Res Pública, os Portugueses e eleições

Viva a República !   ( 5/10/2015)

Proclamação_República_Portuguesa.jpg.  ..

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legislativas 2015 resultados

*Madeira e Açores o PSD não esteve coligado. Falta distribuir 4 deputados da emigração. 

... e a abstenção soma 43,11%, a maior de sempre em legislativas.!!

 

      E ficamos assim      « Aqui não haverá milagres »   (por DerTerrorist)

Com o Bloco de Esquerda quase a triplicar e a CDU no lugar dela, numas eleições onde "o erro do PS foi virar à esquerda"; depois das declarações de António Costa, e das reacções que se lhe seguiram de dentro do próprio partido já depois dos comentários de Paulo Portas [a insinuar a não demissão de António Costa] e de Passos Coelho, ambos sobre o arco da governabilidade e europeísmo, que não interessava para nada em 2011 e hoje é urgentíssimo (i.e. direita precisa do apoio do PS ... e UGT para fazer passar o orçamento e dar continuidade ao seu programa neoliberal de mais austeridade/ empobrecimento da maioria das famílias, privatizações, 'cortes', desemprego, precariedade, impostos e taxas, ...), agora é só eleger um qualquer assis/brilhante secretário-geral e encomendar a alma ... 

        ou   

PS+BE+CDU podem concertar/coligar-se e ... legislar/governar à esquerda  (o BE e a CDU já afirmaram que viabilizariam um orçamento/governo PS, mas este ...). Pois, de facto,                      direita  perdeu  as  eleições   

     Depois da ridícula farsa representada na televisão pelos “vencedores” (PàF ou PSD/CDS), basta dar uma rápida volta pelas alfurjas internéticas do costume para nos apercebermos do clima de tremenda irritação e desalento perante esta pseudo-vitória da coligação que colocou, de facto, a esquerda com uma confortável maioria no parlamento.
    Pela primeira vez na história da democracia, o PS não foi o partido mais votado, mas a direita ficou em minoria na Assembleia da República. Nunca tinha acontecido.
    A direita perdeu perto de 750.000 votos e cerca de 25 deputados (12 para o PS, 11 para o Bloco, 1 para o PCP e 1 para o PAN). A direita não tem maioria para aprovar o Orçamento.
    A oposição, com 122 ou 123 deputados, pode chumbar as leis da coligação e fazer aprovar outras.   A coligação, mesmo levada ao colo pelo Bruxo de Boliqueime, pode ser enxotada do poder por simples moções de desconfiança.
    A direita apostou tudo numa nova maioria absoluta, acreditou, achou que estava quase lá e… PERDEU. 
    A única maneira de a direita se livrar desta derrota é a esquerda preferir continuar desunida e comodamente no contra. É uma opção merdosa e cobarde, mas é uma opção.
             Eleições   (4 e 3)
       1. Tendo a coligação PSD+CDS ganho as eleições, embora sem maioria absoluta, e sendo o PSD o maior partido parlamentar, vamos ter mais um governo minoritário da direita (o que já não sucedia há trinta anos), dado estar fora de causa um acordo de governo com o PS assim como uma coligação de governo alternativa do PS com os partidos à sua esquerda, como o líder do PS bem expôs.
 ...  O Presidente da República vai ter de esquecer a sua ideia de um governo com apoio parlamentar maioritário, ...
     2. Esta situação governativa vai ser especialmente exigente para o PS, que vai ter de conjugar uma oposição forte mas responsável com a resistência às pressões do PCP e do BE para um derrube conjunto do Governo. Como mostrei aqui, sendo impossível um governo da pretensa "maioria de esquerda",  o PS sabe que só pode permitir-se derrubar o governo quando esteja em condições de ganhar as eleições que inevitavelmente se seguiriam.
     3. Os resultados demonstraram as virtudes das coligações eleitorais, como aqui se assinalou, ...   Por um lado, tendo em conta que a coligação de direita só teve uma vantagem de 6 pp sobre o PS e que o CDS vale mais do que isso, parece seguro concluir que, se ambos tivessem concorrido separados, o PSD teria ficado atrás do PS, que teria ganho as eleições.   Por outro lado, a junção dos votos permitiu uma majoração do número de deputados eleitos, que podemos cifrar sem nenhum exagero num boa meia dúzia de deputados a mais do que teriam os dois partidos somados se tivessem concorrido separados, permitindo ao PSD surgir com a maior representação parlamentar.


Publicado por Xa2 às 07:37 de 05.10.15 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Mudança está nas vossas mãos.

---- Mestre do corte olha para a sua matéria prima   (-30/09/2015 por j.m.cordeiro)

passos velhinha

“Vamos lá ver se não me esqueci de nada”, pensa o mestre ( PàFioso psd-cds).

check Cortes na pensão da velhinha … feito
check Corte no complemento solidário da idosa… feito
check Aumento das taxas moderadoras…  feito
check Corte na comparticipação nos medicamentos… feito
check Cortes no salário do filho… feito
check Corte nas deduções fiscais… feito
check Corte no rendimento da família via aumento dos impostos… feito
check Corte nos dias de descanso da filha… feito
check Corte nos médicos disponíveis… feito
check Corte nos professores do neto… feito
check Corte na comparticipação de exames médicos… feito
check Corte no subsídio de desemprego da sobrinha… feito
check Corte no rendimento de inserção da vizinha … feito
uncheck Prolongamento da idade de reforma até aos 80… bolas, falhei!
     “Preciso de mais quatro anos para completar a minha obra prima”, exclama o mestre indignado consigo mesmo. Por um breve momento ainda duvida que venha a ter essa hipótese, mas, com a sua voz de tenor rejeitado, logo quebra o desalento que se apoderara do grupo, cantando a velha lenga-lenga “Não há nada de errado em apoiar o que deu certo”. E acrescenta o corte esquecido na página 342 do seu livro de notas “Programa para 2016”. 
 
  -----     Carta  aberta  aos  abstencionistas  portugueses     (-J.Mendes, 1/10/2015, Aventar)


Publicado por Xa2 às 07:50 de 01.10.15 | link do post | comentar |

Travar o declínio socioeconómico e democrático

O que está mesmo em causa nas legislativas    (-N.Teles e  J.Rodrigues, via Ladrões de B.)
    A campanha eleitoral está, aparentemente, a ser marcada por demasiada apatia, sobressaindo posições cujas linhas de demarcação parecem ser tão artificiais quanto de difícil escrutínio para os eleitores.
    Depois de quatro anos de profundos cortes nos salários, pensões e serviços públicos, níveis de desemprego nunca vistos desde o 25 de Abril e uma nova onda de emigração em massa, o eleitorado dá sinais de desmobilização e de resignação. Parece paradoxal, mas não é: vivemos tempos em que a democracia parece ter sido esvaziada de opções políticas. Tudo já está decidido, tudo é inevitável, diz-nos a sabedoria convencional.
    Bom exemplo disso é o artigo de Paulo Trigo Pereira (PTP) no Público 6/9/2015, onde um dos actuais ideólogos do PS analisa os programas dos diferentes partidos. Em relação aos partidos da coligação de direita aponta o histórico da governação, sublinhando as propostas economicamente mais recessivas e socialmente mais regressivas no que toca a cortes. Um histórico que, acrescentamos nós, terá uma continuidade, mais ou menos radical, conforme o andamento da economia mundial, os apetites dos mercados financeiros e as decisões do BCE, os principais factores que influenciam as condições de pagamento de uma dívida, privada e pública, insustentável. Mais do mesmo, em menor ou maior dose, e com as graves consequências conhecidas.
     Um dos problemas da análise de PTP é que tudo isto parece unicamente inscrito de forma oblíqua na política de integração europeia. O actual governo é criticado pela sua “aceitação acrítica de tratados e pactos”, advogando-se uma posição mais crítica e uma aplicação mais “criativa” dos tratados europeus, em linha com a posição aparente do Partido Socialista. É assim invocado o tratamento dado às violações do Pacto de Estabilidade e Crescimento no início da década passada, esquecendo-se a forma como este foi contornado: desde a engenharia financeira assente na promoção do endividamento das empresas públicas (por sinal, mais caro do que o do Estado) à solução das Parcerias Público-Privadas, cujos resultados nem sequer vale a pena continuar a denunciar.
     Impõe-se para já uma primeira conclusão:  no decisivo âmbito da política económica, decisivo por dele hoje tudo depender, parece que nestas eleições teríamos de optar, se estivéssemos confinados aos partidos do bloco central, por diferenças de retórica em Bruxelas e de “criatividade” contabilística, em Lisboa, para ser aceite pelas instituições europeias.  Neste último campo, o Partido Socialista já anunciou o que pensa fazer: uma redução da TSU, temporária ou não, com a qual espera um impulso no consumo das famílias e no investimento das empresas. Sem entrar no jogo dos cenários com modelos macroeconómicos escondidos do público, usados por alguns economistas do PS, devemos questionar por que achará a UE aceitável esta medida com impacto orçamental em detrimento de outras (por que não mais investimento público, com o mesmo impacto orçamental, mas maiores efeitos no crescimento?).  A resposta é simples e reveladora da integração europeia realmente existente, bem como das cumplicidades do PS: porque a descida da TSU pode ser vista como uma reforma estrutural. No jargão europeu, uma reforma estrutural é uma medida que visa reduzir à escala internacional as protecções sociais e laborais conquistadas à escala nacional, tornando-as variáveis de ajustamento para economias desprovidas de instrumentos decentes de política económica.   Erodir a Segurança Social é de resto, para quem esteja atento, um objectivo europeu com vários anos, tendo já marcado a regressiva reforma da Segurança Social realizada pelo PS, em 2007, abrindo assim mais espaço para formas de provisão social privadas, tão ineficientes quanto iníquas.
   Neste contexto, as críticas dirigidas por PTP aos partidos à esquerda do PS são injustas.   Servem apenas, em última instância, para revelar aos mais distraídos o seu conformismo, e o do PS, com a ordem pós-democrática, inevitavelmente austeritária, que está sendo construída todos os dias à escala europeia.   Dificilmente podia ser diferente a partir do momento em que se desiste de mobilizar e preparar o país para a necessidade de reestruturar a dívida, controlar publicamente o sistema financeiro e recuperar instrumentos de política económica, incluindo o controlo sobre a moeda.   São outros tantos meios para travar um declínio socioeconómico com mais de uma década e a correspondente impotência democrática nacional.   Só as formações à esquerda, em particular a CDU, colocam estes temas na agenda desde há muito, tendo de resto alertado a tempo, por exemplo, para as consequências danosas da adesão ao Euro. Está tudo escrito e tudo pode ser consultado. Por isso é que as caricaturas das suas posições, e as correspondentes críticas fáceis, são ainda mais incompreensíveis.
    Só quem aceita, como PTP, o actual enquadramento que esmaga o país, retirando-lhe permanentemente soberania, pode encarar a estagnação (“crescimento moderado”) e o declínio demográfico (“envelhecimento”) como “a realidade” a ser aceite com resignação, justificando assim novas rondas de erosão da provisão social também promovida pelo PS, ainda que de forma mais furtiva.   Quem não se conforma com o triste declínio do país desde a adesão ao Euro, feito de acumulação de uma dívida externa recorde e de estiolamento das nossas capacidades produtivas, é quem quer reduzir o fardo de uma dívida impagável ou realizar uma reforma fiscal que desonere o trabalho e onere mais o capital, em especial o financeiro, não podendo por isso ser acusado de irresponsabilidade orçamental, até porque os défices orçamentais resultam no fundamental das dificuldades económicas, ao contrário do que indica o fascínio de PTP por regras europeias artificiais.
    Depois da experiência grega, quem recusa consequentemente o triste declínio do país, tem de querer reconquistar alguma margem de manobra nos campos orçamental, monetário, cambial ou da política de crédito e industrial. Só com essa reconquista é possível, em simultâneo, dinamizar o mercado interno por via da recuperação do poder de compra popular e reconverter a economia por forma a torná-la mais competitiva, evitando assim acumular mais défices externos insustentáveis. Só com a recuperação de instrumentos de política económica à escala nacional é possível recusar protectorados explícitos e implícitos e a destruição do Estado social. Tudo o resto é a inconsequência que esconde um programa de resignação.
    Sabemos também que é fácil falar-se, como faz PTP, de “inflação importada” para assustar os cidadãos perante os que, como a CDU, são portadores de alternativas estratégicas relevantes, incluindo a preparação do país para uma saída do Euro tão negociada quanto possível, mantendo, e até reforçando, aquelas dimensões da integração que possam ser vantajosas para a maioria dos que aqui vivem.  Hoje, são cada vez mais os que compreendem, contra PTP, que o Euro foi desenhado para fragilizar os Estados democráticos e sociais europeus, condenando ainda as periferias à dependência económica e política. Hoje, a resignação é a preparação da derrota. A apatia combate-se apresentando alternativas reais. Cremos que é isso que a CDU está a fazer, com o realismo de quem tem provas na luta pela soberania democrática e popular. Cremos também que todos são poucos para esta decisiva tarefa política.



Publicado por Xa2 às 07:41 de 01.10.15 | link do post | comentar |

Vote consciente, para Mudar

O INE publicou o valor do défice orçamental de 2014. Com o dinheiro injectado no Novo Banco, o défice fica nos 7,2% do PIB. Em 2011, o défice foi de 4,2%. Os contribuintes comuns andaram anos a fazer sacrifícios para salvar bancos privados, tanto os nacionais como os estrangeiros, que especulam sobre a dívida do Estado português. Os bancos privados continuam a afundar a economia nacional, mas foi no Estado Social que o actual Governo cortou, chamando-lhe "gorduras do Estado". A imagem revela a forma execrável como o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas (com a cumplicidade de Cavaco Silva) favoreceram o Novo Banco, para adocicar a futura venda da empresa. As eleições estão à porta. Votem contra a Direita, que governa para os bancos, penalizando as pessoas.

 

A situação passou mais ou menos despercebida nos noticiários:    em tempo recorde, a maioria de Direita forçou a aprovação da moldura legal que isentou o Novo Banco de pagar 85 milhões de euros em impostos.   Ou seja, a maioria parlamentar que suporta o Governo das "contas certas" e que quer cortar no Estado Social, alegando que não é sustentável, é a mesma maioria que acabou de dar uma borla de 85 milhões de euros a um banco, tendo inventado à pressa uma lei para que tal tenha sido possível.   Quando a oposição pediu uma análise técnica que permitiria calcular o valor perdido pelo Estado com esta borla, a maioria de Direita, a tal que suporta o Governo das "contas certas", chumbou essa análise.    Resumindo:

a maioria parlamentar e o Governo de Direita que perseguem contribuintes comuns, por dívidas fiscais de alguns cêntimos, acabou de dar uma massiva borla fiscal de 85 milhões de euros a um banco. E o país continua impávido e sereno. Surpreendentemente, ainda há quem vote na proposta política destas pessoas. (!!)  Estamos atentos?

