhadores!   Mas o mais grave desta questão no quadro das relações laborais é a impunidade que reina no mundo das empresas privadas e nos próprios serviços do Estado.
    É a ideologia de que vale tudo para baixar os custos do trabalho, de que o trabalhador não tem direitos, e deve estar ao nosso serviço, da empresa, sem condições. O trabalhador/a precisa de salário? Ok, pague-se á hora e o mais barato possível! Precisa de descanso? Sim, mas quando for mais conveniente para a empresa! Pensa em ser mãe? Não enquanto estiver ao nosso serviço! Precisa de formação? Que a pague do seu bolso! Precisa de férias? Sim, quando a empresa fechar ou não tiver trabalho! 
   Um mundo laboral deste tipo é, sem dúvida, a utopia empresarial, o céu olímpico do patronato do capitalismo atual! É o regresso ao velho capitalismo do seculo XIX.
   Um  país  a  desfalecer       (-por N.Serra, 24/6/2014, Ladrões de B.)
 De modo mais ou menos dissimulado, tem-se assistido a um conjunto de tentativas de branquear a relação entre a austeridade e o abismo demográfico em que o pais mergulhou, nos últimos anos.   ...  
   ...   mesmo que reconheça, logo a seguir, que «não ter emprego, ou ter um emprego precário ou mal remunerado, ou não haver incentivos, incluindo na questão da educação nos três primeiros anos, são questões muitíssimo importantes». A entrevista dada por Joaquim Azevedo ao Público, no início de Abril, merece de resto ser lida na íntegra, pois é muito esclarecedora quanto à capacidade de relativizar (e portanto branquear) os impactos do ajustamento (e do «ir além da troika»), nas dinâmicas demográficas mais recentes.
    A evolução dos números é contudo muito clara, demasiado clara. É a partir de 2010 que se regista uma situação demográfica absolutamente inédita na sociedade portuguesa, com os saldos natural e migratório a entrarem, em simultâneo, no negativo, arrastando consigo, para baixo e em ritmo acelerado, os saldos demográficos.    Mais: é a partir de 2010 que o saldo natural (diferença entre nascimentos e óbitos) conhece quebras sem paralelo histórico (uma média de -15 mil por ano entre 2011 e 2013, que contrastam com os cerca de -3 mil entre 2008 e 2010 e, mais ainda, com os valores positivos, em média anual, registados entre 1991 e 2007).    E se é verdade que o saldo migratório (diferença entre imigrantes e emigrantes) estava já em redução progressiva antes do início do ajustamento (mantendo-se contudo em valores positivos), o ritmo da sua retracção agudiza-se de modo muito significativo a partir de 2010, para o que contribui o incremento exponencial da emigração e o aumento da saída de imigrantes do nosso país.   É de facto preciso uma enorme ginástica intelectual para considerar que existe uma espécie de continuidade entre os cerca de -33 mil residentes por ano, em média, registados entre 2011 e 2013, e os saldos positivos obtidos, também em média anual, entre 2008 e 2010 (cerca de +9 mil residentes) e entre 1991 e 2007 (cerca de +27 mil residentes por ano).
     É de prever, aliás, que esta ilusória cortina de fumo, que procura mascarar - e dissolver num quadro temporal mais amplo - os brutais impactos demográficos da austeridade (como se a variação recente destes indicadores não fosse mais do que a continuação regular de dinâmicas previamente estabelecidas), possa ter correspondência num conjunto igualmente ilusório de soluções para enfrentar o problema.    Isto é, em soluções como as que a referida comissão multidisciplinar tem vindo a sugerir e que, sendo importantes (como a flexibilização dos horários das creches, o aumento do trabalho em part-time, ou os incentivos fiscais, entre outras, no mesmo plano), estão muito longe de ir ao fundo da questão:     os salários e os rendimentos das famílias, o emprego e a estabilidade do emprego, o acesso a serviços públicos e a níveis minimamente razoáveis de bem-estar, a par da crucial questão da confiança, em Portugal e no futuro. Ou seja, tudo o que a gloriosa «transformação estrutural» do país, empreendida com denodado afinco pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas (a coberto do memorando da troika), tem vindo, deliberadamente, a esboroar.


