Alternativas a austeritários e securitários

Contra o pensamento único  (-por Sérgio Lavos )

      Alexandre Abreu, do Ladrões de Bicicletas, numa rara oportunidade televisiva de furar o discurso austeritário e o pensamento único que ocupou o espaço mediático nos últimos anos. Excelente intervenção, clara, directa e lógica, o contrário do discurso neoliberal - que se tem vindo a revelar completamente desfasado da realidade - ensaiado pelas cabeças pensantes do regime austeritário.

      A caminho de um Estado policial (2)  (-por Sérgio Lavos )

      Chegámos lá. Quando um ajuntamento de mais de duas pessoas é considerado crime e quando alguém que organiza um protesto público é perseguido pela polícia e pelo sistema judicial.

Resta a pergunta: como é que chegámos aqui, como é que podemos aceitar este estado de coisas? Fica aqui o comunicado do Movimento "Que se lixe a troika!":  ...

      Alternativas  (- por Sérgio Lavos )

      Entregue o país às garras dos especuladores financeiros coadjuvados por meros funcionários de organismos internacionais com escasso conhecimento da realidade nacional e nenhuma vontade de perceber realmente o sofrimento que as políticas de empobrecimento estão a provocar nas pessoas, com a execução desta política rapace às mãos de um Governo de autistas, incompetentes e corruptos, intocáveis onde a justiça nunca há-de chegar, protegidos por uma polícia que começa a usar métodos e técnicas a que apenas os regimes totalitários costumam recorrer, começa a ser tempo de pensar em todas as formas de luta e de resistência, tudo o que estiver ao nosso alcance para parar esta deriva anti-democrática.

     Na rua pode-se fazer muito, mas também há outras formas de resistência. No Insurgente, C.G.Pinto publica um manual de evasão à opressão estatal inspirado nas ideias de Ayn Rand. Não concordando com algumas das premissas motivadoras do manual, acho os conselhos bastante úteis.  Aqui ficam:   ...  - Emigre: ... - Deslocalize: ... - Tire uma sabática: ... - Devolva a factura: ... - Livre-se dos certificados de aforro: ... - Troque bens: ... - Pague tarde: ... - Evite grandes compras: ...- Não colabore: ... 



Publicado por Xa2 às 13:41 de 26.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Educação, delação, assédio, produtividade, economia ... e nossas ruas

                Educação para a delação
     «Mais tarde ou mais cedo tinha que acontecer algo assim. Conta o "Público" que uma escola do 1º Ciclo pôs alunos (crianças entre os 6 e os 10 anos) a fazer patrulhas durante as horas de recreio, com instruções, acusam os pais dos alunos de uma turma do 4.oº ano, como "tomar nota do nome dos colegas que apresentam comportamentos inadequados", nomes depois "colocados em local público para que toda a comunidade escolar tenha conhecimento dos mesmos". E, pelo andar que as coisas levam em Portugal, ainda vamos no princípio...
     Fardadas com uma "t-shirt" com a inscrição "PSP", significando "Patrulha de Segurança do Pontal", as crianças da escola do Pontal (Portimão), duas por turma, são enquadradas por graduados, digo, professores, devendo efectuar "rondas no recinto escolar nos horários críticos da escola, valorizando sempre o diálogo".
     Os pais contestatários pensam antiquadamente que "as crianças têm como principal função aprender, tendo direito a um intervalo para brincar; não têm de 'espiar' os colegas". Presume-se que a maioria, ciente da sociedade de novo tipo hoje em construção, veja na educação para a delação dos seus rebentos apenas a preparação destes para um paisano futuro profissional brilhante a denunciar colegas de trabalho ou, se fardado, a espancar manifestantes e jornalistas "valorizando sempre o diálogo".»  ([JN], Manuel António Pina, via OJumento)

                 PRODUTIVIDADE  E  ASSÉDIO  MORAL ! 

    «O objetivo deste artigo é mostrar o modo como as práticas organizacionais e a cultura dos locais de trabalho podem levar a experiências de humilhação e a situações constrangedoras no trabalho. A discussão baseia-se em entrevistas realizadas no decorrer de 2007, com 20 trabalhadores de três fábricas de calçados localizadas no Ceará (Brasil).

