Partidos grandes, pequenos, ... e cidadania

      O PROBLEMA DOS GRANDES PARTIDOS    (-JPP)

Existe um problema com os grandes partidos, o PS e o PSD? Existe e não é pequeno. Nem um nem outro estão longe de corresponderem às necessidades dos actuais tempos portugueses. Nem um nem outro são capazes de qualquer renovação significativa, embora o PSD a tenha mais feito do que o PS, mas para pior. Nenhum tem hoje qualquer capacidade de mobilização própria fora de eleições, não agregam por mérito os sectores mais dinâmicos da sociedade, não produzem ideias, nem políticas novas, estão lá à espera da mudança dos ciclos políticos e mesmo assim sem grande eficácia.

O PS pode estar hoje no governo, mas nunca se deve esquecer que perdeu as últimas eleições. Repito: perdeu as últimas eleições. E também não se deve esquecer, e às vezes parece, que para manter o governo tal como ele é, um governo “novo” de PS com apoio parlamentar do BE e PCP,  vai ter que travar combates políticos muito duros, quer lá fora na “Europa” do Eurogrupo, quer cá dentro com uma direita “passista” que não tem um pingo de moderação. Duvido que nessas circunstâncias o PS como está sirva para muito a não ser para aumentar o isolamento do governo com todos os viúvos e viúvas de Seguro e Belém a virem a terreiro criticar a “experiência radical “ de Costa quando este parecer mais frágil.

Quanto ao PSD está cada vez mais longe do que foi, um partido social-democrata, reformista e basista. Cavaco, mesmo apesar dos seus tempos finais na Presidência, foi o último a manter alguma ligação com as origens do partido, com excepção dos interregnos de Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes. O primeiro sinal do que se ia passar foram as direcções de Lopes e Menezes, muito diferentes entre si, mas trazendo elementos que desvirtuaram a  identidade partidária, desde o culto de personalidade do “menino guerreiro” até ao modo como Menezes construiu uma estrutura de controlo que ainda lá está com Passos Coelho. Mais do que  Relvas, Passos teve a “mão” de Menezes.

Mas todos vinham de “dentro”, dos maus costumes aparelhísticos que sempre existiram no PSD, como Passos vinha dos mesmos hábitos de carreira reproduzidos na JSD para pior. Quando hoje se olha para a elite partidária que dá o poder “albanês” de Passos dentro do partido é difícil reconhecer qualquer identidade social-democrata, mas sim uma mescla de gente da Maçonaria, jovens de uma direita radical feita nos blogues e redes sociais muito ignorante e agressiva, que, como já o escrevi, acha que o Papa é do MRPP… 

Chega para a “luta de classes”, tem aliados poderosos na “Europa”, mas nada tem a dar ao país que não seja servir os poderosos e punir os fracos e institucionalizar, com as fórmulas dos think tanks mais reaccionários, uma ideia de “liberalismo” que envergonharia Adam Smith. Não gostam da liberdade, gostam da autoridade e do poder.

        O PROBLEMA DOS PEQUENOS PARTIDOS

É que nada indica que possam deixar de ser pequenos, nem a curto, nem a médio e muito menos a longo prazo. O CDS está a seguir a política habitual dos tempos em que não está no governo como partido de coligação: pôr-se a jeito para voltar ao governo como partido de uma outra coligação, quer com o PSD, quer com o PS. O PS que sabe isso muito bem, alimenta-o com elogios que tem também a vantagem de o ajudar a cortar as amarras com o PSD, coisa que o CDS quer rapidamente fazer. O PSD é nestes dias uma espécie de trambolho para o CDS, e impede-o de voltar a ser “responsável” outra vez e poder “negociar”.

O BE parece estar bem, mas não está. Tudo o que o alimenta como partido de certas causas tribunícias que o PCP não quer por conservadorismo, cultura e tradição, como as chamadas “causas fracturantes”, está ou a esgotar-se ou a perder sentido, num partido que participa no poder político actual. A “causa” do Cartão do Cidadão, ou do cartaz com Jesus Cristo com “dois pais”, é um exemplo de uma irrelevância mais ou menos inócua, que mostra o esgotamento de um caminho. O outro caminho, as medidas que envolvem a melhoria das condições de vida da população, se conseguidas serão, para a maioria que delas pode beneficiar, mérito do governo do PS.

O PCP está também num impasse. O seu poder existe, essencialmente nos sindicatos da CGTP, mas está estagnado e não dá os proventos políticos que deu no passado. Os militantes do PCP votarão por regra no partido até morrerem, mas o problema é que a “lei da vida” faz com que morram cada vez mais e os esforços de renovação interior, que existem de facto, não permitem ao PCP sair do gueto em que sobreviveu, mas de onde se mostra incapaz de sair. Os comunistas portugueses são um milagre de sobrevivência política se comparados com muitos outros partidos à cabeça mais fortes, e que desapareceram de todo. As diferentes variantes de comunismos reformistas ou de “eurocomunismos” teriam feito desaparecer o PCP, como fizeram ao PCE e ao PCF, e isso foi o último combate de Cunhal, já a URSS estava a cair com Gorbachev. Mas essa época acabou e hoje reformas profundas no pensamento teórico e organizacional, na linguagem e no modus operandi, caso houvesse forças endógenas no PCP para as forçar, teriam um impacto diferente. O BE pode ter avanços ou recuos eleitorais, o PCP não pode ter recuos eleitorais muito significativos e agarrar-se ao que sempre fez, - “vão-se os anéis e fiquem os dedos”-, não funciona porque já não tem anéis e os dedos não estão grande coisa.

/Da .)(url)



Publicado por Xa2 às 07:50 de 02.06.16 | link do post | comentar |

Responsabilidade do PS e da Esquerda, contra neoliberais

---  24/11/2015:  Indigitado A.Costa (PS) para formar o 21º Governo constitucional.  (sendo a apresentação da lista de ministros na tarde do mesmo dia  uma ...'luva branca' ao PR).

--- Auditar e Responsabilizar o desgoverno; mudar para melhorar

--- Constrangimentos e prioridades dum governo de esquerda

       R.Paes Mamede no Le Monde diplomatique - ed.port. deste mês – Prioridades para um governo apoiado pelas esquerdas em Portugal. Na linha do seu livro, claro e distinto, este é um artigo sobre economia e política económica nacionais que articula e desenvolve três reflexões que o Ricardo já fez neste blogue e que vale sempre a pena revisitar neste novo e empolgante contexto: o triângulo das impossibilidades da política orçamental; a coligação de direita tem um projecto claro e coerente para o país; um terreno minado por todos os lados.  ...

... uma política orçamental que respeite os limites impostos pelas regras da zona euro. Como disse Mário Centeno, o muito provável novo ministro das Finanças, trata-se de seguir a trajectória exigida por Bruxelas, embora a um ritmo mais lento. O modelo dos economistas do PS diz-nos que a nova versão do seu programa mantém o saldo orçamental abaixo dos 3%, uma condição essencial para não despertar a fúria da Comissão Europeia, do Eurogrupo e das agências de rating. Por outro lado, sabe-se que os partidos da nova maioria aceitam rever as suas escolhas orçamentais para acomodar os impactos da crise bancária que se avizinha ou de outros imprevistos. Não acredito que a curto prazo surjam tensões sérias entre os signatários do acordo.  ...

---  Acordos à esquerda : Esperança, justiça, dignidade, ... democracia

--- «... precisa, antes de mais, de um Estado Social forte, público e universal, tendencialmente gratuito. E é essa classe média que, com a degradação dos serviços públicos, mais sofreu nos últimos quatro anos. E é para a classe média que o PS fala, quando fala da defesa do Estado Social.» --Da memorável entrevista de Pedro Nuno Santos ao Público, dia 4/11/2015.

 --------- actualizações ao post  -------

A  vez  da  esquerda     (-J.Bateira, 30/10/2015, Ladrões de B.)

  A leitura na internet dos comentários sobre a possibilidade de o país vir a ter um governo do PS, com o apoio parlamentar do BE e PCP, tem sido muito instrutiva. É particularmente interessante ler o que escrevem as pessoas ansiosas pela mudança de governo que se avizinha. Percebe-se que o sofrimento infligido pelas políticas do anterior governo não desapareceu e deixará marcas profundas na sociedade portuguesa. Como é comum nas redes sociais, as emoções andam à solta e turvam a avaliação dos riscos e das potencialidades desta solução política. Mesmo as pessoas ponderadas, e até com instrução superior, têm dificuldade em criar o distanciamento necessário a uma avaliação crítica da conjuntura política. Este clima psicossocial torna mais difícil uma intervenção realista que não queira assumir o papel de Cassandra.
     Num contexto de grande alívio para a maioria da população, por finalmente nos vermos livres do governo da PàF, percebe-se como é delicado fazer uma avaliação do que pode ganhar o país com esta experiência governativa. Antes de mais, é possível melhorar a vida de muitos cidadãos revogando legislação com evidente marca ideológica e escasso impacto orçamental em vários sectores, a começar pela legislação laboral. Depois, consegue-se evitar dois rudes golpes sobre o sistema de pensões. O primeiro, sobre as pensões mínimas, num valor para quatro anos estimado em 1020 milhões de euros. Graças ao acordo à esquerda, os militantes socialistas evitam passar pela vergonha de ver um governo da PàF aplicar uma medida que está no programa do PS e transformar um direito social – a pensão mínima como direito conferido pelo trabalho – numa medida de assistência pública sujeita a condição de recursos.
      O segundo golpe, a redução da TSU, diz respeito à utilização dos descontos para a Segurança Social como instrumento de política económica, o que frontalmente viola o contrato social que sustenta a nossa democracia. Este autonomizou o orçamento da Segurança Social e conferiu-lhe uma gestão tripartida no âmbito da concertação social. A medida constituiria o precedente necessário para, mais tarde, permitir tratar a TSU como um imposto que, de facto, não é – como contribuição* social, é receita consignada que confere o direito a uma contraprestação –, o que sujeitaria o financiamento da Segurança Social aos ciclos políticos esquerda-direita. Seria o golpe final no legado histórico das lutas de gerações de trabalhadores por uma vida decente e pela mutualização dos riscos sociais. Para formar governo, o PS teve de deixar cair uma medida que foi bem acolhida pela PàF.
     Há também uma distribuição um pouco mais justa do rendimento nacional que resultaria de uma política orçamental que, tanto quanto possível, transferisse alguns custos da austeridade para as classes de maior rendimento e património. Neste ponto, resta saber se a Comissão Europeia não invocará um imaginário impacto orçamental negativo dessas medidas para as recusar no exame prévio que fará ao Orçamento. E isto leva-nos ao ponto decisivo nesta experiência de “governo à esquerda”.   --Em que medida é possível fazer deslizar as metas do défice orçamental para acomodar os impactos das mudanças na política interna e da estagnação mundial?  --Como manter uma consistência mínima nesta política de esquerda, respeitadora das regras da direita, no quadro de um previsível endurecimento da atitude da CE e do Eurogrupo?
      A forma como as esquerdas vão explicar ao povo as dificuldades que António Costa encontrará em Bruxelas para aprovar o seu primeiro Orçamento determinará a percepção da nova maioria social quanto à margem de manobra que nos sobra para o exercício da democracia. Esta experiência governativa deve conduzir a um alargamento da consciência popular de que o euro é a causa desta crise. Esta é uma oportunidade que a esquerda não pode desperdiçar. Para que Portugal tenha futuro, os que se identificam com Cavaco Silva na submissão ao ordoliberalismo alemão têm de ser derrotados. 1/12/1640 (dia Restauração da Independência) não foi esquecido.  

Governo de esquerda pode mesmo estar a caminho? Coligação aproxima-se de 20 prioridades de Costa

Governo de esquerda pode mesmo estar a caminho?  Coligação aproxima-se de 20 prioridades de Costa

 A responsabilidade histórica do PS  (partes III, II e I)   (-por A.Gomes, CausaNossa,12/10/15)

Um PS equilibrado, progressista e pró-europeu pode, e deve, construir entendimentos  fazendo os partidos à sua esquerda aceitar guardar na gaveta a sua oposição  à UE, a NATO, o Euro e outros projectos que contestam.   Em troca disso, o PS deve comprometer-se a tudo fazer para, nos planos europeu e nacional, combater os impactos perniciosos e flexibilizar as medidas mais gravosas do Tratado Orçamental.   E procurar alcançar a consolidação orçamental com uma política fiscal justa e transparente que garanta ao Estado a recuperação dos recursos hoje perdidos para offshores e outras jurisdições estrangeiras, ao mesmo tempo que alivie PMEs e classes médias dos actuais níveis confiscatórios.   O compromisso deve assentar ainda em tudo aquilo em que a Esquerda pode convergir, como no apoio aos mais pobres e vulneráveis, na justiça social, na criação de emprego, no relançamento do investimento na economia verde e outros sectores produtivos, na sustentabilidade da segurança social, no reinvestimento na saúde e educação públicas, na ciência e inovação, no combate ao declínio demográfico e à desertificação do interior, etc... conjugados com rigor orçamental e redução progressiva e sustentada do défice e da dívida pública. 
     É por isso indispensável que o PS faça o que está a fazer:   avaliar em que se traduzem concretamente as disponibilidades anunciadas por PC e BE para apoiar um governo à  esquerda. Confrontando Bloco e PC com a escolha de continuarem a fazer o jogo da direita ou viabilizarem finalmente uma solução alternativa ao programa ultra-liberal. (da direita portuguesa)
     Conhecendo as linhas orientadoras do PS enunciadas por António Costa na noite de 4 de Outubro, se Bloco e PC esticassem estupidamente a corda nas condições a negociar, então é porque estariam a fazer "bluff" e persistiriam entrincheirados no conforto da oposição de protesto, inconsequente.   Se negociarem de má-fé ou com reserva mental - como alegam aqueles que avisam contra o "abraço de urso" ou a "inevitável picada de escorpião" antevendo que, a seu tempo, aqueles partidos precipitarão a queda de um governo socialista - pois caberá ao PS não lhes dar azo nem flanco, para além de, se for esse o caso, ter então de saber imputar-lhes o ónus.
     Se PCP e BE desperdiçarem esta oportunidade histórica para governar o país à esquerda e reforçar a voz da Europa anti neo-liberal, então serei eu a primeira a admitir que não resta ao PS, para não ser responsável nem responsabilizado pela ingovernabilidade do país, senão deixar passar um programa de governo da direita travando, depois, pela negociação orçamental, as medidas mais reaccionárias que esta sem dúvida traz no bojo. 
     O que o PS não pode fazer, de maneira alguma, é alinhar em mais austeridade cega e destrutiva, dando luz verde a um programa para Passos Coelho e Portas continuarem a vender o país a patacos e a empobrecer o povo, precipitando eleições quando julgarem poder obter a maioria absoluta.   Seria nefasto, suicida e realmente anti-europeu se o PS se deixasse enredar no engodo da direita que nos últimos quatro anos se aplicou a arrasar o país, continuando a sustentar o centrão dos interesses que afunda Portugal.
      (II) --    Não foi para o centro que o PS perdeu votos, foi para a esquerda, e sobretudo para o Bloco de Esquerda, que mais que duplicou o número de deputados (o PCP realmente estagnou, só obteve mais 4.500 votos do que em 2011).   E não foi nenhum expediente tecnocrático que tirou a maioria absoluta à direita:   foi a denúncia das injustiças, da incompetência e das fraudes da Coligação PSD/PP nos últimos 4 anos, feita com eficácia pelo Bloco de Esquerda, que desviou eleitores desiludidos com o PS. 
     Sem explorar seriamente a possibilidade de uma convergência à esquerda  - para formar um governo sustentado por uma maioria parlamentar negociada com o BE e o PC  ou mesmo um governo integrando representantes destes partidos - se o PS se dispusesse a viabilizar uma governação da mesma direita austeritária, cada vez mais votantes tenderiam a abandoná-lo, condenando o PS ao destino do Pasok.
      A direita omnipresente nos media e o seu apadrinhante Presidente Cavaco Silva procuram condicionar o PS e impedi-lo de buscar uma maioria à esquerda, proclamando - sem qualquer base constitucional -  que ele não pode entender-se com quem põe em causa a pertença à Europa, à NATO, ao Euro, ao Tratado Orçamental, ressuscitando até os combates de 75, o PREC, a Fonte Luminosa, etc...
     Para pressionar compromissos governamentais abrangentes, Cavaco Silva em tempos citou a Finlândia:  ora em Helsínquia reina hoje uma coligação que integra como Vice-PM o líder dos preconceituosos "Verdadeiros Finlandeses", que são declaradamente anti-NATO e anti-UE, pela direita. Sem que isso os impeça de se vincularem a um programa de governação tido por respeitoso dos compromissos europeus.
     Acresce que UE, Euro e NATO não se fizeram para afundar a segurança, progresso económico, emprego, justiça, Estado social, igualdade, democracia e a solidariedade europeia:   muito pelo contrário!   E, no entanto, é esse o resultado sentido pelos cidadãos em consequência das desastrosas decisões, economicamente neo-liberais e políticamente incapazes de fazer face aos desafios  - inclusivé aos gravíssimos problemas de segurança - com que a Europa está hoje confrontada.   Decisões determinadas pela da direita prevalecente a nível europeu.   UE e Euro manifestamente precisam de ser reformados e de voltar a ser postos ao serviço dos cidadãos, da democracia e da coesão europeia:   nesse sentido, todos os dias se constroem maiorias, mais ou menos à esquerda, "à la carte", com o Grupo político que integra os nossos PCP e BE no Parlamento Europeu.
    Porque não pode essa convergência acontecer também na Assembleia da República, para poupar aos cidadãos a mais da mesma política desastrada que a coligação de direita lhes infligiu
    ( I ) --   Uma clara maioria de portugueses foi votar no dia 4 de Outubro contra a austeridade radical da coligação PSD/PP.  É essa maioria que agora angustia a direita. Apesar da inegável derrota do PS que almejava obter a dianteira, a Coligação não pode cantar vitória: ficou sem maioria absoluta, perdendo mais de 700.000 votos e 25 deputados.
     E esta é a razão por que o PS, derrotado embora, se acha ironicamente na posição-chave de decidir como vai Portugal ser governado nos próximos tempos:  se à direita ou  à esquerda.  Uma responsabilidade histórica recai assim sobre os socialistas. 
     Uma responsabilidade que não tem apenas implicações nacionais:  tem impacto europeu, se Portugal tiver um governo que no Conselho da UE reforce as vozes - hoje em minoria - que procuram travar as piores consequências engendradas pela ideologia neo-liberal: como, há dias, sublinhou o Presidente Hollande no Grupo Socialista no Parlamento Europeu, referindo a barragem que conseguiu fazer com o PM Renzi para evitar o crime histórico que seria o "Grexit", activamente promovido pelo ministro Schäuble... Hollande vincou também as suas expectativas quanto ao PS, no sentido de poder vir ajudar a fazer frente ao neo-liberalismo na UE.
     Neste quadro nacional e europeu, o PS não pode atraiçoar quem nele pôs esperança e votou, indubitavelmente contra a direita austeritária. Não pode baixar braços e dispor-se a viabilizar um novo governo dessa mesma direita, quando ela perdeu a  maioria absoluta.


