Por uma esquerda modernizadora

A candidatura de Manuel Alegre prejudicou a esquerda no seu conjunto e muito em particular o PS que se viu envolvido numa teia funesta.

A derrota foi tremenda, pelo humilhante número de votos abaixo dos 20%, mas também porque não serviu nenhum objectivo estratégico positivo. Tratou-se de um ato pueril, incongruente e portador de falaciosas esperanças.

Este desenlace era contudo mais do que previsível. Alegre é um homem do passado que já só entusiasma o conservadorismo que se vem instalando à esquerda. Alegre representa uma nova espécie de saudosismo pseudo-revolucionário, tacanho e reaccionário como todo o saudosismo o é.

Mas, pelo menos num aspecto, o desaire serviu para alguma coisa. Mostrou como a aliança entre Bloco e PS não tem qualquer viabilidade prática nem aceitação popular. Mostrou como esta cooperação não acrescenta mas antes diminui. Facto que serve também de lição e aviso para aqueles que no PS acenam com a miragem de uma grande esquerda. Ela, simplesmente, não é possível. Nem desejável, acrescento.

Nas últimas décadas, sobretudo a partir do rescaldo do Maio de 68, temos vindo a assistir a uma deriva daquilo que se designa por esquerda, ou seja, o que sempre foi a componente liberal e progressista das sociedades. Agarrada a uma espécie de "espírito de missão" na defesa dos mais pobres e desfavorecidos, tantas vezes de perfil quase religioso, parte da esquerda foi-se tornando conservadora, na defesa intransigente do Estado, na resistência contra qualquer mudança, no ódio à inovação. Nesse processo foi-se esquecendo que a esquerda, a par da luta contra as injustiças, sempre teve um papel fundamental e pioneiro na modernização social, cultural e económica. A esquerda, precisamente porque de raiz liberal e progressista, sempre foi historicamente um motor de modernidade contra as forças conservadoras. O drama é que hoje parte dessas forças conservadoras estão também na própria esquerda.

A incompatibilidade entre o PS - ou pelo menos a sua parte representada no actual governo de Sócrates -, e o Bloco e o PC, tem pouco a ver com personalidades e tudo com visões totalmente opostas da evolução social. Bloco e PC assumem-se como movimentos de resistência contra qualquer mudança, enquanto o PS protagoniza a modernização social, cultural, científica, tecnológica e económica. É aliás o único partido que em Portugal o faz com convicção e determinação. E por isso, apesar de tanta campanha suja e tanto ódio destilado, se mantém com uma forte expressão eleitoral.

Assim, da aventura desastrada de Manuel Alegre devem tirar-se algumas lições importantes para o futuro próximo. As ilusões de alianças partidárias à esquerda devem ser frontalmente desfeitas. PC e Bloco são partidos conservadores que devem ser tão combatidos como as forças conservadoras da direita. O PS deve fazer o seu caminho e assumir-se, se possível ainda mais e sem quaisquer hesitações, como partido da modernização do país.

Há contudo uma aliança possível à esquerda que não deve ser minimizada. A evolução social tem ampliado o campo daqueles que não estando filiados em qualquer partido são activos na sua cidadania e nos contributos diversos que dão para o avanço do país. São os chamados independentes, ainda que o nome seja ambíguo e por vezes inapropriado já que há muita maneira de se fazer política que não só a partidária. Sobretudo nos domínios do empreendedorismo, das novas tecnologias, da investigação científica, da criatividade e da inovação existe um mar de gente empenhada em fazer Portugal evoluir. São, na sua maioria, pessoas que não apreciam os rituais de submissão partidária, nem têm tempo para retóricas sem sentido nem propósito. Mas estão disponíveis para a cooperação em projectos concretos e mobilizadores. Por isso, mais do que debater geometrias ideológicas, o PS tem que mostrar um empenho declarado em continuar a via da modernização, única aliás que nos pode fazer ultrapassar as crises conjunturais.

O mundo, tal como está, não precisa de uma esquerda resignada na resistência. Precisa sim de uma esquerda, plural, liberal e progressista, que ajude decisivamente a construir um futuro melhor. Gente não falta se houver determinação.

Leonel Moura [Jornal de Negócios]



Publicado por JL às 00:25 de 30.01.11 | link do post | comentar |

Para onde foram mais de 294 mil votos?

Manuel Alegre lutou mas não venceu. O candidato apoiado pelo PS e BE alcançou nestas eleições 19.75% dos votos contra 20.70% em 2006, ou seja menos 294559 votos.

Manuel Alegre, outrora o candidato rebelde e independente que conquistou o voto de mais de um milhão de portugueses, perdeu a luta nestas eleições presidenciais, mesmo contando com o apoio do seu partido de sempre, o PS, do BE e do PCTP/MRPP.

O candidato assumiu todas as responsabilidades pela derrota, isentando os partidos que o apoiaram, mas houve falhas. E esse mesmo apoio, aliado a alguma falta de tacto que Alegre demonstrou ter no contacto com as pessoas, pode ter ajudado à perda de votos.

Depois de mais de um milhão de votos em 2006, o candidato que um dia foi independente não conseguiu alcançar o seu objectivo destas eleições: ir a uma segunda volta. Nem em Águeda, a sua terra natal, conseguiu convencer e perdeu para Cavaco Silva.

Resta agora saber qual será a próxima luta de Manuel Alegre, o candidato que um dia surpreendeu o país.

[Sapo]



Publicado por JL às 00:03 de 25.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O voto em Manuel Alegre


Publicado por JL às 08:05 de 21.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

O mensageiro trocado

Queremos a liberdade de expressão e a autonomia de consciência, dentro do Partido Socialista. Por isso, não podemos recusá-la a quem assuma posições que nos desagradem, especialmente, quando somos nós a estar em consonância com a direcção do partido e não eles, como é costume. Mas uma coisa é reconhecer-lhes o direito a tomarem as posições individuais que entenderem, outra coisa é deixar de os criticar.

Isto vem a propósito de declarações do Correia de Campos, em desfavor de Alegre que, como por milagre, ecoaram na comunicação social, com ecos relevantes na blogosfera. Que fosse quem fosse preferisse outro candidato seria verdadeiramente trivial. Mas é muito diferente que entre os candidatos realmente existentes um ex-ministro, actual deputado europeu pelo PS e membro da sua Comissão Política Nacional acorde da sua tranquila sesta europeia, para vir dar umas bicadas no candidato apoiado pelo PS e para dizer umas vagas untuosidades favoráveis a Cavaco. Tudo isso, está muito longe da decência política.