Publicado por Xa2 às 07:42 de 25.06.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Periferias à beira da explosão

      A Europa à Beira da Explosão Social... (Ana P.Fitas, A Nossa Candeia, 14.3.2012)

  António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, afirma que a Europa está à beira da "explosão social" porque as prioridades políticas persistem em valorizar a economia e as finanças, em detrimento da dimensão social (ler aqui).
   De facto, seria no mínimo avisado que os países da Europa do Sul exigissem a atenção da União Europeia!... porque a realidade decorrente das altissimas taxas de desemprego que caracterizam, a sul, a actualidade e a que se associa um ritmo migratório que se não verificava há muitas  e muitas décadas, em função dos incentivos a uma mobilidade viabilizada pelo elogio sem reservas a uma globalização desregulada, não pode ter outro resultado a não ser uma crise social (isto é, humana!) que, política e economicamente, nem os países mais ricos e aparentemente mais sustentados da UE, poderão enfrentar sem que isso signifique o colapso das condições de vida dos seus cidadãos e do modelo social que aí é, ainda!, vigente.
   Não se compreende, por esta razão, o motivo em que assenta o efectivamente infundado "regozijo" com que alguma comunicação social tem a ligeireza de afirmar que "o pico da criseterá sido ultrapassado !!???... onde ?  para quem ???... 
 
        A Crueldade do Drama Grego...
    O mais dramático efeito da crise, aquele de que ninguém quer ouvir falar ou melhor, aquele em que ninguém quer pensar (até que a tragédia lhe bata à porta !!), está em curso na Grécia, onde se sucedem os casos de abandono dos filhos, por parte de pais sufocados pelo estrangulamento económico e social a que o país foi conduzido... 
   O drama que hoje atinge as famílias gregas é a mais negra sombra que paira sobre os cidadãos europeus... e o inequívoco testemunho da crueldade cega de um capitalismo financeiro e político sem escrúpulos a que, para infelicidade de todos, a Europa se rendeu (LER AQUI).


Publicado por Xa2 às 13:35 de 20.03.12 | link do post | comentar |

Neoliberais : destruir trabalhadores, famílias e Estado !

  FUNÇÃO PÚBLICA - Nova forma de despedimento à vista ?

     São muitos os sintomas de autoritarismo deste governo português. As últimas declarações do deputado do CDS ,João Almeida, sobre a mobilidade geográfica na Função Pública ultrapassam todos os limites da decência! Esta indecência só foi igualada pelo salazarismo que não admitia que um funcionário público tivesse a ousadia de reclamar de uma diretiva ministerial !  Pois estes são netos desse salazarismo miserável !
      Para o deputado Joao Almeida, se os funcionários não aceitarem a mudança geográfica proposta têm uma saída que é a desvinculação! Assim! Nada de considerações humanas e constitucionais! Vê-se bem por aqui o tipo de pessoas que temos como deputados! Uns canalhitas! Hoje dizem estas barbaridades e amanhã choram lágrimas de crocodilo sobre o aumento dos divórcios, a baixa natalidade e a desagregação da família! A direita em todo o seu esplendor! Duros com as pessoas concretas, e em especial com os trabalhadores, solidários com abstrações como a «família» e, em particular, com algumas famílias !
      Mas, porventura este jovem deputado trabalhou a sério em alguma coisa?! Estudou a história da administração pública, leu a constituição?! Colocou-se porventura na pele de um funcionário público português que de repente se vê confrontado com uma proposta de ir trabalhar para 100 ou 200 quilómetros de distância?! Sabe o que isso significa se a mulher/homem  trabalha no privado  e os salários dos dois são mesmo a curtar as unhas?
      Sabe ele que esta é + uma forma de despedimento encapotada tal como estamos a verificar com a recente medida do Montepio que, ao adquirir o Finibanco propôs aos trabalhadores do Porto desta instituição, cerca de 200, para virem trabalhar para Lisboa? O Sindicato dos Bancários do Norte interpôs uma providência cautelar e o caso está, inclusive, no Tribunal Europeu para ser resolvido, dado que para qualquer jurista isto é despedimento? Que uma posição fundamentalista como esta abre as portas a que no privado se faça o mesmo?
      Claro que sabe, mas na sua douta opinião isto são considerações de menor valia!  Ele está num governo que quer «salvar a pátria» á custa dos trabalhadores que, com as suas famílias, são a maioria esmagadora dos portugueses! Todavia, o que ele quer salvar são os interesses de uma minoria de portugueses! Leu por uma cartilha teórica, a do neoliberalismo puro e duro! Gostaria de saber o que dizem alguns trabalhadores que eu conheço e se consideram democrata- cristãos! Penso sinceramente que não estarão de acordo com estas posições. Se há coisas que me custa a entender é a submissão do sindicalismo á política partidária! Tanto á direita como á esquerda!
Os sindicatos, quer da UGT quer da CGTP, não podem aceitar uma posição destas ! Negociar a mobilidade para melhor distribuir os funcionários é uma coisa, agora fazer dos trabalhadores coisas é que nunca!NUNCA!