Publicado por Xa2 às 07:50 de 25.11.15 | link do post | comentar | ver comentários (22) |

Acordos à esquerda : Esperança, justiça, dignidade, ... democracia

---- Cai, vai cair       (- por Joana Lopes,10/11/2015, Entre as Brumas...)

 .
.---- As 4 Moções de Rejeição  do programa e Governo PàF - PSD/CDS   
. Moção de Rejeição do PS  
. Moção de Rejeição do BE  
. Moção de Rejeição do PCP  
. Moção de Rejeição do PEV 
---- Os três acordos assinados   (nov. 2015):
. Acordo PS / BE  
. Acordo PS / PCP  
. Acordo PS / PEV
---- Não sejas piegas, pá f !  (sai da "tua zona de conforto" ... emigra...)
 ;    
     Manifesto anti-Cavaco por Mário Viegas, que faria hoje 67 anos.
         Esperança         «Sabemos que os tempos que se avizinham serão difíceis. Um governo que defenda estes princípios será atacado por todos os interesses.    Tomemos um exemplo. Apenas um exemplo.    “Proibição das execuções fiscais sobre a casa de morada de família relativamente a dívidas de valor inferior ao valor do bem executado e suspensão da penhora da casa de morada de família nos restantes casos”.    É uma das 70 medidas sobre as quais PS, PCP, BE e PEV chegaram a acordo.
     Será uma medida justa? É justa.    Haverá algo mais elogioso que se possa dizer de uma medida política?   Haverá alguma etiqueta mais nobre no dicionário? Penso que não.    Haverá algo que seja melhor para a sociedade, para a economia, para o desenvolvimento, do que uma medida justa? Penso que não.   Porque as pessoas tratam os outros como são tratadas e nada pode ser melhor para uma sociedade onde todos tentam ser justos, onde todos tentam fazer o bem. (...)
     Se houvesse apenas esta medida no acordo, isso seria suficiente para marcar o dia da sua assinatura com uma pedra branca. Mas não há.    Como esta há muitas outras, que têm em comum algumas preocupações centrais:   a protecção dos mais frágeis, a inclusão dos mais sacrificados, o reforço dos serviços públicos essenciais, a sustentabilidade ambiental.
     Sabemos que isto é apenas o início, mas é um início auspicioso. Um programa que protege os cidadãos acima de tudo, em vez do dinheiro. Um programa que olha para os cidadãos como tendo todos a mesma dignidade.
     Sabemos que isto é apenas o início e que tudo o que segue, daqui para a frente, será muito difícil. Mas todas as dificuldades são bem-vindas quando se trata de construir um futuro solidário, sem excluídos, sem escorraçados, sem párias. Um futuro como sonhámos depois do 25 de Abril e que depois, sem que se tenha percebido bem porquê, se perdeu em labirintos, intrigas e areias movediças. (...)
     Sabemos que os tempos que se avizinham serão difíceis. Um governo que defenda estes princípios será atacado por todos os interesses, por todos os privilegiados de todos os privilégios, por todos os preconceitos, por todos os rancores. (...)   Sabemos que muito pouco está garantido e muito está em jogo.   Mas também sabemos que temos muitos aliados dentro e fora das fronteiras, em todos os homens e mulheres de boa vontade.    Sabemos que a honra é mais forte que a ignomínia.   Que a dignidade é mais forte que a subserviência.   Que a liberdade é mais forte que a submissão.   E sabemos, enfim, que podemos ter esperança.» -- José Vítor Malheiros
«Cette alliance n'a, en réalité, été possible que parce que, pendant que les observateurs internationaux et les ministres de l'Eurogroupe tressaient les louanges de la politique du gouvernement du premier ministre sortant P.P.Coelho, les Portugais rejetaient profondément sa politique.» 


Publicado por Xa2 às 08:50 de 11.11.15 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Aliança da esquerda para as Legislativas

A aliança da esquerda  

 Este texto de Francisco Louçã, publicado 8/4/2015, inscreve-se na linha do Manifesto para uma esquerda que responda por Portugal, do qual  fui subscritora (J.Lopes).
 
As  três alianças e os meios de as conjurar:  a 3ª,  a da esquerda
     Como argumentei ontem e anteontem, haverá uma coligação de direita e ainda uma política do PS absorvendo os seus partidos periféricos, para depois se aliar ao PSD que sobrar de Passos. E poderia haver uma terceira convergência, só que, ao invés das duas anteriores, esta é de difícil concretização: a da esquerda que se une.
     Seria natural porque é a que decorre da convergência sobre políticas essenciais, no campo alargado que se tem oposto à liberalização das leis do trabalho, às privatizações e ao desgaste dos serviços públicos. E, mais importante, os principais partidos desta área apresentam propostas construtivas que são próximas: recusando o Tratado Orçamental, defendem em consequência a única resposta concreta que pode fundamentar uma governação de esquerda, a reestruturação da dívida, sabendo que entra rapidamente o conflito com o euro.
    Seria natural ainda, e não é de menos, porque responderiam à exigência, essa sim natural senão desesperada, do “unam-se”. Por isso, é difícil compreender o seu acantonamento eleitoral. E haverá um preço a pagar por uma persistência de contraposições que estão ao arrepio da exigência do momento político: a esquerda precisa de força e corre o risco de se apresentar fraca. Nenhum discurso de auto-suficiência ou auto-satisfação pode disfarçar a arreliante sensação de fragilidade da postura dos partidos de esquerda. Como se interroga Manuel Loff, “a pergunta evidente é saber se o PCP e o Bloco podem, desta vez, interromper o círculo vicioso da desilusão e baralhar o cálculo perverso do voto útil no PS”.
    Esta convergência, ao contrário das outras, desarrumaria. As outras procuram consolidar o regime na sua era de austeridade, esta procuraria uma alternativa à austeridade. As duas primeiras alianças confirmam e confiam na alternância entre o PSD e o PS, enquanto este polo político, pelo contrário, desafiaria o rotativismo, o que a esquerda parece ter desistido de fazer até agora. Multiplicaria a capacidade de influência de curtíssimo prazo (condicionar as decisões da governação e ajudar o fôlego do movimento popular) e de curto e médio prazo (apresentar uma alternativa de governo depois de um novo governo do PS que governe como o velho). Responderia ao “voto útil” no PS e, portanto, passaria a ser uma alternativa clara.
    No entanto, para se realizar, contra a rotina do fechamento da esquerda, a convergência tinha que superar as tradições dos partidos e isso é o mais difícil. João Oliveira, líder parlamentar do PCP, tem de facto razão ao perguntar se uma simples coligação diminui em vez de aumentar (sugerindo que assim aconteceria). Embora o exemplo da coligação do PS na Madeira seja pouco transponível, provou-se aí mais uma vez que o que soma é a credibilidade com propostas e com as pessoas para essas propostas e não simplesmente uma soma de coligação, porque esta pode ser uma subtração. No entanto, ficar tudo na mesma também não é opção.
    Eu vou mais longe:    uma limitada e ocasional coligação só entre o Bloco e o PCP diminuiria e não vejo nela nem viabilidade nem vantagem. Em contrapartida, um pólo envolvendo-os com uma parte importante da esquerda social multiplicaria, porque seria a única novidade da campanha e, sobretudo, porque seria portadora da alternativa mais consistente:   Portugal contra a dívida e contra uma Europa destrutiva. De facto, essa proposta é a única que tem soluções para Portugal, é a única que resolve o problema orçamental e financeiro, é a única que pode pagar uma política de investimento e emprego, é a única que enfrenta a subserviência da elite nacional perante Berlim.
    Se esse polo, como quer que ele se apresente (e sobre isso não faço agora nenhuma sugestão, para não condicionar nem influenciar ninguém, nem discuto aqui a evidente importância das eleições presidenciais para novos sinais de novos tempos), envolver independentes e activistas, quem esteja farto da austeridade e da sua missa cantada e não aguente a mentira europeia, então ele contará.
    Desse modo, esse polo faria o que nunca se fez e responderia a uma crítica que, por muito que custe, tem fundamento:   a esquerda ainda não aparece a ninguém, nem aos seus militantes, como portadora da capacidade de governar e da preparação para o fazer e, portanto, do empenho em criar a relação social favorável para esse poder.   A solução de alguns analistas é pedir à esquerda que aceite a austeridade e os “compromissos europeus” e, portanto, que se torne social-democrata para “parecer governamentável”.   Ou seja, dizem-lhe que mostrará estar pronta para governar se se tornar igual aos partidos e políticas que quer vencer.   Ora, sobretudo para quem recusa a facilidade da transigência, é exigível fazer mais do que “parecer governamentável”:  é preciso apresentar um programa consistente, com pessoas credíveis, disputando a relação de forças e mostrando por onde se pode caminhar.   A Grécia demonstrou que, se e quando for eleito um governo de esquerda, o confronto será uma vertigem e, se a esquerda quer ganhar, tem de enfrentar imediatamente Merkel e os seus obedientes. Só a esquerda unida o pode fazer, se é que se leva a sério a ideia de um “governo patriótico” ou de um “governo de esquerda”.
    Não é evidente que nos partidos de esquerda haja vontade suficiente ou audácia para uma aproximação que configure esse polo, porque teria que partir deles. Podem mesmo escolher justificar-se com o povo que não vota ou que descrê.  Ou podem contribuir para apresentar ao povo uma proposta que leva a sério a necessidade de vencer a austeridade neste tempo que conta. Eu prefiro a luta pela vitória contra o situacionismo que apodrece Portugal


Publicado por Xa2 às 12:53 de 12.04.15 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Partidos: abstenção, descrédito, divisão, coligação, programas, acção

E lá vai mais um  (-por J.V. Costa, 23/3/2015)

