Contra monopólios e abusos: Manifestar, Reagir e Desobediência Civil

Se os cidadãos nada fizerem  ...

Um dia, a Vida será propriedade de uma multinacional

 -- Pimento passa a ser propriedade privada da multinacional suíça Syngenta  (via www.Esquerda.Net)

   O Instituto Europeu de Patentes (IEP) concedeu à gigante suíça, especializada em produtos químicos e sementes, uma patente que abrange a planta convencional e os seus usos “como um produto fresco, produto fresco cortado, ou para processamento, como por exemplo, a conservação em lata”.

“As plantas foram desenvolvidas para produzir pimentos sem sementes e são provenientes de cruzamentos normais, usando a biodiversidade existente. Esta variedade não foi produzida através de engenharia genética (OGM) e como tal é totalmente natural – resultou de séculos de atividade agrícola por um sem número de produtores e não foi 'inventada' por nenhuma empresa”, lembra a Plataforma Transgénicos Fora (link is external), que condena a atribuição da patente do pimento à Syngenta.

A Plataforma acusa ainda o IEP de transgredir a lei europeia, que proíbe a concessão de patentes para processos de cruzamento convencional, e de “servir os seus próprios interesses, uma vez que as receitas deste instituto aumentam com cada patente atribuída”.

Christoph Then, da coligação No Patents on Seeds!, alerta que, “passo a passo, patente a patente, as multinacionais estão a tomar o controlo da nossa alimentação quotidiana” (da nossa saúde, da nossa Vida e do nosso planeta Terra!!).

“Agora a Syngenta pode impedir qualquer pessoa de cultivar e colher este pimento, de o vender ou de o usar em mais cruzamentos. A privatização da nossa alimentação levanta preocupações profundas e pede uma resposta clara e urgente por parte do poder político”, acrescenta.

Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora, refere, por sua vez, que "Portugal tem tudo a perder”.  “Podemos compreender que países como a Suíça ou a Alemanha, onde as multinacionais como a Sygenta e a Bayer (compradora da Monsanto) estão sediadas, defendam o atual apoio incondicional aos interesses da indústria. Mas a agricultura portuguesa vai fazer o quê, quando deixar de poder guardar e cruzar sementes e tiver de pagar direitos de autor por cada pé de tomate, de bróculo ou de pimento? Esperemos que o próximo governo perceba que tem de se envolver neste assunto, e com urgência", remata.

----- (M.S. Alves):

É assim que começa: conseguem leis favoráveis do poder político corrupto.
Depois disso é só obedecer ou transgredir a lei e ser-se condenado.
O poder de monopólio fica consolidado e é só pagar.
A "vaca leiteira" a favor dos acionistas começa a dar leite e eles a mamarem +e+ !!

. Os políticos que autorizam isso são loucos.. Espero que os nossos agricultores continuem a guardar as sementes. Tenho uma pequena horta e guardo as sementes que posso e também faço trocas com outros agricultores.

----- «Não podemos fazer nada»?!!

Ninguém manda tão pouco que não mande nada, e ninguém pode tão pouco que não possa nada. Inversamente, ninguém manda tanto que mande tudo e ninguém pode tanto que possa tudo.

Essa história de Portugal não mandar nada é uma má desculpa para não reagir. Reagir pode-se sempre: é assim, como sempre foi, que quem manda pouco passa a mandar mais. As realidades do poder podem parecer muito fortes, mas não são nada em comparação com a realidade das coisas - e esta não está a favor de quem manda na UE.      ----->>  União, Manifestações e  Desobediência Civil .!!



Publicado por Xa2 às 13:05 de 13.11.16 | link do post | comentar |

Salvar o Clima, o Planeta e a Humanidade

.

Contra a sobre-exploração e uso de combustíveis fósseis (petróleo, gás, carvão, ...)

Manifestação da Cidadania em defesa do Ambiente.



Publicado por Xa2 às 19:30 de 10.11.16 | link do post | comentar |

Cidadã faz frente a 300 neo-nazis.

   Há(ja) sempre quem diga não    
 photo Suecia_zpsnpgffxak.jpg

«Uma cidadã sueca, de origem africana, colocou-se frente a uma marcha de 300 neo-Nazis fardados, na Suécia, numa imagem que está a correr mundo.
    Tess Asplund, de 42 anos, com um punho fechado erguido, a bloquear caminho aos líderes do Movimento de Resistência Nórdico (NRM), esta imagem tornou-se viral na Suécia.
    “Foi um impulso. Eu estava tão irritada… Tive de sair para a rua. Só pensava:

‘Nem pensar, eles não podem marchar aqui'”, contou Asplund,  “Eu estava cheia de adrenalina. ‘Nenhum Nazi vai marchar aqui, não é correto'”, acrescentou ainda durante a entrevista.»


Publicado por Xa2 às 07:52 de 06.05.16 | link do post | comentar |

Nem tudo é o que parece: entender as crises e manifestações no Brasil

           -----  Para entender melhor a crise no Brasil    (A.P.Correia, 17/3/2016, Aventar)

    Se a situação é complexa e divide os brasileiros, ainda o é mais para quem, a partir de Portugal e da nossa imprensa (também enviesada/manipulada), tenta compreendê-la.   Estamos perante uma tentativa de “golpe de estado judicial”, como já li?    Existe uma campanha orquestrada para derrubar Lula (e as suas políticas de redistribuição e apoio aos mais pobres e do controlo público de recursos e empresas estratégicas, como a 'Petrobrás')?   Essa campanha conta com o apoio dos militares, da oligarquia, dos partidos da oposição/'tucana' e da Globo (poderoso império dos media)?    É possível, como também li, que se corram riscos sérios e generalizados de derramamento de sangue nas ruas?    Ou tudo não passa, afinal, de uma manobra desesperada do PT (partido dos trabalhadores, com frágil maioria no 'Planalto') para boicotar uma investigação judicial (sobre corrupção endémica de que a "Lavajato" é o mais recente escândalo)?    Dilma e Lula deram um tiro no pé com a recente nomeação do ex-presidente como ministro?    Quais as consequências desta crise para a democracia brasileira?      As perguntas são muitas e as respostas díspares. ...

        ------       Brasil:   o  povo  na  rua ?        (-J.Mendes, 17/03/2016, Aventar)

Brasil  (-- via Diário de uma Cadeirante Cinefila )      Flutes, iates, limousines e extrema-direita. Eis a face visível da agenda política que procura aproveitar o tiro no pé do governo de Dilma para regressar ao passado de opressão e exploração do povo brasileiro. Os tais que se manifestam pelo fim da democracia.   Que se manifestam contra o direito de se manifestar. Irónico e triste.     

Brasil Usar o poder para evitar que Lula da Silva enfrente a justiça é um grave abuso e custar-lhe-á muito caro.  Mas desenganem-se aqueles que vêm nestas manifestações nada mais do que patriotas a lutar pela democracia. Alguns assumem-no e pedem mesmo o fim da democracia e uma intervenção militar no Brasil. Sim, existe revolta genuína contra a corrupção que esmaga o Brasil. Mas também existe uma agenda política. Uma agenda que não hesitará em reverter o recuo do fosso e do grosso das políticas com que o PT tirou milhões da miséria. Assim vai o Brasil, encurralado entre a corrupção, a ganância e o fascismo.

       ----- (contra políticas social-democratas de)  Lula       (-B.Santos, 16/03/2016, Aventar)

      Nem tudo é o que parece.
     (Muitos dos líderes e activistas/rebeldes e seus movimentos/milícias e revoltas + ) As manifestações “espontâneas” de cidadãos, do Brasil à Ucrânia, de Hong Kong ao Cairo, (da Líbia à Síria, ...) são operações organizadas (e apoiadas) a partir do exterior com o propósito de criar instabilidade e operar mudanças de governo ou regime.

      Na verdade são actos de guerra  (de potências estrangeiras ao serviço de multinacionais) disfarçados de grandes clamores democráticos que, sob pretextos as mais das vezes pouco imaginativos, lançam o caos nas ruas e a desordem nas instituições. (e a queda de economias e Estados, para os saquear ... e 'reconstruir' como submissos protectorados).

      O Brasil está sob ataque há vários anos, pagando o preço da sua política de alianças internacionais, designadamente no contexto dos BRICS (Brasil+Rússia+Índia+China+ÁfricaSul, contra os 'dólares/euros/...', os FMI/BM/OMC/...).   

           ----- ...A 28 de Janeiro de 2011, o jornal The Telegraph, dava conta de que a história das grandes manifestações populares na cidade do Cairo, Egipto, que acabariam por levar à deposição de Mubarak, era um pouco mais complexa do que parecia.  (eram apoiadas pelos EUA/CIA)

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/egypt/8289686/Egypt-protests-Americas-secret-backing-for-rebel-leaders-behind-uprising.html

------ Lula  no  governo  brasileiro     (-R.Namorado, 16/3/2016, OGrandeZoo)

 ¿Por qué Lula formará parte del Gobierno de Dilma? - interrogava-se o politólogo brasileiro Emir Sader, na página virtual do diário espanhol "Público" . É esse curto mas incisivo texto que hoje vou transcrever .

    Después de reflexionar mucho, de sufrir muchas presiones —incluso de la carta abierta de Leonardo Boff– para que aceptara la invitación de Dilma Rousseff sobre su integración en el Gobierno, Lula aceptó y será ministro. La derecha, por su parte, no le ha culpado de querer rehuir de las acusaciones porque ya goza del derecho a responder ante el Supremo Tribunal Federal (STF).
    Para ello, el ex mandatario tiene una respuesta preparada: cercará la acción de los promotores regionales cuyas actuaciones arbitrarias han demostrado que se trata de una persecución política. Esta situación quedó muy clara cuando declaró el día 4 de marzo en el Aeropuerto de Congonhas, en Sao Paulo, así  como la intempestiva solicitud de prisión de otro promotor, que fue rechazada por una jueza.
    Sin embargo, la razón fundamental para que Lula acepte la invitación es la de fortalecer al Gobierno de Dilma Rousseff en este momento de debilidad. Por una parte, por la crisis económica que se alarga y se profundiza, demostrando así que las medidas tomadas por el Ejecutivo no son efectivas, ya que han generado más recesión y más desempleo. Así pues, el Gobierno recuperará el apoyo popular que había perdido.
    Por otra parte, la incapacidad del Gobierno para mejorar los movimientos políticos lo ha llevado a su aislamiento en el Congreso, que hace posible que la alianza entre el Partido del Movimiento Democrático Brasileño y el Partido de la Social Democracia Brasileña obtenga la mayoría suficiente para votar el ‘impeachment’ de la presidenta, aun sin contar con acusaciones fundamentadas. Incluso, quitarle el poder a Dilma Rousseff por parte de algunos sectores parlamentarios.
    Cualquiera que sea el cargo que asuma —jefe de la Casa Civil o secretario de Gobierno—, Lula se encargará de recomponer las articulaciones  gubernamentales, empezando por acercar a los sectores del PMDB al Gobierno y alejarlos del PSDB y de los proyectos golpistas. Asimismo, Lula se valerá de sus contactos para recomponer las relaciones del gobierno con los empresarios, actualmente muy alejados del Gobierno, para retomar el crecimiento económico. De esta forma, Lula adecuará la política económica que siempre ha defendido frente a Dilma.

    El ex mandatario también mediará con el Partido de los Trabajadores, con la izquierda en su conjunto y con los movimientos sociales. Además, pondrá voz al Gobierno en los medios de comunicación y en los discursos públicos.
    Como consecuencia, Lula responderá a las acusaciones del Supremo Tribuna Federal y quedará libre de los promotores regionales. Esto debilitará las investigaciones de la operación Lava Jato, así como las iniciativas para implantar el ‘impeachment’.
    Lula se disputa el apoyo del Gobierno. La oposición teme a que Lula no vuelva a salir del Palacio de Planalto, ya que, seguramente, será candidato a la Presidencia en 2018.



Publicado por Xa2 às 07:55 de 18.03.16 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

"Quem paga" a destruição social e o medo ?

----- Diário de um tempo diferente    (12.11.2015, J. Pacheco Pereira, Abrupto )
  12- Quando é que os jornalistas, que seguem quase unanimemente a linha do "quem paga" como único critério para avaliar o mérito de qualquer medida e repetem à saciedade a mesma pergunta,   se interrogam sobre se essa pergunta deve ser a primeira a ser feita, e se deve ser feita do modo que é feita,    e se não há toda uma carga ideológica (e uma série de simplismos mais que rudimentares) nessa maneira de colocar a questão?
     A resposta é sempre, nós os contribuintes. Portanto, alguém há-de pagar.   Mas será que a pergunta nos diz alguma coisa sobre
quem são os contribuintes que deviam pagar mais e não pagam,
os que fogem aos impostos perante a complacência do estado,
ou os que tem isenções fiscais que podem ser cortadas,
ou as despesas que são feitas e não deviam ser feitas,
ou sobre se há justiça distributiva em quem paga,
ou até, se se justifica que se pague mais.
Não, não nos diz nada.
      É que se for assim, a pergunta "quem paga" quer dizer "isso não se deve fazer", não se devem aumentar salários, pensões, reformas, etc.
     E como a pergunta não é feita noutras circunstâncias, é uma pergunta profundamente viciada
pela miserável ideologia (neoliberal) que circula nos nossos dias e que muita gente interiorizou sem pensar no que está a dizer,    ou porque é hostil a que se "pague" a alguns e nunca faz a pergunta a outros.
    Ora eu conheço mil e um exemplos em que a pergunta "quem paga" tem todo o sentido de se fazer e ninguém a faz.

   13- Será que aqueles que preferem estragar ainda mais Portugal, entregando-o, meses e meses, a um governo de gestão que não pode governar nada, apenas por raiva de poder haver outro,  percebem a dimensão do conflito institucional que vão criar?
    É que se esquecem deste pequeno problema que é o facto do Parlamento não estar em gestão e poder, com certos limites, "governar"?
    E que a seguir vão ter que pedir ao Presidente para exercer uma espécie de veto contínuo a tudo que venha da Assembleia?

   14- Sobre os números catastrofistas que a comunicação social repete sobre o impacto das medidas dos acordos PS-PCP-BE,    não seria bom saber qual a credibilidade de quem está a injectar estes números ou o seu interesse próprio nessas contas, ou seja, não seria exigido que nos dessem as fontes?
    É que alguns são tão evidentemente 'martelados' que não é desculpável que se publiquem sem se saber como se chegou lá e quem fez essas contas.
    Hoje esses números estão no centro do confronto político, não seria de ter toda a prudência?
(Um exemplo:
acabei de ouvir uma descrição do cataclismo financeiro para o estado se a privatização da TAP for travada, mesmo na hipótese de não haver assinatura final, que, ou vem dos putativos compradores ou do anterior governo, ambos interessados nessa visão das coisas.
   Repito:   não seria de verificar a veracidade contratual desses prejuízos, antes de funcionar como porta-voz de uma das partes?       É que, pelos vistos, do modo como as coisas estão, deixou de se verificar nada nos órgãos de comunicação social.)

---- Há 40 anos, um cerco à AR – amanhã, não sabemos      (-J.Lopes, Entre as brumas...)

 Quando vi as imagens das concentrações em frente à Assembleia da República, há dois dias, tive bem presente outras, de 12 de Novembro de 1975. Nos antípodas? Certamente. Mas nada a ver? Gostava de ter a certeza.
    O governo foi rejeitado, a crispação está altíssima, o Presidente da República não tem pressa para desatar os nós e decidiu ouvir nem se sabe quantas entidades e que pessoas (tendo começado por algumas que alinham bem com os seus desejos). Estará talvez a tentar ganhar tempo, sem que se conheça exactamente para quê. Mas nem é muito difícil imaginar.
    A PàF começou ontem uma pós-campanha eleitoral pelo país, registei, e guardo para memória futura próxima, que Paulo Portas pediu, em Setúbal, apoio à "maioria silenciosa" e que houve quem sugerisse que a direita descesse à rua. Serão palavras vãs? Não tenho qualquer certeza.
     Por tudo isto, e por muito mais, era bom que as «esquerdas» estivessem preparadas para o que pode por aí vir, mais depressa do que possamos hoje pensar e, eventualmente, que antecipassem iniciativas. A rua, não só mas também ela, espera pelos partidos que estão num dos lados da barricada e pelos cidadãos que os suportam neste momento de esperança (e não, não é, nem deve ser, a CGTP a liderar o processo).
     P.S. – Para detalhes sobre o cerco de 1975, ver aqui
----- Star Wars radical
«Em "Star Wars" o Imperador e Darth Vader dividiram, durante quatro décadas, o domínio da galáxia. Uma espécie de bipartidarismo espacial, sem rebeldes à vista. Contra os extremos, as forças imperiais sempre utilizaram o seu trunfo mediativo favorito: o medo.
    Mas o lado obscuro da Força ganhou energia com quatro anos de austeridade sem sensibilidade.   O país amedrontou-se ou refugiou-se no estrangeiro. Mas radicalizou-se.   O que se assistiu, no Parlamento, com a queda do Executivo minoritário de Passos Coelho, foi o fim de uma era e a transformação do centro político num enorme buraco negro. Aquele local onde todas as conciliações eram possíveis e que, com a destruição da classe média levada a cabo nestes últimos anos, se tornou tão frágil como porcelana.
     O centro político era a balança do regime. Mas quando o PSD deixou de ser social-democrata e se converteu ao neoliberalismo e o PS derivou para a esquerda para ser a voz do descontentamento, as pontas quebraram. A radicalização política que levou à queda de Passos Coelho é o reflexo da cisão profunda a que assistimos na sociedade. Os "valores" de ontem deixaram de ser válidos e entrámos num novo tempo.
    Demorará muito tempo até que a classe média que deseja o compromisso e a estabilidade renasça das cinzas. E só isso trará novamente a política para o centro. A galáxia portuguesa dividiu-se e, facto curioso, a política ocupou o território do 'economês' 'apolítico' que governou Portugal nos últimos anos. A sociedade saiu do seu pântano letal, mas confortável, e agitou-se. O desaparecido "centro" foi o dano colateral da austeridade.» -- Fernando Sobral


Publicado por Xa2 às 08:32 de 13.11.15 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Mudança na Europa: Solidários com Grécia; Stop à chantagem

Solidários com a Grécia

 

«Em funções há cinco meses, o governo da Grécia tem procurado consensualizar na União Europeia uma renegociação da dívida e um caminho alternativo à austeridade.
Desde o primeiro dia, as instituições europeias e o FMI mantêm total intransigência e desafiam o mandato democrático do povo grego, procurando impor novos cortes nas pensões, entre outras medidas recessivas.   O garrote financeiro agrava a situação económica e social na Grécia e serve de chantagem política contra todos os povos da União.   Vivemos a hora decisiva em que cabe à mobilização impedir a expulsão da Grécia da moeda única.   Só a democracia dos povos da Europa pode evitar a punição de um país inteiro pela recusa de mais austeridade e miséria.»      ... já está disponível em português,... a intervenção de Yanis Varoufakis na última reunião do Eurogrupo. ...para quem queira perceber o que está em causa na Europa.

     Grécia responde nas ruas às ameaças dos credores    ( Manifestação contra a chantagem dos credores - 17 junho 2015

     Para além de membros do Syriza, os protestos contaram com a participação de vários sindicatos e movimentos sociais e também com o partido Gregos Independentes. As palavras de ordem mais ouvidas, segundo a agência ANA-MPA, foram “A dignidade não se vende” e “As nossas vidas não são dos credores”. Mas viam-se também faixas e cartazes em inglês e alemão, pedindo mais democracia para a Europa.

     “Estar aqui hoje significa duas coisas”, disse um dos manifestantes à agência de notícias grega.  “Por um lado, fazemos pressão para o governo não recuar.  O povo irá estar aqui na Praça Syntagma como esteve há cinco anos.  Mas por outro lado, mostramos aos nossos credores que o governo não está sozinho e que tem o apoio do povo”.

    Também presente na manifestação de Atenas, Francisco Louçã descreveu no Facebook o ambiente vivido na Praça Syntagma:   “Havia alegria, gente de todas as idades, deputados junto com multidão de grupos politicos diferentes, e em todos uma sensação forte:   não pode continuar a indefinição, não se deve atrasar mais uma solução. Nos altifalantes, nenhum discurso, mas canções gregas e, no meio delas, o Bella Ciao.   O  economista e fundador do Bloco de Esquerda foi convidado pela presidente do parlamento da Grécia a participar na sessão da Comissão de Auditoria e Verdade da Dívida, onde intervirá esta quinta-feira.

     Em comunicado, o Syriza afirma que as manifestações em Atenas, Salónica e outras cidades deram “uma mensagem de recusa da cultura do medo e da chantagem, mostrando que ninguém pode roubar o direito democrático a um povo de decidir sobre o seu futuro. O apoio da maioria da sociedade grega é a arma mais poderosa nas negociações que o governo leva a cabo”.

  “Eles têm MEDO que o «vírus do Syriza» se espalhe pela Europa”: ..., tac,tic,tac,tic,...

Porta-voz do grupo parlamentar do Syriza diz que as manifestações de solidariedade com a Grécia por toda a Europa assustaram os poderes que dominam a UE.

Manifestação em Lisboa(Abrupto)

Grécia: o “golpe de Estado” que não será televisionado  (-por )

Porque é financeiro, conta com o apoio do presidente da Comissão Europeia, do ministro das Finanças da Alemanha, das agências de notação financeira, dos governos (entre os quais o português), da Oposição interna ao Syriza, e dos jornalistas (com destaque para a imprensa alemã e francesa) comprometidos com o sistema. Mais, aqui (e em comentário; em francês).
        Uma tragédia clássica em perspectiva   (-por Pedro Figueiredo, 365forte, 18/6/2015)
  « Se  Lutas  podes  perder (ou ganhar qq coisa)  se  Não  Lutas  estás  Perdido ! »

 O desfecho de uma possível saída da Grécia da zona euro tem tudo para se tornar uma tragédia clássica tal como Aristóteles a descreveu. E não necessariamente para os gregos, ainda que a situação financeira do país fique por resolver mesmo abandonando a moeda única. Isto porque a ideia de Europa, em consonância com os desígnios de quem a pensou na sua forma original, tinha tudo a ver com a solidariedade entre os povos.   Churchill dizia que em tempo de paz o que deve prevalecer é a boa vontade. No entanto, esta parece estar a ser sacrificada pelo simples facto de um país recusar impor aos seus cidadãos a agonia de um estrangulamento económico que apenas agrava (e compromete seriamente) o desejado (por todas as partes) pagamento das obrigações.

    Ainda ninguém conseguiu avaliar a real dimensão da saída da Grécia do Euro e há opiniões para todos os quadrantes ideológicos. Porque, que se queira quer não, é de ideologia que se trata e não de simples contabilidade orçamental. O Syriza, radical ou moderado, teve o mérito de afrontar o discurso vigente das inevitabilidades que desde 2008 tem sido vendido à opinião pública. O resultado dessas inevitabilidades vem hoje muito bem descrito na primeira página do The Guardian. Brevemente podem fazer o mesmo com Portugal.

É possível que a saída da Grécia seja um caso isolado. Que não haja perigo de contágio ou, mesmo a haver, a boa vontade que parece não haver com os gregos agora, tenha que obrigatoriamente surgir mais tarde com as economias mais débeis da zona euro, com Portugal (de cofres cheios) obviamente na linha da frente das vítimas. O certo é que para a história ficará uma ferida das que deixam marcas num projecto comum (importante), no qual se deixou cair um parceiro por razões meramente contabilísticas. Como no elo mais fraco: “adeus”. Sem que se tenham ouvido vozes suficientes para a defesa de um Estado membro da União (monetária, neste caso).

Para os mais acérrimos defensores da lógica mercantilista é sempre bom lembrar que existem na equação activos intangíveis. Que discurso terá a Eurogrupo depois de permitir a saída da Grécia do Euro? Que solidariedade pode defender sem manchas de ridículo por ter desistido do sexto mais populoso país dos 19 da moeda única? Não será difícil adivinhar quem será o maior prejudicado desta tragédia clássica que se perspectiva. Entre Euro e Grécia, o futuro o dirá.



Publicado por Xa2 às 08:54 de 21.06.15 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Petições, cidadania, democracia directa, lobby, partidos e eleitores

    A participação cívica e política  está em processo de mudança, embora também o alheamento e a abstenção aumentem e sejam cada vez mais visíveis o fanatismo religioso, os comportamentos de arruaceiros, as milícias e fortes organizações criminosas, ... e o securitarismo (público e corporativo, de video-vigilância, de seguranças, de intrusão e burla-furto de dados pessoais, controlo de comunicações, etc).   Os partidos e os 'políticos', os sistemas eleitorais e as instituições da própria democracia, estão sob fortes críticas e/ou afastamento dos cidadãos.

     Neste panorama, crescem as actuações de lobbies pouco transparentes (económico-financeiros mas também as teias/redes de influência e pressão de 'barões'/oligarcas, grupos civis, religiosos, maçonarias, ... e de partidos/movimentos fascistas e paramilitares).    Por outro lado, de forma mais transparente e em 'democracia directa' surgem muitas manifestações, campanhas e petições, iniciadas por simples cidadãos da nossa comunidade, por associações/ movimentos diversos e algumas são até apoiadas e/ou coordenadas (...)internacionalmente, para melhor tentar atingir os seus objectivos, sobre qualquer assunto - seja ele local, nacional ou global.

