Crimes contra a Humanidade e "apatia" internacional e da cidadania

       Olha um Hitler      (por ,

Há defensores convictos destas novas teses nacionalistas. Outros ainda não se terão apercebido da fragilidade delas.

Não é todos os dias que alguém se compara com Hitler e se disponibiliza para matar ou mandar matar três milhões de pessoas. Mais raro ainda é que a pessoa em causa seja chefe de Estado e tenha os meios para cumprir com o que diz. Mas aconteceu na semana passada.

O presidente das Filipinas Rodrigo Duterte, já conhecido por ter chamado “filho da puta” a Obama e respondido a uma resolução do Parlamento Europeu com um “vão-se lixar”, fez na sexta-feira um discurso que incluiu o seguinte excerto: “Hitler massacrou três milhões de judeus” (nota minha: segundo a maioria dos historiadores, o número é o dobro); “nós temos três milhões de drogados e eu ficaria feliz em poder massacrá-los. Ao menos os alemães tiveram o Hitler e as Filipinas ter-me-iam a mim. As minhas vítimas seriam só criminosos para se poder acabar com o problema do meu país e salvar a próxima geração da perdição.”

Nada descreve tão bem a anestesia geral em que vivemos. Durante décadas, a hipotética ocorrência de um novo Hitler seria suficiente para alarmar meio mundo. Hoje, um homem que governa cem milhões de pessoas numa das regiões mais voláteis do mundo e que tem um conflito territorial no mar da China com pelo menos outros três países pode comparar-se a Hitler e a reação geral é como se víssemos um tipo de bigodinho esquisito na rua. Olha ali um Hitler. Extraordinário.

Duterte pediu depois desculpas à comunidade judaica literalmente com estas palavras: “Eu não fiz nada de mal mas eles não querem que se ofenda as vítimas do holocausto portanto peço desculpas à comunidade judaica”. Os filipinos que estão a ser vítimas de assassinatos sem julgamentos nem culpa formada e os dos prometidos massacres baseados em rumores e suspeitas não terão direito a estas delicadezas.

Mas nós não estamos só anestesiados. Estamos cegos. O nosso ponto cego é o de um entendimento da soberania que se reduz à soberania nacional e faz das nações compartimentos fechados onde cada um decide a sua lei. Sabemos bem que esta ideia tem vingado no solo fértil dos falhanços das Nações Unidas, da hipocrisia dos EUA na invasão do Iraque ou na demagogia que grassa contra qualquer organização internacional, da União Europeia às várias convenções e tribunais regionais de direitos humanos. A direita autoritária propunha esta visão enclausurada da soberania e uma parte da esquerda engoliu-a com anzol, isco e linha. Aquilo que um país decide fazer “democraticamente” está protegido por esta visão nacionalista da soberania, em tudo oposta à soberania que se funda na dignidade inviolável de cada ser humano.

Há defensores convictos destas novas teses nacionalistas. Outros ainda não se terão apercebido da fragilidade delas. O que justifica que um presidente de um país possa dizer o que disse Duterte, e fazê-lo, mas não um auto-proclamado chefe de família ou líder de uma seita, um partido ou um clube de futebol? Nada, a não ser a proteção de outros países.

Saudades de um tempo futuro em que se diga aos Dutertes deste mundo: os crimes contra a humanidade serão punidos e acabarão sempre em frente a um tribunal, seja em Haia, Nuremberga ou Manila. Para que até Duterte entenda a gravidade daquilo onde se está a meter.

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--- O que Trump significa. (por Manuel Carvalho da Silva, via Entre as brumas ...) 

      «É sob o pano de fundo da antipolítica e da insegurança generalizada, que emergem novos atores com ADN fascista, como os que conhecemos no passado e agora reencontramos em figuras como Trump. Eles prometem segurança e autoridade contra "o sistema" - uma nebulosa imprecisa que designa interesses poderosos e ocultos - e contra inimigos internos e externos, reais ou imaginários.        A desgraça deste cenário é o facto de os Trump dos EUA e de outras paragens constituírem a expressão mais profunda da podridão que infetou a sociedade em que vivemos. Na sua ascensão, serviram-se e servem-se das contradições e cedências de democratas vazios ou inconsequentes.» 
      (juntamente com muita demagogia, populismo, nacionalismo, abstencionismo, iliteracia, pobreza, crise, manipulação, corrupção e saque).


Publicado por Xa2 às 08:51 de 03.10.16 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Incompatibilidades de políticos, ética e negócios público-privados

----- «À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecê-lo» e v-v. ----

------ O mero aproveitamento político-partidário     (por D.Crisóstomo, 3/3/2016, 365forte)

      O Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos Políticos e Altos Cargos Públicos tem um artigo, o 5º, que se dedica ao "Regime aplicável após cessação de funções". E, na lei que está em vigor, esse artigo tem a seguinte redacção: Artigo 5º

1. Os titulares de órgãos de soberania e titulares de cargos políticos não podem exercer, pelo período de três anos contado da data da cessação das respectivas funções, cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado, desde que, no período do respectivo mandato, tenham sido objecto de operações de privatização ou tenham beneficiado de incentivos financeiros ou de sistemas de incentivos e benefícios fiscais de natureza contratual.   2. Exceptua-se do disposto no número anterior o regresso à empresa ou actividade exercida à data da investidura no cargo.

    Cito-o, porque entrou na ordem do dia. Entrou no dia de hoje, quando a imprensa revelou que a deputada do PSD, Maria Luís Albuquerque, membro do XIX Governo Constitucional e do XX Governo Constitucional, tinha sido nomeada e que a partir de 7 de Março passará a exercer funções como diretora não-executiva, integrando o comité de risco e auditoria, do grupo Arrow Global, uma gestora de divida que em Portugal tem clientes como o Banif, o Millennium BCP ou o Montepio. Em comunicado, a deputada esclarece ainda que não renunciará ao seu mandato parlamentar, acumulando-o com a sua nova função empresarial. Nesse mesmo comunicado, esclarece ainda que "a função de administradora não executiva não tem nenhuma incompatibilidade ou impedimento legal pelo facto de ter sido ministra de Estado e das Finanças e de ser deputada. Qualquer outra leitura que possa ser feita desta nomeação só pode ser entendida como mero aproveitamento político-partidário". 

     Ora bem, antes de mais, o campo da legalidade: compreendo as dúvidas manifestadas pelos parlamentares do PCP, do PS e do BE, pois apesar de não ser do conhecimento público nenhuma situação em que a Arrow tenha "beneficiado de incentivos financeiros ou de sistemas de incentivos e benefícios fiscais de natureza contratual", tal não significa a sua inexistência e o assunto merece ser devidamente investigado e verificado. Caso se confirme a versão de Maria Luís Albuquerque e não estejamos perante nenhuma situação de possível ilegalidade, a questão legal fica arrumada. 

      Voltemos-nos agora para o outro campo, o "político-partidário", que a deputada do PSD refere. E aqui, temos clareza. Maria Luís Albuquerque despacha as criticas que lhe estão a ser dirigidas como "mero aproveitamento" político da coisa, acha isso mal e que isso não devia ser feito. Pois bem, permitam-me a simplicidade: alguém faça o favor de relembrar à doutora Maria Luís Albuquerque que ela é uma parlamentar eleita da República Portuguesa, é deputada à Assembleia da República, é membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Europeus, era nº1 numa lista de candidatos a deputados no quarto maior círculo eleitoral do país, foi Secretária de Estado do Tesouro e era até há 98 dias Ministra de Estado e das Finanças. Lamentamos imenso o incómodo causado, mas sim, eventuais ilegalidades ou faltas de espinha dorsal e vergonha na cara serão alvo de tratamento político. Sim, pedimos desculpa pela chatice, mas quando uma deputada e ex-ministra decide, 4 meses após ter deixado o gabinete ministerial, que já pode ir alegremente tomar posse na direção duma empresa que esteve envolvida em operações financeiras com o sector que tutelou e com as empresas que, estando sob a alçada do Estado, eram da sua responsabilidade, os representantes eleitos têm tendência a questionar, se a ex-ministra não se importar. Têm têndencia a querer ver esclarecidas eventuais dúvidas e questões dos cidadãos na sub-comissão de ética da Assembleia da República. "O mero aproveitamento politico-partidário", essa nojice, é o escrutínio público a que todos os parlamentares e governantes estão sujeitos. A partir do momento em que Maria Luís Albuquerque assumiu o mandato de gerir as finanças da República e desde que assumiu o mandato de representar os cidadãos portugueses na câmara parlamentar nacional, sua vida profissional é, e deve ser, escrutinada. Por alguma razão vai ter que declará-la ao Tribunal Constitucional, atualizando o seu "Registo de Interesses". Deixar de Ministra de Estado e das Finanças e, passado uma estação do ano, acumular o mandato de deputada com o de "membro do comité de risco e auditoria" duma gestora de divida com actuação no mercado financeiro português é algo que deve ser politico-partidariamente analisado, por mais que isso a chateie, por mais que o escrutínio a aborreça.

     Até porque o domínio "politico-partidário" tem outras vertentes, nomeadamente aquela em que produz a legislação que a todos nos rege. Ou que impede a criação ou actualização de legislação. Que procede à aprovação ou à rejeição de projectos de lei. Legislação como o Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos Políticos e Altos Cargos Públicos. Actualização como aquela proposta pelos deputados do Bloco de Esquerda, que desejavam alterar o articulado do n.º1 do artigo 5.º para "os titulares de órgãos de soberania e titulares de cargos políticos não podem exercer, pelo período de seis anos, contado da data da cessação das respectivas 4 funções, cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado"; ou como propuseram os deputados do PS, quando quiseram alterar o n.º1 do artigo 5.º para "os titulares de órgãos de soberania e titulares de cargos políticos não podem exercer, pelo período de três anos contado da data da cessação das respectivas funções, cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado". Rejeição como aquela protagonizada pelos deputados do PSD e CDS-PP em 2012, quando chumbaram na especialidade as duas propostas de alteração do Regime Jurídico de Incompatibilidades e Impedimentos dos Titulares de Cargos Políticos e Altos Cargos Públicos que impediriam ex-ministros das finanças de, quatro meses depois de serem abandonarem o cargo, irem exercer funções de direção no sector que tutelaram. Esta é uma "qualquer outra leitura que possa ser feita". Há quem a faça.

-----   Uma posta de pescada sobre o assunto do dia   

marialu-56fe.jpg Muitos já têm falado sobre os aspectos éticos e legais da decisão da agora deputada Maria Luís Albuquerque em se tornar vogal não-executiva de uma empresa “que esteve envolvida em operações financeiras com o sector que tutelou e com as empresas que, estando sob a alçada do Estado, eram da sua responsabilidade.”

----- Esta é mesmo uma má semana para a "Miss Swaps"    (por D.Moreira, 4/3/2016,365forte) 

                               ----- Temos de  falar      (J.Rodrigues, 4/3/2016, Ladrões de B.)
Temos de falar, mas não é sobre conflitos de interesses, antes sendo sobre a sua ausência no pensamento e na acção de tanta gente com responsabilidades (mas nunca responsabilizada), dado que até parece que o seu único interesse é o dinheiro (e os tachos).
    Temos de falar sobre a política de austeridade, de desvalorização interna, e sobre um dos seus efeitos: a fragilidade financeira crescente desta periferia, traduzida na desvalorização de activos, no aumento do crédito malparado. Temos de falar sobre multinacionais financeiras que, quais abutres, procuram lucrar de múltiplas formas com esta situação. Temos de falar sobre controlo estrangeiro do sistema financeiro, sobre as fontes do poder da finança, sobre swaps e sobre tribunais estrangeiros (e arbitrais, acima dos Estados 'soberanos' e TTIP). Temos de falar sobre financeirização. Temos de falar sobre o Euro.
     Temos de falar sobre política/os vende-pátrias e sobre as suas recompensas posteriores: notícias laudatórias na imprensa internacional e na subserviente nacional, cargos bem remunerados, sobretudo no estrangeiro, ou indo para fora cá dentro, seja nas tais multinacionais financeiras que aqui operam, seja nas instituições internacionais que lhes dão outra força política por cá, da Comissão Europeia ao FMI, passando pelo BCE.
     Temos de falar sobre esta elite totalmente desprovida de lealdades, de compromissos, com a imensa maioria dos que aqui vivem. Temos de falar sobre as estruturas pós-democráticas com múltiplas escalas que asseguram a sua reprodução.
      E, sim, temos mesmo de falar sobre a ex-ministra Maria Luís Albuquerque.


Publicado por Xa2 às 12:51 de 06.03.16 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Pela transparência na «Res Pública», melhor democracia e justiça

Organizações "tribais"  (, 'lobbies' e 'sanguessugas' do Estado

(Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=752446)
Defendo (-por V. desde há muito que o código de conduta dos titulares de cargos públicos (*) deveria exigir a declaração de pertença a qualquer associação ou organização coletiva ou grupo de interesses comuns, incluindo as "irmandades" de solidariedade intensa como a maçonaria e a 'Opus Dei' (**), em prol da transparência, da independência e da imparcialidade no exercício desses cargos.
--------xxxxxxxxx------- :
     *-    de nomeação político-governamental ou autárquica, ao nível de direcção superior e intermédia, bem como para os deputados e governantes;
     **-   e também para a propriedade, participação accionista, administração ou direcção (em  sociedades de advogados, empresas, fundações, ...) especialmente nas entidades com participação ou ajudas do Estado.
--------- :
  Também relacionado com os LÓBIS (lobbies)  (e a «captura do estado» para benefício privado/ particular, de indivíduos, oligarquias ou grupos) estão as «incompatibilidades» (a rever e a alargar) dos deputados e detentores de cargos públicos (políticos/eleitos ou nomeados), o tráfico de influências, as fugas de informação (na justiça), o nepotismo no acesso/nomeação para cargos e funções, os concursos e concessões, a corrupção e o enriquecimento ilícito, o segredo bancário, os 'offshores', os subsídios e isenções a empresas e investimentos, os PIN (projectos de interesse 'nacional') e as alterações às REN, RAN, PDM,..., as aquisições de bens e serviços por adjudicação directa e o 'outsourcing', os carteis (de preços e de empresas/ consórcios que se apresentam a concursos), as 'autoridades reguladoras' e as inspectivas, ...
--------- :
.    'Obediências' Maçónicas em Portugal (:.  GOL, GLRP, GLLP, GLFemP, ... )
e outras org./ associações ou fundações de direito privado (inclui de direito canónico/S.Sé) e suas conexões, características, objectivos, práticas ...  -----vêr mais desenvolvimento, ligações e casos em comentários ... --->>
.   A/s maçonaria/s  têm uma história e actividade social importante mas, o seu crescimento e alteração de condições económicas, ideológicas e políticas (tal como para os partidos ...), levaram a alguns desvios e aproveitamentos por parte de 'irmãos' e 'lojas' que não merecem partilhar o respeito e valor que outros grangearam... pelo que, na mesma 'cesta', se encontram tanto óptimas 'maçãs' como podres... e o conjunto degrada-se...
.   Sendo que, talvez a maioria, os seus membros são semelhantes à maioria do resto dos cidadãos ... e entraram para a 'loja' como entraram para o 'partido' e para o 'clube' (aliás as 'jogadas' e participações em várias org. são cruzadas e transversais!), na esperança de partilhar 'vitórias' e obter benefícios... mas quando eram poucos e havia muitos lugares/ tachos bastava ter o 'cartão' ... agora, com tantos desesperados/ precariedade e tão poucos lugares ... também dentro destas organizações, o 'filé'/ o almejado poder e seus benefícios é só para uma minoria, élite, (pois tb aqui o nepotismo + sacanice impera !!) sendo os outros/ maioria apenas 'pagantes de quotas', 'carregadores', 'coladores de cartazes' e 'batedores de palmas', ... recebendo migalhas na eterna esperança de 'um dia lá chegar'...
.    Este não é o país da cidadania, da liberdade, igualdade e fraternidade ... é o secular domínio senhorial, do sebastianismo, emigração/expulsão, fado, futebol, fátima, ... dos esquemas, desenrascanço, exploração, privilégios, 'show off', sabujos, servos e sobrevivência.


Publicado por Xa2 às 08:00 de 05.03.16 | link do post | comentar | ver comentários (25) |

Predadores do Estado ... e dos contribuintes-consumidores...
   O  predador      (- 8.12.2015, por  Mariana Mortágua, deputada do B.E.)

     Foi diretor do Caixa BI, o banco de investimento da CGD, onde se especializou em parcerias público-privadas (PPP). Esteve do lado da banca, a desenhar a estrutura financeira dos contratos que mais tarde se revelaram ruinosos para o Estado: as PPP rodoviárias da Beira Interior, do Pinhal Interior, do Litoral Oeste, do Baixo Tejo, do Baixo Alentejo, do Litoral Algarve, entre outras. Foi ainda enquanto representante do consórcio privado ELOS que assinou o contrato de financiamento, e respetivos swap, associados à construção da linha de TGV Poceirão-Caia entretanto cancelada. No processo foi nomeado administrador-executivo do banco.

     Em 2011, passa a secretário de Estado, com duas funções principais: a renegociação para o Estado dos contratos feitos enquanto gestor e a privatização de empresas públicas. Para o assessorar na difícil tarefa, contratou em exclusividade Teresa Falcão, advogada da Vieira de Almeida, um dos maiores escritórios do país, onde trabalhava precisamente na área de Infraestruturas. No dia 22 de janeiro de 2014, a advogada é exonerada com louvores, para logo a seguir ter sido assinado um contrato de prestação de serviços, em que recebia 31 mil euros por assessoria jurídica. No total, só em 2014, a Vieira de Almeida recebeu do Estado e entidades públicas 1 milhão e 160 mil euros.

    Privatizou a ANA, com direito a alterações na regulamentação do setor aeroportuário à medida do comprador (segundo o próprio relatório de acompanhamento). Vendeu os CTT em Bolsa à finança estrangeira que encaixou largos milhões com a súbita valorização em Bolsa da empresa. Foi responsável pelo gigante embuste que foi a privatização da TAP, despachou a CP Carga e concessionou os transportes urbanos de Lisboa e Porto, cujos contratos (da Carris e Metropolitano de Lisboa) foram barrados pelo Tribunal de Contas.

      Ainda não tinha terminado o mandato, e já se sabia dos seus novos voos: responsável pela venda do Novo Banco ('BES bom'), contratado pelo Banco de Portugal (BdP), por um período de 12 meses, pela quantia de 30 mil euros mensais (descontos para a Segurança Social incluídos). É o dobro do que recebe o governador e muito acima, já agora, do que recebem os atuais administradores da Caixa BI.

    Ainda assim, segundo o BdP, o valor equivale ao anterior salário como administrador, esquecendo-se que o lugar na Administração já foi preenchido por outra pessoa, e que nada garante que o gestor para lá volte com o seu salário milionário.

    Assim foram os cinco anos meteóricos de Sérgio Monteiro, gestor, facilitador, governante. Sob a capa da competência técnica, a eterna confusão entre o público, o privado e os escritórios de advogados que, sendo privados, trabalham para ambos.



Publicado por Xa2 às 07:40 de 21.12.15 | link do post | comentar |

Reduzir combustíveis fósseis ... consumismo e conversão ecológica
-.  .-

Ainda mais 'Crescimento' ??    o Planeta TERRA  rebenta !!

Arrebentamento     (por Ana Moreno, 28/11/2015, Aventar)

anamundo21novo

Quem acredita num crescimento infinito num planeta fisicamente finito, ou é louco, ou economista” – David Attenborough

Marcha Mundial do Clima em Lisboa, 29.11.2015, 15 horas, Martim Moniz

paris sapatos

Assine a Petição (clique):
dirigida à cimeira do clima e aos líderes do G20: financiem o futuro do planeta !
pois  Estamos a ser enganados !   Clima vs Combustíveis fósseis.  (texto em comentário anexo).

----- (post original de 14/6/2015):

“OMuitos disseram que era um sonho impossível, mas alguns dos maiores líderes mundiais acabaram de se comprometer na Cúpula do G7 (reunião dos líderes dos 7 países mais industriais/ poderosos) tirar os combustíveis fósseis  (petróleo, carvão) da economia global para sempre! (gradualmente...)
     Até mesmo a imprensa, normalmente incrédula, está divulgando esse acordo extraordinário. 
     É um grande passo para a vitória na cúpula de Paris em dezembro, onde o mundo inteiro pode vir a se unir em torno de uma mesma meta: um mundo sem combustíveis fósseis. Essa é a única maneira de nos salvar da catástrofe causada pelas mudanças climáticas.
    Nos últimos dois anos, nossa comunidade tem feito mobilizações públicas em todo o mundo com esse objetivo. Algumas de nossas ações:

Nosso trabalho está longe de ser concluído, mas o momento pede celebração. Clique aqui para ler mais sobre o que fizemos e parabenizar a todos os membros desta comunidade maravilhosa! “A
     Há um ano, as mudanças climáticas pareciam um monstro que perseguia a humanidade e aumentava a probabilidade de nossa extinção, resultado de nossa própria estupidez e corrupção.