Publicado por Xa2 às 07:50 de 17.02.12 | link do post | comentar |

«carpe diem»
FAMÍLIA, ESCOLA E CIDADANIA: QUAIS OS CAMINHOS?
[FLORIANÓPOLIS, SC / BRASIL] 2008
Palestra de Mário Sérgio Cortella [Filósofo, mestre e doutor em Educação pela PUC-SP]
 

 



Publicado por [FV] às 16:41 de 25.10.11 | link do post | comentar |

Oficina de sobrevivência

Titulo deveras sugestivo. Na verdade a sociedade não se constrói só em contestação, também, se muda em (e com) acção.

A iniciativa, levada a cabo por esta organização sediada em Coimbra, é bem ilustrativa de que alguma coisa com inovação se vai fazendo neste país.

Estão de parabéns os seus promotores e oxalá a adesão seja aquela que o evento merece.



Publicado por Zurc às 00:03 de 16.03.11 | link do post | comentar |

Política de Família vs grandes interesses neoliberais

Os bons sentimentos e o que interessa

por Daniel Oliveira

 

 Depois do caso de Augusta Martinho, a senhora que esteve morta em sua casa durante nove anos, sucedem-se na imprensa casos semelhantes, apesar de menos graves e sem a evidente negligência do Estado. Não que tenha havido um súbito surto de mortes de velhos solitários, mas porque o assunto se tornou moda. É assim que a imprensa funciona.

 ...

Vou então á política. A que interessa.

Se não queremos que as mulheres deixem de trabalhar e não queremos os nossos pais em lares ou abandonados e sozinhos em casa e os nossos filhos educados pela televisão, só há uma forma de resolver o problema: que, trabalhando homens e mulheres, ambos consigam ter mais tempo para a sua família. Para os filhos e para os pais. E já agora para o lazer, para os amigos, para o bairro onde vivem. Ou seja, que trabalhem menos. E que tenham empregos mais seguros para poderem dar tempo aos outros. Que tenham horários decentes, segurança mínima e direito a vida pessoal.

Que haja mais gente com emprego e empregos que nos tomem menos tempo e energia.

 

Não podemos às segundas, quartas e sextas querer famílias que dediquem mais tempo aos seus filhos, aos seus pais, ao bairro, à escola, à comunidade, e às terças, quintas e sábados explicar que o emprego para a vida é coisa do passado, que para sermos competitivos temos de nos matar a trabalhar e que o centro da nossa vida deve ser a nossa carreira, a medida de todos o nosso mérito como seres humanos.