     As agências de comunicação, os mídia, as redes sociais e a internet potenciam todas estas participações mas também a manipulação e o "massacre" informativo/ deformativo/ enviesado/'spin', obrigando a alguns cuidados e resguardos e limitando/ reduzindo de facto a democracia e os direitos cívicos políticos e sociais. Daqui resulta que, para sobreviverem, os Partidos e as instituições Democráticas terão de melhorar a sua actuação e que os Cidadãos têm de o ser participativos e responsáveis.

   Para comparação (rigidez partidária vs dinamismo/atracção de uma organização cívica) e reflexão, apresento o 'estilo' de organização e actuação da plataforma para petições  Avaaz   :

«... A  Avaaz (voz) é uma comunidade de mobilização online que leva a voz da sociedade civil para a política global. Uma comunidade transnacional que é mais democrática e poderia ser mais eficaz que as Nações Unidas. Uma simples missão democrática: mobilizar pessoas de todos os países para construir uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que a maioria das pessoas querem

    Tecnologia, agilidade e flexibilidade   Antigamente, os grupos de cidadãos e movimentos sociais que atuavam em nível internacional tinham de reunir uma base de apoiantes em cada causa, ano a ano e de país a país, a fim de alcançar uma escala suficiente para fazer a diferença.
   Hoje, graças à tecnologia e à ética cada vez maior de interdependência global, essas restrições não se aplicam mais. Enquanto outros grupos da sociedade civil mundial são formados por redes com nichos de causas específicas e escritórios nacionais, cada um com sua própria equipe, orçamento e estrutura de tomada de decisão, a Avaaz tem uma única equipe de atuação mundial, com a missão de trabalhar com qualquer questão de interesse público. Isso permite a organização de campanhas com uma agilidade, flexibilidade, foco e escala extraordinários.
    A comunidade virtual da Avaaz atua como um megafone para chamar atenção para novas questões; como um catalisador para canalizar as preocupações públicas dispersas em uma única campanha específica e concentrada; como um carro de bombeiros que corre para oferecer uma rápida reação a uma emergência súbita e urgente; ou como uma célula-tronco de ativismo que cresce na forma mais adequada para preencher alguma necessidade urgente.
     As prioridades e a força da Avaaz vêm dos próprios membros
  Todo ano, a Avaaz define as prioridades do movimento por meio de pesquisas entre todos seus membros. As ideias para campanhas são submetidas a pesquisas e testes semanalmente com amostras aleatórias distribuídas a 10.000 membros, e apenas as iniciativas que recebem uma forte reação positiva são implementadas em grande escala. As campanhas que acabam chegando a todos os membros são depois reforçadas, muitas vezes, por centenas de milhares de membros da Avaaz participantes no período de alguns dias ou mesmo horas.
    Uma ética de liderança servidora
   A equipe da Avaaz escreve alertas de e-mail à comunidade de membros da mesma forma que um assessor de presidente ou de primeiro-ministro prepara breves relatórios informativos para o chefe: temos pouco tempo para transmitir as informações vitais de que o leitor precisa para decidir se deseja envolver-se na campanha, e essa decisão é de crucial importância para a campanha.
    Para que esse breve momento de atenção produza frutos, é tarefa da equipe fazer com que os poucos minutos disponíveis, multiplicados por imensas quantidades de indivíduos, possam fazer verdadeiramente a diferença em alguma questão importante. A equipe trabalha com parceiros e especialistas para desenvolver estratégias de campanha que sejam eficazes e definidas pelos membros; sumariza essas estratégias através de alertas de linguagem clara e impactante; e, se o quadro de membros da Avaaz desejar prosseguir com a ideia, assegura que a campanha seja executada, entregando abaixo-assinados e mensagens de membros, organizando campanhas publicitárias financiadas pelos membros ou tomando qualquer outra medida necessária.
     Em outras palavras, a equipe da Avaaz não define sozinha um programa de ação para depois tentar convencer os membros a segui-lo. Na realidade, o processo é mais próximo do oposto disso: a equipe consulta/ouve os membros e sugere ações que possam implementar para influenciar o mundo de um modo geral. Assim, não é à toa que muitas de nossas campanhas bem-sucedidas foram sugestões dos próprios membros da Avaaz. E a liderança é uma parte crucial do serviço prestado pelos membros: é preciso ter visão e habilidade para encontrar e transmitir um modo de construir um mundo melhor.
    Nosso foco é propiciar uma guinada decisiva em momentos de crise e oportunidade
No decorrer de uma questão ou causa, às vezes surge um momento em que é preciso tomar uma decisão, e um protesto público em massa pode subitamente fazer toda a diferença. Mas para chegar a esse ponto são precisos anos de trabalho meticuloso, geralmente nos bastidores, feito por pessoas dedicadas que se concentram inteiramente nisso. Porém, quando o momento chega de facto e a atenção pública passa a incidir sobre nós como a luz do sol, as decisões mais cruciais podem seguir em uma direção ou outra, a depender das percepções que os líderes têm acerca das consequências políticas de cada opção. É nessas breves janelas em momentos de imensas crises e oportunidades que a comunidade da Avaaz muitas vezes deixa sua marca.
    Em qualquer país, em qualquer questão, momentos assim acontecem, talvez, apenas uma ou duas vezes por ano. Por outro lado, como a Avaaz pode funcionar em todos os países e em todas as questões, esses momentos podem aflorar diversas vezes em apenas uma única semana.
    Nosso modelo de financiamento pelos membros mantém nossa independência e obrigação de prestar contas
    Como a Avaaz é inteiramente financiada pelos próprios membros, a prestação de contas democrática está em nosso DNA. Nenhum patrocinador corporativo, nem governos podem insistir que a Avaaz mude suas prioridades para se adequar a algum programa externo; nós simplesmente não aceitamos recursos de governos, nem de empresas.
     Em vez de nos fragmentar, nós crescemos – unidos por valores
   Movimentos, alianças e organizações muitas vezes, com o tempo, se fragmentam em muitos grupos menores – ou então gastam cada vez mais seu tempo tentando manter unidas os grupos rivais. Na Avaaz, reconhecemos que as pessoas de boa vontade muitas vezes discordam em temas específicos; em vez de pressionar por um consenso, cada um de nós simplesmente decide se quer ou não participar de determinada campanha
     Porém, as campanhas de base da Avaaz são um conjunto de valores: a convicção de que somos todos, primordialmente, seres humanos, privilegiados com responsabilidades para com os demais membros, para com as gerações futuras e para com o planeta de um modo geral. As questões com as quais trabalhamos são expressões específicas desses compromissos. Dessa forma, a Avaaz chega sempre a esta conclusão: as pessoas que ingressam na comunidade através de uma campanha sobre uma questão específica permanecem e participam de outras campanhas sobre outras questões. Uma de nossas fontes de grande esperança é a seguinte: nossos sonhos estão em sintonia e, juntos, podemos construir a ponte que une o mundo em que vivemos ao mundo em que todos nós queremos viver.  ... »
 
 
 
 


Publicado por Xa2 às 07:52 de 21.05.15 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Maio '68 : poder .vs. liberdade e democracia

3 de Maio será sempre Paris – de 1968, obviamente

  Foi numa 6ª feira da primeira semana de Maio que o mítico movimento estudantil francês, que arrancara em 22 de Março com a ocupação da Universidade de Nanterre e chegara ao Quartier Latin na véspera, 2 de Maio, tomou maiores proporções. Depois de reuniões várias e de confrontos entre grupos de estudantes rivais, o reitor da Sorbonne ordenou a evacuação desta Universidade pela polícia e seguiram-se horas de verdadeira batalha campal, com barricadas, cocktails Molotov, pedradas, matracas e gases lacrimogéneos. Tudo resultou em dezenas de feridos e mais de 500 prisões e os distúrbios continuaram nos dias que se seguiram.
    Depois, o movimento extravasou para o mundo do trabalho, a nível de operários, de camponeses e do sector terciário, reuniu-se numa gigantesca manifestação em 13 de Maio e esteve na origem de uma longa greve geral incontrolada.
    Foram-se acalmando as hostes, foi dissolvida a Assembleia Nacional em 30 de Maio e realizaram-se eleições legislativas (que os gaulistas ganharam por larga maioria) no mês de Junho. Mas nada ficaria na mesma e não só em França.          A recordar:
   A célebre intervenção de Daniel Cohn-Bendit no pátio da Sorbonne e a evacuação pela polícia:

 Duas canções da época, pela emblemática Dominique Grange:
 .

.    Paris, 6 de Maio de 1968   
.
     Nessa segunda-feira, 6 de Maio, começou a semana das barricadas. A partir das 15:00 horas, registaram-se muitos e graves confrontos entre estudantes e polícia. Um bom resumo neste vídeo:
    Na véspera, 5 de Maio, Cohn-Bendit, fizera a seguinte declaração:
«Nous disons que l'État est partie prenante de l'antagonisme de classe, que l'État représente une classe. La bourgeoisie cherche à préserver une partie des étudiants, futurs cadres de la société. Le pouvoir possède la radio et la télévision, et un parlement à sa main. Nous allons nous expliquer directement dans la rue, nous allons pratiquer une politique de démocratie directe
 ...  Este movimento/ luta (principalmente de jovens universitários) espalhou-se depois por vários países, incluindo Portugal (em/ apesar da ditadura), e tornou-se referência política pela liberdade e democracia.


Publicado por Xa2 às 15:31 de 10.05.15 | link do post | comentar |

Antes ... e agora.. Vamos continuar passivos ?!

Antes de 25/4/1974, Portugal era um país sem esperança e sem futuro.

O  25 de Abril devolveu-nos a dignidade e a liberdade.

Nos últimos anos, a política de direita neoliberal, quer-nos roubar a esperança, a dignidade, o trabalho, a liberdade, os direitos sociais e a cidadania activa.  

Vamos deixar ?  NÃO !.    Temos de nos  Unir  e  Lutar .

25abrilnet

                   Associação 25 de Abril,  mensagem da Direcção em Abril 2015:

   Já passaram 41 anos sobre o dia em que o MFA libertou os portugueses de uma ditadura de mais de 47 anos, abriu as portas à Liberdade, à Democracia, à Paz, à Justiça Social.    Durante estes 41 anos, os portugueses puderam decidir dos seus destinos, através de eleições livres, escolhendo os seus representantes nos diversos órgãos do poder. Muitos avanços se conseguiram, a sociedade evoluiu para melhor, mas, é uma constatação que não podemos ignorar, de há alguns anos a esta parte, o retrocesso vem sendo uma realidade e as conquistas alcançadas vêm sendo destruídas, como se quem exerce o poder esteja possuído de um desejo de vingança, para com os que protagonizaram a madrugada libertadora. Assumindo-se, pelo menos aparentemente, como herdeiros dos vencidos em 25 de Abril de 1974.
      Resultado, hoje estamos envolvidos por um pântano de indignidade, com servidores subservientes de interesses alheios aos portugueses ao leme do poder. Como afirmámos há quatro anos, a crise de valores que vivemos é bem mais grave que a crise financeira em que nos lançaram. A respeitabilidade e a dignidade do País têm sido postas em causa por dirigentes sem idoneidade para o exercício das funções que têm desempenhado e continuam a desempenhar.
     Só não assistimos ainda a acções de ruptura violenta porque, apesar de todos os maus tratos de que têm sido alvo, com destruição da condição militar, os soldados de Portugal têm posto acima de tudo o seu sentimento de dever patriótico, cumprindo todas as missões de que são investidos e garantindo a defesa do Estado Democrático e de Direito. Acreditamos que o seu sentimento de dever cívico continue a sobrepor-se a todos os sentimentosde revolta. Neste sentido, teremos de ser capazes de fazer uma ruptura com as políticas que levaram Portugal à situação a que chegou.
     Temos de continuar a sonhar, mesmo que nos pareça utópico, com o regresso dos valores de Abril à nossa Pátria. A indignidade atingiu limites insuportáveis, daí que um dos objectivos fundamentais dos próximos tempos é o de recuperarmos a Dignidade perdida. Temos de consegui-lo! O pão, a habitação, o trabalho, a saúde, a educação e a segurança social têm de voltar a ser direitos efectivos de todos os portugueses.Temos de conseguir que cada português possa ter o direito de tornar real a utopia de viver no seu Pais, em condições de dignidade. Para isso, temos de ser capazes de derrotar a ideologia dos mercados, do individualismo e do egoísmo. Só o faremos se conseguirmos resgatar a cidadania, se encontrarmos novas formas de expressão e mobilização.
     Os cidadãos têm de ser intervenientes nas decisões que lhes dizem respeito, sejam as individuais,sejam as de sentido colectivo. Por mais difícil e utópico que nos pareça, temos de conseguir praticar uma democracia de corpo inteiro, uma democracia que viva connosco e não seja apenas uma visita que nos venha bater à porta, de tempos a tempos, para nos pedir um voto.
     Temos de acabar com a corrupção, com o não cumprimento dos mais elementares deveres por parte dos dirigentes, com a desbragada destruição do parelho de Estado, com a despudorada transferência de tudo o que é público para o sector privado. Temos de ser capazes de recuperar um verdadeiro Estado Social, devidamente adaptado aos novos tempos que vivemos. Temos, enfim, de ser capazes de dar resposta aos anseios de uma enorme maioria de cidadãos que se não revê nos actuais partidos políticos e, ainda menos, nos dirigentes que nos desgovernam.
      Para isso, temos de conseguir mobilizar as vontades das mulheres e dos homens sérios de Portugal e recuperar os valores que nos fizeram sonhar há 41 anos. Não o poderemos conseguir se funcionarmos de forma isolada, por isso temos de congregar esforços com os povos europeus que enfrentam problemas semelhantes e, em conjunto, recuperar o projecto solidário, fraterno e justo que nos levou à integração na Comunidade Europeia.
     Caros amigos e compatriotas. Nós não desistimos e acreditamos que, com a mobilização de todos os democratas, conseguiremos recuperar os valores de Abril, para a nossa sociedade. É essa a nossa convicção, é essa a nossa esperança, é esse o nosso desafio, é esse o nosso compromisso!   Viva Portugal !  Viva o 25 de Abril !
 
    PASSARAM  41  ANOS       (-por Eduardo Pitta )
       Em Abril de 1974, vivendo sob ditadura, Portugal estava em guerra, com mais de duzentos mil homens deslocados em Angola, na Guiné e em Moçambique. Havia fome. A emigração era maçica. A PIDE/DGS fazia o que queria. As prisões abarrotavam de presos políticos. Mais de um milhão de portugueses tinha as suas vidas esmiuçadas em fichas que estão hoje arquivadas na Torre do Tombo e no Centro de Documentação 25 de Abril. O Governo de Caetano punha e dispunha nos Tribunais Plenários. Eram proibidos os partidos políticos. Soares e Cunhal viviam no exílio. A homossexualidade era crime. Notícias, livros, canções, peças de teatro, filmes, conferências, programas de rádio e televisão, etc., eram sujeitos ao crivo da censura prévia. Apenas 40% do território nacional dispunha de electricidade (idem para água canalizada, esgoto/saneamento, ...). O Banco de Portugal tinha os cofres cheios. Thomaz (P.R.) era uma figura de retórica.
     Em Abril de 2015, o BdP continua a ter os cofres cheios (? de ...?). Porém, a fome e a emigração persistem. O desemprego é uma mancha que alastra. Cavaco é uma figura de retórica. O grande mistério: quatro quintos da população (número que inclui muita gente de Esquerda) continua a pensar e a agir e a deseducar os filhos como fazia em 24 de Abril de 1974.  É triste.
 [*Imagem:  foto de Thomas Meyer, do mural com cap. Salgueiro Maia pintado na Av. Berna, Lisboa. Clique.]


Publicado por Xa2 às 07:47 de 24.04.15 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

"Terrorismo" : governos cortam direitos, liberdades e críticos

Crime, dizem eles       (-por Carla Romualdo, 20/2/2015, Aventar)

     Esteve recentemente em discussão no parlamento espanhol uma reforma penal que inclui a introdução da pena perpétua, ainda que sob a forma de pena de 25 ou 35 anos a ser revista no seu termo, e com a possibilidade de ser ampliada (!!). A medida, engendrada pelo PP e aprovada pelo PSOE (ah 'big brother'!), é pouco coerente com o terceiro lugar que Espanha ocupa entre os países da UE com mais baixa criminalidade, mas a reforma penal foi apresentada no contexto da luta contra o terrorismo, tema sempre sensível na sociedade espanhola, e ainda mais com a ameaça do jihadismo no horizonte.

     Se a bandeira desta reforma penal é a possibilidade de castigar com pena perpétua os responsáveis por actos terroristas que originem a morte de cidadãos, “la chicha” – o miolo – está escondida, como lhe compete. Na prática, sob a capa da protecção face ao terrorismo, PP e PSOE uniram-se para aprovar uma lei que estenderá a definição de terrorismo a actos que até agora não eram mais do que  contestação social,  desobediência  civil  e  boicote. A nova legislação passa a definir como delito terrorista “as desordens públicas caso com elas se pretenda “obrigar os poderes públicos a realizar um acto ou a abster-se de fazê-lo”.

     Em concreto, e para dar apenas um exemplo, isto quer dizer que as múltiplas acções populares que têm acontecido um pouco por toda a Espanha a fim de boicotar o despejo, por parte das autoridades, de cidadãos que não conseguiram continuar a pagar as hipotecas das suas casas passam a poder ser enquadradas na categoria de terrorismo. Geram “desordem pública” e obrigam os poderes públicos a “abster-se de realizar um acto”, o despejo. Logo, constituem actos terroristas.

     Quando vejo que o  governo  português pretende apresentar propostas de lei com vista ao combate ao terrorismo, e que entre essas propostas estará a criação de novos tipos de crimes de terrorismo, nomeadamente o acto de aceder a sites, ou a apologia pública do crime de terrorismo, fico com a pulga inevitavelmente aos saltos atrás da orelha.     Qual será a definição de terrorismo a que o legislador se aterá?     Que “manifestações de terrorismo” serão tidas em conta para efeitos de criminalização?    Como poderá o cidadão saber que o site a que acede é um dos que integram o índex de sites proibidos (já agora, haverá índex? e nova "inquisição/ santo ofício"?!  ou passamos a ser "A Quinta"  de Orwell 1984 ?!!)

    E como irá o governo compaginar esta proibição da simples consulta de um site com um dos direitos fundamentais dos cidadãos portugueses, a liberdade de expressão e informação consagrada na Constituição da R.P. (artigo 37), que diz que todos têm “o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações”?

     A leitura jamais implicou concordância, tão só interesse, curiosidade, e não será de espantar que cidadãos interessados manifestem vontade de conhecer  a ameaça que sobre eles poderá pairar. Não acredito que os legisladores precisem que se lhes explique o que é tão óbvio, e é por isso que me permito desconfiar de que sob o pretexto da luta contra o terrorismo havemos de perder direitos e liberdades mais depressa do que esperávamos. Daí até que os bombeiros nos entrem em casa com lança-chamas atrás dos livros proibidos ainda falta muito? Suspeito que já faltou mais.

     Ilustração: “Ray Bradbury’s Fahrenheit 451: The Authorized Adaptation”, de Tim Hamilton

----- Cá para mim isto é censura   (-por josé simões,19/2/2015, derTerrorist

manual guerrilheiro urbano.jpg Nos idos de 1984 uma das acusações contra um alegado membro das FP 25 era a de ter em casa o Manual do Guerrilheiro Urbano de Marighella, igualzinho ao meu, o que está na foto que ilustra o post.  Em Portugal, antes do 25 de Abril de 1974, os jornais estavam todos no Bairro Alto pela proximidade com o Exame Prévio, a censura.

   Antes da queda do Muro de Berlim o pessoal da RDA que morava junto à fronteira com a RFA safava-se a ver televisão, assim como os checoslovacos, os húngaros e os jugoslavos, estes pela proximidade com a Áustria. O camarada Hugo Chavéz proibiu os Simpsons antes de encerrar estações de televisão e jornais críticos do "socialismo bolivariano do século XXI", enquanto em Cuba os blogues da oposição são escritos a partir do exterior e as rádios com emissão em Miami são captadas com "batata frita" de interferência.  

   Dos desgraçados da Coreia do Norte nem vale a pena falar e  o nosso  (europeu neo-nazi governo húngaro de Órban Viktor e o nosso NATO)  islamofascista na Turquia vai prendendo jornalistas, cartoonistas, humoristas, e fechando jornais, enquanto na Rússia os jornalistas críticos de Putin quando acordam estão mortos com um tiro na nuca. E podíamos continuar pelo "great firewall" da (nova imperial) China, para já não falar de queimas de livros e outras coisas que tais em passados recentes. Tudo com o mesmo argumento:  a  ordem  pública,  a  segurança,  das  pessoas  e  do  Estado.

«Terrorismo: os novos crimes aprovados pelo Governo  [...] aceder a sítios na Internet que incitem a este fenómeno vão passar a ser considerados crimes no âmbito de um conjunto de medidas aprovadas esta quinta-feira.»    Cá para «der Terrorist» isto é  ...



Publicado por Xa2 às 07:49 de 21.02.15 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Descontentamento e movimentos de nazis-fascistas latentes
Sobre o movimento PEGIDA - "Patriotas europeus contra a islamização do ocidente" na Alemanha é recente, mas não assim tão surpreendente, como Sascha Lobo explica no artigo que  Lutz Bruckelmann traduz.

Anda tudo muito distraído ou o facto dos alvos serem muçulmanos explica o silêncio ? (antes foram os judeus, ciganos, anarquistas e comunistas, ... e quando os ALVOS forem os vossos/nossos vizinhos e familiares? vão reagir? esconder a cabeça na areia? fugir?).