Mas com esperança e boa estratégia (ou seja, com o efeito Avaaz :)), e graças aos esforços de muitos líderes, como a chanceler alemã Angela Merkel e o Papa Francisco, além de organizações como nossos amigos da 350 e à cobertura do jornal britânico The Guardian sobre o desinvestimento em combustíveis fósseis, assim como as pesquisas incríveis de grupos como o World Resources Institute, a maioria dos especialistas agora acredita que a maré está virando. Estamos ganhando força para obter um acordo global em Paris no final do ano, o que irá colocar o mundo nos trilhos certos a caminho de uma solução. Será uma longa luta. Não podemos nos dar ao luxo de baixar a guarda. Hoje celebramos a vitória em uma batalha! 
     Com gratidão e alegria,   Ricken, Alice, Emma, Iain, e toda a equipe da Avaaz.

PS: a declaração do G7 é apenas um comprometimento e temos que exigir que seja cumprido. Comprometimentos, porém, são importantes: eles enviam um sinal claro para os investidores em energia suja e limpa que ajudará a acelerar o “boom” da energia limpa. Eis mais informações sobre a cúpula e sobre como a Avaaz ajudou:
https://secure.avaaz.org/po/paris_here_we_come/?bSmLncb&v=60259 
   G7 chega a consenso sobre eliminar combustíveis fósseis gradualmente (Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/06/1639387-g7-anuncia-acordo-para-eliminar-combustiveis-fosseis-gradualmente.shtml 
   G7 concorda em “descarbonizar a economia” até 2100 (Público)
http://www.publico.pt/mundo/noticia/g7-concorda-em-descarbonizar-a-economia-ate-2100-1698342 
   Merkel convence Canadá e Japão acerca de metas de redução de carbono (em inglês) (Politico)
http://www.politico.eu/article/germany-canada-japan-emissions-pledge/ 
   G7 diz 'tchau, tchau' aos combustíveis fósseis (em inglês) (Reuters)
http://in.reuters.com/article/2015/06/08/g7-summit-idINKBN0OO25120150608 

 ----- Papa Francisco  apela à   “conversão  ecológica”  dos  católicos ---

 Na primeira encíclica dedicada à crise ecológica, o líder católico reconhece o consenso científico sobre a responsabilidade humana nas alterações climáticas e pede uma “real conversão ecológica” dos fiéis.   - 18 de Junho, 2015
    "Há um consenso científico muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático (efeito de estufa). Nas últimas décadas, este aquecimento foi acompanhado por uma elevação constante do nível do mar, sendo difícil não o relacionar ainda com o aumento de acontecimentos meteorológicos extremos, embora não se possa atribuir uma causa cientificamente determinada a cada fenómeno particular.     A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam”, diz o papa Francisco na encíclica “Laudato Si”, a primeira da sua inteira responsabilidade, aqui citada pela Rádio Renascença.

    Na encíclica, o líder católico aponta as consequências da crise climática, como o surgimento de novas guerras pelos recursos naturais.  E não se limita a recomendar mudanças no dia a dia de cada pessoa, como reduzir o consumo de plástico, aumentar o uso de transportes públicos ou separar o lixo.  Para além do habitual alerta contra o consumismo desenfreado, Francisco incentiva os fiéis a pressionarem o poder político “a desenvolver normativas, procedimentos e controlos mais rigorosos. Se os cidadãos não controlam o poder político – nacional, regional e municipal –, também não é possível combater os danos ambientais”, conclui.

     Para o papa Francisco, a crise ecológica "é um apelo a uma profunda conversão interior". Aos cristãos que "com o pretexto do realismo pragmático frequentemente se burlam das preocupações pelo meio ambiente", o líder católico diz que lhes falta "uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus".

    "A desigualdade não afecta apenas os indivíduos mas países inteiros e obriga a pensar numa ética das relações internacionais. Com efeito, há uma verdadeira 'dívida ecológica', particularmente entre o Norte e o Sul, ligada a desequilíbrios comerciais com consequências no âmbito ecológico e com o uso desproporcionado dos recursos naturais efectuado historicamente por alguns países”, prossegue a encíclica papal, apontando também o dedo à exportação de resíduos sólidos e líquidos tóxicos para os países em vias de desenvolvimento” ou para a “atividade poluente de empresas que fazem nos países menos desenvolvidos aquilo que não podem fazer nos países que lhes dão o capital."  (deslocalização predadora dos recursos, do ambiente e dos trabalhadores).

      A encíclica agora lançada destaca igualmente a luta pelo direito à água como “um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos.   Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável”, defende o papa Francisco antes de lançar críticas aos “oásis” dos condomínios fechados nas grandes cidades.

   "Nalguns lugares, rurais e urbanos, a privatização dos espaços tornou difícil o acesso dos cidadãos a áreas de especial beleza; noutros, criaram-se áreas residenciais 'ecológicas' postas à disposição só de poucos, procurando-se evitar que outros entrem a perturbar uma tranquilidade artificial.   Muitas vezes encontra-se uma cidade bela e cheia de espaços verdes e bem cuidados nalgumas áreas 'seguras', mas não em áreas menos visíveis, onde vivem os descartados da sociedade”, assinala o líder católico.



Publicado por Xa2 às 21:09 de 29.11.15 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Programa neoliberal, austeritarismo, pobreza, demografia ... e «TTIP»

      O «inverno demográfico» como pretexto  (N.Serra, 10e11/11/2015, Ladrões de B.)

    No seu programa de governo, a direita agora minoritária no parlamento volta a insistir na ideia de que o «inverno demográfico» se instalou no nosso país «há mais de três décadas», sugerindo acrescidamente que a recente sangria migratória nada tem que ver com austeridade nem com o «ajustamento», constituindo apenas uma espécie de prolongamento natural da dinâmica demográfica registada «ao longo da última década».
      Procurámos já demonstrar (por exemplo aqui e aqui) que as políticas de austeridade agravaram de forma muito significativa o problema demográfico português, que passou a acumular - a partir de 2011 - saldos naturais e migratórios negativos.   A queda a pique do saldo demográfico, responsável pela diminuição da população residente em 1,5% na passada legislatura, apenas seria invertida em 2014, sobretudo graças ao travão colocado pelo Tribunal Constitucional ao desejo do governo em proceder a mais cortes e sacrifícios e assim aprofundar a austeridade «além da troika», «custe o que custar».
     Não se iludam porém quanto às reais motivações do ainda governo para inscrever, entre os cinco pontos essenciais do seu programa, o «combate ao "inverno demográfico"».   A receita não é nova e destina-se apenas, sob o manto de propaganda em torno de uma súbita sensibilidade social, a prosseguir a agenda neoliberal de transformação da economia e da sociedade portuguesa.   Do iníquo quociente familiar em sede de IRS (dirigido às famílias numerosas, sem ter em conta o seu nível de rendimento), ao aumento da cobertura na rede de creches «nomeadamente através da rede social e solidária», passando pela flexibilização de horários, pelo reforço do «voluntariado intergeracional» e até (pasme-se) pela reabilitação do programa VEM, está lá tudo, nas linhas e nas entrelinhas.
      A ideia é convencer as pessoas de que basta fazer umas cócegas ao dito «inverno demográfico» para ele se ir embora.   Sem enveredar por loucuras próprias da social-democracia ou até da democracia cristã como a subida do salário mínimo, o combate à pobreza e à exclusão, a redução das desigualdades nos rendimentos ou a generalização do horário de trabalho de 35 horas semanais.     E, de caminho, continuar a estiolar o mercado de trabalho, transferir recursos para as IPSS (principalmente de privados, igreja e misericórdias) e fingir que se está a promover o regresso ao país daqueles que foram forçados a partir nos últimos quatro anos.
         ------ Os limites da «economia do empobrecimento competitivo»
    Duas ou três notas adicionais, a propósito do «inverno demográfico» como pretexto para prosseguir a agenda dos baixos salários e do empobrecimento competitivo, em que a maioria de direita se empenhou ao longo dos últimos anos, sob a manto das «imposições» do memorando de entendimento assinado com a troika.
    1. Para se ter uma noção mais precisa de como a crise e a austeridade tiveram um impacto relevante na demografia, acelerando e agravando de modo muito significativo tendências de evolução anteriores, compare-se o valor da emigração a que se chegou em 2014 (cerca de 135 mil), com as estimativas do valor que se teria previsivelmente atingido nesse mesmo ano sem políticas de austeridade (109 mil) e sem crise nem austeridade (85 mil).
    2. Um dos aspectos que tem talvez sido pouco sublinhado, quando se analisam as dinâmicas demográficas recentes, decorre justamente do facto de essas dinâmicas ilustrarem os próprios limites da «economia do empobrecimento competitivo», que a direita gostaria de aprofundar nos próximos anos. O Luís Gaspar já o disse há uns tempos com notável clareza: «Baixam-se os salários no pressuposto que o trabalho é demasiado caro. O trabalho vai-se embora. Mesmo para o mais ortodoxo dos economistas, isto deveria querer dizer que o trabalho não estava caro. A única transformação estrutural da economia arrisca-se a ser esta: em vez de serem os salários que se "ajustam" à economia, é a economia que se ajusta aos salários baixos.»
    3. Isto quer dizer que o aumento do salário mínimo «não é apenas uma questão de decência e dignidade, mas também de bom senso económico», como sublinha o Alexandre Abreu em artigo de leitura imprescindível, no Expresso de hoje. Em linha, aliás, de um comentário recente do Mário Estevam, a propósito das conversações à esquerda para virar a página da austeridade: «Não sei se o salário mínimo vai chegar aos 600 euros ou não... O que não podia continuar a acontecer era ter pessoas honestas a trabalhar e a viver na miséria porque o salário mínimo não paga o custo de vida.» Não perceber isto é não perceber o que aconteceu nos últimos quatro anos e, pior que isso, querer insistir numa receita desastrosa para o país.
     Adenda:   É inqualificável a decisão governamental de acabar com o financiamento do Observatório da Emigração por este ter revelado, em Setembro, os números relativos a 2014 (constantes do relatório anual concluído em Julho), quando o governo apenas os pretendia divulgar depois das eleições.  A decisão de corte do financiamento foi comunicada já depois do dia 4 de Outubro, através de uma carta dirigida ao reitor do ISCTE–IUL.   O relatório mostra que a emigração se manteve em patamares muito elevados, contrariando assim a tese governamental em torno de um suposto abrandamento das saídas, em ano de «retoma económica».   Decisões deste teor não causam estranheza, apenas repulsa, quando provém de um (des)governo que só foi sobrevivendo graças a uma poderosa máquina de desinformação e propaganda.
 
------ Hipocrisia e choque com a realidade    (-JMCordeiro, 11/11/2015,Aventar)
     Apesar de toda a manipulação e  propaganda disseminada pela PAF, tanto directamente pelos governantes/ dirigentes/ políticos que a compõem, como pela legião (de capatazes, avençados, censores e 'comentadores') que vagueia na comunicação social, o gráfico acima traduz o que foram quatro anos e meio de empobrecimento e transformação do país pela direita mais obcecada (nos 'tachos', 'luvas', nepotismo, tráfico de influências, privatizações, concessões e 'parcerias PP' prejudiciais da res pública) na  entrega do Estado a privados (teoria e prática neoliberal, do 'estado capturado' por  'lobbies', 'barões'/ oligarcas, bancos e empresas transnacionais, ainda pior se for aprovado o TTIP) que o país alguma vez conheceu.
     Foi isto que foi chumbado ontem. Foi este caminho que foi negado.     BASTA !
 
------- e   Stop  ao  TTIP  !
   O público em geral nem sabe o que é o TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership); mas, Cavaco Silva deve saber "tudo, tudo, tudo"  sobre este sinistro Tratado (e também dos  TISATTP : ditos de "investimento e comércio livre" UE-USA-... , ultra-neoliberalcom tribunal privado que favorece as empresas transnacionais e ultrapassa a soberania dos Estados), uma vez que a ele veladamente se referiu no discurso de posse do governo ... 
    Em alguns países europeus onde a CS/media  não é controlada como em Portugal, a sociedade civil/ cidadania está alerta, sublinha a pressa que os neo-liberais  mostram em amarrar a UE a este sinistro tratado  e anda preocupada com uma das suas imediatas consequências : aumento da base social da extrema direita onde nacionalistas xenófobos se mostram cada dia mais influentes.
   O vídeo abaixo é esclarecedor, nem tudo é teoria de conspiracäo... E que há lutas desiguais. 
https://www.youtube.com/watch?v=5fNo82NC2Cw  . .   Pré-visualizar vídeo do YouTube WikiLeaks oferece €100,000 pelo Segredo Mais Cobiçado da Europa 'TTIP'   . 
    e . o que é o TTIP ?  (em português).


Publicado por Xa2 às 08:48 de 11.11.15 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Injustiça fiscal (Pt. e U.E.) e Fisco (e S.S.): lóbis, favorecimento e evasão

 ---- O Semestre Europeu e a injustiça fiscal...

     "O Deputado Paulo Rangel tentou por em causa a legitimidade democrática de um governo à esquerda em Portugal, que, cumprindo os compromissos europeus, tente corrigir a devastadora deriva austeritária que empobreceu drasticamente o País, obrigou mais de 500.000 portugueses a emigrar nos ultimos 4 anos e não reduziu, só aumentou, o endividamento público e privado.
     Mas, Sr. Comissário Dombrovkis, é a si que eu pergunto se a Comissão Europeia não tem vergonha da desigualdade activamente fomentada pelas políticas que a Troika abençoou em Portugal, incluindo a amnistia fiscal de 2012, que  serviu para lavar, legalizar e manter milhares de milhões em paraisos fiscais (offshores), sem sequer os obrigar a repatriar, apesar de serem produto de fraude e evasão fiscais e de corrupção. Ou continua a não ver o esquema de beneficios e isenções fiscais que, em total opacidade, o Governo Português prosseguiu nestes 4 anos, favorecendo grandes empresas e o grande capital, enquanto sobrecarregava de impostos quem trabalha? (em especial a classe média)
     Será que a Comissão vai usar o Semestre Europeu para corrigir as políticas fiscais regressivas e obscenas em Portugal e noutros Estados Membros, por políticas pró-europeias, pró-crescimento e pró-justiça social e fiscal?"
       Esta foi a Intervenção que fiz  esta tarde no debate em plenário do PE sobre o Semestre Europeu, em que Portugal veio muito à baila. O Comissário respondeu que a CE usaria o próximo Semestre Europeu para incentivar os EMs a corrigirem as políticas fiscais, em particular com a redução de impostos sobre trabalhadores com baixos salários. A ver vamos! 

 -------  Fisco      (-oJumento, 10/11/2015)

  photo _dinheiro_zpsxfpld27s.jpg   Nota introdutória
   A maioria dos ministros do governo de Passos Coelho foram incompetentes, Pires de Lima passeou, o Crato foi uma anedota, o relvas foi o que foi, o Maduro não passou de verde, a Paula foi um desastre, a Cristas pouco mais fez do que o dress code sem gravata e esperar que as oliveiras plantadas anos antes dessem azeitonas, a regra foi a incompetência.   A despesa pública com gorduras continuou a aumentar, as dívidas à Segurança Social não pararam de aumentar, a evasão contributiva ficou fora de controlo.     O que salvou o país de um segundo resgate não foi o radicalismo de Passos Coelho e muito menos as rezas da Dona Maria à Santinha de Fátima, o país evitou males maiores graças aos resultados de um investimento na modernização do fisco iniciado por Sousa Franco, continuado por Manuela Ferreira Leite, desenvolvido com Sócrates e que permitiu os melhores resultados com este governo.
     Mas este sucesso na cobrança de dívidas também tem um lado perverso, dá uma imagem do fisco moderno que não corresponde à verdade em todos os seus sectores, torna competentes muitos dirigentes incompetentes que em nada contribuíram para este sucesso e nalguns casos ainda se opuseram, permite aos governantes usar o esforço dos contribuintes para criar almofadas em favor do favorecimento de alguns sectores. Fez-se muito no fisco mas quase tudo está por fazer e os sinais mais recentes apontam mesmo para algum retrocesso.
               Os secretários de Estado dos Assuntos Fiscais
     Neste país dá-se muita importância aos ministros e quase nenhuma aos secretários de Estado, desde o tempo de Cavaco que são tratados como figuras menores, governantes descartáveis a qualquer hora. Acontece que há secretarias de Estado mais importantes para o sucesso de um governo do que a maioria dos ministérios e uma delas é a secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais.  O problema é que num país que há décadas vive com dificuldades financeiras a escolha dos responsáveis por esta secretaria de Estado revela uma grande incompetência.
      Não admira que Cavaco tenha acabado a sua governação a pagar parte dos salários com títulos do Tesouro, que Manuela Ferreira Leite tenha vendido as dívidas fiscais para iludir o défice (para não referir outros truques manhosos, como a retenção dos reembolsos do IVA, adiamento de compras imprescindíveis e pagamento a fornecedores, ...), Pina Moura chegou ao fim a elaborar uma lista de 50 medidas para poupar, Sócrates deixou de ter controlo no défice e até a Maria Luís perdeu o controlo na fase final com a manobra da sobretaxa e as decisões desastrosas em período eleitoral.
     A lista de secretários de Estado dos Assuntos Fiscais explica muitas agruras sofridas pelos portugueses, a regra é a incompetência e o lobismo. Muitos dos que passaram pela pasta estiveram mais preocupados com os ganhos (pessoais) que poderiam obter depois de abandonarem o cargo e hoje são (administradores de grandes empresas,) sócios de grupos de consultoria, de grandes escritórios de advogados ou fazem negócios na cooperação. A maior parte deles esteve mais preocupada em fazer currículo pessoal, em deixar dirigentes no fisco por eles nomeados para mais tarde conseguirem facilidades ou em servir lóbis empresariais do  que em combater a evasão fiscal. (dos 'grandes')
      Com muita gente que por lá passou a secretaria de Estado foi mais um serviço de Finanças para os ricos do que outra cosia, tudo começou com Oliveira e Costa e ainda hoje se faz sentir o rasto de poder que durante décadas esteve na mão dos seus adjuntos e assessores, hoje quase desconhecidos professores universitários ou juristas dos contenciosos dos bancos e de outras instituições.
     Cada partido tem uma seita de fiscalistas instalados e alguns até têm mais do que uma seita, estão organizados em grupos ligados a este dirigente ou àquele candidato a dirigente. Há conhecidos comentadores televisivos que têm mais poder do que os secretários de Estado e que sempre foram vistos a entrar nos gabinetes, muitas vezes para reverem projectos de leis fiscais em defesa dos seus interesses.
    Alguns destes lobistas são figuras bem conhecidas que misturam televisão com amizades, tratam futuros primeiros-ministros  por tu nos seus programas de televisão, representam grandes grupos empresariais, grupos que têm contenciosos fiscais que envolvem montantes bem superiores aos cortes dos vencimentos ou das pensões
Não raras vezes o acto mais corrupto na área fiscal começa pela escolha do próprio secretário de Estado.
                A   AT  (Autoridade Tributária, "fisco, finanças, contribuições e impostos")
     A fusão da antiga DGCI com as Alfândegas não foi uma fusão no verdadeiro sentido da palavra, nalguns sectores foi uma absorção ou mesmo uma expropriação, noutros foi a instalação de um galheteiro. Pior ainda, desde a fusão que os directores-gerais são como o D. João II que era rei das estradas de Portugal, os directores-gerais da AT são directores-gerais dos corredores, a verdade é que os subdirectores-gerais são uma espécie de minis-directores-gerais.
     O modelo de batalhão de infantaria adoptado na generalidade da Administração Pública não faz sentido numa mega estrutura como a AT. Hoje a liderança da AT parece Jesus e os seus (neste caso quase) doze apóstolos, cada um deles rezando para o seu lado. 
     Ao contrário do que se disse nada se poupou de significativo com a fusão, a única reforma implementada na administração pública pelo governo de Passos Coelho, a verdade é que a coberto dessa suposta reestruturação foi mantido quase tudo na mesma, os lugares de chefia eliminados do lado das alfândegas serviram para criar outros do lado da DGCI e a velha estrutura assente em serviços de finanças criados no século XIX foi mantida.
   O sucesso do recurso aos meios electrónicos na cobrança das dívidas fiscais e no e-factura passou uma imagem de modernização que em grandes sectores da estrutura não corresponde à realidade.  A AT tem neste momento informação mais do que suficiente para combater de forma ainda mais eficaz a evasão fiscal, mas isso implica mudança de estruturas, de métodos e de culturas que esbarra com os interesses de grupos corporativos que se têm vindo a instalar e a adquirir um poder crescente dentro da organização.
     A AT não só poderia ser mais eficaz no combate à evasão fiscal como poderia assegurar maiores níveis de eficácia na cobrança de dívidas à Segurança Social, bem como no combate à evasão contributiva, as verdadeiras e maiores ameaças à sua sustentabilidade. A incompetência neste sector do Estado chega a ser criminosa e o governo de Passos Coelho parece ter encontrado na evasão, na fraude e na bandalhice contributiva um instrumento de incentivo à economia informal, a economia que que pode ser  considerada como a economia libertada na perspectiva dos nossos (neo)liberais.
                    A Evasão fiscal
     Apesar do sucesso do e-fatura ainda há muito por fazer no domínio do combate à evasão fiscal, apesar de neste momento a máquina fiscal ter meios e informação suficientes para atingir outros patamares de sucesso, e contribuir de forma significativa para o equilíbrio financeiro do Estado.
     Há ainda sectores em que a evasão fiscal quase salta à vista, é o caso do sector da construção civil, designadamente, ao nível das pequenas empresas de construção, dos subempreiteiros e da reparação de habitação. Outro sector que está claramente à margem da fiscalidade é o dos condomínios que em termos fiscais não existem e onde a regra generalizada é a não emissão de facturas. No sector da pequena restauração o cumprimento ainda está aquém do desejável e isso explica que a alegria dos donos dos restaurantes com a prometida redução da taxa do IVA não tenha sido grande, a verdade é que a maior parte dos restaurantes está à margem do sistema fiscal.
     Graças aos vários sistemas de informação o fisco tem hoje informação mais do que suficiente para combater de forma eficaz a evasão fiscal, mas isso obriga a uma mudança de metodologias. O antigo modelo assente em inspecções longas que resultavam em grandes correcções da colecta que vão entulhar os tribunais, e cujo sucesso é discutível, deve dar a metodologias que obriguem ao cumprimento voluntário.
     O fisco sabe o que se vende, o que se compra, o que se transporta, o que se importa, o que se exporta e o que se armazena, o fisco tem informação pormenorizada sobre toda a actividade económica, tratando essa informação de forma adequada e eficaz, como sucedeu com o e-fatura, pode reduzir a evasão fiscal a mínimos impensáveis há meia dúzia de anos. Para isso basta uma adequação de estruturas, uma mudança de culturas e novos modelos de gestão.
                      A evasão contributiva
     Hoje é óbvio que o fisco funciona melhor do que a Segurança Social, que os sistemas de informação do fisco são mais modernos e eficazes, que a eficácia do fisco na cobrança de dívidas fiscais é feita, que os recursos do fisco para combater a evasão contributiva são maiores, mais competentes e mais eficazes.
     A sustentabilidade da Segurança Social passa por eficácia na cobrança e no combate à evasão e a melhor solução para o conseguir no curto prazo é com a transferência destas competências para o fisco, ficando na Segurança Social a gestão dos fundos, como sucede actualmente.
                       Conclusão
      Os cortes nas pensões e nos vencimentos têm servido apenas para através da preguiça fiscal e contributiva favorecer empresas menos competitivas e cidadãos incumpridores.   É legítimo que os governos incentivem a actividade empresarial, mas devem fazê-lo favorecendo os que cumprem e não os que não cumprem e beneficiam da ineficácia do fisco e/ou da Segurança Social.   O governo de Passos Coelho foi selectivo no aumento da eficácia fiscal, esta foi orientada para os menos poderosos pois para estes as leis foram melhoradas ou foram adoptados perdões fiscais. Na Segurança Social a situação é ainda mais grave pois a evasão é generalizada e, como se viu com o próprio Passos Coelho, só paga as suas dívidas quem quer e isso é coisa rara.