De facto, nos últimos dias, tem vindo a ficar claro que Cavaco combate Alegre, não só porque ele é o candidato que realmente protagoniza uma alternativa estratégica à sua continuidade, mas também por Cavaco estar desde já determinado a varrer o PS do Governo, para lá instalar o PSD, se possível, ou uma nova AD, se necessário. Cavaco está pois a assumir-se como o verdadeiro chefe de uma ambicionada desforra da direita, que ainda não perdoou o 25 de Abril. Esta eleição é, por isso, uma batalha decisiva que poderá abrir a porta a uma guerra mais funda e mais implacável. Uma batalha em que Alegre é o primeiro protagonista, mas em que o PS não deixaria de ser também atingido e muito prejudicado, se o candidato que apoia fosse derrotado.

Quem não perceber isto, anda a dormir. E se já é triste ver outros candidatos, alegadamente de esquerda, passarem ao lado do essencial e atacarem em conjunto Cavaco e Alegre, fingindo que os consideram idênticos, é deplorável ver alguém como Correia de Campos a procurar contribuir para o enfraquecimento de Alegre e a favorecer, descarada conquanto melifluamente, Cavaco.

É que ele não está apenas, num acto de mesquinhez política, a procurar desforrar-se das críticas que Alegre lhe fez quando ele foi Ministro, está a combater num momento difícil o seu próprio Partido. E deve dizer-se, aliás, como agravante, que não teve sequer a grandeza de o fazer com frontalidade, sem ambiguidade, sem meias palavras, assumindo sem tergiversar uma posição clara. Nada disso. As suas bicadas em Alegre pretenderam-se subtis, o seu apoio a Cavaco foi cuidadosamente embrulhado numa untuosa hipocrisia, bem expressa pelo modo como esse apoio foi negado. Isto é, o modo como foi feita a negação desse apoio foi afinal, em si própria, uma dissimulada manifestação de apoio. Enfim, procurou prejudicar Alegre e beneficiar Cavaco tanto quanto lhe fosse possível, à luz do imperativo de ser discreto, para não tornar demasiado escandalosa a sua quebra de solidariedade para com o seu Partido numa conjuntura tão difícil.

Mas se é certo que alguns membros do Partido Socialista, que andam tontamente a apanhar canas de alguns inacreditáveis foguetes políticos, podem ser olhados com a bonomia com que se costumam encarar os ingénuos e os despassarados, Correia de Campos não pode ser olhado com essa complacência. Ele sabe muito bem o que faz.

Por isso, sendo difícil saber-se se prejudicou muito, pouco ou nada, a candidatura presidencial de Alegre, é certo que fez minguar muito a sua própria estatura como político, demasiado ronronante numa situação em que a direita ruge com tanta energia e despudor contra os valores centrais da democracia e do socialismo.

Rui Namorado [O Grande Zoo]



Publicado por JL às 22:12 de 20.01.11 | link do post | comentar |

blog

Pianíssimo, para não passarmos desapercebidos, como acontece nas salas de concerto

que calam as tosses para que os instrumentos toquem de mansinho os sentimentos.

Visitem



Publicado por JL às 19:26 de 05.01.11 | link do post | comentar |

ALEGRE, O CANDIDATO DOS COMPROMISSOS

Manuel Alegre fez, no pretérito e simbólico passado dia 11, a reentre da campanha eleitoral com vista à sua eleição presidencial que acontecerá em Janeiro próximo e fê-lo assumindo um conjunto de compromissos os quais, segundo ele próprio e conforme grande parte da população reconhece, o seu mais directo opositor (ainda que não assumido) o não pode fazer, tanto pela sua postura de ambiguidades assim como pelo vínculo comprometido que tem com a ala mais conservadora e retrógrada da sociedade portuguesa.

De forma clara e inequivocamente assumida MA referiu que com ele na presidência os portugueses têm a garantia que:

O candidato, Manuel Alegre, assume compromissos que, pelo menos alguns, outros, efectivamente, não têm condições de assumir.

A eleição não está certa nem segura, têm, o candidato e seus apoiantes, muito trabalho pela frente. Sendo eleito nós, por aqui, estaremos para relembrar estes e os mais compromissos assumidos.



Publicado por Zé Pessoa às 00:11 de 14.09.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Manuel Alegre divulga todo o seu percurso militar.

 

PELO ESCLARECIMENTO E A DESMISTIFICAÇÃO DA CALÚNIA

 

Há por aí muito cérebro lavado pelo antigo regime que mesmo depois de 36 anos de democracia ainda não foram capazes de descortinar que foram enganados. Continuam, maldosamente, a afirmar que foi um desertor e caluniador da pátria.

O candidato à presidencia da Republica, Manuel Alegre, que reafirma nada ter a esconder, divulgou no seu site o registo de cumprimento do seu serviço militar e adiantou que irá processar judicialmente quem, a "coberto do anonimato", tem levantado dúvidas sobre esta matéria.

"Para conhecimento de quem estiver interessado, divulga-se o registo do serviço militar de Manuel Alegre de Melo Duarte, que pode ser confirmado pelas entidades competentes, nomeadamente o Estado Maior do Exército", refere uma nota publicada no site, onde o candidato enumera todos os passos dados durante a sua carreira militar

Na parte final da nota, após serem enumerados todos os passos da carreira militar de Manuel Alegre, "nomeadamente em África e em situações de combate", a candidatura do ex-vice-presidente da Assembleia da República deixa um, merecido, aviso aos sectores que têm propagado dúvidas sobre este período da vida de Alegre.

A candidatura reafirma, ainda, que Manuel Alegre "não tem nada a esconder, ao contrário dos cobardes que espalham calúnias a coberto do anonimato e contra os quais não deixará de agir judicialmente", como refere a nota publicada.

O “LUMINÁRIA”, enquanto espaço aberto, plural e democratico não poderia deixar de fazer referência a esta pertinente clarificação e esclarecimento, pela dignidade e bom nome da pessoa.


MARCADORES:

Publicado por Zé Pessoa às 00:17 de 12.05.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Da utopia se faz o sonho, do sonho à realidade

“Pela Republica, por Portugal” parece ser a sigla com que se apresenta a primeira candidatura às próximas eleições presidenciais de 2011.

