'Privatiz...' Quando vos disserem / ouvirem ... lembrem-se...

Lembrem-se do Oceanário    (-por N. Serra, Ladrões de B., 30/4/2015)

  O governo já deu início ao processo de privatização do Oceanário, ignorando olimpicamente a moção aprovada pela Assembleia Municipal e o interesse manifestado pelo Turismo, a Câmara e a Universidade de Lisboa (entre outros parceiros), tendo em vista «assumir a gestão do equipamento, garantindo a manutenção em funções da equipa que tem nele trabalhado e que o tem gerido».   Tal como no caso do Pavilhão Atlântico (lembram-se?), o Oceanário é um dos equipamentos da Parque Expo que desde 2007 sempre proporcionou lucros (que atingiram, no ano passado, 1,1 milhões de euros) e um dos espaços culturais mais visitados na cidade de Lisboa. 

     Como sublinha Nicolau Santos, «o Oceanário está pois no ponto exato para ser privatizado: dá lucro e os utentes/clientes estão satisfeitos», pouco importando que se não se perceba a razão que leva a «que o Estado aliene o que está na esfera pública e corre bem. (...)    Ou seja, o Governo entrega a um privado, cujo objetivo é seguramente o lucro, uma instituição que não existiria se não tivesse sido construída com dinheiros públicos».   Poderá argumentar-se (na linha das justificações invocadas no decurso da privatização do Pavilhão Atlântico), que os 40 milhões de euros que a «concessão» do Oceanário a privados permite arrecadar decorrem da necessidade de amortizar a dívida de 200 milhões da Parque Expo.   Só não deixa de surpreender que, a par deste «sacrifício», supostamente «necessário», seja ao mesmo tempo com a maior descontração e leviandade que o governo abdica, por exemplo, de 85 milhões de receita em favor do Novo Banco (ex-BES).   Pelas mais nobres razões de defesa do bem comum e da sustentabilidade das finanças públicas, seguramente.

     Por isso, quando ouvirem dizer que «não há dinheiro», que o Estado é mau gestor e não tem receitas para assegurar políticas sociais decentes, lembrem-se do Oceanário.    Quando vos disserem que é preciso «reformar» e encolher os sistemas públicos de saúde e educação, lembrem-se do Oceanário.    Quando insistirem que não há condições para garantir os mínimos de subsistência aos mais excluídos, lembrem-se das privatizações do Pavilhão Atlântico e do Oceanário.    E também dos CTT, já agora.      Nota:    Assinem aqui a petição «Pela manutenção do Oceanário de Lisboa na esfera do domínio público».

         Lembrem-se do Oceanário (II)     (- N.Serra, 6/5/2015)

 
    O Ministério das Finanças que «precisa» encaixar 40 milhões de euros com a privatização do Oceanário de Lisboa (prescindindo assim da entrada, nos cofres do Estado, dos lucros que este equipamento permite anualmente obter) é o mesmo Ministério das Finanças que decidiu atribuir prémios aos funcionários do fisco, no valor de 57 milhões de euros, pelo seu excepcional desempenho em matéria de «cobranças coercivas» (ajudando talvez a perceber melhor como se pôde chegar aqui). 
      Se somarmos estes 57 milhões de euros aos 85 milhões de receita de que o governo abdicou, com o perdão fiscal concedido ao Novo Banco - e sem que se perceba igualmente o interesse público dessa decisão - chega-se a um valor que permitiria evitar a privatização de quase quatro Oceanários de Lisboa. Percebam pois, de uma vez por todas, que (estão a  ENGANAR-nos quando dizem que) «não há dinheiro» e «não há alternativas».
-----xxx----- e     - Quem  ganhou  com  as  privatizações ?
Fundamental ouvir (M.Mortágua) para recordar a história dos factos e interpretar a realidade actual.
   
--------xxx-------

    Escamoteia-se o lucro que o Oceanário dá (daí o apetite...). Esquece-se que o projecto não é um dos néscios e gordos exemplares dos capitalistas nacionais. 

     Esconde-se que a cultura deve estar ao serviço das populações e não alvo das mixórdias obscenas das negociatas privadas. Patrocinadas pelo próprio governo, com o exemplo feliz dado pelo autor do post quando denuncia os 85 milhões de receita em favor do novo banco.
    Mas este paleio dos "jobs for the boys", como justificação para a pilhagem do que é de todos, torna-se particularmente abjecta porque tenta apagar quem são os jobs, quem lhes dá 'tacho' e em que medida estes boys fazem parte activa do estádio do desenvolvimento do capital.
    Ora vejamos.Quem nos tem governado tem sido o arco da governação, membros cativos da direita e da extrema-direita, mais o PS que se tem confundido com estas na concretização das políticas criminosas neoliberais.
    Quem tem nomeado os boys para os jobs tem sido quem agora quer a privatização. Do que dá lucro. Para que depois os seus boys se amesendem nos negócios privados a continuar os lugares de designação governamental.
    A promiscuidade entre o público e o privado  (e entre 'políticos' e empresários...) tem sido um dos vectores chave do processo capitalista. A colocação de gestores em lugares-chave tem tido muitas vezes como único objectivo o servir numa bandeja o prato para os interesses privados... que esses mesmos gestores servem.
  Quem não conhece os casos de ferreira do amaral e seus muchachos? Quem não conhece os casos de oliveira e costa e o seu banco? Quem não conhece os casos de catroga ou de relvas?
     A governança governa com e em função dos seus boys. Governa em defesa dos interesses privados. Este exemplo do Oceanário é particularmente obsceno, porque quem o criou e o tem levado a bom porto foi o Público.
    E agora aí estão os coyotes e os vampiros, com a mão na massa a tentarem apanhar mais massa.   E a fingirem que não têm nada a ver com os boys ... dos seus jobs regimentais.    (-De)

Anónimo     O sector privado está totalmente envolvido em corrupção. A agenda de privatizações e liberalização tem sido corrompida em si mesma gerando rendas elevadas, usadas para exercer influência política.    ...
    Em vez do governo moderar os excessos das forças de mercado, trabalha conjuntamente para aumentar as disparidades de rendimento. (p. 50) Nos EUA um estudo mostrou que, em média, os serviços privatizados cobram ao governo mais do dobro do que seria pago a trabalhadores de serviço público para efetuarem serviços comparáveis. (p. 143). Esta captação de rendas (via  privatização, concessão, ppp, outsourcing, boys, nepotismo, corrupção, ... i.e., captura do estado) permite às grandes empresas (privilegiadas) obter vantagens sobre o resto da sociedade (pag. 46).  - J. Stiglitz, The price of inequality, p. 7, Ed. W. W. NORTON & COMPANY, 2013. Existe também edição portuguesa da Ed. Bertrand. Os números de página entre parêntesis são os da edição em língua inglesa e referem-se a conteúdos ou ideias expressas por Stiglitz.



Publicado por Xa2 às 07:46 de 05.05.15 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Farmacêuticas transnacionais capturam Estados, povos e vida

A  hepatite  dos  mercados        (16/3/2015, T. Domingues, M74)

 A actual polémica sobre um medicamento recente para o tratamento das patologias crónicas associadas à hepatite C deixa de lado uma discussão que julgo ser oportuna dadas as escolhas políticas que se têm tomado na configuração do sistema científico e tecnológico.
   Deixando de lado os argumentos de quem se apressou a contabilizar o valor de uma vida humana, sobre a égide de que, existindo recursos limitados, nos devemos debruçar sobre a contabilidade de quem salvar, tentemos regressar à origem do problema.      A investigação científica tem sido um dos mais fortes motores de desenvolvimento dos povos, da sua produção surge conhecimento, com maior ou menor visibilidade no nosso quotidiano, que impactam, quase sempre, de forma directa ou indirecta, nas nossas vidas.    Sem Fleming, em 1928, não teríamos salvo os milhões de pessoas que salvámos desde então com o recurso a antibióticos, recuando ainda um pouco mais, sem Pasteur não saberíamos sequer que precisávamos de antibióticos para as salvar. Sem Maxwell é bem provável que não tivéssemos TV nem Rádio e, antes deste, sem Newton (para os matemáticos sem Leibniz !) não teríamos o cálculo usado por Maxwell nas suas famosas equações.  Os exemplos possíveis de apresentar são uma lista de cabimento enciclopédico e ficaríamos muito surpreendidos de saber do que dependeram inúmeras descobertas e invenções hoje vulgarizadas quer pela sua difusão ou utilização.
      Esta lista e os seus intervenientes saberiam (e sabem!) bem que o que muitas vezes nos apressamos em catalogar de ciência fundamental, teórica ou prática é, na verdade, um vasto conjunto de produção em áreas que se interceptam mutuamente, não existindo nenhuma que se encontre isolada ou estanque de todas as outras.   No essencial, uma sociedade orientada para a investigação científica, e por isso para o conhecimento, não pode deixar para trás nenhuma delas, i.e., políticas de financiamento/ investimento científico não são compatíveis com “parentes pobres” da ciência sob a pena de enviesamento do conhecimento humano, crime que nos pode mesmo extinguir.
      A produção de conhecimento e a sua acumulação têm uma longa história bélica, exemplo disso seria a forma como guardavam na Baviera um certo mosteiro beneditino (onde trabalhou Fraunhofer) onde se produziam vidros de alta qualidade e lentes, tecnologia que na altura trazia enorme vantagem a quem sabia os seus segredos. Desde então, e até hoje, o conhecimento acumulado continua a ser um desnivelador que traz enorme vantagem a quem o detém, estando no centro de muita da dominação económica que vivemos hoje.   Mais recentemente, acresce a este interesse soberano o interesse privado.   É razoável afirmar que a investigação científica e a sua produção sempre tiveram um carácter público, no sentido em que a principal fonte de financiamento saía do erário público de vários países. Tal visão alterou-se no final do séc. XX, quando se tornou um desígnio internacional a sequenciação do genoma humano, peça fundamental do avanço em várias áreas e com um impacto muito forte nas ligadas à saúde humana.   Detectando o potencial gigante de deter, no sentido de patentear, este tipo de conhecimento, empresas privadas, como a Celera Genomics, abriram guerra com o projecto internacional em curso, apostando que através do financiamento privado conseguiriam realizar a façanha mais depressa do que o dito consórcio público.   O resultado, já bastante evidente na altura, está à vista. Empresas privadas ficaram então donas legítimas de um tipo de conhecimento fundamental e mostraram, desde o início, a sua intenção de multiplicar o dinheiro investido, desde logo na indústria farmacêutica.
    Não há mercado como o da vida humana, que se alimenta do desespero de quem tudo dá em troca da sobrevivência e, sabendo isso, o capital encontra-se disponível para manter seu tudo aquilo que render dinheiro, mesmo algo tão obviamente público como o conhecimento do genoma humano.  Os povos que se deixarem reféns da iniciativa privada para a investigação científica estão assim condenados a serem dominados por interesses bem diferentes dos seus, interesses esses que nunca capitularam por qualquer lei moral tendo como fim único o lucro. Apenas o investimento público é um garante para que o conhecimento permaneça público, ao serviço dos povos e do seu desenvolvimento. Para quem ache que apenas esta competição dos mercados leva ao desenvolvimento, que olhe para o exemplo de como o homem “aterrou” na Lua.
    Quanto à actualidade do medicamento para a hepatite C, encontramos um perfeito exemplo do que significa deixar a investigação em mãos alheias!   Imunes a notícias de alguns países mais pobres, incapazes de fazer face aos custos de certas terapias essenciais à saúde pública, vemos todos os dias morrer de SIDA milhares de pessoas sem acesso a anti-retrovirais em Africa, quando a doença já têm o estatuto de crónica na OMS, e em números ainda maiores as que não têm acesso a antibióticos de última geração para inúmeras enfermidades que só matam quem não tem acesso a estes.    Há casos em que Estados se iniciaram no desenvolvimento de genéricos de medicamentos que não podem pagar, vendo-se arrastados para processos de violação de patentes com a grande e poderosa indústria farmacêutica.    Fica assim a vida de milhares de pessoas ameaçada pela lei do mercado, quando deveria bastar-nos apenas a vida de uma, para percebermos que saúde é um direito inalienável e imiscível com qualquer tentativa de negócio.
    Passos/ 1ºMinistro, na sua habitual demagogia infantil, diz que foi atraiçoado pelos mercados, que tão prontamente alimenta, não façamos nós o mesmo erro!