     A análise de conteúdo das entrevistas indica que, apesar da humilhação e do constrangimento serem formas de violência conduzidas por indivíduos investidos de poder e autoridade na empresa, essas práticas transcendem as relações interpessoais e estão relacionadas às políticas de gestão organizacional centradas no estabelecimento de metas de produção a serem cumpridas pelos trabalhadores. As políticas determinam quanto e como produzir e, ao mesmo tempo, as relações interpessoais que se estabelecem dentro das fábricas.»

     Um artigo de investigadores brasileiros com muito interesse sobre uma temática cada vez mais pertinente e atual !Infelizmente os nossos investigadores tardam na abordagem destas questões naturalmente incómodas porque têm uma dimensão social.VER   (-p 
                       Na minha rua
Lisboa     Na minha rua existem dois organismos do Estado. Nota-se que as pessoas que neles trabalham passaram a transportar uma marmita com os restos do jantar.
      O vai-e-vem que animava a minha rua transformou-se no lá-vai-um.
      Na minha rua existem dois cafés. O do Sr. José, com o anúncio na montra a avisar que o Joaquim e o Francisco já não trabalham lá porque o estabelecimento assumiu o aumento do IVA sem o reflectir nos preços e o da Dona Maria, que deixou de fornecer refeições por falta de pessoal.
      Na minha rua havia uma papelaria que fechou. Os funcionários da marmita deixaram de comprar o jornal e os empregados dos cafés deixaram de lá entrar.
      Na minha rua há uma farmácia onde os avós iam com os netos para se aviarem. A farmácia despediu a Sara e a Sofia porque as receitas do fim do mês não chegavam para os parcos vencimentos que tinham.
      Os avós da minha rua já não ficam com os netos. As reformas não aguentam e os pais que trabalhavam no escritório, que entretanto fechou, e no infantário, que tem cada vez menos miúdos, dispensam esse apoio.
      Consta que, lá para a Guarda, encerrou a fábrica de peças de automóveis depois da oficina, que havia na minha rua, ter fechado as portas.
      Na minha rua já não passa o autocarro porque as pessoas que o apanhavam ficam em casa.
      Na minha rua já não se ouvem lamentos piegas. O último foi aquele que o vizinho do 76 proferiu durante o voo que fez do sexto andar.
      Na minha rua o silêncio inquieto que sempre antecedeu barulhos violentos só é quebrado pelo ruído das persianas que se abrem para deixar à mostra o anúncio de venda e pelo grito de quem se aventura ao assalto frequente.    (- LNT [0.250/2012], A Barbearia do sr.Luís)


Publicado por Xa2 às 07:51 de 08.05.12 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Austeridade, povo e liberdade

Não tentem, nem sequer pensem

    Na Edição de hoje do Diário de Notícias, no lugar onde se poderia ler uma notícia referente ao mais importante acontecimento da véspera - as manifestações de Lisboa e Porto - encontrava-se: “PSP e secretas esperam maiores tumultos desde PREC”. Como isto vinha misturado com referências às manifestações, o objectivo era induzir uma associação imediata e espontânea entre manifestações e tumultos.
    Na continuação podia ainda ler-se: “Polícia e SIS já têm elementos no terreno para antecipar as acções de grupos organizados que podem criar grande agitação social. A agitação social deve crescer e pode atingir proporções nunca vistas nos últimos 30 anos. A previsão é de um grupo de comandantes da PSP, feita num relatório confidencial a que o DN teve acesso. O descontentamento popular com a crise económica faz a polícia e os serviços secretos temerem actos violentos. Por isso, já têm agentes a identificar grupos e protagonistas da contestação.”
   A avaliar pela insistência com que a SIC, e se calhar outros canais, estiveram todo o dia a noticiar o mesmo, não foi só o DN que teve acesso ao “relatório confidencial”.
   Estamos assim chegados ao início da execução do plano inclinado inaugurado por Passos Coelho e Portas há algumas semanas: transformar protesto em tumulto para justificar a vigilância e a repressão do protesto.
   O que estão a fazer os elementos das secretas “no terreno”, além de escutar telemóveis? A preparar grupos de provocadores especialistas em transformar protestos em tumultos? O que estão a fazer alguns "jornalistas" nas redacções? A amplificar “relatórios confidenciais” lá plantados pelas “secretas”?
    Esta agitação toda faz de facto temer mais actos ilegais das secretas e mais preparação de actos violentos, igualmente ilegais, por sectores das forças de segurança pouco amigos da liberdade.

