O Estado morreu

Restam os governantes parasitas e outros mamíferos do aparelho estatal*

Trabalho num serviço aplicação repressiva da lei criminal onde as pessoas têm gosto em servir o interesse público e a justiça penal. Desde que começou a aplicação do programa de ajustamento económico e financeiro — o PAEF — que a dignidade, a resistência e a eficiência continuam a ser valores que opomos à desvalorização cega e ao sofrimento enquanto política de gestão da máquina administrativa.

Vamos substituindo a degradação das contas públicas de um Estado laxista por um Estado fantasma e impotente. O Estado é a raiz do mal, pois matemos o Estado. E com quê? Com mais Estado cobrador, num totalitarismo atípico deslizante.

Sinto esse fantasma todos os dias. A moralização na gestão das finanças públicas desfigurou-se de tal forma que fez ricochete num PAEF sem a bússola de valores intangíveis como a justiça, justiça fiscal e segurança social. Perdeu-se o objetivo de uma administração pública qualificada e motivada.

Os resultados da execução orçamental do último trimestre não são mais do que uma radiografia deste mal. Porquê?

Porque só um Estado sem função fica encarcerado no financiamento direto com base quase exclusiva nas receitas do IRS que representam 39,1% do crescimento da receita e dos impostos diretos que representam 22,3% do mesmo crescimento. No meio da tempestade fiscal que nos atravessa regista-se uma subida raquítica da receita fiscal de 3,3 milhões de euros — no aumento crescente do sofrimento das pessoas depois da destruição de empresas e de trabalho.

Neste cenário, além da dita ida aos mercados, ainda assim financiada a juros predadores, os únicos pilares financiadores do Estado são afinal o habitual grupo de pessoas, cada vez mais afunilado. Efeito de boomerang da austeridade sem metas de reorganização de um Estado, de uma justiça e de uma máquina administrativa que funcionem. Situações desta natureza pulverizam todas as funções de autoridade, equidade, segurança jurídica, proteção da sociedade e respeito pelos valores sociais e económicos.

A corrupção, em parceria com a fraude fiscal, tende a medrar no túnel das quimioterapias orçamentais. Basta cruzar aqueles dados com os resultados oficiais do programa de combate à fraude e à evasão fiscal do ano de 2011: os processos-crime por combate à fraude representam 9,45%, por combate à fraude qualificada 2,69% e por abuso de confiança fiscal 84,74%. Os resultados do combate à fraude fiscal são insignificantes numa justiça focada quase exclusivamente no ataque aos impostos diretos em falta. O mesmo estigma.

Sem reformas administrativas efetivas, sem qualificação da função pública, sem respeito pelas funções públicas substantivas, sem estímulos, sem Estado com função resta-nos o medo, a perigosa anemia da autoridade com a paralisia dos serviços administrativos públicos. Um Estado sem função pendurado na guilhotina do défice?

Despojos de um Estado velho e apodrecido incapaz de se proteger da tempestade e de construir um novo com a ajuda dos seus melhores. Um Estado que morreu.

 

Maria José Morgado - Expresso

*subtitulo da nossa responsabilidade



Publicado por DC às 12:43 de 23.05.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

UM SÉRIO MENTIROSO, SÓ?

“Passos coelho é o primeiro-ministro mais sério desde o 25 de Abril” afirmou o putativo candidato à Câmara do Porto, Filipe Menezes em entrevista ao DN, do passado domingo.

Não admira que diga tão canina e profunda incongruência, a avaliar pelo que foi prometido durante a campanha eleitoral e o que tem sido praticado pelo governo do mesmo político que tais promessas fez.

O homem é um “fidelíssimo” apoiante deste primeiro-ministro. Qual é a mãe que não acha o seu filho bonito por mais feio que ele seja?

Tais fidelidades são mútuas e são pagas umas às outras tanto nos governos como nos poderes autárquicos. Mas, como poderá ser levado a sério um primeiro-ministro que trata tão displicentemente o próprio parceiro de coligação?

Tais fidelidades “caninas” não sucedem apenas no PSD existem em todas as agremiações partidárias, por parte da maioria dos por aí navegam, por isso não admira que a democracia, por este mundo em geral e particularmente em Portugal viva dias negros apesar dos 39 anos passados sobre o 25 de Abril, acontecimento que tantas esperanças arrastou ao terminar os 48 de obscurantismo.

Os partidos, enquanto elementos base e essenciais a realização da vida democrática burocratizaram-se, corromperam-se e quase nada evoluíram desde as suas origens nos finais do século XIX, pelo contraio regrediram porque são controlados por sérios mentirosos.



Publicado por Otsirave às 13:35 de 24.04.13 | link do post | comentar |

PORTUGAL

 

Uma nação com um paradigma chamado Sócrates, um pretor a Passos e sob o desígnio do empobrecimento.