     SE QUER VOTAR CONTRA UMA POLÍTICA DE DE ROUBO DA CLASSE MÉDIA, DOS REFORMADOS E PENSIONISTAS, DO DESEMPREGO E DA MENTIRA SISTEMÁTICA,   VOTE  CONTRA a COLIGAÇÃO do PàF (PPD/PSD+CDS/PP) e dos CORRUPTOS;   NÃO SE ABSTENHA NO PRÓXIMO DIA   4 de OUTUBRO.

     VOTE EM CONSCIÊNCIA, vote contra a Direita PaFiosa PORQUE COMO OS RESULTADOS DO INE DEMONSTRAM, PORTUGAL ESTÁ MUITO PIOR QUE EM 2011 E OS PORTUGUESES MAIS POBRES !

     VOTE NA DIGNIDADE, NA HONRA DAS PESSOAS E NOS PARTIDOS QUE POSSAM ASSEGURAR-LHE MAIS POSSIBILIDADES DE TRABALHO, MAIOR JUSTIÇA SOCIAL E MELHORES POSSIBILIDADES DE ACESSO À SAÚDE, ENSINO E LHE POSSAM ASSEGURAL UMA REAL SEGURANÇA SOCIAL.

     SE, POR INFELICIDADE, NOSSA VOLTASSEM A CONFIAR NESTA MAIORIA DE MENTIROSOS, OS PRÓXIMAS MEDIDAS A TOMAR SERÃO, NÃO TENHAM A MÍNIMA DÚVIDA, AS PRIVATIZAÇÕES DA SEGURANÇA SOCIAL, DO ENSINO,  DA SAÚDE  e de todos os bens e recursos que são/ devem ser púbicos !!!

    NÃO ESQUEÇA TODAS AS FALSAS PROMESSAS DO CAMPEÃO DA MENTIRA, PASSOS COELHO E companhia. 

   NÃO SE ABSTENHA, PORQUE EM DEMOCRACIA O VOTO É A ARMA DO POVO !!!   É o único meio de MUDAR e afastar BURLÕES e  MALFEITORES.

------------  Votar  esquerda  ou  direita ?

Com mais ou menos promessas e detalhes, nas próximas eleições confrontam-se dois modelos distintos de governação para o nosso País:

--- o da Direita (PSD-CDS, ...) neoliberal, que implica a continuação das políticas de captura do Estado pela alta finança e grandes lobies, com a destruição do Estado Social
- degradar e privatizar educação, saúde e segurança social públicas,
- mais desemprego, emigração, privatizações e 'rendas'/PPP para 'amigos',
- e mais impostos para os contribuintes do costume (classe média e trabalhadores por conta de outrem ) -

--- ou o do Centro-Esquerda/ Esquerda ( PS, BE, PCP, ...)
- que propõe um caminho diferente, de rigor e responsabilidade nas contas públicas e decisões político-económicas,
- com prevalência para o crescimento da economia que garanta o desenvolvimento e a manutenção de várias conquistas sociais
- e a manutenção de bens e recursos estratégicos na área pública (nacional, municipal, ...).

As próximas Eleições são decisivas:
- é tempo de ser cidadão consciente e activo na vida política;
- é tempo de não deixar que outros (com interesses diferentes e até menos capazes ...) decidam por nós.

VOTA. Vota de modo consciente.


Publicado por Xa2 às 07:40 de 25.09.15 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Política tb é economia (com demasiada opacidade e ...)

---      Esquisitices      (10/9/2015, Entre as brumas...)

 (e nós aceitamos ser gozados ?!!)
 ---      Nasceu Novo e era Bom  
«Um prejuízo é um prejuízo. Não evaporou ao sol do Verão, não voa com o vento do Outono, não se afogará na chuva do Inverno. Um prejuízo paga-se. Perde-se. Hoje, amanhã ou depois. Estes, aqueles ou nós. Se o processo do Novo Banco foi abortado porque a venda traria um prejuízo de pelo menos dois mil milhões de euros (o Público fala em três mil milhões), reabilitá-lo para vender até à primavera não fará florir proveitos no lugar de perdas. Este processo foi um fracasso. Foi para o lixo. Começa-se de novo. E, sem explicar nada do que se passou, volta a prometer-se tudo sobre o que se vai passar.
     Se as perdas com processos judiciais se concretizarem nos tribunais, o custo vai para o Fundo de Resolução: esses prejuízos serão pagos pelos demais bancos. Se o Novo Banco vende activos, fica com o prejuízo das vendas e ficará um banco mais pequeno. Se o capital é reforçado com obrigações, o Novo Banco poderá ter de pagar taxas de juro altas para atrair investidores privados, que por sua vez assumem o risco. Ou então, como alvitra o economista Ricardo Arroja no blogue O Insurgente, talvez “este empréstimo obrigacionista possa vir a ser de longo prazo convertível em capital do Fundo de Resolução, e por conseguinte do Novo Banco”: os outros bancos acabariam accionistas do Novo Banco.   Vê? Não é alquimia, é matemática. O prejuízo, que é sempre um prejuízo, vai ser redistribuído de outra maneira. Pelo mesmo Banco de Portugal. Com um novo governo. Com que banca? Como explicámos no Expresso Diário, o BCP e o BPI desvalorizaram 40% nos últimos três meses. Em grande parte por causa do Novo Banco.  Maria Luís Albuquerque diz que era melhor que tivesse sido vendido (no i). Passos Coelho diz que o processo "não tem nada que ver com eleições". O PS (citado pela Renascença) qualifica o cancelamento da venda como “um dos maiores fracassos” do Governo.
    Como escreveu ainda ontem o Ricardo Costa, já percebemos que nos contaram um conto de crianças. E esse é talvez o maior problema: a falta de transparência no processo. Evitou-se um BPN, como nota Helena Garrido no Negócios. Mas não evitámos um prejuízo. O banco nasceu Novo. Era um banco bom. Alguém lhe há de pegar. Para já, pega a administração. A conta faz-se em 2016.
  Ainda bem que o Facebook vai passar a ter botão “Não Gosto”.» - P.Santos Guerreiro.
---      4/10 Eleições AR: a esquerda e o voto.   (Dica 132, JLopes, 11/9/2015)
«Para derrotar a direita e gerar uma dinâmica favorável a um governo de esquerda que fure as lógicas da maioria absoluta, do bloco central ou dos acordos do PS com a direita, o fator decisivo é o crescimento do voto à esquerda do PS, em concreto, a dimensão eleitoral do conjunto PCP e Bloco de Esquerda.     Nenhum outro resultado nos aproxima mais de uma viragem à esquerda porque nenhum outro contribui mais e melhor para mudar a favor da esquerda a relação de forças com o PS.   Nestas eleições, a disputa da esquerda faz-se com o PS e não entre si.   Aliás, esse é um dos equívocos do Livre/TdA.» 
---   1660 milhões de razões para o PS não reduzir as pensões. (F.Louçã) 
    «O gráfico ao lado, sempre com as contas do próprio PS, apresenta os efeitos de duas medidas, comparando os valores: o que a segurança social deixa de receber porque é reduzida a TSU paga pelos patrões (2550 milhões) e o que a segurança social deixa de pagar com o congelamento das pensões (1660 milhões).
     As pensões são “sagradas”. Mas o PS anuncia-nos que as vai reduzir em 1660 milhões de euros durante o mandato, ou seja, tirar um mês a cada um destes pensionistas. E que entrega aos patrões 2550 milhões de euros da segurança social.
     A “palavra dada tem que ser honrada”. Pois tem.» 
«O facto de haver esta eleição é só por si um testemunho de como o mundo e as ideias podem mudar, mesmo quando o nevoeiro deixa a ilha isolada. E chama a atenção para o facto de já não haver socialistas, gente que propõe o socialismo (/social democracia) como alternativa ao capitalismo, nos outros partidos socialistas (/sociais democratas).»
---    A propósito de reestruturações da dívida   (14/9/2015, Entre as brumas...)
«A Assembleia Geral das Nações Unidas votou por uma ampla maioria os "princípios gerais" relativos a reestruturações de dívidas soberanas, propostos pela Argentina e G77 + China. O tema proporciona vários debates.
      Por um lado, os promotores da iniciativa mostram-se satisfeitos com 136 votos a favor, 42 abstenções e 6 negativos. Naturalmente, os votos negativos são nada menos do que dos EUA, da Grã-Bretanha, da Alemanha, do Japão, do Canadá e de Israel e os EUA têm poder de veto nas instituições financeiras internacionais. Além disso, são o país onde os detentores de obrigações especulativas da Argentina, os fundos abutre, conseguiram apoio judicial e sentença final contra a Argentina por 1.600 milhões de dólares. A isso há que acrescentar os encargos impostos por não ser cumprida a exigência legal dos EUA, já que é a Argentina que reconhece a possibilidade de litigar contra um país numa sede externa, neste caso em de Nova Iorque.
      Por outro lado, a resolução não é vinculativa e será válida apenas para o futuro, pelo que não atinge as questões específicas que actualmente preocupam a Argentina no conflito com os fundos abutre e com a justiça dos Estados Unidos. A resolução permite pensar e discutir a viabilidade operacional das disposições e, ainda mais, o alcance daquilo que foi aprovado pela ONU e quem são os beneficiários. Enquanto o texto é inspirado nos direitos soberanos dos países devedores, a resolução confirma essencialmente os direitos dos credores. Esses direitos nunca são postos em causa, deixando de lado uma reivindicação socialmente generalizada, que se baseia nas auditorias ou investigações sobre a dívida para definir a sua legitimidade ou falta dela, incluindo o carácter odioso das mesmas.»   Texto na íntegra aqui.
---   Não gosto ! : 
 "Já não há países/ estados (soberanos), mas apenas realidades económicas e financeiras globais", ... com 'offshores', bolsas, bancos e corporações;  recursos ambientais e públicos a privatizar;   lucros a embolsar por accionistas/ administradores;   perdas a 'socializar' por  pequenos fornecedores, clientes, colaboradores e contribuintes;   e  políticos, eleitores e papalvos, a comprar/vender, ameaçar/assediar, alienar e escravizar.   (ver + 'tags': Estado-capturado , ...)

--- e  A brincar se dizem algumas coisas sérias  ('Gatos F.'-Ric.Ar.Per. e  BE -Cat.Mart.)

videohttp://www.youtube.com/feature=player_embedded ;
--- Programas/ manifestos eleitorais  dos partidos/coligações que se auto-consideram de esquerda, que se candidatam às eleições legislativas de 2015:
-Partido Socialista   ;   -Coligação Democrática Unitária (PCP e PEV) ;    -Bloco de Esquerda ;    -LIVRE/Tempo de Avançar (LIVRE, POUS, Fórum Manifesto e Renovação Comunista);  ...


Publicado por Xa2 às 07:43 de 17.09.15 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Cabeças e políticas alienadas

Os estragos na cabeça

 Excertos do texto de José Pacheco Pereira, no Público:
     «Estes últimos anos de “ajustamento” moeram o corpo de muitos milhões de europeus, mas fizeram ainda mais estragos à cabeça de muitos, não tantos, mas muitos.
     Está a interiorizar-se um conjunto de falácias muito perigosas, a tornar-se habitual pensar fora da democracia, de uma forma mais ou menos soft mas, de facto, fora do quadro democrático, estão-se a aceitar como normal ou habitual procedimentos e práticas que subordinam toda a política “possível” a uma versão ideológica da política, que é o que é o “economês”.    Aceita-se como normal uma espécie de marxismo dos imbecis que é a determinação da política (superestrutura) pela infraestrutura (economia) em termos tão grosseiros que deixariam Marx coberto de vergonha e Adam Smith furioso com tanta ignorância. Vamos pagar caro por estes estragos na cabeça. Estamos já a pagar caro. (...)
     A “Europa” é hoje o argumento definitivo e ad terrorem que se usa hoje para bloquear qualquer debate sobre políticas. A “Europa não deixa”, isso “coloca-nos fora do euro”, os custos dessa atitude são “enormes”. É sempre o tudo ou o nada, o que é o retrato, esse sim, de um radicalismo real em que se tornou o debate europeu. O medo tornou-se o principal argumento, como se vê na Grécia: “portem-se mal e vão ver o que vos cai em cima”.
     Este tipo de argumentos é usado por todos os que se querem no “arco da governação, que na verdade significa, estarem dentro desta “Europa” e deste euro. Fora não há governação possível como se “viu na Grécia”. Isso significa que socialistas, social-democratas, democratas cristãos ou não cristãos, direitistas liberais, partidos do centro-direita e do centro-esquerda, partidos de esquerda “europeísta”, todos dizem isto. O mesmo.
     Mas acaso a “Europa” é uma entidade supra-política? Não é de “direita” ou de “esquerda”? Não é o resultado de uma hegemonia política de alguns partidos e alguns países e alguns governantes, em particular alemães? Não tem cor política? É neutra? Claro que não é: é até bastante à direita. O que torna particularmente irónico se não fosse trágico, ouvir um socialista dizer que quer estar com a “Europa”, ou seja com as políticas de direita da actual maioria europeia. O Tratado Orçamental selou esta aliança dando à “Europa” um modelo político de direita, a que todos devem obediência. (...)
     Estamos reduzidos a isto. E se aceitamos este quadro de partida chegamos sempre à chegada que convém a quem acha que isto é que é a “realidade” do “possível” em política. Foi nesta armadilha em que o PS se meteu ao aceitar o quadro do pensamento dominante (em nome seja lá do que for, da “Europa”, por exemplo) e assim colocar-se inteiramente no terreno de uma discussão pública cujos termos são os do governo e da maioria e que ela domina sempre melhor. Ao começarem a apresentação de um projecto político por aquilo que deve ser um complemento ancilar e não um ponto de partida, aceitaram o “economês” e todas as ideias simplistas sobre a sociedade, a política e a economia que lhes estão associadas. (...)
     Pobre país o nosso, entregue a estas cabeças e a este desastre ambulante que é hoje a Europa. Esta é das previsões mais fáceis de fazer: vai haver surpresas e todas elas fora do “consenso europeu”. É que a história não é feita de modelos, mais ou menos neo-malthusianos, que não incluem a complexidade da realidade, agora sem aspas. E essa realidade é o ruído de que falava Max Weber: a regra desses programas é falhar. A regra, não a excepção.»