Eu sugeriria ao candidato Manuel Alegre que nela acrescenta-se “pelas Pessoas”. De certa maneira está lá, mas, nestas coisas sempre convém ser claro, ab initio.

Há quem afirme ser ainda muito cedo para o debate que se avizinha e há razões de sobra para tais afirmações. O chamamento dos eleitores, em tão curto espaço temporal, a actos eleitorais e a falta de perspectiva na resolução dos problemas em torno de desemprego, do excesso de endividamento, da degradação da justiça, dos elevados índices de corrupção, tudo forma um barril de pólvora explosivo, que leva ao cansaço das populações.

Os partidos e os seus dirigentes pouco mais têm feito que disputarem, entre si, lugares de benesses, tanto políticas como económicas, desaparecendo, quase por completo, qualquer pingo de ética ou vergonha.

Têm faltado propostas sérias e proposições de desafios credíveis, que mobilizem capacidades e recursos, que coloquem, de forma justa, o Estado ao serviço das populações. O lançamento de novas ideias e a sensibilização para outros métodos de trabalho e de organização é uma tarefa por fazer à qual uma candidatura, um candidato à Presidência da Republica, pode e deve fazer.

Um Presidente pode ser e deverá ser o “Maestro” ideológico e social mobilizador, que tem faltado ao país, que já evoluiu bastante, já inovou muito, já aumentou, considerável e inequivocamente, o número e qualidade técnica e científica dos seus cidadãos, faltando, agora, a Portugal e aos portugueses, para um virar de página completo, uma mudança comportamental valorativa destas capacidades. Basta-nos rentabilizar, organizadamente, todos os meios disponíveis em proveito de todos.

Portugal precisa de um Presidente que deixe ao governo e aos partidos, representados na Assembleia de Republica, as tarefas da governação e normativas, incluindo negociações orçamentais, sempre e quando o entendam. Ao fiel depositário e garante de funcionamento das instituições, cabe-lhe desenvolver “a pedagogia do gesto”, a pedagogia da forma e do conteúdo dos actos, com objectividade universalista, sempre atento ao equilíbrio social e à estabilidade segura das populações, nos termos estatuídos pela Constituição da Republica.

Se um poeta for capaz de sonhar, fazendo-o com os pés bem assentes na terra que pisa e consigo conseguir levar o povo nesse sonho, porque não?

Afinal aos portugueses, em Portugal, o que lhes falta é sonhar, acreditando como o fazem os que partem à procura de outros sonhos e veja-se, ouça-se o que deles de diz, “são os melhores e mais competentes”.

É tudo uma questão de querer, de acreditar. Se acreditarmos mudaremos o futuro se não acreditarmos será o futuro que nos muda a nós.



Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 19.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Francisco Louçã

Tal como afirmou numa entrevista ao Público o primeiro objectivo político de Francisco Louçã é dividir e destruir o PS, tem sido essa a sua estratégia, chegando ao absurdo de aprovar propostas parlamentares da direita só para criar dificuldades ao governo. Louçã, que nas últimas presidenciais se candidatou pelo BE antecipou-se agora ao PS e ao próprio Manuel Alegre lançando a sua candidatura com o objectivo claro de lançar a confusão no PS e mais tarde tomar conta dessa candidatura.

Louçã está-se nas tintas para saber se Alegre ganha ou perde, há muito que o líder do BE se aproveita da imensa vaidade do poeta do PS manipulando-o e usando-o contra o PS. É evidente que um Manuel Alegre apoiado pelo BE será um candidato derrotado, mas se isso servir para dividir o PS e dar a vitória a Cavaco Silva o BE terá conseguido o seu objectivo.

O objectivo de Louçã é o de qualquer líder comunista ortodoxo, não é chegar ao poder a curto prazo, é destruir a corrente social-democrata, o grande obstáculo político ao comunismo. Para isso serve-se de tudo, até da ambição política de Manuel Alegre para quem a vaidade pessoal está acima do seu partido. [O Jumento]



Publicado por JL às 11:51 de 20.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Os moinhos de Belém

 

Este Alegre Quixote continua a ir a jantares de apoio à sua candidatura a Belém para dizer que ainda não sabe aquilo que todos sabemos, que vai ser candidato.

Uma coisa é certa, já mostrou não ser o que este país necessitava para sair da apatia e crise de valores em que se encontra.

O limbo socialista em que vive, em que não é nem carne nem peixe, em que critica hoje os mesmos que apoia amanhã não dá nenhumas garantias.

Quem não assume as suas posições com clareza e determinação, quem continua a fazer guerras a moinhos de vento acaba por não ser a mudança necessária.

[Wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 00:02 de 16.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O pé de fora

As candidaturas presidenciais ganhadoras são as que, partindo de um determinado espaço político, conseguem alargá-lo.

Quando Mário Soares diz que Alegre está com um pé dentro e outro fora do PS tem, de facto, razão, mas está também a reconhecer o potencial eleitoral da recandidatura alegrista.

O problema é que o pé que Alegre tem fora do PS - e em muitos dias é esse o "pé-director" -, ao mesmo tempo que tem ajudado a tornar a sua candidatura presidencial uma quase inevitabilidade, está a amarrar Sócrates a uma estratégia que não lhe convém.

Há uns dias, Alegre proclamava que não estava refém de ninguém. É verdade, até porque são hoje Sócrates e o PS que estão reféns de Alegre: as lições de 2005 impedem uma candidatura alternativa à do poeta (que só fraccionaria o PS), mas Alegre Presidente ameaça o projecto político que Sócrates tem tido para o PS.

Se a cooperação estratégica entre Cavaco e Sócrates é uma miragem de um passado longínquo, entre Sócrates e Alegre é uma utopia distante.

É inevitável que, dentro de um ano, José Sócrates e Manuel Alegre estejam nos braços um do outro, enquanto proclamam a partilha dos valores da esquerda democrática.

Acontece que, politicamente, não há convergência estratégica possível entre os dois. E, como se não bastasse, Alegre candidato oficial do PS não terá o potencial eleitoral de Alegre candidato com o "pé fora" do PS.

Nisto, as presidenciais servirão para revelar o bloqueio estratégico que existe à esquerda.

[Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 16:31 de 12.12.09 | link do post | comentar |

Presidenciais antecipadas

As eleições presidenciais tomaram importância acrescida desde o episódio das escutas  a Belém. Ao perder credibilidade e capacidade de acção, perante a crise económica e a crise política que se avizinha, seria necessário um Presidente respeitado pelas restantes instituições, que fosse capaz de congregar esforços sem intervir na luta partidária.

Manuel Alegre apresentou-se às últimas eleições presidenciais sem o apoio do PS. Foi um erro político de Sócrates que, ao arrepio de muitas vozes dentro e fora do PS, preferiam um candidato que englobasse a área do centro esquerda. Mário Soares surgiu já derrotado e Cavaco Silva capitalizou a existência de duas candidaturas com base na matriz socialista.

Votei em Manuel Alegre. O meu blogue surgiu precisamente com o objectivo de, dentro do pouco que podia, fazer campanha por aquela candidatura. As minhas razões estão explicadas ao longo desses dias e não vou repeti-las.

Passaram-se quatro anos e tivemos uma legislatura inteira de governo socialista. Foi um governo que tentou apresentar alternativas, fazer reformas, mudar o que estava parado. Manuel Alegre, ao longo de toda a legislatura, fez um contraponto muitas vezes incompreensível à política governamental. Estão neste grupo as críticas à actuação do Ministro Correia de Campos, acusando o governo de tentar destruir o SNS, e à actuação da Ministra da Educação, pactuando com a demagogia e o populismo dos partidos que se dizem de esquerda, mas cuja defesa da escola pública se limita à defesa dos interesses instalados de uma classe profissional.

Os jantares de apoio a Manuel Alegre são os preparativos para uma onda de dinamização para a próxima candidatura a Belém. Respeito Manuel Alegre e penso que será sempre uma referência, pelo menos é-o para mim, pela sua frontalidade e pela forma de exercer a cidadania. Mas se Manuel Alegre não está refém de ninguém também o PS não deverá estar refém de Manuel Alegre. E seria bom que Manuel Alegre e os seus apoiantes pensassem se essa é a candidatura que melhor servirá o país.

[Defender o Quadrado, Sofia Loureiro dos Santos]



Publicado por JL às 00:03 de 09.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Governar à esquerda

"Às vezes governa-se melhor sem uma maioria absoluta"

Manuel Alegre irrompeu na campanha eleitoral socialista e pôs um ponto final nas especulações sobre o seu apoio ao PS surgindo ao lado de José Sócrates - com quem tem discordado - para evitar o regresso da direita ao poder protagonizado por Manuela Ferreira Leite. Ao DN, esclarece as hipotéticas coligações que já estão a ser antecipadas e desfaz esse mito.

O ex-candidato à Presidência da República prefere não comentar a polémica em torno das alegadas escutas a Belém. Quanto às eleições de domingo, as respostas de Manuel Alegre são cautelosas mas bastante esclarecedoras sobre o papel dos partidos de esquerda no cenário de Governo minoritário.

A atitude do Presidente da República neste caso das alegadas escutas a Belém tem colocado o País sob suspeita?

Antes das eleições, não me quero pronunciar sobre essa questão. Considero, no entanto, que não é algo bom para a dignidade do Estado e não estou a pôr as culpas em ninguém. De uma maneira geral, esta é uma história triste e escusada e que precisa ser sanada.

Mas que ensombra a campanha eleitoral em curso?

Ensombra o próprio Estado e a própria democracia.

Acha que deveria estar resolvida desde sexta-feira passada?

Isto nunca deveria ter existido e a ter acontecido deveria estar resolvido há muito tempo.

A demissão de Fernando Lima põe o ponto final nesta questão?

É uma decisão do Presidente da República e também não me quero pronunciar sobre isso.

A sua presença no comício de Coimbra do PS surpreendeu os portugueses que o achavam distante do seu partido...

Eu sou membro do PS. Quando disse que não seria mais candidato perguntaram-me se ia entrar na campanha e respondi que se houvesse uma batalha difícil daria um sinal. Tive muitos apelos, entre os quais da ministra Ana Jorge e do meu amigo António Arnaut, e do próprio José Sócrates, que me disse para eu escolher o local para efectuar a minha intervenção. Escolhi naturalmente Coimbra, com que tenho muitas afinidades culturais, políticas e afectivas, e não me arrependi, porque eu, que tenho muitos momentos especiais na minha vida política, vivi um momento neste comício como raramente sentira. Não duvido que tenha sido o grande momento do PS nesta campanha das legislativas.

Foi importante por ser um momento de reconciliação pública com o PS de Sócrates?

Não é com o PS de Sócrates, mas por ter sido uma manifestação de grande carinho e um reencontro do PS comigo e do PS consigo mesmo.

Com um PS que se aproximou do centro?

Só posso dizer que a sensibilidade profunda do PS estava neste comício. Não fiz nenhuma concessão no meu discurso, afinal somos da mesma família política e, neste momento, entre Sócrates e Ferreira Leite eu voto Sócrates sem qualquer dúvida. E sem ter necessidade de maltratar a senhora, porque o debate é a nível de ideias.

Foi a hipótese de a direita regressar ao Governo que o obriga a esta intervenção política?

O meu regresso à intervenção política não está decidido. É antes a ausência de programa em determinados assuntos e aquilo que é expresso noutros por este PSD que me dá algumas preocupações. Posso ter sido muito crítico em diversos momentos com o PS, designadamente com o anterior ministro da Saúde, mas esta ministra dá-me garantias nesse sector, tal como o meu amigo António Arnaut, que criou a medida socialmente mais avançada da democracia. Nem que fosse apenas para defender o Serviço Nacional de Saúde, já valeria a pena entrar nesta batalha.

Não acha estranho que a esquerda cresça através do Bloco de Esquerda e não pelo PCP?

Não acho estranho, mas esperemos para ver o que realmente acontece. O PCP tem um eleitorado mais estável enquanto o Bloco é uma força nova que tem vindo a crescer porque aproveita muito do descontentamento que há em relação ao PS e que está a tentar entrar no eleitorado socialista.

No seu discurso fez questão de exigir ao PS que seja capaz de se renovar, repensar e um factor de mudança. É suficiente?