Publicado por Xa2 às 07:48 de 19.03.15 | link do post | comentar |

Mercado, violência e 'sombrias' políticas sociais ...

 

Políticas Sociais, Homens, Mulheres e Cultura...     (-por A.P.Fitas, 13/2/2015)

 
[Este texto pretende ser uma homenagem - explicita no seu final!... Entretanto, fica o pedido de desculpa aos leitores, pelo facto do meu computador ter "perdido" os acentos!!!]
 
A urgência do regresso das políticas sociais denota-se um imperativo! Esta realidade, demonstrada pelo aumento exponencial da taxa de pobreza e do risco de empobrecimento dos portugueses, reforça-se no sucinto e breve olhar que o quotidiano nos oferece, num quadro em que, indiscutivelmente!, os direitos das pessoas e dos trabalhadores, se vê progressivamente agravado numa curva descendente cuja dinâmica não apresenta sinais, sequer!, de estagnação.
   A verdade resulta da leitura dos dados de que dispomos e que, residindo na simples observação do mundo que, mais de perto, nos rodeia, evidencia, apesar da demagogia propagandística das entidades oficiais, que a perda de direitos sociais não se recupera com a facilidade com que se extingue... porque, para os extinguir, basta a decisão legislativa enquanto que, para os recuperar, se torna essencial ultrapassar as resistências que a perda de lucros administrativo-financeiros (leia-se receitas) significa.
    Neste contexto, recorrendo ao tradicional dizer da sabedoria oriental que nos ensinou que "quando o discipulo se encontra preparado, o mestre aparece", ontem, uma amiga tornou urgentes as notas que hoje aqui partilho. Veio a sugestão a "talhe de foice" da intervenção dos profissionais de Serviço Social que se defrontam, diariamente!, com os problemas mais obscuros do nosso quotidiano, para os quais escasseiam as respostas institucionais. Proponho, por isso, se me permitem!, o enfoque na questão dos Direitos das Mulheres no contexto de uma sociedade consumista que, para garantir o funcionamento dos mercados financeiros, desenvolve, estrategicamente, uma sedutora forma de reprodução de estereótipos, capaz de violar não apenas os direitos conquistados, "a pulso"!, nos últimos 140 anos mas, igualmente, a possibilidade de se crescer em liberdade e em igualdade.
     Efetivamente, a violência no namoro que (para estranheza da minha geração!), grassa atualmente entre os jovens, representa a reconfiguração dos dramas da sociedade tradicional - assente no autoritarismo e no sentido de propriedade privada e de posse patrimonial que caracterizam a cultura patriarcal. E se, para efeitos de demonstração desta afirmação, precisarmos de exemplos recentes, basta-nos pensar na estreia do filme "As 50 Sombras de Grey" que as ativistas do feminismo contemporâneo condenam, afirmando tratar-se da promoção da violência entre pessoas de sexo diferente, que implica a submissão das mulheres a um modelo velho de imagem de "masculinidade", decorrente de conceitos que se fundam nas noções de "domínio", de "controle" e das relações de poder. Não vi o filme e não pretendo discutir a liberdade da produção audiovisual que, como toda a liberdade de expressão, considero legitimada... mas, confesso!, dada a dimensão alcançada pelo quantidade de pessoas objeto de violência nas relações interpessoais e tendo ouvido espectadores de todas as idades, convergir na afirmação de que o filme não tem outra ação senão a descoberta de uma sexualidade que vive do desenvolvimento de fantasias que alimentam a produção e a venda de produtos transacionados nas chamadas "sex shop" (onde a marca que partilha o nome do filme se converteu no "top" de vendas), cabe enunciar o problema com que se defrontam os profissionais de Serviço Social, dos serviços de Saúde e da Educação...
    A produção lúdica e artistica não tem, necessariamente, que equacionar problemas sociais, preocupações com o desenvolvimento pessoal e cognitivo, valores ou pedagogias, uma vez que o mercado produz sexo para vender e escolhe, seletivamente, "franjas" particulares de consumidores que, neste momento, destacam, com especial atenção, os adolescentes - cuja curiosidade natural, os torna atrativos enquanto garante de vendas e de lucro.  
     No entanto, num mundo em que o bullying, a violência no namoro, a violência de género, a violência domestica e a violência social continuam a reproduzir-se e a aumentar nas vivências quotidianas, enquanto fenomenologia estimulada pelos ritmos de vida, as dificuldades de comunicação, as formas de lazer comercializadas e os media, a responsabilidade social da produção, difusão e promoção dos temas que mais afetam a individualidade de homens e mulheres (adolescentes e adultos!), pode constituir-se como um verdadeiro impulso de reprodução das formas mais tradicionais da violência nas relações interpessoais... porque os jovens, segundo demonstram os mais recentes estudos sobre o problema!, não reconhecem como violentas grande parte das atitudes que o senso comum e a lei condenam (violência fisica e psicológica, por exemplo)!
    Por isso, o problema que se coloca, consiste, simplesmente, em questões tais como: estamos ou não a forçar os jovens (em particular, as raparigas) a assumirem relações onde a fronteira entre "violência" e "consentimento" se caracteriza pela fragilidade provocada pela pressão social que reside na "aceitação de desafios", de "agradar ao outro", "afirmar a entrada na idade adulta" e de outros tantos "fantasmas" que assombram a inquietude do crescimento dos mais novos?;
   estaremos ou não a permitir que os quadros culturais contemporâneos que aceitam a violência no contexto dos relacionamentos interpessoais, se reforcem, levando a que, por razões de afirmação num quadro de competição, concorrência e risco que a adolescência tão bem protagoniza, os jovens se submetam a relações em que pensam procurar afeto e em que encontram, afinal, o pragmatismo que sustentou a assertividade patriarcal que não percebeu, inclusive nos tempos que correm!, a diferença entre violência e despotismo.
    O problema, multidimensional, não se esgota na aparência da mensagem da "descoberta do prazer"... Quem pensa nos medos dos jovens, perplexos perante o crescimento e no direito que têm de resolver as suas vivências fora da pressão social dos mercados comerciais, financeiros e consumistas?... Para fazer dinheiro, vale tudo... e as bilheteiras pagam a sede insaciável dos investidores!... Entretanto, as invisíveis vítimas da violência de género, doméstica e sexual continuam a recorrer aos serviços sem que tenham coragem para se assumir como tal ou sem que, sequer, se reconheçam como tal! ...
    Longe vai o tempo do "Peace and Love" proposto pelos anos 60 do sec. XX de que resultou a revolução de costumes e a visibilidade da adesão das mulheres aos direitos pela sua emancipação global, incluindo a do uso do seu corpo! Hoje, com a reedição dos velhos paradigmas patriarcais que caucionam a emergência de uma masculinidade e de uma feminilidade assente em estereótipos, estamos ou não a reeditar condutas comportamentais que associam a violência a imagens de um erotismo que se pretende belo, partilhado, feliz e pacifico, legitimando a submissão a pretensas virilidades e a fugas de identidade sexual para evitar os medos?  O desafio da reflexão encontra-se "em cima da mesa"... mas, como se comprova, o mercado vai continuar a exigir o lucro - independentemente do custo que possa provocar aos jovens de hoje e aos adultos de amanhã... porque, indiscutivelmente, o futuro decorre das vivências do presente!...
    e se ainda estamos a desconstruir a pesada herança cultural que "pesa" sobre a dimensão da sexualidade, travando batalhas tão difíceis como são as da violência domestica e da violência de género em geral, a que dimensão de esperança de liberdade podemos aspirar quando as crianças são educadas para ser "bonecas" (Cinderelas, Princesas, Barbies e Violettas) e "bonecos" (Principes, Piratas, Ken's e Grey's)?! - continuando a alimentar o lucro, a destruir o direito ao desenvolvimento integral da personalidade e a promover a agressividade resultante da ausência de comunicação e da tensão relacional que, convertida rapidamente em violência, aumenta, de forma assustadora e transversal, a dimensão quantitativa e qualitativa, das pessoas violentadas!!!... 
 
[Dedico este texto, em particular, a Barbara Simão, uma profissional de Serviço Social cujo perfil, notável pela preocupação e rigor técnico-científico e pelo carater inteligente e humanista com que desempenha as suas funções, me tranquiliza por saber que desenvolve o seu trabalho "no terreno" e me inquieta porque, pela falta de investimento nas politicas sociais, a qualidade das intervenções depende, exclusivamente!, da natureza pessoal dos profissionais!... quando deveria, isso sim, decorrer de politicas publicas, capazes de garantir a qualidade e eficácia das intervenções
   Os profissionais ficam assim, entregues a si próprios e a uma consciência cívica individual, designadamente, pela ausência de uma formação atualizada em permanência em questões tão pertinentes como as que se referem aos novos perfis da pobreza, do desemprego, do trafico de seres humanos e da violência sexual!...    Como presumem, dedico, de igual modo, este texto a todos os meus amigos/ex-alunos que com ele se identificam e que não posso identificar por razões... de espaço!... A todos/as os que sabem ser objeto deste agradecimento, a expressão sincera -e orgulhosa!- do meu: Muito, Muito Obrigada! por resistirem e continuarem, lucidamente, de forma honesta e desassombrada, a desempenhar o Vosso trabalho!]


Publicado por Xa2 às 07:59 de 14.02.15 | link do post | comentar |

Compromissos claros e defesa de políticas de justiça social e dignidade

Compromissos sem ilusões

     Os portugueses querem afastar a maioria que hoje governa. Mas olham à volta e percebem que os partidos continuam, apesar do momento extraordinário que vivemos, mais ou menos no mesmo lugar. É perante este sentimento de bloqueio que todos os sinais de que pode realmente haver uma mudança devem ser aproveitados.

     Os que, à esquerda, se limitam a avisar os cidadãos para que não acreditem que alguma coisa pode mudar apenas contribuem para que tudo fique na mesma. Por nós, queremos, perante cada sinal que seja dado no quadro político nacional e europeu, contribuir, sem alimentar falsas ilusões, para a clarificação do que deve ser uma governação à esquerda e para criar as condições políticas necessárias para que ela aconteça.

     À esquerda é necessário que os partidos que nos últimos anos se têm batido pela defesa da Constituição – PCP e BE – compreendam os perigos da desvirtuação de facto da democracia caso a lógica da austeridade se mantenha no próximo ciclo político. Perceber que é o contrato da democracia que está em causa deve chamar as forças de esquerda à responsabilidade: é necessário oferecer ao país uma proposta de transformação real da governação que, não espelhando todo o ideário desses partidos, construa um mandato comum de defesa da justiça social, da democracia e da dignidade.