      Nada ver, nada ouvir, dizer muito     - Uma crónica de Sascha Lobo (*Der Spiegel, 18.12.2014)

No Facebook, PEGIDA tem dezenas de milhares de seguidores. São eles todos estúpidos? Certamente não. Mas isso mesmo é parte do problema.PEGIDA é por enquanto um dos poucos fenómenos políticos na Alemanha que funciona online e offline. Na altura da "Nona caminhada da noite" em Dresden, em 15 de dezembro, com cerca de 15.000 participantes, a sua página do Facebook teve mais de 50.000 fãs, ela cresce atualmente em cerca de 10.000 seguidores por dia e tem taxas de interação surpreendentemente altas.
     Com as redes sociais surgiu uma nova perspetiva de observação. É possível acompanhar conversas, comentários, opiniões, cujos ecos anteriormente se perderem nas cantinas, nas mesas de café e nos corredores. Embora quase 30 milhões de pessoas estão entretanto ativos no Facebook na Alemanha, é claro que disto não resulta automaticamente uma imagem representativa. Mas podem identificar-se padrões de pensamento recorrentes. Isso também é necessário porque a política e os meios de comunicação estão atravessados por uma imagem distorcida do PEGIDA.
     Ralf Jäger (SPD), Ministro do Interior que consistentemente fala de forma confusa, por exemplo, rotulou os organizadores "Nazis bem-vestidos"["Neonazis in Nadelstreifen" N.T.: Nadelstreifen é sinónimo de um fato de qualidade de topo]. O chefe do PEGIDA, o chefe de cozinha de formação Lutz Bachmann, fugiu da prisão para a África do Sul, cumpriu dois anos de prisão por roubo e está atualmente em liberdade condicional por um delito de drogas. Menos "Nadelstreifen" não é possível. Mas porque a aliteração absurda soa tão escorreita como um título de best-seller, a tirada "neo-nazis em riscas" até fez uma carreira internacional. O "Guardian" traduziu isso numa condensação ainda mais errada como "pinstriped nazis".
     A treta mesclada do "Ocidente" com um primário racista
     "O povo é, infelizmente, muitas vezes estúpido", escreveu Franz Josef Wagner no órgão central da estupidez popular [o tabloide "Bild"]. Um tenor similar - todos idiotas - há também no Twitter, o órgão central do despeito popular. Seria conveniente se os manifestantes e fãs do PEGIDA fossem todos estúpidos. Infelizmente, não é tão simples.
     Porque para além dos - à primeira vista - estúpidos, enormemente estúpidos e galacticamente estúpidos fãs do PEGIDA existem não poucos que parecem vir, intelectualmente, do centro da sociedade. Que, a avaliar pela ortografia, pela gramática e pelo tom dos seus comentários no Facebook não são primariamente estúpidos. E quem já tenha lido uma vez os comentários sob um artigo online da "Bild" sobre Israel, tem de reconhecer que, infelizmente, a maioria dos comentários PEGIDA (salvo algumas falhas) se apresentam quase como civilizados.
     Superficialmente. Pois trata-se de ressentimentos civilizados. Muitos comentários no Facebook usam um código de linguagem em que "islamização" não refere uma religião, mas é sinónimo para árabes e turcos, e mesmo para estrangeiros em geral. Sob "islamização" essas pessoas entendem o adolescente de cabelos pretos que identificam a distância duma centena de metros como "islâmico", baseado na sua aparência. Isso revela uma fundação racista do movimento, e é a explicação para a treta mesclada do "Ocidente", que já está misturada no nome. Este também é um código, ou seja, a demarcação do "Oriente", ou seja, novamente turcos e árabes, independentemente de qualquer eventual religião.
      Um novo tipo de cidadão sobe ao palco:  o nazi  latente
      O sucesso de PEGIDA baseia-se em enviar sinais xenófobos, sem que o seu emissor ou recipiente tenham de admitir isso perante si próprios. Os códigos de identificação funcionam mesmo de forma tão inequívocos que se pode dispensar-se do constante distanciamento postiço, "Nós não somos nazis", "Não temos nada contra os estrangeiros", "Estamos a favor do direito de asilo". Estas frases já nem sequer necessitam o anteriormente típico "mas" a seguir. A gente já assim se entende.
     O jornalista da "taz"- Philip Meinhold twitou: "Os nazis estragaram a reputação dos nazis de tal maneira, que hoje nem nazis querem ser nazis." Isso é engraçado, mas incompleto. Antes chega com o PEGIDA um novo tipo de cidadão político ao palco - a pessoa de extrema direita inconsciente ou o nazi latente.
     Isto é, pessoas que defendem posições da extrema direita sem o saber ou sem querer saber que são da extrema direita. E cujo pressentimento de que as suas atitudes podem ser problemáticas, precisamente não os leva a reconsiderar a sua posição, mas a distanciar-se antecipadamente por mera afirmação. Sem tirar das suas próprias palavras o mínimo de consequências. Declara-se que se está a favor do direito de asilo, mas condena-se ao mesmo tempo os "Asylanten", [os requerentes de asilo]. Exatamente esta supressão da realidade é um motivo para a maior preocupação, por trás dela está um problema de proporções chocantes.
     Não tirar do seu próprio blabla nenhumas consequências
Pois não é a estupidez a característica mais marcante dos adeptos do PEGIDA, mas a sua mundivisão hermética e a acompanhante dissociação de qualquer causalidade. E, perturbantemente, tendem para esta dissociação até pessoas que não são estúpidas a tempo inteiro, por exemplo está este modelo conceitual também largamente presente no antigo partido dos professores [universitários] AfD, chegando até a sua direção. E muito além. Essas pessoas não querem que a sua verdade sentida seja estragada por factos irritantes. Portanto, é lógico que os protestos contra a islamização são realizadas em Dresden, onde existe uma percentagem de muçulmanos tão pequena que quase já não mensurável.
     PEGIDA é um sintoma da sociedade alemã, e uma vista para dentro das mentes dos protagonistas na Internet ajuda a classificar o sintoma. O ministro da Justiça Heiko Maas tem cem por cento razão ao dizer que PEGIDA é uma "vergonha para a Alemanha". No entanto, não é uma vergonha surpreendente. Com PEGIDA brota uma semente que foi semeada na Alemanha por muitas décadas, também na Alemanha Ocidental. Porque precisamente no que respeita a xenofobia, a dissociação da sua própria atitude, declarada em alta voz, dos atos dela decorrentes é padrão.
     O blabla político que a Alemanha é um "país cosmopolita e hospitaleiro", derramou de centenas de bocas para milhares de microfones, enquanto ao mesmo tempo, também por decisões políticas de governos alemães, nas fronteiras trancadas da Europa se destroçaram ou afogaram milhares de pessoas. Fantochadas políticas como a "portagem para estrangeiros" ou o quotidiano tratamento absurdo e desumano de refugiados são a prova constante de que aqui funciona o mesmo mecanismo como no PEGIDA, mesmo sem ser estúpido ou inculto ou nazi: não tirar consequências do próprio blabla. Nós instalamo-nos numa sociedade de negação da realidade e do ressentimento (de décadas e transversal a toda a sociedade), e PEGIDA é a consequência pouco apetitosa disto.
  *   http://www.spiegel.de/netzwelt/web/sascha-lobo-ueber-pegida-der-latenznazi-a-1008971.html 

Hitler-Nuremburg.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por outro lado, a realidade económico-social (especialmente agravada pelo desemprego e crise criada por políticas neoliberais e pela financeirização, especulação e exploração global), os ataques terroristas de extremistas islâmicos (europeus, árabes, africanos,...), e imagens de manifestações  no RU, Holanda, França, ... de muçulmanos fanáticos a defender a sharia ('lei religiosa' bárbara), a exigir tratamento diferenciado adequado à sharia, a atacar a liberdade e direitos humanos, a ocupar significativamente diversos bairros e cidades europeias, ... alarmam muitos cidadãos e governos, e levam ao apoio de medidas securitárias (condicionando a liberdade e direitos de cidadania) e de líderes e movimentos anti-islâmicos, xenófobos e de extrema-direita.



Publicado por Xa2 às 07:50 de 02.01.15 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Luta social e político-económica na U.E. e global

Luta social em crescendo na Europa   (-Francisco, 5dias, 12/12/2014)

     Após uma aparente acalmia, a luta social parece estar a reacender-se por essa Europa fora…

Esta semana ocorreu a maior e mais combativa manifestação da “era austeritária” na Irlanda, que incluiu cerco ao parlamento.   Na Bélgica, com outros pretextos mas pelas mesmas razões, ocorreram também grandes protestos e uma greve geral.   No Reino Unido têm acontecido várias manifestações estudantis e não só.   Em Itália hoje é dia de greve geral e nos últimos tempos a contestação tem subido de tom.    As ruas da Grécia voltaram-se a encher e forçaram o governo a recuar.

     Essa mesma Grécia vive uma importante crise política, é possível que ocorram eleições legislativas no início de 2015. Existe a forte possibilidade do Syriza ganhar essas eleições. Também em Espanha vai haver eleições, o PODEMOS está muito bem posicionado. Mesmo que não vença as eleições a mossa causada será de tal ordem que irá forçar o PSOE e o PP a governarem juntos pela primeira vez na História (depois disso é mais que provável que o PODEMOS chegue mesmo lá, é exactamente o que se está a passar na Grécia).    O Reino Unido é outro dos estados europeus que terá eleições. O Labour cometeu suicídio na Escócia e irá perder todos os deputados dessa nação (cerca de 40), o UKIP lançou uma “OPA agressiva” aos Tories. O resultado eleitoral é imprevisível. Pode haver um Governo Labour+Nacionalistas Escocêses+Nacionalistas Galêses (ambos estes partidos são mais à esquerda que o próprio Labour), pode haver um governo Tories+UKIP, pode até surgir um gabinete Labor+Tories. O que não irá acontecer de certeza é um rotativismo limpo entre Tories e Labor que foi a norma desde o final da II Guerra.

O “centro” está em colapso por toda a Europa, mas não há vazios em política. Se não surgirem alternativas democráticas e progressivas, outras forças tenebrosas tomarão a dianteira (como já acontece na França e não só).

União Europeia

A estratégia a adoptar face a “esta união da tanga” é das questões mais relevantes do nosso tempo. THE POLITICAL STATE OF THE UNION   é um artigo que nos fornece um excelente ponto de partida. É feita uma análise da evolução da UE, desde a sua fundação até à actualidade, focada em três pontos: posição da UE no mundo; as relações entre os estados da UE; as relações entre a UE e os cidadãos.   Em traços gerais a conclusão é que as propostas de reforma num sentido popular e progressista da UE são um beco sem saída.   Em última análise a democracia e a justiça social são incompatíveis com a “construção Europeia” (neoliberal). Eu poria a questão nestes termos, a UE é um inimigo estratégico. Pode e deve haver flexibilidade táctica nesta matéria. Mas do ponto de vista estratégico o objectivo é eliminar a UE e no seu lugar construir uma outra união entre povos livres e soberanos (Lições para Portugal, a discussão à volta do Euro e da UE, ver no final deste texto).

Partido Socialista

Neither pragmatic adaptation nor misguided accommodation: Modernisation as domination in the Chilean and British Left. Neste artigo datado de 2008 os autores fazem uma análise da postura dos partidos “socialistas” face ao neo-liberalismo. O Labour do Reino Unido e o Partido Socialista no Chile são utilizados como caso de estudo. A tese dos autores é que os partidos socialistas não foram “arrastados pelo contexto”, nem foram agentes que limitados pela sua postura de compromisso foram acomodando de forma algo a contra gosto as políticas neo-liberais. Pelo contrário, os partidos socialistas contribuíram de forma activa e deliberada para o ascenso da hegemonia ideológica do neo-liberalismo. Acrescento que a resposta desses partidos à crise que eclodiu em 2008 apenas reforça essa tese.

Por toda a Europa, mas sobretudo nos PIIGS, o social-liberalismo confronta-se com um dilema existencial. Por um lado pode lutar para garantir a sua sobrevivência política, o que implica opor o mínimo de resistência ao grande capital e suas instituições. Por outro lado pode cair sobre a própria espada e sacrificar as suas organizações e estrutura no altar dos “deuses” do regime e dos grandes negócios. Até agora a escolha tem sido sempre a mesma, os social-liberais preferem cair sobre a própria espada do que esboçar o mínimo de oposição consequente aos “mercados” e grande finança.(aqui)

    Isto aconteceu na Grécia, está a acontecer na Espanha, no Reino Unido e na França (só para dar os exemplos mais evidentes). Não vejo razão nenhuma para achar que em Portugal será diferente. Se a história provar que esta tese está errada, ou tem uma excepção em Portugal, assumirei o erro. Espero que aqueles que acalentam esperanças numa “viragem à esquerda” do PS  também revejam a sua posição se a história demonstrar que Portugal não é excepção à regra…

Protesto Social

 Resistance is futile? The impact of disruptive protest in the ‘silver age of permanent austerity’. Desde os anos 80 do século XX está em marcha uma contra revolução conservadora-neoliberal. Neste artigo os autores fazem uma avaliação de vários métodos utilizados para travar essa contra-revolução. A tese defendida é que formas de protesto disruptivas e de confronto com as elites são mais eficazes do que negociações, “diálogos” e outras formas de acção enquadradas nas instituições vigentes. Isso torna-se ainda mais verdade em tempos de crise social e económica, onde as tentativas de “amansar” as contra-reformas pelo “diálogo” são ainda mais inócuas. Para demonstrar isto é empregue um modelo quantitativo que mede o impacto de diferentes formas de combate à desagregação do “estado social”. Aliás, basta conhecer um bocado de história e ir tentando fazer uma análise objectiva à realidade que nos rodeia para chegar à mesma conclusão (e.g. ver aqui).

    Ao contrário do que muitos fariseus ao serviço do capital (financeiro-especulativo) nos dizem, o protesto social é das mais eficazes formas de produzir medidas redistributivas em favor da maioria e bloquear o avanço do saque neoliberal.   Regra geral, formas de protesto mais disruptivas, inesperadas e imprevisíveis produzem maiores efeitos do que formas mais dóceis e clássicas de protesto/negociação.   Acrescento que ao contrário do que algum senso comum advoga, formas mais radicais de luta não são incompatíveis com grandes protestos de massas, sendo muitas vezes até necessárias para que tal aconteça.   Um dos mais importantes factores de sucesso num protesto é a esperança e percepção de que uma vitória pode ser obtida. Nada é mais mobilizador do que uma vitória e há poucas coisas mais desmoralizadoras do que uma derrota. Para obter vitórias, muitas vezes é necessário empregar métodos rotulados como “radicais/violentos”.

Tudo isto tem uma aplicação muito imediata no que diz respeito à luta contra a privatização da TAP e da greve entretanto anunciada.

Guerra e Paz

 Boaventura: a Terceira Guerra é contra a Rússia. A questão da PAZ e as movimentações anti-guerra tiveram o seu último auge nos dias que antecederam a invasão do Iraque em 2003. De então para cá, outras lutas e preocupações têm tido mais destaque. De facto, a curto prazo, não me parece que este seja o maior desafio com que o movimento popular se confronta. Mas, a médio prazo pode rapidamente se transformar numa questão central.

    Nos últimos tempos temos assistido a um acentuar de tensões entre grandes potências, desde o mar da china até à Ucrânia, passando pelo médio oriente. A União Europeia e a NATO estão num confronto em escalada com a Rússia (a guerra de sanções é um exemplo disso e prejudica gravemente a recuperação económica).   O prolongar da crise irá aumentar as probabilidades de um conflito de alta intensidade (a grande depressão dos anos 30 do século XX só terminou com o eclodir da II Guerra mundial…).   Não esquecer que Portugal é país membro da NATO e tem aviões estacionados na Estónia a patrulhar o mar Báltico  quem é que paga?).

     Portugal deve ser um estado neutro, promotor da paz. Não deve ser um anfitrião de cimeiras da guerra, nem um auxiliar menor em dispendiosas políticas agressivas de expansão imperial da NATO+UE. No imediato existem outros temas mais prioritários, mas fica dado o alerta.



Publicado por Xa2 às 19:35 de 15.12.14 | link do post | comentar |

Sindicalismo, desunião e desafios

SINDICALISMO PORTUGUÊS: velhas querelas, grandes desafios!  (-por AB Guedes, 9/7/2014)

O sindicalismo português regressa de vez em quando a velhas querelas que, por tão repetidas, já ninguém liga. Vem isto a propósito dos recentes diálogos nos media entre Arménio Carlos da CGTP e Carlos Silva da UGT, após a concordância desta Central em assinar por baixo as alterações propostas ao Código do Trabalho relativas á contratação coletiva.
Antes de mais nada, eis algumas considerações sobre a UGT. Devo dizer que Carlos Silva está a ser uma desilusão! Dirão alguns que apenas se desilude quem tem ilusões! De facto este sindicalista apareceu de início com um discurso e um posicionamento sindical relativamente autónomo do João Proença, anterior líder da UGT.
Mais severo relativamente ao governo de Passos/Portas e passando a mensagem de que não assinaria acordos que viessem prejudicar os trabalhadores. O seu discurso relativamente á CGTP era de apaziguamento e de procura de entendimentos. Porém, após a greve geral conjunta, Carlos Silva iniciou um processo que diria estranho com declarações públicas de demarcação relativamente a greves e manifestações levadas a cabo pela central CGTP.
Ultimamente o secretário -geral da UGT entrou no discurso típico dos anteriores lideres fazendo declarações já velhas sobre o partidarismo daquela Central, nomeadamente quanto á influência do PCP na CGTP. Para Carlos Silva e em contraponto com esta Central, as manifestações e greves não conduzem a nada e o importante é negociar, como justificando as recentes negociações e acordos sobre a contratação.
Ora, quais são os objetivos de Carlos Silva? O que está verdadeiramente por baixo deste discurso? Que razões levaram a esta alteração no discurso e na tática?
      Já o secretário-geral da CGTP (Arménio Carlos) tem optado por não responder á letra ao dirigente da UGT e procura, embora distante, uma atitude de não hostilidade. Claro que passa de quando em quando no discurso do líder da CGTP o remoque á outra Central dando a entender que esta está conivente com o governo e com a Troika. É, aliás, o que internamente se pensa mas não se diz de forma clara, ou se diz de forma velada, para se não azedarem ainda mais as relações.
Algo aconteceu para esta inflexão tática do dirigente da UGT. Todavia, como homem experiente saberá que estas acusações são uma repetição de algo que ouvimos há quarenta anos, embora menos intensamente nos últimos tempos!
Tem sentido sindicalmente opor negociação a manifestações e greves como dois caminhos opostos? Por acaso é possível negociar algo sindicalmente abdicando das armas que restam, nomeadamente a greve? Poderá uma organização sindical ganhar força na mesa das negociações sem utilizar a arma da pressão de rua e de formas de luta como a greve? Por acaso não é legítimo agir nas ruas e nas empresas com os instrumentos consagrados na legislação democrática?
Por fim, as acusações de partidarismo, para além de serem velhas críticas não conduzem a nada pois a própria UGT é fruto do acordo de dois partidos (PS e PSD) e estes não são alheios certamente às posições sindicais destra Central. O próprio Carlos Silva, tal o como o Arménio Carlos, pertencem a órgãos de partidos políticos!
    Assim, por este caminho o sindicalismo português arrisca-se a que aumente o fosso entre a maioria dos trabalhadores e os seus sindicatos e em especial o alheamento da ação sindical nas empresas. Perante o capital globalizado disposto a um verdadeiro retrocesso civilizacional no campo laboral as confederações terão que deixar velhas querelas e não apenas conviver, mas trabalhar em unidade de ação.
Há muito tempo que a UGT escolheu o «mal menor» nas negociações! Perante uma proposta de liquidação de direitos a UGT procura que esse ataque faça a menor mossa possível. Obviamente que dá cobertura política ao pior governo de sempre e às suas políticas! Em contrapartida tem o reconhecimento e favores do poder político!
    A CGTP considera que os governos são os responsáveis de todo o mal que nos acontece e, de fato, o seu discurso, mais escrito do que falado é, por vezes, o decalque de palavras de ordem do PCP! A luta quantitativa sem fim nos mesmos moldes desgasta o próprio núcleo duro da estrutura sindical!
   Há que dar saltos qualitativos apesar de estarmos na defensiva. Esses saltos só poderão ser realizados com alterações no sindicalismo europeu e nacional valorizando o que une e subalternizando as divergências! Será essa capacidade e lucidez que nos poderá salvar!


Publicado por Xa2 às 07:44 de 28.07.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Políticos, cidadãos, ... e os não-participantes / irresponsáveis.

 O problema fundamental da nossa classe política    (-por J.Vasco, 26/10/2011, Esquerda Republicana)

      O problema fundamental da classe política portuguesa são - como não podia deixar de ser numa democracia - os cidadãos portugueses. Somos nós os derradeiros responsáveis pela mediocridade que queiramos apontar à nossa classe política.
      Geralmente, quando ouvia o discurso segundo o qual os nossos políticos seriam piores que os dos outros países, desconfiava.   Imaginava maior corrupção em países subdesenvolvidos, menor em países com maior grau de literacia, supondo que o grau de educação de um povo condicionasse fortemente a sua participação política, e que esta determinasse a qualidade da classe política em contexto democrático.
      Acontece que vários factores além da educação condicionam o grau de participação política, desde as tradições democráticas a muitos outros aspectos de índole cultural.    E é aqui, na participação política, que Portugal se destaca significativamente face a todos os países desenvolvidos, mesmo aqueles mais pobres e menos literados que nós. Veja-se a seguinte tabela, elaborada a partir deste relatório da OCDE (página 197):

      Ou seja, os cidadãos portugueses participam menos na vida pública, na discussão política e democrática, que os cidadãos de outros países. Mas se os detentores de cargos públicos e a classe política em geral é menos escrutinada, é evidente que a sua qualidade tenderá a ser pior. Que a consequência do desinteresse seja usado para justificá-lo é um tremendo absurdo: uma classe política fiável e competente é que justificaria (muito mal, a meu ver) o desinteresse dos cidadãos na forma como as decisões políticas são tomadas. O contrário justifica é um interesse acrescido.
      Aqueles que querem inverter a actual situação através de associações cívicas ou qualquer acção política são encarados tantas vezes com suspeição, aquela suspeição hipócrita de quem se queixa do estado de coisas, fazendo tudo o que tem de fazer para o manter.


Publicado por Xa2 às 07:45 de 02.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Alternativa Urgente : podes ser «a gota d'água» !

Todos os Rios de Abril vão dar ao Carmo ! 

dia 24 Abril  (21H Trib.Constit.; ---> 22:00 no L. Carmo, Lisboa);

dia 25 Abril  às  11:00 no Largo do Carmo, (na hora em que na Assemb.República comemoram ... mas onde Não deixam os «Capitães de Abril» discursar... e manifestar o seu descontentamento)

 

 
                              Da  Ditadura  Perfeita ...
 


Publicado por Xa2 às 07:35 de 23.04.14 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Segredo d'estado, leis pró-ditadura, polícias e mídia contra Liberdade e Justiça

Estado manda funcionária de empresa cometer crime, empresa é punida  (-por R.Alves, 21/2/2014, EsquerdaRepublicana)

  O pide João Luís ordenou ao seu subordinado Nuno Lopes Dias que pedisse à funcionária da Optimus Gisela Teixeira a disponibilização dos registos telefónicos do jornalista Nuno Simas.  Alguém tem dúvidas de que isto é ilegal ?
    «Olhe, senhora da operadora telefónica, diga-me aí com quem anda a falar ao telefone esse senhor jornalista, a que horas e durante quanto tempo, está bem?»   Há algum país em que valha a pena viver em que este género de ordem seja legal? Eu acho que não.
   O Ministério Público, pelo contrário, acha bem. Mais: diz que «não tinham consciência» de estar a cometer um crime. Temos portanto espiões que desconhecem a lei (ignorantes), ou então que fazem de conta que não a conhecem, quando são apanhados (fazem-se de parvos). A escolha da alternativa correcta fica para o leitor.
    Entretanto, a Optimus é condenada a uma multa de 4,5 milhões de euros pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (uma instituição que, ao contrário do Ministério Público, protege a nossa liberdade e a nossa privacidade, e portanto a nossa segurança). (A empresa telefónica) Defende-se dizendo que «ajudou a descobrir o prevaricador». Tem alguma razão, mas esta empresa (e as outras) têm que aprender a não contratar criminosos (perdão, pessoas que não têm consciência de serem criminosos). Chocante, finalmente, que no meio disto tudo não haja demissões de pides, aposentações compulsivas, idealmente um ou dois deles darem com os ossos nas grades, ou então, vá lá, a condenação do SIED a uma multa, no mínimo, de igual valor. As escutas telefónicas são crime para quem executa a ordem mas não para quem a dá?

---xx--- (-já postado em 22/11/2013):

Governo de direita e extrema direita reforça poder da polícia política  (-por R.Alves, Esq.Republicana, 21/11/2013)

   Num país europeu, um governo de direita e extrema direita decidiu reforçar os poderes e privilégios da polícia política.
1- A divulgação dos «segredos do Estado» passa a ser punida com entre três e dez anos de prisão, incluindo especificamente quando a divulgação é feita «com recurso a meios de comunicação social ou a plataformas de índole digital» (i.e. jornais, revistas, e-mail, blog, site, facebook, ...).

2- O âmbito dos «segredos do Estado» amplia-se, e vai de coisas tão precisas como a identidade dos funcionários do Estado que são espiões, até coisas tão vagas como «a preservação do ambiente, a preservação e segurança dos recursos energéticos fundamentais, a preservação do potencial científico e dos recursos económicos e a defesa do património cultural» (nisto vale tudo !! é a discricionariedade e arbitrariedade total !! nas mãos da polícia e/ou dos governantes !!).

3- A classificação do que constitui «segredos do Estado» constitui privilégio do Primeiro Ministro (não do Presidente da República, note-se) e do chefe da polícia política.

4- A capacidade do poder judicial de investigar matéria em «segredo de Estado» fica limitado.

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Maioria parlamentar apresenta projectos de lei sobre regime do segredo de Estado que explicita as matérias abrangidas e agrava as penas para a sua violação

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    À polícia, tudo é permitido .    Há duas semanas, polícias manifestaram-se nas galerias do Parlamento. Ao contrário do que é costume, quem dirigia os trabalhos (presid. da A.R.) não deu ordem para evacuar as galerias. Caso único.

    Hoje, uma manifestação de polícias derrubou a barreira policial frente à Assembleia da República e invadiu as escadarias (mas não tentou entrar no edifício). Ao contrário do que é costume, não apenas a ocupação foi tolerada como não houve violência da parte da polícia de choque (especialmente reforçada).
    O precedente fica aberto. Se aos civis não for permitido o mesmo...

   (e, no meio dos milhares de agentes das várias polícias, guardas, seguranças,...) um cartaz onde se lê:

 "Em 74 foram os militares, agora somos nós".

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Cúmplice de Pedro Passos Coelho vangloria-se das campanhas sujas, do condicionamento de opinião, das mentiras espalhadas pelos media e pelas redes sociais, levadas a cabo por uma “task force” para o efeito criada e que assim, primeiro, ludibriando os militantes do PSD ajudou Coelho a derrotar Paulo Rangel e Aguiar Branco na corrida à presidência do partido e depois,  manipulando os eleitores com os mesmos métodos, ajudou Passos Coelho a derrotar Sócrates.   A história («Ascensão e queda de Passos, v.2.0») desta atividade abjeta que ajudou a fabricar (ou a destruir) um presidente do PSD e um 1ºM de Portugal vem descrita, com orgulho, pelo consultor de comunicação Fernando Moreira de Sám. - artigo na Visão.

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         Estado  capturado (e não democrático) :

... leis feitas por encomenda a gabinetes/sociedades de advogados e com a colaboração de 'peritos/especialistas' que são parte interessada (tal como grande parte dos deputados, até pela sua "não-incompatibilidade" e promiscuidade com o poder económico) ou a soldo de grandes empresas e lóbis (de cartéis e oligarcas super-privilegiados, rentistas e sugadores de dinheiros e bens públicos), ...

... manipulação de cidadãos e (tele)espectadores, de 'fóruns' das rádio, TVs e internet, condicionamento de debates, aumento da influência e poder de agências-gabinetes, consultores de comunicação e 'spin-doctors', compra de publicidade e artigos, 'fugas de informação', campanhas de desinformação e propaganda, 'tachos' e 'boys paraquedistas', nepotismo, ...

... 'pressões'/ameaças, controlo de jornalistas (cada vez mais precários, tb) e empresas de mídia, ...

...  condicionamentos e pressões (até públicas e internacionais!) sobre magistrados, tribunais, investigação policial,  ...enviesamento/manipulação de estudos, inquéritos, estatísticas, indicadores, gráficos e análises, ...