 

Os velhos não estão sós porque nos tornámos mais insensíveis do que éramos. Uns são e outros não, como sempre foi. Estamos nós todos mais sós porque uma sociedade que vive apenas para produzir não deixa tempo para mais nada. Nem tempo, nem afetos, nem energia. Se quebramos a rede social do bairro, da empresa de uma vida e das relações pessoais porque tudo é temporário, não podemos querer que, por milagre, a família seja para sempre. Se tudo é precário na nossa vida como poderia ser a família segura? Se tudo se mede pelo que se produz e só quem produz é relevante, como poderíamos nós dar valor aos velhos?

 

Os consensos dos bons sentimentos são insuportáveis não por os sentimentos serem bons, mas por os consensos os tornarem inúteis. A sociedade que lamentamos resulta de escolhas. E a essas escolhas damos o nome de POLÍTICA, esse abjeto bicho que parece enojar tanta gente.



Publicado por Xa2 às 00:08 de 17.02.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Momentos

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Publicado por JL às 23:16 de 22.12.10 | link do post | comentar |

O filho de Ronaldo e as crianças-objecto

A declaração de Cristiano Ronaldo de que é pai e as reacções em redor desta notícia revelam que continuamos a considerar as crianças, antes de mais, como bebés-objecto. Bens que pertencem a quem detiver o registo de propriedade e que podem ser trocadas e alienadas a gosto dos adultos.

Não é uma coisa nova, sobretudo nas classes mais altas em que os pais dispunham da vida dos filhos para com elas fazer ou consolidar alianças, mas é uma coisa triste, incompatível com os direitos das crianças que hoje queremos ver postos em prática. Quer os pais tenham ou não fama e dinheiro.

Num primeiro momento, a notícia deixa qualquer um feliz. Ao assumir o filho recém-nascido, presume-se que de uma relação ocasional, Ronaldo porta-se bem. Não faltam exemplos de homens que recusam a prestar-se ao teste de ADN, quanto mais a acolher a criança. Mas onde começamos a tropeçar é nos “direitos exclusivos” que o pai anuncia, ufano, como se o filho fosse só seu.

Como se fosse bom para alguma criança ser rejeitada ou eventualmente vendida pela mãe, como se fosse um jogador de futebol a quem se comprasse o “passe”. O furor feito à volta desta notícia deixa claro que, para muita gente, ser filho do CR já é mais do que bastante (“E o puto só se for um ingrato é que não agradece!”). Mas ser filho só de um pai, ou só de uma mãe, não chega, e ser capaz de exercer em conjunto os direitos parentais, mesmo quando separados, é o que os bons pais devem aos filhos.

Finalmente, a hipótese da barriga de aluguer. Embora inverosímil, foi propagada com entusiasmo pelos média, como se fosse ético e normal alguém pagar a uma mulher para gerar, dar à luz e ceder uma criança. Como se tivéssemos todos passado a achar que os ricos têm direito a reger-se por leis morais feitas em Hollywood.

- Por Isabel Stilwell, Destak


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Publicado por [FV] às 13:52 de 09.07.10 | link do post | comentar |

Em defesa das Famílias
Repesco um bom trabalho do i sobre a fraqueza e a vulnerabilidade do nosso Estado Social, reflectidas no fraco apoio às famílias (assim no plural é que deve ser porque famílias há mesmo muitas e, no futuro, serão cada vez mais):
“Portugal é dos países europeus em que a assistência às famílias é mais reduzida (…) No conjunto dos países da União pré-alargamento a Leste, só Espanha fica atrás de Portugal com menos de 1% do produto direccionado para o apoio às famílias. A performance nacional não melhora mesmo no quadro da União Europeia a 27, com Portugal a ficar bem abaixo da média europeia: 2,1% do PIB (…) Portugal está entre o grupo minoritário de países (sete) que, no conjunto da união, estabelece restrições à atribuição de benefícios, em função do rendimentos ou de outros factores.”