     No Partido Socialista (PS), no encerramento do último congresso, António Costa fez um discurso percepcionado como sendo mais aberto ao diálogo com os partidos à sua esquerda sobre a construção de soluções políticas para o país. E que, em alguma medida, se afastou do que o PS defendeu noutras ocasiões. Apesar das formulações algo vagas, o líder do PS reconhece que a actual arquitectura do euro não promove os interesses comuns dos seus membros, bem como a necessidade de uma defesa firme de Portugal na Europa, da revalorização do trabalho e da concertação social e de alternativas políticas à actual governação.

     Todos os que se revêem na necessidade de alterar o rumo da governação têm motivos para saudar estes sinais de evolução. Isto não significa, porém, que se possa dar como adquirido que, caso o PS vença as eleições legislativas em 2015, Portugal passará a ser governado segundo opções substancialmente distintas das que têm sido seguidas até aqui. Por dois motivos. Em primeiro lugar, porque há elementos fundamentais para uma mudança real de política que estão ausentes do discurso de António Costa. Em particular, a necessidade de reforçar a defesa do Estado face aos riscos de captura por interesses particulares. Nesta matéria, está quase tudo por fazer no PS. Em segundo lugar, porque algumas das declarações do novo líder socialista são demasiado genéricas ('tretas') para delas podermos inferir compromissos precisos de governação.

     Vale a pena termos presente que o próximo Governo será confrontado com a necessidade de fazer escolhas muito difíceis. Só em circunstâncias extraordinariamente favoráveis seria possível ao Estado português cumprir as regras orçamentais da UE e pagar a dívida nos termos previstos, sem ter de aprofundar a estratégia de austeridade. Seria precisa uma conjugação de condições – crescimento, taxas de juro e saldo orçamental primário – que raríssimas vezes foi conseguida em qualquer país europeu nas últimas décadas. E nunca em países com uma dívida externa superior a 100% do PIB, como é o caso português. Isto admitindo que uma economia altamente endividada, com uma estrutura produtiva muito frágil, que praticamente não cresceu desde 2000 e que enfrenta um cenário de desaceleração económica nos principais parceiros comerciais, conseguirá crescer a uma taxa anual de 3,6% nos próximos anos, como prevê o actual Governo.

      Com grande probabilidade o próximo Governo terá de optar entre pagar a dívida nos termos atualmente previstos e cumprir as regras orçamentais europeias, ou travar a austeridade e a delapidação do Estado social. Ou seja, ao próximo Governo não bastará boa vontade e sensatez para alterar o rumo da governação. Precisará de coragem e de um claro mandato dos cidadãos para fazer escolhas difíceis. Esse mandato não será concedido sem uma muito maior clarificação das medidas concretas que cada partido pretende adoptar. Mas uma maior clarificação sobre os compromissos eleitorais não é suficiente. A história da democracia portuguesa está repleta de exemplos em que os partidos de governo assumem compromissos antes de eleições, que logo abandonam depois de eleitos – ou porque ficam expostos a pressões demasiado fortes, ou porque não têm apoio maioritário na Assembleia da República ou porque assumiram compromissos dos quais não estavam à partida convictos.

     Este é o dilema para cuja resolução nos propomos contribuir. É tempo de proporcionar aos cidadãos a possibilidade de votar numa plataforma eleitoral com programa autónomo e disponível para construir compromissos entre os partidos que defendem a alteração do rumo da governação. Se após as eleições esse programa comum for possível, usaremos a força eleitoral que conseguirmos obter para contribuir para soluções que respondam aos problemas do país. Se tais condições não se verificarem, continuaremos, na oposição, a defender as posições de sempre, convictos de que a austeridade não resolve nenhum dos problemas fundamentais que o país enfrenta.

(-por:  Ana Drago, Daniel Oliveira, Henrique de Sousa, Isabel do Carmo, José Maria Castro Caldas, José Vítor Malheiros, Nuno Serra, Ricardo Paes Mamede, Rogério Moreira, membros da "Fórum Manifesto", 11/12/2014.)



Publicado por Xa2 às 07:33 de 12.12.14 | link do post | comentar |

Necessárias "reformas estruturais" -vs- novilíngua neoliberal e totalizadora

"Aproxima-se uma tempestade de silêncio". 

..., o tempo presente é um tempo de silêncios insuportáveis. Por vezes, esses silêncios até são cheios de palavras, mas palavras como ruídos, palavras como obstáculos a pensar, palavras para nos entreter e desviar o olhar. Vivemos um tempo em que o "pensamento único" deixa que todos falem, mas usa os mais variados truques para que as nossas palavras sejam enredadas nas malhas dos pré-juízos. E, por vezes, reage-se a isso caindo na armadilha, quer dizer, posicionando-nos "contra" mas aceitando as apropriações de significado que os ideólogos da situação tecem como labirintos.
      É por isso que é necessário dar um combate ideológico: de ideias, de valores, de princípios. E aplicar no concreto essas ideias.     Isso passa, nomeadamente, por quebrar a captura que a direita fez de certos conceitos. Exemplo: "reformas estruturais".
      Desse ponto de vista, há uma passagem muito interessante de um discurso* que ouvi hoje. Vou citar:
O conceito de “reformas estruturais” está gasto e desvirtuado pelo abuso da direita, que o limitou às reformas de desregulamentação do mercado de trabalho e às privatizações. Mas são necessárias reformas que ataquem os reais bloqueios estruturais, que variam de país para país e que podem e devem ser identificados para, numa base até contratual, poderem ser atacados com apoio do financiamento comunitário.
    No caso português, a melhoria da inserção nas redes globais das comunicações e da energia, o reforço da investigação científica, da inovação, da formação profissional, da educação, a simplificação administrativa e a celeridade da justiça, são as verdadeiras “reformas estruturais” que são necessárias.
     É urgente disponibilizar uma maior componente do Orçamento Comunitário para o apoio às reformas que melhorem a competitividade estrutural permitindo retomar a convergência e a coesão.   Portugal tem de poder contratualizar com a União Europeia os recursos comunitários disponíveis designadamente nesta área da Educação, Inovação e Ciência.   Todos podemos reconhecer que após um pograma de ajustamento como aquele que vivemos em Portugal, e pelo qual estão a passar outros países da zona euro, o único caminho para um crescimento sustentável passa pelo reforço de medidas de convergência e de coesão (na U.E.) e é nessa perspetiva que o investimento na educação e no emprego tem de ser analisado.
     Isto parece-me importante:    não podemos deixar que os nossos interesses sejam preteridos com recurso a uma apropriação ideológica, pela direita, do conceito de reformas estruturais.    Não podemos aceitar as privatizações tresloucadas, nem o ataque sistemático aos direitos dos trabalhadores, só porque essas políticas vêm embrulhadas num discurso papagueado pelos próceres do pensamento único.   Mas também não podemos deixar de ver que há reformas necessárias.   Temos, então, de desentranhar as reformas estruturais dessa ideologia do mercado selvagem que não cura dos direitos dos cidadão.
Também por aqui encontraremos o nosso caminho para não sermos engolidos pela "tempestade de silêncio".
(* a longa citação acima é do discurso de António Costa, na abertura da conferência da Aliança Progressista, a decorrer em Lisboa com participantes de todos os continentes, sobre o tema Trabalho Decente e Educação Investir na Igualdade de Oportunidades para Tod@.)
 
------ Só  por  existir ...   (por CRG,365forte)
 "Nas reformas estruturais não há esquerda nem direita - há bom e mau Governo" - Passos Coelho.

     Nesta frase o Primeiro-Ministro procura apelar ao sentimento popular "porque-é-que-simplesmente-não-se-entendem" de "neutralidade e bondade das políticas" que correspondem a uma "solução única" e, na maioria dos casos, "inevitável" aos problemas que surgem.

    (Idem para falácia da defesa do «voto útil»,  dum governo de «unidade nacional», etc ... pois existem outros caminhos, outros métodos, alternativas, ... mesmo que pouco divulgadas e vilipendiadas ou mal carimbadas como "radicais" e "perigosas", pelo centrão conservador/direita).

    Se tal possibilidade é dificilmente obtida em decisões políticas "correntes", essa torna-se impossível ao tratar-se de reformas estruturais, uma vez que estas contendem com sociedade que se deseja construir e como tal implicam visões díspares consoante a ideologia de cada um.

    Mas esta frase do Passos Coelho demonstra também, o que é ainda mais preocupante, uma ideia de sociedade - que não é exclusivo dele nem da sua área política - como um elemento orgânico com um objectivo para o qual todos devem contribuir e cuja política é definida por técnicos, em oposição a uma de interesses e expectativas conflituantes e na maior parte dos casos inconciliáveis.

    Sucede que esta primeira visão acaba, na sua sequência natural, por resultar numa sociedade totalizante, de conformismo e resignação, porém ao mesmo tempo aliciante dado que, conforme alertou Havel, há tendência natural de “cada pessoa, de alguma forma, sucumbir a uma profana banalização da sua humanidade inerente, e ao utilitarismo. Em todos nós há alguma vontade de fundir com a multidão anónima e fluir confortavelmente junto com ela descendo o rio de pseudo-vida. Isto é muito mais do que um simples conflito entre duas identidades. É algo muito pior: é um desafio para a própria noção de identidade própria”.

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Publicado por Xa2 às 13:10 de 06.12.14 | link do post | comentar |

Desacordo ortográfico 'oficializado' e ... desobediência linguística

Nota:  Este cidadão prefere escrever com erros próprios do que oficializar erros alheios, pelo que não obedece ao execrável 'Acordo ortográfico' (e que todos os outros países lusófonos não aplicam).

" Despachar  o  português :  o  dever  de  recusa "

 

«Anda por aí à solta uma epidemia da obediência antecipada, um zelo narcísico em obedecer e uma pressa institucional em se fazer obedecer, a bem dos brandos costumes. Por toda a parte onde se escreva e não se questione: nas editoras, nas universidades, na escola, nos serviços públicos, nas entidades privadas "esclarecidas".

     No gesto tão modernaço quanto burocraticamente hirto com que abusivamente se procura dar por "oficializado" esse disparate técnico e essa inépcia política designados "Acordo Ortográfico de 1990" (AO90), uns, mais papistas que o Papa, emitem despachos: e os subpapistas despacham-se a cumpri-los, pelo facto de serem despachos. Nessa concha fechada do institucionalismo, emitiriam e cumpririam também os despachos opostos, uns com a alegria maldosa do álibi hierárquico, os outros com o prazer perverso ligado ao acto simbólico do puro exercício formalista do poder. Ainda outros, entregues à tara provinciana de serem os primeiros; quando não é o caso de terem na mira uma oportunidade de negócio em letra impressa: "já" estarem do lado bom das vendas.

     Essa admirável cultura da legalidade ignora viciosamente o vasto historial argumentativo da resistência científica e, por isso, cívica que desde 1986 torna tudo menos "evidente" (e "de vosselências mui atento e obrigado") o cumprimento de despachados despachos.

    Ah, admirável superstição de amanuenses dóceis, que nos vêm recordar, caso estivéssemos esquecidos, que a Lei é a Lei, e que a tal ponto esta tautologia é majestosa e em si mesma, que, dizem, submete por igual soberanos e súbditos, enchendo-nos a todos de candura e paz! Talvez seja vício filosófico perguntá-lo, mas, na fórmula mágica "igualdade perante a Lei", perante que instância é que essa famosa "Lei" por sua vez responde?