O Governo deve ser ele próprio um factor de mudança senão fica sempre tudo na mesma. O inconformismo deve ser próprio de um Governo de esquerda e dos socialistas. Recordo que Felipe González, quando ganhou a primeira eleição, tinha por palavra de ordem "Por el cambio" (Pela mudança). Depois, houve muitas críticas devido à crise e nas segundas eleições candidatou-se com uma palavra de ordem fabulosa - que só um poeta seria capaz de inventar - e que era "Cambio en el cambio" (Mudança na mudança). É que as pessoas querem mudança! Houve descontentamento com este Governo de maioria absoluta e agora dificilmente a poderá repetir. Ou seja, tem de renovar e repensar que tem de ser o governo um factor de mudança e no relacionamento com as pessoas. Foi o que eu disse no comício de Coimbra, de se fazer uma política para as pessoas.

Tanto Sócrates como Louçã põem de parte uma coligação pós-eleitoral, mas se houver uma maioria de esquerda não será necessário que tal aconteça?

Não vai haver coligação alguma, nem vale a pena a direita estar a usar esse papão. Estará fora de causa, porque a esquerda não se entende para governar, mas se houver uma maioria relativa quer do PS quer do PSD isso alterará as relações entre a esquerda. Mesmo que haja uma maioria relativa do PS, penso que a governação terá de mudar, não no sentido de haver coligações, mas no que faz todo o sentido: haver uma diminuição das tensões e mais diálogo.

E terá um papel importante nessa mediação entre o PS e o BE?

Sempre defendi a necessidade desse diálogo, mas serão eles próprios que têm de se entender, até porque eu não vou estar no Parlamento.

Concorda que será a única pessoa que poderá mediar um entendimento desses?

Eles próprios, repito, vão ter de tirar essas conclusões a não ser que prefiram um Governo de direita. É preciso alguma capacidade de diálogo entre as forças de esquerda para que isso não aconteça.

E acredita que há hipótese de entendimento entre o PS de Sócrates e o Bloco de Louçã?

Não é só entre eles, o diálogo tem de ser entre toda a esquerda. É preciso não esquecer que existe o PCP, que é o Partido Comunista mais forte da Europa com a votação que tem. É uma força experiente e, ao mesmo tempo, difícil, porque tem os seus princípios. Não será por acaso que sobreviveu (deve-se a Álvaro Cunhal por num determinado momento ter preservado esses princípios), mas o PCP quando chega a um acordo cumpre-o. Não é só com o BE que tem de haver um diálogo, é entre todos. E não é com o intuito de se fazer uma coligação, porque não a vejo possível. Nem o PS quer, nem o BE o quer, nem o PCP! Certo é que vai ter de haver um Governo e, pela experiência que tenho e pelo que já vivi, alguns dos melhores governos que houve neste país foram minoritários, porque os obrigava a uma concertação e a uma humildade. Mesmo no período mais quente da política pós-25 de Abril houve orçamentos que passaram com a abstenção do PCP. Às vezes, governa-se melhor sem uma maioria absoluta. [Diário de Notícias]



Publicado por Xa2 às 21:16 de 24.09.09 | link do post | comentar |

Manuel Alegre, até à gota de água

A página de Manuel Alegre na Internet tem um mote: "Fiel à República, à liberdade, à democracia, ao socialismo…" Mas não ao Partido Socialista, acrescentamos nós. A última diatribe do agora ex-deputado é o facto de os seus apoiantes não figurarem nas listas de deputados do partido. Isso, diz ele, condicioná-lo-á na altura de decidir se vai ou não fazer campanha pelo PS. Recorde--se que quando se desvinculou das listas para a Assembleia da República Alegre tinha-se prontificado para, até, colar cartazes, se tal fosse preciso. Não se sabe se algo lhe tinha sido prometido, ou se estaria a expressar as suas melhores intenções. Agora, também, não interessa muito.

Os deputados que Alegre queria para as listas eram figuras mais ou menos de segunda linha, apenas importantes pela ligação ao histórico. E adivinha-se que a polémica levantada pelo próprio fará muito pior ao partido do que a não eleição deles. Alegre pode estar já a contar com a derrota do PS e distancia-se do partido, lançando-se para a esquerda, que lhe garantirá uma hipotética vitória presidencial. Essa é a única explicação para as suas atitudes.

Se é verdade que os partidos devem ser plurais e integrar as divisões internas que os tornam mais ricos, também não é menos que há limites para as divergências, e esses devem ser traçados quando elas começam a prejudicar os partidos. Quem está mal muda-se, diz o povo.

Por seu lado, José Sócrates tem lidado bastante mal com estas divergências. O seu estilo - embora amenizado nos últimos tempos - não se tem coadunado com as concessões que talvez precisasse de fazer para ganhar o apoio total de Alegre. Mas talvez tivesse valido a pena. Na fragilidade eleitoral em que o partido se encontra, todos os apoios podem ser poucos. [Diário de Notícias]



Publicado por JL às 00:06 de 04.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Alegre, o PS e as presidenciais

Manuel Alegre anda por aí histérico a reivindicar-se a consciência do PS. Nada que não tenha feito nos últimos 35 anos quando a política do partido não lhe agradou. Durante os dois primeiros anos de Sócrates, quando tudo corria bem ao 1º ministro, ainda se conteve: um aviso aqui, outro ali e a coisa não passou disso. Agora que as coisas ficaram feias para Sócrates, Alegre ganhou fôlego. E é vê-lo por aí desdobrando-se em iniciativas: o encosto ao Bloco de Esquerda, o "amuo" com o PS (saber quem vai com quem - o PS com ele ou ele com o PS), a decisão de não integrar a lista de deputados e, mais recentemente, a "ponte" que ajudou a construir entre António Costa e Helena Roseta ("ponte" que, diz, pode ser estendida ao resto do país).

Tudo nesta estratégia aponta para o mesmo lado: encostar o PS à esquerda. José Sócrates já o percebeu e, como precisa de Alegre para não alienar a ala esquerda do PS, faz das tripas coração e acomoda-lhe as maldades. Falta saber se vai fazer aquilo que Alegre mais deseja: encostar à esquerda. Se o fizer estará a cometer o maior erro do seu mandato. Porque o PS só terá hipóteses, nas próximas eleições, se não perder o eleitorado do centro. Aquele que se sentirá defraudado se Sócrates despir o fato que usou durante quatro anos, para vestir o de Alegre. Com outra agravante: é que Alegre não está nada preocupado com a vitória do PS em Setembro, mas sim com as suas hipóteses nas próximas presidenciais. [Jornal de Negócios, Camilo Lourenço]



Publicado por JL às 00:04 de 24.07.09 | link do post | comentar |

Sobressaltos

E por isso impunha-se um sobressalto. Estou disponível para me sobressaltar. Mas como hei-de sobressaltar-me com apelos destes? De uma coisa sei: se Manuel Alegre pensa que ganha as próximas Presidenciais derrotando o PS nas próximas legislativas está enganado. A derrota do PS anunciará a sua própria derrota.