-----  Um discurso ...   e   as  presidenciais  como  falso  escape 

.  Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje, imagina um possível discurso de Cavaco Silva se existisse, em Portugal, como é o caso nos Estados Unidos, a tradição de o presidente organizar um jantar humorístico com jornalistas:
    «Quero finalizar apelando uma vez mais aos compromissos. A estabilidade governativa é fundamental para o crescimento, como pode ser comprovado pelos últimos anos. Com uma maioria absoluta estável cresceu o desemprego, cresceu a dívida e cresceu o risco de pobreza


Publicado por Xa2 às 07:42 de 04.05.15 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Aliança da esquerda para as Legislativas

A aliança da esquerda  

 Este texto de Francisco Louçã, publicado 8/4/2015, inscreve-se na linha do Manifesto para uma esquerda que responda por Portugal, do qual  fui subscritora (J.Lopes).
 
As  três alianças e os meios de as conjurar:  a 3ª,  a da esquerda
     Como argumentei ontem e anteontem, haverá uma coligação de direita e ainda uma política do PS absorvendo os seus partidos periféricos, para depois se aliar ao PSD que sobrar de Passos. E poderia haver uma terceira convergência, só que, ao invés das duas anteriores, esta é de difícil concretização: a da esquerda que se une.
     Seria natural porque é a que decorre da convergência sobre políticas essenciais, no campo alargado que se tem oposto à liberalização das leis do trabalho, às privatizações e ao desgaste dos serviços públicos. E, mais importante, os principais partidos desta área apresentam propostas construtivas que são próximas: recusando o Tratado Orçamental, defendem em consequência a única resposta concreta que pode fundamentar uma governação de esquerda, a reestruturação da dívida, sabendo que entra rapidamente o conflito com o euro.
    Seria natural ainda, e não é de menos, porque responderiam à exigência, essa sim natural senão desesperada, do “unam-se”. Por isso, é difícil compreender o seu acantonamento eleitoral. E haverá um preço a pagar por uma persistência de contraposições que estão ao arrepio da exigência do momento político: a esquerda precisa de força e corre o risco de se apresentar fraca. Nenhum discurso de auto-suficiência ou auto-satisfação pode disfarçar a arreliante sensação de fragilidade da postura dos partidos de esquerda. Como se interroga Manuel Loff, “a pergunta evidente é saber se o PCP e o Bloco podem, desta vez, interromper o círculo vicioso da desilusão e baralhar o cálculo perverso do voto útil no PS”.
    Esta convergência, ao contrário das outras, desarrumaria. As outras procuram consolidar o regime na sua era de austeridade, esta procuraria uma alternativa à austeridade. As duas primeiras alianças confirmam e confiam na alternância entre o PSD e o PS, enquanto este polo político, pelo contrário, desafiaria o rotativismo, o que a esquerda parece ter desistido de fazer até agora. Multiplicaria a capacidade de influência de curtíssimo prazo (condicionar as decisões da governação e ajudar o fôlego do movimento popular) e de curto e médio prazo (apresentar uma alternativa de governo depois de um novo governo do PS que governe como o velho). Responderia ao “voto útil” no PS e, portanto, passaria a ser uma alternativa clara.
    No entanto, para se realizar, contra a rotina do fechamento da esquerda, a convergência tinha que superar as tradições dos partidos e isso é o mais difícil. João Oliveira, líder parlamentar do PCP, tem de facto razão ao perguntar se uma simples coligação diminui em vez de aumentar (sugerindo que assim aconteceria). Embora o exemplo da coligação do PS na Madeira seja pouco transponível, provou-se aí mais uma vez que o que soma é a credibilidade com propostas e com as pessoas para essas propostas e não simplesmente uma soma de coligação, porque esta pode ser uma subtração. No entanto, ficar tudo na mesma também não é opção.
    Eu vou mais longe:    uma limitada e ocasional coligação só entre o Bloco e o PCP diminuiria e não vejo nela nem viabilidade nem vantagem. Em contrapartida, um pólo envolvendo-os com uma parte importante da esquerda social multiplicaria, porque seria a única novidade da campanha e, sobretudo, porque seria portadora da alternativa mais consistente:   Portugal contra a dívida e contra uma Europa destrutiva. De facto, essa proposta é a única que tem soluções para Portugal, é a única que resolve o problema orçamental e financeiro, é a única que pode pagar uma política de investimento e emprego, é a única que enfrenta a subserviência da elite nacional perante Berlim.
    Se esse polo, como quer que ele se apresente (e sobre isso não faço agora nenhuma sugestão, para não condicionar nem influenciar ninguém, nem discuto aqui a evidente importância das eleições presidenciais para novos sinais de novos tempos), envolver independentes e activistas, quem esteja farto da austeridade e da sua missa cantada e não aguente a mentira europeia, então ele contará.
    Desse modo, esse polo faria o que nunca se fez e responderia a uma crítica que, por muito que custe, tem fundamento:   a esquerda ainda não aparece a ninguém, nem aos seus militantes, como portadora da capacidade de governar e da preparação para o fazer e, portanto, do empenho em criar a relação social favorável para esse poder.   A solução de alguns analistas é pedir à esquerda que aceite a austeridade e os “compromissos europeus” e, portanto, que se torne social-democrata para “parecer governamentável”.   Ou seja, dizem-lhe que mostrará estar pronta para governar se se tornar igual aos partidos e políticas que quer vencer.   Ora, sobretudo para quem recusa a facilidade da transigência, é exigível fazer mais do que “parecer governamentável”:  é preciso apresentar um programa consistente, com pessoas credíveis, disputando a relação de forças e mostrando por onde se pode caminhar.   A Grécia demonstrou que, se e quando for eleito um governo de esquerda, o confronto será uma vertigem e, se a esquerda quer ganhar, tem de enfrentar imediatamente Merkel e os seus obedientes. Só a esquerda unida o pode fazer, se é que se leva a sério a ideia de um “governo patriótico” ou de um “governo de esquerda”.
    Não é evidente que nos partidos de esquerda haja vontade suficiente ou audácia para uma aproximação que configure esse polo, porque teria que partir deles. Podem mesmo escolher justificar-se com o povo que não vota ou que descrê.  Ou podem contribuir para apresentar ao povo uma proposta que leva a sério a necessidade de vencer a austeridade neste tempo que conta. Eu prefiro a luta pela vitória contra o situacionismo que apodrece Portugal


Publicado por Xa2 às 12:53 de 12.04.15 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Os resultados eleitorais do ciclo de 2009

A maior parte da poeira levantada, em Portugal, pelo mais recente ciclo de eleições, já se aquietou. Cavou-se, assim, uma distância suficiente para se poder comentar serenamente o significado político dos resultados verificados nas últimas três eleições: europeias, legislativas e autárquicas. Sem retirar a cada uma delas uma importância própria, eram as legislativas que decidiam qual o partido que lideraria ou se responsabilizaria sozinho pelo governo, durante a nova legislatura.

O PS perdeu as eleições europeias, sendo o segundo partido; ganhou as legislativas com maioria relativa, tendo deixado o segundo partido, sete pontos atrás; e teve um resultado autárquico bom, em comparação com os resultados obtidos nas últimas décadas. O resultado das autárquicas pode, aliás, considerar-se uma vitória, se o critério de seriação for o número de votos, ou de mandatos, obtidos no plano municipal.

E o PS só ficou atrás do PSD em número de presidências de câmaras municipais, e mesmo aí separado apenas por sete vitórias num total de trezentos municípios, mas, mesmo neste caso, ao conseguir 132 presidências de câmara, ultrapassou em cinco o que fora até então o seu melhor resultado. Se pensarmos que o PSD concorreu coligado em cerca de sessenta municípios (dos quais ganhou 19); e que o PS "conquistou" Lisboa, sem se coligar com qualquer outro partido, tendo progredido mais de vinte presidências, em face dos números 2005, facilmente podemos constatar que este último partido obteve um resultado extremamente positivo nas últimas eleições do ciclo, o qual representou um reforço da posição política em que ficara após as eleições legislativas.



Publicado por JL às 00:02 de 02.11.09 | link do post | comentar |

Votar é um dever



Publicado por JL às 00:03 de 25.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Coisas com (o meu) sentido

O ciclo da governação actual termina com a abertura das urnas do próximo Domingo.

Vai ser preciso que antes desse momento os cidadãos não prescindam da sua vontade e que não entreguem o seu destino, e o dos seus, nas mãos de outros.

Mais do que ter de optar entre um estilo ou outro, entre uma imagem ou outra, entre uma personalidade ou outra, vai ser necessário decidir sobre o futuro, escolher sobre os caminhos a seguir e principalmente optar por dar um sentido aos sacrifícios feitos anteriormente para poder recolher os benefícios ou rasgar e romper com tudo para reiniciar sacrifícios novos de experiências velhas com os maus resultados conhecidos.

Há lugar a alguns "emendar de mão", todos sabemos. Há lugar a melhorias e correcções, todos reconhecemos. Mas há muito bom percurso feito e muito caminho trilhado que não pode ser desperdiçado e que tem de ser levado até ao destino.

Por isso termino com uma declaração que não é novidade: - votarei no PS e convido todos que me lêem a fazer o mesmo, - e com um apelo a todos os democratas para que não deixem de votar, se entenderem noutras forças, mas não deixem de votar. [A Barbearia do Senhor Luís,LNT]



Publicado por JL às 00:01 de 25.09.09 | link do post | comentar |

Escolha pública

Segundo a teoria da escolha pública, que considera o votante um decisor racional, seria expectável uma vitória clara do PS. E todavia, apesar de duas séries de sondagens espaçadas de uma semana para tal apontarem, nada ainda parece claro.

A maioria dos portugueses acha que o PS vai ganhar. Pelo esforço reformador para um país melhor: na menor dependência energética, principal causa da dívida externa; nas finanças públicas, reduzindo ou controlando o gasto público e aumentando a eficiência na saúde, na educação, na administração pública, na acção social; na sustentabilidade garantida às pensões; e na luta contra a crise que nos conduz agora a sinais de abrandamento. Na comparação europeia somos o segundo país com mais elevado esforço no combate à crise, sendo um dos com mais consistentes sinais de melhoria. Também as sondagens indicam que uma maioria relativa, mais sólida que a do voto directo, considera Sócrates como futuro primeiro-ministro, por ser o mais bem preparado e mobilizado para tais funções. Ou seja, as alternativas tornam-se claras. Mas tudo pode acontecer, desde uma reversão da tendência, até um seu acentuar, levando o PS bem acima dos 40%.

A razão da incerteza assenta em factos incontestados e em opiniões emotivas. Vamos aos factos: o desemprego, ainda contido, mas que irá aumentar; as zangas com professores, juízes, magistrados, notários, profissionais liberais prejudicados por um fisco mais justo e mais duro; as derivas de comunicação social com escassa responsabilidade social, nem sequer a do mercado, só nesta fase tardia a reequilibrar tendências anárquicas de "há governo, sou contra"; cartas anónimas em "media" de pouco escrúpulos democráticos; ou aprendizes de feiticeiro que, sob invocação de respeitável nome institucional, instilariam mirabolantes espionagens em inocentes jornais.

O Governo fez coisas necessárias e positivas, mas teria sido arrogante: na saúde, na educação, no fisco, nas obras públicas. E no entanto os resultados aí estão, com trabalho à vista e melhor, mais eficiente e mais sustentada protecção social. Firmeza, confundida com arrogância. Se o Governo parasse e regredisse sempre que uma oposição se erguesse, os que hoje clamam contra a arrogância clamariam contra a inacção. A história do velho, do rapaz e do burro.

Provavelmente o PS não vai alcançar maioria absoluta. Mas quem pode afirmar que sem a crise e sem " a crispação" ela seria atingível? A única certeza que temos é que boas reformas contra corporações e contra o pessimismo, valem bem uma redução da maioria seguinte, mesmo com o custo da instabilidade. A história europeia recente demonstra que também esta pode ser vencível. [Diário Económico, António Correia de Campos]



Publicado por JL às 00:03 de 22.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A conspiração

O Presidente está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania.

Independentemente dos contornos jornalísticos, apreciados nas suas vertentes ética e deontológica, que ficam para outra ocasião, é um facto que a "inventona" das escutas a Belém foi gerada, na Presidência da República, por Fernando Lima, um homem-forte do Presidente e utilizou o jornal ‘Público’, dirigido por José Manuel Fernandes, que agora abandona o barco, ao que se diz, para se juntar ao staff do Presidente da República.

A podridão no estado mais puro, a exigir processos-crime, carteiras profissionais ‘cassadas’ e demissões várias. Se se confirmar (é necessária a reconfirmação de tudo) tudo o que ficou agora jornalisticamente provado e se, em tempo útil, o Presidente da República não se pronunciar sobre o assunto, mostrando-se à altura do cargo e das responsabilidades que os portugueses lhe confiaram, não há outra saída que não seja a resignação. O Presidente da República está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania, enquanto prega a cooperação institucional entre Belém e S. Bento. Ou prova, ou se demarca, sem equívocos, ou resigna, porque feriu de morte a confiança dos portugueses e já não pode continuar a ser o garante do regular funcionamento das instituições democráticas.

Quem adopta estas práticas perde todas as hipóteses de continuar a exercer uma magistratura de influência na sociedade e não será mais aceite como Presidente de todos os portugueses. O assunto é muito grave. Não deve ser dramatizado mas, por outro lado, não pode ser minimizado. Embora estranho, não deixa de ser preocupante que se vislumbre um nexo causal entre este episódio e outros que se desenvolveram contra José Sócrates, de forma sistemática e apurada. O caso Freeport, que na sua génese envolveu gente do PSD, o caso da TVI e da vergonhosa manipulação do ‘Jornal’ de sexta-feira, os ataques à honra da sua família mais próxima, e agora a encomenda de Fernando Lima ao jornal ‘Público’.