      Um caso a vários títulos eloquente, a este respeito, foi o de Vasco Graça Moura, à frente do Centro Cultural de Belém, posto onde demonstrou sossegadamente a absoluta irrelevância, quer da teologia da obediência, quer de algum esbracejante anarquismo da desobediência (que ele jamais reconheceria, porém, como ingénua "desobediência"): limitou-se com toda a tranquilidade a continuar a escrever recusando-se à aplicação, não da Lei ou de temerosos despachos, mas da rábula técnica e da mistificação diplomático-editorial que dá pelo nome de "Acordo Ortográfico".

     Ah – e proclamando-o publicamente. Ponto importante, e pouco português, que nos acusa: moles!, lassos! E coragem exemplar que nos envergonha duplamente, não só por ele a ter tido, mas por nos ter assim mostrado a todos que essa imaginária vigilância kafkiana a que a inércia, mais que o temor, nos subordina, é um tigre de papel.

     O que deve, em tais circunstâncias, fazer um agente institucional médio à frente de um serviço de Estado sob despacho? Pois, escrever tranquilamente o seu português e lamentar a quantidade de gralhas persistentes que os revisores de comboio forem, em seguida, capazes de descobrir todos lampeiros no sucinto trajecto entre Carcavelos e a gare de Oeiras.

     Esses zelosos oficiais de pala bem podem então correr a levar ao senhor Chefe de Estação os escandalosos bilhetes apreendidos, e ele que os faça passar, se lhe aprouver, pelo olho de Lince do programa corretor, nosso patrono, restituindo a Ordem das coisas e do seu estado, e repondo a moral pública e o aprumo no sistema ferroviário nacional, expurgado de choques e atrasos. Desde que eu não os assine pelo meu punho na sua nova versão aguada e ignara. Pois só se deve assinar aquilo que se escreve.

     Sem sermos aqui demasiado kierkegaardianos, o que Graça Moura fez foi escolher a escolha – e não a falsa alternativa entre obedecer e desobedecer. A liberdade que ele exerceu não se mede contra o constrangimento de uma regra, mas escolhendo o que libertaa língua, que é do que se trata, e não a norma, cuja forma – o ser-norma – é por definição alheia à língua, à qual trata como seu objecto. Pode-se escolher como se vive: na língua – ou como funcionário.

     Paradoxalmente, o zelota é aquele que defende com tanto arreganho a ortografia anterior, como qualquer uma que pretenda revogá-la: uma ortografia é correcta por obedecer à lei, não à língua, e eis que a Lei é o melhor argumento linguístico que há, senão o único: questão de regulamento interno por despacho de sua excelência.

     Não é aqui o lugar para mergulhar numa filosofia da linguagem ou numa teoria da escrita. Limitemo-nos a apontar uma evidência que esvazia em cinco segundos toda e qualquer pertinência de uma proposta de "acordo ortográfico" baseada na alegação de que a unificação ortográfica produziria uma unificação linguística suficiente: para todos os efeitos práticos, um acordo ortográfico não serve absolutamente para nada, porque é falso que unifique o português escrito e o brasileiro escrito, nem sequer no plano ortográfico (onde se multiplicam casos de dupla grafia, o "AO" auto-sabotando assim o seu próprio princípio formal), quanto mais nos outros três dos quatro planos em jogo, insanavelmente divergentes e livremente criativos. Com efeito, no dia em que nos fóruns internacionais a lusofonia queira expressar-se a uma só voz (incluindo a Guiné Equatorial do 'simpático' falante Obiang) e num documento unificado, a versão que soar terá ainda que escolher se dirá "ônibus", "machimbombo" ou "autocarro" (são alternativas lexicais não unificáveis); se formulará "policial" ou "polícia" (são alternativas morfológicas não unificáveis); se articulará "me deixa te dizer" / "deixa-me dizer-te" (são alternativas sintácticas não unificáveis). A multiplicar por mil.

     A extensão e a profundidade das diferenças lexicais, morfológicas e sintácticas sobrepassam esmagadoramente as divergências ortográficas, epidérmicas em relação àquelas – tornando o "acordo" impróprio para os embaciados fins político-diplomáticos que foi sugerido esperarem-se dele. Apelamos, pois, aqui, não à "desobediência civil", mas tão simplesmente a este português em que escrevemos.» - José Manuel Martins, no Público.



Publicado por Xa2 às 07:57 de 18.11.14 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

U.E., desgovernos inaptos e cidadãos são reféns da bancocracia

Da Crise e das "Ajudas" a Portugal e à Grécia como Resgastes de Bancos Alemães

 A notícia, chocante!, decorre da entrevista que, Philippe Legrain concedeu a propósito do lançamento do seu livro European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess (ou seja: "A Primavera Europeia: Porque estão uma confusão as nossas Economias e Políticas"). Philippe Legrain foi conselheiro de Durão Barroso, enquanto Presidente da Comissão Europeia e regista, sem dissimulações ou equívocos, a natureza da estratégia das chamadas "ajudas" a Portugal e à Grécia que nos conduziram à pobreza, à inércia e à dependência em que hoje se encontram os países do sul europeu. Publicada no jornal Público, a notícia que aqui transcrevo pode ser lida aqui:
      "Philippe Legrain, foi conselheiro económico independente de Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, entre Fevereiro de 2011 e Fevereiro deste ano, o que lhe permitiu acompanhar por dentro o essencial da gestão da crise do euro. A sua opinião, muito crítica, do que foi feito pelos líderes do euro, está expressa no livro que acabou de publicar “European Spring: Why our Economies and Politics are in a mess”.
A tese do seu livro é que a gestão da crise da dívida, ou crise do euro, foi totalmente inepta, errada e irresponsável, e que todas as consequências económicas e sociais poderiam ter sido evitadas. Porque é que as coisas se passaram assim? O que é que aconteceu?
Uma grande parte da explicação é que o sector bancário dominou os governos de todos os países e as instituições da zona euro (-» bancocracia e bangsters). Foi por isso que, quando a crise financeira rebentou, foram todos a correr salvar os bancos, com consequências muito severas para as finanças públicas e sem resolver os problemas do sector bancário. O problema tornou-se europeu quando surgiram os problemas da dívida pública da Grécia. O que teria sido sensato fazer na altura – e que era dito em privado por muita gente no FMI e que este acabou por dizer publicamente no ano passado – era uma reestruturação da dívida grega. Como o Tratado da União Europeia (UE) tem uma regra de “no bailout” [proibição de assunção da dívida dos países do euro pelos parceiros] – que é a base sobre a qual o euro foi criado e que deveria ter sido respeitada – o problema da Grécia deveria ter sido resolvido pelo FMI, que teria colocado o país em incumprimento, (default), reestruturado a dívida e emprestado dinheiro para poder entrar nos carris. É o que se faz com qualquer país em qualquer sítio. Mas não foi o que foi feito, em parte em resultado de arrogância – e um discurso do tipo ‘somos a Europa, somos diferentes, não queremos o FMI a interferir nos nossos assuntos’ – mas sobretudo por causa do poder político dos bancos franceses e alemães. É preciso lembrar que na altura havia três franceses na liderança do Banco Central Europeu (BCE) – Jean-Claude Trichet – do FMI – Dominique Strauss-Kahn – e de França – Nicolas Sarkozy. Estes três franceses quiseram limitar as perdas dos bancos franceses. E Angela Merkel, que estava inicialmente muito relutante em quebrar a regra do “no bailout”, acabou por se deixar convencer por causa do lobby dos bancos alemães e da persuasão dos três franceses. Foi isto que provocou a crise do euro.
--Como assim?
Porque a decisão de emprestar dinheiro a uma Grécia insolvente transformou de repente os maus empréstimos privados dos bancos em obrigações entre Governos. Ou seja, o que começou por ser uma crise bancária que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida que dividiu a Europa entre países credores e países devedores. E em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores. Podemos vê-lo claramente em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial, imperial, e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu mas, de facto, no interesse dos credores de Portugal. E pior que tudo, impondo as políticas erradas. Já é mau demais ter-se um patrão imperial porque não tem base democrática, mas é pior ainda quando este patrão lhe impõe o caminho errado. Isso tornou-se claro quando em vez de enfrentarem os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas. Foi claramente o que aconteceu em Portugal. As pessoas elogiam muito o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e ver a situação da dívida agora para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido. Portugal está mais endividado que antes por causa do programa, e a dívida privada não caiu. Portugal está mesmo em pior estado do que estava no início do programa.
--Quando diz que os Governos e instituições estavam dominados pelos bancos quer dizer o quê?
Quero dizer que os Governos puseram os interesses dos bancos à frente dos interesses dos cidadãos. Por várias razões. Em alguns casos, porque os Governos identificam os bancos como campeões nacionais bons para os países. Em outros casos tem a ver com ligações financeiras. Muitos políticos seniores ou trabalharam para bancos antes, ou esperam trabalhar para bancos depois. Há uma relação quase corrupta entre bancos e políticos. No meu livro defendo que quando uma pessoa tem a tutela de uma instituição, não pode ser autorizada a trabalhar para ela depois.
--Também diz no seu livro que quando foi conselheiro de Durão Barroso, o avisou claramente logo no início sobre o que deveria ser feito, ou seja, limpar os balanços dos bancos e reestruturar a dívida grega. O que é que aconteceu? Ele não percebeu o que estava em causa, ou percebeu mas não quis enfrentar a Alemanha e a França?
Sublinho que isto não tem nada de pessoal. O presidente Barroso teve a abertura de espírito suficiente para perceber que os altos funcionários da Comissão estavam a propôr receitas erradas. Não conseguiram prever a crise e revelaram-se incapazes de a resolver. Ele viu-me na televisão, leu o meu livro anterior (*) e pediu-me para trabalhar para ele como conselheiro para lhe dar uma perspectiva alternativa. O que foi corajoso, e a mim deu-me uma oportunidade de tentar fazer a diferença. Infelizmente, apesar de termos tido muitas e boas conversas em privado, os meus conselhos não foram seguidos.
--Porquê? Será que a Comissão não percebeu? A Comissão tem a reputação de não ter nem o conhecimento nem a experiência para lidar com uma crise destas. Foi esse o problema?
Foram várias coisas. Claramente a Comissão e os seus altos funcionários não tinham a menor experiência para lidar com uma crise. Era uma anedota! O FMI é sempre encarado como a instituição mais detestada [da troika], mas quando foi juntamente com a Comissão à Irlanda, as pessoas do FMI foram mais apreciadas porque sabiam do que estavam a falar, enquanto as da Comissão não tinham a menor ideia. Por isso, uma das razões foi inexperiência completa e, pior, inexperiência agravada com arrogância. Em vez de dizerem “não sei como é que isto funciona, vou perguntar ao FMI ou ver o que aconteceu com as anteriores crises na Ásia ou na América Latina”, os funcionários europeus agiram como se pensassem “mesmo que não saiba nada, vou na mesma fingir que sei melhor”. Ou seja, foram incapazes e arrogantes. A segunda razão é institucional: não havia mecanismos para lidar com a crise e, por isso, a gestão processou-se necessariamente sobretudo através dos Governos. E o maior credor, a Alemanha, assumiu um ponto de vista particular. Claro que isto não absolve a Comissão, porque antes de mais, muitos responsáveis da Comissão, como Olli Rehn [responsável pelos assuntos económicos e financeiros], partilham a visão alemã. Depois, porque o papel da Comissão é representar o interesse europeu, e o interesse europeu deveria ter sido tentar gerar um consenso de tipo diferente, ou pelo menos suscitar algum tipo de debate. Ou seja, a Comissão poderia ter desempenhado um papel muito mais construtivo enquanto alternativa à linha única alemã. E, por fim, é que, embora seja politicamente fraca, a Comissão tem um grande poder institucional. Todas as burocracias gostam de ganhar poder. E neste caso, a Comissão recebeu poderes centralizados reforçados não apenas para esta crise, mas potencialmente para sempre, que lhe dão a possibilidade de obrigar os países a fazer coisas que não conseguiram impor antes. É por isso que parte da resposta é também uma tomada de poder."       (-


Publicado por Xa2 às 07:40 de 17.10.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Práticas partidárias, Esquerda e Poder ou Políticas, a sério.

     política  a  feijões  ou  afiar  a  faca   (-por Paulo Pinto, 10.09.14, Jugular)

       "É evidente que uma força de esquerda como o BE, que quer governar à esquerda e quer governar com políticas de esquerda, não pode olhar para o PS como um parceiro". Palavras de João Semedo, ontem, no encontro com o Livre. Fica a dúvida: o BE quererá mesmo "governar"? E como pensa fazê-lo, se exclui o PS como "parceiro" de tal eventualidade? Com os seus 4,6% obtidos nas Europeias, atrás do MPT?