Um país cujo Presidente é abstrato e que, por via disso, raramente se engana e nunca tem dúvidas.

Uma sociedade abjecta e feudalizada que aceita a existência de uma democracia baseada em partidos mortos.

Uma democracia em que a oposição faz de governo e o governo faz de oposição, igualizando-se mutuamente na exploração do povo.

Portugal, um país abaixo do relativo, é uma nação moribunda.



Publicado por Zurc às 14:01 de 28.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PORTUGAL, UM PAÍS DE GENTE QUE …

 

Que a atual situação económica e social, que vivemos no país, na europa e no mundo é perigosa e periclitante, ninguém duvida, mas que também comporta sinais positivos de possíveis alternativas, é incontestável.

No caso de Portugal, a displicência e desfaçatez, chegaram a tal ponto que raia o absurdo, até os banqueiros que, supostamente, terão assinado os acordos que permitiram o “furto” do capital acumulado no fundo de pensões dos bancários, cujas responsabilidades futuras passaram para a gestão do fundo de pensões da Segurança Social e que agora todos temos de pagar através do “roubo” nas pensões de reforma, dizem-se indignados por receberem reformas de 20 mil euros por mês.

No caso de Portugal, corremos o risco de chegar à situação, não inédita, de a geração que implementou a III república ser a mesma que a destrói, tal e qual como fizeram os “revolucionários” da I.

No caso de Portugal, país habitado por uma maioria de gente de fraca (ou quase de nenhuma) memoria que elege políticos que, dizendo combater “o monstro” da divida publica se associam a gente que rouba o Estado.

No caso de Portugal, país de gente que elege políticos que anunciando existir má moeda promovem a sua circulação.

No caso de Portugal, país de gente que elegem políticos que bradando contra barões partidários os coloca no aparelho do Estado e na gestão de bancos a eles se colando para obter proventos próprios.

No caso de Portugal, país de gente que elege políticos que esbanjando as remessas de ajudas económicas provenientes de Bruxelas tornaram o país numa mera e marginal província europeia consumista de bens que chegam da Europa do Norte e da China, via autoestradas que também serviram para enganar o povo.

No caso de Portugal, país de gente escavacada no meio de um silvado onde murcharam as rosas e parece que só os espinhos crescem.

Será assim até que o povo acorde e for capaz de refundar partidos políticos e reconstruir a democracia, exercendo a cidadania plena.

 

 



Publicado por Otsirave às 12:22 de 12.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A BRITÂNIA DO SUL DA EUROPA

Uma das versões da história, mitológica, do Rei Artur conta que na Britânia antiga terá existido um rei que em lugar de combater os invasores os convidava a entrar no reino fazendo, com eles, acordos que submetiam o povo não só à sua própria tirania de terra-tenete como, também, dos invasores.

Tal como na Britânia do século V, também nós, portugueses, temos sido governados por terra-tenentes, tiranos, que convidam os invasores a entrar no país que, fazendo estudos sobre nós, sobre as nossas vidas (que não conhecem) e sobre o nosso putativo futuro, nos vão submetendo a torturas económicas e psicológicas.

Um dos terra-tenentes dos nossos dias chama-se Pedro e os invasores dão pelo nome da Troica. Terá isto alguma semelhança com a cultura romana da velha Troia? Cavalos são muitos e entram-nos pela cidade dentro!

Será que depois dos Cavacos, dos Barrosos, dos Lopes, dos Socrates, dos Pedros, dos Migueis, dos Coelhos, dos Silvas, dos Gaspares e dos rapazes “especialistas” que invadiram os ministérios, chegará algum Artur, minimamente Seguro de si, capaz de entregar esta Britânia ao povo?

Pelo andar da procissão, qua ainda vai no adro, não é por aí que o povo se libertará. O povo terá de tomar nas suas mãos a sua própria liberdade se a quiser alcançar algum dia.

Como diria o poeta “tive muitos sonhos a maior parte não se realizou mas ainda bem que os tive”. O meu sonho é que a lenda do Rei Artur possa significar a capacidade de um povo se assumir em plena cidadania democrática e a todos os níveis bem como em todas as formas de organização na vida colectiva. Um povo capaz de criar novas organizações que refundem ou substituam os atuais partidos políticos apropriados por grupos estranhos à democracia, mesmo a interna.

Lenda ou história só perdura quando se alicerce nas raízes culturais e modos de vida de um povo, de contrário dilui-se na espuma dos dias que passam.

Como naquele tempo, também nos tempos correntes, temos os nossos exilados a que, pomposamente, designamos de imigrantes.