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O PESCOÇO CANSADO

     Percorremos sofridamente os caminhos sombrios de uma comédia trágica. O governo da direita mergulha na vertigem das mais complexas equações, para apurar com rigor até que ponto é que deve apertar o pescoço do povo. A si próprio se considera corajoso por levar um pouco mais longe a violência de cada aperto. Homens graves, esguios, cinzentos e estrangeiros, analisam à lupa o grau de aperto e muito circunspectamente, com a mais fria das objectividades, concluem que o governo está a ter a coragem de ser excessivo. No entanto, à cautela, murmuram vagamente a necessidade de um pouco mais de aperto. É certo que do pescoço do povo (ou do povo, enquanto pescoço que outros apertam) nada sabem. Mas não se lhes pode exigir algo de diferente. Eles são apenas técnicos de aperto, sacerdotes frios do sacrifício dos fracos para que os fortes possam continuar tranquilamente a vampirizá-los. É claro, que sem qualquer má intenção, escravos que são da fria objectividade de alegados números, que invocam com a força com que os crentes invocam o espírito santo.
   As oposições de esquerda mais radicais gritam, é certo. Mas como já gritavam antes do garrote actual, quiçá com mais energia, vão passando despercebidas. O PS discorda da intensidade do aperto, é forte na recusa da posição dos dedos, no repúdio pela brusquidão dos gestos. Murmura, quando se esperava que gritasse.
   O próprio pescoço apertado, ou seja, o povo, agita-se aflito com a falta de ar, espantado com esta comédia trágica que o atinge, representada por uns quantos almofadinhas que chegaram de repente para lhes apertar o pescoço, envoltos na ingénua fleuma de quem joga ao berlinde com a vida dos outros; mas vai consentindo no garrote que o asfixia. Por enquanto...
   Ninguém parece ainda suficientemente acordado para poder perguntar: “É absolutamente inevitável que o governo aperte o pescoço do povo, apenas prometendo que terá coragem de o apertar ainda mais se os oráculos loucos da finança internacional assim o ordenarem ?” Ou talvez ninguém tenha ainda perdido suficientemente a paciência para dizer: “ Tirem imediatamente a mão do meu pescoço!” Dizer ; e pegar na mãozinha do poder, arrancando-a de vez deste pescoço.

    Quando o fizer , os numerólogos engravatados da finança internacional esvaziar-se-ão como um balão furado, porque o povo está previsto na sua obscura ciência como vítima e não como sujeito. Essa é, aliás, uma das limitações dos teóricos do garrote que suportam o actual governo; e talvez uma das causas que os impede de compreender que o caminho que seguem os vai levar, forçosamente, ao mesmo tempo que ficcionam em vão uma saída para a crise, a praticarem uma perigosa sementeira de tempestades.



Publicado por Xa2 às 08:08 de 01.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Líbia: Assassinos à solta

Segundo o representante da Líbia no Tribunal Penal Internacional serão cerca de 10 mil mortos e 50 mil feridos vítimas (só nestes dias) do regime Khadafiano.

Sayed al Shanuka afirmou, ao prestar declarações ao canal árabe de TV al-Arabiya, esta quarta-feira, que «o regime ditatorial impede que as pessoas denunciem» a violência em massa no país.

São muitas as contradições, sobre o número de vítimas, quando as próprias organizações não-governamentais continuam a falar em 800 mortos e o governo líbio só admite, até agora, apenas a morte de 300 pessoas.

O cerco a Khadafi e respectiva família acentua-se e já esta tarde, as autoridades de Malta negaram permissão de aterragem a um voo não programado das linhas aéreas líbias em que seguia a filha do ditador líbio.

Por causa da onda de violência, o Governo israelita já «atendeu» ao pedido do presidente Mahmoud Abbas e autorizou 300 palestinianos da Líbia a entrar nos territórios palestinianos.