Publicado por Xa2 às 07:46 de 11.11.15 | link do post | comentar |

Estado paga a burlões/ 'bangsters', a incompetentes, mentirosos e ... para ...

----- Tratado  sobre  a  promiscuidade

(ou como "estudos" são encomendados (outsourcing) para manipular a opinião e os cidadãos/ eleitores) .  Um  exemplo (*)  da Seg.Social/ fundos de pensões e seguros privados:

  «As contas sobre a sustentabilidade da segurança social, publicadas com a chancela do ministério, tem projecções até 2060 iguais às efectuadas por J.Bravo. Governo confirma que foi um estudo encomendado ao economista que esteve na base das suas conclusões.»  (-1.bp.blogspot )

     J.Bravo é economista. Na sua carteira de clientes, destacam-se os fundos de pensões e dos seguros, que há vários anos vêm defendendo (fazendo lobby para) um reforço dos descontos para os sistemas privados e que são parte interessada nas políticas públicas para a Segurança Social. 
     Como se vê, J.Bravo reúne as condições para ser o autor de um programa eleitoral que justifique a ida ao pote na área da Segurança Social.  O  PSD escolheu-o por isso para colaborar na elaboração do seu programa eleitoral (aqui e aqui). 
     Mas como a vida custa a (quase) todos, o Governo pagou a Jorge Bravo para que ele defenda que a Segurança Social é insustentável. Desta vez, saíram dos cofres do Estado 75 mil euros. Mas, já em 2013, Jorge Bravo, quando a direita procurava justificar os cortes nas pensões da Caixa Geral de Aposentações (e que foram chumbados pelo Tribunal Constitucional), recebeu do Governo 40 mil euros para fabricar um papel a atestar a insustentabilidade da Segurança Social. 
     Jorge Bravo conseguiu uma proeza de se lhe tirar o chapéu:   é pago pelos fundos privados de pensões e dos seguros para defender os seus interesses;   é também pago pelo Governo para defender os interesses desses fundos privados e reproduzi-los no programa eleitoral do PSD e do CDS (cujo parto, aliás, está a revelar-se uma empreitada ciclópica); e, apesar destes antecedentes, anda pelas televisões a defender o desmantelamento da Segurança Social, sendo apresentado como economista "independente" ( ! !! ).    

     [ (*) idem para ... diversos estudos/ pareceres/... adjudicados a consultores, gr.soc. de advogados, entidades e gabinetes privados ... e também por outras 'governações'. ]

         Um poço sem fundo chamado BES         (-por  , 18/6/2015)

Poço  Bons velhos tempos em que o boliqueimense mais famoso do PSD e do Palácio de Belém nos sossegava afirmando que era seguro confiar no Banco Espírito Santo. Ontem, por entre arrestos de bens e buscas às casas de algumas figuras de topo da antiga administração do BES,* surge uma notícia que dá conta de um fundo do Estado que perdeu 6 milhões de euros com a aposta no cavalo esbarrado que dá pelo nome de papel comercial, desta feita não da Rioforte mas do Espírito Santo International (ESI). O Fundo de Apoio à Inovação (FAI) é um organismo público criado pelo Estado para gerir um montante total de 40 milhões de euros que resultaram de contrapartidas dos concursos eólicos lançados no tempo do prisioneiro nº44, que teve a triste ideia de investir 6 desses milhões nas artimanhas do Dono Disto Tudo. Remontando a Novembro de 2013, a aplicação venceu a Novembro de 2014 mas a devolução do investimento nem vê-la. 

    Segundo nos conta Miguel Prado, do Expresso, esta aplicação nasceu do interesse do FAI em aplicar parte do montante que gere. Na altura, a comissão executiva do FAI dirigiu-se ao BES em busca de aconselhamento, e a sugestão que trouxe para casa foi a de investir em papel comercial do BES, que na verdade, e aparentemente sem conhecimento da administração do FAI, era afinal papel comercial do ESI. Tal não invalida, porém, uma conduta algo ingénua e irresponsável de quem no FAI aprovou este investimento naquele momento específico. Estávamos em Novembro de 2013, e um mês depois o Banco de Portugal emitia os primeiros alarmes sobre o desastre que se viria a revelar meses mais tarde.

    Acontece que o FAI decidiu recorrer aos tribunais, e nem se importa se é o BES ou o Novo Banco a fazer o reembolso, que acrescido de juros de mora já vai em 6,4 milhões de euros. E o engraçado é que, independentemente da decisão acertada ou não dos tribunais, seremos sempre nós a pagar esta dívida. Se o FAI perder perde o Estado, se o FAI ganhar paga o BES ou o Novo Banco, ou seja o Estado. E independentemente do resultado, todas as custas com os processos ficam também a cargo do Estado, o que poderá incluir pagamentos astronómicos em assessorias a grandes escritórios de advogados onde trabalham pessoas ligadas a quem governa o Estado, algumas delas com assento no Parlamento e na linha da frente da propaganda mediática. Ontem, hoje e amanhã.

    Dê lá por onde der, nós pagamos sempre as aventuras da quadrilha (financeira/ bangster) Espírito Santo. Tal como pagamos o banco dos burlões cavaquistas. O buraco cavado pelos terroristas financeiros é um poço sem fundo, permanentemente reenchido com transferências do erário público e à custa das mesmas pessoas que, paralelamente, são acusadas de viver acima das suas possibilidades enquanto lidam com mais um corte, mais um aumento de impostos e piores condições de acesso a apoios sociais, à Educação ou ao SNS. Em simultâneo, o que resta dos “anéis” vai sendo criminosamente vendido por tuta e meia para preencher estes e outros buracos. E a culpa lá vai morrendo solteira, ainda que em união de facto com o cidadão comum.

----*  E’ preciso possuir-se uma enorme dose de 'ingenuidade' para acreditar que, meses após o rebentar do escândalo, o Ric.S./ DDT ia “deixar” algo de interesse para ser apreendido.!!    (nem controlo de 'regulador', nem investigação diligente, nem  media isenta/crítica, ... nem cidadãos interessados, ... isto não é a R.P. mas o «Parkistão Alienado e F...»!! )



Publicado por Xa2 às 07:45 de 19.06.15 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Tratados e leis obscuras/ lacunares favorecem Piratas e transnacionais

O conforto dos piratas   (-por F.Tourais, em OPaísDoBurro, 14/11/2014)

*

“Tomamos uma decisão sobre determinada matéria, deixamos essa decisão no ar e esperamos para ver o que ocorre. Se ninguém reclama, porque a maior parte das pessoas não entende o que acaba de ser decidido, então continuamos passo a passo até que não haja retorno possível”.   A frase refere-se à forma como foi conduzida a criação do euro, mas o seu objecto podia perfeitamente ser o Tratado de Lisboa, o Tratado Orçamental ou qualquer outra das muitas decisões que transformaram a Europa dos cidadãos na Europa dos grandes interesses económicos.   Todas elas seguiram o guião da citação que se lê nas páginas do Telegraph das palavras do ladrão que ('legalmente') andou anos a roubar impostos que desequilibraram as contas públicas dos seus “parceiros” europeus e equilibraram as do seu país (Lux.).

Não é que seja novidade alguma o que nos diz. Todos sabemos que assim foi e assim continua a ser. O que surpreende é o à vontade com que um confesso gatuno deste calibre diz uma coisa destas, a medida do conforto e da impunidade garantida também pelos eurodeputados portugueses eleitos pelos três partidos do arco da austeridade que em Portugal governou entre 2002 e 2010, entendamo-nos bem, sobrecarregando os rendimentos do trabalho (+IRS)  com os milhares de milhão em impostos necessários para compensar os impostos sobre lucros (-IRC, -capitais, +subsídios,...) que Juncker roubava   para equilibrar o seu orçamento “acima das nossas possibilidades”.

Agora que tudo se soube, e se as pessoas não perceberam eles sabem perfeitamente o que aconteceu, os eurodeputados, não apenas do PSD e do CDS mas também os do PS, opõem-se à demissão do ilustre Presidente que andou anos a roubar aqueles a quem devem os mandatos. Recupero a citação inicial:  “tomamos uma decisão sobre determinada matéria, deixamos essa decisão no ar e esperamos para ver o que ocorre. Se ninguém reclama, porque a maior parte das pessoas não entende o que acaba de ser decidido, então continuamos passo a passo até que não haja retorno possível.” Certíssimo.   O PS soma e segue em todas as sondagens com a garantia que a sua oposição à demissão do pirata não compromete o objectivo de voltar a ser Governo. O PSD ganha balanço para voltar a ser o segundo nas preferências das pessoas deste cantinho da Europa dos piratas. Obrigado, pessoas.

----- *- A bandeira bem podia ser azul e incluir um círculo de estrelas prata e ossos/caveira em 'gold' ... para diferenciar de outros 'paraísos fiscais'/ 'offshores', i.e., antros de acolhimento/refúgio de burlões, ladrões, gatunos, gangsters, bangsters, mafiosos, piratas legalizados ou corsários capitalistas e neoliberais.

Parasitas pequeninos   (-por J.M.C.Caldas, 16/11/2014, Ladrões de B.)

  Por que é que os abrigos fiscais** são geralmente países pequenos?
     Pequenos, grandes ou médios, todos os estados precisam de receitas fiscais. Mas os estados de países pequenos podem obter receitas descomunais, relativamente às suas despesas, se reduzindo a taxa de imposto sobre as empresas quase a zero conseguirem convencer muitas empresas a instalar a sua sede fiscal no seu pequeno território. Taxa pequena sobre muitas e grandes empresas equivale a receitas fabulosas para estados de países pequenos.
     Já os estados dos países grandes não podem fazer o mesmo. Se descerem a taxa sobre todas as empresas conseguirão atrair algumas, mas a receitas do pequeno imposto pago pelas empresas atraídas não compensaria a perda de colecta de todas as outras que já lá estão sediadas.
     Mudando de poiso as empresas deixam praticamente de pagar impostos, e os estados, à excepção dos parasitas, passam a não conseguir colecta-los. Qual é a consequência? Os estados, à excepção dos parasitas, voltam-se cada vez mais para os rendimentos do trabalho e das pensões como fonte de receita.
    Nada disto faz sentido, mas na União Europeia é assim. A União Europeia que fixa em tratados os montantes dos défices e das dívidas e retira aos parlamentos a prerrogativa de deliberar sobre os Orçamentos do Estado é não só incapaz de se desparasitar (acabar com os 'offshores' e/ou impor taxas de impostos iguais para/em todos os estados membros,... e o assunto, que chegou a ser ventilado há poucos anos na Com.E. 'de Barroso' e Cons.E., foi rápida e misteriosamente 'esquecido'), como promove a presidente o chefe de um governo parasita.
     Caro Sr. Juncker vamos lá ver como é: nós ficamos com os estragos do grupo Espírito Santo, e o seu pequeno (mas muito amigo) país fica com os impostos?
  ----- ** - 'Offshores'/paraísos fiscais  (para as multinacionais e milionários evasores fiscais;  tornando os respectivos Estados em infernos fiscais para os restantes cidadãos e empresas que pagam impostos), com algumas nuances jurídicas, há muitos :    a maioria das ilhas "confettis" do 'ex-império britânico', a «city» de Londres, Gibraltar, HongKong, ... mas também Funchal, Liechenstein, Luxemburgo, Holanda, Panamá, estado do Maine nos USA, ...
-----------
Os  usurpadores  (querem acabar com a  democracia);  como as  empresas  transnacionais (ETN)  tomam  o  poder  (político:  executivo,  legislativo  e  judicial)   e  capturam  Estados  e  Povos
Entrevista com Susan George   (no «L'Humanité», via OTempoDasCerejas, 24/11/2014 «Le pouvoir des transnationales, illégitime et non élu, veut en finir avec la démocratie »    a ler  aqui 


Publicado por Xa2 às 07:50 de 17.11.14 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Nação de ovelhas, lobos governam (-se)

Efeitos  perversos...  (de ser abstencionista, desresponsabilizador, «não-Político», ...)


  "O ofício de ser português     - por Baptista Bastos

Ser português não é, somente, uma nacionalidade: é um rude e dificultoso ofício, cujo exercício deixa os seus praticantes depauperados e atormentados. Tudo aquilo que constituía o edifício moral da sociedade foi depredado pela mentira, pelo embuste e pela malevolência.  A pecha é transversal:  todos os sectores têm sido atingidos e creio ser extremamente difícil remover a nódoa.    Começou a campanha eleitoral, e o propósito de esclarecer não melhorou.   Como acreditar nos que, até agora, apenas acirraram os nossos desgostos, aumentaram os nossos sofrimentos e acrescentaram o ódio às nossas raivas?   A imprensa perdeu o viço e nada esclarece, como lhe competia, a fim de racionalizar o que as televisões noticiam.   Os rostos mortos daqueles que tais surgem nos ecrãs com uma persistência que revela a preguiça e a ignorância de quem os alimenta. Perdeu--se o lado humano da vida e admitiu-se como fundamental e regra o número a estatística, a futilidade vaporosa que oculta a verdadeira natureza das coisas.
    "A época é de charneira", disse um preopinante de voz grossa e escrita fininha. Um outro, que usa como pseudónimo o patronímico de um português ilustre, proclamou, impávido porque se julga impune, que nada devemos aos capitães de Abril.  Claro que são criaturas obnubiladas pelo verdete de se saberem inseguras, fragilizadas pela consciência da sua pessoal menoridade.   Mas o mal que têm feito é persistente e cria raízes.  O "pensamento" de direita deixou de o ser para se substituir pela inconsistência do oportunismo e da insignificância.   É impressionante assistir-se à reescrita da história e à desfaçatez de quem se transformou num democrata instantâneo como o pudim flan, depois de ter sido o que quer que seja de repugnante.   A selecção natural do talento, da decência e da honra deixou de exercer o seu império.   E a chusma de medíocres alcançou carta de alforria na política, no jornalismo, na literatura, nas ciências sociais. Sem antagonistas, ou porque estes não o querem ser ou por receio de represálias.
     Bem desejaria que estes problemas e outros semelhantes, eriçados no nosso país, fossem discutidos entre os candidatos.   Não me parece que tal seja possível.   Apenas um modesto exemplo:   que diferença há entre o Paulo Rangel e o Francisco Assis ?, ambos a tocar no mesmo pífaro.  Rangel é de direita, e não o esconde.  Assis é da ala mais conservadora do PS, e também não faz questão de o dissimular.  Foram escolhidos pelas direcções dos seus partidos, e não é preciso acreditar em Deus para se descortinar o porquê das preferências.
    Apesar de tudo, chega ser imperioso que votemos.   Votemos naqueles que mereçam o favor da nossa consciência e a imposição moral das nossas pessoais opções."      - (O texto de Baptista Bastos, publicado ontem no DN, chegou via R.Menezes no FB; e via A.P.Fitas)


Publicado por Xa2 às 07:41 de 16.05.14 | link do post | comentar |

Captura do Estado, predação, tráfico e promiscuidade "políticos--negócios"...

             A  economia  política  está  à  vista         (-por J.Rodrigues)

    Temos insistido, por exemplo com a metáfora da ida ao pote, que uma das principais e mais perversas orientações das políticas públicas neoliberais é a transformação dos serviços públicos em outras tantas oportunidades para negócios – da saúde à educação, das prisões aos centros de emprego: “O Governo quer avançar com a colaboração entre os centros de emprego e as empresas privadas de recursos humanos na gestão e colocação de desempregados não subsidiados.”
    Obviamente, esta tendência predatória adensa a rede entre a política e o grande capital, essencial no capitalismo realmente existente, o que obriga a sair do romance do mercado para a realidade do poder e das suas redes, tanto mais fortes quanto mais fracos são os freios e contrapesos sindicais ou de controlo social através da propriedade e gestão públicas de sectores essenciais. Dois exemplos desta saída do romance para a realidade são o trabalho sobre os mais poderosos do Negócios e Os Donos de Portugal: têm agora uma infografia e uma visualização interactiva que vale a pena ver.    ---   (Também aqui na coluna à direita, em «destaque do mês» de janeiro 2014 apresenta-se : Um ecossistema ystem ofpolítico-empresarialcorporate politicians,,,, Portugal 1975-2013   (via http://pmcruz.com/eco/ ).      Clic na aplicação para ter uma visualização interactiva das relações de (ex-)membros de Governos de Portugal com empresas e grupos económicosive visualization of the relations between members of Portuguese governments and companies Tendo cada empresa um tamanho proporcional ao número de (ex-)políticos que participam nessa empresa (como acionistas, administradores, dirigentes, ...).
---------    
- Será que existe mesmo grande correlação entre a promiscuidade política/políticos e os negócios ... ?
    É que a falta de interesse do parlamento/ A.R. em melhorar a "lei das incompatibilidades" (e o nepotismo, o tráfico de influências, fontes privilegiadas, as regalias de deputados e ...), o "período de nojo" após o exercício de cargos políticos, as despesas da sua própria 'casa/A.R.' (e da P.R.  e gabinetes governamentais), deixam muito a desejar em termos de exemplo a seguir pelos cidadãos...  - pois «à mulher de César não basta ser séria...» e a Democracia e a Res Púbica exigem transparência, justiça e igualdade de tratamento e de acesso.