Volto a sublinhar um ponto, que pode parecer paradoxal à primeira vista, mas que está bem consolidado nos trabalhos comparativos sobre o Estado Social; um ponto que não penetra no pensamento hegemónico sobre estas questões, reflectido nas políticas públicas dominantes em Portugal nos últimos anos: a importância da universalidade do Estado Social.
A universalidade reforça a capacidade redistributiva, a eficácia e a legitimidade política das políticas, esteio da confiança. A universalidade diminui os custos administrativos dos programas sociais ou a probabilidade de guetização dos mais pobres (é sobre eles que toda a intrusiva monitorização tende a recair nestes contextos, o que faz com que, por exemplo nos EUA, o fraco e selectivo Estado Social faça cada vez mais parte do todo poderoso Estado Penal) e favorece a formação de coligações políticas amplas em sua defesa, num ciclo virtuoso que estamos longe de alcançar.

Só não percebo por que é que se diz que o tema das famílias é de direita. O facto dos partidos de direita andarem sempre com a família no discurso não quer dizer nada. Basta pensar quem tem promovido mudanças na legislação laboral, que muito prejudicam as famílias, ao legitimarem a precariedade e ao darem mais poder aos patrões para baralhar horários à boleia de horríveis eufemismos, como é o caso da adaptabilidade

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Publicado por Xa2 às 08:10 de 05.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Boa Sociedade

Estas conversas de economistas que todos os dias vemos na televisão ou lemos nos jornais, que os problemas do 'mundo' são problemas económicos e se resolvermos os problemas económicos pelos mecanismos da economia o 'mundo' fica salvo é, para mim, conversa da treta.
 

Os problemas económico-financeiros que as sociedades ditas ocidentais hoje apresentam foram criados pelos economistas, isto é, pelas políticas económicas aplicadas por estes ou outros ditos pensadores e fazedores das economias dos países.
São estes senhores 'engenheiros da moeda' que ao raciocinarem (mesmo que de boa fé) sobre as sociedades destas formas económico-financeiras, que levaram a todo este global descalabro.
E vêm agora com receitas e medicamentação do mesmo veneno que aplicaram à sociedade. O problema e solução, neste caso são faces da mesma moeda, logo terá de se repensar o que levou a sociedade a este caos. E para mim, os 'economistas' não estão no lote dos que podem agora opinar, quanto mais pensar.
O problema existe porque a sociedade (o Homem) evoluiu no sentido do 'dinheiro' em vez da 'felicidade' (realização enquanto seres humanos). Não é por acaso que aparece o ditado “o dinheiro trás a felicidade”. E é por isso que aparecem os ‘economistas’ para nos fazer ganhar dinheiro. Só que a realidade (o presente) mostra que não foi assim.
O dinheiro trouxe sim, miséria para muitos e dinheiro (poder) só para alguns.
Certo é que já não andamos de ‘pés descalços’ nem vivemos em ‘casa dos pais’. Mas certo é também que nos custa imenso andar calçados e pagar a prestação da casa e não temos vida para além destas efémeras regalias. Esquecemo-nos de ser felizes.
Temos uma aparente melhor vida mas não somos mais vazios. Quem só evolui nos bens e esquece a alma, torna-se pior ser humano. Hoje todos os nossos filhos (e até nós) têm um curso superior (são doutores) mas estão desempregados ou a trabalhar fora da área de formação e ganhar de forma insuficiente (não chega para as despesas que assumiram) e não estão realizados (são infelizes).
A sociedade só poderá regenerar-se através dos valores sociais e da família (da vizinhança, do bairro, da cidade e do país) que se foram perdendo no caminho inverso do poder social – económico. Temos de voltar a perceber que não somos todos iguais, não temos todos direito ao sucesso económico (direito à propriedade) pelo facto de existirmos.
Perdeu-se a vivência e aprendizagem com os mais velhos (vão para os lares ou são abandonados) e as crianças perderam a educação dos pais/família (vão para a creche ou ficam fechadas em casa ou na rua).
Evoluímos no sentido de mais instrução mas abandonámos a educação. Porque a escola não trás obrigatoriamente educação. E era possível ter conjugado as duas e eu quero acreditar que ainda é possível. Mas reconheço que o temo urge e já é muito difícil de o fazer porque estamos a atingir uma fase em que as gerações que têm ainda educação já estão a 'morrer'. E ninguém pode dar o que não tem e a geração da economia (dinheiro) só pode dar o que tem, dinheiro e este começa a faltar e a estar muito caro.
 