No rescaldo das eleições, Catarina Martins afirmou a necessidade de "agregar, juntar forças" e declarou que o BE "trilhará esse caminho de determinação, de convicção e de necessidade de juntar forças", uma vez que "a esquerda tem de ser essa capacidade para que haja verdadeiramente uma alternativa às políticas neoliberais e às políticas de destruição do nosso país".   Não se percebe como, nem onde, nem com quem. Se nem com o Livre. Com o PCP? Com o MRPP? Com o Marinho Pinto? As mesmas declarações de 28 de maio exultam com "a derrota da direita". Alvíssaras.   Curiosamente, ontem também ouvi o José Seguro atirar na cara do António Costa a histórica "derrota da direita". It is all very well.   Mas a política não se faz de derrotas alheias, faz-se de vitórias próprias. E nem o BE nem o PS de Seguro se podem gabar de tal coisa. O PS, então, tem sido patético de ver, a evolução titubeante da intenção de voto ao longo destes três anos de chumbo, sobe uma décima hoje, cai duas amanhã.   Tudo a culminar nos miseráveis 31,5% das Europeias quando, com um líder mais desempoeirado, já devia ter descolado muito acima disso, capitalizando o descontentamento do eleitorado e afirmando uma verdadeira alternativa política.   Depois chegou Costa, o traidor. O tal que a maioria dos portugueses prefere para primeiro-ministro, muito acima de Seguro e de Passos Coelho. Pois bem.

    Minhas senhoras e meus senhores:

ou a política é para levar a sério ou é a feijões; se é a sério, haja quem reconheça que para a "esquerda" chegar ao poder, precisa de votos. E do PS. E que este não consegue fazê-lo pela invocação de derrotas alheias.

   Portanto, se os simpatizantes e militantes do PS querem mudar de governo, afiem a faca no próximo dia 28 set.    Caso contrário, quando o próximo governo Passos Coelho tomar posse, podem cantar em coro com o BE a ladainha de "agregar e juntar forças" e sonhar com amanhãs que cantam.

----------

------ Augusto :

       Se se tivesse dado ao trabalho de ler as declarações do João Semedo na integra, talvez percebesse o que ele quis dizer.  E é simples.
     Com o  Tratado Orçamental, sem Reestruturação  da Dívida NÃO HÀ POLITICAS ALTERNATIVAS.
     Como pode alguém  pretender uma aliança  com o PS,  para uma politica alternativa , sabendo  á partida, qual é a posição do PS sobre estes dois temas.      As alianças fazem-se para aplicar POLITICAS, e não para dividir TACHOS.   

 

------ Manuel Costa :

     Ou seja, não interessa como se governa, o que interessa é chegar ao poder e depois logo se vê... com costa, com seguro, com coelho ou gato que venha em vez dele.   Porque muda a direcção do PS, esta fica logo de esquerda?   desde quando?   Seguro já o conhecemos, assinando ao lado do PSD e CDS o acordo com a Troika.   Costa já diz que com o PCP nem pensar e com Rui Rio é que está bem e quer casamento para os próximos 10 anos.

     Não percebo muito bem esta ideia de que a esquerda só é séria se estiver disposta a aliar-se com qualquer outro partido, a qualquer preço, desde que isso lhe dê a oportunidade de chegar ao poder.   Eentão que esquerda é essa se no fim de contas só lhe interessa chegar ao poleiro?   Porque não há alternativa ?!? veja-se Espanha com o PODEMOS (ou o SYRIZA na Grécia), as sondagens mais pessimistas já o colocam em terceiro lugar, outras até mesmo à frente do PSOE.   não foi concerteza a compactuar com políticas de direita, pelo contrário foi com um programa próprio e contra o "inevitável" arco da velha governação.



Publicado por Xa2 às 07:50 de 16.09.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Passos Coelho: O Padrinho!

O GABINETE DO 1º MINISTRO PORTUGUÊS. (coitados do OBAMA, do HOLLANDE, e da MERKEL, gente pobre)

Função

Nome

Nomeação

Vencimento

Chf. Gabinete

Francisco Ribeiro de Menezes

06-08-2011

4.592,43

Assessor

Carlos H. Pinheiro Chaves

21-06-2011

3.653,81

Assessor

Pedro A. Amaral e Almeida

18-07-2011

3.653,81

Assessor

Paulo João L, Rêgo Vizeu Pinheiro

11-07-2011

3.653,81

Assessor

Rudolfo M. Trigoso Rebelo

21-06-2011

3.653,81

Assessor

Rui Carlos Baptista Ferreira

21-06-2011

3.653,81

Assessora

Eva M. Dias de Brito Cabral

12-10-2011

3.653,81

Assessor

Miguel Ferreira Morgado

21-06-2011

3.653,81

Assessor

Carlos A Sá Carneiro Malheiro

01-12-2011

3.653,81

Assessora

Marta Maria Pereira de Sousa

21-06-2011

3.653,81

Assessor

Bruno de Castro R. Maçaes

01-07-2011

3.653,81

Adjunta

Mafalda G. L. Roque Martins

01-07-2011

3.287,08

Adjunto

Carlos A. Raheb Lopes Pires

21-06-2011

3.287,08

Adjunto

João C. A. Rego Montenegro

21-06-2011

3.287,08

Adjunta

Cristina M. C. Pucarinho

23-08-2011

3.287,08

Adjunta

Paula Cristina Cordeiro Pereira

22-08-2011

3.287,08

Adjunto

Vasco L. C P Goulart Ávila

21-11-2011

3.287,08

Adjunta

Carla Sofia Botelho Lucas

25-01-2012

3.287,08

Técnica Especialista

Bernardo M. S Matos Amaral

07-09-2011

3.287,08

Técnica Especialista

Teresa P. V. de Figueiredo Duarte

21-07-2011

3.653,81

Técnica Especialista

Elsa Maria da Palma Francisco

16-01-2012

3.653,81

Técnica Especialista

Maria T. G. de Matos Ferreira

18-07-2012

3.653,81

Secretária pessoal

Maria Helena C. Santos Alves

18-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Inês Rute Carvalho Araújo

18-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Ana Clara S Oliveira

13-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria de Fátima M. L. H. Samouqueiro

21-06-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria Dulce Leal Gonçalves

01-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria M, Brak-Lamy Paiva Raposo

13-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Margarida Maria A. S. Neves Ferro

21-06-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria Conceição C. N. Leite Pinto

21-06-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria Fernanda T. C. P. de Carvalho

01-08-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria Rosa E. R. Silva Bailão

01-09-2011

1.882,76

Coordenadora

Luísa Maria Ferreira Guerreiro

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Alberto do Nascimento Cabral

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Ana Paula Costa O. da Silva

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Elisa Maria Almeida Guedes

01-01-2012

1.500,00

téc, administrativo

Isaura Conceição A. L. de Sousa

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

José Manuel Perú Éfe

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Liliana de Brito

01-01-2012

1.500,00

téc, administrativo

Maria de Lourdes G. F. Alves

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Maria Fernanda Esteves Ferreira

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Maria Fernanda da Piedade Vieira

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Maria U. G. Fernandes Barroso

01-01-2012

1.500,00

téc, administrativo

Zulmira Jesus G S. Santos Velosa

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Artur Vieira Gomes

01-01-2012

1.600,15

téc, administrativo

Benilde Rodrigues L. da Silva

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Fernando Manuel da Silva

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Francisco José M. Coradinho

01-01-2012

1.472,82

Apoio Auxiliar

Joaquim Carlos da Silva Batista

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

José Augusto Morais

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria Lurdes da Silva B. Pinto

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria de Lurdes Camilo Silva

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria Júlia R Gonçalves Ribeiro

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria Natália Figueiredo

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria Rosa de Jesus Gonçalves

01-01-2012

975,52

Motorista

António Francisco Guerra

01-01-2012

1.848,53

Motorista

António Augusto Nunes Meireles

01-01-2012

2.028,28

Motorista

António José Pereira

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Arnaldo de Oliveira Ferreira

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Jaime Manuel Valadas Matias

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Jorge Henrique S Teixeira Cunha

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Jorge Martins Morais

01-01-2012

1.848,53

Motorista

José Hermínio Frutuoso

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Nuno Miguel R Martins Cardoso

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Paulo Jorge P. da Cruz Barra

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Rui Miguel P. da Silva Machado

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Vitor Manuel G Marques Ferreira

01-01-2012

1.848,53

  

 

Total/Mês

149.486,76

Resumo: 1 Chefe de Gabinete, 10 Assessores, 7 Adjuntos, 4 Técnicos Especialistas, 10 Secretárias Pessoais, 1 Coordenadora, 13 Técnicos Administrativos, 9 Apoio Auxiliar e 12 Motoristas.

 

Jobs for the Boys and girls:

       Vantagem: Estes não tiveram de emigrar!

       Inconveniente: Assim não há orçamento que resista!



Publicado por DC às 12:42 de 16.07.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

UM GOVERNO SAL)AZARENTO

As facturas, o saque das contribuições para as pensões de reforma, a retirada de direitos adquiridos na ditadura, a própria ideologia governativa…

O governo dos Srs. Passos, Portas e Gaspar ultrapassou, há muito tempo, a fasquia atingida pelo próprio Salazar.

O dito “António das botas” nunca chegou tão longe, na agressão fiscal aos contribuintes, no desrespeito pelos funcionários públicos e na retirada de direitos, contratualmente consagrados, aos trabalhadores.

Diga-se, em abono da verdade, que também aquele governante, ditador, nunca chegou tão longe no emprego de rapazes “especialistas” ou na, conivente, promiscuidade com a corrupção e corruptos, nomeadamente banqueiros.

É verdade que a PIDE tinha o seu exército de bufos mas nunca o ditador impôs que cada português o fosse, muito menos que se tornasse num polícia das finanças ou cobrador de impostos.

Salazar era ditador sim, mas foi, pelos vistos, mais transparente que estes ditadores travestidos de democratas. Nomeava os presidentes de câmara sem os encapuzar de democratas saltimbancos granjeadores de financiamentos partidários.