...  agitadores e infiltradores (policiais ou...) nas manifestações pacíficas, video-vigilância por todo o lado, escutas e bases de dados pessoais ilegítimas, abuso de poder e prisão para distribuidores de panfletos ou pintores de murais e grafitis, ... 

- será isto um Estado de direito Democrático, com Justiça, Liberdade, transparência e cidadania participativa ??!!  (e um mínimo de soberania autonomia ?!!).



Publicado por Xa2 às 07:50 de 28.02.14 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Contra o modelo neo-liberal que favorece os ricos, destrói pessoas e países

  Cleptocracia  - governo de/por ladrões (+corruptos e nepotistas)  (-por F.Castro, 21/5/2011)

 
 ... O pessoal continua a dizer que se se baixarem os impostos (às empresas e ao capital) e se desregulamentar os mercados a crise passa, os empresários ganham dinheiro e criam empregos, pagam salários e a economia dispara.  [A teoria neo-liberal da treta do "chuveiro" foi iniciada por Reagan (e Thatcher no RU, depois seguida por Blair, ...), e logo desde aí näo criou mais que bolhas especulativas, crises, privatizações, desregulamentação e crescimento exponencial das desigualdades e problemas sociais.]
    Há 35 anos que eles dizem isto (esta mentira muito propagandeada por 'Chicago boys', universidades, fundações/'thinktanks', agências de rating, grupos de mídia, grandes empresários, políticos de direita, ... troika) e há 35 anos que o poder de compra das famílias vai baixando, enquanto os ricos vão ficando mais ricos.
          Parece-me que a coisa é mais simples:
     a) os ricos compram os políticos;    b) os políticos baixam-lhes os impostos e dizem-nos que não há dinheiro e que temos de apertar o cinto;    c) os ricos empregam-lhes os filhos.

     ---xx---

   A  Bosnia-Herzegovina (B-H) é o exemplo de um Estado "complicado" em que a situação política/ administrativa esconde e 'branqueia' a situação económica/social em degradação e que esta provocou/ agravou os conflitos internos.  Politicamente a B-H compreende: a Federação da B-H, com 10 cantões; + a Rep. Servia da B-H, separada em 2 zonas laterais com vários distritos.

    B-H é uma amostra do que era a ex-Federação da Jugoslávia, que tinha regime 'socialista não-alinhado' em convivência multicultural pacífica, e que,  após a morte do presidente Tito, em nome da «democracia e liberdade económica neo-liberal» foi 'sabotada e invadida' pelos EUA e UE para a trazer para a sua esfera de influência e domínio económico, favorecendo determinadas facções/partidos, caudilhos e governantes fantoches, levando-a à guerra civil, ao retalhar dos Estados/territórios e à rapina das suas empresas estatais e recursos públicos

     Mais que a divisão/diversidade 'étnico-religiosa-linguística', a questão actual da B-H (tal como da ex-Y., ou da Ucránia, ...), a razão fundamental é económico-política sendo que a vertente político-diplomática-militar está ao serviço de grandes bancos privados e empresas multinacionais ('corporations') ligadas ao armamento, reconstrução, minérios, energia, transportes, imobiliário, ... com muitos agentes-antenas e fantoches locais, campeões da (des)informação/propaganda, controlo dos mídia, lobbying e corrupção, intermediários de contratos 'leoninos' , privatizações/saldo e fazedores de legislação 'à medida' de determinados interesses e grupos. 

     Contra estes predadores/ destruidores do país e interesse comum é que estão a levantar-se/manifestar-se cidadãos e grupos mais esclarecidos e ou atingidos: estudantes, jovens, trabalhadores da classe média e baixa, desempregados e reformados empobrecidos.  No meio de tudo isto estão também os partidos locais de esquerda contra direita e neo-nazis, ... com muito populismo, demagogia, 'nacionalismo', radicalismo e pulsões/medidas isoladas ou à mistura.

     ---xx---

 

Insurreição na Bósnia-H., revisitando a "questão nacional" e a discussão em torno da U.E. (-Francisco, 5Dias, 13/2/2014) 

    Recentemente, foi discutida a “questão nacional” e a postura a adoptar face à União Europeia e ao euro (sendo o ponto de partida para a análise o referendo sobre a independência da Escócia que terá lugar em Setembro).



Publicado por Xa2 às 13:00 de 15.02.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Levantar barricadas : Defender o "Estado Social" ... ser Cidadão e não Servo !

É  tempo  de  agir .   É tempo de aumentar a intensidade da nossa acção 

   Para os revolucionários que se preparam para sair da sua conta de facebook e dos blogues e derrubar o poder, isto não interessa nada. Para as restantes pessoas, aqui fica a intervenção final, aprovada por unanimidade, de quem convocou e construiu a manifestação do passado dia 26 de Outubro:

      É tempo de agir. É tempo de aumentar a intensidade da nossa acção.
A apresentação do Orçamento do Estado para 2014 reforça a ideia de que a austeridade tem 2 objectivos:

 empobrecer-nos e desmantelar os serviços públicos que construímos. As mentiras do controlo do défice e da diminuição da dívida externa são artifícios para aumentar o desemprego, a pobreza e a miséria. Não nos querem apenas mais pobres, querem-nos cada vez mais dependentes.
     Os sacrifícios que esmagaram a população do país no último ano e que forçaram à emigração centenas de milhares de pessoas não tiveram qualquer impacto no défice. O deste ano será exactamente igual ao de 2012.  A dívida pública chegou, no final do 1.º trimestre de 2013, aos 131,4% do PIB. Quando a troika entrou em Portugal, essa dívida era de 97%.

     Durante mais de dois anos de troika, o desemprego disparou para os níveis mais altos de sempre e a dívida pública aumentou mais de trinta e quatro pontos percentuais. Esta dívida é impagável (e) A gula dos especuladores não terminará no próximo ano, como nos pretendem fazer crer.
     Passos Coelho anunciou esta semana um novo nome para o memorando/'resgate': Programa Cautelar.

     Derrubar este governo é uma necessidade urgente. A denúncia da acção deste governo não nos deve fazer esquecer que estas mesmas medidas, com diferentes nomes, têm vindo a ser aplicadas por sucessivos governos. Do mesmo modo, também não nos podemos esquecer de que o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, é uma figura central, por um lado, na definição do estado a que o país chegou e, por outro, na aprovação de todos os ataques aos direitos sociais, à soberania, à Constituição.

     Entre Educação para todos e Educação só para alguns, nós escolhemos Educação para todos. Hoje, aqui, afirmamos que erguemos uma barricada para defender a nossa Escola: a Pública.

     Entre Saúde pública e flagelo, nós escolhemos Saúde pública. Hoje, aqui, afirmamos que erguemos uma barricada para defender o Serviço Nacional de Saúde.

     Entre transporte público e gueto, nós escolhemos transporte público. Hoje, aqui, afirmamos que erguemos uma barricada para defender o acesso de todos ao transporte público.

     Entre a manutenção na esfera pública de sectores estratégicos e a sua privatização, nós escolhemos a manutenção da água, energia, transportes, florestas e correios na esfera pública. Hoje, aqui, afirmamos que erguemos uma barricada para lutar contra as privatizações.

     Entre Cultura e ignorância, nós escolhemos Cultura. Hoje, aqui, afirmamos que erguemos uma barricada para defender o acesso de todos à Cultura.

     Entre pensões e salários dignos e miséria permanente, nós escolhemos a Dignidade. Hoje, aqui, afirmamos que erguemos uma barricada não só para lutar contra a precariedade e contra o desemprego, mas, também, para defender os trabalhadores e os pensionistas, que, ano após ano, têm vindo a ser roubados nos seus direitos e rendimentos.

     Entre a Constituição e o memorando, nós escolhemos a Constituição. Hoje, aqui, afirmamos que erguemos uma barricada para defender a Constituição da República Portuguesa em tudo aquilo que este governo a deseja aniquilar.

     Nós ou a troika? Hoje, aqui, afirmamos que escolhemos resistir para existir.

     Que se lixe a troika, não há becos sem saída.

     O ataque a que o nosso povo e todos os povos da Europa estão a ser sujeitos exige uma resistência dura, articulada, solidária, persistente e internacional. O nosso combate é pela democracia e pela liberdade — e é feito ao lado de todos os que as defendam. O nosso combate é pela necessidade de cada povo decidir sobre o seu destino. O nosso combate é contra a guerra entre povos para a qual nos querem conduzir.
    Hoje, sabemos que, pelo país fora, há milhares de pessoas que se manifestam.(e protestam e resistem)
    Hoje, sabemos também que milhares de pessoas pelo mundo fora olham para nós com a esperança de poderem regressar ao país em que querem viver. É por eles, e com eles, que contamos para construir o nosso futuro. Cá e lá, resistimos.
    Hoje levantámos barricadas.
       A saída somos nós.    O povo é quem mais ordena.



Publicado por Xa2 às 19:48 de 29.10.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Estratégia da mentira e erro ... e insiste ... a ver se "cola" e convence

... O.E. 2014 e ...  e  ...-  A  austeridade  não  passa   ( mas ... !?!! )

  Aguentem lá mais um bocadinho, que isto vai ao sítio” ou a estratégia da mentira  (-por R.P.Mamede, Ladrões B)

    O governo está a basear a defesa da proposta do OE para 2014 numa ideia central: a de que, por muito desagradável que seja, vale a pena fazer mais este esforço para que Portugal recupere a sua soberania face aos credores.
    Até agora, a mensagem tem passado com sucesso, não só entre os comentadores do regime (o que não surpreende), mas até entre muita da comunicação social habitualmente mais atenta. Valeria a pena registar cinco ideias:
     1. A proposta de OE aumenta, não diminui, a incerteza para os investidores internacionais. Se ‘tranquilizar os mercados’ fosse efectivamente o objectivo, o governo teria feito tudo o que está ao seu alcance para diminuir os riscos de inconstitucionalidade das medidas determinantes para o cumprimento das metas. 'Bastaria', para tal, manter a Contribuição Extraordinária de Solidariedade nos moldes actuais (assegurando uma receita próxima daquela que conseguirá com a convergência das pensões da CGA), manter parte dos cortes aos funcionários públicos introduzidos em 2011 e mexer no IRS. Ao invés, o governo preferiu acumular medidas que dificilmente poderão ser consideradas constitucionais. Com esta opção, o governo junta austeridade desastrosa a incerteza acrescida.
     2. A proposta de OE aumenta, não diminui, a probabilidade de incumprimento das metas orçamentais. FMI, Banco de Portugal e, agora, Comissão Europeia convergem na ideia de que a redução do défice orçamental tem efeitos recessivos mais acentuados quando é feita pelo lado da despesa do que quando assenta no aumento de receitas. Ou seja, ao fazer incidir a quase totalidade do esforço nos salários da função pública e nas pensões, o governo não só aumenta os riscos de inconstitucionalidade do OE como aumenta os riscos de aprofundamento da recessão – e, logo, de incumprimento das metas orçamentais para 2014.
     3. O governo impõe custos desnecessários para se salvar a si mesmo - e não ao país. Os pontos anteriores permitem perceber que a proposta de OE para 2014 implica custos desnecessários (juros mais elevados, maior desemprego e emigração, maiores riscos de falência das empresas, adiamento dos investimentos necessários ao crescimento e ao desenvolvimento), ao mesmo tempo que aumenta os riscos de uma crise política no primeiro trimestre de 2014. Porquê? Há duas explicações possíveis, não mutuamente exclusivas:
   i) o governo não tem coragem para tomar medidas que seriam ainda mais impopulares, como seriam um maior aumento de impostos (que o governo não quer por motivos ideológicos e eleitorais; e que implicaria a continuação da austeridade destruidora por outros modos, mas que seria preferível ao que está a ser proposto) ou cortes ainda mais drásticos na saúde e na educação públicas (que o governo deseja, mas hesita em assumi-lo); logo, o governo e a maioria preferem sujeitar o país a custos elevados e desnecessários apenas para poder culpar o Tribunal Constitucional (TC) pelas medidas que vierem a tomar mais tarde;
   ii) o governo está a criar as condições para poder atribuir ao TC a responsabilidade por um segundo resgate, caso este venha a confirmar-se.
     4. A eventual necessidade de recorrer a segundo resgate tem muito pouco a ver como o que vierem a ser as decisões do TC. Como já aqui tentei demostrar, a menos que haja alterações substanciais ao nível da dívida e do enquadramento macroeconómico europeu (e/ou de Portugal na UE), o país continuará a depender do financiamento por parte de credores oficiais durante muitos anos. Isto tem muito pouco a ver com as decisões que vierem a ser tomadas pelo TC, sendo antes determinado pelo nível de endividamento público e privado e pela fragilidade da nossa estrutura produtiva (aspectos que têm sido agravados após três anos de austeridade), bem como pelas regras vigentes na UE. Em suma, Portugal terá de recorrer a um segundo resgate (mais ou menos disfarçado) porque a estratégia de ‘ajustamento’ que foi adoptada nos últimos três anos pelo governo e pela troika não só não resolve os problemas fundamentais da economia portuguesa, como os agrava.
     5. Mesmo que o segundo resgate venha disfarçado de ‘programa cautelar’, não ganharemos soberania com isso – e, seguramente, não sairemos por essa via da trajectória de empobrecimento. Este é o mito da moda, o eixo central da propaganda do governo: o de que um ‘programa cautelar’ representaria o fim do ‘protectorado’. Tal como o Nuno Teles explica aqui em maior detalhe, o chamado ‘programa cautelar’ não é senão a continuação da austeridade e da ingerência externa por outros meios. Poderemos não ter visitas trimestrais da troika, mas continuaremos sujeitos a uma vigilância e uma chantagem permanentes por parte das instituições que mais têm insistido na estratégia até aqui seguida (o BCE e o eurogrupo, que controla o Mecanismo de Estabilidade Europeu). Aqueles que defendem que um ‘programa cautelar’ é mais ligeiro e menos intrusivo do que um segundo resgate baseiam-se num ‘feeling’: não têm nenhum documento ou experiência passada que sustente a sua posição, antes pelo contrário. Com programa cautelar ou sem ele, Portugal não terá mais instrumentos para contrariar a estratégia do “empobrecimento como via para a redenção”. Até que decida tê-los.

         26 de Outubro – não há becos sem saída   (-por L.Gomes, 5Dias)



Publicado por Xa2 às 07:45 de 24.10.13 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Contra desgoverno e bangsters : unir e manifestar, manifestar !!

 

 

Pontes (a pé) à volta do Mundo  (-por Renato Teixeira, 5Dias)



Publicado por Xa2 às 07:35 de 18.10.13 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

ALVO dos neoliberais e troikas: trabalhadores, pensionistas e Estado social

     Das (i)moralidades  e cortes aos trabalhadores e pensionistas (-por L. Gomes, 7/10/2013)

...  ... Não se trata de uma opção moral, de uma escolha baseada em critérios éticos ou de uma maldadezinha que estes senhores estão a fazer. Mota Soares foi claro nas suas declarações, afirmando que a poupança de cerca de 100 milhões que se fará à conta dos cortes nas pensões de sobrevivência é uma receita mínima do ponto de vista global, mas é um sinal.

     Um sinal claro de uma opção de classe: cortar nos rendimentos dos trabalhadores ou de quem descontou sobre os rendimentos dos seus trabalhos.

Relembre-se que a maioria das pensões de sobrevivência são atribuídas a mulheres, fruto de tempos em que estas não trabalhavam ou, trabalhando, não descontavam e sobrevivem dessas magras pensões. Além do que, para os cônjuges ou filhos que as recebem, estas resultam de descontos efectuados sobre o rendimento do trabalho para a Segurança Social da pessoa que morreu e apenas há, digamos, uma transferência do seu titular. O cônjuge recebe 60% da remuneração de referência, o descendente 20%.

     É sobre estes valores que, repita-se, resultam de descontos para a Segurança Social, que o Governo quer cortar. Não corta sobre os valores que as empresas de capital intensivo, que geram milhões de lucros (e têm pouca mão de obra) não descontam para a Segurança Social, porque os descontos apenas são feitos tendo em conta o número de trabalhadores.

     Não cortam sobre as transacções em bolsa.

     Não cortam sobre lucros líquidos de grandes empresas para garantir o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, ao invés, jogam o dinheiro deste Fundo na bolsa e perdem às centenas de milhares de euros sem que ninguém saiba para onde vai o dinheiro que resulta das nossas contribuições.

    Não cortam, aliás, descontam a taxa contributiva das empresas ou isentan-nas temporariamente através de vários programas de incentivo à contratação quando, na verdade, as estatísticas demonstram apenas uma realidade: o desemprego a disparar.

     Cortam no subsídio de desemprego, de doença, no subsídio por maternidade e paternidade, nos subsídios de férias e de natal, no abono de família, no rendimento social de inserção, no subsídio por morte, no subsídio de funeral, nas pensões (futuras e actuais) e claro, faltavam as pensões de sobrevivência para ninguém fique de fora.

    Caminho que foi iniciado precisamente por Sócrates e a sua pandilha em 2010 quando introduziram a condição de recursos em todas as prestações sociais e de uma leva roubaram e reduziram o abono de família a um milhão e meio de crianças e praticamente extinguiram o subsídio social de desemprego.

     Mas o sinal, voltando a ele, é claríssimo. Não fica de fora ninguém da classe trabalhadora. Só e apenas. No capital ninguém toca.

Somos nós o alvo. E não é uma imoralidade. É uma opção muito consciente.

 

                              E  o  povo,  pá ?  e "populismo"  (-por J.Rodrigues, 7/10/2014)

      ...  ... É que estamos “num momento histórico em que o mundo desenvolvido está a avançar para um despotismo oligárquico (…), quando políticas antipopulares são impostas, ao mesmo tempo que a palavra povo é eliminada do léxico político, e quem se lhes opõe é acusado de populismo”.    As palavras são mesmo armas políticas e o populismo é uma arma usada cada vez mais para limitar o campo das alternativas, para limitar a democracia e o protagonismo popular, indispensáveis também para a defesa dos direitos sociais:    “Querem saúde para toda a gente?  São populistas.    Querem que a vossa pensão acompanhe a inflação?  Que cambada de populistas!     Querem que as vossas crianças possam ir para universidade sem carregar um fardo de dívida para o resto da vida?  Bem me parecia que são populistas encapotados! 
       É assim que os cortesãos da oligarquia denunciam qualquer reivindicação popular.   E, mesmo quando esvaziam a democracia de qualquer conteúdo, acusam todos os que se lhes opõem de ter ‘instintos autoritários’”.    Sem receio de se ser apodado de populista, isso é inevitável, é também de povo e da sua unidade política, de soberania popular, que se tem de voltar a falar cada vez mais.
  -    .Pontapé TROIKA / GOVERNO / ROUBO 19 OUT. . É tempo de Agir 26 Outubro.


Publicado por Xa2 às 07:32 de 08.10.13 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Querem + austeridade, "cortes" e despedimentos ?!!- Manifestem-se.

       O segundo resgate vem a caminho - e a culpa não é do Tribunal Constitucional

Na ponta final da campanha eleitoral autárquica as afirmações do Governo tornam cada vez mais claro que o ‘regresso aos mercados’ nunca passou de uma ilusão. A continuação da política deste governo e da troika está a agravar os bloqueios que a economia portuguesa enfrenta. Mas existem alternativas - e são urgentes.
     O governo tem vindo a afirmar que as decisões do Tribunal Constitucional (TC) estão a tornar cada vez mais provável a necessidade de um segundo resgate. Ao insistir nesta ideia, o governo tem três objectivos:     1) desresponsabilizar-se pela crise económica e social que atravessa o país;     2) justificar as privatizações e os cortes nos serviços públicos e nas prestações sociais que se prepara para anunciar com a proposta de Orçamento de Estado (OE) para o próximo ano; e     3)  ir instalando na sociedade portuguesa a ideia de inevitabilidade da continuação da actual estratégia de governação para lá de 2014.   Face a isto, é fundamental compreender e afirmar com clareza que:
    1º) O Estado português não conseguirá, tão cedo, financiar-se nos mercados internacionais - mas isto não decorre das decisões do TC. Portugal tem uma dívida pública superior a 130% do PIB, um endividamento externo historicamente elevado, uma estrutura económica débil e um sector financeiro enfraquecido. O país não dispõe de instrumentos de política económica para lidar com estes problemas e quem deles dispõe – ou seja, as instituições europeias - recusa-se a pô-los em prática, preferindo usar o seu poder de chantagem para impor aos países periféricos e, por arrasto, ao conjunto da UE um modelo de sociedade que não foi sufragado nas urnas.
    Nestas condições, a dívida portuguesa é impagável e é isso que explica a persistência das elevadas taxas de juro dos títulos da dívida portuguesa. É por essa razão que o 'regresso aos mercados' nunca passou de uma ilusão, usada pelo governo para justificar os sacrifícios até aqui impostos ao país e aos portugueses. 
    2º) A estratégia do governo e da troika não resolve – antes agrava – os bloqueios que economia portuguesa enfrenta
Segundo o governo, a destruição dos serviços públicos e a desregulação das relações de trabalho são o caminho para sair da crise. No entanto, após três anos de austeridade tornou-se ainda mais claro que esta estratégia não resolve, antes agrava, os bloqueios que a economia portuguesa enfrenta – desde logo, um endividamento insustentável e uma estrutura produtiva débil. Se esta trajectória não for interrompida, Portugal terá uma sociedade ainda mais desigual e entregue às lógicas de mercado. Esse será o único 'sucesso' do 'programa de ajustamento' do governo e da troika.
    3º) As alternativas existem e são urgentes
O caminho da devastação social e económica não se inverterá enquanto não se impuser uma renegociação da dívida pública portuguesa que seja consentânea com uma política de relançamento do emprego, de valorização do trabalho e de restabelecimento dos direitos que asseguram uma sociedade decente. Os portugueses e portuguesas que não se revêem no actual rumo têm de continuar a reunir forças para resistir à estratégia de retrocesso social e para construir as condições para uma alternativa de governação que faça frente à chantagem e devolva ao país um sentido de esperança no futuro.
     O Congresso Democrático das Alternativas apela, assim, à mobilização de todas e todos para as iniciativas de protesto que terão lugar no mês de Outubro (nomeadamente, as manifestações convocadas pela CGTP, dia 19, e pelo Que Se Lixe a Troika!, dia 26), bem como para o esforço de clarificação dos propósitos e das implicações da estratégia do governo e da troika.
    Ao longo das próximas semanas, o Congresso Democrático das Alternativas irá realizar iniciativas de debate e esclarecimento sobre “A Crise, a Troika e as Alternativas Urgentes” e sobre a proposta de OE para 2014, culminando numa grande iniciativa pública que terá lugar no dia 31 de Outubro, em Lisboa.
    Contamos com a sua participação!   Saudações democráticas, 
    A Comissão Organizadora do Congresso Democrático das Alternativas http://www.congressoalternativas.org/ . E subscreva a petição “Pobreza não paga a dívida – Renegociação já!” lançada pela IAC – Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida.

----      A vergonha da (não) reestruturação da dívida

  "É cada vez mais evidente que apenas condições económicas excepcionais permitirão a Portugal, mas também à Irlanda, Grécia ou Itália reduzir de forma significativa os elevados "stocks" de dívida pública e privada que acumularam. A recusa em reconhecer a dimensão do problema e em ponderar um programa de reestruturação destas dívidas é dos erros mais graves e dogmáticos da estratégia da Zona Euro, pois não só atrasa o fim deste episódio terrível na história da região como representa um privilégio injustificado para os credores." -  Um texto imperdível do jornalista Rui Peres Jorge.
      ... estamos cada vez mais próximos do dia em que perguntar-nos-emos como é que foi possível condicionar a vida de tantas pessoas por algo que nos parecerá tão "irracional". Nesse dia questionaremos o porquê de uma restruturação da dívida tão tardia e lamentar-nos-emos por não termos evitado tantos males que pensávamos serem inevitáveis.

----   O segundo resgate ou a tendência dos notáveis do regime para a negação

----   «Que fazer com este Euro?»: Vídeos do lançamento/debate 



Publicado por Xa2 às 07:55 de 01.10.13 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

1984 ... e ... imitações : Cuidado !!

          A  democracia  é uma  chatice      (-por João Vilela)

     No mesmo dia, o PSD decidiu brindar-nos com duas pérolas de cultura democrática.

 ... O primeiro... Sugeria Jardim, decerto no seguimento da proposta de Nuno Crato, ontem vinda a público, de «mexer numa série de coisas» na Lei da Greve, que esta fosse liminarmente proibida aos trabalhadores dos transportes, da saúde, da justiça, e das forças armadas. ...acho pouco.

 ... a proibição devia ser extensível a todos os assalariados rurais, que claramente só fazem greve por repulsa pessoal em andar a cavar terra. ... o direito de greve não pode vigorar para os trabalhadores de hotéis de cinco estrelas, que com isso perigam a imagem de Portugal como destino turístico de estrangeiros endinheirados, comprometendo o afluxo de divisas e o equilíbrio da balança de transações correntes. Ou ... à sinistra corporação dos professores o direito de parar os trabalhos e deixar, assim, os jovens da nação à mercê da vadiagem, dos cafés e dos charros, quando deviam estar na escola a aprenderem a ser homens.  ... o direito à greve só devia vigorar nas profissões que não impliquem nenhum transtorno para nenhuma pessoa em nenhum momento. Salvo em tais circunstâncias nada legitima que o trabalho pare, e negá-lo é, francamente, ceder sem verticalidade mínima ao politicamente correcto. Um erro crasso.