Publicado por Zé Pessoa às 14:18 de 04.02.13 | link do post | comentar |

ALUNOS, DE BONS A BESTIAIS: “SOMOS OS MELHORES DO MUNDO”

 

1

 A troika, na sequência da sua quinta avaliação á execução de memorando assinado, com a sua homónima interna, em Maio de 2011 e depois de ter sido entregue a, desastrosa, proposta A (na pratica a B ou C, já se não sabe ao certo) do OE para 2013, intimou, publica e humilhantemente, o governo português (não dos portugueses) a apresentar, no prazo de um mês, o que chamam de “plano B”.

“Quem manda, dá ordens” diz o povo e já se percebeu que não com intenção, de que com tais ordenamentos, sejam resolvidos os problemas do país e de quem nele vive, mas para o vergar e o colocar a “saque” obrigando-o a vender, a retalho, o seu património.

E que fez o governo? Em vez de forçar os “saqueadores” a sentarem-se à mesa para que expliquem, com clareza e evidência, as suas exigências e a fundamentação das mesmas foi lesto em prosseguir no mesmo caminhar acelerando o passo e agravando a dose da mesma receita já, comprovadamente, demonstrada perniciosa aos males que apregoam querer curar.

A este governo já não lhe basta ser um bom aluno, faz jus em ser um aluno exemplar, pretende ficar na história do ultraliberalismo como o melhor aluno de sempre, ser lembrado como o aluno que ultrapassou, sempre pela direita, os mestres mais ortodoxos da especulação financeira, os agiotas dos juros usurários, os coveiros do empobrecimento do país e do aumento dos excluídos sociais, os assassinos da esperança e do apagamento do futuro da juventude que são obrigados a fugir da terra que os viu nascer.

2

 As preposições de alguns acólitos do actual governo são hipócritas dado que são feitas tardiamente e não para salvar o país e o povo mas, tão-somente, para acautelar, a prazo, os seus ameaçados interesses.

Miguel Cadilhe não esclareceu o que pretende ou significa a sua “renegociação honrada”.

De igual modo, é muito estranha e mal explicada, para não dizer de nenhumas garantias, a proposta de “eleições em Maio de 2013” feita por Fernando Wulrich que elas levariam a um desiderato diferente sendo os mesmos actores na cena eleitoral.

Por outro lado alguém acha que a “honesta” proposta, desse “honrado” reformado, de um governo de bloco central (PS/PSD) pretenderia conseguir que, todos os pensionistas deste Portugal maravilhoso, passassem a receber, como ele, a modesta reforma mensal de 150.000,€? O que pretenderá Jardim Gonçalves?

Migue Júdice afirmou que “o Estado é uma empresa falida e, como tal, deve despedir os funcionários que tem em excesso para se tornar sustentável” tendo acrescentado que para tal é preciso “uma revisão constitucional que facilite os despedimentos…”.

Vejam bem que o homem não pede uma revisão da constituição que vise um maior rigor e mais eficaz controlo nos gastos nem foi capaz de afirmar (a não ser que o tenha feito metaforicamente quando se referiu ao corte das árvores, o que não acredito, de todo) que, também, foram e continuam a ser as adjudicações feitas a escritórios de advogados como o seu que contribuíram passa essa falência.

3

 O Rato espanhol, ex-ministro de Aznar e ex-director-geral do FMI, que esteve envolvido no processo de nacionalização do Bankia, vai ser ouvido em audiência de julgamento, por um juiz de Audiência Nacional espanhola.

Rodrigo Rato e mais 33 implicados estão acusados por delitos de burla, apropriação indevida, falsificação de contas e outros crimes considerados lesivos dos interesses do Estado e do povo espanhol.

O Movimento 15M e o partido União e Progresso Democrático apresentaram queixa, na Audiência Nacional que lhe deu provimento, sem qualquer embargo.

Como se pode ver, até parece o caso português do BPN/SLN, não acham?



Publicado por DC às 08:22 de 12.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

AS ESCATOLOGIAS DO AMORIM

O escatologista Carlos Amorim, emérito deputado do PSD afirmou, no púlpito da Assembleia da República, que a sua geração deveria “olhar a história de olhos nos olhos”.

Creio que se referia à história recente visto que a mais longínqua, salvo a inscrita em certos períodos do século XX, não se coaduna com escatologias.

A percepção escatológica de Carlos Amorim terá mais a ver e melhor adequação com história do Orçamento de Estado para 2013 e com o comportamento do actual governo.

Este governo tem-se mostrado tão escatológico que, embora não reconhecendo factualmente as sua incompetências e cobardias, se vê obrigado a aceitar as imposições que, mais uma vez, os senhores do FMI lhe irão ditar.

A chamada “refundação” do memorando assinado com a troika não é outra coisa que não seja gato escondido com rabo de fora e que significa empurrar a classe media e a maioria do povo português para o limbo da exclusão económica e social e para tanto socorre-se de estrangeiros.

