NO COMÉRCIO, NA ECONOMIA COMO NA FINANÇA

Na china como em todo lado é o mundo à deriva enquanto assim continuar seremos, sempre, uma sociedade e degradação.

A China Labor Watch (CLW) terá sido fundada em Outubro de 2010 e é uma Organização Não Governamental sediada em Nova York cuja actividade e preocupação gira em torno dos direitos dos trabalhadores.

Podemos interrogar-nos o porquê das razões de uma organização não governamental com preocupações e atenta às condições dos trabalhadores na China estar sediada nos EUA se os americanos, normalmente, não dão ponto sem nó? A verdade é que poderia, uma organização desta natureza, estar sediada em qualquer lado do mundo (sé que poderia) menos na própria china, pelos menos por enquanto.

A verdade é que a China Labor Watch (CLW), ao longo desta década, desenvolveu algumas acções e fez várias denúncias sobre as condições sub humanas em que os trabalhadores (adultos, adolescentes e crianças) são, verdadeiramente, escravizados sobre todos os aspectos: Falta de horários de trabalho, remunerações miseráveis, subnutrição, sem qualquer apoio na saúde e segurança laboral, sem condições de descanso e habitabilidade e tudo o mais que a nossa imaginação possa alcançar de negativo e miserável.

Não é por acaso, mas continua sendo impunemente, que os produtos fabricados na China invadem o mundo a preços que nos deveriam envergonhar, a todos, e que apesar disso as marcas acumulam tão elevados lucros, muitas das vezes transaccionados em economia clandestina e, obviamente, com fuga a qualquer taxação de imposto.

A China Labor Watch (CLW) Acaba de divulgar um relatório que incide sobre o que se passa em dez das fábricas que trabalham para as grandes marcas mundiais, como a Dell, IBM, Ericsson, Philips, Microsoft, Apple, HP e Nokia.

Em nove dessas dez fábricas analisadas, aquela organização não governamental concluiu que "os operários não ganham um salário que lhes permita cumprir apenas as horas de trabalho normais, sendo forçados a cumprir um elevado número de horas extra". Tal facto significa inequivocamente serem pagos salários miseráveis.

"O número de horas extra cumpridas mensalmente pelos operários varia entre 36 e 160" e "nenhuma fábrica cumpre estritamente a legislação de trabalho da China" que fixa um limite máximo de 36 horas extra de trabalho por mês, refere a CLW sedeada em Hong Kong.

A jornada de trabalho nestas fábricas prolonga-se entre as 10 e as 14 horas, com fortes variações sazonais, relacionadas com a procura dos produtos.

"Durante a época alta manufactureira, os operários cumprem um número excessivo de horas extraordinárias, trabalhando muitas vezes até à exaustão", refere o relatório da CLW.

A própria Organização Internacional do Trabalho (OIT), em conjugação com alguns sindicatos chineses, tem tentado combater este flagelo chinês e simultaneamente levado o debate, à Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto organização internacional que trata das regras do comércio mundial, exigindo que esta corrija, clarifique e imponha os seus princípios como pratica, tambem, no continente chinês.

Os cinco princípios defendidos pela OMC são: Discriminação, Previsibilidade, Concorrência Leal, Proibição de Restrições Quantitativas e do Tratamento Especial e Diferenciado para Países em Desenvolvimento.

O Princípio da Concorrência Leal que visa garantir um comércio internacional justo, sem práticas desleais, como os subsídios, não prevê, ainda, qualquer regulação relativa a horários de trabalho, remunerações e direitos sociais dos trabalhadores.

A falta de acordo nesta matéria tem levado a desequilíbrios no comércio mundial, tornando mais competitivas as economias onde o custo do trabalho é menor e, em consequência, os países com as balanças comerciais mais desequilibradas, como Portugal, vão-se sucessivamente endividando até ao colapso, como já aconteceu na Argentina.

É por isso necessário alargar o Princípio da Concorrência Leal a aspectos relativos ao mercado de trabalho, estabelecendo-se tetos máximos de horas de trabalho. Por essa via garantia-se um comércio internacional mais justo e uma distribuição do trabalho mais equilibrada a nível mundial. Não faz sentido uns trabalharem até a exaustão e outros nada terem para fazer, vivendo à custa dos primeiros.

Tais desajustamentos poderão, a uns e a outros, empurrar-nos para o descalabros sem apelo nem (des)agravo. O estranho é que os senhores do mundo parece não entenderam (recusam-se?) à grave situação em que o planeta se encontra económica, financeira e socialmente

Teremos que os empurrar?



Publicado por Zurc às 10:35 de 12.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

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