 
Assistiu-se ontem a mais uma operação tipo OPA em que um grupo de pessoas, não querendo inserir-se num partido, usa-o como instrumento de candidatura eleitoral às legislativas, reservadas aos partidos. Trata-se do grupo (quantos? com que expressão?) talvez dueto, Joana Amaral Dias (JAD) e Nuno Ramos de Almeida (NRA), que se aliou ao quase esquecido Partido Trabalhista Português (PTP) para constituir a candidatura PTP/AG!R.     O outro caso mais recente é o do Tempo de Avançar, em que o partido barriga de aluguer é o LIVRE. Aqui ficam algumas notas, em geral para comparar ambos os casos.
    Em princípio, não posso discordar da criação de novos partidos, e facilitada ao máximo. É a contrapartida de um sistema que, salvo nas autárquicas, limita aos partidos a capacidade eleitoral passiva. No entanto, sou sensível à preocupação de muita gente de esquerda que receia a divisão ou mesmo pulverização, embora eu admita que, em casos concretos, o alargamento da oferta possa ter efeitos positivos, por exemplo em relação à diminuição da abstenção.   Também pode haver reflexos negativos na imagem da esquerda entre os eleitores que nela não estão fixados mas que é necessário atrair. Neste sentido, há diferenças consideráveis entre os dois casos, que agora só enumero muito sucintamente.
O LIVRE/Tempo de Avançar é uma plataforma de um partido de esquerda (concorde-se ou não com o seu programa e funcionamento) e de um número indeterminado mas não negligível de pessoas com conhecida intervenção política, individualmente ou no âmbito de organizações como o Fórum Manifesto ou a Renovação Comunista. No entanto, não dei muita atenção ao Tempo de Avançar porque dele me afasta, irrefutavelmente, a sua posição de abertura à viabilização de um governo PS que, como tudo indica, em nada mude as posições do PS em relação à Europa, à dívida e ao euro.
    O AG!R era uma incógnita, tendo demorado largos tempos a dar sinais da sua posição política. Como um dos seus pais me disse que ontem ia haver uma grande surpresa, lá me pus em jeito de gato curioso. O que vi e ouvi, descontando alguma reacção minha instintiva a tiques e vedetismo, ultrapassou tudo o que imaginava. salvo melhor opinião, cai dentro daquela margem de factos políticos que afecta toda a esquerda. Ou melhor, não. Estou a ser injusto, porque não ouvi qualquer invocação de esquerda, o que, aliás, certamente seria recusado pelo partido de acolhimento.
    Antes de ir mais longe, lembre-se que há dois tipos essenciais de discurso político (a que se pode juntar um terceiro, o teórico). Há o discurso protestativo, panfletário, de denúncia, emotivo, a ir de encontro ao sentimento. Há o discurso programático, propositivo, em que a denúncia dos males é acompanhada de propostas de medidas correctivas.
    É dramático que quem proclama que os eleitores estão alheados da política por falta de alternativas insista num discurso quase exclusivamente protestativo. Falem com o homem comum, que dirá que “todos dizem o mesmo, não mostram saída”. De certa forma, é a versão à esquerda do TINA (“there is no alternative”, Thatcher) do pensamento único. Que a austeridade mata, que os filhos emigraram, que as reformas estão a ser comidas, as pessoas sabem. O que querem saber é como sair disto.
    O Tempo de Avançar tem um programa. Não concordo com muita coisa, mas parece-me uma proposta honesta para discussão pelos eleitores. Também o LIVRE tem um programa. Da mesma forma, não concordo de todo com ele. O que é aceitável é banal e o que não é banal é inaceitável, nomeadamente o seu extremado europeísmo. Em todo o caso, há um programa.
    Na sessão final da Conferência deste fim de semana do AG!R, NRA e JAD intervieram exclusivamente num discurso de protesto, sem uma única proposta. “A democracia está em crise. As pessoas não se sentem representadas. Confrontamo-nos com a simples sobrevivência e, ao contrário das lições de Aristóteles, não estamos a pensar o impossível como abertura para novos possíveis (gostei!). Não temos autonomia política, não temos autonomia económica, não temos autonomia financeira. A austeridade é um crime”.
    Quais são as posições positiva, programáticas, do AG!R? Não se sabe. Ontem, tomando notas apressadas, vi que eram: 1. necessidade de aprofundar a democracia, contra a elite medíocre e os interesses privados [Nota, JVC: o que é uma democracia aprofundada, em relação à actual?]. 2. luta contra a corrupção, quer a do Estado e da administração, quer a das sentidas privadas. 3. não aceitar o discurso troikiano da nossa culpa, não nos intimidarmos com o “não há dinheiro” [JVC: mas não dizem como se obtém o dinheiro].   A mais, slogans com fartura. Como exemplo, o já gasto 1% e 99%.      Hoje, o seu mural do Facebook traz o compromisso que foi assinado entre o grupo/duo NRA/JAD e o PTP. Como verão os que o lerem, não enganei na caracterização que fiz atrás.
   Mas parece que vai haver programa, feito à moda, como por cá se pensa que fez o Podemos  (erradamente, como mostrarei um destes dias), “com as pessoas”, sem propostas centrais, tudo em lógica assembleist e só com propostas mínimas.     Com que bases ideológicas não percebi.   Mas ouvi o suficiente para me permitir localizar o AG!R.   Desde logo, a desvalorização da dicotomia esquerda-direita, em relação a “os de cima” e “os de baixo”. Que o essencial hoje é unir todos os democratas [JVC: como se estivéssemos em fascismo], lembrando que a clivagem é entre os bancos e os seus explorados e devedores (!).    Parece que tudo isto ainda vai ser elaborado, com o contributo dos grupos e movimentos que aderirão ao AG!R.   Mas, seja qual for esse contributo e o respeito pelo diálogo, uma coisa já está definida:  a cabeça-de-lista será JAD.  Isto é que é democracia.
    Outra diferença em relação ao Tempo de Avançar tem a ver com as alianças. Como tantas vezes temos dito, outros e eu, a disponibilidade para servir de muleta ao PS, no caso, mais do que provável, de ele manter a sua política, é a pedra de toque dos novos partidos que se apresentam como preenchedores de um vazio à esquerda. É o caso do LIVRE/Tempo de Avançar, mesmo que não se concorde com essa posição. Mas é honesta.
    Mas já o AG!R não é de esquerda, não diz o que pensa em relação à resolução da crise austeritária e do problema da dívida, não diz uma palavra sobre o estado social de bem-estar. O que é, claramente, é um partido/movimento populista, com apelos vagos a uma democracia “que é de todos”. “Agir é essa proposta: não interessa se és de esquerda, de direita, de centro, ou não te reconheces em lugar nenhum, o que interessa é a tua vontade de participar nesta ruptura popular e construir uma verdadeira democracia.” O primarismo ideológico e a demagogia de tudo isto são confrangedores.
   Muito se disse, mas ficaria forçosamente incompleto sem se falar do partido mãe de aluguer.  Até ontem, já nem me lembrava de que existia um Partido Trabalhista Português (PTP), insignificantemente sempre inferior a 1% (de votos), excepto no caso de umas eleições madeirenses em que serviu de candidatura ao candidato amalucado, José Coelho.     Interveio ontem o seu presidente, Amândio Madaleno, dizendo transparentemente coisas que, fosse eu a estar na mesa com ele, me enfiaria chão abaixo.   Fez largos anos de carreira partidária no PSD, em particular na área sindical. No tempo de Manuela Ferreira Leite, entendeu que “o partido não ia a parte nenhuma” e, de um dia para o outro (?!) fez o PTP, cujos estatutos dizem ser de centro-esquerda. No entanto, ele define-se como social-democrata, sob a grande inspiração de Sá Carneiro. E, como objectivo principal, dar voz a todos os que estão descontentes com o CDS e com o PSD. É com este homem que NRA e JAD se querem sentar à mesa? Ou estão confiantes de que o vão empalmar?  Vejam o MPT (Movim. Partido da Terra)!    Quanto à pessoa, devo dar todo o benefício da dúvida, mas a impressão com que fiquei foi a de um advogado provinciano, pouco culto e de fraca estruturação mental. 
    E já basta de AG!R.     Virá a seguir o MAS/Juntos Podemos. Lembremo-nos de que inicialmente estavam todos junto numa tentativa infantil e desinformada de fazer um Podemos, depois zangaram-se e houve uma guerra de registo de nomes, também acusações de João Labrincha a NRA de manobrismo já desde o tempo do Que se Lixe a Troika (com vagas alusões ao PCP). A novela promete. Tudo isto é triste e fraudulento, mas dá vontade de rir.
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    O movimento «Nós Cidadãos»    entregou hoje cerca de 8500 assinaturas no Tribunal Constitucional para se constituir como partido político e poder candidatar-se às próximas eleições legislativas, informou o porta-voz Mendo Henriques.  "Ao longo dos últimos meses reunimos ... e entregámos mais do que as assinaturas necessárias (7500) para ser um partido político, "... para poder dar voz aos cidadãos  ... nas eleições legislativas" , sublinhou.   ... o programa eleitoral está a ser constituído juntamente com "associações e movimentos cívicos", e terá "medidas que farão a diferença". ... espera "que no prazo de dois meses" o movimento/partido esteja "cá fora". 
    Quanto à pessoa que vai ser o rosto da candidatura do Nós Cidadãos às próximas legislativas (de 2015), Mendo Henriques referiu apenas que "o cabeça de lista será escolhido em congresso". Porém, admitiu que o movimento está "em contacto com muitas personalidades independentes e que vêm de quadrantes que estão insatisfeitos com as políticas (e medidas neoliberais) do arco da governação", mas cujos nomes só serão revelados "em devida altura".
    Em relação ao eleitorado que pretendem atingir, ... são os "abstencionistas", as pessoas que "estão indignadas com as soluções" dos últimos governos e que, por isso, "querem mudar o país".  ... criticar "o pior que há da esquerda", que classificou como "confisco fiscal",   e da direita, que chamou de "um conjunto de facilitadores e de privilegiados".     A entregar as assinaturas no TC estavam outras seis pessoas, entre elas, o antigo deputado afeto à lista do PSD  P.Quartin Graça.
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O líder do PS-Madeira e candidato da    COLIGAÇÃO  MUDANÇA (PS-PTP-PAN-MPT), Victor Freitas, defende Renegociação da Dívida, o pagamento da dívida indexado ao crescimento económico e admite coligação pós-eleitoral, mas só à esquerda (BE, PCP, ...).
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                Parem para pensar e ser cidadãos activos e coerentes:
        No nosso sistema político-eleitoral os portugueses só podem decidir o seu presente e futuro colectivo  através  de partidos ou coligações (para eleições legislativas...) ... abstenções e votos nulos não levam a nada. 
     Os principais partidos que têm responsabilidades no estado em que está o país são os 3 partidos do "arco da governação", da promiscuidade e do  "centrão de interesses privados e obscuros"
     Porque razão somos 'casmurros'...?  Porque não dar o benefício da dúvida a outros partidos para  limpar o sistema democrático e republicano dos que têm destruído o país e a sociedade portuguesa? 
     Se não te reconheces "nisto-e-neles", participa na mudança para uma melhor democracia e sociedade mais justa e transparente
     E a solução é ... ser activo na cidadania e política e, no mínimo, Votar noutro partido ou coligação que não seja do rotativo "centrão de interesses privados e obscuros".


Publicado por Xa2 às 07:43 de 27.03.15 | link do post | comentar | ver comentários (13) |

Precisamos de «PODEMOS» e actuar +, em Portugal e na U.E.

PODEMOS, pois claro !   Tomar partido aqui e agora.

    No próximo fim de semana tem lugar a Assembleia Cidadã do “Juntos PODEMOS”. Essa assembleia encerra com um plenário no Domingo para “apresentar propostas e chegar a conclusões”. Espero que uma dessas conclusões seja a constituição de uma plataforma política que concorra às próximas eleições legislativas de 2015.

    Defendo que para responder à grave crise social, económica e política em que estamos submersos é necessária a constituição desse novo projecto… Um projecto que para ser consequente e ter peso na correlação de forças necessariamente terá de se expor e submeter ao julgamento popular efectuado através de eleições.  Sendo que a sua actividade não deve estar reduzida ao “circo parlamentar”, estando intensamente orientada para os movimentos e lutas sociais. Deixo aqui o meu contributo para a discussão:

- O que temos? 

No início de 2014 escrevi o seguinte (ver final deste texto):   O aparecimento do MAS, do Livre, o Congresso Democrático das Alternativas, os encontros da Aula Magna, o manifesto 3D, a persistência da Rubra, são fenómenos que com todas as suas diferenças, mostram que existe vitalidade e energia à Esquerda. Estas movimentações demonstram que na Esquerda existe uma massa crítica, para lá dos partidos instituídos, que procura construir alternativas, quer organizacionais, quer a nível programático. Este fervilhar é altamente positivo e é condição necessária para que surja uma nova síntese, mais poderosa e alargada a médio prazo.(…)     No plano politico-partidário este é o momento de se porem cartas na mesa, de se discutirem os diferentes programas e suas nuances, de disputar influência junto das massas, criar novas propostas, divulgar ideias, mobilizar o enorme descontentamento difuso de diferentes formas. 

     Ora, neste momento, olhando para as forças à Esquerda/alternativas ao “arco da governação” (PSD+CDS+PS) o que é que temos?   O Livre que pretende coligar-se com o PS e que julga que obtendo um lugar no conselho de Ministros será capaz de fazer aquilo que o Presidente da França não conseguiu… incluindo uma reforma da União Europeia que “recupere o espírito dos pais fundadores”, em busca de um passado mítico vagamente social-democrata, que na realidade nunca existiu para além de meras proclamações propagandísticas (ler isto).   O Bloco de Esquerda que perdeu toda a sua chama e capacidade de mobilização. Um bloco em desagregação, perdido nas suas contradições (ler ponto 6 deste texto) e entregue a uma liderança com carisma zero.    Um PDR do Marinho e Pinto que na sua substância é uma espécie de Livre versão rural-popularucha. Qualquer observador atento percebe que, para lá da retórica, Marinho e Pinto é um aliado natural do PS e apoiará o próximo governo se isso for necessário ao regime.    Temos ainda o PCP. Sólido, disciplinado e muito respeitador das instituições. Admiro o percurso do PCP ao longo da sua vasta História e não me surpreende o seu percurso ascendente nos últimos anos. Mas há vários limites para aquilo que o PCP pode e quer fazer. Espero que o PCP possa vir a ser parte de uma futura alternativa, mas nunca partirá do PCP nenhuma iniciativa ou acção capaz de mudar qualitativamente a actual relação de forças na sociedade portuguesa. (uma discussão mais profunda do actual mapa político aqui).   Para lá das críticas e “alfinetadas” que acima lancei, creio que todas essas forças podem, cada uma à sua maneira, dar um contributo para uma possível alternativa progressista ao actual status quo a médio prazo. Mas existe um vasto descontentamento popular a que nenhum desses partidos dá resposta. Existe espaço para uma nova força política alternativa.

     O que precisamos?     A Assembleia do “Juntos PODEMOS” identifica três eixos centrais “programáticos”:

Citando o recente artigo do Nuno Ramos de Almeida:   Existem condições para aproveitar uma hegemonia social e transformá-la em mudança política. A maioria dos portugueses é contra a existência de uma casta política e económica que vive da corrupção, não está de acordo com uma política de austeridade que liquida a vida e a economia e só serve os especuladores, e pretende ter voz activa no seu futuro. Nestes três eixos (corrupção, economia e democracia) há uma posição maioritária das pessoas para mudar. É só preciso dar-lhe uma voz credível.  Concordo em pleno, mas acrescento que nenhum dos actuais partidos quer ou tem capacidade para ser essa voz. É preciso algo mais que as forças existentes para transformar essa hegemonia social em transformação política. É necessário um PODEMOS em Portugal.        ...   ...   ...

 

Tomar Partido Agora

É necessário actuar – não para resistir, mas para vencer. Pode ser um desafio impossível, mas a derrota é certa se ficarmos, como agora, parados. (Agora, artigo do Nuno Ramos de Almeida)

Nem mais, podemos e devemos actuar agora. No plenário final de domingo da Assembleia do Juntos PODEMOS espero que os participantes estejam à altura destas palavras e não se fiquem por apelos inconsequentes ao “universo em geral” e decidam ACTUAR tomando o futuro nas suas próprias mãos. Ficar à espera que sejam terceiros a dar voz aos anseios desta assembleia, ficar à espera de indefinidos amanhãs que cantam é a receita certa para a derrota e desmoralização. É preciso concretizar e tomar partido. É preciso um PODEMOS em Portugal.



Publicado por Xa2 às 19:29 de 15.12.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Eleições e União Europeia: economia neoliberal e anti-democracia colonial

Aceita  um  federalismo  orçamental  antidemocrático ? 
  As eleições para o Parlamento Europeu estão aí. Em entrevista ao "Jornal de Negócios" (28 Abril), Francisco Assis (PS) confirma o discurso do europeísmo da "terceira via" social-democrata (pró neoliberal):

generalidades inócuas ("recusa da política ultraliberal conservadora", "romper com esta situação de divisão da Europa"),     propostas irrealizáveis ("fundo de amortização da dívida acima de 60% dos PIB de todos os estados", "alterar a política monetária"),     tacticismo político ("lutar por uma leitura inteligente do Tratado Orçamental, para que este não impeça o crescimento") e     fuga para a frente ("é óbvio que não pode haver maior integração económica sem maior integração política").     Ignorando as implicações profundas da perda da soberania (moeda e orçamento), o discurso de Assis não oferece aos portugueses uma saída para o desastre em que o país foi lançado.

     É deplorável, embora não seja uma surpresa, que as propostas de política económica da social-democracia europeia estejam impregnadas da ideologia neoliberal, mesmo com a maior crise ocorrida depois da Grande Depressão.   Assumindo que "tem de haver uma preocupação séria com o equilíbrio orçamental", Assis abdica da política orçamental como instrumento de política contracíclica.    De facto, não é a atenuação dos ciclos económicos em resultado do funcionamento dos estabilizadores automáticos (subsídio de desemprego, impostos) que caracteriza o exercício de uma política orçamental, mas, para além destes, a variação discricionária da despesa pública (sobretudo de investimento) e da tributação.    Os défices e os excedentes orçamentais são instrumentos de política económica para ser usados ao serviço dos objectivos do pleno emprego e de uma inflação contida.    Hoje nenhum partido à esquerda se atreve a defender explicitamente uma política orçamental keynesiana, o que é revelador do quanto as esquerdas (centro-esq.) se deixaram condicionar pelo discurso neoliberal.
     A verdade é que a política orçamental está proibida na zona euro com o apoio da social-democracia europeia.   Aproveitando a crise, a Alemanha eliminou a pouca margem de manobra que ainda havia, como bem notou um ex-conselheiro de Durão Barroso:   "Uma crise que podia ter unido a Europa num esforço conjunto para vergar os poderosos bancos, em vez disso, dividiu a zona euro em países credores e devedores, transferindo o "crédito malparado" dos bancos [alemães e franceses] para dívida intergovernamental.   As instituições da União Europeia converteram-se em instrumentos dos credores para impor a sua vontade aos devedores, subordinando a "periferia" do Sul ao "centro" do Norte, nos termos de uma relação quase colonial.    Berlim e Bruxelas estão agora interessados em consolidar este sistema, em vez de ceder poder e admitir erros" (Philippe Legrain, Euro-Zone Fiscal Colonialism, "New York Times", 21 de Abril).    Era conveniente que Francisco Assis explicasse aos eleitores como é que os social-democratas, ganhando a maioria, vão promover o crescimento nos países da periferia sem política orçamental, sem política monetária - o BCE nem sequer consegue cumprir o objectivo da estabilidade dos preços, deixando-nos à beira da deflação - e sem política cambial (o euro como sucedâneo do marco).
     Aceitando uma maior integração política, Francisco Assis também aceita "o direito de análise prévia das opções orçamentais, que eventualmente será reforçado".   Portanto, aceita que fiquemos sujeitos à pressão política, ao veto das nossas escolhas e aos castigos impostos por uma Comissão que não elegemos. Em suma, Assis aceita o federalismo orçamental antidemocrático.
    Fica o alerta de Cécile Barbier:     "A União Europeia está, mais que nunca, confrontada com o desafio da irreversibilidade de escolhas ideológicas carregadas de implicações cujos estragos políticos e sociais, no plano nacional e europeu, não podemos deixar de temer."  (La prise d'autorité de la BCE et les dangers démocratiques de la nouvelle gouvernance économique dans l'UE, OSE, p. 33).     --- (-por J.Bateira,Ladrões de B., 2/5/2014, artigo no jornal i)

               Mais  que  uma  fotografia    (-por F.Aleixo, 1/5/2014, 5Dias)

    Os votos a serem decididos entre os partidos da esquerda parlamentar estarão divididos entre duas grandes propostas.   Queremos permanecer e transformar a União Europeia ou apostar numa saída que nos confira a independência e soberania no âmbito da política económica e cambial?    Defendemos a saída para a crise portuguesa com a reestruturação em processo de saída ou como agente e país-membro da UE com uma outra configuração política no parlamento europeu e a eleição de um Presidente da Comissão Europeia contra a austeridade?     Entre estas duas propostas podemos facilmente identificar diferenças entre PCP e Bloco de Esquerda. O Bloco de Esquerda concorre por um eleitorado europeísta, não euro-céptico, que promova uma política de crescimento assente na industrialização e facilitação do crédito através do controlo público da banca complementada com avanços sociais e uma reestruturação da dívida sem austeridade em concertação com as instituições europeias. É um programa progressista, social-democrata e fazendo lembrar o novo New Deal (do pres. Roosevelt, USA) proposto pelo candidato da Esquerda Europeia à Comissão Europeia, Alexis Tsipras (grego, da coligação Syrisa).   Para os tempos que correm, e até pela necessidade de preservar o actual Estado de Direito face às exigências dos proprietários do capital contra o seu próprio modelo de democracia, chega para a demarcação em relação aos partidos socialistas europeus (soc.democ.) que não só aprovam o Tratado Orçamental Europeu como ainda apresentam Martin Schulz como sucessor de Durão Barroso. O antigo líder da bancada Socialists & Democrats que defende a austeridade, o rigor orçamental mas com investimento. Um militante do actual SPD coligado com a CDU de Merkel no governo alemão. Mais um abstencionista violento, portanto.