Publicado por Xa2 às 13:07 de 07.01.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Humanidade, governos, individualismo, consumismo e globalização

Discurso do presidente Pepe  Mujica  na  ONU  em 24/9/2013 (-por Clara Cuéllar)

  Amigos, todos,

  Sou do sul, venho do sul. Da esquina do Atlântico com o Rio Plata. O meu país é uma planície suave, temperada e que permite viver da pecuária. A sua história é de portos, de peles, de fumados, de lã e de carne. Teve décadas púrpuras de lanças e cavalos até que, finalmente, no início do século XX, decidiu ser vanguarda no que é o social, no Estado e na educação. Eu diria até: a social-democracia foi inventada no Uruguai.

   Durante quase cinquenta anos o Mundo olhou para nós como uma espécie de Suíça; fomos, na realidade, falando de economia, filhinhos bastardos do Império Britânico. Quando este sucumbiu, vivemos as passas do Algarve no que toca ao fim de mudanças funestas. Ficámos parados com saudades do passado. Passámos cinquenta anos a recordar Maracaná, a façanha desportiva. Hoje ressurgimos neste mundo globalizado e, talvez, aprendamos com a nossa dor. A minha história pessoal: a de um garoto ... em busca do sonho de uma sociedade liberta e sem classes.  Os meus erros: em parte são filhos do meu tempo, é obvio que os assumo, mas há momentos em que me grito com nostalgia: “Houvesse quem tivesse a força que nós tivemos quando éramos capazes de conter tanta utopia!”

    Não olho, no entanto, para trás, porque o hoje real nasceu das cinzas férteis do ontem. ... Angustia-me (e de que forma) o futuro que aí vem e que não irei ver, mas pelo qual me comprometo.    É possível um mundo com uma humanidade melhor, mas talvez hoje a primeira tarefa seja salvar a vida.

    ... Carrego ... com os bloqueios inúteis e tristes a ...Cuba. Carrego com as consequências da vigilância electrónica que não faz mais do que semear desconfianças que nos envenenam inutilmente. Carrego às costas uma gigantesca dívida social, com a necessidade de defender a Amazónia, os mares, os nossos grandes rios da América. Carrego às costas o dever de lutar por uma pátria para todos. Para que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz. E carrego também às costas o dever de lutar pela tolerância – a tolerância é necessária – para com os que são diferentes, e com os quais temos diferenças e discordamos... A tolerância é o fundamento para poder conviver em paz, entendendo que, no mundo, somos diferentes.

    [O combate à economia suja, ao tráfico de drogas, ao roubo e à fraude, à corrupção, pragas contemporâneas adoptadas pelo antivalor], o mesmo que sustém a crença de que somos mais felizes se enriquecermos, e de qualquer forma.

    Sacrificámos os velhos deuses imateriais e ocupámos o templo com o deus mercado. Ele organiza-nos a economia, a política, os hábitos, a vida e até nos financia as quotas e os cartões de crédito, a aparência de felicidade. Poderia parecer que nascemos só para consumir e consumir e, quando não podemos, carregamos a frustração, a pobreza e até a auto-exclusão.

    O certo é que, hoje, para gastar e enterrar desperdícios, a chamada pegada de carbono pela ciência, se toda a humanidade aspirasse o consumo dum norte-americano médio, seriam imprescindíveis três planetas para poder viver. Por outras palavras: a nossa civilização montou um desafio mentiroso e, continuando assim, não nos será possível satisfazer para todos este sentido de desperdício que se deu à vida.

    Como uma cultura da nossa época, está a massificar-se, nas acções, a direcção pela acumulação e pelo mercado. Prometemos uma vida de desperdício e esbanjamento que, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza e contra a humanidade como futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais. Pior do que isso, civilização contra a liberdade que pressupõe tempo para viver as relações humanas – a única coisa transcendente –, o amor, a amizade, a aventura, a solidariedade, a família. Civilização contra o tempo livre que não paga, que não se compra, e que nos permite contemplar e examinar minuciosamente o cenário da natureza.

   ... A política, a eterna mãe do acontecer humano, ficou acorrentada à economia e ao mercado.  ... A historieta humana anda fugidia, a comprar e a vender tudo e a inovar para poder negociar de alguma forma aquilo que não é negociável. Há marketing para tudo: os cemitérios e o serviço fúnebre; para as maternidades; marketing para pais, mães, avós e tios, passando pelas secretárias, os automóveis e as férias. Tudo, tudo é negócio. ... Sobram provas destas tecnologias bastante abomináveis que induzem, por vezes, frustrações, e que matam.

O homenzinho médio das nossas grandes cidades deambula entre as repartições de finanças e o tédio rotineiro dos escritórios temperados, às vezes, com ar condicionado. Sonha sempre com as férias e com a liberdade. Sonha sempre em conseguir pagar as contas até que, um dia, o coração pára e adeus

Haverá outro soldado a cobrir as garras do mercado e a assegurar a acumulação.

    ... A economia globalizada não tem outro objectivo que não seja o interesse privado de muito poucos; e ... o capitalismo produtivo, francamente produtivo, é prisioneiro da caixa dos bancos e, estes, são a ponta do poder mundial. Para esclarecer: acreditamos que o mundo exige a gritos regras globais que respeitem as conquistas da ciência, que abundam, mas não é a ciência a que governa o mundo.

    É necessário, por exemplo, uma longa agenda de definições: quantas horas de trabalho, na terra inteira; a possibilidade da convergência de moedas; como é que se poderá financiar a luta global pela água e contra a desertificação; como e o que é que se recicla e como é que se faz pressão contra o aquecimento global. Quais são os limites para cada grande “que fazer” humano. Seria imperioso conseguir consensos alargados para uma solidariedade com os mais oprimidos e para castigar impositivamente a fraude e a especulação. Mobilizar as grandes economias, não para criar coisas descartáveis com obsolescências calculadas, mas para criar bens úteis sem frivolidades, para ajudar a levantar aos mais pobres do mundo. Bens úteis contra a pobreza mundial. Muito mais rentável do que fazer guerras é despejar um Neokeynesianismo útil de escala planetária para abolir as vergonhas mais flagrantes do mundo.

     Talvez o nosso mundo precise de menos organismos, daqueles que organizam fóruns e conferências, que mais não servem do que cadeias hoteleiras e companhias aéreas nas quais, no melhor dos casos, ninguém ganha nem transforma nada em decisões. Sim, temos de mastigar muito o velho e o eterno da vida humana junto da ciência, essa ciência que se empenha pela humanidade e não por enriquecer. Com eles, de mãos dadas com os homens da ciência, primeiros conselheiros da humanidade, temos de criar acordos para o mundo inteiro. Nem os grandes estados nacionais, nem as empresas transnacionais e muito menos o sistema financeiro, deveriam governar o mundo humano. ...  requerem que o determinante seja a vida e não a acumulação. Não somos inocentes, estas coisas não irão passar, nem outras parecidas. Temos ainda pela frente muitos sacrifícios inúteis. Hoje o Mundo é incapaz de criar uma regulação planetária à globalização, o que se deve ao enfraquecer da alta política (aquela que se ocupa de tudo).

    Iremos assistir durante um tempo ao refúgio de acordos mais ou menos “reclamáveis”, que vão planear um mentiroso livre comércio interno, mas que, no fundo, vão acabar por construir parapeitos proteccionistas, supranacionais nalgumas regiões do planeta. A seu tempo irão crescer ramos industriais e de serviços dedicados à salvação o meio ambiente. Iremos, assim, consolar-nos. Continuará inabalável a acumulação, para regozijo do sistema financeiro. Irão continuar as guerras e, portanto, os fanatismos, até que a natureza os traga à ordem e torne inviável esta civilização.

    ... Volto a repetir, a crise ecológica do planeta é a consequência do triunfo avassalador da ambição humana. Esse é o nosso triunfo mas é também a nossa derrota], pela nossa impotência política de nos enquadrar numa nova época que construímos sem nos aperceber.

   ... O certo é que a população quadruplicou e o PIB cresceu pelo menos vinte vezes no último século. ...

   A cobiça tão negativa, e motor da história, que tanto nos empurrou para o progresso material, técnico e científico, apesar de fazer daquilo que é a nossa época e do nosso tempo um avanço fenomenal em muitas frentes; essa mesma ferramenta, a cobiça, paradoxalmente, empurrou-nos para uma domesticação da ciência acabando por a transformar em tecnologia. Essa cobiça precipita-nos para um abismo enevoado, para uma história que não conhecemos. Para uma época sem história, na qual estamos a ficar sem olhos nem inteligência colectiva para continuar a colonizar e a perpetuar-nos, transformando-nos. Porque há uma característica que este bicho humano tem: é um conquistador antropológico.

Parece que as coisas tomam autonomia e submetem os homens. ... Ou seja, a cobiça individual triunfou largamente sobre a cobiça superior da espécie.

    ... as repúblicas nascidas para afirmar que nós, os homens, somos iguais; que ninguém é mais do que ninguém; que os seus governos deveriam representar o bem comum, a justiça e a equidade, muitas vezes deformam-se e caem no esquecimento das pessoas que vivem, hoje, que andam pelas ruas das povoações comuns. ...

    Devido a reminiscências feudais, ...ou ainda à cultura consumista que a todos nos rodeia; as repúblicas, nas suas direcções, adoptam frequentemente um viver diário que exclui e põe em causa o homem da rua. ... Os governos republicanos deveriam parecer-se cada vez mais com os seus povos na forma de viver e na forma de se comprometer com a vida.

Temos o hábito de cultivar arcaísmos feudais, cortesanices consentidas, fazemos diferenciações hierárquicas, que, no fundo, arrancam o melhor que as repúblicas têm. O jogo destes e outros factores retêm-nos na pré-história, e, hoje, é impossível renunciar à guerra quando a política fracassa. É assim que se estrangula a economia e que desperdiçamos recursos.

     Ouçam bem, meus queridos amigos: por cada minuto gastam-se dois milhões de dólares em orçamentos militares no mundo. Dois milhões de dólares por minuto em orçamentos militares. ... a investigação (médica) cobre apenas uma quinta parte da investigação e do desenvolvimento militares. Este processo do qual não conseguimos sair, porque é cego, assegura o ódio e os fanatismos, desconfianças, que são fontes de novas guerras, o que também custa fortunas.

    ... é inocente planear, neste mundo, uma poupança nestes orçamentos e gastar noutras coisas… úteis. ...Há, nestes orçamentos (militares), enormes recursos para cortar e para poder resolver as maiores vergonhas na Terra, mas…  ...Porque não somos capazes de racionar como espécie. Apenas como indivíduo.

    As instituições mundiais de hoje em dia, particularmente, vegetam à sombra consentida das dissidências das grandes nações e, obviamente, como estas querem reter a sua quota parte de poder, bloqueiam, por acções, esta ONU que foi criada com uma esperança e com um sonho de paz para a humanidade. Pior do que isso, extirpam-na da democracia, no sentido planetário – porque não somos iguais, não podemos ser iguais neste mundo, onde há fortes e fracos. É, portanto, uma democracia planetária ferida que está a cortar da história um possível acordo mundial de paz, militante, combativo e que exista de facto. Remendam-se, mediante apeteça a algumas das grandes potências, doenças que eclodem aqui e acolá. Nós, os restantes, olhamos de longe. Não existimos.

    Amigos, a mim parece-me ser muito difícil inventar uma força que seja pior do que o nacionalismo chauvinista das grandes potências. A força, que é libertadora dos débeis. O nacionalismo, pai dos processos de descolonização, formidável para com os fracos, transforma-se numa ferramenta opressora nos braços dos fortes. ...

    A ... nossa ONU, definha e burocratiza-se por falta de poder e de autonomia, de reconhecimento e, sobretudo, de democracia para com o mundo mais débil – que é a esmagadora maioria do planeta. A título de exemplo, pequenino: o nosso país apresenta, em termos absolutos, a maior quantidade de soldados em missões de paz de todos os países da América Latina. Estamos ali, onde nos pedirem para estar. Mas somos pequenos e fracos. Onde se tomam as decisões e se repartem os recursos, não entramos nem para servir o café.

   ... A espécie deveria ter um governo para a humanidade que superasse o individualismo e lutasse por criar cabeças políticas que acudam ao caminho da ciência, e não só nos interesses imediatos que nos governam de momento e nos afogam.

   ... são da humanidade como um todo. Esta, como tal, globalizada, deve promover e empenhar-se no seu desenvolvimento, para que possam viver com decência sem depender de ninguém. Os recursos necessários existem, estão nesse saque de desperdícios da nossa civilização. 

    Há poucos dias prestaram ali, na Califórnia, numa agência de bombeiros, uma homenagem a uma lâmpada eléctrica que se mantém acesa há cem anos. Quantos milhões de dólares nos roubaram dos bolsos, para fazer, deliberadamente, coisas para que as pessoas comprem, e comprem, e comprem?

   ... Em lugar de governar a civilização, é ela que nos governa. Há mais de vinte anos que discutimos a humilde Taxa Tobin, mas é impossível aplicá-la em todo o planeta. Todos os bancos do poder financeiro levantam-se, feridos na sua propriedade privada e numa série de outras coisas. ...

   Contudo, com talento e trabalho colectivo, com ciência, o homem consegue, passo a passo, transformar os desertos em verdes. O homem consegue levar a agricultura ao mar. O homem pode desenvolver vegetais que vivam com água salgada. A humanidade concentra-se no essencial. É incomensurável. É ali que estão as mais portentosas fontes de energia. Que sabemos nós da fotossíntese? Quase nada. A energia que há no mundo sobra, se soubermos usá-la e trabalhar com ela.

    É possível arrancar de raiz toda a indigência do planeta. É possível criar estabilidade e sê-lo-á possível para as gerações vindouras, caso sejam capazes de racionar como espécie (Humana) e não só como indivíduo. ... Para que todos estes sonhos sejam possíveis, temos de ser capazes de nos governar a nós mesmos. Caso contrário, acabaremos por sucumbir porque não somos capazes de estar à altura da civilização que nós próprios fomos desenvolvendo, através de acções.

Este é o nosso dilema. Não nos entretenhamos só a remendar consequências. Pensemos nas causas de fundo, na civilização do desperdício, na civilização do “usar e deitar fora”, que mais não faz do que deitar fora o tempo da vida humana, desperdiçando-se em questões inúteis. Pensem que a vida humana é um milagre. Que estamos vivos por milagre e nada vale mais do que a vida. E que o nosso dever biológico é, acima de tudo, respeitar a vida e impulsioná-la, cuidá-la, procriá-la e entender que a espécie é o nosso nós.

Obrigado.     ( La República,  texto integral aqui.)



Publicado por Xa2 às 07:55 de 28.09.13 | link do post | comentar |

PALHAÇOS E POETAS

Entre o circo e a poesia

O povo escolheu a diversão

Não ouviu o que o coração dizia

Nem tão pouco a voz da razão

 

Todos os dias temos, do governo, palhaçadas

E palhaços em Belém, também

Suportamos vidas desgraçadas

E as promessas já não convencem ninguém

 

Somos um povo de palhaços e poetas

Quem diria! Um povo desleixado?

Os políticos enchem-nos de tretas

E vendem tudo o que seja Estado

 

Tais políticos levem-nos sempre ao engano

Com mentiras e promessas falsas

Chupam-nos até ao tutano

Até nos fazem dançar tangos e valsas

 

Temos de agarrar a nossa cidadania

E os palhaços mandar embora

Por este andar qualquer dia

Portugal é todo dos palhaços lá de fora.

 

 



Publicado por Zurc às 14:19 de 04.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Maus gestores no Estado
Eu, mau gestor, me confesso   (-por D.O.)
 

       «Estado é um mau gestor» - dizem eles ... mas  é mentira e  propaganda.  

NÃO é o Estado, entidade pública que representa a soberania popular, que é mau gestor ... 

     O que há é maus gestores também em funções de interesse público (que geralmente*

Se Servem do Estado para se promover, enriquecer ou fazer favores a... pelos quais depois são recompensados...).

     E os Maus gestores têm nome (e partido), são os senhores que (se movem por 'tachos' e benesses,

que) aceitam lugares de governantes, administradores e dirigentes de recursos e serviços públicos, 

que recebem o dinheiro e gerem Mal, com incompetência, com dolo, ...

e depois dizem que a culpa é da Adm.Púb, dos F.P., da instituição ou do órgão de que fazem parte

e de que são os primeiros responsáveis ...

e por isso mesmo (em vez de lhes permitirem 'saltar para outro tacho') deveriam

ser responsabilizados política, civil e criminalmente pela sua gestão, pelo que fizeram de Mal,

pelo que não fizeram para evitar ou corrigir o que estava Mal, pelo que deixaram outros fazer de Mal, ... 

e ainda pelos seus actos de nepotismo, assédio, corrupção, ilegalidade procedimental, ocultação ou deturpação de informação, ...

    

    *Note-se e aprove-se que no Estado/ Adm.Púb., felizmente, também há bons gestores,

competentes, experientes e isentos ... independentemente dos constrangimentos político-económicos

e de suas legítimas preferências e ligações (partidárias, religiosas, culturais, ... e familiares).

         Mecanismos de manipulação que funcionam  (-por Sérgio Lavos)

Vale a pena deixar aqui na íntegra a última crónica de Pacheco Pereira para o Público, sobre os mecanismos propagandísticos que 99% da população engole e a maioria dos media alegremente veicula. Para alguma coisa servirão os boys que o Governo contratou em catadupa para os gabinetes.    ...



Publicado por Xa2 às 19:07 de 03.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Desemprego, desespero ... para sobreviver ...

Desempregado reclama na justiça o direito de não pagar impostos  [- A. Sanches e C. Viana, publico.pt, 02-04-2013]

     Entre deixar os filhos passar fome e pagar ao Fisco, um desempregado decidiu não pagar.    Alcides Santos, um gestor de sistemas informáticos que está no desemprego há dois anos, entrega nesta terça-feira na Provedoria da Justiça uma carta onde explica o seguinte: vai deixar de pagar impostos. Nem IMI, pela casa onde habita, nem IRS e IVA, sobre um biscate que fez há uns meses. Invoca o artigo 21 da Constituição da RP — que define o Direito de Resistência — para defender a legitimidade da sua decisão. Alega que acima dos seus deveres como contribuinte está o dever de não deixar os filhos passar fome.

    ...  “E o que pode fazer uma pessoa que é taxada por um imposto que não pode pagar, que é obrigada a cumprir o que não pode cumprir, senão resistir?”, contrapõe o juiz jubilado do STJ, A.Colaço : esta é uma opção constitucional para um “desempregado que está no limiar da pobreza, que tem pessoas a cargo, e que já não pode fazer nada mais para inverter a situação de penúria em que se encontra”. 
    ... “exige que eu faça o necessário para garantir a sobrevivência física dos meus filhos, dos meus pais e de mim próprio, a qual estará sempre acima das obrigações fiscais ....” 
     Este desempregado vive com a mulher e os dois filhos, numa casa que está a pagar ao banco: 400 € por mês. O prazo do subsídio de 1150 € que recebia acabou no mês passado. ( ... e pediu o subsídio social de desemprego, que pode suceder o de desemprego). Este mês, diz, a família tem 600 € para sobreviver — o ordenado da mulher, que trabalha num call center.  Desse bolo, 400 vão para pagar a casa e sobram 200 para tudo o resto. Com um filho de 15 anos, a frequentar o ensino secundário, e outro de 23, que está na faculdade, Alcides ... usa o cartão de crédito para pagar coisas básicas — “Estou a viver acima das minhas possibilidades porque não quero que os meus filhos passem fome”,... 