O dinheiro pode ajudar a fazer a felicidade, mas só por si, não a dá. Só mesmo a efémera e essa tem juros altíssimos a pagar e caminhamos para uma sociedade que já não cumpre os seus compromissos, porque infelizmente é academicamente culta mas não é educada e por conseguinte já não tem honra.


Publicado por [FV] às 12:17 de 04.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Violência privada

O número e a gravidade dos casos de violência contra as mulheres evidenciam algo que, na história da vida privada, sempre existiu mas não era anteriormente assumido e relatado. Quando eu era criança, conheci ainda algumas mulheres que se sentiam privilegiadas por os maridos nunca lhes baterem, nem baterem aos filhos do casal.

Na verdade, os comportamentos violentos e agressivos, mais frequentes nas famílias humildes, não eram vistos como criminosos e eram mesmo tolerados pela sociedade. E talvez os homicídios no âmbito familiar fossem então menos frequentes do que hoje, porque a violência quotidiana alimentava e satisfazia o poder dos "donos da família".

No entanto, convém distinguir dois tipos de agressões. Há a agressão quase psicopática, que utiliza a violência como meio de satisfação e conservação do domínio tirânico sobre a família, mas há também uma agressão neurótica, de outra natureza, que pode revelar uma perturbação psíquica ou emocional gerada por diferentes factores.

Em ambos os casos as vítimas têm de ser protegidas, mas as respostas do Direito devem ser diversas. No primeiro caso, há que afirmar uma censura forte ao agente e aos valores que o motivam, através da aplicação de penas severas. No segundo caso, para além da aplicação de penas, importa pensar em medidas complementares de terapia.

De todo o modo, há alguns anos que se iniciou, em Portugal, uma crítica sistemática e profunda à violência contra as mulheres. No plano legislativo, a Revisão de 2007 do Código Penal culminou esse movimento, com a consagração, em termos consideravelmente amplos, do crime autónomo de violência doméstica, a par do crime de maus tratos.

Mas já antes, em 2000, fora mudada, no Código de Processo Penal, a natureza jurídica do crime de maus tratos, que passou a ser um crime público. Desde então, pode – e deve – ser instaurado procedimento criminal se as autoridades judiciárias ou os órgãos de polícia criminal tomarem conhecimento do crime, independentemente da apresentação de queixa.

Existe hoje, por conseguinte, uma consciência crescente de que os crimes de violência doméstica são intoleráveis. Mas importa reforçar a repulsa social contra as formas de opressão familiar. Com ilhas de violência não há democracia, pois esta implica a igual dignidade de todas as pessoas, na sociedade e na família. Os poderes privados nunca são legítimos. Várias notícias recentes demonstram que há muito por fazer para prevenir estes crimes.

Falta ainda transformar a luta contra a violência doméstica numa verdadeira paixão política, com utilização dos meios de intervenção social mais eficazes e campanhas mediáticas intensas, apelativas e de grande impacto, como tem acontecido em Espanha.

[Correio da Manhã, Fernanda Palma]



Publicado por JL às 00:03 de 15.12.09 | link do post | comentar |

Perestrello, Salazar e o padre

Histórias de vida

Vejam lá se gostam desta lição de história que nos foi contada por um ilustre historiador da Marinha.

“Nos tempos idos do fascismo, o pai de António Oliveira Salazar era feitor numa grande propriedade do velhote Perestrello situada lá para os lados de Santa Comba Dão. Perestrello teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga. A menina ainda foi namorada de Salazar e o rapaz, mais conhecido pelo Perestrello Vasconcellos, que cursou engenharia, quando Salazar chegou ao poder colocou-o como administrador da Casa da Moeda e posteriormente, em 1939, assumiu a gestão do Arsenal do Alfeite.