     Tão poucas diferenças existem entre Junker e Schulz, a não ser ao nível da cosmética do discurso, que não seria surpreendente Merkel apoiar o seu compatriota. Assim como é irrisório o contraste entre Francisco Assis (PS) e Paulo Rangel (PSD).

    É, portanto, ao nível das massas dos partidos socialistas e dos seus simpatizantes que o Bloco de Esquerda e Tsipras podem almejar um significativo aumento dos votos nas próximas eleições europeias.   Procurarão os trabalhadores adeptos do projecto europeu, e esmagados pela austeridade, que pretendem uma Europa virada para o modelo social e crescimento.   Porventura contarão também com a preferência da pequena e média burguesia ansiosas por um pacote de estímulo económico que lhes possibilite sobreviver no mercado comum concorrencial dominado pela burguesia internacional – única com capacidade de absorver impostos sobre consumo, assim como facilidade de financiamento e mobilidade do capital, praticando preços mais competitivos – e evitar a sua proletarização.

     A fotografia com Mário Soares, figura respeitada pela social-democracia europeia e ex-candidato ao parlamento europeu, deixa um sério aviso a Francisco Assis e a Martin Schulz.  As suas alianças à direita parlamentar não são bem recebidas por alguns sectores dos respectivos partidos.    Confundem-se mesmo com ela apesar da batalha semântica, quando não semiótica.   O partidos socialistas (soc.democ.) europeus correm o risco de serem ultrapassados em parte do seu eleitorado pela Esquerda Europeia (BE, PCP, Verdes) que ocupa o espaço doutrinário de quem passou a defender a Terceira Via do capitalismo liberal.   O próprio Alfredo Barroso já manifestou o seu apoio à lista do Bloco de Esquerda.

   Visto que as sondagens apontam para a vitória do PPE secundado pelo S&D, Tsipras dificilmente será o próximo Presidente da Comissão Europeia. No entanto, seria demasiado absurdo pensar que, para o Conselho Europeu, valeria mais a pena ter um Roosevelt por perto e condicionado na Europa que um militante contra a austeridade na liderança da Grécia?



Publicado por Xa2 às 07:47 de 04.05.14 | link do post | comentar |

Esquerda: movimentos e partidos (CDA, 3D, BE, RC, PS, L, MIC, ...)

Carta aberta aos coordenadores do CDA e do 3D  (-por J.V.Costa, 16/2/2014, NoMoleskine)

   Há dias, deixei escritas algumas questões que se me colocam sobre as relações entre o Movimento/ Manifesto pela Dignidade, pela Democracia e pelo Desenvolvimento (3D) e o Congresso Democrático das Alternativas (CDA). Não voltaria ao assunto se não tivesse recebido notícia de um novo documento do CDA, “O fim da troika, o regresso aos mercados, o programa cautelar... e outros mitos”, com que concordo inteiramente e que não destoa da declaração original do CDA.
    Simplesmente, pensava, talvez ingenuamente, que o 3D levaria o CDA ao adormecimento, pela forte identidade das suas figuras mais conhecidas e intervenientes. O texto de agora parece mostrar que não e suscita a questão da lógica da coexistência do CDA e do 3D. Como apoiante inicial do CDA e votante da sua declaração, creio ser legítimo que me interrogue, bem como os 1600 votantes da declaração, sobre o que ele é hoje, como forma de intervenção política. Quando e em que condições é que uma posição política, como agora, vai ser tomada pelo CDA – a que pertenço – ou pelo 3D – a que não pertenço – quando, com boa probabilidade, os redactores serão os mesmos?
    Certamente que os organizadores do CDA não duvidam de que o CDA “pertence” a todos os que nele se reviram e tomaram como sua a declaração. A meu ver, a declaração, ao contrário de outros manifestos diversos anteriores, ambíguos ou recuados, é um documento que vai ao encontro das ideias e vontade política de um grande número de pessoas de esquerda consequente. Julgo ter sido esta a razão do sucesso do CDA, mau grado um certo arrefecimento posterior. Pessoalmente, por não acreditar em fadas, discordo de iniciativas inconsequentes com sobrevalorização de uma salvífica convergência não se sabe para que programa. Mas mantenho o meu apoio ao CDA e desejaria ver mais força na sua continuação. E não considero que o 3D seja continuação lógica do CDA.
         Os objectivos fundamentais de uma alternativa, seguindo a declaração rio CDA, eram
a) Retirar a economia e a sociedade do sufoco da austeridade e da dívida: denunciar o Memorando;
b) Desenvolver a economia para reduzir a dependência externa, valorizando o trabalho e salvaguardando o ambiente;
c) Defender o Estado Social e reduzir as desigualdades;
d) Construir uma democracia plena, participada e transparente;
e) Dar voz a Portugal na Europa e no mundo.”
           De entre as muitas propostas extensamente apresentadas, desenvolvendo e concretizando esses objectivos fundamentais, destaco a que, provavelmente, mais demarcou a posição em relação a propostas recuadas do PS e até, nessa altura, da direcção do BE. Refiro-me a
denúncia do Memorando e abertura de um processo negocial com a CE, o BCE e o FMI a partir de uma posição determinada, ancorada no reconhecimento de que os pressupostos do Memorando estão errados e na reivindicação do direito ao desenvolvimento; Reestruturação da dívida colocada no topo da agenda das negociações; Preparação para os cenários adversos que podem resultar de uma atitude negativa da troika, traduzida numa suspensão do financiamento internacional (incluindo a necessidade de declarar uma moratória ao serviço da dívida).
         Embora de forma não tão explícita, creio que o 3D não contraria esta posição firme do CDA, mas gostava de ver isto mais esclarecido. Então porquê o 3D? Será uma diferença de plano e forma de intervenção? Parece que sim, por várias razões. Em primeiro lugar, há uma recomposição dos promotores de ambas as iniciativas, embora se mantenha um grande núcleo de pessoas muito conhecidas, independentes. No CDA havia um forte envolvimento do BE e um pequeno núcleo do PS, no 3D não. Pelo contrário, aparecem no 3D membros da direcção da Renovação Comunista, que me parecem ter estado ausentes do CDA.
         Em segundo lugar, tudo parece apontar para uma marcada diferença nas propostas de intervenção política, em relação às que fizeram consenso no CDA. Neste, aprovou-se:
           “8.6.1 A defesa de um compromisso comum de convergência, que ajude a viabilizar uma governação alternativa em torno de princípios abrangentes e claros como os sugeridos nesta resolução, por parte das forças políticas democráticas que decidam apresentar-se a eleições;
8.6.2 A organização e mobilização em todo o país dos apoiantes do Congresso com vista à divulgação e prosseguimento do debate no espaço público das propostas desta resolução, ao seu enriquecimento e desenvolvimento participativo e à promoção da iniciativa cidadã em defesa das causas e dos objetivos aprovados;
8.6.3 A consolidação e alargamento da base plural de apoio ao Congresso;
8.6.4 O diálogo com forças políticas, instituições e movimentos sociais, nacionais e internacionais, inspirado pelo propósito de estimular dinâmicas de convergência na ação e de construir denominadores comuns para as necessárias alternativas políticas.”
          Estas posições reflectem uma perspectiva unitária, abrangente e inclusiva, bem como distante de qualquer intervenção partidária ou para-partidária com fins imediatamente eleitorais. Pelo contrário, o 3D, tanto no manifesto como em declarações de seus membros notáveis, entende que (…) não têm de esperar por entendimentos entre toda a oposição democrática”, privilegia uma intervenção imediata no plano eleitoral, tendo “como objectivo construir um movimento político que seja o mais amplo possível”, mas afastando desde logo qualquer acção conjunta com o PCP e o PS. Como se sabe, a perspectiva, esperadamente fracassada, era a de instrumentalização da capacidade eleitoral passiva do BE, como partido, numa lista circunscrita ao BE, ao 3D e ao Livre.
           Apoiei o CDA, mas não o 3D. Só vou em iniciativas e movimentações políticas pelas suas ideias e propostas, feitas de forma clara. Não vou apenas pela notoriedade dos proponentes, principalmente quando isto hoje se liga tanto ao protagonismo no círculo mediático. É assim que entendo que o manifesto 3D, com propostas não operacionais, apresentadas só na generalidade, já tenha, ao que se diz, recolhido milhares de apoios (até que ponto sobreponíveis aos do CDA, ou desviando do CDA? E com a escassa chamada a participação dos do CDA?)
           As fórmulas começam a ficar estafadas, pelo afã do menor múltiplo comum da convergência. É ao posicionamento e declarações dos promotores mais em evidência que me socorro quando procuro chegar a uma conclusão, para mim próprio, do que se está a passar nesta área confusa da esquerda não partidária e na sua relação com os partidos. Não tenho dados para avaliar bem se há ou não contradição entre dirigir simultaneamente o CDA e o 3D, se as agendas pessoais são isentamente compagináveis com a participação em ambos, a nível dirigente. Como apoiante do CDA, e não duvidando da vossa seriedade política e do vosso empenhamento na dinamização da esquerda, podiam esclarecer-me? Ou sou eu que sou incoerente, apoiando o CDA (forum de debate e mobilização) e não o 3D (proto ou para-partido)?
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   Se analisarmos as similitudes com o percurso do MIC - Movimento de Intervenção e Cidadania (mais próximo do PS e especialmente de M.Alegre), mais o "conservador actual" PCP e os ainda resistentes micro-partidos (MRPP, POUS, MAS, ...), teremos uma panorâmica dos 2 tipos de esquerda cívico-política (sejam 'militantes', 'independentes' ou apenas dizentes) :   mais discurso 'redondo' e tentativa de abrangência (dominante/ conciliatória com  o PS e "centrão moderno", também com 'alas', 'jotas' e 'barões' instalados),  versus   mais acção concreta e participação eleitoral própria (mesmo fraccionada e até pró-radical) -- no entretanto, entre impasses, contra-jogos e críticas fraticidas, perdem-se oportunidades e vontades, votos e reconhecimento, aumenta o desencanto/ afastamento (de jovens e outros) da 'militância', dos partidos, das eleições, da política e até da democracia !  ... enquanto a direita se vai unindo de facto e lambendo o pote ... até um dia ...
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A  DIVERGÊNCIA  DE  ESQUERDA     (-por JMCPinto, 1/2/2014, Politeia)

 
AFINAL, O QUE SE PRETENDE ?
  ... Os desiludidos do Bloco de Esquerda (e do PS) e mais uns tantos, porventura muitos, que sempre mantiveram uma prudente e relativa equidistância entre o PS e o BE, acham que, se não se criar uma força convergente e aglutinadora ..., o PS está tragicamente condenado a lançar-se nas mãos da direita
    ... o “êxito” desta estratégia passava pela inclusão do Bloco. Mas como o Bloco ...jamais poderia dar o seu aval a uma estratégia como a defendida pelo 3D e pelo Livre, sob pena de se dissolver ou desintegrar.
   Bem podem uns e outros dizer,..., mas o de obrigar o PS a governar à esquerda, ...
  ... E governar como membro ... minoritário de uma coligação dominada pelo PS é em si um objectivo? Ou o objectivo é antes alcançar algo, realizar algo sendo a governação, o poder, o meio adequado e necessário para o conseguir?
   Ninguém de seu perfeito juízo acredita que o PCP ou o Bloco não queiram governar. Isso não passa de uma tirada demagógica à Paulo Portas, aproveitada pela propaganda do PS e adoptada por alguns dos seus oferecidos aliados.
   Do Livre não haveria muito a esperar salvo aquilo a que o próprio movimento se propõe: eleger ... para defender e tornar exequíveis políticas de esquerda. ... De facto, esta esquerda atomizada por múltiplas sensibilidades, que de vez em quando se reúne em grupetos com vista a certos objectivos muito circunscritos, não oferece confiança ao eleitor em geral... São tantas as divergências quantos os protagonistas.
    A Convergência de Esquerda ou 3 D, ... parece ter ficado num beco sem saída depois da recusa do Bloco.  E, agora, vai convergir com quem?
    ... o grande problema dos nosso tempo é este divórcio consumado, de que o PS também é vítima, embora cúmplice ou mesmo em co-autor moral, entre capitalismo e democracia.
   Toda a ideologia da social-democracia depois ... da vitória das ideias keynesianas assentava na ideia de que era possível simultaneamente ter um modo de produção capitalista e um modo de distribuição tendencialmente socialista.    E assim foi de facto nos países ricos europeus e até na América até meados da década de 70 do século passado. Depois (com Reagan/Chicago boys e Tatcher) tudo se começou a complicar. Primeiro foi a inflação, depois o endividamento público, a seguir ou simultaneamente a concessão de crédito às pessoas para compensar a desigual distribuição de rendimentos e, finalmente, a austeridade como meio de consolidação de um novo modelo de sociedade. Uma sociedade da qual a democracia vem sendo gradativa mas consistentemente expulsa.
    O que todos os dias ouvimos dos governos, dos comentadores, das organizações económicas e financeiras internacionais é a imposição da lei dos mercados com completa marginalização dos processos e procedimentos democráticos
    Não há forma de sair disto evolutivamente. O PS está enredado nesta teia do pescoço até aos pés. Toda a social-democracia está, como ainda agora se viu com Hollande. Somente através de uma ruptura – que em algum lado se há-de dar – se poderá sair disto. Sair no sentido de iniciar uma longa e dura luta, onde certamente vai haver, como em todas as lutas de longo alcance, avanços e recuos.        ...


Publicado por Xa2 às 07:49 de 21.02.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Bloco e PCP ausentes e algumas perguntas que merecem resposta

Os representantes do BCE, da Comissão Europeia e do FMI convidaram todos os partidos para reuniões. Tratava-se de uma oportunidade para fazer chegar a quem vai intervir neste País durante os próximos anos a voz, as propostas, o aplauso ou a indignação dos portugueses. De todos os portugueses. De aceitar ou recusar esta forma de intervir nas economias. De aceitar o veneno que nos vai ser oferecido ou de apresentar alternativas. De mostrar a quem votou nos vários partidos que não se desistiu completamente da soberania e que os eleitos ainda os representam. De dizer aos cangalheiros do País quais serão as consequências sociais e políticas - as económicas eles conhecem de ginjeira - do pacote que se preparam para apresentar.

Um quinto dos eleitores não se fez ouvir. Bloco de Esquerda e PCP decidiram não comparecer.

Porque não se encontram com o inimigo? Desde quando só se fala com aliados? Dizem que cabe ao governo negociar. Verdade. Mas não cabe à oposição de esquerda aproveitar esta oportunidade para dizer de sua justiça? Prefere ficar calada? Vai deixar que os partidos do bloco central repitam que são os únicos a querer lidar com a realidade? As pessoas estão assustadas e desesperadas. Todos os sinais de esperança, que só a apresentação de alternativas pode dar, são poucos. E qualquer sinal de irresponsabilidade será mal recebido.

Ir a este encontro com o BCE, Comissão Europeia e FMI não mudaria nada? Não os convenceriam de nada? E os nossos protestos convencem? E não temos a obrigação de protestar na mesma? Não perceberão que ao aceitarem que são impotentes dizem aos portugueses que são inúteis? É essa a ideia que querem passar?