[Eduardo Graça, Absorto]



Publicado por JL às 22:50 de 11.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Alegre recusa que o seu nome seja usado pelo ‘Nova Esquerda’

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre desautorizou os responsáveis do movimento 'Nova Esquerda', frisando que o seu nome, assim como os valores do Movimento Intervenção e Cidadania (MIC), não podem ser usados para promover esse partido.

«Têm todo o direito em constituírem um novo partido, mas não se podem reclamar nem da minha candidatura [presidencial], nem do MIC, nem do meu nome», declarou Manuel Alegre quando confrontado com a formação do movimento Nova Esquerda.

O movimento Nova Esquerda apresentou-se para «influenciar o poder» e «transformar a esquerda» em Portugal e anunciou que deixa a «porta aberta» para Manuel Alegre ou «qualquer cidadão» que subscreva a sua carta de princípios.

A Nova Esquerda, que integra vários membros do Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC) descontentes com a decisão de Manuel Alegre em permanecer no PS, «dificilmente» concorrerá às legislativas desde ano, sendo de esperar para 2013 a primeira ida às urnas como partido político.

No entanto, de acordo com Manuel Alegre, quer na reunião estatutária do MIC realizada em Coimbra, quer na recente reunião dos seus apoiantes em Lisboa, na qual decidiu permanecer no PS, nunca esteve em vias de ser aprovada a constituição de qualquer novo partido.

«Na reunião de Lisboa, entre mais de 60 pessoas, apenas uma [o actual porta-voz do Nova Esquerda, Alexandre Pinto] se manifestou a favor da criação de um novo partido», vincou o vice-presidente da Assembleia da República.

Aos responsáveis do movimento 'Nova Esquerda', Manuel Alegre deixou ainda um apelo para que separem águas.

«Quem representa os valores da minha candidatura [presidencial] sou eu próprio e o MIC», frisou. [SOL]


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Publicado por JL às 22:36 de 24.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Manuel Alegre prepara congresso nacional

O ainda deputado do PS quer fazer uma grande reunião a seguir ao ciclo eleitoral. A ideia é lançar a discussão sobre uma petição defendendo a possibilidade de candidaturas independentes à Assembleia da República.

Manuel Alegre está a preparar um "congresso da cidadania". A iniciativa, segundo revelou o deputado do PS, deverá decorrer ainda este ano, mas só depois de terminado o ciclo eleitoral ou seja, apenas depois das legislativas.
O congresso, segundo acrescentou, servirá, nomeadamente, para lançar a nível nacional a recolha de assinaturas para uma petição defendendo a possibilidade de candidaturas independentes à Assembleia da República. Os "alegristas" querem que o Parlamento discuta uma proposta nesse sentido e vão tentar alavancar a sua discussão nessa petição. A proposta, seja como for, dificilmente será acolhida. Precisaria de dois terços (um acordo entre o PS e o PSD) e, no quadro actual, não é de admitir que nenhum dos partidos a viabilize. Se a petição reunir mais de quatro mil assinaturas, isso torna obrigatória a discussão pelos deputados.
O congresso será evidentemente visto na perspectiva, também, de uma nova candidatura presidencial de Manuel Alegre, em 2011. Na semana passada, quando anunciou que não seria recandidato a deputado pelo PS, Alegre admitiu a hipótese de vir a ser de novo candidato presidencial. "Na altura se verá", afirmou.
Entretanto, o MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania), criado pelos alegristas depois das eleições presidenciais de 2006, vai-se reorganizando, tendo em vista transformar-se na plataforma quotidiana de acção política de Manuel Alegre depois deste deixar a Assembleia da República.
Preparam-se eleições gerais na organização. O ainda deputado do PS e vice-presidente da Assembleia da República quer dar-lhe mais operacionalidade, criando um novo órgão, uma comissão executiva de apenas três elementos. Pretende recrutar também a experiência de dissidentes do PCP que têm vindo a aproximar-se do "alegrismo". Actualmente, o órgão mais executivo do MIC é a comissão coordenadora, que reúne onze elementos, sendo presidida pelo advogado João Correia. Manuel Alegre, apesar de ser a figura inspiradora do movimento, integra apenas um órgão: o conselho de fundadores, a que preside.
Para já, está posta de parte a ideia de do MIC nascer um novo partido, ideia que em tempos foi alimentada pelo próprio Manuel Alegre. Os movimentos nesse sentido no interior da organização "alegrista" são considerados muito minoritários. [Diário de Notícias]


Publicado por JL às 23:01 de 23.05.09 | link do post | comentar |

Sair, ficando

A decisão “saio, mas fico” de Manuel Alegre acabou por ser a melhor solução para todos. Para Alegre, que mantém a autonomia face a Sócrates e para Sócrates, que não fica mais fragilizado à esquerda.