Por outro lado os EUA estudam aplicação de sanções ao seu, até agora, protegido, com o argumento do, excessivo, uso da violência para reprimir os protestos. De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, citado pela Reuters, estão a ser efectuadas consultas com a comunidade internacional, antes de se decidir que medidas serão tomadas sobre este tema.

Esta quarta-feira surgiram também novas revelações sobre o regime, divulgadas por homens que estiveram ao lado de Khadafi. É o caso do ex-ministro da Justiça da Líbia que garantiu ter provas de que a ordem para o ataque à bomba contra o avião da PanAm que se despenhou sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988, partiu do próprio Muammar Khadafi.

Outro dos ex-ministros que fez revelações sobre Khadafi foi Abdul Fatah Younis, que ocupava a pasta do Interior. O ex-governante disse que um dos homens próximos do líder líbio o tentou matar.

Também esta quarta-feira, a Reuters noticiou que um avião da força aérea líbia despenhou-se perto de Benghazi, porque os militares que o pilotavam se recusaram a bombardear a cidade.

É por tudo isto que, a libertação por parte dos povos daquela região face aos regimes ditatoriais que oprimem esses povos constituem, em certa medida, a libertação de todos os povos face aos seus próprios regimes, muitas vezes coniventes com aqueles.



Publicado por Zé Pessoa às 15:28 de 24.02.11 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

O labirinto das escutas

A fazer fé no que é divulgado na imprensa, afinal, quem foi escutado não foi o Presidente da República, mas sim o Primeiro-Ministro.

Por tabela é certo, e não porque a escuta lhe fosse primariamente dirigida.

Mas o que objectivamente se pode constatar é que quem autorizou e promoveu uma escuta que atingiu o Primeiro-Ministro, sem que sobre ele impendesse suspeita de nada, não foi capaz de garantir a confidencialidade de um telefonema, cujo conteúdo estava protegido pelo segredo de justiça. E, se a imprensa não estiver a inventar, foram divulgados desses telefonemas, matérias que nada têm a ver com o caso que deu origem às escutas.

Se pensarmos que no mundo em que vivemos, sem terem desaparecido os golpes de Estado clássicos feitos na linguagem fria das armas, se vai afirmando o perfil de novos métodos golpistas, destinados a fazerem com doçura o que os velhos golpes de Estado fariam com brutalidade, é legítimo reflectir sobre o potencial golpista deste tipo de práticas.

É possível que se esteja perante a simples continuação de uma rotina perversa que, apesar da sua frequência crescente, mais não vise do que um sensacionalismo doentio, gerado na voragem da competição desesperada entre níveis de leitura e audiência. Mas seria estulto descartar-se por completo a hipótese de estarmos perante um episódio ou um ensaio que, no fundo, mais ou menos assumidamente, representa uma recusa de aceitação dos resultados eleitorais e a preparação de uma tentativa de os contornar.

É certo que uma fuga de informação que quebre, em si mesma, uma confidencialidade legalmente protegida, por si só, está muito longe de poder ser vista como um golpe de Estado. No entanto, se no futuro se constituir um novo paradigma de golpe de Estado, tecido de uma multiplicidade de procedimentos subtis e suavemente não assumidos como tais, que se conjugue num resultado final almejado, certamente que entre eles se contarão procedimentos deste tipo.

A notícia mais relevante não está, pois, no conteúdo de uma escuta de um telefonema que alguém fez a este primeiro-ministro, mas sim na revelação de que em Portugal uma escuta, legalmente promovida pelas entidades competentes por uma razão que não envolve o primeiro-ministro, pode ser difundida publicamente com toda a naturalidade e toda a impunidade. Ou seja, qualquer alto responsável do Estado democrático, legitimamente investido no exercício das suas funções, pode ver divulgado na praça pública o teor de quaisquer conversas telefónicas que sejam tidas com ele.

[O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 00:03 de 09.11.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Inadmissível e escandaloso

Estado usa carros apreendidos e cobra despesas de manutenção quando os devolve.

A lei permite que os veículos apreendidos sejam usados apenas para trabalho. Marinho Pinto denuncia dezenas de casos. Nenhum inquérito foi aberto na PJ ou na PSP.