     Por seu turno, Poiares Maduro identificou o grande problema nacional do nosso tempo: em Portugal, as coisas não andam porque «tudo é contestado». Enfim chegou ao poder quem tivesse a coragem de pôr o dedo nesta ferida! Com efeito, se não somos a terra da leite e do mel isso nada tem que ver com o desmantelamento do tecido produtivo, com a promoção do desemprego, com a precarização do trabalho, com o ataque aos direitos sociais e a descaracterização da democracia pelo tratamento desigual e desprovido de isenção dispensado às várias correntes de opinião nos meios de informação.

    Tudo isso é paleio esquerdista para iludir o essencial: que a salvação do país está na supressão liminar desse hábito birrento e aborrecido de tudo criticar, tudo contestar, tudo maldizer. Felizes são os países onde não existe nenhum tipo de protesto, nenhuma forma de oposição a quem governa, onde, felizes e contentes, os cidadãos obedecem sorridentemente aos líderes e percebem que deles só pode vir o bom, o belo, e o verdadeiro.

 Só lamento que Poiares Maduro não dite, sobre este assunto, qualquer solução a tomar, atendo-se ao desabafo desanimado: porque não proíbe ele a crítica pública dessas decisões? Porque não põe comissões de fiscalização do espírito positivo (atenção, não lhe chamemos censores!) a purgar jornais e revistas da sinistra peste contestatária?

Porque não emprega um conjunto diligente de inspectores na procura pelos cafés, os restaurantes, os autocarros, os metropolitanos e as salas de espera, desses nossos réprobos concidadãos que criticam e fomentam pela palavra o espírito de sedição, que os retire discretamente de circulação e, nos termos eufemísticos do 1984 de Orwell, os «vaporize»? Para grandes males, Sr. Ministro, grandes remédios! Não se pode encarar e debelar uma doença nacional desta gravidade com tibieza: seja dinâmico, seja determinado! O povo lhe agradecerá!

     ... Estamos a andar mal, ...! Só um país onde os trabalhadores nunca parem (nem nas greves, nem nos fins de semana, nem nos feriados – saravá, Rui Rio! -, nem sequer na doença ou na maternidade), e estejam sempre felizes e bem dispostos, será um país de futuro. Até porque, importa reter, a contestação atrai energias negativas, gera sentimentos de peso e desconforto, aborrece, irrita, tira de nós o entusiasmo e o sorriso no rosto. Longe, bem longe de nós, querermos alguma vez criticar ou não trabalhar. Ser trabalhador consciente ou cidadão interventivo é um péssimo serviço que se presta ao país e ao povo.

     1984 ...   'Grande irmão'/'big brother' ...  (de  Michael Radford, baseado na obra de George Orwell.  Legendado em português.   Pode obter gratuitamente o livro aqui. ) 

   --------  Revolução,  Manif. 'mansa'  ou  sofá  ?  (-por )

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Publicado por Xa2 às 13:27 de 21.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Manif: 15 .- Greve .vs. demagogia e guerra psicológica / amansar

       O que está Em Causa na Greve dos Professores     (-por J. Pacheco Pereira, 13/6/2013, Abrupto)

O que está em causa para o governo na greve dos professores   é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector.

   É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.

Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa.
(...)
           A  Greve dos Professores  e os  “Nacional-tótós”      (-por Francisco)

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     A greve dos professores convocada para dias de exame tem dado que falar. Uma das principais razões prende-se com o facto desta greve não ser apenas um ritual simbólico. Pelo contrário, esta greve causa um considerável impacto no terreno e afecta no concreto a vida de muita gente e o funcionamento das escolas. É assim mesmo que deve ser.

     Acontece que o governo e seus lacaios têm movido uma campanha demagógica em que se acusam os sindicatos e os grevistas de “maltratarem as criancinhas”… É fantástico ver essa corja a guinchar por tudo quanto é canto e a rasgar as vestes “pelas pobres criancinhas que estão a ser tão atacadas, usadas e maltratadas por esses malfeitores dos sindicatos”.

     Um governo de sociopatas que tem destruído a escola pública e os serviços públicos, que tem arrasado a economia e a sociedade portuguesa. Um governo responsável pela desestruturação de um número enorme de famílias, por via do desemprego, das falências galopantes ou da emigração forçada

    Um governo que irá prosseguir com todos os ataques e pretende permanecer no seu rumo. Um governo reiteradamente fora-da-lei, como agora mais uma vez se vê com o não pagamento dos subsídios. Um governo responsável pelo aumento da pobreza e fome infantil. Ora, esse mesmo governo e seus lacaios, ousa agora acusar os sindicatos de atacar “as criançinhas”…

    Obviamente que o governo e seus lacaios estão-se a marimbar para a sorte das “criancinhas”, o problema deles é outro. A questão é que aqui está uma luta e um sector onde se pode organizar alguma resistência efectiva às suas políticas. Que certos fascistas-no-armário sigam a retórica governamental, nem outra coisa se esperaria. Pena é que certos sectores que se dizem contra o governo alinhem nesta demagogia… Um exemplo destas atitudes, que denomino de “Nacional-tótó”, pode ser encontrada aqui: “Por muito que discorde deste governo, neste caso concordo com Nuno Crato e com Passos Coelho.”

    Assim é o “Nacional-tótó”, diz que é contra o governo, mas opõe-se a formas de luta que ponham em causa o governo. Diz que a greve é um direito, mas se a luta for para lá do simbólico é logo uma “irresponsabilidade”. Por vezes o “nacional-tótó” até afirma que este é um governo fora-da-lei, chega ao ponto de dizer que “Professores e outros funcionários públicos, os cidadãos em geral, têm muitíssimas razões para fazerem greve, geral total e absoluta.“. Mas agir em conformidade com essas declarações, tá quieto… Ou seja, no abstracto o “nacional-tótó” é a favor de greves totais e absolutas, é de um radicalidade extrema, mas quando é confrontado no concreto com uma luta que causa alguma perturbação, por mínima que seja, põe-se logo do lado do status quo… A tod@s @s nacionais-tótós que andam por aí, para esta questão da greve dos professores, aconselho vivamente estes dois textos do Pacheco Pereira: o que convém lembrar sobre as greves e aqui.

     A importância desta greve, e do seu sucesso, ainda mais reforçada é quando o governo pretende usar este pretexto para mudar a lei da greve. A greve é para ser meramente simbólica, sem qualquer valor prático, sem substância. Isto é de resto o que este governo+presidente pretendem para a Democracia em Portugal, em aliança objectiva com os “Nacional-tótós” de serviço.

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Publicado por Xa2 às 07:33 de 15.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Povos Unidos contra a troika

        Não pagar o que não se deve    (-por T.M. Saraiva)

    (da Gui )

     Na semana passada foi tornado público um estudo da Eurosondagem em que se revela que apenas 10% dos inquiridos concordam com a aplicação do programa da troika. Mas este não é o único dado surpreendente. Entre renegociar e rasgar o Memorando, as opiniões dividem-se, com uma curta vantagem para a segunda opção.    Numa versão simplista de quem papagueia a governação, estamos perante um país de aldrabões que não gostam de pagar as contas. Contudo, parece-me irreversível que a rejeição da troika, e de qualquer governo que a represente, tenderá a aumentar cada vez que se conheça melhor o teor da dívida pública ou dos juros a que o país está sujeito. Em boa verdade, a única opção séria e racional que consigo colocar é a diferenciação entre dívida legítima e ilegítima, a rejeição liminar de juros especulativos e o início da responsabilização financeira das instituições e governantes que lucraram com a progressiva destruição da economia e do tecido produtivo.
     Sempre rejeitei a tese desresponsabilizadora de que o governo e a troika andarão alheados da realidade.   Mais: a história recente das últimas décadas devia-nos fazer ver de uma forma mais clara que os tempos que vivemos em Portugal são tempos extraordinários para a acumulação de capital, a par da destruição de direitos, liberdades e garantias conquistados ao longo de décadas – e um obstáculo a esses processos de acumulação.
     O Conselho de Estado foi mais um decrépito número, personificado pelos homens do poder das últimas décadas, que expressa a imagem de uma democracia que se vai esgotando, pela mão de uma maioria, um governo e um Presidente que bailam sobre o cadáver do seu povo e aldrabam até o mais miserável relato de uma reunião.    (- i a 25 de Maio )

 

         Povos unidos contra a troika!    (sábado) 

- Temos de dizer  NÃO .(Não à destruição de povos, de direitos sociais, de economias; Não às burlas e troikas antidemocráticas) - Susan George, escritora e activista.

- Não nos lixarão. (Combatamos as bestas promotaras da pobreza, exclusão, desemprego, ... ) - Pilar del Rio.

- Unidos para Vencer a Austeridade e para demitir o (des)Governo. - Congresso Democrático das Alternativas.

- A Vida está acima da Dívida. A crise é uma burla dos bancos. - Boaventura Sousa Santos

- Juntos seremos Alguém ! (... se continuamos a ser tão pouco corajosos, qualquer dia estamos reduzidos à condição de homenzinhos e mulherzinhas... servos e pedintes, sem Voz nem direitos ...) - Assoc. José Afonso.

- Começar de novo. (Unir partidos de esquerda e "internacional" para derrotar os ataques da alta finança neoliberal e selvagem) -Ken Loach, realizador.

- Chegou o tempo de as Vítimas se Erguerem.



Publicado por Xa2 às 19:46 de 31.05.13 | link do post | comentar |

Manif.: 1 Junho - Povos Unidos contra a troika

 

  Manifestação de 1 de Junho  junta 102 cidades em 12 países   (-por F.D. Mendes, 29/05/2013)

 .

... Sob o lema “Povos Unidos contra a Troika”, os movimentos cívicos pela Europa convocam os cidadãos europeus a protestar, a uma só voz, “contra a receita da austeridade e a favor de que sejam os povos a decidirem as suas vidas”, pode ler-se no comunicado enviado ao PÚBLICO.

    Contra a “desordem económica e o colapso social”, Portugal, Espanha, Grécia, Itália, Inglaterra, Irlanda, Alemanha, França, Áustria, Holanda, Suíça e Croácia juntam-se num protesto que pretende alertar para “o retrocesso civilizacional imposto pela troika.”

   Em Portugal, 18 cidades já confirmaram que se irão juntar à manifestação. Em Lisboa, que deverá ser o centro dos protestos, o percurso começa em Entrecampos, passa pela delegação do FMI, na Avenida da República, e termina na Alameda.

   Várias personalidades internacionais já demonstraram publicamente o seu apoio à manifestação, entre elas o activista e filósofo Noam Chomsky, o realizador inglês Ken Loach, a escritora Susan George e a jornalista Pilar del Río.

Pilar del Río, viúva de Saramago, numa mensagem pública de apoio ao protesto, sublinha que “parecem acreditar os membros da troika que há pessoas que nascem com vocação para sofredoras e por isso cortam e recortam direitos legalmente adquiridos como se de relva se tratasse”. A jornalista vinca ainda que os membros da troika “não têm carta branca dos cidadãos, ainda que os governos se tenham entregado.”

    Nuno Ramos de Almeida, do movimento Que Se Lixe a Troika!, disse ao PÚBLICO que espera que esta manifestação possa marcar o “início de uma nova etapa” e que, para isso, é preciso que “muita gente vá para a rua.”

    Para o activista, que é também um dos fundadores do Que se Lixe a Troika!, o protesto de 1 de Junho é uma oportunidade para que os povos da Europa se juntem e se manifestem contra as actuais políticas, com “resultados desastrosos para a economia e para as pessoas.”

Ramos de Almeida vê a participação da Alemanha, Áustria e Suíça como um sinal de que, mesmo que os países do Sul tenham sido “os primeiros a levar uma machadada”, há a percepção de que as actuais políticas, que representam “a destruição do modelo social europeu ”, acabarão por chegar aos países do centro, vincou.   Em comunicado, os membros do movimento Que se Lixe a Troika! apelam “a todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança” para que se juntem ao protesto. 



Publicado por Xa2 às 07:45 de 31.05.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Calamos e ... não fazemos nada ?!!

                   Divirtam-se, divirtam-se  ... que a seguir ... (-por OJumento, 9/5/2013)

     Quando o Gaspar cortou os subsídios aos funcionários públicos fez-se um silêncio concordante na sociedade portuguesa, se o Estado gasta demais e uma boa parte do que gasta é com  os vencimentos dos funcionários públicos é justo que se corte nos vencimentos daqueles que há muito a sociedade portuguesa identificou como uma variante de xulos do intendente. O argumento de que ainda por cima ganhavam mais do que os dos sector privado caia que nem uma luva, a austeridade e a crise seria circunscrita a esses eleitos.

     Quando o corte dos subsídios chegou aos pensionistas houve quem tivesse franzido o olho, mas continuou o silêncio, se os xulos no activo pagavam, os xulos reformados não deviam escapar. Só depois, quando se percebeu que todos os pensionistas ficariam sem subsídios se ouviram alguns lamúrios, mas em nome dos bons princípios da sustentabilidade do Estado social os que se escaparam à austeridade voltaram a ficar calados.
     Quando o Gaspar prosseguiu com a sua agenda de golpes sucessivos achou que estava na hora de estender a desvalorização que com o apoio do sector privado impôs aos funcionários públicos e pensionistas, transformando um subsídio de cada trabalhador numa subvenção aos patrões, aumentando a TSU a uns e reduzindo-a aos outros, é que a sociedade portuguesa se revoltou.
     Os mesmos jornalistas que se entretinham a elogiar o Gaspar descobriram de repente que a austeridade era brutal, isto é, quando os funcionários públicos tinham perdido 10% do vencimento, ainda no tempo do Sócrates, mais dois subsídios, mais um aumento nos descontos e, em cima de tudo isso, a austeridade que consideram brutal sob a forma de aumento de IVA e IRS, para além de todos os aumentos desde a electricidade aos transportes, não havia razões para questionar a política do Gaspar.
     Quando o ministro da Finanças decidiu aplicar aos portugueses de primeira um terço do que já tinha imposto aos funcionários públicos foi o que viu, o “que se lixe a troika” ia pondo o país de pernas para o ar.
     Agora que o país vai assistir ao despedimento colectivo de 50.000 portugueses faz-se novamente silêncio, é justo que os funcionários públicos deem o seu contributo para o desemprego. E como são uns xulos ainda devem ser tratados como criminosos e impedidos de voltar a concorrer ao Estado, condição que nenhuma empresa privada impõe a um trabalhador do sector privado. Os funcionários públicos que forem despedidos no âmbito de uma “rescisão amigável” ou de uma “requalificação” não terão direito ao subsídio de desemprego que o governo decidiu pagar aos trabalhadores do Millennium que aceitaram indemnizações bem superiores à do Estado. Os xulos não têm direito a nada e ainda devem levar com um carimbo na testa a dizer xulo e não possam voltar a enganar o pobre país.
     É tão óbvio que ninguém protestará como é mais do que evidente que dentro em breve estarão todos na rua chorando lágrimas de crocodilo e prometendo revoluções em defesa dos pobres dos trabalhadores do Estado, basta que o Gaspar se lembre de que, afinal, depois de tanto corte e aumento do horário, um estudo feito à pressa (muito bem pago a ... e resultados encomendados) vai demonstrar que os trabalhadores do sector privado vivem que nem uns nababos à custa do patrões.    Ou ainda não perceberam que vai suceder com esta vaga brutal de austeridade sobre a Função Pública o mesmo que sucedeu com a anterior?   Ou ainda não perceberam que sem dinheiro para subsidiar as empresas a única forma de promover crescimento é reduzindo custos nas empresas ('cortar' aos trabalhadores)?   Ou ainda não perceberam que o Gaspar vai cobrar bilhete pelo divertimento que está proporcionando ao povo do sector privado?   Ou estão mesmo convencidos de que o Gaspar odeia os funcionários públicos e ama o pessoal do sector privado?
        (Lembrem-se do que dizia B.Brecht e Maiakovski:   « Primeiro levaram ... depois ... »)


Publicado por Xa2 às 13:38 de 10.05.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Manif. internacional : 1 junho - povos unidos contra a troika

“Outra vez sopa?” – Eu peticiono, tu peticionas, ele e ela peticionam. Nós peticionamos, vós peticionais, mas o povo não assina. (-por Renato Teixeira)

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  Todos os chamados fazem sentido, ainda para mais se forem capazes de fazer as articulações nacionais e internacionais que importa fazer.

    «...Eu não sou membro do ... mas como muitas dezenas de pessoas fui chamada a dar o meu testemunho de apoio à manifestação organizada, e bem, por este movimento. Fi-lo publicamente. Não me revejo nas posições políticas do ... porque creio que defendem uma ... para a crise política.

Mas não creio que isso é razão para não apoiar uma manifestação, baseada no velho princípio da unidade de acção, isto é, todos apoiamos uma iniciativa e cada um defende no meio dessa iniciativa o que acredita.  Há um programa mínimo que todos subscrevem, neste caso a ... .» -Raquel varela



Publicado por Xa2 às 13:40 de 07.05.13 | link do post | comentar |

Manif. : 25 de Abril

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Publicado por Xa2 às 19:12 de 22.04.13 | link do post | comentar |

Levanta-te, Actua ... contra Troikas anti-democráticas e neo-coloniais

Libertar  os  Países  Intervencionados ...  pelas Troikas          (por Ana P. Fitas)

                         .
"Tirem as Mãos !" Hoje no Parlamento Europeu, manifestação dos eurodeputados da Esquerda Europeia contra as medidas de austeridade no Chipre, Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda!


Publicado por Xa2 às 13:06 de 18.04.13 | link do post | comentar |

Manif.: 25 Abril e 1º Maio.

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Publicado por Xa2 às 07:30 de 16.04.13 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Querem outra ...? ... e será pacífica ?... dizem que à 3ª é de vez ...

Portugal:  1,5 milhão  contra a  troika  e o  governo de  direita  (-por A.Paço)

     As manifestações de ontem, 2 de Março, em 40 cidades de Portugal reuniram, segundo a imprensa, 1,5 milhão de pessoas contra a troika (FMI, BCE, UE) e o governo de coligação de direita que, a coberto do «pagamento da dívida», uma dívida que não é pública, mas privada, e «nacionalizada» ao serviço dos privados que a contraíram, opera uma gigantesca contra-reforma cujo objectivo é destruir o Estado social, cortar salários e subsídios, promover despedimentos, fazer uma transferência maciça de recursos do trabalho para o capital.

     Em Lisboa, entre o início da manifestação, na Praça do Marquês de Pombal, e o local onde terminava, o Terreiro do Paço, fronteiro ao Tejo, distam 2,6 km que se encheram de gente ansiosa por ver-se livre do Governo de direita e da troika. Quando a cabeça da manifestação começou a andar, já os 1500m da Av. da Liberdade, que se estende à sua frente, estavam cheias de uma maré humana que gritava palavras de ordem como «Está na hora de o governo se ir embora» ou «Quem deve aqui dinheiro é o banqueiro». Como em 25 de Abril de 1974, início da Revolução dos Cravos, voltou a ouvir-se «O povo unido jamais será vencido». A dimensão internacional dos problemas que os Portugueses e os povos do Sul da Europa enfrentam também não foi esquecida: «Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal – a nossa luta é internacional», gritou-se. [contra a Ditadura Financeira e seus títeres desGovernantes]

     No Porto, segunda cidade do País, estariam 400 mil pessoas – a maior manifestação de sempre na capital do Norte – que encheram completamente a enorme Praça dos Aliados.    «Gatunos», «corruptos», «ladrões» eram outras das palavras que surgiam nos cartazes de confecção caseira que eram levados pelas pessoas. «É melhor votar em Ali Babá, ao menos sabemos que são só 40 ladrões», dizia um deles.

     As manifestações foram convocadas pelo colectivo Que se Lixe a Troika, uma constelação de grupos de activistas, e não pelos partidos de esquerda ou pelos sindicatos. BE e PCP anunciaram, no entanto, a sua adesão e estiveram presentes dirigentes e alguns deputados de BE, PCP e PS. Pela primeira vez, a maior central sindical, CGTP, dirigida pelo partido comunista, aderiu publicamente a uma iniciativa não promovida por ela própria. Porém, António José Seguro, secretário-geral do PS, principal partido da oposição, preferiu estar ausente numa pequena cidade do Alentejo onde não houve manifestação e foi ambíguo nas suas palavras, referindo-se à necessidade de mudar de política, mas não de governo.

     Indicador de crise, quase 24 horas depois nem Governo nem Presidente se pronunciaram ainda sobre as manifestações.

Um outro sinal da associação das manifestações de ontem à revolução de 25 de Abril de 1974 foi o entoar de «Grândola, vila morena», a canção de José Afonso que serviu de sinal às tropas que saíam para derrubar a ditadura, por muitos milhares de gargantas, de Norte a Sul do País – e até no estrangeiro, como em Paris, onde uma centena de manifestantes se concentrou junto do Consulado de Portugal.

    «O 25 de Abril que o meu pai fez vou ter de voltar a fazê-lo eu», disse uma mulher de 46 anos, Isabel Mora, que desfilava ao lado da filha de 16.

• A intenção deste artigo era divulgar as manifestações de ontem «lá fora». Por isso o publiquei em inglês e francês. «Mas e os brasileiros?», chamaram-me a atenção. Por isso, especialmente para eles e para os espanhóis (que sabem ler português – até sabem cantar a ‘Grândola’), aqui vai o texto também em português.

   Portugal: 1.5 million against the troika and the right-wing government  ( ENG )

   Portugal: 1,5 million contre la troïka et le gouvernement de droite        ( FR )

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dn  JN Moção de Censura Popular – 2M – 1.500.000 vozes a cantar a Grândola. Quem não ouve isto não ouve nada.  


MARCADORES:

Publicado por Xa2 às 07:50 de 04.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (13) |

E vão + 5 ... em cada esquina 1 amigo ... fora com os "vampiros" !!

    Eu    vou  !    à  manifestação  de  um  novo  amanhã !                (-por Rafael Fortes )

eu vou

Eu vou !

      Eu vou !  porque não consigo aguentar mais.

Não consigo suportar as subidas de todos os preços sem excepção,

não consigo suportar que o salário seja cortado à boleia da crise ou dos impostos,

não consigo suportar a pressão do desemprego sobre o emprego,

não consigo suportar que cada dia é um dia, de desejar que o tempo passe e que os rendimentos não tenham a mesma velocidade de consumo que o tempo.

     Eu vou! porque tenho medo, tenho muito medo do futuro e do presente, tive medo de fazer greve, não tinha, não tenho direitos e ouço no final do dia da Greve Geral, o primeiro ministro, o presidente da Republica elogiarem  quem trabalhou.

     Eu vou! porque não queria aquele elogio, não queria ouvir, ser receptáculo das palavras envenenadas que me dirigiam.  Naquele dia da Greve Geral, uma parte de mim ficou mais pequenina quando sucumbi ao medo do despedimento, quando dei por mim a pensar o que pensaria o meu patrão sobre o facto de fazer greve, sobre o facto de exercer a minha cidadania.

     Eu vou! porque estou farto, farto de ser governado por canalhas e canalhada, meninos mimados que nunca cresceram sempre amparados no papá e na mamã e no tio da empresa e no padrinho do banco e no prémio por bom comportamento e que obedientes como carneiros continuam a baixar a cabeça a quem os perfilhou ideologicamente.

    Eu vou porque Eles não sabem o que é a vida, não sabem…

    Eu vou! porque não suporto que banqueiros, governantes, administradores, comentadores, empresários e todo um conjunto de pessoas “bem-intencionadas” façam um mea-culpa colectivo com o meu sacrificio enquanto os seus rabos aquecem as cadeiras do poder e as suas barrigas se enchem com a degradação colectiva do meu País.

    Eu vou! porque não sou preguiçoso, lambão, come palha, trinca ossos, chupista e tudo o que sempre consegui foi à custa do meu trabalho, do meu esforço, do meu suor, do meu sacrificio. Nunca tive um amigo, um familiar, um conhecido, um padrinho  poderoso que me favorecesse, que tornasse a minha vida mais fácil, que usasse o dinheiro dos nossos impostos para formações inuteis que apenas tinham como objectivo engrossar os bolsos Deles.

    Eu vou! porque não admito, não aceito e repudio que o Chefe de Governo, quando confrontado com a fome de mais de 10 000 crianças, exiba a consternação de uma anémona, lamentado “os custos inerentes à consolidação das contas publicas”.

    Eu vou! porque a rua, a luta, a união de todos os explorados, de um mar de gente solidária e fraterna entre si, disposta a erguer bem alto a sua voz, a sua indignação e a a exigir respeito e o cumprimento da vontade da maioria ainda é o que me aquece o coração, que me dá sentido à vida, à permanência.