Os portugueses que votaram nestes partidos não gostariam que eles se batessem, em todos os momentos e lugares, junto de todas as instituições, incluindo os organismos que vão comandar esta intervenção, pelas suas soluções? Que se batessem por juros mais baixos; que dissessem que é inaceitável que em troca do empréstimo o FMI se substitua aos poderes eleitos; que defendessem junto dos representantes europeus na "troyka" um socorro de curto prazo seguido de uma renegociação das condições de pagamento da divida; que mostrassem que uma intervenção cega terá efeitos políticos e sociais que se podem voltar contra a estabilidade do euro.

Sabemos que BE e PCP são contra este empréstimo nos moldes e nas condições que foram impostos à Irlanda e à Grécia. Eu também sou e não me canso de o dizer. E lutam calados? Para não se sujarem ao se sentarem na mesma mesa que os representantes do FMI e da União? Nos princípios não se cede. Mas ir a uma reunião não fere qualquer princípio. E nunca se fecha a porta à possibilidade de dizer o que se pensa e a tentar minorar os efeitos de uma derrota. Também é isto a política.

O PCP fala para o seu eleitorado fiel. Mas não é assim com os eleitores do Bloco. A ideia é empurrá-los para os braços do PS? É facilitar a vida a Sócrates?

Daniel Oliveira [Expresso Online]


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Publicado por JL às 00:01 de 20.04.11 | link do post | comentar |

A esquerda que abriu as portas às piores políticas de direita

Há uns dias escrevi sobre a cadeia de decisões que abriu as portas ao FMI. Ficou claro que o acontecimento singular que capitulou a resistência nacional foi o chumbo do PEC4, causando danos irreparáveis ao nível das taxas de juro que dispararam exponencialmente para níveis insustentáveis. Quero retomar hoje esse tema pois o chumbo do PEC4 não foi decidido apenas à direita. Muito pelo contrário, necessitou também dos votos do Bloco e PCP.

Estes dois partidos já tinham anteriormente aquecido motores junto com PSD e CDS, seja a praticar algumas políticas de direita, seja a desejar outras. Participaram também, junto com PSD e CDS, em inúmeras "coligações negativas" ao longo desta legislatura, tendo o seu ponto mais baixo a votação mais nojenta e oportunista que tenho memória ter ocorrido na Assembleia da República. Mas...o FMI?! Custa-me compreender o que realmente se passou na cabeça desta gente!

Vejamos, neste campo partidário é frequente encontrar excelentes análises económicas, muitas vezes identificando claramente a raiz dos mais diversos problemas. É menos frequente encontrar soluções pragmáticas para os mesmos, ou disponibilidade para o compromisso e a tentativa de realmente começar a resolver no Parlamento as mais diversas dificuldades com que nos deparamos. Mas, bom, isso não invalida clareza em saber ler as mais diversas situações socioeconómicas. E é isto que me confunde.

Claro que tanto o Bloco como o PCP jogam uma politiquice interesseira, como a maior parte dos partidos, e ainda recentemente se divertiram a ver qual ganhava o título do "eu censuro mais do que tu". Mas, joguinhos e interesses partidários à parte, nunca pensei que houvesse muito mais por detrás disto. Afinal de contas, são os primeiros a afirmar que o FMI é um dos principais inimigos contra o qual lutam.

Ora sendo na altura perfeitamente claras as consequências do chumbo do PEC4 (a única dúvida, parece-me, seria se ia demorar uma semana ou um mês até ao disparo insustentável das taxas de juro), e sendo estes partidos habitualmente claros a perceber o contexto económico e financeiro que nos rodeia, o que explica então que, mesmo assim, Bloco e PCP tenham optado por abrir as portas ao FMI, que já anunciou que o PEC4, chumbado no parlamento, é apenas um ponto de partida?

Sinceramente, não sei. Resta-me apenas esperar que isso não tenha acontecido com o objectivo mesquinho de partir o PS ou de abrir espaço a um cisne negro revolucionário, objectivos muito muito mais graves do que um mero lapso de cálculo político-partidário. Em qualquer caso, agora não adianta derramar lágrimas de crocodilo. Tal como a direita, também estes partidos devem ser devidamente responsabilizados, nas urnas, pela atitude que tomaram.

Ricardo Schiappa [Esquerda Republicana]


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Publicado por JL às 10:47 de 13.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Afinal...ainda servem para alguma coisa

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Publicado por JL às 15:01 de 09.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PCP: 90 anos...

Os 90 anos do PCP e a bílis do(a) editorialista do Público

   O Publico é o jornal impresso que leio todos os dias. Hoje (6.3.2011) na 1ª página, de forma pouco destacada, remetia-se o leitor para 2 páginas interiores onde um conjunto de jovens foi perguntado pela jornalista sobre as causas da sua atracção pelo PCP, no momento em que este partido completa 90 anos da sua existência.

   A peça era oportuna pelo aniversário mas também pela indesmentível constatação que qualquer pessoa mìnimamente atenta fará sobre a grande componente juvenil, aguerrida e portadora de uma grande simpatia, que existe na vida do PCP.
   Fiquei, naturalmente satisfeito.
   Não é todos os dias que falar de forma objectiva sobre o PCP se pode encontrar na generalidade dos media. E é consabido que, de entre os partidos com assento parlamentar, o PCP é aquele que mais maltratado é pelo evitar dos factos e o optar por clichés rançosos.

   Estava eu ainda nesta reflexão quando tropecei no editorial aparachik.
   Retenho as seguintes expressões sobre o PCP: "Militar no PCP é uma questão de crença", " o PCP que Alvaro Cunhal preservou em embaciadas "paredes de vidro", "Jerónimo de Sousa mantém o (PCP) no rumo antigo sem o mínimo desvio, que lhe seria fatal", "O PCP chega aos 90 anos sem que seja possível atribuir-lhe uma idade real", "pertence a uma época que já quase desapareceu, "Milhares vão-no mantendo vivo contra todas asv evidências da história", "o comunismo que deu nome ao PCP no mundo real só produziu inomináveis tragédias" e "isso só ajuda a acentuar o seu anacronismo". Em matéria de citações por aqui me fico porque o textinho praticamente se esgota nisto.
    Alguma pessoa escreve isto sem estar a fazer o frete a alguém? Que compensação espera o(a) autor(a) desta prosa por tanta bilis derramada?
   Seria bem mais interessante tentar compreender o que são as convicções e porque as têm aqueles que militam no PCP, arriscando emprego, carreiras, rejeitando mordomias e corrupção intelectual e económica. É desta massa que o país precisa para sair do buraco para o qual os "democratas" o mandaram. E não só no PCP - entendamo-nos - existem tais pessoas.
   Seria interessante ler "O Partido com paredes de vidro" para discernir sobre onde andam os "embaciamentos".
   Seria interessante reflectir sobre o destino que tiveram, ao longo destes quase quarenta anos, todas as invocadas fatalidades, anacronismos e mortes anunciadas do PCP. E porque é que isso decorreu de aqui estarem comunistas, com pés bem assentes nesta terra, a ombrear e a dar força aos que mais explorados são e potencialmente mais importantes serão na "ruptura" necessária com um estado de coisas que nos asfixia, nos subalterniza, nos faz a vida num inferno e o nos quer tirar o futuro.
   Seria interessante reflectir sobre a leitura que o PCP (e não só) fez sobre a derrota de muitas experiências socialistas, como isso é coerente com a linha política e programática do PCP ao longo dos anos, como o PCP defende as liberdades e a democracia, aponta propostas não só ousadas como realistas e susceptíveis de serem aceites por muitos outros, incluindo filiados noutros partidos.
   Seria interessante não esquecer que as tragédias em Portugal envolvendo comunistas são as que eles (e outros) sofreram nas prisões, no ceifar de vidas, nas perseguições e torturas.
   A quem escreveu esta prosa, recomendo a utilização da bílis naquilo para que ela existe.
   Sob o anonimato escapou à crítica directa mas francamente não sei se vale a pena falar mais de si, múmia borolenta que ainda faz ressoar palavras ininteligíveis neste tempo a que você deixou de pertencer.


Publicado por Xa2 às 20:07 de 06.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Greve geral a crescer

Da mentira ao oportunismo da (des)informação

Escreve o “Avante” na sua edição N.º 1925 de 21.Outubro “A apresentação do Orçamento do Estado e a insistência patronal no ataque aos salários vêm acentuar a necessidade da greve geral, cujo sucesso está a ser preparado com os trabalhadores.

 

Nas oficinas da Pontinha do Metropolitano de Lisboa teve lugar anteontem, de manhã, um plenário que contou com «a maior participação de sempre», reunindo mais de 500 trabalhadores dos cerca de 1600 que integram a empresa - como salientou ao Avante! o coordenador da CT. Paulo Alves realçou que, com o chamado «PEC III», o Governo determina que deixa de haver negociação colectiva na empresa. Além das perdas comuns a todos os trabalhadores, o pessoal do Metro teria, em 2011, uma redução salarial «na ordem dos seis por cento, para todos que ganhem menos de 1500 euros brutos por mês, e entre 9,5 e 16 por cento, para todos os outros», refere-se na moção aprovada por unanimidade e aclamação. Nesta afirma-se o compromisso de «engrossar a luta marcada para 24 de Novembro» e que tem o apoio de todos os sindicatos com representação na empresa. ”

...

Embora significativamente participado, ninguém pode afirmar que tenham ali estado “mais de 500 trabalhadores”, nem os que lá estiveram autorizaram a que lhes fossem tiradas fotografias, muito menos que elas pudessem ser publicadas no Avante. Um abuso, um oportunista aproveitamento partidário que os trabalhadores não admitem, certamente.



Publicado por Zurc às 00:14 de 27.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

JOSÉ SARAMAGO, UM COMBATENTE PELA LIBERDADE

 

José de Sousa Saramago nasceu na Azinhaga, Golegã, a 16 de Novembro de 1922. Foi autodidacta, romancista, poeta e dramaturgo. Segundo consta na sua biografia, “apenas” concluiu estudos secundários, dadas as dificuldades económicas familiares.

Contudo, veio a ser, na sequência da sua importância literária e intervenção humanitária de liberdade, distinguido com três Doutoramentos Honoris Causa, a saber: Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Turim (Itália), em 1991; Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Sevilha (Espanha), também, em 1991; Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Manchester (Inglaterra), em 1994.

Além de muitos outros prémios e honrarias, que lhe foram sendo atribuídos, em 1998 acabou por ser galardoado com o Nobel de Literatura, premio máximo que qualquer escritor sonharia alcançar.

Antes da fama, foi operário-serralheiro, tradutor e jornalista. Um comunista, militante não “controlado”, um irreverente. A militância da vida nunca a confundiu com a do partido comunista. Em cada momento, em cada circunstância, sempre soube distinguir uma da outra e, mesmo, quando uma e outra pareciam confundir-se nunca confundiu a circunstância de ser comunista com as realidades e necessidades que por vezes se lhe “impuseram” de se posicionar de modo diferente do seu próprio partido.

Libertário de pensamento, livre no agir, a voz insubmissa. Honrar a sua memória, como exemplo a seguir.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 28.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O sismo do Jerónimo de Sousa

Esta madrugada, já tinha passado a primeira hora do dia, Jerónimo acordou estremunhado e perguntou à mulher.

- O que é está acontecer? O Alpedrinha saiu com os pára-quedistas para a rua, querem matar-me? Há um golpe fascista sem me terem avisado?

- Não, Jeró, parece que é um sismo, vou acender a luz.

- Estás a ver as cortinas a mexerem-se e olha a foice e o martelo da parede,  moveu-se.

- Ah, pois é, vou levantar-me e ver se há estragos.

Jerónimo levantou-se e pensou, “vou mijar ou inspeccionar tudo primeiro. Não, vou ver se há estragos na cozinha”.

Foi à cozinha e estava tudo em ordem. Os pratos sujos estavam no local em que foram deixados, não havia copos caídos, nada.

- Bem vou à janela, - disse para a mulher que vinha atrás a dizer que não encontrava as chinelas.

Jerónimo abriu a janela e debruçou-se, dizendo: - está frio, porra, e ninguém à janela nem na rua. Terei sonhado? Vou à porta das escadas. Poça, ninguém acordou, ninguém abriu a porta, é preciso um comunista preocupar-se com esta m… toda. Com raios, isto é um povo de dorminhocos, por isso é que não votam na CDU, anda tudo a dormir.

Desconsolado Jerónimo voltou para a cama a pensar se podia haver alguma réplica.

Passado um bocado, Jerónimo dá um salto e põe-se em pé. A mulher que tinha adormecido acordou repentinamente e perguntou: - Outro tremor de terra Jeró, a casa vai abaixo?

- Não, mulher, lembrei-me de uma coisa. Vou telefonar ao Ruben.

Ao fim de um longo compasso de espera, lá atendeu o Ruben ensonado a perguntar quem é?

- Sou é, o Jerónimo.

- Ah sim, a uma hora destas.

- Sim pá, não sentiste o sismo?

- Eu não, porra, houve algum?

- Claro que houve, foi há uma meia hora atrás.

- Ah sim, Jerónimo, há estragos, tenho de ir para a Câmara?

- Não pá, foi ligeiro, nem os copos da cozinha se mexeram. Mas, não é isso, pá, é que me lembrei de apresentar aquele projecto antigo de obrigar o Governo a mandar inspeccionar todos os edifícios do país em relação às suas características anti-sísmicas. Tu que és da Câmara sabes disso. Vou falar disso amanhã, mesmo, antes de que o pessoal se esqueça que houve sismo.

- Está bem, mas se houve um sismo não senti nada.

- Se obrigarmos o Governo a mandar inspeccionar todos os edifícios, vai ser bom, óptimo mesmo. Sim, não porque os edifícios fiquem melhor, mas gasta-se uma porrada de dinheiro; não é verdade Ruben?

- Claro que é. Olha, temos 3,4 milhões de edifícios. Um boa inspecção implica um engenheiro mais uns técnicos a trabalharem, pelo menos, uns 3 a 4 dias. Para 3,4 milhões de edifícios são mais de 10 milhões de dias de trabalho para uma equipe ou 10 mil dias para mil equipes. Mesmo que sejam grupos de 3 pessoas, são 300 mil inspectores e tínhamos de dar formação especializada porque não temos engenheiros ou agentes técnicos disponíveis para isso.

- Não faz mal, Ruben, mandamos o Sócrates chefiar isso, o gajo não é engenheiro técnico?

- Está bem Jerónimo, mas sejamos um pouco mais realistas, começamos por apresentar a coisa só para os edifícios do Estado numa primeira fase e depois os restantes. Sempre pode haver por aí alguém que saiba que o País tem 3,4 milhões de edifícios e mais de seis milhões de licenças de utilização válidas. Isto de números grandes ninguém sabe, mas há sempre um carola qualquer que sabe de estatísticas, não na AR ou nos meios de comunicação, mas fora pode haver.

- Ruben! A malta aprova o diploma na Assembleia da República e depois ainda podemos dizer que o Governo não conseguiu inspeccionar tudo. Daqui a dois anos nem 1% inspeccionou. Sim, sempre são 34 mil edifícios. Porreiro, Ruben, mais uma coisa para lançar no ar e andava eu a ver se encontrava qualquer coisa e aparece este sismo a dar uma excelente ideia. Amanhã vai ter comigo à sede e vamos preparar já o diploma legal.


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Publicado por DD às 20:11 de 17.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Comité Central orienta CGTP

O Comité Central do PCP renuiu durante o passado fim-de-semana e (a coincidência) na sexta-feira à noite realizou um jantar com sindicalistas do partido onde “Jerónimo de Sousa, afirmou que a luta pelo aumento de salários e reformas é também fundamental para estimular a economia nacional e combater a crise. Uma luta justa e necessária quando vemos os avultados lucros do grande capital económico e financeiro e os avultados meios públicos mobilizados para assegurar o apoio privilegiado às suas actividades.”

Depois de um longo e aturado discurso o líder do PCP concluiu que “Perante as políticas que se esboçam e os graves problemas sociais que se avolumam, os tempos que aí vêm só podem ser tempos de acção e de luta. Acção e luta que exigem um partido reforçado com uma intervenção firme e determinada e diversificada capaz de responder às expectativas e aspirações a uma vida melhor para o nosso povo.”

O mote, para os tempos que se avizinham, está dado e a CGTP, com razão ou sem ela, já sabe o caminho que tem a trilhar.