Um governo, minimamente, inteligente e democrático teria reduzido a carga do IVA para metade (o que seria um incentivo à economia), fazia a pedagogia do dever cívico de toda a gente para cumprir as suas obrigações fiscais, levando a efeito uma adequada campanha publicitaria sobre as vantagens de cada um pedir a respectiva factura, sempre e em qualquer pagamento, no interesse dos próprios. Mas não foi isso que fez. Foi ditador!

Este governo é um governo salazarento travestido de democrata e acolitado por partidos aprisionados por “mafiosos” grupos traficantes de interesses de diversos poderes, incluindo o económico.

Parece que nem os negros resultados estatísticos da economia e do cerca de milhão e meio de desempregados os aflige. São mesmo, humanamente, insensíveis.

O que os portugueses têm de dizer, ao governo, é que vá tomar no dito de Francisco José Viegas (in A Origem das Espécies), com toda a razão.



Publicado por Zé Pessoa às 19:18 de 15.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

ESCUTAS - PASSOS “APANHADO”, MAIS UMA VEZ

O Primeiro-ministro foi apanhado a falar com um sem-abrigo, cuja conversa aqui se divulga, publicamente e em primeira mão.

“Senhor primeiro-ministro, sou um sem-abrigo, adaptado às circunstâncias e com larga experiencia de alguns anos nesta vida de excluído que já mal me lembro da anteriormente vivida.

Não lhe vou contar agora, as circunstâncias e rupturas que para aqui me arrastaram, é uma longa história que levaria muito tempo a contar e o senhor, seu ex-amigo e consigo, também ele, desenganado, que fez o favor de me emprestar o telemóvel, já me avisou que é curto o tempo disponível do mesmo.

O que lhe quero dizer é que o senhor e a camarilha que o acompanha, assim como as suas, desastrosas, políticas me têm complicado, desastrosamente, a vida.

O cartão que me faz de cama e em que me abrigo todas as noites começa a escassear. Com frequência encontro ocupados, com novos concorrentes, os meus cantos e vãos de escada, que habitualmente escolhia, conforme as circunstâncias do tempo e a época do ano ou os eventos na cidade.

As associações de beneficência, até há pouco tempo, quase se acotovelavam umas às outras, para nos darem uma sopa quente e um papo-seco besuntado com margarina que molhávamos na referida, passaram a aparecer mais espaçadamente e agora ou dão a sopa ou o papo-seco, já não ambas.

O senhor além de mentiroso é um ladrão. Está a fazer tudo ao contrário do que disse e foge ao que afirmou quando enganou quem em si votou. O senhor rouba-nos os bens, a dignidade e a esperança.

O senhor não tem um pingo de vergonha e muito menos de ética política, caso contrário já teria concluído ser indigno de continuar no lugar que ocupa, na medida em que faltou, tão profunda e descaradamente, à palavra dada aos seus eleitores, seus compatriotas.

O contrato, que com eles celebrou, já não está valido visto que o senhor não o tem respeitado, minimamente, e, segundo os princípios da boa-fé contratual, o não respeito de um acordo, por uma das partes, permite que o mesmo seja resolvido, tanto pela parte que o defraudou como pela parte defraudada.

Não espere que alguém o coloque em tribunal e lhe peça indemnizações por danos causados. Vá-se embora, por sua própria iniciativa, se não pela honra à palavra dada, que já percebemos não ter mas, para salvar a honra de quem o pariu.  

É essa a vontade expressa por quem passa na rua onde me julgam dormitando e pensam que não oiço o que dizem: este filho da pu.., desculpe mas não sou capaz de dizer a palavra, a senhora sua mãe não tem culpa dos seus desvarios nem da sua falta de seriedade e de respeito à palavra dada mas, numa coisa eles, os que passam por aqui e todos mais, têm razão é que foi ela que o pariu e se tal não tivesse acontecido não teríamos nós agora de o aturar. Está bem, diz-me que não sendo o senhor seria outro no seu lugar mas, nesse caso, já a sua mãe não era para aqui chamada, seria a desse outro.

Mas, concluído a frase sem dizer a tal palavra toda, o que eu oiço é: este filho da pu.. deste Passos Coelho não há maneira  de desaparecer e de deixar de dar cabo do país e estragar as nossas vidas…,  prrirrir……...”

Caiu a chamada ou esgotou-se o plafond!?

 

P.S.

A divulgação desta escuta não teve a autorização do senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça mas, tal como nas mais situações, não há perigo de julgamento ou condenação tanto mais que não disponho de morada certa nem uso identificação. Não há como poder receber qualquer, eventual, citação.



Publicado por Zé Pessoa às 10:17 de 08.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

OS MÉDICOS, OS CANGALHEIROS E O MORTO

   

Hoje fui à Assembleia da República assistir ao debate do Orçamento de Estado para 2013.

Devo dizer que embora se designe, aquele espaço, como a “casa da democracia” fiquei com a ideia que já ali se não aprende nada e a gente sai de lá com os ouvidos a sangrar de tanta agressão e disparate ouvir. O que ali se vê e se ouve tem tanto de deslumbrante como de demagógico e de disparate, como de agressão a quem lhes paga e a quem tanto massacram. É uma completa decepção.

Mas indo aos factos e fatos que as actuais circunstâncias e as vontades de quem manda nos impõem, conforme nos querem fazer crer, a verdade é que estamos entalados entre quatro tabuas.

Aqueles que nos doseiam a receita e nos fazem engolir a medicação, cada vez em doses mais reforçadas, dizem que não há outro remédio para salvar um país doente por males apanhados devido a festas e andanças para as quais tal gente nos empurrou.

Tais curandeiros reforçam, quando o seu argumentário lhes começa a faltar, que o referido caminho (prescrição do receituário e doseamento) é aconselhado por uns senhores troikianos, já habituados, experimentadamente, a esmifrar outros doentes. Sabemos bem que essa troika vem ao que vem e vem ao serviço de certos “laboratórios internacionais” que se fazem pagar através de rendosos e usurários juros.

Uns e outros são sabedores que nem a receita nem os doseamentos melhoram a saúde do doente, nem isso alguma vez foi a sua intenção. O que sabem, uns e outros (o doente ainda mais) é que de doente já passou a moribundo e a seguir virá a morte (para alguns já chegou).

Uns e outros, médicos e cangalheiros, agora preocupam-se, já não com a cura do doente, mas sim com a extorsão da herança do defunto.

A “refundação” que o médico-chefe pretende levar a cabo é bem reveladora da estratégia e do que pretende. A situação do deficit agravou-se, são previsíveis rupturas sociais, ainda há muito património e actividades publicas a ser entregues a especuladores e experientes parceiros que, de futuro, garantirão lugares muito bem pagos aos amigos de ontem, de hoje e de amanha. Á que agir com rapidez.

Para que tudo isto seja feito por um governo sem escrúpulos é conveniente que tais medidas estejam inscritas, num qualquer memorando de ajustamento assinado com a troika, de modo a justificar o aperto preconizado.

Antes de solicitarmos a intervenção de uma qualquer associação de defesa do consumidor para mediar o reescalonamento da divida, à semelhança do que é feito, tardiamente, com os devedores particulares junto dos bancos, (ninguém agiu quando os bancos forçavam os clientes a ter os tais cartões!) ou de estarmos todos mortos o governo acautelará a alienação dos transportes e aeroportos, venderá quartéis, bombeiros e militares. Entregará, à iniciativa privada, hospitais, centos de saúde, SNS, Caixa Nacional de Pesões, CGA e ADSE.

Com a política da refundação o governo alienará, a privados, a gestão dos tribunais e prisões, o Instituto do emprego e formação profissional.

O próprio governo será entregue a Bruxelas e os Passos do Conselho passarão, definitivamente, a ser passos perdidos.

Mas, é curioso! Para que quererão eles isto tudo se o país estiver, então, completamente morto?



Publicado por Zé Pessoa às 19:12 de 30.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Hipocrisia e sem-vergonhice

Agora até o outro Pedro, o Santana Flopes, um esbanjador de dinheiros públicos em autarquias e Santa Casa Misericordiosa de Lisboa, defende (no programa prova dos 9) para Portugal a solução Islandesa. Vejam bem as voltas que o mundo dá para que tudo fique na mesma.

É bem capaz de ter razão, ainda que eu não concorde com ele, aquele pastor que disse às suas ovelhas que não adiantam nada as manifes e que nem com outra revolução lá iria. Cá por mim, acho que vai lá quando o povo, ele próprio, mudar de mentalidade e pegar numa grande vassoura.

 



Publicado por Zurc às 23:47 de 25.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Nunca houve tantos

Tropecei numa pedra porque fui incapaz de, a tempo, desviar de caminho.

A espaços temporais, de curta distancia, ora nos dizem uma coisa ora nos afirmam coisa diferente, sem contudo darem mostras ou quaisquer indícios, minimamente sérios, de mudar de caminho.

Ora afirmam que o endividamento é profundamente excessivo e que é urgente por os burros a pão e água, ora a seguir juram a pés juntos que com esta receita os animais morrem como sucedeu ao cavalo do inglês, sendo por isso necessário tomar medidas que visem o crescimento económico e a criação de riqueza.

Os que ainda ontem diziam, com veemente convicção, não haver outra receita possível para a cura de todos os males que nos foram impingindo durante os últimos 20 anos, tanto mais que é prescrita pelos iluminados sábios da troika, e que o sacrifício não iria além de três anos, agora consideram ser uma loucura e que é mister alargar o período de tratamento, reduzindo a doze, como forma de lograr a cura publica e privada.

Os medos, que a prol se agite e se descontrole, começam a ser tantos que até já o representante, cá no burgo, de sua eminência o Papa se manifesta contra manifestações, o que não deixa de uma grande contradição em si mesma. Porque diabo de legitimidade democrática deveria ser permitido que sua eminência se possa manifestar televisivamente e os outros burros se não poderiam manifestar na via pública?

Conforme li algures, se eu pudesse dar conselhos e mos aceitassem dizia; tomem juízo e deixem de olhar só para os números e passem a ver as pessoas que andam por aí e a quem tanto mal andam a fazer.

Como ninguém aceita os meus conselhos, nem eles chegariam a quem deveria, apenas me resta dizer: burros, nunca houve tantos e com livros. Embora se saiba que, no relvado da política, nem todos os burros sejam doutores, como inversamente, nem todos os doutores são burros, a lusófona que o diga. Alguns são chico-espertos.



Publicado por Zé Pessoa às 22:23 de 18.10.12 | link do post | comentar |

Cheques em branco ou fiadores de ladrões?

Nunca estiveram tão actualizadas as palavras de José Afonso: “eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada…”

Há quem afirme, dizendo ou escrevendo, que o voto é uma espécie de cheque em branco que o eleitor passa ao partido em cuja lista de deputados ou de autarcas vote. Não deixa de ser, de certo modo verdade visto que depois dos votos contados o eleito passa a responder às vontades e estratégias partidária e não aos compromissos assumidos perante quem efectivamente os elegeu, os eleitores.

Mas não houve alguém, já há muitos, muitos, muitos, muitos, anos que disse e escreveu que " a economia era algo muito sério para deixar só nas mãos dos economistas"?

Não será que o mesmo principio se deve aplicar aos políticos dizendo que "a política é algo muito, mesmo muito sério para deixarmos os políticos à solta?"

E o que foi que nós fizemos? Deixamos os políticos à solta depois de os votar em ciclos quadrienais.