    ...   “O Governo não está a cumprir com o artigo que assegura o Direito ao Trabalho” e que incumbe o Estado de executar políticas de pleno emprego, argumenta.  ...
    A acção deste desempregado estará mais próxima da desobediência civil, ... Gomes Canotilho consegue ler nela o “desencanto e o desespero” face a uma “tributação que atingiu quase níveis usurpatórios” e que, em conjunto com as taxas que devem ser pagas por serviços como a água e a electricidade, se impõem como “intervenções restritivas, que têm de ser justificadas quanto à sua necessidade, utilidade e proporcionalidade”. 
   ... o Direito de Resistência se aplica apenas a “situações limite”. Aquelas em que, em simultâneo, a Administração Pública age contra a lei e em que os cidadãos não têm tempo útil para recorrer aos tribunais:  por exemplo, se agentes policiais decidissem retirar alguém à força de sua casa sem qualquer motivo legal.
     Já A.Colaço insiste que o Direito de Resistência existe quando se trata de defender “um bem ou para evitar um mal maior” do que a situação que o motivou.  ...justifica-se por se destinar a evitar o que lhe pode sobrevir: a miséria e actos desesperados, como o suicídio
    ...  “o mercado mudou” e os informáticos já não têm a mesma saída. “Até porque há miúdos a trabalhar de graça.” 
     ...  Em Portugal, foi a invocação do direito de resistência, na sua interpretação mais lata, “que legitimou juridicamente a Restauração do 1.º de Dezembro de 1640”, ...  “a comunidade ou os indivíduos directamente ameaçados podem resistir e destituir os governantes”.   ... no século XVII o direito de resistência era entendido como uma reacção aos tiranos, a quem não governasse para o bem comum.



Publicado por Xa2 às 07:20 de 06.04.13 | link do post | comentar |

Captura dos cidadãos e passagem a semi-escravos

Cidadão  versus  semi-escravo  ('servo/dependente')    (-por Zé T.)

           «Não sabíamos» ... , «nunca tinhamos pensado ...» , «são todos iguais ...»

. A ignorância (tal como o desconhecimento da lei não isenta os cidadãos do seu cumprimento e/ou consequências...) não serve de desculpa a cidadãos de maioridade e 'aptos' ...

. No nosso sistema político,  os indivíduos/cidadãos têm direito a Votar e a ser Eleitos, logo têm Toda a Responsabilidade ... pelo que os dirigentes/  governantes (eleitos 'democraticamente' ou 'assim-assim', do seu condomínio, do seu partido, da sua Autarquia e do seu País) fazem, não fazem ou deixam fazer ...
pelo que desperdiçam, estragam, desorganizam, mal-gerem, vendem/desviam/dão a amigos, ... e acabam por lhe tirar os bens (a sua parte) e Direitos que antes eram 'intocáveis' (incluindo o de cidadania plena, de voto, de greve, de trabalho, de educação básica, de saúde, de liberdade de expressão, ...  a reserva ecológica, o património, ...).

. Se alguém Não Vota ou Vota em branco ou nulo ou delega noutro o seu voto ou não comparece nas reuniões de informação e decisão ... sujeita-se às decisões que forem tomadas por outros.

. Se alguém não se candidata ou vota 'mal' ou se abstém ou se se esconde ou sai do país/emigra/exila (por muito válidas que sejam as suas prioridades ou razões pessoais) ... deixa que os PIORES que ele  governem (desgovernem e se governem); na prática está a optar ser um «cidadão de segunda» e ... , por isso, ou «passa à acção directa»/revolucionária ou sujeita-se à subserviência, à semi-escravidão, à caridadezinha, ... como mansos  indefesos de quem se pode abusar à vontade.

. Portanto já sabe:
se é masoquista, alienado, desinteressado da política, parvo, incapaz, mentecapto, burro ... espere ser (mal)tratado como tal.
-------     A  nossa  captura      (-# via R.Narciso)
O título do artigo de opinião de Lídia Jorge, no Público, é "A nossa captura".  Lídia Jorge é uma grande escritora da língua portuguesa e não só nos dá, aqui, o prazer da sua bela escrita como alerta e esclarece sobre a cidadania. Li e gostei, talvez v/ também goste.




Publicado por Xa2 às 07:55 de 13.12.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Avé ... morituri te salutant *

   ( Fora !)  daqui 

* Viva ... os que vão morrer te saúdam *

      O capitalismo mata.    (-por C. Guedes)

Mata de repente. Quando a Amaya Egaña decide pôr termo à vida no momento em que está prestes a perder a casa em que vivia.

Mata lentamente. De cada vez que nos esmaga as expectativas. De cada vez que perdemos o emprego. De cada vez que nos rouba o sonho.

Mata por afogamento. Sempre que o silêncio toma o lugar do grito de revolta que fica abafado na garganta.

Mata à machadada. De cada vez que vemos nos olhos de uma criança o espelho de uma miséria que parece regressada de um passado que julgávamos distante e enterrado.

Mata por estrangulamento. Quando vemos, na farmácia, aquele homem com ar envergonhado a deitar contas à vida, à fome e à doença, enquanto decide qual dos dois medicamentos prescritos vai poder levar para casa.

Mata à facada. Quando nos faz sofrer por uma dívida que não é nossa e nos desvia o dinheiro dos salários, dos subsídios, das pensões e das reformas, dos hospitais, das escolas e, porra, dos teatros e de tudo o que é cultura para o ir deixar no colo do banqueiro agiota.

O capitalismo mata. Já se sabe. É da sua natureza.

É da minha combatê-lo. Até ao dia em que consigamos espetar-lhe um tiro nos cornos.

Ou até morrer.

          ( para a Amaya e para quem o quiser. E para a minha mãe. )



Publicado por Xa2 às 08:34 de 12.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Não sejamos mansos / alienados

        Derrotas  (a força do povo “intimidou” o governo e ... ; mas o projecto ideológico da economia política da austeridade é destruir o Estado social e a força do trabalho organizado, através do desemprego gerado pela austeridade recessiva, ... e mais impostos e 'cortes' para os de sempre /aqueles que não podem fugir ...)

        Antes vagamente certo do que seguramente errado  (+austeridade de "bom aluno" não nos salvará, ... auditoria à dívida... renegociar antes que ... suspender temporariamente o serviço da dívida... racionalizar e investir... 'limpar' corrupção/'outsourcing', nepotismo e não-justiça ... "ajuda" é endividamento, agiotagem, recessão e morte/emigração.)

        O caniche alemão não foi a Roma  (e recusa aliados europeus para combater a crise ... e culpados) 

        No meio da crise, há quem continue a tratar da vidinha  ('governantes' e gr. escritórios de advogados, pareceres a peso d'ouro, negócio das privatizações...)

       Indigestão à Portuguesa:    Ingredientes:  1 coelho, 1 gaspar,  1 portas,  1 cavaco, 1 troika, 1 diploma relvas,  2 subsidios,   TSU,  IRS,   2 submarinos,  1 BPN,  dívida enorme,  PPP's rendosas,   privatizações,  fundações,  contribuintes.       Preparação:  Coloque o coelho, o gaspar, o portas e o cavaco (cortados aos pedaços) a marinar na troika;    Corte os subsídios às rodelas e junte a tsu, o irs, o diploma do relvas e corrupção a gosto;     Retire os pedaços do coelho, do gaspar, do portas e do cavaco da marinada (sem desperdiçar nada) e passe-os por uma enorme divida;     Aloure-os num tacho grande, aumentando progressivamente a taxa de desemprego;   Deixe ferver, e adicione ao preparado 2 submarinos, 1 bpn, muitas ppp's, privatizações, fundações, e outras coisas terminadas em ões !!!      Em seguida, reduza os salários aos contribuintes já pelados, tape e deixe cozer.      Recomenda-se o acompanhamento deste prato com muita luta, indignação e protesto.



Publicado por Xa2 às 07:53 de 26.09.12 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

País de mafiosos, traficantes, burlões ... e gente mansa espezinhada

         Lisboa,  Sicília        (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

 O Luís M. Jorge fez o favor de postar este vídeo que explica o buraco em que estamos metidos e a forma como actua a mafia que nos governa. É verdade que os quatro especialistas em economia e fiscalidade são perigosos esquerdistas - José Gomes Ferreira, Paulo Morais, Tiago Caiado Guerreiro e Armando Esteves Pereira - e por isso o vídeo foi produzido clandestinamente numa gruta para os lados de Celorico de Basto. Com um pedido de paciência aos nossos leitores de direita, mais sensíveis a este tipo de gente, aconselho a verem até ao fim, vale mesmo a pena. Assustador.           ( tags: ,  )


Publicado por Xa2 às 07:40 de 13.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Esperar quieto e calado ... é desistir e ser comido !

       A nêspera deitada, muito calada, a ver o que acontecia  (-por Daniel Oliveira, Expresso online)

      Os socialistas conseguiram uma histórica maioria absoluta no parlamento francês. Não sei se este é o melhor resultado para garantir uma forte inflexão no posicionamento francês na Europa, mas o absurdo sistema eleitoral francês foi desenhado de forma a impedir qualquer surpresa que a vontade popular possa trazer. Seja como for, Hollande conseguiu um resultado extraordinário e de nada se poderá desculpar no futuro. Tem, coisa raramente conhecida em França, tudo na mão: a maioria das autarquias, a maioria da Assembleia Nacional e do Senado e, claro, a Presidência. Gorada uma verdadeira mudança política na Grécia, é exclusivamente de Hollande que depende a alteração das políticas europeias. Certo? Errado.

     Se há coisa que a Grécia nos prova, como escrevi ontem, é que esperar pela coragem dos governantes é um erro. A maioria dos governos, eleitos ou não, responde apenas a um perigo: ao de perder o poder que tem. E nisso, os políticos não são diferentes da maioria das pessoas. O que fez a Nova Democracia grega dar uma volta de 180 graus no que defendia na sua relação com a troika não foi a evidência do descalabro da austeridade. Foi a possibilidade do Syriza vencer as eleições. O que impedirá Hollande de seguir a velha tradição socialista europeia, de, chegada ao poder, se acobardar, será a pressão dos franceses. Sem ela, os governantes tratam de si.

      "Uma nêspera estava na cama, deitada, muito calada, a ver o que acontecia. Chegou a Velha e disse: olha uma nêspera e zás comeu-a! É o que acontece às nêsperas que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!" O poema de Mário Henrique Leiria também nos pode recordar que, em democracia, não somos clientes. Nem temos sempre razão, nem estamos aqui para ser servidos. Ou servimos a democracia ou outros se servem dela. Quem fica deitado, calado, a ver o que acontece, terá sempre um triste fim.

      Acredito na democracia representativa. Se não fosse por convicção, seria pela mera constatação dos factos: ainda não conheci nenhuma sociedade livre em que ela não existisse. Mas também sei que ela não chega. Que entregar todo o exercício da democracia aos eleitos, julgando que o papel dos cidadãos é apenas esperar pelos resultados do seu voto, é desistir da democracia.

     Se os franceses não fizerem nada, antes de, também eles, serem engolidos pela crise, François Hollande nada fará. Será, nas palavras que usou para se distinguir de Sarkozy, um "presidente normal". E a Europa, no estado em que está, não precisa de líderes normais. Precisa de quem, substituindo a pior geração de políticos que liderou a Europa desde o pós-guerra, seja tão arrojado como foi a incompetência dos seus antecessores. Mas para seguir o caminho inverso. E isso acontecerá se a pressão popular mantiver o poder sempre em risco.

     A estratégia que mais sucesso tem em Portugal é a da nêspera: ficarmos deitados, calados, a ver o que nos acontece. Na esperança que todos percebam que não somos a Grécia. Assim como os espanhóis esperam que todos percebam que eles não são os portugueses. E os italianos esperam que todos percebam que eles não são os espanhóis. E os franceses esperam que todos percebam que eles não são os italianos. Até serem todos comidos.

     Da mesma forma que Hollande não enfrentará Merkel se os franceses a isso não o obrigarem - a política vive da economia de esforço e de risco -, Portugal, Irlanda, Grécia ou Espanha não se salvarão apenas porque a França mudou de presidente e este decidirá, sabe-se lá porquê, ser nosso advogado de defesa.

     O governo português está deitado, muito calado, a ver o que acontece. Apoia a Alemanha, em tudo o que esta defenda, incluindo em matérias onde a sua posição é naturalmente oposta aos interesses nacionais - como nos eurobounds -, na esperança de ver o seu bom comportamento premiado. Não duvido que, se o poder hegemónico na Europa fosse francês, seria a França a merecer o nosso constante e acrítico aplauso.

     O povo português tem estado deitado, calado, a ver o que acontece. Na esperança que isto passe e achando que enquanto nos fingirmos de mortos a realidade se vai esquecer de nós. Não resulta. Enquanto este governo sentir que o seu poder não está em perigo, enquanto os que se servem do Estado para fazer os seus negócios poderem continuar a tratar de si, nada mudará.

     A posição dos portugueses e do seu governo é coincidente: a da nêspera. Passos espera que, perante a sua obediência, os outros reconheçam a nossa insignificância e, na hora do naufrágio, nos arranjem um lugar no barco salva-vidas. Os portugueses esperam que, não fazendo ondas e garantindo esta paz podre, alguém nos venha salvar desta agonia. Só que a estabilidade política que vive da apatia dos cidadãos e da bovina obediência das Nações (governos) nada pode trazer de bom a um povo. As nêsperas nascem e vivem para ser comidas. Se insistirmos em ficar quietos, à espera de Merkel ou de Hollande, dependendo da convicção ideológica de cada um, é esse o destino que nos espera. Chega a velha e zás !



Publicado por Xa2 às 07:39 de 20.06.12 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Centrão de Parcerias ruinosas para o Estado e contribuintes

A tua PPP é pior do que a minha  (-por Daniel Oliveira, Expresso online)

Estou divertidíssimo com o jogo do centrão à volta das Parcerias Público-Privadas (PPP). Lendo alguns colunistas e ouvindo alguns comentadores fico convencido que foi Paulo Campos que as inventou. Tudo se resume a debater as responsabilidades deste senhor. Só que Paulo Campos é apenas um entre muitos. E, arrisco-me a dizer, até é arraia miúda. 
    Quando era jornalista no ativo e acompanhava a política de obras públicas discuti com vários técnicos e economistas aquilo que era então considerado o ovo de Colombo. Poucos, muito poucos, não adoptaram os princípios do "project finance" como o linguajar de gestor da moda. Na altura eram as obras rodoviárias que lhes calhavam bem. Mas a saúde acabou por seguir o mesmo caminho. Também aí a generalidade dos ideólogos do centrão aplaudiam as evidentes vantagens de associar a criatividade financeira do Estado ao empreendedorismo do privado. E quem, num caso e no outro, as atacasse, logo era acusado de preconceito ideológico contra os privados, de miserabilismo e de viver no passado.

    O que são as PPP's e quais os prejuízos que causam ao Estado escuso-me de explicar. Cada um de nós terá de desembolsar 4.512 euros até 2050, não apenas para pagar as obras, mas para garantir o rendimento máximo garantido às empresas privadas que, com uma boa agenda de contactos no PS e no PSD, garantiram para si este negócio sem risco. O esquema é hoje sobejamente conhecido e toda a gente era contra estas parcerias desde pequenino.

    Agora, enquanto os negócios se continuam a fazer e nenhum dos acordos ruinosos para o Estado é realmente renegociado, o consenso retórico do centrão - partidário e de opinião - é o oposto: como é que isto aconteceu? E abriu a caça ao "pêpêpista". Como Paulo Campos deu nas vistas, nada como ser o senhor a arcar com as todas as responsabilidades para não aborrecer gente muito séria que pulula por conselhos de administração de empresas igualmente acima de qualquer suspeita.

    A ver se nos entendemos: não há, nesta matéria, entre o PS e o PSD, qualquer diferença. Fizeram o mesmo, da mesma maneira, pelas mesmas razões, com as mesmas desvantagens para nós e as mesmas vantagens para eles.

    Porque tiveram as PPP's tantos entusiastas nos dois principais partidos? É olhar para o trânsito entre os principais ministérios e as administrações das principais beneficiárias das PPP's e logo se percebe porque não houve muitos ministros e secretários de Estado preocupados com os interesses do Estado e dos contribuintes. De António Vitorino a Valente de Oliveira, de Murteira Nabo a Luís Todo-Bom, de Luís Parreirão a Luís Filipe Pereira, de Jorge Coelho a Joaquim Ferreira do Amaral, de José Lopes Martins a Pedro Dias Alves, de Júlio Castro Caldas a António Nogueira Leite, os ex-titulares do ministérios fundamentais para estes negócios que estão ou estiveram nas principais empresas que deles beneficiaram (Mota-Engil, Soares da Costa, Grupo Mello ou Lusoponte) explicam as razões desta astronómica fatura.

    Dito isto, continuem então o PS e o PSD na guerra das culpas. Terão muito trabalho pela frente. E os seus opinadores de serviço também, para conseguir fazer a devida seleção de culpados e explicarem que as PPP's do lado de lá foram muito piores do que as do lado de cá. Uma verdadeira comissão de inquérito às PPP's? Acho óptimo. Se for a sério, poderemos ver um interessante desfile de políticos-gestores. Teremos uma longa metragem do que foi e é o país político e empresarial dos últimos vinte anos. Digno da RTP Memória.

 



Publicado por Xa2 às 07:44 de 14.06.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Maus governantes, demagogia, corrupção, negociatas ...

PURA DEMAGOGIA!

 

A notícia deixaria qualquer um de boca aberta se, por acaso, não estivéssemos há muito em tempos de demagogia! : 

O Secretário de Estado espanhol da administração pública avisou os funcionários públicos do país vizinho de que «era tempo de deixarem de ler o jornal e de tomar café»!

 Impressionante e ao mesmo tempo de um mau gosto e de uma demagogia de se lhe tirar o chapéu! Corrupção e demagogia sapam a liberdade!

Se eu ouvisse esta «boca» a um cidadão qualquer que, porventura, foi mal atendido numa repartição pública, ou ao meu avô que, para além da banda de música e das vinhas, não ia muito em jornais, coisas de doutores obviamente-eu não me espantaria!

Agora ouvir esta frase preconceituosa a um membro do governo de um país com os pergaminhos da Espanha é a prova clara da baixeza a que chegou certa classe política!

Este tipo de afirmação sobre os trabalhadores do Estado não é inédito. Estamos ao corrente dos últimos dez anos em Portugal, desde o governo Durão Barroso, em que teve início um ataque feroz á administração pública em nome da «reforma do Estado». Em nome desta reforma cortou-se nos rendimentos dos trabalhadores, enviaram-se vários para a mobilidade, precarizou-se o vínculo da maioria, tornou-se insuportável a vida dos mais velhos e experimentados técnicos, introduziu-se o pior do privado na gestão pública, nomeadamente um sistema de avaliação monstruoso. Objetivos? Poupar dinheiro, entregar aos privados, nomeadamente consultores, chorudos negócios!

Governantes ainda de fraldas insultavam logo de manhã o brio profissional dos funcionários! Tudo lhe chamaram nesta pátria de Camões! Deram a entender e ainda hoje dão, que os funcionários públicos apenas são um custo! Quem cuida deste país? Quem o limpa? Quem limpa os velhos, trata os doentes nos hospitais, cuida de centenas de milhares de crianças e de jovens nas escolas? Francamente!

Com esta indignação não estou a dizer que os trabalhadores da administração pública são todos excelentes ou mesmo bons funcionários! Que não houve e que não há trabalhadores que prevaricam! Não cabe hoje aqui essa crítica, mas ficará prometida.

Mas francamente, ler o jornal nos dias de hoje, online ou em papel, é porventura um ato indigno e de não trabalho? Tomar um café já é um luxo? Onde estudou esta gente? Em que universidades? Quem foram os alarves dos professores? Por qual cartilha estudaram e que leite beberam em pequenos?



Publicado por Xa2 às 17:00 de 25.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Saúde: ai de nós, se ela nos falta

Como em 2020 já não haveria dinheiro para pagar as reformas, dado que uma elevada quantidade de velhos (sobretudo velhas - as mulheres têm/tinham maior esperança de vida) teimam em não querer morrer, então o actual governo pensou e implementou uma solução.

Através do Serviço Nacional de Saúde (SNS), supostamente público e tendencialmente gratuito (pelo menos é assim que está escrito na constituição - art.º 64º), o governo recusa, através do encerramento de centros de saúde, da implementação de elevadas taxas moderadoras, de corte nos transportes dos doentes, de proibição de cirurgias e outros tratamentos hospitalares, os reformados, pouco tempo depois de terem conseguido o direito ao mais que merecido repouso, vão definhando até as suas mortes chegarem.