Os dados mostram que o PSD desencadeou uma campanha ‘ad hominem’ e acreditou que era essa a substância para virar Sócrates do avesso e derrotá-lo nestas eleições. Estamos a nove dias do acto eleitoral e Manuela Ferreira Leite não apresentou uma única proposta válida para resolver os problemas do País. As sondagens que ontem foram conhecidas, da Católica e da Aximage, mostram que o povo português não se deixou encantar pelas conspirações e pune de forma drástica o PSD. O PS continua a subir e o PSD está em plano inclinado, a perder votos, obrigando Ferreira Leite a uma mudança de rumo de última hora. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:01 de 20.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Verdade



Publicado por JL às 22:39 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Dom Quixote e o TGV

Dom Quixote, quando partiu em busca de aventuras, confundiu os moinhos com inimigos e investiu contra eles julgando que eram ajudantes da feitiçaria. Séculos depois, sem Sancho Pança, Manuela Ferreira Leite investe contra o TGV com as certezas do fidalgo que cavalgava o Rocinante.

O TGV é o moinho de vento de Manuela. A líder do PSD faz da leitura dos livros de cavalaria a sua política. Se quer ser a versão portuguesa do Dom Quixote, Manuela comete os equívocos daquele e confunde uma manada de ovelhas com um exército inimigo.

Nada que não possa acontecer: um político que, podendo ser contra o TGV, necessita de arranjar argumentos para defender a sua ideia. Porém, considerar o TGV uma obra do demónio é uma coisa. Dizer que ele é o disfarce do lobo espanhol para devorar as ovelhinhas portuguesas é uma obra de ficção. Portugal só faz fronteira com Espanha e, cada vez mais, ela é dos mais importantes parceiros comerciais e sociais do nosso País.

Depois, há acordos que foram firmados (incluindo por Manuela Ferreira Leite) com Espanha por causa do TGV. A ideia que transparece é que a palavra do Estado só é para cumprir quando dá jeito. Pior, ao querer reconduzir a discussão do TGV a uma questão de patriotismo, Manuela Ferreira Leite parece o desengonçado D. Quixote a investir contra os moinhos, alucinada pelos fantasmas espanhóis.

Manuela Ferreira Leite está a abrir a caixa de Pandora do nacionalismo e do populismo. A pior receita que se conhece para curar os males da democracia. [Jornal de Negócios, Fernando Sobral]



Publicado por JL às 00:01 de 19.09.09 | link do post | comentar |

O bafio

O despertar dos ódios antiespanhóis por Manuela Ferreira Leite é apenas lamentável. A catástrofe está em ela poder ganhar votos com isso.

Em França chamam-lhe TGV, em Espanha é AVE e em Portugal não tem sigla porque pode nem existir. Mas a decisão de construir ou engavetar a alta velocidade ferroviária só é bem tomada se o for em função de uma análise de custo/benefício descontaminada.

Quanto custa, quem paga, como se financia, o que se importa, que emprego cria, impacto na rede de transportes, etc. Construí-la é, e foi, uma opção política, contratualizada com o governo espanhol.

As razões pelas quais o PSD vinha questionando o TGV eram fundadas. O projecto é economicamente inviável, o investimento jamais será recuperado com "cash flows" futuros. Mesmo esquecendo o investimento, que é, em parte, subsidiado por Bruxelas, os estudos oficiais do Governo admitem que as receitas de exploração podem não ser suficientes para suportar os custos de operação. Só as (subjectivas) externalidades ambientais e de desenvolvimento económico nas zonas adjacentes fazem os planos do Governo cubicar. E se é verdade que em Espanha o AVE é um enorme sucesso que superou todas as estimativas de tráfego, comparar a eficiência das empresas ferroviárias de Espanha com as de Portugal é como colocar mulas em corridas de cavalos: o descalabro nos investimentos recentes da ferrovia e os buracos negros nas contas da Refer e na CP mostram a qualidade da gestão da ferrovia em Portugal.

Até aqui, o PSD vinha enfatizando estas razões e argumentando com o "timing": não é o melhor. Pois não, mas como o grande filósofo Cristiano Ronaldo citou aquando de um convite de Madrid, "o comboio não passa duas vezes". Queiramos ou não, é agora que a União Europeia subsidia, é agora que Espanha está a construir. E é agora a data com que nos comprometemos, por contrato, com gente que nos julga séria. É possível renegociar condições de um contrato, não é desejável rasgá-lo. Não é uma questão de imagem, é uma questão de lei.

O lóbi da construção tem má fama, mas neste assunto tem razão: Portugal não pode ser um país que não se respeita, em que os contratos são para rasgar e a palavra de estadista é adereço. Não se pode num dia prometer tudo aos estrangeiros para que cá invistam e no dia seguinte dizer que não os gramamos, que nos querem explorar e que afinal o prometido não é devido, é de vidro - quebrável.

Manuela Ferreira Leite invocou o pior dos argumentos para se opor ao TGV. O que os espanhóis perdem com o fim do TGV é o mesmo que perdem os portugueses: apoios comunitários. Pior: Ferreira Leite usou o argumento de "Portugal, província espanhola" como um charlatão invoca fantasmas numa sessão mediúnica: para fazer medo.

Andamos nisto há décadas. A economia já venceu os mitos, com trocas comerciais em larga escala; os negócios já passaram da fase em que os espanhóis não eram (oficialmente) idóneos para gerir bancos; a sociedade já atravessa a fronteira sem dar conta. Só os políticos mantêm activo este preconceito que há século e meio nos fez ter uma distância entre carris de comboio diferente: para que não nos invadissem.

Os espanhóis são um mau exemplo de proteccionismo empresarial. Mas com tantas coisas boas que têm, escusamos de imitá-los no que têm de mau. [Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro]



Publicado por JL às 00:31 de 18.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Complexos de inferioridade

Manuela Ferreira Leite pegou nas relações Portugal-Espanha para fazer campanha eleitoral. A coberto do tema TGV referiu-se a Espanha num tom a que o país já não estava habituado, nomeadamente quando disse que Portugal "não é uma província de Espanha".

Que comentário merecem as suas palavras? Não foi uma declaração em falso, resultado de um empolgamento fortuito no debate com Sócrates. Foi um "statement" planeado (só não se percebe o impacte que as suas declarações tiveram em Espanha - talvez a Imprensa espanhola ainda estivesse a viver a sua "silly season")… E, por isso, a atitude de Ferreira Leite merece uma reflexão. Porque ao desenterrar uma velha questão das relações Portugal-Espanha (quem manda em quem), a líder do PSD pôs-se a jeito. Das críticas de quem a vai acusar de estar virada para o passado (como fez Sócrates ontem), repescando velhos mitos que nos faziam olhar para Espanha como um "papão"; e das críticas de quem olhar para a atitude da líder do PSD como a manifestação de um complexo de inferioridade face ao país vizinho. Algo como: "Se os espanhóis já não olham para nós como o território que falta conquistar, mas como uma oportunidade de negócio, o que leva uma candidata a primeiro-ministro a desenterrar velhos demónios?".

É a esta imagem que Ferreira Leite ameaça ficar ligada. O que, convenhamos, não é um bom cartão-de-visita para um país que em vez de reviver os maus exemplos do passado com Espanha devia estar a ouvir Ferreira Leite propor medidas para… passarmos à frente dos espanhóis nos próximos anos. [Jornal de Negócios, Camilo Lourenço]



Publicado por JL às 00:03 de 17.09.09 | link do post | comentar |

A morbidez volta a rondar

Depois daquele que mata o pai e a mãe só para dizer que é órfão e depois do senhor que daqui a dez anos já não estará cá, chegou a vez da morte por afogamento a 14 metros ou a 13 metros e meio de profundidade. À escolha.

Isto não é um discurso – é um velório. Isto não é um partido – é um túmulo. Isto não é um programa – é um obituário. Isto não é uma candidatura – é um necrotério. Isto não é uma campanha eleitoral – é um cortejo fúnebre. Isto não é uma eleição – é um enterro. [Delito de Opinião, João Carvalho]



Publicado por JL às 00:01 de 17.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Um casal desavindo

Estou convencido de que os debates eleitorais entre candidatos pouco aquecem ou arrefecem, mas o espectáculo de dois indivíduos à caça de votos em grande plano tem virtualidades para dar algum ânimo ao habitual tédio televisivo. Vi apenas, numa pachorrenta noite de sábado sem futebol, aquele em que um homem satisfeito consigo mesmo discutia com uma mulher zangada. Pareceu-me uma cena da vida conjugal, cada um culpando o outro da ruptura da união de facto e do mau comportamento da prolífica descendência de problemas que ambos e os respectivos partidos geraram e deixaram ao país e andam hoje por aí à solta, entregues a si mesmos, e senti-me desconfortavelmente na pele de um consultor sentimental. Como sempre, houve de tudo: recriminações recíprocas, ressentimento, vitimização. Até caneladas por baixo da mesa, como aquela da "credibilidade académica" dela e a sua aljubarrótica constatação, com a suspensão do "Jornal Nacional" da TVI no horizonte, de que "Portugal não é uma província de Espanha". A partilha de bens e de responsabilidades parentais de um casal desavindo nunca é coisa bonita de ver. [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:07 de 16.09.09 | link do post | comentar |

BE desqualifica profissão de professor

1. No programa eleitoral partidário do BE procurei e encontrei com facilidade o ataque ao estatuto da carreira docente dos professores do ensino básico e secundário. Encontrei, em particular, a rejeição da categoria de “professor titular” que o BE considera “fracturar” o corpo docente. Não admira pois que o BE declare comprometer-se com a “defesa [...] do fim da fractura entre professores de primeira e de segunda”, leia-se, com o fim da hierarquização da carreira.

2. No programa eleitoral do BE procurei mas não encontrei a contestação da fractura dos professores universitários em três categorias ou, usando a linguagem do BE, da fractura entre professores de primeira, segunda e terceira. Pelo contrário, encontrei uma defesa explícita dessa hierarquização no quadro da crítica do BE ao estatuto da carreira docente no ensino politécnico. Citando: “o Bloco de Esquerda rejeita a proposta governamental de Estatuto do Politécnico e exige a equiparação com as universidades, do ponto de vista dos percursos e dos processos de qualificação do pessoal docente”.

3. Para esta dualidade de critérios só encontro duas explicações plausíveis. A primeira, será uma desvalorização, pelo BE, da profissão de professor não universitário. Recusando atribuir-lhe o estatuto de qualificação que reconhece à carreira de professor universitário, o BE trata a profissão docente no ensino básico e secundário como uma ocupação indiferenciada, e portanto não hierarquizável. Em rigor, o BE opera assim uma deslocação do seu critério de professores de “primeira” e de “segunda” para a oposição entre professores universitários e “profissionais da educação” (do básico e secundário). O elitismo implícito só supreenderá quem não tiver dado a devida atenção a outras propostas do BE.

4. A segunda explicação baseia-se no pressuposto de que o Partido dos professores catedráticos Francisco Louçã e Fernando Rosas sabe ser demagógico qualificar a hierarquização das carreira docentes como fractura entre professores de primeira e de segunda (e de terceira). O compromisso público do BE com a reivindicação de eliminação da categoria de professor titular configuraria, neste caso, uma estratégia oportunista de caça ao voto sem princípios.

5. Não sei o que me incomoda mais nesta proposta do BE, se o seu eventual elitismo se o seu possível oportunismo político. O que sei é que, objectivamente, o BE prova assim ter em muito baixa consideração o estatuto profissional dos professores do ensino básico e secundário. Pois mesmo a aceitação da hipótese do oportunismo requer uma desvalorização das suas consequências, por desvalorização da missão da escola pública. Ou, então, uma nova explicação: a de total irresponsabilidade do BE em relação às consequências das suas propostas. [Canhoto, Rui Pena Pires]



Publicado por JL às 00:03 de 15.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Entre o TGV e a comunicação social...

Ainda nem foi a votos e já despertou uma crise que pode ter impacto internacional... trata-se de Manuela Ferreira Leite, claro! A líder do PSD, escudada num nacionalismo bacoco que pretende justificar-se com custos e benefícios para o país, decidiu investir contra um acordo de Estados, causando perplexidades e declarações públicas do Ministro do Fomento e das autoridades regionais extremenhas de Espanha que deixaram claro não poder vir a confiar num Estado que rompe unilateralmente com os acordos, a palavra e a cooperação. Como se não bastasse, a artificial polémica sobre o TGV (que o PSD defendeu e de que não prescindiria se fosse Governo) implica, no caso da desistência nacional deste investimento no calendário previsto, uma perda de 333 milhões de euros para Portugal... e assim cai por terra mais um dos argumentos da senhora que insiste em querer liderar o Governo de um país que não tem estrutura económico-social para falhar investimentos desta ordem à conta de "gaffes" e irreponsabilidades cujos efeitos nem do ponto de vista político são acautelados. Envergonhados devem também ficar muitos dos jornalistas da "nossa praça" que se têm empenhado, na campanha eleitoral em curso, em construir de Manuela Ferreira Leite uma imagem em tudo contrária ao que a mais simples observação do senso comum constata... enfim... cada um olha e vê o mundo com a côr das lentes que se lhe assemelha conveniente... o que é inegável é que não se vislumbram, entre parte significativa da comunicação social e no maior partido da oposição, efectivos sinais de preocupação com o interesse nacional. É pena! [A Nossa Candeia, Ana Paula Fitas]



Publicado por JL às 00:01 de 15.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O debate

A doutora Manuela não gosta que se manifestem contra ela. E sugeriu a Sócrates que avisasse os "seus amigos" da fronteira que acabassem com manifestações que a hostilizam. Sócrates mostrou surpresa. Eu também fiquei surpreendido. Depois de se vangloriar com as manifestações dos professores, e depois da indignação por causa da decisão da administração da TVI, a doutora Manuela adverte: contra ela outro galo cantaria. MFL chegou a dizer que era Sócrates que estava a ser julgado. Para ela, o que aconteceu ali foi um julgamento. Vaga e arrogante. Sempre foi. Ainda nos lembramos da ministra da Educação que conseguiu juntar professores e alunos contra as suas políticas. E quanto às Finanças... que exemplos aponta? E depois ainda há a impertinência com as pessoas de outras geografias; já cá se sabia que não morre de amores por gente de Cabo verde e da Ucrânia. Hoje soubemos que os espanhóis também não são flores do seu canteiro. Um governante tem de ter os pés no Mundo. MFL não quer saber disso para nada. Uma candidata a primeira-ministra que se contradiz a cada minuto. Eu gostava muito que MFL nunca formasse governo. Dito isto... acho que Sócrates ganhou o debate. Mesmo com o desgaste pegado à pele. A inabilidade da doutora Manuela ficou provada. [BlogOperatório, José Teófilo Duarte]



Publicado por JL às 00:03 de 13.09.09 | link do post | comentar |

O Bloco de Esquerda esconde o seu Programa Eleitoral

Quem clicar na Internet em Programa Eleitoral do Bloco de Esquerda encontra alguns locais com a possibilidade de encontrar o texto completo em PDF, mas ao clicar aí aparece a informação "Not Found", isto tanto pelo Google como directamente pelo Sapo.