Quando um sistema democrático se corrompe, ao nível da corrupção que chegou actualmente o nosso sistema de representação, que nos obriga a suarmos lágrimas de sangue como as que nos são agora impostas não podemos deixar de concluir, pelo menos, duas considerações:

A primeira é que tudo isto é, também, resultado do que semeamos ou deixamos que alguém semeasse em nosso nome e por nossa conta. Fomos fiadores de ladrões.

A segunda é que, sendo um povo digno e querendo assumir, comprovadamente, mudanças de rumo terá de assumir o debate do sistema político em que temos vivido neste últimos trinta anos. É tempo de debater, dentro do regime democrático, as virtudes e defeitos, falhas e anacronismos, alterar aperfeiçoando o regime de representação política, as formas de exercício de democracia representativa e de exercício de democracia directa.

Dito de outra forma, determinar, mais clara e inequivocamente, o que aceitamos, na gestão da rés-publica, seja executado por representantes do povo e quais as matérias em que cada caso em cada circunstância o povo deva deliberar directamente e quais as matérias que o deve fazer ao nível da freguesia, ao nível municipal, ao nível regional e ao nível nacional.

Não é debater o sexo dos anjos, de resto são práticas há muitas décadas exercidas por democracias consolidadas onde a responsabilização é partilhada entre povo e quem exerce actividade política e de gestão em seu nome. Basta pois, adaptarem-se, à nossa realidade concreta, práticas que outras sociedades vêm experimentando com sucesso.

Então não é roubarem-nos o dinheiro que nos cobram nos impostos com os quais se fazem pagar quando aprovam diplomas que os próprios proponentes têm dúvidas da sua legalidade como sucedeu com o diploma que aprovaram sobre a reforma administrativa de Lisboa e que Cavaco Silva devolveu com um valente raspanete?

Já, quase, ninguém se lembra e muito menos há quem pergunte o que espera a Assembleia da República para resolver o imbróglio.

 



Publicado por Zé Pessoa às 20:06 de 13.10.12 | link do post | comentar |

Alternativas. O povo que as assuma!

?

Que se lixe a palavra de honra, a repressão segue dentro de momentos.

Um deles, professor que já foi bom aluno, enfiou-nos, durante a primeira leva privatizadora, com o “capitalismo popular”. O outro, aluno exemplar de uma ditosa professora alemã, atira-nos com o capitalismo, também popular, vejam bem, das democracias, chinesa e angolana.

Nem aneis, nem dedos nos restarão. Ficaremos abaixo de um alqueire ou mesmo do limiar de uma rasa de dignidade humana e nacionalista.

Entre um professor, que nunca se engana e raramente tem duvidas, e um aluno de inconfessados interesses fomos entalados por uma camarilha socrática que nos vendeu aos bancos e que, depois de tudo isto, reage só e quando lhes pisam os calos dos seus, intrínsecos, interesses.

Apertados, entre PPPs e a diminuição do número de deputados, até o seu actual líder são capazes de excomungar, não porque este não faça propostas de racionalização dos gastos públicos mas porque ponha em causa mordomias e benesses de certos grupelhos instalados no aparelho partidário e do Estado.

Equilíbrio sim, desde que se mantenham as benesses de certos beneficiados, os intocáveis do costume. Quando assim não seja lá ficam de Costas voltadas à procura de outro líder que lhes seja mais conveniente e conivente.

Ainda há quem me venha com a ladainha de direita e de esquerda quando, de um lado e de outro, nos surgem, demasiadamente frequente, gente que não presta!

Vejam bem, contrariando a opinião da maioria dos eleitores, são alguns sectores (tanto de esquerda como de direita) que recusam a redução do número de deputados e a existência de listas de círculos nacionais, o que permitiria redução de custos e representação mais plural na Assembleia da república.

Enchem a boca de democracia mas não passa de saliva peçonhenta e nada democrática, é o que é. Continuam com a cabeça salazarenta “quem não está do nosso lado é para abater”.



Publicado por DC às 15:37 de 10.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Contestar o funcionamento do regime é afirmação de um povo

 

Sim, são importantes as manifestações de contestação às, desastrosas, politicas que nos têm vindo a impor, sobretudo, pelos maus resultados que delas emergem.

Andaram a enganar-nos com uma pomposa sigla que, de todo, nunca lhe correspondeu qualquer realidade, era o PEC: Plano de Estabilidade e Crescimento. Nunca promoveu qualquer estabilidade e de crescimento só para os especuladores usurários e oportunistas do situacionismo, os mesmos de sempre.

Agora atiram-nos com um brutal aumento da, erradamente, chamada Taxa Social Única, quando toda a gente sabe que nem é social e muito menos é única. Nos tempos actuais TSU mais parece corresponder, e a traduzir a expressão de “Troikos Sanguessugas Unguiformes”.

Há quem afirme que “o povo não é contra o regime, o regime é que está contra o povo”, talvez o mal resida nisso mesmo. Pergunto não será tempo do povo se revoltar e se manifestar contra o regime e propor, debatendo com seriedade, um novo regime?

Não deveríamos debater a construção de um novo regime, um regime onde sejam claras as fronteiras e os conteúdos da democracia directa e a democracia representativa?

Debater a constituição de um regime onde estejam, mais claramente, determinadas as responsabilidades e os mecanismos de controlo por parte dos eleitores sobre o comportamento dos eleitos;

Fazer aprovar um regime onde não seja necessário alterar, repetidamente e sempre no mesmo sentido ideológico, a Constituição da República e onde se consagre que, quando tal for promovido fazer-se, seja feito por via de referendo popular e não pela maioria de dois terços de deputados com assento na Assembleia da República onde a promiscuidade de interesses se tornou escandalosa.

Acham que, mesmo mudando os deputados, se pode confiar, de ânimo leve, nos eleitos?

Cá por mim já nem de ânimo leve nem de ânimo pesado, a avaliar pela forma como são constituídas as listas e o estado, lastimoso, em que se encontram, no presente, os partidos políticos (verdadeiros esquemas aparelhistícos de controlo de interesses marginais) são uma, real, negação intrínseca do regime democrático.

É por tudo isso, por tudo o que aqui no LUMINÁRIA se tem feito eco, por tudo aquilo que muitos outros, como nós, se não tem cansado de esgrimir contra ventos e mares de mau agoiro, se leva a efeito, no próximo dia 5 de Outubro, o Congresso Democrático das Alternativos.

Daí se espera comecem a surgir ideias novas para um exercício de uma nova democracia. Uma democracia responsável, refundada na razão, na ética e na virtude solidária.



Publicado por Zé Pessoa às 18:55 de 27.09.12 | link do post | comentar |

CAVACO SILVA, O PADRINHO II

O “nosso” ideólogo económico, desta democracia pouco social que nos governa desde que o próprio foi 1º responsável governativo, passou a maior parte da sua vida a promover e a apadrinhar ideias e comportamentos cujas acções envolveram agricultores, pescadores, empresários, investidores e população em geral.

A uns sugeriu o arranque de vinhas, oliveiras, a redução de quotas leiteiras e drásticas reduções produções em geral a troco de uns tantos patacos e promessas de bom futuro à sombra de uma PAC que acabou por definhar; a outros, com igual pago, aconselhou, convictamente, que virassem costas ao mar visto que as suas embarcações eram, demasiadamente, obsoletas e nada rentáveis comparadas com os arrastões espanhóis; aos operários, funcionários públicos e trabalhadores em geral aconselhou-nos a investir nas empresas públicas, por si privatizadas, embebedados num “capitalismo popular” onde todos seriamos empresários de sucesso; certos amigos criaram bancos pouco transparentes ou mesmo fraudulentos que vão sugando o suor de quem trabalha. Era um estado de alma, era um modo de vida à cavaquistão.

Tudo nadava num oceano de fartura de fundos da CEE que permitiam o surgimento de empresas (quase só para colocar amigos altamente remunerados) associadas em tudo que era Empresas Publicas e Comunidades Municipais. Assim se foi edificando uma cultura social, e se criou uma ideologia cavaquista.

Agora, conhecedor dos devastadores resultados, com o mesmo esforço e empenho este “nosso” padrinho deveria desconstruir a/s mentalidade/s que não só apadrinhou mas foi convicto mentor (não basta vir agora dizer, numas mansas palavras, que “o mar é o nosso desígnio”) sob pena dos portugueses continuarem na senda inversa do que foi, historicamente, a evolução das sociedades que “se foram, pouco a pouco, separando da selvajaria para alcançar a civilização” de que a história das mentalidades, no escrito de Georges Duby faz registo.

A manterem-se as práticas mais recentes (dos últimos 20 anos) caminhamos a passos largos - Passos de Coelho – ou talvez de Canguru, da civilização para a selvajaria. Se assim for de pouco valeu o esforço de Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, ao aprofundar a relação entre o eu e o outro, enquanto membros de um todo regulado pela entidade Estado, a que se acrescentaram os conceitos de Estado Previdência e Estado Socialmente Solidário.

Cavaco Silva, quer enquanto pessoa quer como PR, que jurou defender a Constituição da República, identifica-se com a civilização ou com a selvajaria económica e financeira e com a ideologia de agiotagem? Terá, obrigatoriamente, de ser consequente.

É nosso dever de cidadãos exigirmos essa consequência. Exigirmos a transparência das contas e divida públicas. Exigirmos saber o que devemos e não devemos pagar. Nós, população, temos o direito de saber o que, da dita divida soberana, corresponde à responsabilidade das nossas distracções e o que derivou da fuga/esbulho que nos querem/estão a impor indevida e desonestamente.



Publicado por Zé Pessoa às 14:22 de 25.09.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Sorria, está a ser Roubado !! ACORDAI ...

         A     acordar        (-por Daniel Oliveira )                     Alternativas      

 
 
 
 
 
 
 
 
 

          Um cretino é um cretino é um cretino   (-por Sérgio Lavos)

O Governo parece não ter aprendido a lição que o povo tem dado nas ruas.   Continua a culpar os portugueses pobres e da classe média pelo falhanço das suas próprias políticas.   Já fomos chamados de tudo:    piegas, inconsequentes, gastadores.   Numa entrevista recente, o primeiro-ministro veio queixar-se, incrivelmente, do aumento da poupança privada e da consequente quebra no consumo e nas receitas fiscais.  

  Agora, o ministro das polícias insiste:    somos mandriões, e por isso Portugal não consegue chegar às metas do défice, suster o crescimento da dívida pública, estancar a destruição de emprego, etc., etc.    Isto vindo de alguém cujo currículo fala por si:  uma vida profissional à sombra do partido a que pertence, mais um produto da JSD, como Relvas e Passos Coelho.

      limite para a nossa paciência, e este bando de ladrões e incompetentes parece ainda não ter percebido que o ultrapassou.   É a nossa responsabilidade, a nossa obrigação, continuar a dar a resposta na rua. Esta gente tem de ser rapidamente apeada do poleiro que ocupa.     

               Alternativas ?     (-por Sérgio Lavos)

   Não serão certamente as alternativas que agradam ao grande capital nem aos partidos que o defendem, mas arrecadar-se-iam 6 mil milhões de euros, sem penalizar nem as classes mais desfavorecidas nem a classe média.  E os conselhos do Tribunal Constitucional seriam seguidos, ao taxar-se o capital em vez do trabalho.   Ficam aqui as propostas da CGTP, que sabemos que nunca irão sequer ser consideradas pelo Governo, que detém o poder apenas para defender os interesses estabelecidos e aprofundar as desigualdades sociais e a exploração capitalista:

   - Um novo imposto sobre as transações financeiras.