    Eu vou! porque vejo um mar de gente, “uma onda de estremecido rancor, de reivindicação de justiça pelos direitos espezinhados que se começa a levantar entre nós e não parará mais. Esta onda irá crescendo cada dia que passe, porque esta onda é formada pelos mais, pelos maioritários em todos os aspectos, os que fazem crescer com o seu trabalho as riquezas, criam valores, fazem andar as rodas da história e que agora acordam do longo sono embrutecedor a que os submeteram!”*    (*adaptado daqui)

           ---------

Na TV dos EUA (via youtube), entrevistado assinala o verdadeiro problema  do capitalismo global (multinacionais e alta finança corrompem e controlam políticos e governos) e o que é necessário fazer ...



Publicado por Xa2 às 18:50 de 01.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

2 março : cantar a «Grandola...» e ... o que os cidadãos quiserem.
 

 

 
      A  APRe!, uma associação criada recentemente para cumprir o objectivo de defender os direitos e a dignidade dos mais velhos, dos reformados da vida activa, que durante uma geração trabalharam e contribuíram para o enriquecimento do país, marginalizados agora por um poder sem carácter, vai associar-se a esta manifestação pacífica e agregadora, juntando-se aos jovens sem perspectivas e aos trabalhadores sem trabalho.

    As erradas opções tomadas pelo poder que nos governa levaram o nosso país a uma situação social desesperante, com o empobrecimento generalizado da classe média e a miséria instalada na classe baixa. E os problemas de que a nossa sociedade enfermava há cinquenta anos, residentes na emigração, saúde, educação, cultura e velhice, estão agora renovados.
    A APRe! usará todos os processos legais que concorram para uma alteração destas políticas. Já batemos à porta de muitas das instituições que compõem o nosso sistema democrático, levando a voz do nosso protesto, da nossa razão. Continuaremos este caminho na certeza de que seremos bem sucedidos. Temos confiança em nós próprios, nos nossos jovens e nos trabalhadores deste país. 

             Todos à Manifestação de sábado, 2 de Março 2013

    "Queremos que seja a manifestação que o povo tem de fazer. Ela será o que as pessoas quiserem". Vamos cantar a Grândola ... e depois ...
      


Publicado por Xa2 às 07:55 de 01.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

Movimento 5 estrelas ... e convergência na Manif. 2 Março

E em Itália… O POVO É QUEM MAIS ORDENA !!!  Tsunami eleitoral arrasa Troika e o Euro Alemão

(-por Francisco, 26/2/2013, http://blog.5dias.net/ )

     Não é a Merkel, não é a Troika, não é o Monti, não são os “mercados”, não são os “investidores” ou os fundos de pensão, não são (os comentadores avençados nem) os articulistas do Economist ou do Finantial Times. Não, em Itália é o Povo quem mais ordena. Abaixo um excerto de um texto publicado na cobertura que o Finantial Times fez da noite eleitoral italiana: «Given the resounding defeat for the most reform-minded party which investors had hoped would act as a moderating force in the next government, and the populist backlash against the country’s political establishment, the prospects for fiscal and structural economic reform in Italy appear to have been dealt a severe blow. »

     Há uns tempos o Economist deixava claro qual o melhor cenário para a grande finança internacional: «A better result would thus be one in which Mr Bersani and his more left-leaning colleagues ally with Mr Monti out of necessity, not merely for show, giving the former European commissioner greater influence. »

     FALHARAM !  Monti não teve votos suficientes para viabilizar qualquer governo e está fora da jogada. Queriam o Bersani (coligação pseudo-esquerda) a limpar o cú à Merkel e ao Monti e a acalmar os sindicatos (papel que o Bersani estava pronto a desempenhar), enquanto o Monti governava realmente. Não aconteceu. O grande capital e o IV Reich (União Europeia telecomandada por Berlim e cada vez mais anti-democrática) tiveram uma estrondosa derrota. Não é por acaso que os jornais alemães têm títulos como:  Bild – “Será que vão destruir o nosso Euro?”    Der Spiegel – “Itália um perigo para a Europa

     Espero bem que sim! Espero bem que o vosso Euro seja destruído! No mínimo que seja um euro Europeu e não um Euro ao serviço da Alemanha, como os próprios chauvinistas Alemães do Bild assumem (e ainda há quem ache que não há interesses nacionais ou contradições entre estados-nação !!!!).  E um perigo para a Europa?  Mais uma vez, espero bem que sim, espero que de facto seja um perigo mortal para as políticas austeritário-depressivas que têm conduzido os povos do sul da Europa à miséria.

     Esta não foi a “única” coisa positiva destas eleições, mas mesmo que fosse já era motivo para festejarmos!

Na ida para estas eleições o povo Italiano confrontava-se com duas grandes questões.    Primeiro, a miséria, o corte de rendimentos, a austeridade regressiva, como parar com isso ?    Segunda, que já vem de longe, a corrupção e a máfia como atacar esse cancro de forma mais eficaz ?

    Se pensarmos que estas duas temáticas e questões (e a meu ver, COMÉ ÓBVIO) eram as centrais para o povo Italiano, veremos que os resultados destas eleições são bastante previsíveis e foram os melhores possíveis tendo em vista que o objectivo era atacar esses mesmos problemas.

     Ainda ontem no final do meu post, deixei algumas perguntas chave lançadas pouco antes de terem fechado as urnas…

---   Em Itália veremos quantos votos o programa da Troika realmente obtém. Monti o vice-rei da Merkel e do FMI para as províncias italianas concorre às eleições, quantos votos terá?

monti Para o Senado teve 9,1% e para a Câmara de deputados 10,5%, é isso que vale o ex-primeiro Ministro de Itália, o menino querido dos mercados, o vice rei para as províncias italianas do IV Reich. O seu programa austeritário, ao serviço do grande capital e da banca, vale 10% ou menos do eleitorado Italiano.   É esta a base social de apoio da Troika e dos Troikistas.    Foi o grande derrotado da noite juntamente com todo o seu programa… 

    Sempre achei arriscado por parte da grande burguesia lançar desta forma o seu delfim para a arena pública (ex-banqueiro da Goldman Sachs, ex-comissário Europeu).    Presumo que o cálculo seria que ele conseguisse os votos suficientes para viabilizar um governo Bersani (tal como o Economist e incontáveis intelectuais ao serviço do grande capital desejavam/previam). Mas tal não aconteceu e o que acabou por ter lugar foi uma humilhação pública do “salvador do euro” e do filho pródigo da grande finança.

     É neste momento muito mais difícil, qualquer que seja o governo Italiano que se forme, seguir as políticas ditadas por Berlim e pelos talibãs neo-liberais.

---     E a pseudo-esquerda que se prepara para governar com Monti (veremos quais os resultados dessa estratégia suicida)?

 Sendo uma estratégia à partida suicida o resultado é que não resultou… Monti era o inimigo a abater, o justo alvo do ódio popular, o carrasco nomeado por Berlim, que substituiu num processo muito estranho um representante (mal ou bem) eleito pelo povo.

     O Economist e a grande finança queriam à toda força um Bersani que domesticasse a luta social e que prosseguisse a destruição do estado social e empobrecimento geral da população italiana, com Monti como cão de guarda do IV Reich no seu governo…  E o Bersani ajeitou-se a esse papel.  Era assim que queria ganhar a confiança do povo Italiano ???   É isso ser de Esquerda ???   O resultado desta política colaboracionista com a Troika (oficialmente não está em Itália, mas é como se estivesse…) é um rotundo fracasso eleitoral.

     Para a Câmara dos Deputados, depois de todas as palhaçadas do Berlusconi e da intensa campanha internacional de descredibilização, mesmo assim a coligação “Bem comum” da pseudo-esquerda ganha as eleições apenas com uma vantagem de décimas !  “Bem comum” de Bersani tem 29,54% e a coligação do Berlusconi tem 29,13% !!!  Uma diferença de 0,41%… isto é um empate técnico…  E Bersani só tem uma larga maioria na câmara de deputados, porque tal como na Grécia o partido mais votado tem um bónus.   A Itália sendo uma federação (ou perto disso, é um país recente que só se unificou na década de 60 do século XIX com grandes diferenças regionais) tem um senado onde a representação regional tem mais peso, no Senado o bonus é dado por região e não pelo total nacional. Isso explica porque mesmo com 31,60% dos votos contra  30,66% de Berlusconi (mais uma vez uma vitória rés-vés Campo de Ourique) Berlusconi fica no final com mais senadores.

     Até ao momento Bersani ainda não falou, é revelador do tsunami eleitoral que varreu Itália. Mais revelador é da gigantesca encruzilhada estratégica em que se encontra a Internacional “Socialista”. Por um lado apregoam políticas pró-crescimento e um atenuar da austeridade, por outro são os mais fiéis defensores do reforço da União Europeia/IV Reich, esta é uma contradição que é difícil resolver e o desenrolar da crise apenas tornará a tarefa mais difícil.

---     E o mafioso-demagogo (Berlusconi), é um crápula, mas ao menos teve a lucidez política de eleger Monti como seu inimigo nº1 (pa enganar as massas, mas ao menos dá-se a esse trabalho…)…

    Il Cavalieri… Feito cavaleiro por decreto presidencial quando lhe foi atribuída a ordem de mérito do trabalho… foi o primeiro ministro italiano que permaneceu mais tempo no cargo desde a segunda guerra mundial (e o terceiro desde a unificação de Itália). Faz parte de uma longa tradição de políticos italianos de Cesar Bórgia a Andreotti, uma tradição que confunde negócios públicos com privados, que não tem pejos em recorrer à violência, suborno/corrupção/intriga, apoiada e ligada à santa madre igreja católica apostólica Romana. Há quem diga que é o herdeiro de Andreotti (de que este filme faz um interessante retrato) e da maçónica P2. Ou seja, “Il Cavalieri” pode ser um misógeno, xenófobo, mafioso e tuti quanti, mas é também a cara, o herdeiro de uma longa tradição e de um conjunto de interesses poderosos na economia-sociedade-política Italiana.

    É importante relembrar isso porque como é óbvio, este sector da sociedade Italiana não iria  desaparecer por milagre só porque nesta particular conjuntura isso é o que dá mais jeito à grande finança Internacional e Alemã… Esta lógica mafiosa, que foi alimentada no pós guerra para conter a ascensão ao poder do histórico (hoje defunto) Partido Comunista Italiano não se liga e desliga consoante os desejos da grande burguesia internacional… Sobretudo quando a situação económico-social só se agravou enquanto Itália foi governada pelo vice-rei ao serviço da Alemanha. Depois, com um elevado instinto de sobrevivência Berlusconi lançou forte e feio a cartada anti-Merkel, em conjunto com uma série de propostas demagógicas (como enviar uma carta a todos os italianos a dizer que lhes vai devolver parte dos impostos pagos…).

    Entre escolher aqueles que prometem lutar por melhores condições de vida e aliviar o sofrimento do povo ou aqueles que só prometem mais do mesmo, sendo que é óbvio (sobretudo em Portugal) que esse rumo só levará a mais miséria, quem é que escolheriam?

    Pode-se, como muit@s fazem, olhar para o fenómeno Berlusconi (e outros semelhantes tipo Alberto João, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro) com um certo desdém aristocrático-liberal e dizer que são uns “incivilizados”, “selvagens” ou outros mimos equivalentes e depois ficar à espera que a “ralé” se importe com isso e vire as costas ao seu “Cavalieri”.  Ou pode-se fazer um esforço…  Avaliar as dinâmicas políticas, sociais e económicas por um prisma materialista dialéctico, ir para lá da espuma dos dias e perceber qual o papel que esse tipo de movimentos/personagens desempenha a cada momento do processo histórico. Aliás só assim se poderá percorrer o caminho que permitirá derrotar/neutralizar os Berlusconis desta vida.

    E não é de certeza a correr para os braços do Monti e prometendo mais miséria para o povo que se derrotam estas personagens !!!!!!!

Deixo uma última nota, a forma como Berlusconi foi deposto do poder e substituído por Monti. A demissão de Berlusconi em Novembro de 2011 de primeiro ministro deveria ser motivo de júbilo. Eu pecador confesso que não senti na altura júbilo nenhum. Berlusconi não  caíu devido à pressão popular (embora vários protestos que antecederam a sua queda tenham contribuído para o desgaste), não saiu para se dar voz ao povo e haver novas eleições.   Não, o que se passou foi um representante eleito pelo povo ser deposto e substituído por um funcionário da Comissão Europeia (ex Goldman Sachs). Não sei o que é que há para celebrar nisto. Aliás para muita da base “Berlusconiana” não só não havia motivos para celebrar, como havia fortes motivos para levar acabo uma VENDETTA (vingança)...

 ---   E o palhaço? No meio desta palhaçada, envolvendo máfias domésticas e internacionais, veremos como se sai o genuíno palhaço

Beppe Grillo

   Beppe Grillo e o movimento 5 estrelas foram os grandes vencedores. O movimento 5 estrelas foi o Partido mais votado para a câmara dos deputados com 25,55% dos votos, as coligações de Berlusconi e Bersani estão ligeiramente acima (com 29% e qualquer coisa cada uma) mas os seus partidos ficaram abaixo do movimento.

   Assim irrompe na Europa e na Itália este movimento que vindo do nada conquista o primeiro lugar (como partido) nas eleições. Do nada? Do nada não é bem assim, as últimas eleições em Itália antes destas foram para o governo regional da Sicília e adivinhem quem foi o partido mais votado? Foi o 5 estrelas… E este tipo de fenómeno, a mim, faz me lembrar velhos episódios da história italiana… Grillo é em certo sentido o herdeiro de Savonarola, o monge dominicano que se insurgiu contra a opulência dos príncipes-banqueiros Médicis e o deboche do papado Bórgia.

   A linha de ataque principal de Grillo é contra a corrupção/máfia e os políticos (instalados) em geral. Tendo em conta o historial Italiano nessa matéria, é uma escolha que faz algum sentido… Não admira que essa mensagem caia em terreno fértil. Chamam-lhe populista, so what? É ou não é a corrupção um enorme problema em Itália? Está ou não está a vida política-partidária tradicional completamente podre e sem capacidade de resposta face aos actuais desafios? Óbvio que sim…

   Outra linha foi a anti-euro e IV Reich. Mais uma vez na mouche, se o Euro como diz o BILD é a moeda da Alemanha então os Alemães que fiquem com ela! Em Portugal, pequenino, a saída do euro causa algum temor, percebo “o que será de nós pobres e miseráveis portugueses abandonados à nossa sorte sem o euro para nos proteger”, esta é uma narrativa que vai colando. Em Itália país membro dos G7, há outra confiança que permite lançar um desafio mais claro.

    Outras propostas/campanhas do movimento são por exemplo a saída das tropas italianas do Afeganistão e a defesa da água e saúde como bens públicos e universais. O programa pode ser consultado aqui ou aqui.

    Mas talvez o que salte mais à vista seja a idiossincrasia do líder, que começou a campanha  para o governo regional da Sicília percorrendo a nado o estreito de Messina… Com vigor e agressividade está sempre à ofensiva “políticos rendam-se estão cercados!” foi um dos seus gritos no gigantesco comício de encerramento em Roma. Depois há toda aquela coisa do movimento, com candidatos escolhidos pela net, campanha de costas viradas para a televisão e com aposta forte nas acções de rua e pela internet

    Tenho algumas dúvidas quanto à consistência de tudo isto… mas o resultado do 5 estrelas é muito mais um sinal de esperança do que um “perigo”. Que o Economist e outros que tais achem que é um “perigo” compreendo eu e até valida a virtude deste movimento, que quem esteja contra o neo-liberalismo austeritário-autoritário também veja este movimento como um perigo compreendo menos…  Obviamente que a combinação líder forte/carismático  com movimento basista/horizontal leva a certas incongruências e a saltarem cá para fora certas propostas mais “reaccionárias”, mas esse não é o centro estratégico do movimento, não é o fundamental do seu papel histórico neste momento. Esses são epifenómenos marginais inerentes a qualquer amplo movimento de massas genuíno…     A Esquerda já tem obstáculos suficientes no seu caminho, não precisa de inventar inimigos adicionais…    O pau na engrenagem da União Europeia/Mercados colocado pelo 5 estrelas é muitíssimo bem vindo.

---    Para lá das perguntas que lancei no post de ontem levanta-se uma outra, e a Esquerda, a Esquerda a sério ?  Onde está no meio disto ?

Quarto_StatoA Esquerda italiana suicidou-se em 2006 quando a Refundação Comunista (que por instantes foi o “modelo” para a nova esquerda europeia…) integrou o governo Prodi. Quando o governo Prodi caiu a Esquerda foi varrida do parlamento e a refundação desintegrou-se… Uma vez perdida a confiança do povo, a consistência da organização, a própria confiança dos militantes, os danos são de tal ordem que não é fácil a reconstrução. Estas não são coisas que se recuperam com um estalar de dedos. O espaço deixado vazio pela refundação seria mais tarde ou mais cedo reocupado por alguém. Perante o acelerar da história não houve tempo para a esquerda superar as suas recriminações sectárias e a confiança popular. Outros chegaram-se à frente. O "movimento 5 estrelas" …

   Não é por acaso que o comício de encerramento de Grillo foi na praça S. Giovanni, local histórico dos comícios/celebrações de esquerda em Itália. Num inquérito feito aos apoiantes de Grillo é revelador que a maior parte deles se consideram de Esquerda e em vários assuntos estão mais à Esquerda que a média da população Italiana.

Revelador também é este testemunho apanhado pelo New York Times:   « As he sat outside his shop in Rome, Stefano Anidori, 52, said he had voted for the left in the past, but was considering supporting Mr. Grillo. “I am undecided, but I am so angry that I think I’ll vote for Grillo,” he said.

But he also worried that the movement was too new in politics.“How can they propose laws or understand the system quickly enough for a country in such deep trouble?” he asked. “But I voted for the left for 20 years. I am tired of losing and tired of seeing the same faces over and over again.” »

    Foi em grande medida o povo de esquerda, traído e abandonado pelos seus supostos representantes, que deu este resultado a Grillo. Foi quem está farto da miséria e corrupção e não vê saída nos políticos do costume. Foi quem no 1º de Maio celebra o dia do trabalhador na praça S. Giovanni. Grillo pode dizer que não é de esquerda, nem de direita, que é do povo. Mas ele é o herdeiro da tradição de resistência à esquerda. Quem insulta Grillo e o 5 estrelas agora, é esse povo e os milhões que nele votaram que está a insultar.

    O povo vai lutar contra a miséria. A sua fúria vai-se exprimir em episódios espontâneos, mas também pelos instrumentos institucionais/formais de luta que tem ao seu dispor. Se esses instrumentos forem capazes de produzir resultados concretos no seu quotidiano, serão reforçados e engrandecidos.   Se forem inúteis serão descartados e novos surgirão.  Em Portugal a Esquerda institucional (PCP e BE) ainda têm um certo capital de esperança/confiança. Se forem capazes de em harmonia com o movimento popular atingir resultados concretos irão crescer, se traírem como traiu a refundação ou se se relegarem para um sectarismo impotente, então outras forças surgirão para tomar o seu lugar. E nem todas elas serão tão “simpáticas” como o "5 estrelas"…

   Mas em Portugal e para já, a convergência que se está a construir pela base em torno do 2 de Março, parece ser exactamente o caminho a seguir para a Esquerda que se quer tornar um instrumento útil ao serviço do povo.  É continuar esse caminho.  O exemplo Italiano mostra qual será o seu destino se claudicar.



Publicado por Xa2 às 07:51 de 27.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Venham + 5 . Liberta-te do mêdo, solta a tua voz .

     Sábado,  2   de  Março  2013        (-por N.Serra)

        Não  sejas  'nêspera':    Levanta -te   e   Manifesta -te !
  Locais das manifestações agendadas no âmbito do «Movimento 2 de Março:  o Povo  é  quem  mais  ordena» (via Aventar, em actualização):
10h00- Horta; 14h00- Tomar, Torres Novas; 14h30- Caldas da Rainha; 15h00Braga, Coimbra, Covilhã, Londres, Marinha Grande, Paris (Consulado Geral de Portugal), Ponta Delgada, Santarém, Tomar, Viana do Castelo; 16h00Aveiro, Beja, Castelo Branco, Chaves, Entroncamento, Faro, Funchal, Guarda, Leiria, Lisboa, Loulé, Portimão, Porto, Setúbal, Vila Real, Viseu; 16h30- Portalegre; 17h00Barcelona; 18h00Boston.

 

  O  que  pode  um  país  esperar  ?

    O que pode um país esperar de uma combinação letal de incompetência, arrogância, ortodoxia económica e ligação a interesses que só prosperam quando a democracia é limitada?
    O que pode um país esperar de uma troika que insiste em aplicar com afinco uma receita, velha de décadas, que nunca funcionou e cujos estragos só foram minorados quando se dispôs de soberania monetária, de política cambial?
    O que pode um país esperar de quem disse que tudo no essencial ia bem, ao mesmo tempo que se evaporaram centenas de milhares de empregos, que se fragilizou a contratação colectiva e os direitos sociais, comprimindo ainda mais os rendimentos, a procura, ou seja, a principal razão, avançada pelos empresários, para a continuada quebra do investimento?
    O que pode um país esperar de quem procura disfarçar o que é inevitável e já está aliás em curso – uma reestruturação da dívida, mas nos tempos e nos interesses dos credores?
    É chegado então o momento de o país avaliar os avaliadores, denunciar o memorando e encetar um duro processo negocial, que reduza em profundidade o fardo da dívida e que permita recuperar instrumentos de política económica.
    Neste contexto, compreende-se que, nas ruas e não só, se insista em afirmar bem alto que “o povo é quem mais ordena”.   Talvez no dia de 2 de Março, sábado, tenha lugar a avaliação que mais conta.
      Excertos no Público de hoje.  (-


Publicado por Xa2 às 19:09 de 25.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Eu sairei à rua ... e cantarei a «Grândola... »

Porque saio à rua no dia 2 de Março

     Os efeitos das políticas que têm vindo a ser seguidas são conhecidos: o número de suicídios aumentou nos últimos dois anos* em mais de uma centena; o desemprego, agora de 16,9%, voltou a ultrapassar o máximo histórico; a mortalidade infantil aumentou 24%; 65 mil jovens abandonaram o país no último ano tantas vezes forçados pela falta de oportunidades; o número de falências aumentou 62%; nunca o crédito malparado das famílias foi tão elevado; a fome tem aumentado, e tem atingido também a classe média, em particular as crianças. E muito mais poderia ser dito.
     Longe de terem sido sufragadas, estas políticas acontecem ao arrepio daquilo que foi uma campanha eleitoral em que os partidos vencedores se bateram contra os «sacrifícios» impostos aos portugueses, alegando intenções de fazer o contrário daquilo que hoje praticam. Fizeram pouco da Democracia, desrespeitaram impunemente o eleitorado.
     Estas políticas também constituem ataque permanente (e irreversível), não só contra a Constituição, mas contra as conquistas mais importantes da Revolução dos Cravos. Perfilham um regime onde os direitos fundamentais são subalternizados a uma visão autoritarista do poder político, como se tem verificado na forma como são ameaçados e agredidos jornalistas, perseguidos os movimentos sociais recorrendo a detenções ilegais, acusações infundadas, práticas intimidatórias, vexatórias, recusa ilegal de assistência de advogado, e de muitas outras formas.
     Estes ataques à Liberdade acontecem num clima de  corrupção,  despesismo,  nepotismo.
Entre quem pratica estas políticas criminosas e quem as aceita passivamente, existe uma cumplicidade que destrói o país, destrói as nossas vidas, e contribui para um mundo pior.
     Dia 2 de Março é uma oportunidade para mostrar que não queremos fazer parte deste silêncio cúmplice. Vou aproveitá-la.
--------
(e levarei familiares e amigos mais novos, que não chegaram a viver/sentir a DITADURA antes de 25Abril'74  e ainda não interiorizaram a riqueza imaterial de Participar em grandes manifestações cívico-políticas ... será, espero, uma lição de História ao Vivo de que se poderão orgulhar Futuro ! e dizer :  EU  ESTIVE  LÁ  ! )


Publicado por Xa2 às 09:08 de 23.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Ditadura provisória e manifestações

            Uma  questão de  tempo     (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

     Não surpreende que o PSD e os seus avençados mediáticos tenham escolhido a via da vitimização para tratar o caso do inimputável Dr. Relvas. Os piores crápulas gostam sempre de fingir indignação quando são despidos em público. O que surpreende é a reacção de algumas pessoas de esquerda e uma ou outra luminária do regime que já veio botar faladura sobre o assunto.

     Vamos lá ver as coisas como elas são:  esta gente saberá o que é censura?  O que é liberdade de expressão?  Não saberão que a censura é sempre um acto de poder exercido pelo mais forte sobre o mais fraco?   Uma limitação de expressão que visa calar opiniões contrárias, prévia ou posteriormente?   Ontem, quando o Dr. Relvas entrou no ISCTE, rodeado de seguranças, e subiu para um palanque posto à disposição pela estação com mais audiências do país, quem detinha o poder?   O ministro dos Assuntos Parlamentares, que tutela a comunicação social e decide os destinos do país, que tem o controle directo sobre os instrumentos que podem exercer a violência de Estado (a polícia e as forças armadas),  ou um grupo de estudantes que diariamente sofre as consequências das políticas implementadas pelo Governo a que o Dr. Relvas pertence?