Encontramos noticiário sobre a apresentação do Programa e uma entrevista a um tal Herculano sobre o Programa em que se faz uma referência à nacionalização da energia e nada mais.

De resto, uma das características de sempre do BE foi falar muito pouco no que pretende verdadeiramente fazer e, eventualmente, enumerar benesses sociais. Eles escrevem e dizem mesmo que não está previsto para já serem governo, mas terem um papel propositivo na Assembleia da República. Claro, como acontece actualmente, sem maioria absoluta e sem estar numa coligação, as propostas do BE só serão aceites se as maiorias quiserem.

Foi mesmo uma surpresa anunciada por Sócrates que o BE tem um vasto programa de nacionalizações das grandes empresas que lançariam o País na confusão e estão fora de tempo. O PCP tem também um programa semelhante e ambos pretendem pagar as indemnizações aos accionistas que são mais de 1,5 milhões de portugueses sem contar as participações indirectas através de fundos de investimento.

As grandes empresas portuguesas como a Portucel/Soporcel, EDP, Galp, PT, etc. têm lucros porque são bem dirigidas e prosseguem objectivos nacionais e algumas investem fora como maneira de colher lucros que reduzam a diferença entre o PIB e o Rendimento Nacional (ex-Produto Nacional Bruto) que é o PIB mais o saldo entre lucros vindos de fora e idos para fora. Saldo esse que é francamente negativo para Portugal dada a existência de muitas empresas estrangeiras em Portugal.

O BE tem no seu Programa Eleitoral uma oposição total à presença de Portugal na Nato, na União Europeia e até no Euro. O BE pretende, no mínimo, uma recusa do Tratado de Lisboa que se fosse concretizada por Portugal iria criar uma grande confusão na Europa e em Portugal.



Publicado por DD às 23:20 de 12.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Debates

E a cereja? Faltou a José Sócrates dizer aos portugueses que não admite fazer uma coligação governamental com o Bloco de Esquerda para que tivesse feito o pleno na sua indiscutível vitória no debate entre os dois líderes partidários.

Sócrates não pode de modo enfático desmascarar a esquerda radical, populista e trauliteira representada pelo BE sem que daí retire a consequência mais óbvia, qual seja a da impossibilidade de arranjos pós eleitorais com aquela força política.

O debate entre os dois representava para José Sócrates um exercício difícil qual fosse o de se demarcar do BE sem descapitalizar votos à esquerda, conseguindo, por junto, abrir espaço ao voto da classe média, por natureza central, moderado e útil. Conseguiu fazer este exercício, não apenas pela contra argumentação que utilizou para se defender das habituais rasteiras políticas utilizadas por Louçã - em regra alicerçadas em casos que marcam a diferenciação entre os poucos ricos e os muitos pobres - mas acima de tudo pelo ataque que levava bem preparado quanto à inadequação da política de nacionalizações e quanto ao atentado ao bolso da classe média por via das deduções fiscais propostas no programa do BE. Este documento atravessou todo o debate, esteve em cima da mesa, foi por Sócrates escalpelizado nos itens que mais lhe interessavam para que todos percebessem o significado do que ali está escrito e o embuste que representa o discurso político do BE.

Faltou-lhe colocar a cereja em cima do bolo. Em vez disso, optou pelo tacticismo e nessa medida não foi esclarecedor. Julgo que teria ganho mais em expressar de forma linear e inequívoca a impossibilidade de convergência com uma força política absolutamente antagónica à sua própria concepção económica, política e até social do país.

Boleia inconveniente. Até se admite que Alberto João Jardim diga que leva quem entender no carro oficial do Presidente do Governo Regional da Maneira, mas custa entender que Manuela Ferreira Leite se permita escolher a pior oportunidade para se meter nesse carro. Não estou a dizer isto em função da utilização do carro e do que a isso se possa apontar de errado. É um ‘fait divers' de campanha transformado em facto relevante, sem significado que o justifique. O que não percebo é como é que se pretende fazer a conjugação do discurso da asfixia democrática precisamente naquele local e ao lado de tão especial protagonista. Não há diferentes tons de asfixia democrática. Não é uma coisa matizável. E por isso é tão má e tão condenável, exista ela no continente, nas ilhas, no Governo da Nação ou nas Autarquias. Porque, não nos equivoquemos! Com um Estado hiper-dimensionado e um enorme número de pessoas dele dependentes, em termos de emprego e de composição do orçamento familiar, não será difícil encontrar constrangimentos a nível de liberdades de escolha ou de expressão. Agora o que não se pode pretender é que um discurso desta natureza possa apenas ter um alvo. Para que o discurso fosse coerente e eficaz haveria que o alargar, falando em termos de sistema e não apenas na circunstância decorrente do exercício do poder por parte deste ou daquele partido. Ganharia muito mais a democracia se, quando se lhe apontam os seus podres, se fizesse de modo que abarcasse as situações que os demonstram em vez de afunilar a mensagem a benefício de um ganho político de mera circunstância. [Diário Económico, Rita Marques Guedes]



Publicado por JL às 00:03 de 12.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O mito (neo-liberal) do Estado-mau, privado-bom

No debate entre Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã, houve um ponto que foi particularmente revelador: revelador do populismo demagógico, do preconceito ideológico e do sacrifício do interesse público em nome de interesses particulares.

 Não, não estou a falar da parte sobre as nacionalizações, a fuga dos Mellos e quejandos… Estou a falar da argumentação de Manuela Ferreira Leite em relação ao Serviço Nacional de Saúde e aos privados.

 Em primeiro lugar, a demagogia populista. Para justificar a sua proposta de pôr o Estado a pagar cuidados de saúde prestados pelo sector privado, qual é o exemplo que MFL dá?

O de uma pessoa em risco de vida que, se não tiver tratamento rápido, morrerá. Ora, este exemplo é de uma demagogia atroz. Primeiro, porque os casos de risco de vida serão estatisticamente muito poucos no cômputo geral dos tratamentos que, com esta proposta, acabarão entregues aos privados. Na maior parte dos casos, tratar-se-á de uma gripe ou de uma operação aos olhos e não de um caso de vida ou morte. Mas claro que o exemplo do paciente moribundo tem mais carga dramática, logo, dá mais jeito como argumento político. Porém, apenas servirá para justificar que umas quantas rinoplastias passem a ser feitas no privado a peso de ouro e pagas pelo contribuinte.

Segundo, porque MFL sabe - ou devia saber - que os casos de vida ou morte são normalmente melhor tratados no sistema público, que tem mais meios, mais know-how e mais valências que os privados. E sabe também que, para curar uma amigdalite básica ou pôr gesso num braço partido, ir ao privado é capaz de ser melhor porque uma pessoa despacha-se mais rápido e evita longas horas de espera; mas para um transplante ou uma operação de risco, não há verdadeira alternativa ao Serviço Nacional de Saúde. Eis porque o exemplo do paciente em risco de vida ou morte é mentiroso e enganador.

 Em segundo lugar, o preconceito ideológico. Isto é, o mito do «menor Estado, melhor Estado». Mesmo depois da recente crise económica, continua a haver quem pense - e MFL, pelos vistos, é uma dessas pessoas - que o Estado faz sempre tudo mal e caro e quem consegue gerir bem e eficientemente são apenas os privados.

O que não só é, em geral, falso, como, no caso da saúde, é particularmente errado. Basta pensar no recente programa de cirurgia oftalmológica, levado a cabo pelo actual Governo, que permitiu, em pouco tempo e sem recurso a privados, realizar milhares de cirurgias, eliminando as crónicas e inaceitavelmente longas filas de espera para operações às cataratas. Demonstrando, portanto, que - desde que bem gerido e com o correcto sistema de incentivos - o sector público consegue dar resposta às necessidades da população e evitar a humilhante necessidade de os idosos portugueses terem de voar até Cuba para voltarem a ver.

O que MFL deveria, então, propor era uma reforma do SNS para melhorar os seus níveis de resposta; e não uma pura e simples - e cara! - demissão do sector público em benefício dos privados. As incapacidades ou insuficiências do SNS não são um fatalismo que só possa ser suprido com chorudas transferências de recursos financeiros para o sector privado. É possível - está provado - pôr o SNS a funcionar em condições. E era nisso que MFL deveria estar apostada. Não em enriquecer as clínicas e hospitais privados à custa do erário público.

 Em terceiro lugar, finalmente, o sacrifício do interesse público em nome de interesses particulares. Manuela Ferreira Leite, para quem «não há dinheiro para nada», diz que para recorrer aos privados na saúde não olhará à despesa. Ou seja, está contra o investimento público porque não há dinheiro e o país está endividado. Não interessa se o investimento público em causa é virtuoso para a economia e para os cidadãos, se será gerador de riqueza e de bem-estar.

O que interessa é que o país está endividado e, portando, nada se pode fazer. Mas, quando se trata de desviar recursos públicos para os prestadores privados de saúde, para isso já se arranja dinheiro. Em suma, para estimular a economia com bom investimento público com efeitos reprodutivos a longo-prazo, nada feito; mas para pegar nos nossos impostos e entregá-los à Mello-Saúde ou à Espírito Santo-Saúde (para fazerem aquilo que o SNS pode, se bem gerido, fazer), aí tudo bem. O que demonstra bem a (tantas vezes dissimulada) veia neo-liberal do PSD: nada fazem para combater e até dão por adquirida a falência do sector público, apenas para justificar a transferência de recursos para o sector privado (para a qual, no-matter-what, haverá sempre dinheiro, ainda que não haja para mais nada).

 Francisco Louçã - há que reconhecê-lo - esteve bem. Bem quando criticou o conformismo de Manuela Ferreira Leite, lembrando que o papel dos políticos não é resignarem-se perante as insuficiências do SNS, mas antes trabalhar para melhorar o seu funcionamento. Bem quando afirmou que não está em causa apenas o custo, mas a qualidade do atendimento (entendendo-se por qualidade do atendimento não o conforto dos sofás da sala de espera ou o n.º de canais de televisão disponibilizados em cada quarto de internamento, mas a garantia de um tratamento médico rigoroso, completo e sem falhas). Bem, por fim, quando lembrou que em casos de risco de vida ninguém recorre ao privado porque, nas situações realmente graves, é o sistema público que está melhor capacitado para responder. [País Relativo, Tiago Antunes]



Publicado por Xa2 às 00:01 de 11.09.09 | link do post | comentar |

Um "bom governo"

Sabe-se finalmente o que é um "bom governo do PSD". Como isso não fica claro no Programa Eleitoral do partido, a dra. Ferreira Leite resolveu fazer um desenho e explicar com um exemplo: "exemplo de um bom governo do PSD" é a Madeira, "obra ímpar" desse outro "exemplo supremo" que é Jardim, como diz Jaime Gama.

"Um bom governo" da dra. Ferreira Leite (e de Jaime Gama, "les beaux esprits se rencontrent") suspenderá, pois, a democracia, não por seis meses, mas por 30 anos; 70% da economia passarão para as mãos do Estado (é o "novo modelo económico" de que fala o Programa do PSD); existirá total controlo do Governo sobre a comunicação social e os jornalistas ("Fuck them!") serão insultados e processados para que não haja "asfixia democrática"; o Estado financiará com dinheiro dos contribuintes o jornal deficitário onde a dra. Ferreira Leite escreve; deputados da Oposição serão impedidos de entrar no Parlamento; Estado e PSD serão uma única coisa; e o Carnaval orçamental e financeiro durará todo o ano. Só falta saber onde irá a dra. Ferreira Leite arranjar "cubanos" estúpidos que paguem tudo isso. [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:05 de 10.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Políticas económicas do PSD

«[...] No programa do PSD o grande suporte das propostas de redução da receita fiscal é o despedimento de 200 mil funcionários públicos. Dito por outras palavras, acabar com os serviços públicos de saúde, educação e prestações sociais e substitui-los por agentes privados e outsourcing.

No programa do PSD omite-se também que ao prescindir do investimento público o desemprego em vez de diminuir, aumenta. [...]» [SIMplex, João Paulo Pedrosa]

 

«[...] Na página 17, diz-se que se estudarão medidas para que "a pensão de reforma dos portuguesas passe a ser crescentemente encarada também como uma responsabilidade individual". Isto é, em português corrente, a evolução para um sistema de segurança social em que a partir de certos patamares dos rendimentos seria responsabilidade dos próprios entenderem-se com o sistema financeiro para gerir as suas reformas. Especulação? Não. Está explícito no seguimento da página 17 "o progressivo plafonamento das pensões e contribuições mais elevadas".

Na prática, isto significa privatizar progressivamente a segurança social, entregando aos indivíduos a responsabilidade pelas suas reformas, o que inevitavelmente os conduziria aos fundos de pensões e a produtos afins. [...]

Como se viu no último ano, é uma excelente ideia! Colocar as pensões de reforma ao sabor dos movimentos bolsistas ameaça o futuro, mesmo daqueles que estão perto do fim da carreira contributiva. E ameaça aquilo que os assessores de Manuela F. Leite admitiam na frase acima que o PS tinha conseguido: a sustentabilidade da Segurança Social, que deixou de estar em ameaça permanente de ruptura a curto prazo.

Se conjugarmos esta medida com a descida da taxa social única, percebemos que, na prática, o PSD está a sacrificar a segurança das reformas dos trabalhadores, em nome dos lucros das empresas. [...]» [O Valor das Ideias, Carlos Santos]

 

«[...] “Só por falta de respeito para com as pessoas, num país com grandes dificuldades, é que o PSD vem agora apresentar o seu programa eleitoral”, afirmou o deputado do Bloco de Esquerda, insistindo na maior dificuldade do PSD: “nada têm para apresentar”. [...]

A mesma insensibilidade social pode ser encontrada no PP, considera o dirigente do Bloco. Quando o país vive a maior crise dos últimos anos e injecta milhares de milhões de euros na banca, o PP já fez as “contas certas” para combater a crise. “As contas certas de Paulo Portas são cortar 125 milhões de euros aos 150 mil pobres que recebem um apoio de 80 euros por mês. Se há um problema, tiramos o dinheiro aos mais pobres”. [...]» [Esquerda.Net]

 

«[...] [A] ideia que perpassa é que o [programa do PSD] mesmo contorna (ignora) o facto de estarmos em plena crise económica e social. As medidas avulsas que preconiza têm uma única preocupação: contrastar com o programa do PS. [...]