Publicado por Otsirave às 09:56 de 23.11.09 | link do post | comentar |

Jovens licenciados

Vai por aí grande algazarra opinativa por a novel deputada comunista Rita Rato, licenciada em Ciência Política, ter afirmado que nunca ouviu falar do Gulag e que "nunca esto[dou] nem l[eu] nada sobre isso". "Isso" foram "só" milhões de mortos, a maior parte presos políticos, em campos de concentração da ex-URSS, uma espécie de Tarrafal multiplicado por números inimagináveis. Vítor Dias vem em defesa da Carolina Patrocínio do PCP sugerindo "um inquérito junto de jovens licenciados em Ciência Política ou Relações Internacionais do PS, PSD, CDS e BE" para apurar se sabem, entre outras coisas, que "em 1965 na Indonésia foram mortos entre meio e um milhão de comunistas na sequência do golpe de Suharto". Fica implícito que, "isso", já a deputada do PCP saberá, apesar de Estaline, no Gulag, ter morto muitos mais comunistas que Suharto na Indonésia. Vítor Dias tem provavelmente razão sobre o nível de conhecimentos dos "jovens licenciados" das "jotas". A mim não me admirará que, quando Rita Rato finalmente souber do Gulag, pergunte: "E não havia por lá um Partido Comunista para defender as liberdades?"

[Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:03 de 27.10.09 | link do post | comentar |

Cidadania e sindicalismo em causa!

O apoio expresso de Manuel Carvalho da Silva (MCS) a António Costa, na sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, tem suscitado diversos comentários e, ao que parece, alguma agitação interna nos meios comunistas. O episódio seria irrelevante se não fosse o que ele exprime, por um lado, de ataque ao sindicalismo e, por outro, de desrespeito pela idoneidade e direitos de cidadania de cada um.

Importa, pois, compreender o significado de tanta agitação, dentro e fora do PCP. Do lado de fora, o objectivo parece ser - em coerência com a ideia de que a nossa competitividade só se resolve com congelamentos salariais e o fim do sindicalismo - o de atacar tudo o que venha do campo sindical, reduzindo-se a actividade da CGTP ao poder de "manobra" do PC, usando-se este caso para reiterar a ausência de autonomia, de debate e de renovação numa central totalmente submissa aos ditames do partido. Mas, estranhamente, ataca-se MCS no preciso momento em que ele afirma uma posição contrária às exigências do comité central.

Do lado de dentro do partido, enquanto MCS manifestou abertamente o seu apoio à CDU e ao camarada Jerónimo de Sousa (quer nas autárquicas quer nas parlamentares) estava tudo na paz dos deuses. Ou seja, até aí o líder sindical, o cidadão ou o militante estaria no pleno uso dos seus direitos cívicos e políticos. Mas a autonomia e a liberdade pessoais desaparecem perante os votos de uma vitória de António Costa, ainda que justificados por ser a melhor para "unir a esquerda" e realçado o apoio político à CDU no plano nacional. Trata-se de um “afiar" de facas que há muito se desenha, em que as próprias contradições, o "diz que disse" etc, exprimem o clima de pressões e a vontade de vingança que reinam naquele meio.

Todo o mundo sabe que a ortodoxia do PCP deseja ver MCS fora da CGTP. Para levar por diante um tal desígnio qualquer pretexto parece servir. E, como é óbvio, isso não acontece devido ao aproximar-se do limiar dos 60 anos (critério aplicável à central mas não aos sindicatos, vá-se lá saber porquê) nem a um suposto desejo de renovação ou rejuvenescimento da central.

O que acontece é que MCS ganhou peso social e capital político próprios, não à sombra do partido, não por estar em sintonia com a malfadada "linha justa", mas pelo contrário. Ganhou espaço pelo protagonismo da estrutura sindical que lidera, mas pela sua consistência e capacidades pessoais, consolidados em ideias sólidas, afirmadas livremente e reconhecidas quer no campo sindical e social quer no mundo académico.

Esse peso específico seria um garante da autonomia (relativa) da CGTP face ao PC, mas tornou-se demasiado grande para caber no estreito pensamento de quem não admite mais concessões à "pureza" dos princípios, expurgados de todos os vícios e desvios. Princípios e dogmas que persistem em puxar para o abismo o sindicalismo combativo que ainda temos, fazendo assim o jeito a quem, do lado de fora, há muito sonha com isso.

[Boa Sociedade, Elísio Estanque]



Publicado por Zé Pessoa às 12:06 de 23.10.09 | link do post | comentar |

Eurodeputados do PCP apoiam Berlusconi?

No PE foram votados diversos projectos de resolução sobre violações à liberdade de imprensa resultantes do controlo mediático exercido pelo império do PM Berlusconi em Itália.

Começou por ser derrotado um projecto da direita e extrema-direita do PE coligados, que visava poupar Berlusconi às críticas e condenações.

Subsequentemente votou-se um texto apresentado pelos Socialistas, a que a direita apresentava numerosas emendas.

Incluindo uma emenda da autoria dos deputados da direita portuguesa introduzindo referências ao caso TVI em Portugal. Emenda que foi claramente rechaçada pelo PE, apesar de uma patética intervenção de última hora feita por Nuno Melo.

Foram assim aprovadas todas as emendas apoiadas pelos Socialistas e derrotadas todas as que, subscritas pelo PPE e a extrema-direita coligados, visavam poupar Berlusconi. Este resultado só foi possível porque Socialistas, Verdes, Liberais e GUE se uniram para derrotar Berlusconi e os seus apoiantes.

Passou-se de seguida à votação final.

Para surpresa geral - e exultação das bancadas à direita e extrema-direita - o projecto final de resolução socialista foi derrotado. Por 4 votos, em 684.

Quem traiu? Amanhã já saberemos, porque a lista de votantes ficou registada em votação electrónica.

Mas o que é certo é que Ilda Figueiredo e o outro novo eurodeputado do PCP, João Ferreira, foram vistos por colegas seus do GUE e muito mais gente a, pura e simplesmente, não votar.

Alguma dessa gente não queria acreditar! Porque não votar significa objectivamente apoiar Berlusconi.

É imperativo perguntar a Ilda Figueiredo e a João Ferreira porque apoiaram Berlusconi.

Ou será que vamos ainda ver os dois deputados comunistas portugueses a pedir para corrigir o seu voto, alegando que, por coincidência, as suas máquinas não funcionaram?

[Causa Nossa, Ana Gomes]



Publicado por JL às 00:01 de 22.10.09 | link do post | comentar |

Abel e Caim

Carvalho da Silva, militante do PCP, apoiou o socialista António Costa na recente eleição autárquica em Lisboa.

Os comunistas ortodoxos que têm assento na direcção da CGTP - com destaque para Arménio Carlos, que Jerónimo de Sousa há muito pretende ver no lugar de Carvalho da Silva - criticaram-no duramente por esse facto.

Gostava de saber se estes e outros ortodoxos também criticaram duramente o apoio dado por outro comunista, José Saramago, a António Costa - expresso quatro meses mais cedo do que o do secretário-geral da CGTP.

Provavelmente não.

A História é velha como o mundo: uns são filhos, outros são enteados.

Há quem nasça com vocação para Abel, há quem nasça com vocação para Caim.

[Corta-fitas, Pedro Correia]



Publicado por JL às 00:07 de 21.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Os "senhores da esquerda" tiveram uma lição

A esquerda conservadora, PCP e Bloco de Esquerda, aprendeu uma dura lição nestas eleições autárquicas, habituada a tutelar aqueles que designa como "povo de esquerda" viu-os votar PS em nome dos seus anseios e não de acordo com estratégias partidárias dos "senhores da esquerda". Se Sócrates e o PS são de direita, como gostam tanto de acusar, terão de aceitar que bastiões como Marinha Grande, Beja ou Aljustrel optaram por essa mesma direita tão odiada por Jerónimo de Sousa e Louça. Em Lisboa os "senhores da esquerda" apostaram nos seus projectos políticos pessoais, mesmo sabendo que isso poderia significar a vitória de Santana Lopes, mas os eleitores disseram-lhes não.

Os mesmos eleitores de Lisboa que convenceram Louçã que já era um grande líder da extrema-esquerda, optaram agora por o mandar à fava nas eleições de Lisboa, Francisco Louçã foi vítima da sua própria arrogância. Louçã enganou-se ao justificar-se ao dizer que tinha muito a aprender nas eleições autárquicas, o que ele tem de aprender é que o “povo de esquerda” não é nenhum rebanho, nem uma massa de idiotas que iriam eleger um babaca como vereador para, em contrapartida, verem Santana Lopes ganhar a câmara.

Este eleitorado de esquerda, de que Louçã tanto gostar de se armar em representante pode ficar irritado com algumas políticas de Sócrates, pode castigar o PS pelas asneiras governamentais ou para exorcizar as consequências financeiras, mas não faz o que lhe mandam Louça ou Jerónimo de Sousa lhes mandam fazer. Foi o “povo de esquerda” que impediu a direita de chegar ao governo nas legislativas e agora infligiu uma pesada derrota pessoal a Ferreira Leite, Louçã e Jerónimo de Sousa.

Quando Jerónimo de Sousa diz que é a grande força de esquerda nas autarquias como explica a derrota a CDU em Beja? Ao fim de trinta anos os bejenses não evoluíram como povo ou, cruzes canhoto, deixou de ser de esquerda para passar a ser um eleitorado de direita e escolheu um PS de direita? Bem, ainda algum dirigente do PCP se vai lembrar de dizer que o povo de Beja enriqueceu tanto com o progresso resultante da gestão CDU e acabou por se aburguesar. Ou então sucedeu um fenómeno idêntico ao da RDA, invejou os padrões de consumo nas autarquias geridas pela direita e traiu o PCP.

Este povo de esquerda é bem menos burro do que julga o BE e o PCP e não votou contra a maioria absoluta de António Costa ou para manter alguns concelhos com o estatuto de pequenas RDAs. Pior ainda, ao longo dos anos tem afirmado a tendência para o divórcio com modelos de gestão autárquica onde pontuam controleiros alheios aos interesses das populações. Na Marinha Grande os eleitores não aceitaram os golpes baixos o aparelho do PCP e em Aljustrel a população percebeu que Manuel Pinho estava bem mais empenhado em defender os seus interesses do que Bernardino Soares.

Estas eleições mostraram que o tal “povo de esquerda” não obedece a dirigentes políticos que olham para os eleitores como os "senhores da guerra", sabe o que quer e começa a perceber que há uma grande distância entre o desenvolvimento que anseia e os paraísos que estes "senhores da esquerda" prometem. O "povo de esquerda", como todo o povo, quer que as autarquias funcionem, que as escolas tenham qualidade, que o país progrida, não querem nem desejam a grande crise que provará que Marx tem razão e muito menos o desmoronar do sistema ideológico.

Nestas autárquicas o povo disse não aos "senhores da esquerda", foram eles os grandes derrotados, estiveram mais empenhados em eleger mais dois ou três vereadores mesmo que isso significasse mais autarquias geridas pela direita e perderam. Não só não beliscaram a direita, como perderem muitas autarquias para o PS. [O Jumento]


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Publicado por JL às 00:03 de 16.10.09 | link do post | comentar |

Um governo com estabilidade para Portugal

A Dra. Manuela Ferreira Leite, líder (por enquanto e ao que parece a curto prazo) do PSD que, como se viu, não tem ideia nenhuma para o país, quer saber que ideias de governação o PS tem para apresentar, enquanto responsável governativo.

A (a ainda) líder do PSD, pretende que o PS não governa segundo o seu próprio programa apresentado a sufrágio e não percebeu que José Sócrates precisa de tempo para resolver o “diferendo” existencial entre a ala esquerda do seu próprio partido, que recusará alianças à direita com um PP populista e irresponsavelmente conservador ou um PSD vazio de ideias e a pressão de empresários sempre habituados em alternar entre a mama do Orçamento do Estado e os baixos salários com a concomitante precariedade no emprego quando não as duas em simultâneo. Empresários tais que vendo a debilidade do PSD não se coibiram de o substituir na oposição reivindicativa ao governo, mesmo antes de este ter sido formado.

Sócrates, respeitando os seus próprios compromissos e, acima de tudo, os evidentes sinais manifestados pelos portugueses através do seu voto não terá, não poderá ter, duvidas sobre qual a opção tomar para formar governo com personalidades (militantes e independentes) de credível competência, culturalmente de esquerda e, acima de tudo, que dêem garantias de actuação de rigor, trabalhem com honestidade, e observem práticas transparentes na gestão dos recursos públicos. Pessoas totalmente adversas a quaisquer indícios de corrupção.

Não é fácil, mas é absolutamente necessário, para que os portugueses possam acreditar nos seus governantes em particular e nos políticos em geral.

Os resultados eleitorais obrigam ao sentido de responsabilidade e à partilha da mesma, sobretudo à esquerda dos futuros parlamentares e respectivos grupos com assento na Assembleia da Republica. O modelo de “democracia assertiva” tem de ser mais inclusivo do que o de “cooperação conflitual” sob pena da esquerda dar argumentos à direita para que esta a venha a acusar de relação fratricida mais própria de contendores de guerras sucessórias.

Sem radicalismos, é necessário, será possível e (porque não) obrigatória uma convergência governativa à esquerda. Depende do PS é certo, do BE e do PCP dependerá muito mais, assim estes, sem perder a face não compliquem entendimentos.

Para bem do país e satisfação dos portugueses.



Publicado por Zé Pessoa às 00:08 de 06.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Day after - que fazer com esta maioria?
 

Afinal não houve grandes surpresas. Apesar do aumento da abstenção, não se pode dizer que seja dramático, muito menos no contexto pós-europeias. Havendo um certo cansaço do eleitorado, esse cansaço revelou-se mais num gesto de protesto contra quem deteve nos últimos anos o poder total (salvo seja). Isto era o que muitos de nós já prevíamos. A noite passada foi, compreensivelmente, de celebração. De resto, deu para que quase todos tivessem motivo para festejar (menos a Dra Manuela, e mesmo assim pode argumentar que o PSD cresceu, em votos e em deputados).

Porém, com mais ou com menos retórica, com maior ou menor triunfalismo (do CDS ou do BE), o certo é que as “vitórias” ou “derrotas” são bastante relativas. No fundo, elas tendem a medir-se em função das expectativas criadas. E desse ponto de vista, talvez a maior vitória, porque menos esperada, seja a do CDS/PP. O Paulinho bem pode mostrar a dentadura, pois o seu partido avança e afirma-se como bastião da direita. O BE, com a duplicação do número de deputados e o aumento substancial de votos, tem motivos de sobra para estar eufórico. Vai passar a contar mais, sem dúvida. Embora não saibamos ainda ao certo como. A CDU/PCP aguentou-se mais uma vez (aumentou um deputado e o nº de votos).

Por seu lado o PS conseguiu aquilo que, após as europeias, muitos julgavam impossível. Teve a “maioria clara” que Sócrates pediu ao eleitorado. Graças a quê? Do meu ponto de vista, porque o líder do PS se mostrou muito consistente na campanha, conhecedor das matérias, com sentido de Estado, com uma postura positiva e mobilizadora, vincando bem o contraste perante uma Manuela Ferreira Leite pouco convincente, crispada e negativa. Claro, a imagem foi fundamental. Sócrates tem boa imagem, e melhorou-a nos últimos tempos. Exactamente o oposto de MFL. Mostrou-se mais calmo, com a serenidade suficiente para inspirar confiança e capacidade. Esteve melhor que a sua adversária directa e conseguiu (com a ajuda de alguns notáveis do PS) beneficiar do “voto útil” e da defesa do Estado social. Mas, para além disso, no seu novo estilo, fez passar a ideia (ainda que sem o admitir abertamente) de que reconheceu alguns dos excessos e erros cometidos pelo anterior governo. Muitos dos que antes o criticaram terão visto na sua expressão algum sinal de arrependimento sincero.

E agora? Bem, no dia do jogo celebra-se. No dia seguinte pensa-se no próximo combate e começa-se a prepará-lo. Confirmou-se a maioria parlamentar de esquerda. Porém, uma “aliança de esquerda” para a legislatura tem poucas condições de avançar. Bloco e PC cresceram à custa da crítica constante às políticas do anterior governo. O BE quer chegar ao poder, mas anda há algum tempo a sonhar com “um outro PS”. Todos temos o direito ao sonho. No entanto o velho princípio da real politik obriga-nos a por os pés no chão e ler a realidade que temos. As pessoas e os líderes podem evoluir e mudar. Não sou ingénuo ao ponto de acreditar que o novo PS de Sócrates vai mudar radicalmente. Todavia, parece-me óbvio que a estratégia seguida pelo PS e o programa do futuro governo terão de adaptar-se às novas circunstâncias. E porventura saberão perceber o essencial: verificou-se uma reorientação do eleitorado à esquerda. Larga parte dos votos do BE saíram directamente do PS. As pessoas, sobretudo essas pessoas (ou seja, os cerca de 18% do BE e PCP somados), querem melhores políticas sociais, mais e melhor emprego, menos desigualdades e injustiças; querem ser reconhecidas e estimuladas no trabalho, no consumo e na sociedade; querem um sistema educativo de qualidade, com os professores motivados e os alunos a aprender; querem os jovens universitários com acesso ao emprego de qualidade.