Dois casos graves, conheço eu, de recusa de intervenção cirúrgica pela administração de um hospital de Lisboa, com a justificação de serem de custo elevado e os pacientes (pela sua idade ou falta de relevo pessoal) foram considerados insignificantes para o esforço a despender pelo SNS. Ao que chegamos!

Assim, o actual governo, na ânsia de ir mais além do que a própria tróica, para salvar os bancos e o sistema de agiotagem, não se coíbe de mandar emigrar jovens licenciados e trabalhadores indiferenciados além extinguir reformados e pensionistas. Já não é caso para se dizer, perdão escrever, “e viva o velho!”.



Publicado por Zé Pessoa às 14:25 de 04.04.12 | link do post | comentar |

Desemprego ou trabalho escravo

              Zonas de Conforto  (

"Fracasso na procura de emprego deixa portugueses a dormir nas ruas de Londres".
"Há emigrantes portugueses a dormir nas estações de comboios da Suíça"
"Emigrantes portugueses tratados como escravos em França, Alemanha e Inglaterra".
"Estamos a ir além do memorando da troika" - Pedro Passos Coelho  

Agora pode-se dizer com toda a propriedade:  este é um Governo que pratica políticas assassinas.  

O que se poderá chamar a um Governo que deixa morrer a população de que é suposto cuidar?

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     651 milhões de euros para empresas de trabalho temporário e esclavagistas

      Acho que fica tudo dito sobre o que o Governo pensa do desemprego e dos trabalhadores do país quando a solução avançada para combater o desemprego jovem passa primeiro pelo subsídio estatatal às empresas de trabalho temporário, de modo a que façam o que compete aos Centros de Emprego, mas em condições muito piores para os trabalhadores, e depois pela promoção do trabalho escravo, não remunerado, a que se costuma eufemisticamente chamar estágios*.

    Quem conhece o mercado de trabalho sabe que a percentagem de empresas que acaba por contratar os estagiários é muito baixa. Em tempos de crise, ainda é pior, e a exploração imoral dos estagiários torna-se regra: há empresas a aceitar sucessivamente estagiários sem nunca os contratar.
    Já chega, ou ainda queremos levar com o Governo PSD/CDS durante mais tempo?
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     Desemprego saltou para 14,8% em Janeiro, diz o Eurostat.Número de empresas em despedimento coletivo quase duplicou em janeiro.     Novo chefe do FMI para Portugal admite contracção maior que o previsto.Recessão e desemprego ameaçam metas do défice, avisa UTAO. 
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       Psicopatologia da vida política portuguesa   
  A mentira compulsiva.     A neurose delirante.      A alucinação psicótica.      A esquizofrenia.       O transtorno de múltipla personalidade.  
Não temais: o pior ainda está para vir. 
     (-por Sérgio Lavos)


Publicado por Xa2 às 12:55 de 05.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Patriotas são os trabalhadores ... não as elites vendidas, incompetentes e sabujas

Os trabalhadores são os únicos patriotas deste País , (-por Daniel Oliveira)

   O Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa está, como quase todos os centros de investigação, sem dinheiro. Os cortes cegos do ministro Crato, que tanta gente parece elogiar, foi a gota de água num copo cheio de problemas antigos e começa a fazer-se sentir no mais básico dos básicos. Resultado: o sofisticado sistema de refrigeração do edifício do ITQB, fundamental para o funcionamento das máquinas ali utilizadas, não podia ser renovado depois de uma avaria dos chillers. Se nada se fizesse perder-se-iam centenas de milhares de euros em equipamento e o trabalho científico ficaria paralisado.   
    Para resolver o problema o diretor da instituição fez um apelo pouco usual aos trabalhadores: que os funcionários doassem dinheiro, tendo mesmo sugerido, talvez meio a brincar, que prescindissem da metade que restava seu subsidio de Natal e o entregassem para pagar uma despesa de manutenção que cabe ao Estado. É também para este trabalho, fundamental para o nosso desenvolvimento, e não para o BPN e para cobrir benefícios fiscais à banca, que pagamos impostos. Apesar de não serem obrigados a faze-lo, 342 doadores (na sua maioria trabalhadores, colaboradores e bolseiros) entregaram 69 mil euros ao ITQB. As funcionárias responsáveis pela lavagem de material e equipamento, que não tinham folga para isso, fizeram rifas e conseguiram mil euros.
    Sobre este assunto, quero apenas dizer duas coisas:
    1-  Não é suportável para quem trabalha continuar, para além de todos os sacrifícios que já lhes são exigidos, a retirar o pouco que lhes sobra para poderem continuar a trabalhar.
Não é justo que sejam os investigadores a pagar aquilo de que todos beneficiamos.
Não é justo que trabalhar já seja visto como um privilégio pelo qual temos de pagar.
Não é saudável que os trabalhadores deem parte do seu salário, mesmo que voluntariamente, até porque nunca saberemos como será a reação do empregador quando disseram que já não podem dar mais.
Não é assim que as coisas devem funcionar.
    2-  Seja como for, este é mais um exemplo para mostrar quem, neste País, está disposto a tudo para nos tirar da crise.
Não é a banca, que não hesita a despachar os seus fundos de pensões para o Estado e, depois disso, a receber em troca créditos fiscais, pagando ainda menos impostos do que paga.
Não são as grandes empresas nacionais, como a EDP, que apesar de lucros brutais carrega, ano a após ano, ainda mais a nossa factura energética, obrigando-nos a pagar a eletricidade mais cara da Europa. Ou como a PT, que muda a data de distribuição de dividendos para não pagar impostos.
Não é o governo, que no País mais desigual da Europa exige sacrifícios aos que já não têm folga e continua a encher o Estado de boys sem currículo.     
   Os únicos patriotas são os trabalhadores, os desempregados e os reformados. Os únicos com amor suficiente ao que fazem para oferecer o que lhes pertence para tentar salvar o futuro de Portugal.
    Num tempo em que os portugueses se dedicam à autoflagelação ou que são diariamente insultados na televisão - como se tivessem tido, nos últimos anos, uma "vida fácil" -, vale a pena recordar
Que não é por causa dos trabalhadores portugueses que temos problemas de produtividade.
Que não é por causa do contribuinte (trabalhador por conta de outrem) que estamos endividados.
Que não é por causa de nós que a nossa economia é ineficiente.
Que não é por causa dos funcionários públicos que o Estado funciona mal.
Que não é por causa dos professores que a Escola Pública está aquém do que podia ser.
Que não é por causa dos médicos e enfermeiros que o Serviço Nacional de Saúde tem problemas de gestão financeira.
Que não é por causa dos investigadores que não somos competitivos.
     Os trabalhadores do ITQB mostraram mais uma vez que os trabalhadores que temos não merecem as elites que os comandam.
             [Publicado no Expresso Online]


Publicado por Xa2 às 19:15 de 03.01.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Pública sem vergonha

Opinião pública. (em por )

 

   Para alguma coisa há-de servir lermos Júlio Dinis: sempre nos dá um retrato do Portugal caciqueiro, sabujo e vil que antes de gritar merda repara no lado de que a merda vem.
   Assistir ao comportamento da opinião pública nestes dez ou vinte anos em que foi passando das mercearias para os blogs e dos terços a Salazar para as invectivas em economês é um exercício doloroso e acabrunhante.   Os que fustigaram Cavaco por ser um parolo novo-rico, autoritário e rodeado de corruptos foram os mesmos que perdoaram a Sócrates a saloíce de fatinho laroca, o despotismo e a máfia que agora ocupa os conselhos de administração dos empreiteiros.
   Não se espere mais consciência cívica dos apoiantes deste Governo. Às suspeitas (milhões em compras militares mal explicadas) sobre ministros respondem com um assobio para o ar, ao saque dos lugares públicos (610 nomeados para gabinetes ministeriais desde 5 Julho) com um sorriso amarelo, às incursões ansiosas nos media ('RTP sem publicidade') com um encolher de ombros, às privatizações que se preparam sabe deus como (corrupção?)dedicam silêncios fecundos, ao abuso das polícias (agentes infiltrados e provocadores de distúrbios) uns considerandos filosóficos.
   A única ética que sensibiliza a opinião pública lusitana é a que se pratica no comentário aos jogos da Liga: os nossos filhos da puta são melhores que os filhos da puta dos outros. Eis o seu credo e o fundamento da sua razão prática.

   Que uma democracia sobreviva e frutifique entre gente assim é um milagre. Mas os milagres não existem, não se merecem nem, como veremos, costumam ser eternos. 

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Sem vergonha , por Sérgio Lavos

 Eu estava para escrever sobre a dança das cadeiras que o Governo promoveu desde que tomou posse: 3 nomeações de boys por dia, só para os gabinetes. Contas sobre os lugares ocupados em todos os organismos que dependem dos diversos Ministérios, ainda não há. O Ricardo Santos Pinto, no 5 Dias, antecipou-se e já fez um apanhado dos boys do ministério da Cinderela da lambreta que se transformou em Audi A7, (de 80 mil+ 90mil para um tapete, talvez voador) o mesmo que há uns meses, no parlamento, vociferava contra a instrumentalização pelo PS do Ministério da Segurança Social. Sem vergonha, com toda a lata e despudor. Uma ofensa a todos os que estão a sofrer com os sacrifícios. Criminoso.  



Publicado por Xa2 às 13:18 de 09.12.11 | link do post | comentar |

Justiça, 'estado de direito' ou ...

Marinho Pinto afirma que ministério foi "entregue a um escritório de advogados" 

(-por Agência Lusa, 16 Nov 2011)
      "(PM)... deve explicar o que se passa com o Ministério da Justiça para ser entregue a um escritório de advogados de Lisboa",   ... depois de ter dito "manter os mesmos termos" que usou quando acusou a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, de "nomear amigos e familiares" para cargos do ministério que lidera.
   O bastonário da Ordem dos Advogados (OA) justificou a acusação exemplificando com a nomeação do advogado João Correia, que segundo Marinho Pinto é "cunhado da senhora ministra", para coordenador da Comissão da Reforma do Processo Civil.  ...a nomeação do "sócio" de João Correia para chefe de gabinete de Paula Teixeira da Cruz, o também advogado Miguel Barros.
   "Ela que diga onde está a mentira", desafiou Marinho Pinto, referindo também a nomeação de Júlio Castro Caldas, "também sócio de João Correia" para "uma comissão de revisão do Código Penal", como exemplos.
   ... "o Ministério da Justiça foi praticamente entregue ao Dr. João Correia" e que "se calhar a senhora ministra não era capaz de sozinha tomar conta daquele ministério" precisando "dos sócios, amigos e colaboradores do Dr. João Correia". O bastonário disse "não saber" se "é porque João Correia é cunhado" de Paula Teixeira da Cruz "ou por outras razões", "mas que isto tem que ser explicado".
   Sobre as acusações de Paula Teixeira da cruz de que existem fraudes no apoio judiciário, Marinho Pinto concordou mas afirmou que se fizesse uma auditoria ao ministério da Justiça "mesmo depois" de Teixeira da Cruz tomar posse "com certeza se encontraria coisas mais graves".
   O responsável pela OA afirmou ainda que a "prioridade" da ministra da Justiça "foi acerca da arbitragem" e que anda "toda eufórica" com esta questão.
   No entanto classificou a arbitragem como "uma justiça clandestina em que os juízes são escolhidos e pagos pelas partes" afirmando que "é utilizada muitas vezes para legitimar negócios ilícitos em que o Estado e os recursos públicos saem sempre a perder".

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De comentadores anónimos:

       . Soc.d'advogados (des)governam Portugal.

       .TRAFICANTEs da DEMOCRACIA e da JUSTIÇA.

Ainda hoje o bastonário da OA, Marinho Pinto, disse que entre os (advogados que também são) DEPUTADOS ou GOVERNANTES existe TRÁFICO de INFLUÊNCIAS (e defesa de interesses privados, das grandes empresas para quem trabalham ou de quem são defensores ou para onde voltam, com bons 'tachos', após a sua ''comissão nos órgãos de soberania''... Eles não defendem o interesse (da maioria do) Povo, da Democracia, da Justiça, mas sim o seu próprio interesse e o das elites económicas e sociais.
            Isto é uma FARSA de Democracia.!!
        .Advogado INCOMPATIBILIDADE ou tráfico...
   Nem deputados, nem jornalistas, nem padres devem exercer a actividade da advocacia em acumulação. Este regime de incompatibilidades foi ontem aprovado no congresso da classe (Ordem dos Advogados) que terminou ontem na Figueira da Foz
   "Todos os titulares de órgãos de soberania, incluindo DEPUTADOS, jornalistas, agentes de execução e ministros de confissões religiosas", exercem actividades que devem ser consideradas INCOMPATÍVEIS com o exercício da advocacia.
Esta orientação foi aprovada, ontem, com 124 votos a favor, 40 contra e nove abstenções.  (DN, 13.11.2011)
        .Estatuto DEPUTADO e tráfico d'influências
Oito deputados têm participações em SGPS   (por Sónia Cerdeira, i-online, 15 Nov 2011 ) 
   PCP quer proibir deputados de terem participações em SPGS e cerca os que exercem advocacia 
   Dos 230 deputados da Assembleia da República, oito têm participações em empresas SGPS, entidades que gerem participações sociais, de acordo com os registos de interesses entregues no parlamento, uma questão que o PCP quer resolver, uma vez que os deputados podem, no parlamento, tomar posições favoráveis a estas empresas.
   Por isso os comunistas vão apresentar uma proposta de alteração ao Estatuto dos Deputados.
   A questão que se levanta com as empresas SGPS que podem gerir participações sociais de outras empresas, do mesmo grupo, que tenham negócios com o Estado. E não há qualquer impedimento a que os deputados participem nas SGPS, onde podem até ser administradores não executivos.
   "São situações em que pode existir uma almofada entre a empresa que tem o negócio com o Estado e o deputado, numa espécie de relação triangular", explica ao i o deputado comunista João Oliveira.
   Actualmente não existe qualquer ilegalidade ou incompatibilidade entre o exercício do cargo de deputado e a participação em empresas.
   O Estatuto dos Deputados não permite apenas os titulares de mandatos parlamentares de exercerem cargos de gestão em empresas públicas ou maioritariamente participadas pelo Estado, ou de deterem mais de 10% do capital social de entidades privadas que assinem contratos públicos.
   Segundo os registos de interesses dos deputados publicados online, Paulo MotaPinto, do PSD, é um dos parlamentares que têm participações em SGPS:o deputado é administrador não executivo e membro da Comissão de Auditoria da ZON Multimédia SGPS.
   Também o deputado socialista José Lello é membro do conselho de administração da DST, SGPS, uma empresa de gestão de participações sociais. Carlos CostaNeves – presidente do conselho de administração da MEC – Holding SGPS, SA –, Paulo Batista Santos – presidente da mesa da Assembleia Geral da J.B.S. SGPS, S.A – e Pedro Saraiva – administrador da Creative Wings, SGPS – são os outros deputados social-democratas com cargos neste tipo de empresas.
   Já João Portugal, do PS, tem uma participação de 1% na Atédia SGPS, SA, enquanto o deputado do CDS-PP, João Rebelo, tem uma de 13,13% na Fransglobal, SGPS, SA, e João Serpa Oliva, também do CDS, regista uma participação de 6,5% na Si-VALIS SGPS.
   Além da questão das SGPS, o PCP quer apertar o cerco aos deputados-advogados.
   Trata-se de um tema polémico desde sempre, até porque esta é a profissão mais representada no parlamento: 47 parlamentares são advogados e apenas dois têm suspensa a sua actividade.
   Ainda esta semana o bastonário daOrdem dos Advogados, Marinho Pinto, denunciou a existência de muitos deputados que sendo advogados traficam influências.
   Para o bastonário existe uma solução: os advogados devem ficar impedidos de exercer a advocacia enquanto cumprirem o mandato.
   O PCP não vai tão longe mas vai propor alguns impedimentos num projecto de lei a apresentar após o debate do Orçamento.
   Entretanto também o BE já apresentou um projecto para alterar o Estatuto dos Deputados.
   Os bloquistas querem proibir a prestação de serviços de deputados "sempre que esteja em jogo dinheiro público", diz ao i Catarina Martins.
Por exemplo, a prestação de serviços de consultadoria, assessoria e patrocínio ao Estado, regiões autónomas, autarquias locais, sociedades com participação ou capitais públicos, concessionários do serviço público ou empresas que participem em concursos públicos.


Publicado por Xa2 às 13:15 de 17.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Cópias e reles imitações

Eu, Zé Pessoa, que faz tempo aqui não rabisco uma palavra, sou uma cópia de mim mesmo, sou uma cópia de todos os zés, sou uma cópia de todas as pessoas. Mas tento ser uma cópia o mais fiel possível. Raramente o consigo.

Os que me lêem ou comentam, são cópias uns dos outros e, alguns, que pouco criam ou constroem, passam a vida a copiar.

Vejam, por exemplo, que o actual Presidente da República é uma cópia de um ex-Primeiro Ministro que, por sua vez, foi cópia de um ministro das finanças, o qual já havia sido cópia de um tal professor de economia, cópia de um aluno universitário vindo das berças algarvias algures de um lugar chamado Boliqueime.

O actual Primeiro-ministro é uma, quase reles, cópia de si próprio, de tão fraca qualidade que se torna irreconhecido, face ao original.

Os ministros são umas cópias, de fraca qualidade, dos seus antecessores, pese embora o facto de muitos deles terem sido "importados" numa tentativa de iludir a fraca qualidade das cópias.

O líder da oposição, um tal Seguro, é uma cópia do actual 1º ministro, ainda que tentem disfarça-lo, através de artifícios e retoques fotoshopianos.

Os deputados da Assembleia da República são cópias, uns dos outros, e os actuais cópias, desbotadas, dos que lhes antecederam, sendo que dos originais já nenhum resta.

Os líderes europeus nem cópias chegam a ser dos seus antecessores, tão medíocre é o seu papel que não vão além de reles imitações.

A própria europa é hoje uma cópia, pardacenta, de si própria, inserida num mundo que se descaracteriza face às suas históricas raízes, cuja descoloração lhe não permite vislumbrar a cor do futuro mais ou menos próximo ou longínqua.



Publicado por Zé Pessoa às 15:53 de 23.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Mais próximos da escravatura

Meia hora mais próximos do fuso horário de Pequim

    O aumento em meia hora da jornada diária de trabalho é um truque. Um truque para aumentar a produtividade nas estatísticas sem mudar nada nas empresas e na economia. Único resultado: reduzir o preço unitário do trabalho. É esta a fezada dos ultras que nos governam: se reduzirmos o preço do trabalho - que já é um dos mais baixos da Europa, sem que se tivesse notado nenhuma vantagem para a nossa economia - seremos mais competitivo.    Um pequeno problema: a criação de emprego deveria ser uma prioridade absoluta. Uma prioridade social, económica e até para as finanças dos Estado. Esta esperteza saloia apenas aumentará o desemprego. E com o aumento do desemprego reduzem-se as receitas fiscaise aumentam as despesas sociais - isto para me ficar por argumentos económicos e financeiros, os únicos que os amigos de Gaspar percebem.

    Sim, aproxima-nos do fuso horário de Pequim. Mas só há uma forma de competir com a China: queimar o País, destruir a democracia e começar tudo a partir da miséria absoluta. No fundo, é mesmo nisto que estes irresponsáveis acreditam.

    A outra fezada destes engenheiros sociais é que se reduzirem os rendimentos - e é nisso que este aumento de meia hora resulta (menos trabalhadores a fazer o mesmo significa menos rendimento para o conjunto dos trabalhadores) -diminuirão o consumo. Se diminuírem o consumo diminuem as importações. Apenas um pequeno problema: a maioria dos portugueses quase só consome o básico. Ou seja, querem mexer na balança de transações à custa da miséria. É exatamente o que o regime chinês faz: trabalho escravo, rendimentos apenas suficientes para a sobrevivência, acumulação de capital no meio da pobreza.

    Só que a China é uma ditadura. Sem sindicatos livres ou eleições. Portugal, por enquanto, ainda é uma democracia. E é por isso que aplaudo o acordo anunciado entre a CGTP e a UGT para a realização de uma greve geral. Acrescentam às contas chinesas de Passos e Gaspar um factor com que eles nunca contam: a resistência das pessoas a esta "revolução cultural".