      É de facto inacreditável que haja quem esteja, por ignorância ou pura má fé, a confundir censura com o que aconteceu ontem.  Durante três minutos, os assobios, os insultos e os apupos ao Dr. Miguel Relvas sobrepuseram-se à propaganda ministerial.  Os outros quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos do ano são usados pelo Dr. Relvas para sobrepujar, humilhar e empobrecer os estudantes que ontem não o deixaram falar e deram voz à raiva e à humilhação sentida por milhões de portugueses. Confundir um direito em democracia - o direito à manifestação - com um instrumento das ditaduras - a censura - não é, não pode ser, sério.

      O que muita gente parece não perceber é que a democracia não são aqueles breves dois segundos em que depositamos o nosso voto na urna. Os quatro anos (dois milhões, cento e dois mil e quatrocentos minutos) a que cada Governo tem direito não são um cheque em branco.  Cada minuto passado no poder por cada um dos governantes tem de ser um minuto a prestar contas, não só ao seu eleitorado mas a todos os cidadãos. Um mandato de quatro anos não é uma ditadura provisória, durante a qual tudo pode ser legítimo, mesmo (e sobretudo) quando todas as promessas eleitorais ou o que está no programa do Governo não é cumprido.

     O que o Dr. Relvas sentiu ontem foi a consequência imediata de um ano e meio de desvario, prepotência e desrespeito pelo povo que ele era suposto servir. Três minutos em que a democracia se sobrepôs à ditadura de quatro anos, que parece ser o modo como este Governo olha para o seu mandato. Não se perceber isto é não se perceber nada de nada. Um regime que ataca um grupo de estudantes contestatários (e não-violentos) para defender uma figura sinistra como o Dr. Relvas precisa urgentemente de repensar a sua natureza e existência. 

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Falemos de corrupção (11)  (- títulos do CM: «Amigas de Portas colocadas em Londres, ganham concurso diplomático»; «Passos e Relvas investigados») . “Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir” - D. Januário Torgal Ferreira, 16/07/2012.

 No ISCTE  não lhe deram  equivalência : (e Relvas teve de abandonar a sala, protegido pelos seguranças... ficando sem sabermos 'como será o jornalismo daqui a 20 anos?').

 -  "Isto é um sítio privado, não tens direitos!" :  Não se fiquem pela canção. Vale a pena tomar atenção ao estilo do moderador do 'clube dos "pensadores". (em defesa do seu convidado Relvas perante a 'Grândola...' e  os insultos que lhe foram dirigidos da assistência ...)

- " Cada vez que um português encontre um ministro, um secretário de Estado ou um banqueiro ...  cante-lhe a 'Grândola, Vila Morena'."- Paulo Raposo, do movimento "Que se lixe a troika".

- Pedro Rosa Mendes:   « ... encontramo-nos na Rua. »  também a 2 Março 2013.



Publicado por Xa2 às 07:55 de 21.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Não aguentamos esta destruição ! ... vamos à manif. e à Luta !

Não, não aguentamos

         «Esta semana tivemos mais notícias do projecto de (re)engenharia social em que nos tornamos. Já vamos em praticamente um milhão de desempregados registados e umas largas dezenas de milhares que não arranjam coragem suficiente para ir ao centro de emprego dar o nome. Mais de metade destes nossos concidadãos já não recebem o subsídio de desemprego caminhando rapidamente para a miséria. Gente que não era sequer pobre há dois ou três anos. Homens e mulheres de classe média, na sua maioria entre os trinta e cinco e os cinquenta anos, com filhos, com casas para pagar, cujas perspectivas de voltar a trabalhar são muito ténues. Pessoas que cedo ou tarde trabalharão por quase nada, se essa sorte tiverem, tal será o desespero. Tudo gente a quem foi dito que se devem ajustar a um novo modelo social. Um que não tem contemplações com quem não for empreendedor, com quem não for especializado em indústrias transaccionáveis; aquele que não suporta piegas.
     Também ficamos a saber que quarenta por cento dos nossos rapazes e raparigas não conseguem começar as suas vidas profissionais. A mais bem qualificada geração portuguesa está condenada a emigrar. São, no fundo, uns privilegiados. Estes ainda podem zarpar para outros lugares. Como os seus avós, fogem à fome e como os seus avós partem não porque querem mas porque não há lugar para eles. Ficam os velhos, os que não podem fugir.
     Números, muitos números que o primeiro-ministro promete rever. Para já temos uma economia em recessão profunda, sem investimento, sem procura interna, com as exportações a diminuir e dentro em pouco com menos 4 mil milhões de euros a circular: ninguém percebe como raio não vão ser destruídos ainda muitos mais empregos que o previsto ou que milagre se dará para que a economia comece a crescer. As boas notícias são que lá para o segundo semestre o ritmo da subida do desemprego vai diminuir, ou seja, vamo-nos afundando mais devagarinho. Nessa altura o primeiro-ministro volta a rever a folha de cálculo.
      Os valores do desemprego correspondem a uma vontade política. Não da responsabilidade integral do Governo, que fique claro. Mas que o Governo abraçou de forma entusiástica as políticas que conduzem à recessão e ao desemprego, não há dúvidas.
      Todas as medidas que foram sendo tomadas e que vão continuar a ser terão sempre este tipo de consequências. No fundo, o Governo acredita que destruindo o actual tecido económico, provocando a maior recessão da nossa história recente, atirando milhões para o desemprego, dum momento para o outro e duma forma radical, resultará num país novo, dinâmico, exportador, empreendedor. Sem preguiçosos e sem os mandriões que viviam à custa dos subsídios de desemprego e dos rendimentos de inserção.
      Não é só uma revolução económica que está em marcha, é sobretudo uma revolução social. O Governo e os loucos europeus apostaram na revolução, no mais puro radicalismo ideológico (neo-liberal). Resolveram testar meia dúzia de princípios ideológicos colados com cuspo e decidiram tornar uma geração praticamente inteira num exército de inúteis, de gente dispensável, de pessoas que não encaixam, que viverão à margem.
      Só que uma comunidade não subsiste, não coopera, não prospera, dividindo os seus cidadãos em obsoletos e modernos, em velhos e novos, em úteis e inúteis, em funcionários privados e públicos, em empreendedores e não empreendedores. Quando destruímos a solidariedade entre os cidadãos, quando deixamos de ter objectivos comuns deixamos de ter uma comunidade no verdadeiro sentido da palavra. Uma sociedade onde um em cada quatro cidadãos não tem emprego (por enquanto), com pessoas que dentro em pouco não conseguirão subsistir por si próprias, em que as outras em grande parte viverão no limiar da pobreza, que expulsa do País uma geração, não é uma verdadeira comunidade.
      Num país com um exército de desempregados, minado pela pobreza, com as prestações sociais muito diminuídas, a democracia será apenas um detalhe sem importância. Pouco tempo sobreviverá.
    Quanto tempo ainda teremos? De quanto tempo mais precisará a Europa para perceber que está a destruir um país? De quanto tempo mais precisará Passos Coelho para entender que tem de inverter o rumo? Nós já temos pouco, muito pouco tempo.»
[DN], Pedro Marques Lopes.   


Publicado por Xa2 às 19:12 de 18.02.13 | link do post | comentar |

O Povo manifesta-se e ordena !
   

 Os representantes do povo  (-por Sérgio Lavos )  e   Terra da fraternidade  (-por Daniel Oliveira)

A excelentíssima reformada aos 42 anos (com uma reforma de 10 000 euros) que tem vindo neste último ano e meio a fazer um part-time como Presidente da Assembleia da República para compôr o seu parco rendimento mensal sentiu-se incomodada com o "Grândola Vila Morena" entoado em plena casa da democracia. Diz ela que "as pessoas não se podem manifestar, especialmente nestas condições". Eu digo, que, "especialmente nestas condições" - a miséria e a destruição no país provocadas pelo partido que a escolheu para o cargo que ocupa - é que os cidadãos podem e devem manifestar-se. E manifestar-se-ão até que a senhora e os representantes dos partidos que a nomearam caiam da cadeira, como aconteceu com um saudoso antepassado que eles devem admirar. Custe o que custar. Temos pena.

    Ontem, nas Portas do Sol, os espanhóis, depois de verem o nosso primeiro-ministro ser interrompido por este hino de solidariedade, também o cantaram. 

    ... Apetece fazer o quê ...?!

Se os Partidos do 'arco do poder' levaram a esta situação e se os Deputados não são 'nossos' verdadeiros representantes e se mostram incapazes de fazer o que se impõe urgentemente, a alteração deste "sistema" democrático(?) podre, corrupto, opaco, nepotista, ... terá de ser o POVO PORTUGUÊS a chamar a si essa responsabilidade, para que seja moralizada a vida política em Portugal.



Publicado por Xa2 às 07:48 de 18.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Manifestações: necessárias e grandes para suportar propostas alternativas

  

         ... também a  2  de  Março  2013        (-por Miguel Cardina, Arrastão)

  O blogue da organização da manifestação do próximo dia 2 de Março está a publicar textos de gente que apoia e nesse dia estará a protestar nas ruas deste país (e em algumas cidades do estrangeiro). Aqui fica o meu:

       Ao contrário do que ouvimos dizer tantas vezes, acho que «isto vai lá com manifestações». Basta olharmos para o passado: quantas afrontas ao poder dominante foram precisas para que se vivesse num lugar menos injusto? Quantas palavras de ordem foram gritadas até que o direito à greve ou a um horário de trabalho menos penoso se pudesse tornar realidade? Quantos gestos de coragem foram necessários para que os escravos e as mulheres pudessem ser gente, para que povos pudessem ter direito à autodeterminação, para que caíssem ditadores e ditaduras?

     Façamos um outro exercício: o que diremos a quem nos perguntar, num futuro qualquer, o que fizemos quando se cortava como nunca o rendimento de quem trabalha ou trabalhou uma vida? O que fizemos quando se preparava a privatização da saúde e se encolhia a escola pública? O que dissemos quando banqueiros que enriqueciam à conta do Estado e de todos nós nos mandavam aguentar à imagem de um sem-abrigo? O que propusemos quando a narrativa sobre a necessidade de «honrar os compromissos» mantinha a dívida impagável e servia para dar cabo do estado social? Diremos que a melhor forma de intervenção política em 2013 consistia em ficar em casa?

      «Ir um dia para a rua não chega», dirão os cépticos. Talvez não chegue. Talvez o governo não caia a seguir a esta manifestação e sejam necessárias outras. Mas o golpe que lhe desferirmos depende da nossa força na rua. «Sair à rua não basta», dirão os sisudos. Talvez não baste. Talvez seja necessário fazer cruzar e interagir o plano dos protestos ao plano das propostas. Mas é preciso ter bem claro, a este respeito, que as boas propostas só se materializarão se tiverem a suportá-las a força do protesto.

      É este o segredo que será revelado a 2 de Março: o povo é quem mais ordena. Vítor Gaspar demonstrou-o de forma cristalina quando, na sequência da manifestação de 15 de Setembro, elogiou com cinismo o «melhor povo do mundo». Ele sabia que a rua faz qualquer governo tremer e que é sempre má política afrontar um rio de gente erguida. Sabia, no fundo, que isto pode ir lá com manifestações. E nisso tem razão.

Queremos as nossas Vidas



Publicado por Xa2 às 18:15 de 15.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Acordo UGT-Governo-patrões para 'amansar' ...

           POSITIVO  PARA  OS  TRABALHADORES ?!! 

    João Proença, Secretário - Geral da UGT em entrevista ao «Negócios» de hoje afirma que o Acordo assinado a 18 de janeiro de 2012 com o governo e os patrões foi positivo para os trabalhadores portugueses !!  É admirável a crença de João Proença no dito Acordo que ameaça rasgar há vários meses!  E porquê?

     Por cortarem nos salários e nos subsídios de férias e Natal?
Por aumentarem de forma imoral o IRS de quem trabalha e serem benévolos para os bancos e acionistas?
Por diminuírem drasticamente as compensações por despedimento e por porem os trabalhadores a pagar o seu próprio despedimento?
Por darem a possibilidade de se aumentar o horário de trabalho e o despedimento?
Afinal em que aspetos o dito Acordo foi positivo quando o desemprego penaliza fortemente os trabalhadores?
     Ah! Já sei o que me diria Joao Proença. Diria que se não fosse o Acordo ainda estaríamos pior !  Os trabalhadores teriam perdido todo o salário e teriam que pagar para trabalhar !  Visto dessa maneira concordo... 
    [mas ...o desemprego aumentou e continua a aumentar; com as falências de empresas sucede o mesmo; a dívida pública atinge quase 120% do PIB; o déficit não atinge os limites do estabelecido. ... - para que serviu então o Acordo de 2012 ? ... (para 'amansar' os trabalhadores e a oposição !!) sem ele, certamente a mobilização popular e sindical seria superior à que tem sido e o (des)governo teria concerteza enfrentado ainda mais combate social e sindical e estaria socialmente ainda mais isolado, o que significa que teria menos possibilidade de continuar a praticar maldades anti-sociais, como a da actual tentativa de redução de quatro mil milhões no Estado Social ! ... ]
     Esta posição de Proença é muito semelhante á de alguns militantes da CGTP. Têm uma crença também muito própria. É a crença na luta como um objetivo. Podemos estar a morrer de fome mas se lutarmos sempre morreremos a lutar. Uns querem morrer a negociar e outros querem morrer a lutar! Duas faces da mesma moeda.
    Seria bom perguntar cada vez mais qual é a posição dos trabalhadores e não apenas dos respetivos dirigentes. Os dirigentes sindicais não são vanguarda dos trabalhadores mas apenas seus representantes.
    O futuro vai ser extremamente duro com os dirigentes sindicais se não se instituírem novos mecanismos de auscultação e debate com os trabalhadores. 
     O fosso entre representantes e representados não se alarga apenas no domínio político (entre deputados e eleitores, entre dirigentes partidários e militantes, ...). O fosso também se está cavando na área sindical. Teremos que inverter a situação!  Não é fácil ! Voltaremos a este assunto!


Publicado por Xa2 às 07:49 de 13.02.13 | link do post | comentar |

Manifestar ... dignidade e resistência

                  . Indignados - a Luta continua ...

.Para 2 de Março 2013 já estão convocadas 19 manifestações (Lisboa já tem mais de 6000 adesões) e no blogue “que se lixe a troika” começam a ser publicados escritos importantes de várias pessoas. O contra-ataque gráfico também segue o seu caminho.

 «    Que se  lixe a  troika.  O  Povo  é quem  mais  ordena !

Em Setembro, Outubro e Novembro enchemos as ruas mostrando claramente que o povo está contra as medidas austeritárias e destruidoras impostas pelo governo e seus aliados do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu – a troika.
Derrotadas as alterações à TSU, logo apareceram novas medidas ainda mais gravosas. O OE para 2013 e as novas propostas do FMI, congeminadas com o governo, disparam certeiramente contra os direitos do trabalho, contra os serviços públicos, contra a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, contra a Cultura, contra tudo o que é nosso por direito, e acertam no coração de cada um e cada uma de nós. Por todo o lado, crescem o desemprego e a precariedade, a emigração, as privatizações selvagens, a venda a saldo de empresas públicas, enquanto se reduz o custo do trabalho.
           Não aguentamos mais o roubo e a agressão.
    Indignamo-nos com o desfalque nas reformas, com a ameaça de despedimento, com cada posto de trabalho destruído. Indignamo-nos com o encerramento das mercearias, dos restaurantes, das lojas e dos cafés dos nossos bairros. Indignamo-nos com a Junta de Freguesia que desaparece, com o centro de saúde que fecha, com a maternidade que encerra, com as escolas cada vez mais pobres e degradadas. Indignamo-nos com o aparecimento de novos impostos, disfarçados em taxas, portagens, propinas… Indignamo-nos quando os que geriram mal o que é nosso decidem privatizar bens que são de todos – águas, mares, praias, território – ou equipamentos para cuja construção contribuímos ao longo de anos – rede eléctrica, aeroportos, hospitais, correios. Indignamo-nos com a degradação diária da nossa qualidade de vida. Indignamo-nos com os aumentos do pão e do leite, da água, da electricidade e do gás, dos transportes públicos. Revolta-nos saber de mais um amigo que se vê obrigado a partir, de mais uma família que perdeu a sua casa, de mais uma criança com fome. Revolta-nos o aumento da discriminação e do racismo. Revolta-nos saber que mais um cidadão desistiu da vida.
      Tudo isto é a troika: um governo não eleito que decide sobre o nosso presente condicionando o nosso futuro. A troika condena os sonhos à morte, o futuro ao medo, a vida à sobrevivência. Os seus objectivos são bem claros: aumentar a nossa dívida, empobrecer a maioria e enriquecer uma minoria, aniquilar a economia, reduzir os salários e os direitos, destruir o estado social e a soberania. O sucesso dos seus objectivos depende da nossa miséria. Se com a destruição do estado social a troika garante o financiamento da dívida e, por conseguinte, os seus lucros, com a destruição da economia garante um país continuamente dependente e endividado.
      A 25 de Fevereiro os dirigentes da troika, em conluio com o governo, iniciarão um novo período de avaliação do nosso país. Para isto precisam da nossa colaboração e isso é o que não lhes daremos. Porque não acreditamos no falso argumento de que se nos “portarmos bem” os mercados serão generosos. Recusamos colaborar com a troika, com o FMI, com um governo que só serve os interesses dos que passaram a pagar menos pelo trabalho, dos bancos e dos banqueiros, da ditadura financeira dos mercados internacionais. E resistimos. Resistimos porque esta é a única forma de preservarmos a dignidade e a vida. Resistimos porque sabemos que há alternativas e porque sabemos que aquilo que nos apresentam como inevitável é na verdade inviável e por isso inaceitável. Resistimos porque acreditamos na construção de uma sociedade mais justa.
      A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas. Exigimos a demissão do governo e que o povo seja chamado a decidir a sua vida.
      Unidos como nunca, diremos basta.
      A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!
      QUE  SE  LIXE  A  TROIKA .    O  POVO  É  QUEM  MAIS  ORDENA !   »

--Texto do15 Set.2012:  !  Queremos as nossas Vidas !

 «     É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário. É preciso tomar as ruas e as praças das cidades e os nossos campos. Juntar as vozes, as mãos. Este silêncio mata-nos. O ruído do sistema mediático dominante ecoa no silêncio, reproduz o silêncio, tece redes de mentiras que nos adormecem e aniquilam o desejo. É preciso fazer qualquer coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva. É preciso convocar de novo as vozes, os braços e as pernas de todas e todos os que sabem que nas ruas se decide o presente e o futuro. É preciso vencer o medo que habilmente foi disseminado e, de uma vez por todas, perceber que já quase nada temos a perder e que o dia chegará de já tudo termos perdido porque nos calámos e, sós, desistimos.
     O saque (empréstimo, ajuda, resgate, nomes que lhe vão dando consoante a mentira que nos querem contar) chegou e com ele a aplicação de medidas políticas devastadoras que implicam o aumento exponencial do desemprego, da precariedade, da pobreza e das desigualdades sociais, a venda da maioria dos activos do Estado, os cortes compulsivos na segurança social, na educação, na saúde (que se pretende privatizar acabando com o SNS), na cultura e em todos os serviços públicos que servem as populações, para que todo o dinheiro seja canalizado para pagar e enriquecer quem especula sobre as dívidas soberanas. Depois de mais um ano de austeridade sob intervenção externa, as nossas perspectivas, as perspectivas da maioria das pessoas que vivem em Portugal, são cada vez piores.
     A austeridade que nos impõem e que nos destrói a dignidade e a vida não funciona e destrói a democracia. Quem se resigna a governar sob o memorando da troika entrega os instrumentos fundamentais para a gestão do país nas mãos dos especuladores e dos tecnocratas, aplicando um modelo económico que se baseia na lei da selva, do mais forte, desprezando os nossos interesses enquanto sociedade, as nossas condições de vida, a nossa dignidade.
     Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, países reféns da Troika e da especulação financeira, perdem a soberania e empobrecem, assim como todos os países a quem se impõe este regime de austeridade.
Contra a inevitabilidade desta morte imposta e anunciada é preciso fazer qualquer coisa de extraordinário.
     É necessário construir alternativas, passo a passo, que partam da mobilização das populações destes países e que cidadãs e cidadãos gregos, espanhóis, italianos, irlandeses, portugueses e todas as pessoas se juntem, concertando acções, lutando pelas suas vidas e unindo as suas vozes.
     Se nos querem vergar e forçar a aceitar o desemprego, a precariedade e a desigualdade como modo de vida, responderemos com a força da democracia, da liberdade, da mobilização e da luta. Queremos tomar nas nossas mãos as decisões do presente para construir um futuro.
     Este é um apelo de um grupo de cidadãos e cidadãs de várias áreas de intervenção e quadrantes políticos. Dirigimo-nos a todas as pessoas, colectivos, movimentos, associações, organizações não-governamentais, sindicatos, organizações políticas e partidárias.
     Dividiram-nos  para nos  oprimir.   Juntemo-nos  para nos  libertarmos !      »

  .

"A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos."(a minoria, enquanto a maioria empobrece) - Mia Couto. - Convidam-se os cidadãos lesados a navegar pela coluna à direita do ApodreceTuga, a conhecer as profundezas dos crimes, que há décadas arruínam Portugal.    Incompetência, gestão criminosa, CORRUPÇÃO, abuso, favores e impunidade ... + impostos esbanjados em tachos, boys, abuso e tráfico de cargos, influências e inside business...      DIVULGUE e contribua para DESMASCARAR os traidores e a rede de 'bangsters' que SAQUEIAM o esforço do nosso trabalho e nos afundam na pobreza.



Publicado por Xa2 às 07:44 de 05.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Manifestação de professores e cidadãos
Professores.   .  [Lusa, 28-01-2013]
   Professores de várias gerações de todo o país pediram, em Lisboa, a demissão do ministro da Educação. Segundo números avançados pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), mais de 40 mil professores participaram na manifestação.  No desfile entre a praça Marquês de Pombal e o Rossio, as palavras de ordem mais ouvidas foram "Crato para a rua, a escola não é tua", "Com este Governo andamos para trás" e "Um governo sem razão não faz falta à educação".
   Com uma bandeira preta onde se lê "Professores em luto", Ana Sanches, docente há 30 anos, disse à Lusa que o ministro da Educação, Nuno Crato, devia ir para a rua porque "está a destruir neste momento a escola pública", sendo esse o motivo por que participa na manifestação. Na opinião desta professora, o ensino "nunca esteve tão mal como está agora".
   Apesar de a manifestação ter sido convocada pela Fenprof, participaram no protesto muitos professores não sindicalizados.
   Ana Mercedes, professora há 23 anos, levou um cartaz onde escreveu "Está visto e ouvisto, é mesmo preciso a escola", ironizando com o que considera o mau domínio da língua pelo ministro Miguel Relvas e salientou que "não basta ser português, é preciso também saber falar a língua".  Esta professora da Costa da Caparica condena o agrupamento das escolas, que considera colocar o trabalho dos professores em risco, e explica ter aderido à manifestação para defender a educação em Portugal.
   Com um cartaz onde se lê "Socorro sou um professor", Pedro Ferreira trouxe também à manifestação a filha, que transportava também um cartaz referindo "Socorro sou filha de um professor".    Docente há mais de 20 anos, Pedro Sequeira queixou-se do número de horas que tem de passar na escola, a maior parte dessas horas extracurriculares, e lembra que ganha 1.400 euros, mas que na passada quinta-feira passou mais de 12 horas na escola.
    A manifestação foi organizada pela Fenprof com o objetivo de defender a escola pública, a profissão de professor e a qualidade do ensino.
O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, anunciou hoje que o sindicato vai levar entre 18 e 22 de fevereiro os protestos sobre o setor às escolas.  "Vamos cobrir de luto as escolas. Estamos de luto por aquilo que estão a fazer ao país", disse no seu discurso de encerramento da manifestação de hoje dos professores em Lisboa que, segundo a organização, juntou mais de 40 mil docentes.
   O ex-líder da CGTP, Carvalho da Silva, marcou presença durante as intervenções do atual secretário-geral da central sindical, Arménio Carlos, e do secretário-geral da Fenprof.   Mário Nogueira disse ainda querer reunir-se com o ministro da Educação, Nuno Crato, referindo que o governante "não pode continuar a fingir que não existe".  Durante a sua intervenção, que durou cerca de 40 minutos, Mário Nogueira disse também que os professores vão juntar-se a um protesto da CGTP marcado para 16 de fevereiro em todas as capitais de distrito e nas regiões autónomas.
   A Fenprof anunciou ainda que vai promover uma petição nacional em defesa das funções sociais do Estado. O sindicato vai ainda lançar uma campanha nacional a defender a escola pública em todo o país.  Durante o seu discurso, Mário Nogueira disse rejeitar que os professores sejam afastados dos seus lugares, lembrando que todos os que estão a trabalhar nas escolas são qualificados e com formação.
   "Diz a história do nosso país que os portugueses que foram os grandes portugueses deste país foram sempre por mérito absoluto e nunca por equivalência", afirmou.
    O secretário-geral dos Sindicato dos Professores de Buenos Aires, o argentino Roberto Baradel, marcou presença na manifestação e chegou a fazer uma curta intervenção antes de Arménio Carlos falar.  Em declarações à Lusa, o sindicalista explicou que estava solidário com a ação de luta da Fenprof, uma vez que a Argentina já passou por uma intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Venho acompanhar a luta dos trabalhadores da educação de Portugal, prestar solidariedade, para que a luta seja a nossa luta", disse.
    Questionado sobre a experiência da intervenção do FMI na Argentina, Roberto Baradel disse que foi "muito má", e que na altura se registou taxas de desemprego na ordem dos 30%.  "Quando o FMI se foi embora surgiu mais trabalho, mais educação e mais saúde", declarou.
    "O FMI não beneficia o povo e os trabalhadores, beneficia os capitalistas e os bancos", afirmou o sindicalista argentino, defendendo uma política de expansão, em detrimento da austeridade.
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«Ninguém vos pode dar a Liberdade.
Ninguém vos pode dar Igualdade ou Justiça ou qualquer coisa.
Se és Cidadã/o, Luta para as obter e manter. ! »
(-adaptado de Malcolm X speaks., via 5dias.net)


Publicado por Xa2 às 18:13 de 28.01.13 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Mega des-Educação + pimenta

             Pais e professores contra novos (mega-) agrupamentos de escolas

     O Ministério da Educação e Ciência anunciou a criação de mais 67 novos agrupamentos e as primeiras reacções não se fizeram esperar. Pais e sindicatos dos professores estão preocupados com a decisão de constituir mais mega-agrupamentos — pelo menos um deles, em Lisboa, terá quase quatro mil alunos.