Mesmo reconhecendo as dificuldades de um compromisso à esquerda (PS+BE+CDU), a reorientação de algumas das áreas governativas mais polémicas terá de passar pela aproximação a posições que esses partidos da esquerda defendem desde há muito (e foi em parte por isso que cresceram). Fundamental é que a liderança do PS retire argumentos que justifiquem as habituais posições irredutíveis e de contra-poder. A política de navegação à vista, com a ginástica dos acordos pontuais no parlamento, poderá ser uma saída. Mas esse deve ser sempre o último recurso, porque, assim, a permanente instabilidade será incomportável.

[Boa Sociedade, Elísio Estanque]



Publicado por Xa2 às 13:45 de 28.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

O encontro de dois amigos às direitas

Quem pensava que ia assistir a um debate entre os líderes de duas forças que disputam o mesmo eleitorado, e por isso interessados em vincar diferenças, enganou-se. Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã estiveram muito mais empenhados em provar que a esquerda à esquerda do PS é capaz de ser responsável e também está preparada para assumir as responsabilidades que resultarem do próximo acto eleitoral.

Foi, evidentemente, um jogo de resultado combinado em que um dos jogadores, Louçã, não resistiu, no lance final, a tentar a vantagem: quando, evocando o exemplo do avô comunista, voltou a agitar a modernidade do Bloco contra o passadismo dos comunistas portugueses.

De resto, este segundo debate da campanha pareceu uma entrevista de vida a dois heróicos combatentes pela mudança da vida política portuguesa. Em sintonia, um acabava o que o outro começara a dizer: nos professores, na visão da actividade dos bancos, nos apoios às PME, no caso TVI.

O Bloco e o PCP (perdão, a CDU) entraram num novo relacionamento institucional. Falta saber quem ganha e quem perde com todas estas cortesias. E se este encontro de bons amigos, de amigos às direitas, significará que até já estão a pensar apresentar ao PS um caderno de encargos comum. Se o PS precisar, claro. [Diário de Notícias, João Marcelino]



Publicado por JL às 00:01 de 05.09.09 | link do post | comentar |

A Milú

Em relação à ministra da Educação a atitude mais fácil é o silêncio cobarde ou alinhar com as críticas ou mesmo com os ataques brejeiros de alguns dos nossos educadores. Há mesmo algumas personalidades do PS que quando querem aparecer nas primeiras páginas criticam a ministra, é receita certa. Jornais como o Público dedicaram muitos dos seus editoriais a elogiar a ministra até ao momento em que os patrões se decidiram por mudar de posição em relação ao poder, o próprio Cavaco Silva chegou a elogiar as reformas quando estava na moda elogiar a ministra. Agora que a ministra da Educação parece estar na mó de baixo são raras as vozes em sua defesa.

Devo dizer que não concordo com tudo o que foi feito, o concurso para professores titulares foi um desastre, o modelo de avaliação, tal coimo foi inicialmente proposto, era um pesadelo burocrático, a equipa de secretários de Estado é de competência questionável. Maria de Lurdes Rodrigues poderia ter feito como muitos dos seus antecessores, ia ao beija-mão da Fenprof e limitava-se a preparar os anos lectivos. O debate em torno dos problemas da educação limitar-se-ia às notícias sobre as escolas que começavam as aulas com atraso devido à colocação de professores.

Hoje já ninguém se recorda da peixeirada que era a colocação dos professores, discutimos a qualidade do ensino, o sucesso ou o insucesso escolar.

Poucos ministros teriam tido a coragem ou a teimosia de Maria de Lurdes Rodrigues, muitos dos nossos políticos de barba rija teriam feito xixi pelas calças abaixo, não teriam suportado a pressão a que foi sujeita a ministra, os tomates atirados por alunos “exemplares”, as piadas brejeiras de alguns professores, a pressão política manipulada pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda. Poucos políticos teriam a paciência que Maria de Lurdes Rodrigues teve para negociar com Mário Nogueira, um sindicalista que foi para todas as rondas negociais com o objectivo de chegar a um confronto que pudesse favorecer o seu partido.

É bom lembrar que a guerra dos sindicatos à ministra começou muito antes do estatuto ou da avaliação, a ministra já era odiada pelos sindicalistas por causa das aulas de substituição que puseram fim a situações absurdas.

É verdade que sem professores que se sintam realizados a escola não terá sucesso, mas também é verdade que o facto de os professores estarem felizes não significa igualmente o sucesso da escola. Anos e anos de ministros cobardes, incapazes de enfrentar interesses instalados, que conquistaram a simpatia dos sindicatos à custa da qualidade das escolas e do erário público, levara as escolas públicas a padrões de qualidade incompatíveis com as exigências actuais do desenvolvimento económico. Não se recupera o atraso em relação à Europa enquanto nas nossas escolas se aprende muito menos do que nas escolas dos nossos parceiros.

Mal ou bem a ministra teve a coragem de tentar melhorar a escola pública e foram dados muitos passos nesse sentido, desde a generalização da utilização da Net à modernização das escolas, passando pela mudança das regras de gestão. Por mais simpática que tivesse sido teria tido sempre a oposição dos sindicatos, para estes a “Escola Pública” há muito que o deixou de ser para se transformar numa coutada privativa dos “mários nogueiras”. Não é por causa dos professores que os “mários nogueiras” odeiam a ministra, é por ter melhorado a Escola Pública sem o seu consentimento e contra a sua vontade, é porque provou ser possível gerir o sistema de ensino sem pedir autorização ao PCP. [O Jumento]



Publicado por JL às 14:06 de 01.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O embuste do PSD e PCP quanto às PMEs

Um dos maiores embustes da parte do PSD e do PCP, além de outros partidos da oposição, reside na afirmação do apoio às Pequenas e Médias Empresas.

Manuela Ferreira Leite nem Jerónimo de Sousa explicam como pretendem apoiar as PME, apesar de terem isso inscrito nos papéis que distribuem.

Considerando-se que o universo das PME é da ordem das 250 mil empresas às quais se juntam mais uns milhares de microempresas sem empregados ou com menos de 10, ninguém ficou informado como pode ser feito o apoio a todas as micro e PME com mais de 600 mil empresários.

Para já, o Governo Sócrates reduziu para metade o IRC+Derrama das empresas com lucros iguais ou inferiores a 12.500 euros anuais, o que é muito vantajoso para as microempresas que, assim, pagam apenas 12,5% sobre os lucros e o pagamento por conta é quase metade dessa verba. Acrescente-se que o pequeno patrão não vive apenas do lucro, mas também de um ordenado que se atribuiu a si mesmo sobre o qual desconta para a Segurança Social para auferir de uma reforma aos 65 anos de idade e do Serviço Nacional de Saúde.

Mas, o governo tem uma lista enorme de apoios a pequenas empresas, mas todos com uma justificação honesta e essa justificação que não conhecemos da parte de Manuela Ferreira Leite de Jerónimo de Sousa.

Eis pois alguns dos sistemas de apoios a pequenas empresas que visam a inovação, a exportação, a criação de postos de trabalho, a modernização, etc., etc.

É preciso ter a consciência que, sendo as micro e PME muito importantes, a esmagadora maioria não necessita de qualquer apoio e algumas necessitam de clientes e não de apoios do Estado que não lhes pode fornecer os clientes necessários.

Em particular, as milhares de empresas da restauração e as pequenas lojas só se justificam enquanto têm clientes; o mesmo se passa com os pequenos importadores, as empresas de mediação imobiliária que estão a nascer em todas as esquinas, etc., etc.

Temos de exigir das oposições que esclareçam bem o sentido das suas palavras para não vermos o eleitorado aldrabado e, neste caso, os pequenos empresários a votarem em alguém que os vai apoiar, sabendo-se de antemão, que o apoio generalizado é impossível e não necessário.

Eis os principais sistemas de apoio às micro e pequenas empresas, faltando aí  chamado apoio à internacionalização que mais não é que apoio à exportação que não é assim designado para evitar acusações de “dumping”:



Publicado por DD às 22:04 de 29.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PSD = PCP, os partidos das rupturas e dos conflitos

Jerónimo de Sousa a propósito das próximas eleições para a Assembleia da República afirmou que «O dilema de Setembro é se vamos dar a volta a isto ou se é mais do mesmo. Nós vamos dizer: é possível mudar. Se os portugueses confiarem nesta força de ruptura, com certeza o país vai mudar».

Ontem a líder do PSD, Manuela F. Leite veio defender um Estado minimalista e a «ruptura» de modelo. Só não diz, apenas se pode ler nas entrelinhas, que o modelo que defende é um neoliberalismo retrógrado que provoca crises, que permite duas coisas diametralmente opostas. Uma é a rápida recomposição do capital e a especulação bolsista associada à corrupção cujos lucros se escapam através das offshores. Não terá sido por acaso que persistiu em mater nas listas indiciados pela justiça. A outra é os pobres cada vez em maior número e em pior situação destruindo a classe média.

O secretário-geral do PCP insiste na mesma tecla, na tecla de sempre em considerar o PCP como um partido que só faz coligações com ele próprio e em persistir ser uma força de “rupturas” e confrontações com tudo e com todos os que não se guiem pelos seus ideais.

Jerónimo afirmou no comício de Gaia que «durante estes quatro anos, a direita andou desorientada, porque o PS era o melhor executante dessa política de direita. Na entrevista dada recentemente, Manuela Ferreira Leite não apresentou propostas. Pois se aquilo é farinha do mesmo saco, que fazem a mesma política, que têm a mesma visão, apenas têm estilos diferentes», disse.

Para o PCP e seu secretário-geral, socialismo e social-democracia confundem-se com neo-liberalismo e retrocesso do Estado-Social.

Naturalmente, com tal conservadorismo como se poderia esperar um entendimento de governação ao nível nacional se mesmo ao nível local ele foi negado, privilegiando os hipotéticos interesses partidários em detrimento dos interesses de Lisboa e do país?

Uma coisa é certa, os comunistas são os militantes mais conservadores. Há quem diga que a sua Militância vai tão longe que mesmo a dormir a fazem. Continuam a sonhar com a revolução do proletariado. É por isso que eles fazem os levantamentos onde possam existir conflitos ou dificuldades laborais para aí mobilizarem os trabalhadores para as manifestações de rua.

Manuela F. Leite, em concordância com o PCP, queria, se ganha-se a próximas eleições, deixar de avaliar os professores numa clara atitude de caça ao voto, num país onde tudo e toda a gente é cada vez mais avaliada.

Quem parece farinha do mesmo saco, afinal, é PSD e PCP.

«...se os portugueses confiassem nestas forças de ruptura, com certeza o país iria mudar». Depois da ruptura o que se seguiria? Naturalmente que o descalabro social e económico da já depauperada economia dos trabalhadores e do povo português.



Publicado por Zurc às 09:45 de 28.08.09 | link do post | comentar |

Da entrevista de Ferro Rodrigues às alianças à esquerda

É impressão minha ou a recente entrevista de Ferro Rodrigues ao Expresso apresenta-o como putativo candidato do PS às próximas presidenciais? Na minha opinião seria um óptimo candidato, e despoletaria um cenário muito interessante.

Pelas pontes que o ex-secretário-geral socialista constrói nas esquerdas à esquerda do PS colocaria imediatamente pressão nessa zona política, preocupada quase em exclusivo em atacar o PS «de Sócrates», e confrontaria BE e PCP na sua estratégia anti-PS. Estariam BE e PCP dispostos a apoiar este candidato do PS e confirmar que é só «deste PS» que bloquistas e comunistas fogem? Ou será que é mesmo do PS, seja ele qual for?

No actual momento pré-eleitoral sabemos que o PS é o único partido de esquerda que pode aspirar ao Governo do país e que têm sido sistematicamente afastadas as possibilidades de coligações à esquerda. Assim, e uma vez que o sistema eleitoral português (ainda) é proporcional – e bem –, e se BE e PCP nunca admitem soluções governativas conjuntas com o PS, este tem sempre de liderar governos a solo (em maioria, preferencialmente – por questões de governabilidade -, ou em minoria). Não há outras hipóteses para se ter governos à esquerda em Portugal.

A questão é, então, saber se PCP e BE (em especial este), que se desmarcam de um governo com o PS, apoiarão uma candidatura socialista para a Presidência, admitindo para o efeito uma aliança com o PS; o que a se verificar, se apresentaria um pouco contraditório. É que se a intenção dos comunistas e dos bloquistas é contribuir para uma política de esquerda em Portugal, e impedir um regresso da direita ao poder (sic), e uma vez que o sistema político português é dominado legislativamente pelo Governo (e pelo Parlamento), não faria mais sentido apoiar uma solução governativa? É que o Presidente apenas «influencia», não governa.

A não ser que essa esquerda, a tal esquerda à esquerda, apenas queira ter «influência», e não responsabilidade na vida política portuguesa. E sinceramente, já não há paciência para essa fuga ao compromisso. Mais vale uma (nova) maioria PS. [Eleições 2009, José Reis Santos]



Publicado por JL às 00:01 de 21.08.09 | link do post | comentar |

A coligação das “Parcas”

As quatro “parcas” tristes da oposição declamaram, com a habitual pose dramática de um pessimismo triste, as suas deixas sombrias, a propósito do desemprego. Serviram-se, uma vez mais, dos desempregados como simples pedradas conjunturais atiradas raivosamente ao Governo do PS.

Todos esqueceram que, no plano mundial, estamos a atravessar a maior crise dos últimos oitenta anos. Todos esqueceram que os receios eram, há uns meses atrás, de um verdadeiro desmoronamento económico mundial que arrastaria o nosso país para dificuldades que apenas podemos imaginar. Contra esse risco, o Governo bateu-se. Pode evidentemente questionar-se o acerto de todas as medidas, mas é mistificatório ignorar o arreganho do Governo no combate à crise e não condiz com a realidade dizer que, nesse aspecto, a sua política foi um desastre. Mas pretender, simplesmente, comparar os números actuais com os do ano passado, ou com os dos últimos anos, desconsiderando por completo a existência de uma crise mundial do capitalismo, com especiais reflexos nos USA e na Europa, para tentar imputar ao governo português o exclusivo da responsabilidade pela crise em estamos mergulhados, é uma manifestação de cegueira política e de um sectarismo primário.

As lideranças do partido do Governo, mostraram natural satisfação pelo facto de os dados europeus terem indicado que o último trimestre foi melhor do que aquilo que era esperado pelos especialistas, tendo até, no caso de Portugal, da Alemanha, da França, da Grécia e da Eslováquia, havido uma ligeira subida do PIB por comparação com o trimestre anterior. Ou seja, entre os vinte e sete da União Europeia, Portugal era um dos cinco países que recebeu essas boas notícias. Sócrates e Teixeira dos Santos, sem deixarem de se congratular com as notícias, sublinharam que não se devia considerar a crise como terminada, dizendo o primeiro que, quando muito (quando muito - eu ouvi bem!) se podia considerar que isto era o princípio do fim da crise. Tanto bastou para que todas as “Parcas” da oposição se tivessem assanhado, dizendo que o Primeiro-ministro era um optimista irresponsável.

Aliás, quem tiver estado atento terá verificado que os representantes dos Partidos da oposição corrigiram, de um modo mais ou menos marcado, nas declarações posteriores, as primeiras declarações que, na verdade, foram uma grosseira mistura de má fé política e indigência intelectual.

Vários analistas e pelo menos o Ministro do Trabalho disseram anteontem que era natural que o desemprego continuasse a subir, mesmo depois da inflexão de tendência da economia em geral que se havia verificado. O Ministro do Trabalho sublinhou mesmo a constância dessa tendência geral de desfasamento entre as duas dinâmicas. Pois, apesar disso, logo que se soube que, como o próprio Governo admitira anteontem como provável, o desemprego subira, embora a um nível inferior ao esperado, as “Parcas” apressaram-se a proclamar que isto mostrava que o que o Governo afirmara na véspera estava assim a ser desmentido.

Aliás, é curioso verificar que perante uma notícia favorável e uma outra desfavorável quanto à evolução socioeconómica as “Parcas” reagiram da mesma maneira:

“Chove? O governo é o culpado!”

“ Faz algum sol? O Governo é culpado por não haver mais sol! Aliás, haver sol nem sequer é importante”.

