PARTIDOS E MILITÂNCIAS

Da reflexão que qualquer, mais ou menos, ilustre cidadão deste nosso, actualmente, amargurado país poderá tirar-se a seguinte conclusão, com estes ou com outros identificativos, não deixará de ser o exacto mesmo conteúdo.

Para mal dos próprios e desgraça do nosso, adoentado, regime democratico, os militantes, actualmente, configurados partidariamente resumem-se a três categorias ou classificações:

Os militantes ausentes são aqueles que deixaram, completamente, de aparecer, seja ao que for, já desiludidos de tudo. São aqueles que deixaram de participar em quaisquer debates partidários. Não querem saber de quaisquer propostas ou programas do seu nem dos outros partidos. São militantes, apenas e só, de papel pela única razão estarem a engrossar as listas dos cadernos eleitorais, ainda que, em muitos casos tais registados já tenham falecido e já nem para efeitos estatísticos contam, por isso se compreende que tanto os aparelhistas como a própria comunicação social já só se preocupem com os votos validamente (?) expressos para serem apuradas as votações nas respectivas lideranças.

Está explicada a razão porque se ouve, recorrentemente dizer e se escreve que o líder X foi eleito com 98,99% ou líder Y conseguiu fazer-se eleger com a esmagadora maioria de 95,88% da votação.

Os militantes imbecilizados são aqueles que, recorrentemente, se deixam usar como “carne para canhão” como em outras épocas de guerras coloniais se dizia à boca pequena. São os que nunca desistem, na esperança de melhores dias e convictos de uma inabalável fé iurdiana e por isso são chamados e aceitam encher salas em horários nobres para televisões registarem. São os que aceitam trilhar calçadas e alcatrão com bandeiras ao ombro em arruadas que nem rebanhos de carneiros seguindo seus pastores ou ainda bater palmas em congressos e comícios, apoiando propostas que mal ouviram, menos ainda compreenderam e nem sabem quem ou como as aplicará, se tal algum dia suceder.

O militantes papistas são aqueles que, eventualmente, como todos os outros, têm família, são divorciados, uma ou varias vezes, vivem outras tantas em concubinato, união de facto ou, simplesmente vivendo exercem, em um ou vários níveis de funções do aparelho partidário e conseguem ter tempo para passar pela Assembleia da Republica, põe executivos ou assembleias municipais, por executivos ou assembleias de freguesia, ser coordenadores de federativos, concelhias ou de secções, arranjar tempo, em certos casos, ainda para fazer uma perninha num qualquer conselho de administração ou assessoria contratada a recibo verde de alguma empresa municipal.

Ainda há quem diga não haver, nos partidos políticos, gente Nobre!

São uns energúmenos e uns más-línguas, é o que é. Move-os a inveja e pronto.

Por mim tenho, todavia, a convicção de que um caldeamento feito na base de bastante menos ausências, imbecilidade quanto baste, associada a uma boa dose de critica, misturadas com muito menos, quer em numero como em grau, de militância papista, seria, simultaneamente, um bálsamo para os partidos, um rejuvenescimento para a democracia e um reforço do sistema que a sustenta.

A excessiva personificação, quiçá endeusamento das lideranças nunca perduraram por muito tempo nem foram positivas tanto para os povos como para as respectivas sociedades, tambem o não podem ser, de todo, para os partidos políticos na medida em que isso corrói a essência democrática e corrompe a sociedade no âmago da sua dinâmica de confrontação positiva das ideias. O resultado é o que se vê ainda que muitos papistas e papas o não queiram ver.



Publicado por Zé Pessoa às 08:42 de 18.05.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O Apagão Socialista.

O lema do XVI Congresso socialista foi “Sócrates 2009, Participar Agir Vencer” e, o do XVII é “Sócrates 2011 Defender Portugal Construir o Futuro”. A luminosidade de Sócrates tem ofuscado o partido, ou dito de outra forma o partido, para mal de ambos, deixou-se apagar pela falta de liderança partidária do seu Secretário-geral, demasiadamente, absorvido pelos afazeres governativos.

Victor Ramalho, soarista dos quatro custados, vem agora e mais uma vez reforçar as vozes dos que há muito clamam por uma maior e mais activa participação dos militantes, em diversificados debates internos a todos os níveis da estrutura partidária. Contudo, têm sido vozes a pregar em deserto cujo apagão surge, como refere o líder da federação de Setúbal “numa omissão muito grave” a partir do Secretariado Nacional e da respectiva Comissão Nacional do Partido onde deveriam ter sido debatidas as moções sectoriais que devido a estranhos acontecimentos de falta de energia o não pôde ser durante o congresso.

Já o próprio Mário Soares se manifestou, publicamente, contra tão desastrosa falta de debate interno ao ponto de exigir que o partido tenha “mais idealismo socialista e menos boys que só pensam em ganhar dinheiro e promover-se” acrescentando que era urgente “dar um novo impulso à sua participação na vida política (independentemente do partido se encontrar dentro ou fora do governo).

Considerou, inclusivamente, ser Exigível que o debate seja feito com “mais idealismo socialista e menos apparatchick, mais debate e menos marketing, mais culto pelos valores éticos e menos boys”.

Lamentavelmente, ainda não será desta vez, tanto mais que as circunstâncias do momento favorecem (neste caso com válidos argumentos) os desinteressados em terminar com o apagão de debate ideológico interno, com o argumento do claro e inequívoco apoio ao líder, demasiadamente, acossado pelos adversários socialistas.

Sendo questões distintas entre si, não se podem ignorar as realidades do momento. 

Todavia tais circunstâncias não deveriam impedir que fosse feita a diferenciação entre os inscritos e os realmente militantes, atentos os comportamentos, os compromissos e as provas dadas em trabalho, desinteressadamente desenvolvido, em prol do interesse público dado à sociedade e ao partido, em vez de negociatas de planos estratégicos de grupos e indivíduos, como, em certa medida, se pode ilidir das palavras de Vitor Ramalho.



Publicado por Zé Pessoa às 18:55 de 03.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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