   - Introdução de mais um escalão de IRC para as empresas com grande volume de negócios.

   - Sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos aos grandes accionistas de empresas.

   - Medidas de combate à fraude e à evasão fiscais.

Há sempre alternativa. Simplesmente, as que existem não servem as linhas ideológicas que motivam este Governo.

          Congresso Democrático das Alternativas - 5 Out.2012, Aula Magna Univ. Lisboa.- Participe.

                                                                             Resgatar Portugal para um Futuro Decente



Publicado por Xa2 às 13:05 de 24.09.12 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Cavaco Silva, o padrinho

O casamento dura à cerca de ano e meio mas as desavenças e traições, entre o casal e outros membros das duas famílias, eram (são) de monta e, acentuadamente, publicas.

As famílias atiram culpas mútuas e o divórcio está por um fio. O padrinho entra em cena, obriga o casal a ser comedido em declarações públicas e força as respectivas famílias a tomarem medidas para salvar o casamento.

Assim, com o apadrinhamento ideológico e cultural de Cavaco, reuniram mesmo sem a presença do casal desavindo e decidiram, é sempre assim!, por mais que se saiba que a receita raramente resulta, que se decidem pelo nascimento de um filhote para salvação do matrimónio. Nasce o CCC.

Para reforço de tal iniciativa e valorização do evento o padrinho convoca o conselho de anciãos que paradoxalmente, ilustra a desconfiança deste no afilhado predilecto, pois convoca o articulista de palavras inconsistentes, o feitor dos números errados e cálculos mal feitos do orçamento. Entre um mentiroso e um tecnocrata desajustado venha um padrinho e escolha.

Coitados, como sempre as famílias não sabem ou não querem assumir por falta de coragem a verdadeira raiz do problema, são cegos, surdos, analfabetos políticos e amnésicos democráticos. As famílias e o padrinho.

Há já quem alvitre que a seguir à queda da TSU, como estamos no outono, se seguirá a queda de ministros a que se seguirá a queda do próprio governo.

Não nos iludamos, digo eu, sejam quais forem os desideratos seguidos à queda de ministros e governo, se não contestarmos a forma de funcionamento o actual regime (democracia directa/ democracia representativa) e não assumirmos nas próprias mãos a condução e tomadas de decisão tudo continuará na mesma, oportunistas na AR e nos Governos e o povo a pagar.



Publicado por Zé Pessoa às 14:52 de 23.09.12 | link do post | comentar |

UMA ANTEVISAO DE UM NOVO 25 DE ABRIL?

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http://economico.sapo.pt/noticias/militares-avisam-governo-que-estao-com-a-populacao-contra-a-austeridade_129069.html

 

Militares admitem endurecer as manifestações de descontentamento e já marcaram um encontro nacional para 22 de Outubro.

A Associação Nacional de Sargentos (ANS) reagiu hoje às novas medidas de austeridade anunciadas ontem pelo Governo e que vão fazer parte do Orçamento do Estado para 2012.

Ao Económico, O presidente da ANS diz que "já há muito tempo" que os militares estão "a preparar uma série de iniciativas". E "se alguma dúvida existia na mente dos mais crédulos, as afirmações de Passos Coelho deitaram abaixo qualquer dúvida". António Lima Coelho lembra que "há meses atrás, na oposição, Passos Coelho disse a Sócrates, na altura primeiro-ministro, que cortar nos subsídios era um disparate" e acrescenta: "Nós temos de ter memória, não podemos continuar a ser adormecidos com conversas bem ditas". Por isso, no próximo dia 22, oficiais, sargentos e praças vão realizar um encontro nacional. "E este não é um encontro que se encerra em si mesmo, dado que poderão ser encontrados outros caminhos, quer sejam de demonstração de mau estar quer sejam de reiterar a disponibilidade para com quem está no poder de encontrar soluções para todas as partes", sublinha António Lima Coelho. É que, segundo o responsável, as novas medidas de austeridade anunciadas ontem por Passos Coelho, "põem em causa os direitos constitucionais e inclusive de soberania" do país, sendo que "o corte dos subsídios é um agravamento de uma situação que já era muito difícil".

"As revoluções não se anunciam"

António Lima Coelho admite que "para o cidadão comum é muito difícil não conseguir cumprir os seus compromissos, mas para um militar que está obrigado a cumprir com as leis da República é muito mais grave". Os militares garantem assim que "estão ao serviço do povo português e não de instituições particulares", e avisam: "Que ninguém ouse pensar que as Forças Armadas poderão ser usadas na repressão à convulsão social que estas medidas poderão provocar". Questionada sobre um possível endurecimento dos protestos por parte dos militares, a Associação avança que "as revoluções não se anunciam, quando chegam, chegam porque têm de chegar, mas espero que a bem do Estado de direito que nunca um cenário desses se venha a pôr", conclui.

Recorde-se que no mês passado Passos Coelho fez questão de frisar, no discurso que escolheu para a sessão de encerramento das Festas do Povo, em Campo Maior, que "em Portugal, há direito de manifestação, há direito à greve. São direitos que estão consagrados na Constituição e que têm merecido consenso alargado em Portugal".

No entanto, avisou na altura o primeiro-ministro, "aqueles que pensam que podem agitar as coisas de modo a transformar o período que estamos a viver numa guerra com o Governo", quando o que existe é "uma guerra contra o atraso, a dívida e o desperdício", esses "saberão que nós sabemos dialogar, mas que também sabemos decidir".



Publicado por DC às 22:52 de 12.09.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

"Lá vamos cantando e rindo..."

O deficit de Portugal está a crescer 35,3 milhões por dia (INE).
Existe um desvio enorme em relação ao que Portugal se comprometeu com a troika.
E o secretário nacional para a organização do PS acha que o PM foi irresponsável por ter feito um comentário sobre o assunto…
E o presidente da comissão de acompanhamento quer chamar o PM para explicações…
O PS continua a comportar-se como uma donzela ingénua e pura, perante a actual conjuntura nacional, continua portanto, a ser «mais do mesmo» só que sem Sócrates.

Aguardamos com expectativa saber como este governo vai hoje, ao fim da tarde, dizer-nos como vai reduzir nas despesas do Estado.
Porque não queremos acreditar que a conferência que está prevista será só especificar como continuará a «sacar» nos impostos de quem ainda trabalha neste País.

Os deputados da AR querem ir de férias… (Entraram há um mês e querem ir de férias)

Buraco? Qual buraco? Existe algum buraco?
Como é que se cantava no tempo do «outro»?

"Lá vamos cantando e rindo..."



Publicado por [FV] às 10:51 de 14.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Indigação, é preciso!
Contra os inimigos mercenários e predadores de fora, ou contra os desastrados políticos que ocupam e desbaratam o Estado que é o nosso, impõe-se um grito de indignação e revolta.

Acordei, um dia destes, a ouvir numa estação de rádio, que uma agência de notação financeira tinha cortado o rating da República Portuguesa em dois níveis e, concluía a jornalista, esta teria ficado perto de ser considerada lixo. E, nos dias seguintes, a mesma agência e as demais que pontificam na praça ainda foram mais longe nos cortes da nossa credibilidade financeira, segundo a imprensa também relatou.
O que era quase lixo já deverá, ser agora, lixo, pura e simplesmente.
Lixo?
Confesso amargura pelas notícias que chegam e maior indignação por ver o meu país como um caixote de lixo num contentor para onde foi atirado por gentes sem rosto e para quem nada mais vale do que o vil metal, ou seja, por oligarquias capitalistas transnacionais que aprisionam nas suas redes aqueles que, por alguma fragilidade, caíram no seu regaço, como este povo que tão grande foi já no passado, mas tem, hoje, o infortúnio de o não ser. A lei que impõe é a de que quem tem dinheiro come e vive e quem não tem é inútil, deve sofrer todo o tipo de sacrifícios e pôr-se a morrer, afinal.
Contra este dictat o meu desafio, pessoalmente assumido, é o de que se impõe uma verdadeira revolução económica, financeira e, até, social e a minha esperança é a de que já esteja a desenvolver-se uma nova e mais exigente sociedade civil, em Portugal e em outros países onde caíram os abutres e a sua arrogância insuportável. Basta de predadores que se alimentam imoral e ilegitimamente das dificuldades alheias, que acumulam dinheiro sem qualquer sentido, que destroem Estados sem piedade, que levam ao desespero milhões de seres humanos e, por detrás de tudo, cultivam a corrupção ao mais alto grau nos paraísos fiscais que criaram e controlam.
Há, por aí, verdadeiros pirómanos à solta com nomes pomposos e pretensamente respeitáveis – FMI, Banco Mundial, OMC e outros - acolitados por mercenários que a nossa falta de memória coletiva aceita como povos civilizados mas que, no fundo, levam no bojo outros holocaustos.
Precisamos de lutar, à nossa medida, por uma nova sociedade civil e uma nova e melhor democracia a nível mundial em que todos os seres humanos tenham o direito de viver em liberdade e igualdade com dignidade e direitos. Não podemos aceitar um mundo em que o domínio de certas instituições, sem legitimidade democrática, nos condenem às galés por maiores que sejam as nossas dificuldades.
Não ignoro que, como escrevia recentemente Daniel Bessa, o Estado português estará em processo de insolvência, com culpa de todos nós, de resto, e não só das desastradas políticas que nos têm governado, algumas, aliás, impostas por aqueles referidos predadores. Mas sei, de saber certo, que os portugueses, tendo tomado consciência do diagnóstico, das causas e das consequências da situação, serão capazes de dar a volta por cima e vencer, com maior ou menor esforço, hoje ou amanhã, as graves dificuldades com que se confrontam. Não somos povo que se ponha a morrer, mas poderemos não aguentar, em democracia, os golpes dos que nos queiram destruir.
Contra os inimigos mercenários e predadores de fora, ou contra os desastrados políticos que ocupam e desbaratam o Estado que é o nosso, impõe-se um grito de indignação e revolta.
Às armas, portugueses!
António Vilar


Publicado por [FV] às 13:23 de 07.04.11 | link do post | comentar |

A Telenovela orçamentista

As delegações do PS e PSD encontram-se numa azáfama ciclópica, tanto quanto hipócrita é a afirmação do candidato Cavaco Silva que, dizendo não se intrometer porque não é seu tempo, sempre envia o seu, esse sim, recadinho encomendado por quem, efectivamente, detém os poderes.

Porque não negoceiam, estes senhores, a tomada de medidas estruturais de fundo que permitam e obriguem a uma maior produção de riqueza e a sua, concomitante, distribuição mais equitativa.

Paradoxalmente, em tempos de crescimento económico e de governações de centro-esquerda, aumentaram as desigualdades sociais, um dos sinais mais preocupantes da actual conjuntura, numa sociedade que é já a mais desigual da Europa. Em Portugal, entre 2006 e 2009 aumentou em 38,5% o número de trabalhadores por conta de outrem, abrangidos pelo salário mínimo (450 euros): são agora 804 mil, isto é, cerca de 15% da população activa. Em 2008, um pequeno grupo de cidadãos ricos (4051 agregados fiscais) tinham um rendimento semelhante ao de um vastíssimo número de cidadãos pobres (634 836 agregados fiscais). Se é verdade que as democracias europeias valem o que valem as suas classes médias, a democracia portuguesa pode estar a cometer o suicídio, afirma o sociólogo Boaventura S. Santos.



Publicado por Zurc às 15:50 de 25.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

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