Até porque Alegre, depois das críticas substantivas e do distanciamento em questões centrais da Governação (ex. o código do trabalho), sairia descredibilizado se aceitasse integrar as listas ao Parlamento, ao mesmo tempo que essa decisão de pouco serviria a Sócrates. Mas para além da personalização, há questões mais relevantes suscitadas pela relação tensa entre Alegre e o PS.
Pese embora as sondagens dos últimos anos revelarem uma pulverização eleitoral sem paralelo nos últimos anos, as eleições europeias encarregar-se-ão de fazer regressar a bipolarização. Uma bipolarização que, no essencial, não assentará em transferências de votos entre campos políticos mas que ocorrerá, por um lado, entre partidos de direita e, por outro, entre partidos de esquerda. Quando chegarem as legislativas, o que vai estar de facto em causa é uma escolha entre uma vitória do PS e uma vitória do PSD - cenário tanto mais credível quanto maior for a proximidade entre os dois nas europeias.
Na sexta-feira, Alegre afirmou que "não entrará em nenhum combate para derrotar o PS e que estará sempre ao lado dos socialistas numa luta eleitoral contra a direita". Ora, esta declaração não apenas sugere que Alegre se envolverá na escolha do próximo Governo, como, pelo peso político que, de facto, adquiriu, ajudará a definir os termos em que ela ocorrerá, condicionando a linha discursiva do PS para a campanha eleitoral. Com o PSD com resultados em redor dos vinte e pouco por cento e com um peso igual ao dos votos somados no PCP e no BE, o PS podia fazer uma campanha em que "malhava" de modo igual à esquerda e à direita. A partir do momento que o PSD começa a concentrar os votos da direita, o PS precisa de mobilizar os votos do seu campo político e apostar de novo na bipolarização.
Nesse exercício, Sócrates beneficia da competição directa com Ferreira Leite, na medida em que é o único que é, de facto, percepcionado como sendo candidato a primeiro-ministro. Mas não basta. É preciso que os portugueses, e nomeadamente os que votaram PS mas que agora se sentem menos ou nada inclinados para voltar a fazê-lo, por um lado, sintam que o regresso do PSD ao poder é um mal maior do que um novo Governo PS e, por outro, que os socialistas se revelem capazes de apresentar um programa de resposta à crise económica e social, para além das soluções de emergência que têm dominado a agenda. Manuel Alegre, simpatizemos ou não com o seu percurso político e com as suas opções recentes, pode ser determinante para o PS concretizar este duplo objectivo. O que só serve para provar que, por vezes, estar fora acaba mesmo por ser a melhor forma de ter mais peso interno. [Pedro Adão e Silva, Arquivo]


Publicado por JL às 21:02 de 20.05.09 | link do post | comentar |

Avivar a memória para entender

Manuel Alegre nunca traiu a confiança dos militantes que nele votaram para Secretário-geral do PS, nem a dos que elegeram os delegados ao XIV Congresso Nacional. Antes pelo contrário, defendeu muitas vezes praticamente isolado, aquilo com que se candidatou.

Manuel Alegre não traiu a confiança dos Delegados ao XIV Congresso que votaram as listas para os órgãos dirigentes do PS e das quais saiu a quota a ser considerada na construção das listas de candidatos a deputados que agora terminam o seu mandato. Antes pelo contrário, bateu-se na Assembleia da República, mesmo perante a oposição e silêncio de muitos dos deputados (há raras e honrosas excepções) que ainda lá estão pela sua quota.
Manuel Alegre nunca traiu a confiança dos cidadãos-eleitores que o elegeram deputado porque nunca votou contra o que estava disposto no Programa Eleitoral do PS. Antes pelo contrário, sempre se opôs a que o Programa Eleitoral, ainda em curso, não fosse cumprido.
Manuel Alegre nunca traiu a confiança de quem nele depositou a esperança de o ter na Presidência da República. Antes pelo contrário, mostrou uma coragem impar na nossa jovem democracia tendo levado até ao fim a sua determinação.
Manuel Alegre nunca traiu a confiança do Partido Socialista. Antes pelo contrário, cumpriu o mandato para que foi eleito e soube reconhecer o fim do ciclo que o elegeu sem cedências e sem abandonos.
Apesar de tudo isto e apesar das muitas deturpações e inverdades em todo este processo, incluindo a última falácia de que teria imposto três nomes para as próximas listas de deputados, o que já desmentiu categoricamente, Manuel Alegre mantém intacta a sua credibilidade e é um exemplo de coerência e verticalidade para toda a classe política.
Para os que gostam de falar em modernidade e visão de futuro e que se arrogam dessa modernidade sem que se lhes conheça qualquer contributo a seu favor, é bom que analisem o percurso feito por Alegre e possam concluir que também é a ele que se deve a consciencialização da nova política consubstanciada numa candidatura à Presidência da República independente, baseada em Movimentos de Cidadania que surgiram do nada.
Os caminhos estão traçados. Já não é possível aos Partidos fazerem aquilo que entendem sem considerar que o Mundo mudou e que há muito mais política para além daquela que se cogita nos gabinetes.
Agora é tempo dos eleitores se pronunciarem e de se assumir o seu julgamento. Alegre é um militante disciplinado. Não estará contra o Partido Socialista mas não lhe é exigível que assuma a responsabilidade daquilo com que não concordou. . [LNT, A Barbearia do Senhor Luís]


Publicado por Xa2 às 21:40 de 19.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PODERÁ ALEGRE CHEGAR A PRESIDENTE DA REPÚBLICA?

Manuel Alegre nunca aceitou a derrota nas presidenciais, poderá ter ficado contente por ter recebido o prémio de consolação de vencer Mário Soares, mas não ficou convencido de que seria derrotado caso o PS o tivesse apoiado. Toda a sua estratégia política desde então é um visto de vingança e de preparação das próximas presidenciais.

Mais motivado pela vingança do que pela ambição de vir a ser Presidente da República Manuel Alegre tem cometido erros sucessivos. Começou por imaginar que criando o seu movimento, misturando uma facção do PS com alguns deserdados da política teria uma base de apoio que alimentaria a chama de uma futura candidatura. Depois pensou alcançar o pleno da esquerda.
Foi um erro, os seus apoiantes poderão ser suficientes para dividir os votos e entregar a Câmara Municipal de Lisboa a Pedro Santana Lopes mas nunca conseguirão levá-lo a Belém. Foi igualmente um erro pensar que Louça lhe daria um apoio consistente, o objectivo do líder do BE sempre foi marginalizar o PCP ao mesmo tempo que promovia a divisão do PS. Cometeu um terceiro erro ao deixar-se ludibriar por Louça, ao fazê-lo comprometeu ainda mais a possibilidade de um dia conseguir o apoio do PCP.
Ao tentar projectar a sua imagem com vista às presidenciais Manuel Alegre deixou-se enredar num jogo de chantagens com o PS, a tentação da vaidade de se sentir o centro do debate político foi maior do que o discernimento, os apoios e falsos apoios que conseguiu à esquerda perdeu-os no PS, partido sem o qual poderá chegar à presidência. Alegre até poderá vencer um candidato do PS, mas nunca vencerá as presidenciais sem o apoio do seu partido e muito menos contra o seu partido.
Acabou por dar uma ajudinha na erosão eleitoral do PS e quando as sondagens apontaram para a possibilidade de o PS não alcançar a maioria absoluta Manuel Alegre perdeu protagonismo, percebeu que só era importante para Louça e para muitos dos seus amigos jornalistas que só seria notícia enquanto o seu apoio fosse indispensável para essa maioria absoluta.
Quem se deve estar a rir dele é Cavaco Silva, salvo raras excepções mereceu a atenção de Manuel Alegre que apostado numa candidatura presidencial só encontrou motivos para criticar José Sócrates.
Parece que Alegre percebeu o logro em que caiu, motivado pela vaidade e vingança, poderá ter conquistado um ou outro simpatizante no BE mas acabou por perder o seu partido e com ele o centro. Esqueceu-se que o apoio do BE ou do PCP só serão importantes numa segunda volta das presidenciais, só que ao centrar a sua atenção nestes dois partidos comprometeu a hipótese de alguma vez chegar a essa segunda volta.
Se Manuel Alegre voltar a candidatar-se a Presidente da República não só vai ter que enfrentar um provável candidato do PS, vai também ter que disputar a corrida com um candidato do PCP e um outro do seu velho amigo Louça.
Cavaco Silva e Francisco Louça deverão estar muito gratos. [O Jumento]