Perestrello Vasconcellos morreu em 1962 e deixou seis ou sete filhos, dos quais um deles foi engenheiro naval, na Lisnave, e outro, sentiu vocação para sacerdote e veio a ser capelão da Marinha. Em 1959, o capelão Perestrello Vasconcellos fez parte da célebre conspiração "Caso da Sé", na qual participaram vários opositores ao regime como Manuel Serra. Na eminência do capelão também ser preso, o presidente do governo Oliveira Salazar chamou a S. Bento o pai do capelão Perestrello Vasconcellos e aconselhou-o a mandar o filho para o Brasil para que não tivesse o desgosto de ver um filho na prisão. Tudo em consideração ao velhote Perestrello de quem o pai de Salazar tinha sido feitor.

E foi assim, que o padre Perestrello Vasconcellos debandou para o Brasil. Nos anos 70 com a primavera marcelista do primeiro-ministro Marcelo Caetano, o padre Perestrello Vasconcellos regressou a Portugal e foi exercer o sacerdócio na paróquia de Loures.

Num belo dia, o admirado e venerado padre Perestrello Vasconcellos, em plena missa dominical, deixou os paroquianos atónitos e lavados em lágrimas. Anunciou que iria deixar o sacerdócio porque se apaixonara por uma senhora da família Lorena. O padre passou à sua condição de cidadão com matrimónio e dessa união nasceu Marcos Perestrello Vasconcellos, o ex-vereador socialista da Câmara de Oeiras e actual secretário de Estado do governo do Partido Socialista.

Conclusão da história: o fascismo e a Igreja Católica deram à luz ilustres socialistas…”

P.S.: Na verdade, verdadinha é que todos, de uma forma ou de outra, todos somos provenientes da mesma mistura. O que me parece grave, muito grave mesmo, é que uns e outros não tenhamos conseguido libertar-nos, ainda dessas raízes que nos prendem os passos e nos tornam tão tacanhos e obsoletos. É por isso que, há quem diga, “da cunha à corrupção não dista um passo de formiga” e é bem verdade. Continuamos feudais e feudalizados, a viver em quintas e senhorios. Como no tempo do Salazar.



Publicado por Zé Pessoa às 09:40 de 18.11.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

A importância de saber chegar a casa a horas

Mário Cordeiro, pediatra, disse numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos.

Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção.

Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.

Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras.

Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.

[Boletim da Acreditar]


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Publicado por JL às 15:19 de 29.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Padrões de vida e consumismo

Telenovelas também são causa de endividamento de famílias

As telenovelas são um importante factor de endividamento das famílias, porque induzem padrões de vida e de consumismo como meios para atingir a felicidade e não têm personagens com prestações por pagar, nota o economista e docente Óscar Bernardes.

Numa acção de formação que ministrou em Coimbra, no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, afirmou que esses programas televisivos de entretenimento são feitos de forma a que as pessoas se identifiquem com personagens.

«Há sempre alguém que tem um padrão de vida real», referiu, acrescentando que mesmo que essas personagens vivam dramas no pequeno ecrã «depois vão seguindo o caminho da felicidade e as pessoas querem imitá-las porque se identificam com elas».

Segundo o docente no Instituto Superior de Paços de Brandão, nas telenovelas «toda a gente tem cavalo, criadas não faltam, há adolescentes com motorista, que são donos de bar e de escola, um faz motocrosse, os quartos são fantásticos, e há ‘n’ portáteis, e não há ninguém que tenha de pagar prestações, que viva num bairro e tenha uma vida miserável».

«As pessoas que têm uma vida horrível e que começam a identificar-se com a personagem da novela pensam que podem ter uma vida como ela e vão copiá-las», observou.

Óscar Bernardes, que ministrou em Coimbra uma acção de formação em Economia Doméstica dirigida a técnicos e beneficiários do RSI (Rendimento Social de Inserção), salientou que as telenovelas induzem comportamentos de consumo e muitas vezes «as suas histórias são construídas pelas próprias marcas» de produtos e serviços, que são utilizados pelos «heróis» do pequeno ecrã.

«Nunca se viu um marketing tão agressivo, com promoções e saldos. É uma sociedade consumista em que o ideal de felicidade e realização passa por ter telemóvel, um bom carro e ir ao cinema todas as semanas», exemplificou.