A inspectora da Polícia Judiciária brincava com os filhos numa praia da linha de Cascais. Era fim-de-semana e o seu Mercedes estava estacionado junto à estrada marginal. Acontece que o carro não pertencia à inspectora. Por coincidência, o verdadeiro proprietário do mesmo - a quem fora apreendido durante uma investigação - estava na mesma praia. Viu a inspectora e os filhos entrarem no seu carro depois do dia de praia, mas nada pôde fazer, apesar de o Mercedes estar a ser usado ilegalmente. A lei prevê que os organismos do Estado usem carros apreendidos, mas especifica que tal utilização se resume a fins profissionais.

Esta é apenas mais uma das muitas "situações absolutamente inadmissíveis e escandalosas que acontecem há anos" e que o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, denuncia. Além desta, o bastonário conhece várias outras situações em que considera "não ser respeitado o princípio de presunção de inocência". Há dezenas de situações semelhantes em todo o país, acrescenta.

O Ministério da Administração Interna (MAI), a Polícia de Segurança Pública (PSP), a Polícia Judiciária (PJ) e a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) admitem que este tipo de casos acontece com frequência. No entanto, o i sabe que, pelo menos em 2008 e 2009, nenhum inquérito por uso indevido de viatura pelo Estado foi aberto na PSP ou na PJ.

Apesar das acusações, as autoridades garantem que a esmagadora maioria das vezes a legislação é cumprida. Segundo a lei, alterada há 24 anos, 90 dias depois de cada apreensão é comunicada à Direcção-Geral do Património do Estado (DGPE) toda a informação sobre os veículos. A partir deste momento ficam à disposição da DGPE, que deve tomar "as providências necessárias à sua conservação", com condições de utilização iguais às de todos os veículos do Estado: exclusivamente em trabalho. Além disso, deve ser mantido um registo com "todas as alterações, reparações e despesas efectuadas".

Foi a esse registo que a PJ recorreu quando cobrou 1165 euros pela manutenção de um BMW apreendido no momento em que a sua proprietária recuperava o carro - e apesar de estar inocente. Quando o filho foi acusado de tráfico de droga, a PJ aprendeu o carro. Logo na primeira instância, o tribunal declarou que o veículo nada tinha a ver com o processo e ordenou a sua devolução. No entanto, só quando o caso transitou em julgado, passados três anos, é que o carro foi devolvido. Foi nessa altura que a dona do BMW descobriu que em sete meses a PJ fizera 6 mil quilómetros e levara a viatura seis vezes à manutenção no stand da marca. Apesar de a lei ditar que "os proprietários [...] pagarão as despesas de remoção, taxas de recolha, multas e demais encargos não relacionados com a utilização da viatura pelo Estado", a dona do BMW recebeu em casa a conta da manutenção.

Mas há outros exemplos. A 23 de Junho de 2001, dois cidadãos polacos foram detidos e a carrinha onde seguiam, uma Ford Transit azul com três meses e 25 mil quilómetros, imediatamente apreendida. Nos autos só foi registada 12 meses depois, com 138,25 mil quilómetros. Oito anos passados, o julgamento chegou ao fim com a absolvição dos dois polacos. A advogada foi notificada para levantar a Ford Transit, sob pena de ter de pagar o valor do depósito. "A carrinha estava toda amolgada, com os plásticos comidos, desfeita, e não andava - um trabalho próprio de gangsters", descreve Marinho Pinto.

Mudança A lei foi alterada para permitir a utilização de carros apreendidos em 1985, quando centenas de modelos à guarda do Estado foram declarados sem reparação possível. Na altura "pretendeu-se evitar que os veículos...] permanecessem longos períodos sem utilização, ficando reduzidos pelo tempo - e, muitas vezes, pela intempérie - a destroços sem utilidade", explica ao i o presidente da ASPP. Paulo Rodrigues revela ainda que, mesmo assim, "largas dezenas de veículos vão para as sucatas todos os anos". Quem é vítima de um destes casos pode processar o Estado. O Estado responde "como possuidor de boa fé". [ i ]



Publicado por JL às 00:02 de 09.11.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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