Está pois tudo a voltar ao normal, a voltar inesperadamente ao normal, a voltar ao antes das eleições europeias, à “coligação canguru”, à coligação negativa contra o PS que parece ter recuperado convergência e afinação. Mas enquanto o PSD e o PP têm uma estratégia precisa (colocar no Governo a direita sob a liderança da Dama de Cinza) o BE e o PCP, não assumem a via que objectivamente estão a seguir: ao atacarem ferozmente o PS e o actual governo estão objectivamente a favorecer a eclosão de um governo de direita liderado pelo PSD. Na verdade, mesmo que possam não o querer, o resultado mais provável do modo como têm feito o combate político ao PS é o de contribuírem decisivamente para que isso aconteça. E, para que não haja dúvidas, têm vindo a sublinhar que cooperação política com o PS, nem pensar!

A subalternidade estratégica da oposição de esquerda, em face da oposição de direita, está aliás bem patente na verdadeira fusão política que ambas puseram em prática, ao atribuírem à política do governo do PS a principal responsabilidade pelo eclodir da actual crise. Na verdade, o que seria de esperar de uma oposição de esquerda, que realmente o fosse, na actual conjuntura, era a valorização da decadência global do capitalismo como factor central da crise e nunca a de quaisquer factores conjunturais, como é o caso das políticas sociais ou da política económica de um qualquer governo.

Tudo isto implica que, independentemente das intenções subjectivas e dos sentimentos das pessoas que integram as direcções políticas do BE e do PCP, estes partidos fizeram um tipo de oposição e têm feito uma campanha nas últimas semanas, cuja lógica é a de contribuírem para uma solução governativa que unifique todas as actuais oposições ao PS e ao governo actual. Naturalmente, que uma solução dessas será naturalmente liderada pela dirigente máxima do PSD.

Assim, a mensagem subliminar de todas as campanhas das oposições ao actual governo é simples: Votem contra o PS, de modo a fazer com que não seja do PS o próximo Governo!

Ora, como não se vê que, não sendo do PS o próximo governo, possa ser outro do que um governo liderado pela Dra. Manuela Ferreira Leite, as oposições de esquerda estão objectivamente a fazer campanha pela leader do PSD.

Portanto, os eleitores têm pela frente uma escolha simples: votam no PS ou votam na coligação das “Parcas”.

E quando digo que a escolha é simples não estou a dizer que o actual governo é perfeito, que não precisa de corrigir algumas das suas políticas ou sequer que a linha de orientação dominante actualmente no PS merece a minha concordância completa. Por exemplo, também o PS devia ser mais consequente com a sua demarcação em face do neoliberalismo, colocando expressamente no horizonte a superação do capitalismo como a condição essencial para uma efectiva saída da crise, sem riscos de rápido retorno.

Mas sei que, para quem for de esquerda, levar as discordâncias com o PS até ao ponto de contribuir para reinstalar a direita no poder, além de ser um erro estratégico, é verdadeiramente uma auto-flagelação. [O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 00:02 de 17.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

PCP e o seu fiel caderno reivindicativo, como sempre

O PCP acaba de apresentar o seu (novo?) programa eleitoral, um programa, segundo referiu o respectivo secretário-geral, baseado «nos princípios e valores da Constituição da República (...)».

Dentro de um vasto conjunto de banalidades, porque repetitivas e comuns a todas as forças políticas, que o povo português já lhes vem conhecendo há anos sem fim, o que sobressaiu do discurso de Jerónimo de Sousa foi a peremptória recusa (que também já não é novidade) de participar em qualquer governo de coordenação do socialista.

Para os comunistas, dentro da sua habitual e continuada politica de terra queimada, é mais vantajoso que o pais seja governado pelo centro direita ou mesmo pela direita retrógrada e conservadora, onde, pelos vistos, mais se revêem, do que participar num governo de esquerda.

É o PCP já se vê. A sua cultura política evoluiu, mas pouco, muito pouco em relação aos tempos da clandestinidade. É pena!

Jerónimo de Sousa afirmou que o PCP vai continuar a bater-se por «um novo rumo para a União Europeia com base em Estados soberanos e iguais em direitos, assumindo a independência e soberania nacionais como valores inalienáveis», (os deveres são sempre esquecidos). «O PCP compromete-se a assumir como prioridade a luta pelo abandono definitivo do Tratado de Lisboa, passo imediato da luta por uma outra Europa dos trabalhadores e dos povos».

De acordo com Agostinho Lopes, do Comité Central do PCP, o programa foi construído na base de um alargado processo de participação e auscultação públicas». «O texto reflecte o resultado de inúmeras propostas de entidades muito diversas».

Diríamos assim, que o programa do PCP se confunde mais com um caderno reivindicativo de um qualquer sindicato por si controlado do que um sério programa de governo que, necessariamente, tem de ser e deve ser concreto no conteúdo e na forma de realizar as propostas feitas.



Publicado por Zurc às 11:57 de 12.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O acordo da Autoeuropa e o PCP

Os trabalhadores da Autoeuropa demonstraram, no passado mês de Outubro, que querem defender os seus empregos e garantir o seu futuro por muitos mais anos. O Presidente da marca VW, em carta enviada no passado dia 24 de Outubro, reconhece que a empresa tem agora os mecanismos que solicitava para a vinda de novos produtos, nomeadamente o sucessor do actual MPV, podendo com isto garantir não só os actuais postos de trabalho como criar cerca de 3 mil novos empregos, entre o parque industrial e a Autoeuropa.

Mas, e apesar disto, veio o PCP distribuir para a porta da empresa um pasquim denominado "O Faísca", de uma pseudo-célula de empresa (pseudo, porque quem distribui o dito pasquim são reformados, funcionários e pré-reformados do aparelho), onde numa página A4 ataca o acordo, mostrando a sua faceta de pseudo defensores dos trabalhadores, esquecendo-se que os desempregados também são trabalhadores, para os quais é urgente e necessário arranjar emprego (a este respeito não fazem uma única referência), e foi aí que os jovens trabalhadores da Autoeuropa mostraram a sua solidariedade de classe, ao aprovarem o acordo que permitirá (já está a permitir) a criação de emprego na empresa, no parque, enfim, no País.

A prática do PCP todos conhecemos: é a do quanto pior melhor, tal como o provam as propostas do seu homem de mão (membro do Comité Central) na CT durante as negociações:  deixar andar...não responder ás propostas da empresa... dar demagogia a metro... deixar que tirassem o subsídio de turno aos trabalhadores, e depois lá estava ele para os ajudar e mobilizar.... Ideias e contributos para as negociações, zero. Depois, também mostrou o respeito que tem pelas decisões democráticas, ao recusar assinar o acordo, para o qual a maioria dos trabalhadores mandatou a CT.

Mas a aposta do PC é ganhar a futura CT, tal como referem no dito pasquim, para a transformar num "baluarte da luta de classes no distrito". Mas os trabalhadores ainda não esqueceram os 7 meses em que estiveram em maioria nesta CT, (Março a Outubro de 1999), (veja-se o Avante nº 1322 de 1 de Abril de 1999), depois de promessas de conseguirem este mundo e o outro, fizeram um pré-acordo aumentando de 96 para 120 horas a flexibilidade horária, trabalho ao sábado a troco de 30€, na altura 6000 escudos, e tiveram a lata de ir a Plenário defender tais propostas, como as melhores de sempre. Felizmente os trabalhadores levantaram-se em uníssono e exigiram a imediata demissão de tal maioria e consequentemente da CT.

Se um dia vierem a ter de novo maioria na CT desta empresa, uma coisa é certa: o objectivo será sempre fazerem parte do problema e nunca da solução, com as consequências que conhecemos, noutros espaços e noutros lugares.

[António Chora, Esquerda Net]


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Publicado por JL às 00:03 de 18.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Um “guardanapo” para o PCP se limpar

Trabalhadores da Autoeuropa perdem mais em dez dias de lay-off do que a trabalhar seis sábados até 2011.

A medida irá decorrer entre Setembro e Dezembro e retirar aos bolsos dos trabalhadores entre 480 e 560 euros este ano, em média, calcula António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT). Um montante bastante superior aos 48 euros que os trabalhadores perderiam em 2009 por trabalharem os dois sábados previstos sem receber horas extraordinárias.

Além de ir produzir menos 25 carros diários a partir de Setembro, a fábrica de Palmela decidiu ontem marcar dez dias de não produção em sistema de lay-off (redução temporária do período normal de trabalho). Uma medida que atingirá mais os funcionários do que os seis sábados de produção por ano previstos no pré-acordo, que foi chumbado pelos trabalhadores.


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Publicado por Zurc às 09:08 de 26.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

A formiga e a cigarra

O PCP teve o trabalho de mobilizar os professores (e todos os seus militantes) para, pelo menos, duas grandes manifestações de rua contra o governo, onde Louça, Portas e Fazenda apareceram; o PCP teve o trabalho de mobilizar os funcionários públicos (e todos os seus militantes) para grandes manifestações de rua contra o governo, onde Louça, Portas e Fazenda apareceram; o PCP teve o trabalho de mobilizar trabalhadores de vários sectores de actividade (e todos os seus militantes) para todos 1º de Maio contra o governo, onde Louça, Portas e Fazenda apareceram. O BE ultrapassou eleitoralmente o PCP e tem mais um deputado europeu. Não é justo! [Tomás Vasques, Hoje há conquilhas amanhã não sabemos]


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Publicado por JL às 22:59 de 08.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Mário Nogueira, o militante do PCP

… Mas uma coisa é a indignação e o protesto a que têm direito os professores. Outra coisa é um sindicato entrar em campanha eleitoral. A Fenprof, que se saiba, não vai a votos no próximo domingo, tão-pouco nas próximas legislativas. Resulta, por isso, bizarro ouvir Mário Nogueira dizer, perante a imensa plateia, que "não podemos admitir que volte a funcionar uma maioria absoluta". Ficámos todos a saber que não foi o líder do sindicato dos professores que discursou, sábado à tarde, em Lisboa, foi o militante do PCP que aspira a ser líder de um sindicato de voto... [Rafael Barbosa, Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 22:48 de 01.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PCP e a eterna convulsão comunista
Mais do que firmar ou afirmar a sua matriz e propostas, o embuste da CDU ou se preferirem do PCP, vive na sombra e no desejo desesperado de diminuir o PS. O seu último e maior dos objectivos passa por retirar a maioria absoluta aos socialistas portugueses.
Muito pouco para um partido político com assento na Assembleia da República. Mas o que se pode esperar mais dos comunistas portugueses? [Miguel Teixeira, Câmara de Comuns]

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Publicado por JL às 19:23 de 24.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Sindicalismo, crise interna na CGTP/IN

PCP instrumentaliza, cada vez mais, a central sindical.

A guerra entre PCs e PSs, na Intersindical constitui uma enorme irresponsabilidade, sobretudo neste momento de crise. Cabe aos outros sindicalistas e correntes pluralistas dizer não a esta situação. Será que conseguem?
Os primeiros, numa atitude de um saudosismo bolorento e vazio de futuro, continuam a sonhar em aderir à Federação Sindical Mundial (FSM), naturalmente, de ortodoxia comunista, sendo que os socialistas e outras correntes dentro da central preconizam, mais racionalmente, uma adesão à organização internacional, recentemente, criada a partir do “desaparecimento” da CISL e CMT de ideologia pluralista, a Confederação Sindical Internacional (CSI), onde aliás a UGT já tem assento. Repete-se, neste caso, o “fenómeno” já sucedido a propósito da adesão à Confederação Europeia de Sindicatos, (CES) a que já tardiamente e por razões de completo isolamento a Intersindical acabaria por aderir.
Os recentes acontecimentos do 1º de Maio constituíram mais um passo dado pela actuação sectária, antidemocrática, de um grupo que se considera “proprietário” da CGTP, em direcção à disputa pela filiação internacional de central sindical. De todo, não é a melhor forma de debate de uma decisão tão séria, ainda bem que Vital Moreira e Carvalho da Silva já procuraram pôr uma “pedra” no assunto, a ver vamos se os ortodoxos aceitam essa iniciativa.
Estes pseudo donos do movimento sindical unitário não se coíbem de praticar agressões em pessoas que sendo convidadas, para participarem na manifestação, pela direcção CGTP, que não deixa de não ser uma manifestação dos trabalhadores portugueses e de quem nela se queira, democraticamente, manifestar.
Tal actuação é condenável mesmo que se admitam razões explicativas da animosidade do referido grupo pelo posicionamento político do candidato Vital Moreira, outrora, como é do conhecimento público e o próprio não o esconde, militante comunista.
Todavia, o facto não nos deve esconder o que de mais importante se passa, neste momento, na CGTP. Por diversos factores a corrente comunista na CGTP, cultiva cada vez menos a unidade que pugnava no tempo de Cunhal. Actualmente existe uma dinâmica cada vez mais forte para transformar a Intersindical na central comunista, a questão internacional é uma das componentes onde melhor se acentua essa dinâmica, além, claro está, do uso abusivo das suas estruturas, para proveito próprio partidário, como tem vindo a suceder ao longo desta semana da manifestação promovida pelo PCP.
Em resposta, a esta evolução negativa tanto para a central como para a defesa dos interesses dos trabalhadores, a corrente socialista, de menor expressão, enveredou, também, por uma estratégia, também, partidária de ruptura e de confronto que aprofunda o conflito actualmente existente na direcção da CGTP.
O caso Vital Moreira foi mais um episódio que veio aprofundar este conflito interno e com a saída de Carvalho da Silva a situação irá agudizar-se. De resto e apesar da sua militância comunista não se vislumbra, no seio da central, quem da maioria possa vir a desempenhar um papel, minimamente, democrático na CGTP, como vinha sucedendo até à realização do ultimo congresso. Aliás, para que se não note tanto a transição, Carvalho da Silva, na prática, está a endurecer a luta não tanto por convicção mas, sobretudo, por imposição.


Publicado por Zé Pessoa às 00:09 de 22.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

risota

PCP diz que quem deve pedir desculpas é o PS

O PCP considerou que o Governo está a fazer "um ajuste de contas" com o caso das agressões a Vital Moreira e exigiu um pedido de desculpas do PS aos comunistas e aos trabalhadores. [Diário de Notícias]

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Publicado por JL às 21:32 de 04.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Sindicalismo, tentativa de “assalto” do PCP

Oh! democracia de prenhe liberdade, que tanto reclamas direitos e tão pouca responsabilidade.

Assim actuam aqueles que se arrogam donos da unicidade sindical “quem não é por nós é contra nós” como diria o António, o “velho”.
«PCP move inquérito interno a dirigentes do Sitava
Militantes não apoiaram lista B nas eleições do sindicato.
Vítor Mesquita, Luís Magalhães e Luís Rosa, dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava), estão a ser alvo de inquéritos internos instaurados pelo PCP, partido de que são militantes, por não terem apoiado a lista B nas eleições do Sitava que decorreram a 19 de Março.
O jornal contactou a direcção do PCP, através do assessor de imprensa António Rodrigues, para saber o estado do processo e quais as consequências que poderão recair sobre estes três militantes, nomeadamente se existe risco de expulsão, mas a resposta foi: “Não comentamos”.
A situação de tensão que está a abalar aquela direcção sindical é a sequência do processo de ruptura que se viveu no Sitava a propósito da última eleição da direcção, à qual se apresentaram duas listas. Uma divisão que se verifica pela segunda vez na vida deste sindicato – a primeira foi quando da sua fundação.» [Público]
Sitava bem para quê mudar? De resto os resultados foram bem claros, a lista A, acabou por vencer com cerca de 60 por cento dos votos expressos num universo de votantes de cerca de 30 por cento dos sindicalizados ou seja 4669 sócios.
A Lista A surgiu na continuidade das anteriores direcções. Tanto que manteve à cabeça da candidatura a secretário-geral (reeleito), Vítor Mesquita. Já Luís Magalhães passou da direcção a presidente da Mesa da Assembleia e Luís Rosa permanece na comissão permanente.
Lá diz o velho ditado “em equipa que ganha não se mexe", provérbio com o qual o PCP, que é tão conservador em outras matérias, não está, neste caso, de acordo. Vá-se lá saber porquê? Democracias ...!
O PCP tentou “assaltar” o sindicato e não o conseguiu, pelo que, agora procura “espiar” os pecados das suas tentações em três militantes seus que quiseram manter-se fiéis aos seus compromissos com a direcção que se recandidatava a novo mandato, da qual eles próprios faziam e fizeram parte. Aliás posição perfeitamente reconhecida pelos trabalhadores que livremente votaram e escolheram.

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Publicado por Zé Pessoa às 00:03 de 04.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

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