[…] Pouco ou nada sabemos como combater com o défice das contas públicas, excepto uma angustiante preocupação que, aliás, é o denominador comum da grande maioria dos cidadãos. [...] Não foi explanado qualquer novo modelo económico, nem políticas sociais alternativas, nem aprofundado qualquer outro assunto. Este Programa insiste para que o eleitorado lhe passe um cheque em branco... [...]

O regresso em força a uma matriz política neo-liberal, sob uma capa social-democrata, explicitada pelo conhecido e repetitivo slogan: “menos Estado, melhor Estado”… é, exactamente, caminhar para trás, ao encontro das causas profundas que desencadearam a actual crise económica e social. [...]» [Ponte Europa, e-pá!]

 

«[...] O programa eleitoral do PSD cai nesse pecadilho. Inconscientemente – sem nunca o referir – dá de barato que o fim da recessão está à vista e arregaça as mangas para a reanimação da economia. Não escalpeliza nem os mecanismos nem as concertações económico-sociais preconizadas pela UE para fazer face à crise e que, naturalmente, envolveram o Governo português. [...]

Com o ar severo e atinado de uma “mestre-escola” divulga um programa que prevê a recuperação económica utilizando os mesmos instrumentos que foram a causa remota da crise. Isto é, um sub-reptício retorno ao mais feroz neo-liberalismo. Se, em 27 de Setembro, os portugueses enveredassem por esse caminho, era só esperar pela “incubação” – a breve prazo - de uma nova crise. Os ingredientes estão todos no referido programa. [...]» [Ponte Europa, e-pá!]

[Esquerda Republicana, Ricardo Schiappa]



Publicado por Xa2 às 00:01 de 10.09.09 | link do post | comentar |

Louçã vs Sócrates



Publicado por JL às 00:01 de 09.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Vitória de Sócrates

No debate entre Sócrates e Louçã é evidente que o Primeiro-Ministro saiu nitidamente vencedor e levou, sem dúvidas, Louçã às cordas ou, mesmo ao tapete.

Sócrates na qualidade de chefe do governo há 4,5 anos seria acusado de ser o “causador” de todos os males do País e deste Mundo, a começar pela crise, mas conseguiu com o programa bem estudado do BE levar Louçã à defesa e mostrar que este pretende acabar com as deduções ao IRS com despesas de saúde, educação, etc. Louçã não foi convincente na alternativa de tornar tudo absolutamente gratuito, porque a ser assim nunca mais se falaria de deduções fiscais. Os contribuintes não teriam facturas para juntar ao IRS e então nem seria preciso falar em deduções fiscais.

Ao falar nas nacionalizações, Louçã não foi capaz de explicar como as faria e com que dinheiro. É certo que as empresas como a PT, EDP, Águas Livres, Galp, etc. ganham dinheiro e muito porque são bem geridas e têm um grande espírito de iniciativa.

Diga-se, contudo, em abono da verdade que Louçã foi honesto na área do desemprego ao referir a existência de uma crise mundial. Não acusou directamente Sócrates de ser o culpado do desemprego e do próprio “crash” de Nova Iorque, mas disse que agora há mais desempregados que no início do governo.

Estes debates são muito curtos, as questões são debatidas em poucos minutos para ambas as partes, pelo que não é examinar o desemprego as exportações e a economia em geral em tão pouco tempo, mas ficaram algumas frases chaves como as nacionalizações e as deduções fiscais para um e outro lado.

Curiosamente, nos comentários feitos ao debate entre Ferraz da Costa e o fiscalista Saldanha Sanches, este mostrou não saber que as deduções à colecta do IRS para saúde e educação são limitadas a um certo montante que até nem é exageradamente alto. Saldanha Sanches fala numa eventual dedução 100.000 euros que não é verdadeira, é muito menor, parece-me que de poucos milhares de euros.

Por sua vez, Ferraz da Costa desconhece que as nas nacionalizações de 1975, os capitais estrangeiros ficaram de fora e havia muito pouco nos grandes grupos portugueses. O que foi nacionalizado indevidamente foram os capitais pertencentes aos trabalhadores através das então existentes Caixas de Previdência e que nunca foram ressarcidos dos valores perdidos para o Estado.



Publicado por DD às 23:01 de 08.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O Sr. Feliz e o Sr. Contente

Como está sr. Feliz… Como vai sr. Contente… Diga à gente… Diga à gente… Como vai este País.” E depois da canção lá apareceram Dupont e Dupont. Vinham de mão dada para o frente-a-frente, o que constituiu a primeira surpresa da noite. Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, de fatinho engomado, cabelo a preceito e voz mansa entre tantos salamaleques. Um dizia mata, o outro esfola. Os dois a malharem em Sócrates.

O frente-a-frente chegou ao fim no mesmo tom delico-doce com que começou. Bloco de Esquerda e PCP aparentemente têm as mesmas ideias, no essencial são iguais, apresentam propostas semelhantes, escolheram o mesmo inimigo (Sócrates!), falam da mesma maneira e preconizam um fim trágico para o actual primeiro-ministro.

A adjectivação era curiosa e ao mesmo tempo ridícula. A política desastrosa de Sócrates dizia Louçã… a desastrosa política de Sócrates, rematava Jerónimo. No final ficou a imagem de que nada separava o bloco do PCP e que os dois lutavam denodadamente para eleger Manuela Ferreira Leite. A cassete era a mesma, as críticas e os insultos eram tirados a papel químico.

Quer um quer outro partido não estão disponíveis para coligações governamentais, nem para acordos de incidência parlamentar, etc… etc... Ou seja, PC e Bloco querem estar longe de quaisquer responsabilidades governativas. É isto que torna o voto nestes partidos um voto sem consequências. Louçã e Jerónimo continuam fiéis a princípios fundadores do estalinismo – o poder só se alcança pela força e para isso é preciso instaurar o caos do quanto pior, melhor.

A velha cartilha marxista-leninista continua a imperar nos dois partidos da extrema-esquerda. Governar? Apoiar um Governo? Nem pensar. Louçã e Jerónimo preferem Manuela em São Bento (quanto pior, melhor). Lutam com todas as forças para impedir a vitória de Sócrates nas próximas eleições. Mas a realidade portuguesa é complexa e tem as suas peculiaridades. PCP e Bloco, cada um per si, não chegam aos dois dígitos. Os eleitores que pensam votar nesses partidos têm de saber que esse voto não se traduz em benefícios para o País. É votar por votar.

O propósito de eleger Manuela Ferreira Leite, que foi uma má ministra da Educação e uma péssima ministra das Finanças, em detrimento de Sócrates, que fez reformas, iniciou a modernização de Portugal, estimulou o progresso, diz tudo sobre os propósitos de cada uma dessas forças. Dois partidos de esquerda preferem, a partir do final deste ano, políticas conservadoras e de direita. Custa a acreditar, mas é verdade. O frente-a-frente é a prova provada de que assim é. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:05 de 06.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O encontro de dois amigos às direitas

Quem pensava que ia assistir a um debate entre os líderes de duas forças que disputam o mesmo eleitorado, e por isso interessados em vincar diferenças, enganou-se. Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã estiveram muito mais empenhados em provar que a esquerda à esquerda do PS é capaz de ser responsável e também está preparada para assumir as responsabilidades que resultarem do próximo acto eleitoral.

Foi, evidentemente, um jogo de resultado combinado em que um dos jogadores, Louçã, não resistiu, no lance final, a tentar a vantagem: quando, evocando o exemplo do avô comunista, voltou a agitar a modernidade do Bloco contra o passadismo dos comunistas portugueses.

De resto, este segundo debate da campanha pareceu uma entrevista de vida a dois heróicos combatentes pela mudança da vida política portuguesa. Em sintonia, um acabava o que o outro começara a dizer: nos professores, na visão da actividade dos bancos, nos apoios às PME, no caso TVI.

O Bloco e o PCP (perdão, a CDU) entraram num novo relacionamento institucional. Falta saber quem ganha e quem perde com todas estas cortesias. E se este encontro de bons amigos, de amigos às direitas, significará que até já estão a pensar apresentar ao PS um caderno de encargos comum. Se o PS precisar, claro. [Diário de Notícias, João Marcelino]



Publicado por JL às 00:01 de 05.09.09 | link do post | comentar |

Corte na Taxa Social Única agrava défice em mil milhões

A medida de redução da Taxa Social Única (TSU), proposta pelo PSD no seu programa eleitoral, teria um peso de pelo menos mil milhões de euros na receita da Segurança Social. Contas feitas, este impacto significaria qualquer coisa como 0,7% do PIB português, com as necessárias consequências em termos de agravamento do défice público.

As propostas dos social-democratas são as que mais agravam o défice público. Com excepção da TSU e da suspensão do Pagamento Especial por Conta (PEC) - com um impacto mínimo - todas as outras não são quantificáveis com os dados conhecidos.

O programa do PSD prevê "reduzir em dois pontos percentuais a TSU suportada pelos empregadores, até 2011, salvaguardando uma adequada compensação financeira à Segurança Social".

O Negócios fez as contas. Com base na receita arrecadada em 2008 pela Segurança Social - cerca de 19,5 mil milhões de euros -, se em vez dos actuais 34,75% as empresas passassem a entregar apenas 32,75% (21,75% seus mais 11% dos trabalhadores), as contribuições sofreriam uma quebra de mais de mil milhões de euros. [Jornal de Negócios]



Publicado por JL às 00:04 de 04.09.09 | link do post | comentar |

José Sócrates, que futuro?

Estou cada vez mais longe da política, tout court, como diria o outro.

Há poucos políticos cuja prestação me entusiasme. José Sócrates é um desses eleitos. Não só tem carisma e perfil de político empenhado, como tem de estadista.

Gostei de vê-lo, na entrevista realizada por Judite de Sousa. Pareceu-me sereno e autêntico.

Será, no entanto, um homem só. Não acredito que no PS o amem.

Em política, os amigos são aqueles a quem deixamos comer do nosso tacho, para que em outra ocasião possamos comer do alheio.

Não há lugar para cavaleiros-andantes.

Não digo que não haja políticos sérios e honestos, gente que se empenha em realizar um projecto ou prosseguir um ideal.

Mas ao nível superior da política, a filhadaputice é grande.

José Sócrates ou consegue um bom desempenho eleitoral ou será cilindrado por aqueles que lhe mordem a sombra dentro do PS.

Os defensores de uma política de consensos são aqueles que adoram fingir que se anda sem sair do mesmo sítio.

Com uma chapelada aqui, outra ali, tudo se consegue. Para eles, claro.

O país, porém, avançará a passo de caracol.

O primeiro-ministro criou muitas inimizades ao nível do funcionalismo e de uma classe média que percebe mal o que lhe está a acontecer.

Vai-lhe ser difícil obter o voto desses eleitores.

Por isso, não vejo como a posição de José Sócrates poderá sair reforçada, em 27 de Setembro próximo, se não obtiver uma maioria absoluta ou uma forte maioria relativa, o que de todo parece hoje improvável.

Talvez possa dar uma cambalhota unindo-se ao PSD; ou à esquerda champanhe & caviar; ou à brigada do reumático comunista (tudo é possível).

Porém, governos minoritários ou com apoios sectoriais para determinadas políticas, dificilmente completarão a legislatura.

A nossa História recente tem disso inúmeros exemplos.

O país real (desculpem o chavão) será quem mais sofrerá com uma política de consensos, toma-lá-dá-cá, porque em trinta e cinco anos de democracia nunca se chegou a consensos para realizar políticas estruturais nos vários sectores da nossa sociedade.

Sem uma posição forte no governo, José Sócrates será sempre um alvo fácil nas mãos dos históricos, Alegre & C.ª.

Hão-de querer vingar-se da forma sobranceira como ele sempre os tratou enquanto secretário-geral do partido.

Oxalá me engane.

[O voo das palavras, António Garcia Barreto]



Publicado por JL às 00:10 de 03.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Inútil



Publicado por JL às 00:08 de 03.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Cosmética

«A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, acusou o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, de ter estado a representar durante a entrevista de terça-feira à RTP e de nem consigo próprio falar verdade.

Eu não sei quais foram as pessoas que acreditaram que o engenheiro Sócrates não estava a representar. Acho que foi um número de representação. E eu acho que aquilo que falta efectivamente é falar verdade às pessoas. Provavelmente o engenheiro Sócrates, neste momento, não fala verdade nem com ele próprio, porque provavelmente senão não teria dito isso que disse.", disse a presidente do PSD.»

 

A dra. Ferreira Leite anda com problemas graves na cabeça, que lhe afecta o “lapsus verbis”.

Deduzo que o mal está na cosmética, concretamente na laca que usa.

Porque não se aconselha com a outra Manuela?



Publicado por JL às 00:04 de 03.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

As contradições do Portas

No debate desta noite, Paulo Portas marcou logo de início a contradição absoluta dos seus argumentos.

Começou por defender a descida dos impostos, sem especificar, com a ideia de que menos impostos implica um desenvolvimento económico e, logo, mais receitas nos impostos baixos. É evidente que no limite extremo não deixa de ser verdade, isto é, com IRC, IRS e IVA próximos do zero ou, pelo menos, a menos de metade. Mas, as descidas possíveis de alguns pontos percentuais não implicam o aparecimento de um maior poder de compra dirigido a produtos nacionais, tanto mais que muitos impostos incidem nos lucros ou rendimentos das pessoas, os quais tendem a baixar em períodos de crise. Hoje verifica-se em todo o Mundo uma quebra no comércio internacional da ordem dos 25% relativamente ao ano anterior.

Depois, Portas orientou todo o debate para as tradicionais insuficiências, exigindo mais apoios às PME, mais apoios sociais, mais segurança policial, enfim, mais tudo, logo mais e mais despesa. Criticou a falta de subsídio de desemprego para os jovens que quase não trabalharam, etc. e quando há despesa social esta é criticada como é o caso do Rendimento Mínimo que, segundo Portas, é algo de mau. Claro, se não existisse, Sócrates seria criticado por não apoiar os mais pobres e, nestes, as famílias mais numerosas.