         (-por Daniel Oliveira )



Publicado por Xa2 às 13:17 de 18.10.11 | link do post | comentar |

Populismo, ensino superior e promiscuidade de (ex-)políticos

O populismo rasca de Medina Carreira a nu 

    “Resolveu-se nos últimos anos endeusar as universidades. Mas então por que é que estamos tão mal? Porque não precisamos de tantos doutores, precisamos é de gente média que saiba fazer. As universidades aturam uma data de vadios e preparam a meia dúzia de gente que sempre foi boa”. -Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011.

      Esta trapalhada rasca e mal educada num país saudável nem teria resposta. Mas dada a tribuna mediática - sempre sem contraditório - que é atribuída a este indivíduo, se não se responder, estas asneiras tantas vezes proferidas passam a ser verdade.
    A primeira frase revela apenas que os progressos significativos registados nas universidades públicas e na ciência incomodam Medina Carreira. Porquê? Atrapalha a sua intervenção política em prol das ideologias do estado mínimo.

    O falhanço estrondoso de uma sociedade fortemente dependente dos mercados responde à segunda frase, que no nosso caso se traduz numa dívida privada de 220% do PIB (sobretudo externa), dívida que Medina Carreira evita evocar.

    A terceira frase revela um misto de ignorância e rasteireza. Portugal não tem licenciados (doutores em medina-carreirês) a mais, tem licenciados a menos. Todos os países com melhor nível de vida que nosso têm uma maior percentagem de pessoas formadas no ensino superior do que nós temos. Nesses países os quadros médios (gente média em medina-carreirês) passaram quase todos pelo ensino superior (escolas técnicas, bacharéis ou licenciaturas). Essa ideia é reforçada pelo relatório que estabelece os objectivos científicos da União Europeia, "Towards 3%: attainment of the Barcelona target", que descreve o sucesso da aposta da Finlândia na ciência e nas universidades nos anos 90 para responder à maior recessão registada num país da Europa ocidental desde a II Guerra Mundial, a uma taxa de desemprego de 20% e a uma dívida externa incomportável.

Número de publicações científicas por ano de autoria ou co-autoria de investigadores portugueses incluídas no Science Citation Index Expanded (Thomson Reuters/ISI).

     No tempo de Medina Carreira não eram os melhores alunos que entravam nas universidades, eram os filhos dos ricos. O próprio Medina frequentou a universidade graças ao nível de vida do seu pai, o historiador António Barbosa Carreira. Nesse tempo, tirando algumas honrosas excepções Portugal era praticamente um zero em ciência. Havia departamentos inteiros nas universidades que não tinham qualquer actividade científica. A maioria dos alunos andava a passear os livros, não acabava o curso, mas isso não os impedia de ostentar o título de doutor no quotidiano (começamos a perceber a origem do medina-carreirês). No entanto a aposta que foi feita nos últimos 20 anos nas universidades e na ciência teve um retorno científico exponencial (ver gráfico). O número de patentes e de empresas científicas e tecnológicas disparou. Quer instituições quer empresas de investigação participam hoje em redes científicas internacionais juntamente com a ESA, o CERN e outras instituições muito prestigiadas. Apesar de tudo ainda há um caminho longo a percorrer, mas prefiro de longe esta universidade de "vadios" do que a velha universidade de filhinhos do papá



Publicado por Xa2 às 08:08 de 28.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Salvar maus governantes e afundar contribuintes do cont'nente

Cada madeirense "deve" cerca de 30 mil euros

   É uma forma de dizer cada madeirense "deve" ou cada português "deve" pois, na realidade, embora vamos ter "todos" que contribuir para o saneamento das finanças públicas, não foi nenhum madeirense nem nenhum português que pediu emprestado, nem geriu mal as finanças e a economia. As culpas são claras e devem ser atribuídas responsabilidades a quem assim agiu e defraudou as expectativas dos contribuintes.
   Mas, segundo o jornal Público de hoje, cada madeirense "deve" 30 mil euros, o dobro da média de todo o país.
   Este valor parte da base de que a dívida pública da Madeira é de 8 mil milhões de euros. Mas há partidos como o CDS em que a fasquia é colocada mais elevada, pois aponta para 8,4 mil milhões.
   É importante dizer que esta dívida foi acumulada em menos de 10 anos, pois com o governo de Guterres houve sucessivos perdões da dívida ou de partes de dívida como o passivo da saúde e outros (e que foram penalizar as contas/dívida do Estado).
   É bom que apareçam estas aproximações à quantificação da dívida da Madeira, pois diz-se e o Ministro das Finanças confirmou que está a decorrer uma auditoria exactamente para, entre outras coisas, apurar o montante da dívida.
   Mas como há eleições em 9 de Outubro pode haver a tentação de dar uma ajudazinha ao Dr. Alberto João Jardim, não pondo a nú o tamanho descalabro da sua gestão, que não tem qualquer justificação técnica nem política.
   Essa ajudinha pode constar da apresentação de resultados parcelares da dívida, por exemplo só a dívida directa ou outra forma. Há muitas formas de encobrir a realidade.
   Não tenho dúvidas de que a dívida é muito elevada.
   Admitamos só por um instante que o montante da dívida apresentado pelas Finanças se faz de forma consolidada.
   Como se apresentariam publicamente quer o Dr: Alberto João quer o dr Ventura Garcês que têm dito e redito que a dívida da Madeira não chega a um orçamento regional (1,5 mil milhões de euros)?
   Confrontar menos de 1,5 mil milhões de euros com 8 mil milhões como diz o PS ou com 8,4 como diz o CDS nem as piruetas maiores deste mundo esconderiam tão colossal descalabro.
   É importante que os resultados sejam conhecidos bastante antes do acto eleitoral para que a população votante tenha consciência da realidade. Melhor seria que fossem conhecidas as receitas de ataque a este descalabro.
   Esperam-nos medidas muito duras a somar às que já estão no terreno.

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Plano do Governo Português para a Madeira e Açores

É o jornalista Nuno Aguiar (DN de Lisboa, na sua edição de hoje, pg. 3), que o revela.
Cinco são as medidas:
  • Exigência de revisão das previsões de receita por um conselho fiscal.
  • Criação de reservas de capital para precaver "genuínas surpresas".
  • Revisão da distribuição da receita entre o Estado e as regiões.
  • Fortalecimento do poder de fiscalização do Estado.
  • Aplicação de um tecto de endividamento mais apertado.
Algumas notas para enquadramento desta situação.
   Há eleições regionais na Madeira no próximo dia 9 de Outubro.
   Já escrevi, mais de uma vez, que temo existir um entendimento entre o governo central e o governo de Alberto João Jardim para que se encubra a verdadeira dimensão do descalabro das finanças públicas da Região Autónoma da Madeira, até à realização do acto eleitoral, pois divulgar agora essa situação catastrófica, cuja responsabilidade apenas pode ser imputada aos sucessivos governos de Alberto João e a mais ninguém, dificultaria a campanha do PSD.
   Esse encobrimento pode assumir várias formas também como já escrevi, desde revelar resultados parcelares da auditoria, etc.
   Foi negativo para o Governo da República e, em especial, para o Ministro das Finanças, nas suas relações com a Tróika, a descoberta do buraco de 500 milhões de euros da Madeira, relativos ao primeiro semestre de 2011.
   Foi inesperada e não prevista esta situação, o que pôs logo em alerta o Governo Central. Será que não há mais buracos escondidos?
   Esta e outras situações como o BPN fazem com que o governo central tenha de renegociar novas medidas de austeridade para 2012.
   É, neste contexto, que se desencadeiam os planos para os Açores e a Madeira.
   Esse plano já existe pelo menos em termos genéricos como foi hoje revelado pelo DN.
   Porque não foram divulgados pelo governo de Passos Coelho?
   A minha dúvida de compadrio entre governos (do mesmo partido) tem, assim, sustentabilidade
( # posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra)


Publicado por Xa2 às 08:17 de 14.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Rapazes de Chicago entraram em Portugal

Os seguidores de Milton Friedman, destacado economista da universidade de Chicago, são conhecidos pela designação de “Chicago Boys”

Estes “Garotos/rapazes de Chicago” foram um grupo de aproximadamente 25 jovens economistas chilenos que, com base no pensamento económico de Friedman, formularam a estrategia de derrube de Salvador Allende e a política económica da ditadura do general Augusto Pinochet.

Estes rapazes foram os pioneiros no desenvolvimento estruturado do pensamento neoliberal, antecipando no Chile em quase uma década medidas que só mais tarde haveriam de ser adoptadas por Margaret Thatcher (a dama de ferro) no Reino Unido.

A maioria destes economistas recebeu a sua instrução económica básica na escola de economia da Pontifícia Universidade Católica do Chile, (opus dei?) e foram mais tarde estudantes de pós-graduação na Universidade de Chicago.

Foram os responsáveis pelo chamado "Milagre do Chile", denominação dada pelo economista norte-americano Milton Friedman (The Miracle of Chile). Nós já por cá, tínhamos os milagres de Fátima, dispensávamos bem estes rapazes mas, a esquerda pôs-se a jeito e o povo ajudou, o resultado começa a ver-se.

A avaliar pela, devastadora, política de privatizações (nem o António de Santa Comba foi tão destruidor do património estatal), conjugada com mais estes assaltos aos rendimentos de quem trabalha, iremos cair no “milagre económico á portuguesa”, para certas famílias Santos (angolanas), para o Capital Research and Management Company (já com uma participação superior a 10% no capital social da PT) e Stanley Ho`s (chineses), está claro não para portugueses que já não dispõem de patacos para tais compras, mesmo que baratinhas.



Publicado por Zé Pessoa às 14:47 de 15.07.11 | link do post | comentar |

Governo Chama PS ?

A ser verdade o que o SOL revelou este fim-de-semana, não só constitui mais um sinal positivo na mudança de fazer política como retira aos socialistas a pouca capacidade de que já dispõem de fazer oposição ao nivel das medidas negociadas com a chamada troika.

O Sol revela que “o primeiro-ministro quer o PS a liderar uma comissão parlamentar que fiscalize a par e passo o cumprimento das medidas da troika.

O Governo alem da garantida «cooperação activa» do Presidente, Cavaco Silva, pretende garantir no parlamento a segurança absoluta da aprovação do seu respectivo programa político.

Nessa medida, a maioria PSD/CDS prepara-se para rapidamente garantir outro tipo de cooperação, envolvendo o PS na aplicação do programa de austeridade. Este que pouco espaço de manobra lhe resta não terá outro remédio que garantir o mínimo de governabilidade.

Mesmo assim ao PS, se ainda lhe restar alguma coerência, pingo de vergonha e alguma veia social, muito tem para defender no que reporta à salvaguarda e defesa de alguma equidade na repartição dos sacrifícios, de defesa de critérios de solidariedade, de justiça social, do combate conta a corrupção de um melhor funcionamento dos tribunais em particular e da justiça em geral

O SOL apurou que Luís Montenegro vai avançar, logo no início da semana, com a proposta no Parlamento para a formação de uma comissão de acompanhamento, sugerindo que ao PS caiba a presidência dessa comissão.



Publicado por Otsirave às 11:06 de 24.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Prestar contas

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defende que "é crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes".

Carlos Costa rompe assim a tradição desresponsabilizante de Constâncio (entretanto premiado com uma sinecura no BCE), que os portugueses se habituaram a ouvir repetidamente reclamar que os sucessivos défices, alimentados pela imprudência, quando não pela gestão danosa, dos governos dos últimos 12 anos, fossem resolvidos à custa da redução de salários e pensões.

É, de facto, escandalosamente imoral que os erros dos decisores políticos sejam pagos pelos 257.745 desempregados que, segundo números da Segurança Social, perderam o subsídio de desemprego e o subsídio social de desemprego, o que significa igual número de famílias na miséria, ou pelas outras centenas de milhar que ficaram sem RSI ou abono de família (retirado a 645.600 famílias desde Novembro).

Isto enquanto os encargos com vencimentos, "despesas de representação", horas extraordinárias, ajudas de custo, suplementos, prémios, subsídios de residência e alojamento e outros mais dos "boys" e "girls" dos gabinetes ministeriais ascenderam a 19,7 milhões de euros em 2010. E ainda ficam de fora os gabinetes dos 38 secretários de Estado, às vezes mais "populosos" do que os dos próprios ministros...

Manuel António Pina [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 00:11 de 29.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Os bons exemplos deviam vir de cima !
(

 

Para o primeiro ano deste segundo mandato de Cavaco Silva estão disponíveis 16 milhões de euros.

Em 1976, havia apenas 99 mil euros para gastar. 

Mesmo sem contar com a inflação, em democracia, as despesas de Belém têm subido 18% por ano.

Os exemplos vêm mesmo de cima...de Boliqueime!

Cavaco Silva tem quase 500 pessoas a trabalhar para si.

Um imenso laranjal ou o Palácio do Cavaquistão?




Publicado por Xa2 às 14:07 de 09.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Não confio no candidato ''boa'' moeda

A boa moeda  (-por Daniel Oliveira, 17.01.2011)

Para apelar ao votos dos jovens, Cavaco Silva deixou frase enigmática:
"Pensem bem o que significa alhear, deixar àqueles que são mais medíocres, àqueles que têm menos conhecimentos e capacidades, aqueles que são menos sérios, o poder de decisão".

Sabemos que o Presidente não tem uma relação fácil com verbo - os exercícios interpretativos das incompreensíveis declarações públicas do Presidente são já um clássico da política portuguesa -, mas seria bom perceber qual é a ideia.
- Que os mais velhos são medíocres? Espero que não.
- Que quem costuma votar é pior do que quem não vota? Seria estranho.
- Que os mais velhos tendem a escolher gente menos capaz? Improvável.
Talvez o candidato queira dizer, na sua língua de trapos, que é necessário ir votar nele para impedir que se escolham medíocres, desonestos, incapazes e ignorantes.

Feita a mais benigna das interpretações, o que Cavaco Silva deixa nesta frase é o que deixou em toda a campanha e, diga-se em abono da verdade, durante quase toda a sua carreira política:
a arrogância como programa político.
Já foi assim nos debates com quase todos os candidatos, assim continua.

O que se tira desta declaração é que o que divide Cavaco Silva dos restantes oponentes são as qualidade pessoais de cada um. E qualidades de carácter.
Segundo o Presidente, que sempre teve de si próprio uma opinião que se aproxima perigosamente da megalomania, os seus opositores são mais medíocres, menos conhecedores e capazes, e, veja-se bem, menos sérios do que ele.
O discurso de Cavaco sempre se resumiu a isto mesmo: ele é a boa moeda.
E fala assim o homem que teve, até há uns meses, Dias Loureiro como um dos seus principais homens de confiança.

Cavaco tem de se decidir.
Ou quer falar dos problemas do País, e abandona de uma vez por todas o elogio quase delirante às suas qualidades pessoais, concentrando-se nas alternativas políticas que se apresentam nestas eleições,
ou mantém esta estratégia e temos todo o direito a escrutinar se o que diz sobre si próprio é comprovável.

Ou os seus traços de carácter não são relevantes nestas eleições e ele não se compara nesse domínio aos restantes candidatos, ou eles são fundamentais para o nosso voto e esse é um tema desta campanha.

Se são um tema, digo sem rodeios:

NÃO CONFIO na seriedade de Cavaco Silva.
Não confiava quando o seu governo se enterrava em escândalos de corrupção, quando Dias Loureiro era ministro e Oliveira Costa era secretário de Estado e
quando os dinheiros europeus serviam para engordar patos bravos.

NÂO CONFIO quando fica evidente que continuou, durante anos, a fazer negócios com a quadrilha do BPN.

NÃO CONFIO nas capacidades políticas de Cavaco Silva.
Não confiava quando escolheu, numa das maiores oportunidades que Portugal já teve, o modelo de desenvolvimento que nos levou à ruína e quando tratava da contestação de estudantes, de trabalhadores, de utentes da ponte 25 de abril ou de forças de segurança à bastonada.

NÂO CONFIO quando o vejo embrenhar-se numa novela como a das escutas ou deixa que o País seja insultado pelo chefe de Estado checo, ao seu lado, sem abrir sequer a boca.
Não confiava nem confio nos conhecimentos de Cavaco Silva sempre que demonstrou e continua a demonstrar a sua inquietante iliteracia e a sua perturbante falta de Mundo.

Estarei a ser insultuoso para o nosso Presidente? Não mais do que Cavaco Silva foi ao referir-se aos seus opositores. É que já cansa tanta pesporrência.



Publicado por Xa2 às 00:07 de 19.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Defesa racional ou complexidade e custo em demasia ?

Parece impossível !  (por Manuel Falcão)

      As despesas com pessoal do Min. Defesa Nac. aumentaram mais de 10% no ano passado - um aumento de cerca de 121,3 milhões de euros num ano, o maior aumento verificado em todos os Ministérios à excepção do da Presidência do Conselho de Ministros.

     Por muito boas que sejam as razões para aumentar e ajustar salários dos militares, fazer isto em paralelo com os PEC e os pedidos de sacrifícios diversos, mais os cortes nos salários em outros sectores, revela no mínimo falta de bom senso.

     O Ministro da Defesa, Santos Silva, nunca se distinguiu pelas suas qualidades de gestor - sempre se evidenciou pelo estilo trauliteiro nos cargos por onde passou. Aqui remeteu-se a bater a bolinha baixa e a cumprir as reivindicações com que foi confrontado.

     Um aumento de 10% nas despesas de pessoal do Ministério da Defesa parece-me um pouco exagerado na actual conjuntura.

 

     Talvez seja altura de estudar casos como o do Canadá, em que não existem três ramos tradicionais das Forças Armadas (força aérea, marinha e exército, com suas múltiplas 'armas', unidades e serviços - operacionais, de apoio e de comando), estando todos fundidos numa estrutura única. Esta reforma (dantes o sistema era semelhante ao nosso), data de 1968 e o resultado é maior economia, maior eficiência, menos duplicações, maior concentração de recursos nos meios operacionais e menos nas burocracias. Dá que pensar.

     E outra coisa que dá para pensar é que o Canadá tem um total de elementos activos nas Forças Armadas que não chega ao dobro dos nossos, num país com uma dimensão incomparável (o Canadá tem a 2ª maior área do mundo) e com uma população de 34 milhões de habitantes. No fundo, a questão é adoptar a estrutura das Forças Armadas à realidade actual, quer a nível nacional, quer a nível internacional.

     De certeza que existem serviços duplicados, na área admistrativa é possível racionalizar custos e usar uma estrutura comum e, até, a nível dos órgãos de cúpula de cada ramo, será possível obter melhorias significativas.

     A pior coisa que um governante pode ter é aceitar o status quo e não pensar sobre o que pode ser mudado e melhorado - seja nas FA seja em qualquer outro sector. Infelizmente a vontade de não fazer ondas tem sido a constante do actual ministro da Defesa.



Publicado por Xa2 às 07:07 de 04.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

NÃO SE INCOMODEM, ACOMODEM-SE

A situação de crise que vamos vivendo teve a virtude de ter trazido à ribalta do nosso vocabulário corrente um termo verbal da maior importância e muito pouco usual anteriormente.

As exigências colocadas pelo PSD para viabilizar o Orçamento de Estado de 2011 e a que o Ministro das Finanças se viu obrigado a arranjar maneira de ACOMODAR, tiveram, pelo menos, a virtude de trazer um enriquecimento verbal da língua portuguesa, de uso diário.

Acomodar, segundo o dicionário universal da língua portuguesa -Porto Editora significa:

Que outro termo mais adequado poderiam ter arranjado? Nenhum, está claro.

Acomodar, como se pode ver, tem um enorme alcance, grande abrangência e muita flexibilidade. Tudo o que os políticos dos nossos dias mais necessitam.

Foi tudo isso que o governo de José Sócrates, tendo como homem do leme da navegação à vista o Ministro Teixeira, com mais ou menos dificuldades, conseguiu acomodar a maioria das exigências colocadas pelos Sociais Democratas, tendo como “moeda” de troca deixar passar o Orçamento proposto pelo PS com o qual nos irá des)governar no próximo ano, além de permitir o fecho das contas do descalabro governativo de 2010 onde o fundo de pensões da PT desapareceu antes de ter entrado. Coisitas de BPN`s e SLN,s e outras.

Do mesmo modo, e por igual via, também, Passos de Coelho conseguiu acomodar os seus pares às ziguezagueantes propostas apresentadas pelo governo socialista. É que, tanto nos dias presentes como nos de futuro que se avizinham, a situação não estará para brincadeira e as alternativas no horizonte são nenhumas.