Publicado por JL às 16:03 de 18.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A decisão de Manuel Alegre

1. Depois de meses a desafiar José Sócrates, Manuel Alegre fechou as negociações da forma prevista. Não há partido novo, há lugares novos (no futuro grupo parlamentar) para os velhos amigos, e com certeza que vamos voltar a vê-lo como candidato a Belém, desta vez com o apoio oficial do PS - e com algumas possibilidades de federar toda a esquerda, sobretudo numa segunda volta. Se olharmos para a dimensão sociológica da esquerda na sociedade portuguesa, é óbvio que pela primeira vez um presidente não poderá olhar para o projecto da reeleição como um mero passeio dominical.

Manuel Alegre fez o que tinha a fazer e geriu com inegável habilidade política os seus interesses. Acredito que enganou Francisco Louçã, mas na melhor das hipóteses serviu-se dele. E, pelo meio, terá dado um enorme desgosto a todos os que à sua volta acreditavam que Portugal poderia voltar a ter uma outra aventura do tipo da do PRD de Ramalho Eanes (ou, numa escala infinitamente menor e ainda mais retorcida, qualquer coisa de similar à Nova Democracia de Manuel Monteiro).
2. Um partido faz sentido por uma ideia, por um projecto de sociedade, e não como consequência de desavenças pessoais ou interesses solitários. Ora a esquerda já está suficientemente mobilada pelo PS, PCP e BE. Há espaço para a cidadania, mas não o há para projectos alternativos. À direita, sim, poderia discutir-se de forma diferente.
A aventura para a qual os mais entusiasmados apoiantes de Alegre o queriam empurrar seria movida pelo ressabiamento e teria um triste fim, mesmo que tivesse hipótese - e parece-me que tinha - de retirar ao PS qualquer possibilidade directa de maioria absoluta.
Mas até isso terá feito pensar Manuel Alegre com a profundidade devida, e confessada.
Ele tinha francas hipóteses de originar um insanável puzzle político, de onde dificilmente sairia uma solução governativa para o País. Aqueles que agora o queriam empurrar seriam também alguns dos que mais tarde lhe apontariam o dedo e dirigiriam a pergunta: e agora?
3. Manuel Alegre fica com a responsabilidade, e não é pouca, de gerir dentro do PS o seu património político pessoal. Continuará a ser um polícia sinaleiro das políticas sociais do partido do governo.
O mais importante, no entanto, será perceber quantos homens seus ele colocará dentro do grupo parlamentar do PS, e até que ponto esse núcleo poderá funcionar no futuro como os deputados eleitos pela Madeira dentro do PSD.
Esta não é uma curiosidade de somenos.
Se fizermos o cruzamento das várias sondagens conhecidas nas últimas duas semanas, percebe-se que continua a ser possível - no caso de o PS ganhar as eleições mas sem maioria absoluta - um entendimento maioritário com o PP. Esse é um cenário que desde ontem terá menos hipóteses de ser ponderado pelo PS, e é também uma questão a ponderar pelos eleitores.
Com toda a franqueza não sei se esse contributo para tornar mais difíceis as soluções de governo em Portugal é bom ou mau para os interesses eleitorais do PS. Sei é que há eleitores que pensam nestas coisas - e até hoje, depois do 25 de Abril, foi sempre o centro que governou o País. Não foi a esquerda nem a direita. [João Marcelino, Diário de Notícias]


Publicado por JL às 21:27 de 17.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Os três nãos

"Não lanço um Partido, não saio do PS e não farei parte das listas para deputados".

Mais uma vez Alegre agiu pela razão e pelo coração. Nota-se, basta ler a imprensa e os Blogs da direita para o perceber. Voltou a ser mais difícil ao PSD chegar ao poder, ficou mais difícil haver um Bloco Central.
Alegre está de bem consigo. E isso é bom porque quem está de bem consigo está de bem connosco. [LNT, A Barbearia do Senhor Luís]
 
1. Não sairei do PS – Ajudei a fazer este partido, a sua história é parte da minha história, posso não concordar com a prática e as políticas, mas reconheço-me nos valores e princípios do socialismo democrático.
2. Não formarei um partido para as próximas legislativas – Reconheço que há uma crise de confiança nos partidos cujo monopólio está a esgotar-se, há a necessidade de renovar a vida política, de cativar os jovens para a política e para a coisa pública, assim como de preparar novas soluções para a esquerda e para a democracia. Mas isso é um processo inseparável do processo social. Exige uma acção pedagógica e o reforço da cidadania. E não se fará sem ou contra o espaço socialista.
3. Não serei candidato a deputado – Fui convidado pelo Secretário-geral, com espírito de abertura e companheirismo, para integrar as listas do PS. Não seria digno impor condições ao Secretário-geral do PS. Só faço exigências a mim mesmo. E são essas exigências que me ditam a decisão de não me candidatar nas próximas eleições legislativas.
Não há ruptura com o PS
Não há abdicação nem retirada.
Há a decisão de continuar, sob outras formas, o meu combate de sempre pela renovação da vida democrática, pela cidadania e pelo socialismo democrático.
Manuel Alegre


Publicado por JL às 10:14 de 17.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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