Tivemos a experiência do governo Durão Barroso que prometeu um choque fiscal em termos de descida de impostos e subiu logo o IVA e outros impostos, nada tendo descido. E não o fez por maldade ou falta de vontade, mas, sim devido à total impossibilidade de agir de outro modo, pelo menos, a curto ou médio prazo.

A estratégia do Portas e toda a oposição é atacar o governo actual pelo que fez e pelo que não fez sem apresentar um verdadeiro projecto alternativo, a não ser nesse aspecto vago de querer descer os impostos e as receitas da Segurança Social à direita e aumentar os impostos dos chamados ricos à esquerda. Em ambos os casos, é possível mexer numas coisinhas, mas sem que daí venha qualquer solução milagrosa para o País, principalmente em termos de crise.

Sócrates teve a ocasião de dizer que já tinha apoiado este ano mais de 40 mil PMEs quando o Governo Durão Barroso/Santana só apoiou umas 2 mil pequenas e médias empresas.

Enfim, Paulo Portas não apresentou qualquer solução para crise e quase se limitou a criticar o Governo, fingindo que não há nem houve um vastíssimo conjunto de programas que melhoraram a Administração e a relação do cidadão com o Estado e, além disso, houve a introdução do complemento social para idosos, dos apoios aos jovens alunos, do complemento ao subsídio de desemprego, de programas de formação nas empresas para evitar o despedimento ou lay of, etc.

Hoje, temos menos Estado em tudo o que se refere a documentação; desde o cartão do cidadão, passaporte, certidões, cadernetas prediais, registos prediais, etc.

O Portas voltou a defender a escolha livre da escola com a possibilidade de o estado pagar as escolas privadas. Era o que mais faltava nas zonas em que há escolas do Estado que são praticamente todas no País.



Publicado por DD às 23:35 de 02.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Finalmente faz-se luz

A luz, finalmente a luz. Para os que não tinham ainda vislumbrado grandes diferenças entre o PS de José Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira (incluo-me no rol), este fim-de-semana foi elucidativo. Fez-se luz. As diferenças existem. E são importantes, desde logo porque tocam nos valores, essa coisa esquecida mas decisiva no andamento de qualquer sociedade. Verdade que um e outro tinham já dado sinais de se encontrarem em diferentes escalas valorativas. Sucede que eram ainda ténues as distinções. Para felicidade de todos, passaram a ser mais evidentes. Sê-lo-ão ainda mais no decorrer da campanha eleitoral, disso não tenhamos dúvidas.

Confesso que quando, há uns tempos, a líder do PSD disse em público que o casamento tinha a procriação como primeiro objectivo, levei isso à conta de alguma ingenuidade política e de algum excesso de zelo. Enganei-me, novamente. Manuela Ferreira Leite estava a falar, pela primeira vez, do conservadorismo que comanda a sua maneira de ver e de viver a vida. Esta frase, proferida no domingo pela líder social-democrata, diz tudo: diluíram-se "pilares da sociedade como a família e o casamento, para impor a vontade da lei, onde deveria prevalecer a vontade individual. Houve uma erosão dos valores cívicos e éticos, conduzindo ao pessimismo e à suspeição". Culpa de quem? Do Governo, claro.

Pode pensar-se que, posicionando-se intransigentemente ao lado da família e do casamento, Ferreira Leite tenta encostar Paulo Portas à parede, roubando-lhe espaço de manobra numa área tradicionalmente de Direita. Ou que Sócrates deseja piscar o olho ao eleitorado mais jovem e citadino (aquele que sustenta o Bloco de Esquerda), quando quer resolver problemas como a união de facto, o divórcio, a despenalização das drogas ou mesmo a morte medicamente assistida. Essas são as contas de mercearia. Acima delas está a "mundivisão" (para usar a expressão de Sócrates) perfilhada pelos dois principais partidos portugueses. E essa é, pela primeira vez em muitos anos, nitidamente dispare. O que é excelente.

Creio que Sócrates parte à frente neste debate. Não porque a razão lhe assista sem controvérsia, mas apenas porque as circunstâncias o ajudam. Os portugueses não são hoje diferentes de outros povos que, para citar Lipovetski, decidiram escolher "novos valores que visam permitir o livre desenvolvimento da personalidade íntima, legitimar a fruição, modular as instituições de acordo com as aspirações dos indivíduos". Quer dizer: buscando o mínimo de austeridade e o máximo de desejo, não abandonámos a importância da família ou do casamento. Mas já não os vemos com a lente conservadora que pode obrigar a tomar decisões que minam a liberdade individual.

A discussão é boa. Aguardemos que continue. [Jornal de Notícias, Paulo Ferreira]



Publicado por JL às 00:03 de 02.09.09 | link do post | comentar |

Um novo paradigma: sim ou não?

… Vem isto a propósito do Programa de Governo do PSD, apresentado na última quinta-feira pela Dr.ª Manuela Ferreira Leite. Não se pode dizer, em linguagem popular, que "a montanha pariu um rato". Não. A Dr.ª Ferreira Leite tinha prevenido que "quem espere grandes novidades será defraudado, porque não vai estar lá nada que não tenha já dito". É verdade. Então para que foi o espectáculo e todo o relambório mediático ocorrido, simbolicamente, no "Átrio do Futuro"? Realmente não houve novidades nem ideias novas. Só mais do mesmo. Como se não estivéssemos a viver a maior crise de sempre. No "Átrio do Futuro", não se ouviu um só pensamento estratégico quanto ao futuro, para sairmos da crise. Quer-se um exemplo? O grito de alma de "menos Estado", tão do agrado de George W. Bush e de Dick Cheney, quando agora são os banqueiros e os grandes empresários que têm andado de chapéu na mão a reclamar o auxílio do Estado, indo ao ponto de pedirem a nacionalização de bancos e empresas, para salvar os seus patrimónios...

A conclusão que se tira é que este PSD, liderado por Manuela Ferreira Leite, parece não ter aprendido nada com a crise. Não percebeu que é preciso outro modelo de desenvolvimento, mais social, mais ambiental, com a economia e as finanças mais controladas pelo Estado e com regras éticas, que acabem com as especulações criminosas, com os off-shores, com as negociatas e as roubalheiras.

Para tanto é preciso um Estado forte, prestigiado, progressista e responsável, É, por isso, muito estranho que, sendo Ferreira Leite de profissão economista, não tenha avançado com qualquer ideia para vencer a crise e para a construção de um novo modelo estratégico, de modo a fazer frente ao mundo novo que está a nascer.

Por outro lado, o Programa lançou várias piscadelas de olho à Esquerda Radical e aos meios sindicais para, oportunistamente, tentar caçar votos descontentes: os professores, como se os sindicalistas fossem parvos e não conhecessem a Dr.ª Manuela do tempo de ministra da Educação; os magistrados, parecendo desconhecer que os prazos processuais já existem e não se cumprem (não há aliás uma palavra sobre como se podem vir a cumprir); os polícias; os médicos e os enfermeiros; etc. Uma vontade política incontida de tentar criar, em proveito do PSD, uma "Federação de descontentes", como lhe chamou o ministro Santos Silva.

Mas será que as piscadelas de olho convencem alguém? Quando, ao mesmo tempo, se advoga o enfraquecimento do Estado em matéria de segurança social, de saúde, de educação, de trabalho, de ambiente, para que os privados se possam expandir. Não faz sentido. Com efeito, o Programa eleitoral do PSD foi uma grande frustração, para os que acreditavam que dele podia vir algo de novo. Não veio. … [Diário de Notícias, Mário Soares]



Publicado por JL às 13:59 de 01.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Intenções

Corria uma piada que dizia que o PSD iria fazer um programa tão, digamos assim, económico em palavras que bastaria um sms para o divulgar. Pelo que nos foi dado a ver a graçola tinha um fundo de verdade. Bastava, afinal, uma palavra para resumir essa possível mensagem: intenção.

O PSD propõe-se fazer melhor na economia, na solidariedade, na justiça, na educação, na segurança, na saúde, na administração pública, no ambiente, na cultura, na ciência, no ordenamento do território e em tudo o mais.

Em praticamente todos os aspectos relevantes não existe uma proposta concreta ou uma linha bem definida de rumo.

Para quem passou um ano e meio a apregoar aos quatro ventos que os socialistas apenas tinham palavras e promessas para oferecer, não deixa de ser confrangedor verificar que os sociais-democratas não têm mais para oferecer que não sejam lugares-comuns, suspensões para melhor análise ou vaguíssimas opiniões.

Que pode um cidadão esperar de alguém que diz que quer um Estado menos dirigista e com menos peso na economia e depois nada diz sobre as golden-shares, o que fazer com as empresas públicas e municipalizadas, o excesso de funcionários públicos, as empresas da Caixa Geral de Depósitos (extraordinária e bem reveladora da diminuição de "dirigismo", a promessa de orientações a este banco público) ou como se vai reduzir a despesa?

De que tipo de seriedade estamos a falar quando se diz que se suspende o actual modelo de avaliação de professores sem que se proponha outro? Será que vamos retomar o que (não) existia ao tempo da dra. Ferreira Leite no Ministério da Educação? Que dizer quando se resume uma política educativa aos chavões do "combate ao facilitismo" e à "cultura de exigência e rigor"?

Como é que podemos levar a sério um programa que na Justiça não tem uma linha sobre a urgente reestruturação do Ministério Público e enuncia, sem qualquer detalhe, uma avaliação dos juízes?

A que tipo de comportamento ético-político nos pretendemos referir quando há um ano se apelidava a descida da taxa social única como inconsciência e agora se defende o seu decréscimo em dois pontos percentuais ou se pretende revogar medidas que se decretaram como é o caso do pagamento especial por conta?

Será que um plano - inexistente, claro está - para a recuperação económica e aumento de competitividade e produtividade não mereceria uma pequena nota que fosse sobre legislação laboral, nomeadamente no que às pequenas e médias empresas diz respeito?

Ficamos a saber que o TCV vai ser suspenso. Porém, não é certo: vão-se fazer novos estudos. Claro como água.

O programa do PSD não é, a bem da verdade, um calhamaço de propostas. São apenas quarenta páginas de intenções vazias de conteúdo.

Para quem tinha prometido um programa diferente, com soluções concretas para os problemas do País - definidos agora como verdades - soa a pouco, muitíssimo pouco.

Onde estarão os estudos do Instituto Sá Carneiro, as conclusões dos fora da verdade, os contributos das pessoas que telefonaram para a linha de atendimento do PSD? Das duas, uma: ou foram desperdiçados ou não mereceram consideração.

Portugal precisava, como provavelmente nunca desde que vivemos em democracia, do PSD. Do PSD reformista, corajoso, liberal, sem receio de propor medidas que invertessem este ciclo depressivo que promete levar o nosso país para um beco sem saída. Pedem-nos, apenas, que confiemos numa pessoa. A sua verdade vai-nos redimir. A sua verdade tudo vai resolver. A sua verdade vai tirar-nos da cauda da Europa e tornar-nos mais ricos e mais felizes.

De facto, não era preciso programa e, em bom rigor, ninguém vai lê-lo. Não vale a pena.

Agora, sim, temos escolha: o PS tudo irá resolver através da intervenção do Estado; o PSD tudo solucionará com boas intenções. [Diário de Notícias, Pedro Marques Lopes]



Publicado por JL às 00:10 de 01.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Neo-liberalismo? Não, obrigado!

O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém.

Pina Moura veio assumir o que já de há muito se percebera estar presente nas escolhas subjacentes ao seu percurso profissional.

Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro que ignora e minimiza, nas suas prioridades, o domínio social em que se move o mundo real dos cidadãos dolorosamente marcado pelo desemprego e o empobrecimento da qualidade da vida, o testemunho de Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação.

O programa do PSD é, para além da ambiguidade vaga de uma demagogia populista e insidiosa, um apelo ao ressuscitar de receitas gastas e prejudiciais ao recuperar de uma economia que só com um planeamento tranquilo e coordenado pode consolidar a tímida convalescença que se anuncia. [A Nossa Candeia, Ana Paula Fitas]



Publicado por JL às 00:05 de 31.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (17) |

Tudo como dantes

O PSD apresentou finalmente o seu programa de governo. Como Manuela Ferreira Leite vinha prevenindo, o programa, de facto, não apresenta nenhuma novidade e não causou qualquer surpresa. Uma série de lugares comuns, um conjunto de medidas que já foram adoptadas pelo actual governo, um pacote de propostas desgarradas que não deixam perceber sequer as políticas a adoptar. Por exemplo, no domínio de economia o programa estabelece o relançamento da actividade económica através de uma aposta na protecção e apoio às PME.

Quando é público e notório que José Sócrates desencadeou a maior acção de estímulo e apoio financeiro às PME, que ainda decorre, e que constitui a operação mais vasta feita até hoje em Portugal a favor desse sector é quase ridículo vir propor o que já está em curso. Para Ferreira Leite a reposição de certificados de aforro e a anulação ou suspensão do TGV e da auto-estrada para Trás-os-Montes são o travejamento da sua política económica. Desgraçado País se Ferreira Leite ganha as eleições. Retrocede uma década e perde a possibilidade de se modernizar.

O programa do PSD é mesmo uma verdadeira desilusão, qualquer que seja a área observada. Na educação o PSD propõe-se alterar o estatuto do aluno, da carreira docente e o alívio de carga burocrática. Ou seja, é destruir o que foi feito pelo actual governo para garantir um ensino mais exigente e uma escola mais moderna. Será o regresso das corporações em grande força com todas as consequências deletérias que isso acarreta. Ferreira Leite não traz assim nada de novo. Há um ano, incapaz de produzir um discurso articulado e coerente sobre o País, dizia que o programa só devia ser anunciado em vésperas de eleições para não ser "copiado".

O programa foi apresentado a um mês das eleições, ou seja o mais tarde possível, mas na hora de analisar o seu conteúdo constata-se que a ‘montanha pariu um rato’. Não há nada para ser copiado e pouco ou nada para ser adoptado. Os portugueses têm de ser perspicazes para não caírem no conto-do-vigário. Têm de ponderar bem os reais interesses do País para depois apoiarem ou rejeitarem as soluções que aparecem.