Acomodaram-se, com a iniciativa de última hora da bancada socialista onde os deputados se acotovelam uns aos outros ou mesmo o próprio líder, as exigências colocadas pela CGD onde muitos dos excelsos quadros saídos de cargos governativos hibernam esperando novos dias soalheiros.

Acomodaram-se os Hospitais e outras empresas públicas, onde se não consegue vislumbrar quaisquer vestígios de redução de custos e gastos por vezes supérfluos de mordomias desnecessárias onde até se chegam a fazer contratos de modo a permitirem que sejam recebidos dois ordenados.

Acomodaram-se assessores nas autarquias depois de terem recebido, junto do fundo de desemprego, a totalidade dos subsídios a que, hipoteticamente, teriam direito de modo a criarem os seus próprios projectos empresariais.

Acomodaram-se muitos secretários de Estado e outros governantes na aprovação de projectos e compras públicas, junto de empreiteiros e fornecedores.

Acomoda-se a população com os aumentos de impostas e taxas mais diversas aplicadas nas facturas da água, do gás e electricidade como ainda da redução dos rendimentos ou com a perda dos salários fazendo exercício cada vez maior na gestão caseira. Quem já não tenha dinheiro para frequentar o ginásio entretenha-se a acomodar o aperto do cinto que eu sinto que melhores dias demorarão a chegar, pelo menos para a maioria da população portuguesa.

As crises, como sempre, são más para a maioria, mas sempre houve quem com elas enriquece-se.

Não se incomodem, acomodem-se. Vivemos tempos tais que até anda muita gente a tentar acomodar-se em torno de um cadáver chamado Sá Carneiro, sem respeito pelo rigor e coerência do que foi a pessoa no seu percursos político, quer na ala liberal do velho regime como no pouco tempo de democracia em que viveu.

Tentam ressuscitar o homen, ainda que saibam só ser possível metaforicamente, e com ele a velha AD realizada em 1979. Só que os tempos como as pessoas são muito diferentes, sobretudo nos seus acomodares...



Publicado por Zé Pessoa às 00:21 de 09.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Dívidas, não controlo da U.E./BCE e governos amigos da finança

Não foi o despesismo do Estado que gerou esta crise

Ao contrário da retórica dos economistas que nos endoutrinam depois das 8 da noite, é preciso insistir num ponto essencial: a chamada “crise da dívida soberana” não foi provocada pelo despesismo público. O caso da Grécia é uma excepção que, por si só, não produziria esta crise não fora a existência de uma outra dívida na periferia da UE que esses economistas colocam em segundo plano. De facto, foi a dívida privada que originou esta crise europeia (ver este artigo de Paul De Grauwe), e é a arquitectura institucional da Zona Euro que a agrava.

Claro que os défices públicos também aumentaram na sequência da Grande Recessão, mas esse aumento deveu-se a causas bem conhecidas que não podem ser rotuladas de despesismo: a recessão que fez disparar os estabilizadores automáticos (mais despesa com subsídios sociais e menos receitas fiscais), o gasto público de estímulo à economia nos termos acordados com a Comissão Europeia e (no caso de Portugal, Espanha, e sobretudo Irlanda) o resgate de bancos insolventes.
Tivesse havido continuidade na política expansionista iniciada pela UE em 2008 (e, no mínimo, tivesse regulamentado a especulação “a descoberto”), hoje estaria em condições de solucionar os casos da Grécia e da Irlanda com custos sociais suportáveis.

Mas a doutrina monetarista atacou em força em 2009 e levou os decisores políticos, incluindo socialistas e sociais-democratas, a aceitar que com esses défices expansionistas a Europa corria um sério risco de hiperinflação.
Com uma capacidade produtiva longe do pleno emprego, o receio era absurdo mas a verdade é que, aos primeiros sinais de retoma do crescimento do PIB, os media deram o palco aos economistas que clamavam pelo fim das medidas de estímulo e pela urgência de medidas de austeridade.
Uma doutrina com pressupostos errados (agentes económicos dotados de informação perfeita e racionalidade calculatória infalível, capaz de antecipar e neutralizar os efeitos das políticas económicas num horizonte de muitos anos) só podia levar a decisões erradas.
A recessão não só nunca terminou (para mim, os milhões de cidadãos entretanto lançados no desemprego contam para a definição de recessão) como está a agravar-se com a generalização da austeridade. Discretamente, o FMI já o assume (ver aqui, antepenúltimo parágrafo).

A dívida privada que causou esta crise é a consequência da grande disparidade de nível de desenvolvimento que existe entre o centro da UE (liderado pela Alemanha) e a sua periferia (Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Países Bálticos e Hungria).
Com taxas de juro baixas, e com toda a força permitida ao marketing bancário, foi fácil aplicar os excedentes financeiros do “centro” em endividamento do sector privado na “periferia”.  A incapacidade para competir num mercado aberto com as importações dos países com salários de subsistência afectou profundamente a indústria da “periferia” e encaminhou os empresários mais ricos para os lucrativos negócios abrigados dessa concorrência (actividade financeira, telecomunicações, grande distribuição, centros comerciais, imobiliário, energia, etc.).

Assim, o endividamento da classe média da “periferia” não foi mais do que uma ilusão de melhoria do nível de vida que foi vendida pela finança europeia com a cumplicidade dos seus governos, do Banco Central Europeu e das suas antenas nacionais. Estas autoridades dispunham de meios para travar este processo, mas não quiseram prejudicar o negócio dos seus amigos da finança. Apesar dos enormes lucros que esta distribuiu aos accionistas, e dos escandalosos bónus que pagou a administradores e directores, os governos, a Comissão Europeia e o BCE continuam a adiar a inevitável reestruturação das dívidas (privadas e públicas) da Grécia e da Irlanda com penalização dos credores. Como também adiam uma inevitável escolha política:
(1) avançar para uma governação federal do euro, o que obrigaria a construir uma federação política (“não há impostos sem eleições”) ou … (
 2) reconfigurar a Zona Euro tornando-a mais reduzida.

Indiferentes à retórica de negação dos dirigentes políticos, os especuladores acabarão por provocar uma qualquer decisão, não necessariamente a melhor como se imagina. O que é imoral é que as classes mais desfavorecidas, e alguns segmentos da classe média, estão a pagar por uma crise que não produziram, nem sequer como titulares de dívidas.


Publicado por Xa2 às 00:12 de 09.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

E não se pode ...?!

Leitura obrigatória – 2 Este livro

faz outras revelações essenciais para percebermos bem as linhas com que nos cosemos (ou com que nos coseram).

Nas suas páginas finais, dedica-se a analisar (e a ilustrar abundantemente) a promiscuidade entre os partidos do centrão – PS e PSD, com algumas sobras para o CDS/PP – e os donos do poder económico em Portugal (as tais quatro ou cinco famílias da alta burguesia que mencionámos no “post” anterior).

O retrato que resulta dessa análise é, ao mesmo tempo, revelador e deprimente.

Ficamos a saber que os cargos ministeriais que contam, pela influência que podem exercer as decisões aí tomadas, têm sido ocupados, em governos do PS, do PSD ou do PSD/CDS, por duas categorias de pessoas:

- as que transitam temporariamente para o Governo, vindo de grandes empresas ou grupos económicos, e que no cargo de ministros ou secretários de Estado se encarregam de servir os interesses dos sectores empresariais de onde saíram;

- e as que, tendo estado no Governo a servir os mesmíssimos interesses acima referidos, são depois premiadas com empregos de luxo nas empresas cujos interesses promoveram  ou protegeram enquanto governantes. Empregos esses onde, de resto, farão frutificar toda a rede de influências e as carteiras de contactos privilegiados que foram construindo nas suas carreiras de ministros e secretários de Estado.

 

Estamos a falar de quadros técnicos, de professores universitários ou de meros funcionários de partido.

Estamos a falar de gente que, em muitos casos, chegou à vida política “com uma mão atrás e outra à frente” e que, passados uns aninhos de edificação de carreiras assentes no favorecimento objectivo dos interesses do grande capital financeiro e empresarial, passam a subir vertiginosamente na vida como compensação pelos serviços prestados.

Estamos a falar de indivíduos que mostraram, com notável frequência, não possuir o mínimo brilho intelectual ou os mais elementares dotes de governantes, mas que, mesmo assim, se vêem promovidos a uma ascensão social meteórica apenas por se terem revelado úteis aos detentores do poder económico-financeiro neste país.

Estamos a falar de criaturas como esta: -- Pina Moura, conhecido por várias inépcias na sua qualidade de ministro dos governos de Guterres, pressionou, nessa sua função, para que a participação da Petrocontrol na GALP fosse vendida à ENI e à Iberdrola e, por sua decisão, as mais-valias da venda das acções dessa holding foram isentas de imposto. Resultado: o país não ficou a ganhar, mas Pina Moura sim, visto que mais tarde a Iberdrola o contratou para ser presidente da sua filial portuguesa.

Este outro cavalheiro, -- Joaquim Ferreira do Amaral, enquanto ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações num dos governos de Cavaco Silva (entre 1990 e 1995), negociou o contrato da Lusoponte em termos tais que o país ficou refém dessa empresa para as próximas décadas. Em 2005, chegou o momento de a Lusoponte lhe agradecer, dando-lhe o cargo de presidente da mesma.

Outros casos igualmente obscenos são por demais conhecidos: A. Vara, J.Coelho, ...      

E o mais preocupante nem sequer são as suspeitas de envolvimento de alguns destes senhores em negociatas obscuras:

é a própria legalidade com que tudo isto é feito;

é o facto de a promiscuidade entre a política e os grandes interesses privados ser absolutamente tolerada por leis feitas à medida deste jogo iníquo.

É o facto de ser letra morta a independência do poder político em relação à rapacidade dos «donos de Portugal».

 

Imprescindível é a leitura das páginas 345 a 381 do livro que estamos a citar. Aí se publica a lista de 115 políticos, quase todos oriundos do PS e do PSD, que passaram pelos governos em posições chave, como ministros das Finanças, da Economia ou de pastas como os Transportes, o Turismo, e as Obras Públicas, e que desempenharam ou desempenham funções relevantes em grandes empresas, muitas vezes sentados nos seus conselhos de administração ou como seus prestimosos consultores.

Muito são “reputados” economistas, como este:  ou este:  que têm feito carreiras sentados à mesa do BES, do BCP, da PT, da Siemens. ...  Até este:  está bem instalado na Fundação Oriente, que não é exactamente uma instituição destinada à promoção desinteressada da cultura chinesa…

Não esqueçamos que são todos estes senhores que hoje colonizam o espaço público, com a ajuda de uma comunicação social subserviente (ela mesma dominada pelo poder económico), matraqueando até à náusea a ideia de que o português comum tem de se habituar a uma vida de empobrecimento acelerado (desde que não sejam eles os afectados), de cortes salariais maciços (desde que as suas contas bancárias permaneçam seguras), de contracção nas despesas e no endividamento (desde que os negócios chorudos dos grupos económicos que os empregam permaneçam intocados).

Facilmente se percebe que, com esse discurso de intoxicação mental, é mais um serviço que eles prestam a quem sempre soube colocá-los no lugar certo.  E de novo nos lembramos daquele título da peça de teatro que, em tempos, a Cornucópia levou à cena:   E não se pode exterminá-los ?

     (em Promiscuidades por APEDE em 08/11/2010)



Publicado por Xa2 às 19:30 de 09.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Classe “mérdia” mais “empobrizada”

A classe “mérdia” mais uma vez “empobrizada” por uma “merdia” de orçamento que em vez de ser estruturante se fica, como de costume, pela redutora natureza conjuntural que a poucos faz bem e a muitos faz muito mal.

É preocupante, não só o facto das medidas agora tomadas serem cegas, sobretudo, o facto de os responsáveis da situação a que se chegou não reconhecerem as culpas dos desvarios, recentemente, por si cometidos e inculcados à população em geral e que são os banqueiros e os políticos.

A única ideologia que tais “abutres” conhecem é o favorecimento de especuladores económicos e financeiros que, através dos gastos publicos (excesso de parcerias) e consumo privado (endividamento das famílias), acumulam riqueza que depois desviam para paraísos fiscais entrando, por via disso, em circuitos comerciais paralelos sem pagarem quaisquer impostos. Uma grande parte do que consumimos e que é importado nem o IVA paga porque passa sem qualquer controlo.

Hoje é apresentado, na Assembleia da Republica, o documento que uma vez aprovado dará mais uma profunda facada no “contrato Social”. O Orçamento de Estado constitui uma lei fundamental que autoriza o governo a tomar um conjunto de medidas, neste caso muito malévolas, na relação entre o Estado e os cidadãos. É neste contexto que o contrato social preconizado por e Jean-Jacques Rousseau no século XVIII e que evoluiu ao longo dos tempos fica, agora, demasiadamente, debilitado.



Publicado por Zurc às 09:50 de 15.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (18) |

A testemunha

Muita gente em Portugal se pergunta se dois mentirosos poderão formar par para dançar o tango?

A resposta, politicamente, correcta é sim.

Naturalmente que não o dançam harmoniosamente nem sequer praticam aquele tango que terá surgido algures à volta do Rio La Plata, na Argentina. A prata aqui é outra, o “vil metal” obriga a empurrar a dança para um ringue mais consentâneo com o pugilato a exigir a presença de um arbitro que sirva de testemunha à dança tornada luta.

É por estas e outras, vis razões, que estes dançarinos acabam por merecer levar com um Cavaco nas costas para os obrigar a acertar os passos da dança, que, mesmo assim e, apesar disso, não alivia as costas do povo que recebe, justa ou injustamente, benefícios e subsídios do Estado nem, tão pouco, do povo contribuinte cada vez mais sobrecarregado com uma carga injusta, porque desigual e exagerada, de impostos e taxações.

Este baile de danças e contradanças não terminará tão cedo nem se sabe quanto custará aos portugueses, mas será uma pesada factura cuja parcela maior a pagar, como de costume, será suportada pelos que menos contribuíram para o seu agravamento.

Ainda há quem fale, à boca cheia, de democracia, justiça e cidadania!

Partidos há, ditos democráticos, em que os seus militantes são, materialmente, impedidos de concorrerem livremente a delegados aos congressos internos. Há gente que deixou de ter espelho em casa, só pode...



Publicado por Zé Pessoa às 00:05 de 28.09.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

EPUL, os gestores que temos...

As reduções de salários passariam a chamar-se de doações

Mesmo numa empresa municipal, como é a EPUL, acontecem coisas mirabolantes como seja propor cortes nos salários considerando-os como doações à própria empresa. Se a moda pega vai ser um “a ver se te avias colectivo”.

É do conhecimento público, quase toda a gente o sente, que o país atravessa uma crise e que o sector da construção não está imune a essas circunstâncias. Contudo, no caso da EPUL a sua crise advém de um pecado original por nunca ter conseguido os objectivos que deram azo à sua criação e que eram, nomeadamente, fazer baixar os preços das casas e obter fundos que revertessem para a autarquia. O que grassou foram o regabofe e o esbanjamento, por parte dos seus responsáveis maiores.

Agora a Empresa está a propor aos trabalhadores que aceitem e lhe entreguem, a título de "doação" feita através de uma "redução voluntária do salário-base".

Esta proposta que foi aprovada pela administração da EPUL seria aplicada a todos os trabalhadores da empresa com salários a partir de mil euros e estaria em vigor até Dezembro de 2011. Não se conhece qual é a posição da autarquia lisboeta, enquanto única responsável pela existência desta empresa.

Alguns especialistas em direito do trabalho já se prenunciaram dizendo que mesmo com a concordância dos trabalhadores a medida não deixa de ser ilegal ou mesmo inconstitucional visto que "os salários são irrenunciáveis a não ser em situações excepcionais" o que não se verificam neste caso. "Aquilo que admito é que os trabalhadores possam aceitar o pagamento diferido, que a empresa quando melhorar lhes restitua o que é devido", acrescenta o jurista Jorge Leite.

O jurista Luís Miguel Monteiro, sublinha que a redução proposta pela EPUL é ilegal e como tal os trabalhadores abrangidos por esta medida poderão um dia exigir a devolução dos valores agora retidos. Quanto à suposta doação, este especialista afirma que esta é "uma solução bizarra" ou "um esquema para tentar ultrapassar a proibição de diminuir a retribuição".

A cultura gestionária neoliberal entranhou-se com tal profundidade na nossa sociedade que é o próprio Estado (Central ou local) a dar o exemplo aos privados de que vale tudo para atingir determinados objectivos. Um ordenado de mil Euros é um grande ordenado se for de 10 mil é um ordenado normal, são dois pesos para duas medidas. Onde iremos nós parar como coesão social?



Publicado por Zurc às 10:24 de 27.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Malparado, a vuvuzela que se vai ouvir durante muito tempo

Não acham que é, no mínimo, um termo esquisito?

Esquisito até pode ser mas não incorrecto dado que, uma coisa mal parada, é algo que deu para o torto, é qualquer acordou ou negocio que deixou de evoluir conforme estava previsto.

Contudo, no tocante a créditos, já há muito tempo era espectável que a bolha rebentasse, só quem viva na lua, quem viva de expedientes, quem viva de realidades virtuais é que não se daria (ou não se dá ainda) conta que tal viesse a suceder.

O ”crédito à sua medida” ou “o banco X oferece-lhe um cartão dourado” conjugados com o facilitismo e a irresponsabilidade na gestão da economia caseira, associados, ainda, às dificuldades e instabilidade no mercado de trabalho não poderiam, de todo, dar certo. É muito combustível em cima de uma fogueira a arder em lume brando que, a qualquer momento, se propagaria de forma incontrolado.

Os governantes e políticos que, directamente ou associados aos especuladores de diversa natureza muito em especial os financeiros, criaram condições, facilitaram o assedio usurário, são os maiores responsáveis da actual situação de banca rota mundial. O mais grave de tudo isto é que continuam com malabarismos de medidas sem nexo e inconsequentes e a permitir a existência das mesmas regras, das mesmas atitudes, das mesmas especulações o que comprova a existência de interesses coniventes.

É público que o crédito malparado voltou a disparar em Maio, dado que tanto as famílias como empresas estão a sentir cada vez mais dificuldades em cumprir as suas responsabilidades perante a banca que está, por seu lado, a apertar as condições de financiamento (maiores garantias reais e mais alto juro) e a restringir o acesso ao crédito.

Só o crédito particular (à habitação e ao consumo) representa 77% do total do malparado, que ascendeu a 3,955 mil milhões de euros. Destes, os créditos ao consumo, em situação de cobrança duvidosa, aumentaram 37%, passando de 382 milhões para 524 milhões de euros, no intervalo de Janeiro 2009 a Janeiro de 2010.

O crédito ao consumo representa cerca 9% do crédito total concedido em Portugal, ascendendo o seu saldo a 13,7 mil milhões de euros em Janeiro último.

O Banco de Portugal informou ainda que no mês passado, os bancos realizaram 4,1 mil milhões de euros em novos empréstimos, menos 23% que no período homólogo e com quebras em todos os segmentos: empresas, habitação, consumo e outros. O banco central referiu ainda que a taxa de poupança das famílias continua a subir.

Será que os cidadãos e as empresas começam a ter o juizo que tem faltado aos políticos e governantes? Que assim seja para bem de todos e do país.



Publicado por Otsirave às 11:32 de 24.06.10 | link do post | comentar |

Estado sobredimensionado agrava défice

É lamentável o estado a que chegou o Estado.
É lamentável que o nosso Governo peça ao povo português que faça sacrifícios (PEC) sem dar um simples sinal de estar disposto a fazer o mesmo.

 

“O Governo corta no investimento do Plano, mas aumenta as despesas de funcionamento dos seus membros e altos quadros da Nação.
Tribunais superiores, Presidência da República, Presidência do Conselho de Ministros e Forças Armadas parecem dispensados de ‘apertar o cinto’ imposto aos portugueses em nome da contenção do défice. O mesmo se passa em relação aos membros do Governo, órgão que vai continuar a gastar milhões em serviços e estudos que depois são deitados fora.
As associações representativas dos empresários dizem que o Estado dá mau exemplo e pedem maior contenção. A solução passa pela implementação do Programa de Reforma da Administração Central do Estado.”

[Vida Económica, de 09.04.2010]

 

A solução passa, antes de mais, pelo Programa de Reforma destes Políticos, digo eu.
No fim dos portugueses terem feito e sofrido com os sacrifícios que fizeram e que foram obrigados a fazer, estará o País e todos nós, bem pior do que estávamos hoje.
Lamentável o estado onde chegámos. Lamentável.



Publicado por [FV] às 10:08 de 13.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

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