Na acção de formação organizada pela Rede Social da Câmara de Coimbra e pelo núcleo distrital da Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN), Óscar Bernardes deu alguns truques para evitar a aquisição de bens supérfluos, porque se estima que as pessoas comprem mais de 85 por cento do que aquilo que necessitam.

Ir ao supermercado com tempo, sem os filhos e sem fome, procurar os produtos nas prateleiras de baixo, porque é onde se localizam os mais baratos, optar por marcas brancas e levar uma lista feita em casa à medida das necessidades foram alguns conselhos que deixou. [SOL]


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Publicado por Xa2 às 00:01 de 25.10.09 | link do post | comentar |

Famílias

Família, um conceito amplo e diverso que varia conforme cada cultura, região, circunstancia ou conjugação de interesses.

O conceito de família diverge de país para país e em cada um deles também assume diferentes conotações, veja-se o caso italiano.

“Família” em termos etimológicos deriva da palavra latina “famulus”, que significa “escravo doméstico”. A família representa um grupo social primário, no sentido mais restrito do termo, que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições.

Embora tenha evoluído bastante e, hodiernamente, se apelide de família as mais diferentes formas de agrupamentos de interesses a verdade é que a sua origem não foi feliz nem o é em muitos dos casos a que nos tempos modernos se aplica essa designação grupal.

Muito se falou das listas concorrentes tanto à legislativas como às eleições autárquicas realizadas no passado Domingo e que neste caso com frequência demasiada se verifica ser, pouco mais que agrupamentos familiares nos sentido primitivo do termo, “grupo social primário”.

A comunicação social, mesmo a televisiva, fez eco de um caso concreto de uma freguesia nos Açores, concorrente à eleições do passado dia 11, entre avós e netos, pais e filhos, cunhados e sobrinhos, se resumia a uma só família.

Este fenómeno poderia constatar-se em outras listas concorrentes que, em número significativo, são constituídas em torno de três ou quatro famílias.

Idêntico fenómeno se verifica nas escolhas dos elementos para constituir as mesas de voto e não é caso para menos visto que há já alguns anos esta presença no escrutínio eleitoral dá não só direito de ficar ausente ao trabalho no dia seguinte como, ainda, um abono de 76,00€.

É sabido, como abundantemente tem sido divulgado pelos Órgãos de Comunicação Social, que um número significativo dos “dinossáurios” (uma espécie de pequenos salazares auto-perpectuados nos lugares) vão ter de “abandonar” a família autárquica, não por vontade própria mas porque a lei os obriga. Não refiro aqui os nomes porque são muitos e o que mais importa é a substancia antidemocrática do fenómeno.

A lei deveria, no sentido da qualificação da democracia, obrigar os partidos políticos a não incluir cidadãos quer nas listas que propõem a votos como nas de representantes nas mesas de voto além de três vezes seguidas. Há famílias que só não levam o gato e o periquitos a participar nas mesas de voto porque estes, uma vez em liberdade, fugiriam desta democracia.

Certamente que uma regulamentação desta natureza acabaria por constituir uma vantagem partidária, um enriquecimento democrático e a apropriação de uma maior consciência cívica e de cidadania por parte dos eleitores e cidadão em geral.

Sendo que, concomitantemente, o país sairia a ganhar e a sociedade tornava-se bastante mais coesa.

Creio, sem embargo de contestação, que são estas atitudes que mais distinguiriam  a actual democracia da ditadura que nos governou durante 48 anos.

No próximo ano comemoram-se os 100 anos de implantação da República, caso não haja a cautela necessária tais comemorações correm o risco de branquear os períodos negros, os buracos escuros em que o que comemoramos agora esteve mergulhada. É por isso absolutamente necessário distinguir tais períodos bem como as diferentes famílias influentes em cada um deles. Se assim não for, as ditas comemorações tornar-se-ão um embuste enganador.



Publicado por Zé Pessoa às 00:07 de 13.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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