Em boa verdade, era importante apurarem o valor das propostas que estão em cima da mesa e a sua exequibilidade. Não se pode entregar tarefas de governação a quem não se mostra capacitado para as fazer, oscilando/hesitando entre uma solução e a contrária. Seria um erro trágico votar de ânimo leve, descurando estes aspectos. Quando se sobe uma montanha é preciso pisar sempre terreno seguro. Qualquer facilidade é a morte do artista. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:04 de 31.08.09 | link do post | comentar |

Lista PSD, o mal menor

Custa caro, mesmo muito caro a MFL incluir um homem de preto na lista de deputados PSD em Lisboa, toda agente sabe disso. O que ninguém diz, pela simples razão de que só os próprios sabem, quanto custaria o não inclui-los. É que os prosápios poderiam meter a boca ao trombone e sabe-se lá o que por aí viria.

Mas esta peçonha parece ser uma gripe pior que a H1N1, propaga-se com enorme facilidade, por isso é que não há coragem em acabar com as offshores, locais apropriados por onde fazer circular, clandestinamente, os dinheiros para promover certas candidaturas.



Publicado por Zé Pessoa às 00:01 de 30.08.09 | link do post | comentar |

O embuste do PSD e PCP quanto às PMEs

Um dos maiores embustes da parte do PSD e do PCP, além de outros partidos da oposição, reside na afirmação do apoio às Pequenas e Médias Empresas.

Manuela Ferreira Leite nem Jerónimo de Sousa explicam como pretendem apoiar as PME, apesar de terem isso inscrito nos papéis que distribuem.

Considerando-se que o universo das PME é da ordem das 250 mil empresas às quais se juntam mais uns milhares de microempresas sem empregados ou com menos de 10, ninguém ficou informado como pode ser feito o apoio a todas as micro e PME com mais de 600 mil empresários.

Para já, o Governo Sócrates reduziu para metade o IRC+Derrama das empresas com lucros iguais ou inferiores a 12.500 euros anuais, o que é muito vantajoso para as microempresas que, assim, pagam apenas 12,5% sobre os lucros e o pagamento por conta é quase metade dessa verba. Acrescente-se que o pequeno patrão não vive apenas do lucro, mas também de um ordenado que se atribuiu a si mesmo sobre o qual desconta para a Segurança Social para auferir de uma reforma aos 65 anos de idade e do Serviço Nacional de Saúde.

Mas, o governo tem uma lista enorme de apoios a pequenas empresas, mas todos com uma justificação honesta e essa justificação que não conhecemos da parte de Manuela Ferreira Leite de Jerónimo de Sousa.

Eis pois alguns dos sistemas de apoios a pequenas empresas que visam a inovação, a exportação, a criação de postos de trabalho, a modernização, etc., etc.

É preciso ter a consciência que, sendo as micro e PME muito importantes, a esmagadora maioria não necessita de qualquer apoio e algumas necessitam de clientes e não de apoios do Estado que não lhes pode fornecer os clientes necessários.

Em particular, as milhares de empresas da restauração e as pequenas lojas só se justificam enquanto têm clientes; o mesmo se passa com os pequenos importadores, as empresas de mediação imobiliária que estão a nascer em todas as esquinas, etc., etc.

Temos de exigir das oposições que esclareçam bem o sentido das suas palavras para não vermos o eleitorado aldrabado e, neste caso, os pequenos empresários a votarem em alguém que os vai apoiar, sabendo-se de antemão, que o apoio generalizado é impossível e não necessário.

Eis os principais sistemas de apoio às micro e pequenas empresas, faltando aí  chamado apoio à internacionalização que mais não é que apoio à exportação que não é assim designado para evitar acusações de “dumping”:



Publicado por DD às 22:04 de 29.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Tempo de autocrítica

É impossível não ver no programa eleitoral do PSD ontem apresentado, e no anúncio pela dra. Ferreira Leite de políticas de firme combate a medidas da dra. Ferreira Leite, a mão maoista (ou o que resta dela) de Pacheco Pereira, a da autocrítica.

Assim, se a chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros. No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política". [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 17:54 de 29.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O país básico

Um programa eleitoral perfeito? Depois de quatro anos de propaganda, duas frases bastavam. ‘Vamos tentar arrumar a casa. Não prometemos coisa nenhuma.’ Não sei se Ferreira Leite me ouviu. Mas o programa do PSD não é propriamente um programa.

É, pelas regras habituais da coisa, um antiprograma: descontando as piedades do costume sobre o ‘emprego’ e o ‘crescimento económico’ (que não dependem do Estado), a drª Manuela deseja apenas o básico. Na justiça, rapidez e prazos. Na educação, dar autoridade aos professores e responsabilidade aos pais. E, na segurança, proteger as vítimas dos agressores (e não ao contrário). A coisa alegra porque não existe país sem este básico. A coisa deprime porque, em 2009, nem isso temos. Resta saber se os portugueses, um povo infantil por definição, se entusiasmam com tão pouco. Não ponho as minhas mãos. [Correio da Manhã, João Pereira Coutinho]



Publicado por JL às 17:48 de 29.08.09 | link do post | comentar |

Manuela Ferreira Leite

A líder do PSD aproveitou a apresentação do programa eleitoral para fazer os portugueses de idiotas ao afirmar que ia restaurar a ética na política.

Nada mau para quem escolheu candidatos a deputados que dava para criar o circulo eleitoral do Estabelecimento Prisional de Lisboa. [O Jumento]



Publicado por JL às 14:31 de 28.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PSD = PCP, os partidos das rupturas e dos conflitos

Jerónimo de Sousa a propósito das próximas eleições para a Assembleia da República afirmou que «O dilema de Setembro é se vamos dar a volta a isto ou se é mais do mesmo. Nós vamos dizer: é possível mudar. Se os portugueses confiarem nesta força de ruptura, com certeza o país vai mudar».

Ontem a líder do PSD, Manuela F. Leite veio defender um Estado minimalista e a «ruptura» de modelo. Só não diz, apenas se pode ler nas entrelinhas, que o modelo que defende é um neoliberalismo retrógrado que provoca crises, que permite duas coisas diametralmente opostas. Uma é a rápida recomposição do capital e a especulação bolsista associada à corrupção cujos lucros se escapam através das offshores. Não terá sido por acaso que persistiu em mater nas listas indiciados pela justiça. A outra é os pobres cada vez em maior número e em pior situação destruindo a classe média.

O secretário-geral do PCP insiste na mesma tecla, na tecla de sempre em considerar o PCP como um partido que só faz coligações com ele próprio e em persistir ser uma força de “rupturas” e confrontações com tudo e com todos os que não se guiem pelos seus ideais.

Jerónimo afirmou no comício de Gaia que «durante estes quatro anos, a direita andou desorientada, porque o PS era o melhor executante dessa política de direita. Na entrevista dada recentemente, Manuela Ferreira Leite não apresentou propostas. Pois se aquilo é farinha do mesmo saco, que fazem a mesma política, que têm a mesma visão, apenas têm estilos diferentes», disse.

Para o PCP e seu secretário-geral, socialismo e social-democracia confundem-se com neo-liberalismo e retrocesso do Estado-Social.

Naturalmente, com tal conservadorismo como se poderia esperar um entendimento de governação ao nível nacional se mesmo ao nível local ele foi negado, privilegiando os hipotéticos interesses partidários em detrimento dos interesses de Lisboa e do país?

Uma coisa é certa, os comunistas são os militantes mais conservadores. Há quem diga que a sua Militância vai tão longe que mesmo a dormir a fazem. Continuam a sonhar com a revolução do proletariado. É por isso que eles fazem os levantamentos onde possam existir conflitos ou dificuldades laborais para aí mobilizarem os trabalhadores para as manifestações de rua.

Manuela F. Leite, em concordância com o PCP, queria, se ganha-se a próximas eleições, deixar de avaliar os professores numa clara atitude de caça ao voto, num país onde tudo e toda a gente é cada vez mais avaliada.

Quem parece farinha do mesmo saco, afinal, é PSD e PCP.

«...se os portugueses confiassem nestas forças de ruptura, com certeza o país iria mudar». Depois da ruptura o que se seguiria? Naturalmente que o descalabro social e económico da já depauperada economia dos trabalhadores e do povo português.



Publicado por Zurc às 09:45 de 28.08.09 | link do post | comentar |

A Manuela Bloquista

Quando se esperava uma Manuela Ferreira Leite renovada a líder do PSD surpreendeu-nos, incapaz de se renovar opta pelo desaparecimento, incapaz de ter ideias novas opta por um programa eleitoral em branco, incapaz de rejuvenescer o grupo parlamentar opta pelo afilhado arguido, incapaz de captar novos apoios fica-se com o guru da Marmeleira.

Sabendo que os eleitores desconfiam dela, sem contar com o apoio incondicional do partido e sendo uma política de capacidades limitadas em quem Cavaco nunca confiou para o cargo de ministra das Finanças, resta a Manuela Ferreira Leite encostar a Cavaco Silva e imitar Francisco Louçã.

Manuela Ferreira Leite não tem ideias, vai copiando aqui ou acolá, vai repetindo o que Pacheco Pereira escreve na comunicação social. Sem dimensão para apresentar um projecto político para o país opta por se apresentar como uma candidata a ajudante de campo de Cavaco Silva. Sem ser capaz de propor medidas novas limita-se a denegrir tudo o que se faz. Incapaz de despertar a esperança dos portugueses explora o desalento provocado pela crise económica internacional.

Imitando o Bloco de Esquerda, o PSD apresenta-se ao eleitorado sem um programa para governar, sem novos projectos, sem um discurso para governar. Manuela Ferreira Leite é um vazio e a sua esperança não é governar, desde que se candidatou que apenas quer a maioria absoluta do PS, ajudada pela crise, por Cavaco Silva e pela matilha de assessores de Belém. Tal como o Bloco de Esquerda não se apresenta aos eleitores para governar, tal como Louçã limita-se a “rasgar” e sonha com uma crise política.

Em relação a Louça a líder do PSD tem a vantagem do apoio de Cavaco Silva, sem este apoio cada vez mais evidente Manuela Ferreira Leite nunca seria candidata a primeira-ministra, a sua candidatura só faz sentido porque se chegar ao poder serão os assessores o verdadeiro Cavaco Silva, o governo limitar-se-á a transformar em decreto os recados de Belém.

Em relação a Louçã a líder do PSD tem a falta de inteligência, de jeito e a coerência. Louçã pensa e diz o que pensa, sabe o que quer e diz o que quer, não se rodeia de gente duvidosa. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:02 de 28.08.09 | link do post | comentar |

Dez debates, quanto será o esclarecimento?

Feitas as contas, com o acordo estabelecido entre os três canais de televisão, RTP, SIC e TVI serão mais de dez os debates a levar a cabo ao todo, se os líderes partidários anuírem à proposta. As três televisões propuseram sucessivos frente-a-frente entre os líderes dos cinco partidos com assento na Assembleia da República.

Se todos os partidos se puserem de acordo, como é credível que acabe por acontecer, são, pelo menos, dez as oportunidades de apresentação de ideias e de esclarecimentos à opinião pública sobre as diferentes propostas de programas eleitorais. Será que vamos ficar mais esclarecidos ou mais confusos? Dos, respectivos, lideres dependerão os resultados.
Apesar do alarido que para aí vai por causa dos debates ninguém diz uma palavra sobre os muitos que ficam de fora deste acordo que envolve a, que se pode chamar, de primeira liga da política partidária. A democracia não é perfeita, já sabemos isso, como diria Sócrates (o de Roma inA República”) através do livro escrito pelo seu discípulo Platão “...a pior das democracias será sempre, infinitamente melhor, do que a melhor das ditaduras.”


Publicado por Zé Pessoa às 08:54 de 27.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

É hoje! É hoje!

 

PSD apresenta programa político a 27 de Agosto



Publicado por JL às 00:00 de 27.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Realidade e cenários

A  entrevista concedida por Ferro Rodrigues, no passado fim-de-semana, ao "Expresso" eriçou o histórico Manuel Alegre. Melhor: deve ter eriçado muito mais gente, mas só o deputado-poeta se deu ao trabalho de traduzir em palavras o pensamento dos "camaradas". Em traço grosso, Ferro defendeu que, no caso de o seu partido vencer as eleições legislativas sem maioria absoluta (cenário bastante provável), deve procurar fazer uma coligação com o PCP ou com o Bloco de Esquerda, virando-se para o PSD apenas e só se as duas primeiras tentativas saírem frustradas. Alegre respondeu-lhe com o óbvio: como comunistas e bloquistas já disseram não estar interessados no "negócio", o ex-secretário--geral do PS está a propor a reedição do bloco central.

Como se sabe, Ferro Rodrigues não está sozinho. Figuras gradas da democracia como Jorge Sampaio, Mário Soares e Cavaco Silva já abordaram o tema. A própria Manuela Ferreira Leite, que começou por dizer que só passando ao estado de "doida" (sic) aceitaria trabalhar com Sócrates no Governo, foi amenizando a linguagem, ao ponto de nos confundir. Quer ou não quer? Aceita ou não aceita?

O mais provável é que não queira e não aceite. Por uma simples e prosaica razão: Sócrates e Ferreira Leite odeiam-se cordialmente. O que os separa, na atitude, no pensamento e na forma de agir é muito mais forte do que aquilo que eventualmente os pudesse unir. Eles sabem disso. Eles sabem que um acordo PS/PSD duraria pouco, muito pouco tempo. Eles sabem que as consequências para o país de uma rápida crise pós-eleições seria devastadora. Nem um nem outro estão disponíveis para carregar esse ónus durante o resto das suas vidas.

Deste cenário só há duas saídas. Ou o PS se coliga com o PCP e com o BE, ou Sócrates e Ferreira Leite cedem o passo a quem se consiga entender. A primeira possibilidade é um susto: o país não pode dar-se ao luxo de ter no Governo quem lute ainda hoje pela nacionalização da Banca e de empresas consideradas estratégicas, como a Galp, a EDP ou a PT. Acresce que, no caso do Bloco, o partido deixaria de ter graça e perderia a hipótese de usar diariamente a demagogia. Ou seja: daria um passo em direcção ao abismo.

Resta a segunda possibilidade. O país chega, depois das legislativas, a um impasse que obriga Cavaco Silva a intervir. Sócrates e Ferreira Leite não cedem. PS e PSD procuram novos líderes. É neste quadro que devem ser lidas intervenções como as de Ferro Rodrigues ou do seu apaniguado Paulo Pedroso. É neste quadro que devem ser lidas intervenções e posicionamentos de "barrosistas" como Nuno Morais Sarmento. Paulo Portas assiste a tudo sereno. À espera que lhe caia um naco de poder no colo. [Jornal de Notícias, Paulo Ferreira]



Publicado por JL às 00:02 de 19.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

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