    A reorganização cria 12 novos agrupamentos com mais de três mil alunos e apenas dois têm menos de mil estudantes (ver ficheiro em anexo). Trata-se de um "crime pedagógico", classifica Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), ouvido pela agência Lusa. Os chamados mega-agrupamentos são "instrumentos fundamentais para despedir", continua.

     João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), concorda que esta medida vai ter como consequência o despedimento de pessoal docente e não docente. É uma medida "meramente económica", reage Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), que, segundo confessa à Lusa, "não tem quaisquer expectativas positivas" em relação a esta decisão da tutela.

    "Quando dessa agregação resultam grandes unidades organizacionais com um número elevado de alunos, cria-se um distanciamento entre quem dirige as escolas e as pessoas que aí trabalham como os professores, os trabalhadores de apoio educativo e até os alunos”, avalia João Dias da Silva à Lusa.

O "distanciamento" é também uma preocupação para os pais. Albino Almeida recorda que há dias, em Lisboa, foram detectados casos de crianças com fome que não tinham chegado ao conhecimento do director do agrupamento. Mas não só: existe outro factor — a "distância" — que pode obrigar os alunos a deslocarem-se para outras escolas, mais longe, por falta de oferta.

    “Acima do interesse da educação e dos alunos hoje está a questão financeira. Estes mega-agrupamentos têm o único objectivo de poder reduzir, eliminar, extinguir lugares, quer de docentes, quer de não docentes”, resume Mário Nogueira, que lembra que no anterior Governo socialista, quando a medida dos mega-agrupamentos começou a ser aplicada, o PSD se posicionou contra.

    “Quando a doutora Isabel Alçada [ex-ministra da Educação] implementou os primeiros agrupamentos escolares, o PSD apresentou um projecto de resolução em que dizia ao Governo de então que não havia estudos nem evidências que comprovassem a eficácia dos mega-agrupamentos. Não há seriedade nenhuma da parte deste Governo, porque faz exactamente o mesmo que criticava antes”, condena.

     O Ministério da Educação e Ciência anunciou a criação de mais 67 novos agrupamentos e as primeiras reacções não se fizeram esperar. Pais e sindicatos dos professores estão preocupados com a decisão de constituir mais mega-agrupamentos — pelo menos um deles, em Lisboa, terá quase quatro mil alunos.

     João Dias da Silva nota que há países que estão a fazer o contrário, a constituir pequenas unidades organizacionais, porque a "ordem pedagógica e a organização pedagógica das escolas exigiria formas mais próximas de gestão e de trabalho pedagógico". Mário Nogueira considera que "um mega-agrupamento de quatro mil alunos é a negação de tudo aquilo que é tido como a qualidade do ensino, é a negação da escola".

    Por seu lado, Albino Almeida defende que as autarquias devem ser envolvidas. Mais: “É absolutamente necessário que esta política seja avaliada no futuro e permitir também que as escolas proponham o seu próprio modelo de gestão dentro de um quadro, como a Confap tem defendido, de uma lei-quadro do funcionamento do ensino público em que as escolas fossem financiadas por aluno ou por turma.”

    O ministério diz, em comunicado de imprensa, que esta medida tem como objectivo "reforçar o projecto educativo e a qualidade pedagógica das escolas, através da articulação dos diversos níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário", permitindo aos estudantes fazer todo o seu percurso no mesmo agrupamento; "facilitar o trabalho dos professores, que podem assim contar com o apoio de colegas de diversos níveis de ensino"; e "racionalizar a gestão dos recursos humanos e materiais das escolas, dando-lhes o melhor aproveitamento conjunto possível". Os agrupamentos anunciados vão entrar em vigor assim que forem nomeadas novas comissões administrativas provisórias.

                Gás  pimenta  na Pátria  que  nos  pariu     (-por Daniel Oliveira, Arrastão)

O que diríamos de um pai que lançasse gás pimenta sobre os olhos do seu filho? O que diríamos de um professor que fizesse tal coisa a um aluno? O que devemos dizer sobre um polícia que o usa, levando a que crianças e jovens, entre os 12 e os 15 anos, a receber assistência hospitalar? Foi isso que a polícia fez na última sexta-feira, em Braga, para abrir um portão de uma escola perante uma manifestação que não representava qualquer risco para a segurança dos cidadãos.
     Como pode o Estado português garantir o cumprimento da lei nacional e das convenções internacionais por ele assinadas, que proíbem qualquer forma de violência sobre crianças, se são as suas forças de segurança a usar, ao mínimo pretexto, violência contra crianças? Sim, violência. Devo recordar que a Amnistia Internacional considerou, quando foi usado, na Califórnia, este tipo de arma contra manifestantes adultos, que se tratava de um ato "cruel, inumano e degradante". Porque o gás pimenta causa um ardor extremamente doloroso, irritação nos olhos, náusea, choque e vómito quando usado contra a cara de alguém. Pode ter efeitos dramáticos em pessoas com asma ou outros problemas respiratórios.
      ...   ...
      Nos telejornais de sexta-feira, esta notícia, que deveria ter merecido uma indignação geral, foi brevemente referida. Em dois dos três casos sem nunca se referir as idades das vítimas desta brutalidade.
       Da fraca de reação geral a um caso que deveria levar à uma ação criminal contra o responsável policial que deu ordem para assim se atuar e, provavelmente, à demissão do ministro da Administração Interna; e do pouco destaque que este caso mereceu na comunicação social, só posso concluir uma coisa: quem viveu quase meio século em ditadura habitua-se rapidamente a qualquer sevícia, desde que esta venha do Estado. E já nem os seus próprios filhos sabe proteger. Esta foi, lamentavelmente para a geração em que ainda podemos ter alguma esperança, a Pátria que os pariu.


Publicado por Xa2 às 13:12 de 18.01.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Polícia/ governo: amedrontar, acusar e perseguir cidadãos

Paula Montez, activista defensora da “estratégia da não violência, da desobediência civil e da resistência pacífica”, foi constituída arguida sem provas, tem termo de identidade e residência e foi notificada por telefone registado em nome de outra pessoa? O Ministério da Administração Interna perdeu de vez a cabeça ou o DIAP está apostado em não poupar o Miguel Macedo da remodelação?    (-por Renato Teixeira)

2012-12-16-12-20-08 “Esta semana recebi um telefonema no meu telemóvel de uma funcionária do DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) para me convocar para prestar declarações por ter sido “denunciada” por actos supostamente praticados por mim na manifestação do dia da greve geral de 14 de Novembro em São Bento. Quis saber qual a denúncia que recaía sobre a minha pessoa e a senhora do outro lado da linha referiu, para meu grande espanto, que eu tinha sido denunciada por cometer “ofensas à integridade física da PSP”. A primeira questão a saber é como conseguiram obter o número do meu telemóvel cujo contrato nem sequer está em meu nome. A segunda questão é saber como posso ter sido denunciada por um crime que não cometi e por actos que não pratiquei.

    Ontem apresentei-me no DIAP acompanhada de um advogado. Foi-me lido o auto de denúncia e mostradas imagens captadas na manifestação. As imagens todas elas de má qualidade e inconclusivas, mostram-me de braço no ar com um objecto na mão que os “denunciantes” referiram ser pedras. Na verdade o objecto que tenho na mão é nada mais do que a minha máquina fotográfica que costumo elevar devido à minha estatura ser baixa para captar imagens, como sempre tenho feito em todas as manifestações e protestos onde vou. Nas legendas das várias imagens captadas aparecem aberrações do tipo: “acessório”, assinalando-se com um círculo, pendurada na mochila, uma máscara dos Anonymous; o meu barrete de lã colorido é indicado como sendo um capuz (lá vem o estigma dos “perigosos encapuçados”); até a cor da roupa, preta, aparece referida (!); além disso, na foto de qualidade duvidosa, onde se vê o meu braço erguido segurando o tal objecto (máquina fotográfica) pode-se ler na legenda que arremessei à polícia cerca de 20 pedras ou outros objectos…

     Agora pergunto eu: se a PSP me identificou a arremessar 20 pedras e a colocar em causa a sua integridade física, por que não fui eu detida logo ali? Por que não fui de imediato impedida de mandar mais projécteis que pudessem atentar contra os agentes? Sim, como é possível ter sido vista a atirar coisas, contarem uma a uma as cerca de 20 pedras que eu não atirei, mas que alguém afirma ter-me visto atirar, e deixarem-me à solta para atirar mais? 

    Colocada perante estas “provas” e com base nesta absurda acusação fui constituída arguida com “termo de identidade e residência”, tendo agora que arranjar forma de me defender. Como é evidente trata-se de uma perseguição por parte da PSP a pessoas que estiveram naquela manifestação. Faço notar que nem sequer fui das pessoas detidas para identificação, estou sim a ser vítima de uma orquestração por parte da PSP que visa lançar uma perseguição política a pessoas que eles supõem ser os mais activos na contestação, pessoas que costumam ir às manifestações, fotografar, passar informação nas redes sociais (o meu perfil de FaceBook lá continua bloqueado a funcionar a meio gás, sem a possibilidade de comentar vai para um mês).

     Enfim, tal como antes já tinha previsto, no dia 14 de Novembro começou uma intencional e persecutória caça às bruxas e desde então não param de acontecer fenómenos sobrenaturais em democracia: identificam-se pessoas em imagens duvidosas, denunciam-se situações que não aconteceram, subvertem-se imagens dúbias e de qualidade duvidosa para servirem de prova a acusações infundadas, usam-se telemóveis pessoais para enviar convocatórias do DIAP e hoje aconteceu mais uma situação inédita:  um telemóvel de um amigo com quem eu estava tocou; qual o nosso espanto era eu a ligar do meu telemóvel e a chamada apareceu registada no TM dele como sendo minha, mas o meu telemóvel estava ali mesmo à mão, bloqueado, sem registo de nenhuma chamada efectuada… isto para além dos estalidos em certas conversas telefónicas.

     Todos os que me conhecem sabem que não sou pessoa para andar a atirar pedras à polícia, que sempre defendi a estratégia da não violência, da desobediência civil e da resistência pacífica. Que em todas as manifestações me movimento de um lado para o outro a captar imagens e que muitas vezes me vejo obrigada a erguer o braço para fotografar acima da minha estatura. Não há ninguém que me reconheça ou possa apontar como sendo violenta ou capaz de andar a arremessar objectos em manifestações, por muito que considere que a violência com que o sistema nos ataca nos nossos direitos e nas nossas liberdades – e agora também acometendo contra a integridade física de todos quantos estávamos naquela praça – possa gerar a revolta e a reacção das pessoas.

      A situação não é nova, nem a sinistra estratégia: no dia 5 de Outubro o Ricardo Castelo Branco foi detido e alvo de idêntico processo de acusação, também através de imagens dúbias e da mentira de dois denunciantes (mal) amanhados pela PSP, acusado de atirar garrafas à polícia, mesmo com um braço engessado e outro braço segurando uma máquina fotográfica. Com coragem e determinação levou o caso às últimas consequências até por fim ser ilibado.

     Por tudo isto decidi tornar pública esta absurda acusação e peço a todas e a todos vós que divulguem este caso. Pela minha parte vou fazê-lo por todos os meios ao meu dispor, incluindo a comunicação social. Hoje sou eu a visada mas qualquer um pode vir a ser o próximo a ser alvo de falsas denúncias e acusações. O que sempre mais me empolgou e indignou são as situações de repressão, perseguição e de injustiça. A verdade é mais forte e há de vencer todas as calúnias.

     Peço a quem tiver imagens minhas na manifestação de 14 de Novembro (ou noutra manifestação qualquer) a tirar fotografias que as envie a fim de constituírem prova neste processo. Obrigada pela vossa solidariedade.”   Paula Montez



Publicado por Xa2 às 19:31 de 18.12.12 | link do post | comentar |

Leis de direita e 'mercados' globais contra Trabalho e dignidade laboral

     Unidade  do Trabalho (e da falta dele)  contra o Capital ! 

479739_256084377854700_2005160388_n  ”MSE apela à participação de todos os trabalhadores, precários, subempregados e desempregados, na manifestação organizada pela CGTP-IN para este sábado, dia 15 de dezembro. A concentração está marcada para as 15 horas, no Largo de Alcântara, e seguirá em desfile até Belém. As palavras de ordem são “Não ao OE 2013” e “Não à exploração”. O MSE, como movimento de trabalhadores, não podia deixar de apoiar as lutas dos trabalhadores da CGTP-IN contra as políticas deste governo do desemprego e vai estar presente na manifestação.”

(Via Movimento Sem Emprego)

  Contra “Direito a trabalhar" por Menos $ e condições” no estado de Michigan, EUA  (-por A. Levy)

Protestos de trabalhadores em Michigan contra a lei "Direito ao Trabalho"

     O processo de criação de legislação nos EUA é algo mais complexo do que em Portugal...   A compreensão  do que está em causa numa proposta legislativa é ainda complicada pela criatividade na nomenclatura das propostas, em particular por parte dos Republicanos. A título de exemplo recorde-se a infame lei passada no rescaldo dos ataques de 11 de Setembro de 2001, com vista a dar vastos poderes de vigilância, busca e apreensão sob pretexto de suspeita de terrorismo: o Acto “Unir e Fortalecer a América Proporcionando os Instrumentos Necessários para Interceptar e Obstruir Terrorismo ” (Uniting and Strengthening America by Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism Act of 2001 : USA PATRIOT Act). A proposta legislativa foi apresentada a 23 de Out. de 2001, aprovada na Casa de Representantes no dia seguinte (24), com apenas 66 votos contra, e aprovada no dia seguinte (25) no Senado, com um voto contra, e assinado pelo Presidente Bush a 26 de Out. É extremamente duvidoso que os Congressistas tenham tido tempo de ler ou reflectir sobre suas 363 páginas, mas no contexto do momento, quem “podia arriscar” votar contra uma lei com o nome USA PATRIOT ACT.

      Uma figura de estilo frequente na nomenclatura de leis é o eufemismo. A tributação da herança de propriedade privada (oficialmente conhecido como Estate Tax), imposto que atinge sobretudo os mais privilegiados, foi combatida pelos Republicanos durante a segunda metade dos anos 1990. Uma das armas na campanha pela revogação deste imposto foi renomeá-lo como Imposto da Morte (Death Tax), termo que foi rapidamente adoptado pela comunicação social.

     (A década de 90 marcou a ascensão da máquina oleada de comunicação e propaganda do Partido Republicano ... e o aumento de leis promovidas por muito poderosas empresas, 'carteis' de interesses e milionários 'na sombra'.)

    Tudo isto a propósito da recente aprovação pelo Governador do Estado de Michigan da lei “Direito ao Trabalho” (Right to Work). Esta designação da legislação é também um eufemismo. Não se trata de uma legislação que garante direito a um emprego ou direitos laborais, mas de uma lei que torna ilegal que seja obrigatório a contratação de trabalhadores sindicalizados ou que seja obrigatório que os trabalhadores paguem quotas ao sindicato da sua área profissional. Na prática, é um ataque aos sindicatos e à contratação colectiva; uma porta aberta à contratação de trabalhadores não abrangidos pelos contratos colectivos, e que portanto podem ser pagos menos que o estipulado nesses contratos. Críticos da legislação chamam-lhe “Direito a Trabalhar por Menos”$.

     Michigan tornou-se o 24º Estado a aprovar esta legislação (os restantes Estados são sobretudo Estados do sul dos EUA, mas inclui o Estado vizinho de Indiana). O argumento do Governador Rick Snyder, que a aprovação desta lei é necessária para manter a competitividade do Estado, é na verdade oco. Há sim uma corrida entre os Estados para nivelarem por baixo os direitos laborais e sindicais dos trabalhadores. (que os governos de direita na Europa também seguem ... é o 'dumping' laboral e social, a par do fiscal, ...)

     Michigan é um Estado com grande tradição sindical. A sua cidade principal, Detroit, é historicamente a cidade de produção industrial de automóveis. Os efeitos da globalização e deslocalização do sector industrial afectaram severamente este Estado, processo retratado no primeiro documentário de Michael Moore, Roger and Me.

     Na antecipação da aprovação pelo Governador, milhares de trabalhadores manifestaram-se contra esta legislação e o ataque aos direitos sindicais e dos trabalhadores (o próprio B.Obama também se declarou contra). A manifestação foi recebida por forças policiais, armadas com gás lacrimante. A lei foi aprovada, mas os trabalhadores prometem continuar a luta.



Publicado por Xa2 às 07:46 de 14.12.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Lutar contra Desgoverno e Orçamento da morte

Não  passará !

 (via cinco dias )

 

 

    “vale  tudo  no  amor  e  na  guerra”…  de  classes!      

       Um texto imprescindível da greve dos estivadores e dos papel dos sindicatos, escrito pelo sociólogo Alan Stoleroff, do  IUL-ISCTE, que aqui publico com a sua autorização.        All’s fair in love and (class) war .      (por Raquel Varela )



Publicado por Xa2 às 18:01 de 31.10.12 | link do post | comentar |

Censura no jornalismo vs. democracia e liberdade

Pelo  jornalismo,  pela  democracia  

  «A crise que abala a maioria dos órgãos de informação em Portugal pode parecer aos mais desprevenidos uma mera questão laboral ou mesmo empresarial. Trata-se, contudo, de um problema mais largo e mais profundo, e que, ao afectar um sector estratégico, se reflecte de forma negativa e preocupante na organização da sociedade democrática.
     O jornalismo não se resume à produção de notícias e muito menos à reprodução de informações que chegam à redacção. Assenta na verificação e na validação da informação, na atribuição de relevância às fontes e acontecimentos, na fiscalização dos diferentes poderes e na oferta de uma pluralidade de olhares e de pontos de vista que dêem aos cidadãos um conhecimento informado do que é do interesse público, estimulem o debate e o confronto de ideias e permitam a multiplicidade de escolhas que caracteriza as democracias. O exercício destas funções centrais exige competências, recursos, tempo e condições de independência e de autonomia dos jornalistas. E não se pode fazer sem jornalistas ou com redacções reduzidas à sua ínfima expressão.      ...

      ... Conduzem, pelo contrário, a uma perda de rigor, de qualidade e de fiabilidade, que terá como consequência, numa espiral recessiva de cidadania, a desinformação da sociedade, a falta de exigência cívica e um enfraquecimento da democracia.

      ... Por isso manifestamos a nossa solidariedade activa com todos os que, na imprensa escrita e online, na rádio e na televisão, lutando pelo direito à dignidade profissional contra a degradação das condições de trabalho, lutam por um jornalismo independente, plural, exigente e de qualidade, esteio de uma sociedade livre e democrática.
     Por isso desafiamos todos os cidadãos a empenhar-se nesta defesa de uma imprensa livre e de qualidade e a colocar os seus esforços e a sua imaginação ao serviço da sua sustentabilidade.»

          A  censura  está a passar por aqui 

                                                                 Manif AR 20121015 

     As televisões noticiosas, já só falo destas porque nem vale a pena falar das de sinal aberto, passavam conversas da treta sobre a bola quando a malta do CERCO, de ontem, desatou à pancadaria.
     Não me refiro à bondade ou à concordância com a pancadaria, nem ao CERCO, coisa que já tive a oportunidade de esclarecer não me ser respeitável até por lembrar outros cercos que em 1975 se fizeram para bloquear a democracia e a liberdade.
     No entanto, tal como não gosto de assistir em directo a um terramoto, não prescindo de ser informado de que ele está a acontecer.
     Ontem, enquanto as equipas de reportagem estavam no terreno sem informar da arruaça, os programas de chacha inundavam os ecrãs e as televisões não disponibilizavam informação escrita em rodapé. As redações mantiveram silêncio e registaram imagens para resumos que só passaram quando a acção ficou controlada.
     As redes sociais já tinham filme e fotografia publicada há horas quando as notícias das televisões deixaram de estar sequestradas. Até lá (nas redes sociais) não faltaram comentários a justificar a ausência de directo e a impingir a teoria de que os directos só servem para fomentar mais violência. Teorias velhas de quem não estima a liberdade e de quem está sempre pronto para passar atestados de menoridade a um povo que se quer tutelado.
     Aquilo que ontem se passou nas televisões portugueses foi uma vergonha e foi um precedente gravíssimo. Amanhã, com iguais justificativos, outras coisas serão escondidas, outra informação será adiada e um qualquer vizinho será levado pela calada da noite e só o saberemos quando formos convocados para o funeral.
     A  censura, ontem, voltou a passar por aqui.      (-por LNT  [0.501/2012] )

 

----- Reportagem alternativa sobre o “Cerco ao Parlamento, Este Não é o Nosso Orçamento”  (-por Renato Teixeira, 5dias)   Com a assinatura do Ministério da Verdade, a dar mais uma lição ao jornalismo pop, cluster, histérico e desprovido de sentido.


Publicado por Xa2 às 07:58 de 19.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Manif. anti-Merkel(ados): 12 nov.

(Graffiti, Lisboa, via OJumento):  (Nota de) "1 SujoCop" com dizeres: 'ESCRAVOS  UNIDOS  do  MUNDO', 'O mundo é o nosso recreio e nosso campo de batalha',  'Nós confiamos no Lucro', 'F..... técnica, eu quero alma', 'LAVA AS TUAS MÃOS', (cara de palhaço) 'Em guerra de ganância', 'Nós trazemos prendas', 'Sim e depois', 'Comporta(-te)'..

------

           O golpe de Estado alemão       (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso Online)

     O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, defendeu esta semana que os orçamentos nacionais possam ser vetados pelo comissário europeu dos Assuntos Financeiros. Ou seja, o ministro alemão defende que alguém não eleito se possa sobrepor aos representantes eleitos de um povo. E que seja ele a decidir o mais importante instrumento político de um País, decidindo, independentemente da vontade dos cidadãos, o que será feito com o seu dinheiro. E isto num momento em que vários países assistem a um autêntico assalto fiscal.

     "No taxation without representation", foi o mote para o que viria a ser a revolução americana. O que Schäuble propõe, e é coerente com o que a Alemanha tem defendido, é um golpe de Estado contra as democracias, criando uma junta de tecnocratas que retira à democracia representativa uma das suas principais funções: determinar o que se faz com os recursos de uma comunidade. Não há duas formas de dizer isto: o poder alemão quer destruir as bases fundamentais das democracias europeias. Em vez do federalismo democrático, em vez dos eurobounds e de uma integração cambial e financeira com pés e cabeça, defende uma ditadura orçamental que torne os cidadãos europeus em súbditos. Em contribuintes sem o direito de decidir o que fazer com os seus impostos.

     A posição alemã, ao contrário do que aconselham todas as evidências, continua a apostar na redução da dívida dos países europeus (muito inferior à de grande parte dos grandes blocos económicos), e não no crescimento. E nem a probabilidade de rebentar com a Grécia, fazendo, mais uma vez, cair ali a primeira peça do dominó europeu, travará Merkel e o seu ministro. Recusam um prazo suplementar para os gregos, proposto pelo FMI. A Alemanha aposta no seu crescimento económico à custa de uma hecatombe económica da Europa (aposta que, como no passado, lhes sairá cara) e não está disposta a parar perante nenhum obstáculo. Nem perante as regras da democracia.

     Não se trata de nenhuma posição anti-alemã. É apenas uma constatação de facto: a Alemanha, que já foi um dos principais motores da construção europeia, é hoje a principal inimiga da Uniãõ Europeia. E nas suas cada vez mais indisfarçáveis tentações imperais põem em risco as democracias dos países europeus, o euro, a União e, com tudo isto, sessenta anos de paz. Travar a cegueira alemã é obrigação de todos europeístas e democratas, na Alemanha e em toda a Europa. Antes que seja tarde.

-----

    «Isto até parece uma réplica de Vichy (governo fantoche francês, sob 'autorização' nazi). Os 'moços' que nos desgovernam, antes de tomar qualquer decisão vão perguntar o que fazer aos alemães, com o espantoso argumento de que não há alternativa.» -Bafo



Publicado por Xa2 às 13:32 de 17.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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