As reformas estruturais a que, o “mentiroso do reino” lhe chama eufemisticamente “refundação”, se propõe fazer o actual governo, na sua concepção ideológica, consubstanciam-se em entregar, à gestão de privados, áreas de actividade da competência do Estado.

Quem enche a boca contra o que diz ser crime as Parcerias Publico Privadas, as famigeradas PPP, pretende no dito processo de reestruturação do Estado entregar tudo e mais alguma coisa a lóbbys especuladores.

Ainda há quem duvide que Portugal se não tornou numa colónia de inconfessados interesses estrangeiros, isso sim uma enorme escatologia



Publicado por Zurc às 21:23 de 04.11.12 | link do post | comentar |

Ministério Publico virou galinheiro?

Que Portugal era conhecido como um “jardim à beira mar plantado” já todos sabíamos, agora que neste país viesse, o MP, a ser considerado como uma guerra de pintos, tipo galinheiro é que ninguém esperaria.

Vejam bem se as conversas não derivam dos acontecimentos e que, umas e outros, são como as cerejas – pega-se numa e vêm uma catrefa delas agarradas!

O ex-procurador do Porto, Pinto Nogueira veio dizer que o PGR, Pinto Monteiro atrapalhou o processo judicial respeitante ao caso Freport.

Como toda a gente sabe o Freeport é considerado o maior Outlet da Europa e fica situado em Alcochete, para ser construído ali, que segundo a lei na altura em vigor não o poderia ser, foi necessário demover certas montanhas.

Ora dá-se o caso de, à época, ser o Ministro do Ambiente um outo Pinto, Engenheiro experiente de obras feitas ali para os lados da Guarda, município bastante dado a favorecimentos e acomodações, a pessoa certa que, segundo dizem, a troco de certos envelopes conseguiria demover terras bravias e outros empecilhos legais, para que obra, tão digna e lucrativa, se pudesse materializar.

Nesta terra, de gente ingovernável, há sempre alguém que diz não e eis que o assunto salta para os tablóides e cai em cima do MP, pinto para cá pinto para lá e, cá fica instalada a guerra no galinheiro.

Como é que querem ver algum corrupto alguma vez, seriamente, julgado e condenado a devolver o que tenha ilicitamente recebido?

Como é que querem ver algum dia a investigação e os tribunais funcionar adequada e justamente?

Como é que querem ver algum dia este país ser governado com moral e ética republicana?

Não há secretas (muito menos as actuais) que nos valham nem ministro Relvas (traficante de influencias) que nos salve, enquanto o povo permitir a existência de partidos políticos como os actualmente existentes.



Publicado por Zé Pessoa às 14:27 de 08.06.12 | link do post | comentar |

Governos e ministros

Nem sempre o numero um de um governo é o seu primeiro-ministro ou dito de outra maneira, nem sempre o primeiro-ministro é o número um do governo.

No caso do actual governo de Portugal, se duvidas houvessem, não restariam mais, visto que, conforme o caso da balbúrdia em torno dos chamados serviços secretos ou serviços de informação do Estado, supostamente, criados para garantir a defesa do país e segurança dos cidadãos, fica claro que o número dois é, efectivamente, o nº1.

Assim, o primeiro-ministro é, de facto, o ministro M Relvas. Este reforçou o seu já maior peso no PSD e no governo, é ele quem manda, sabe-se lá mais em quê e em quem!

Dizem que o pensamento é livre e, por enquanto, ainda não paga impostos. Pois, será livre mas nem sempre isento de perversidades nem ausente de contaminações impostas sorrateiramente por matraquilhagens ideológicas de fazedores de opinião, empobrecendo e reduzindo o livre pensar, além de criarem condições à diminuição dos salários daqueles que já, quase, miseravelmente retribuídos nos seus assalariados esforços.

Parabéns a Passos Coelho e a António Borges, será que falavam deles próprios?

Por este andar (falta de moral e ética no exercício de cargos públicos, corrupção nas policias de investigação e incapacidade dos tribunais em julgar) não tardará muito tempo para que este país, que foi capaz de dar mundos ao mundo, se torne o cu da Europa. E nós, a população, aceitaremos isso assim tão pacificamente?



Publicado por DC às 17:44 de 03.06.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O PS e o Primado do Direito

Já vem de longe e era suposto que em democracia assim não fosse, depois de vários governos, tanto em coligação como de exclusiva responsabilidade de partido único (no caso Partido Socialista e Partido Social Democrata) acontecer a subversão da ordem das coisas.

No caso, o primado do direito cedeu a sua soberania ao poder dos governantes, invertendo, por isso, o lugar próprio e a ordem natural das coisas, mesmo em governos socialistas.

O poder do governante deixou de derivar do primado do direito, passando este a submeter-se ao primado do governante, que amiúdo se posiciona acima da lei e adiante dos agentes da justiça e dos tribunais.

Tal desiderato é conseguido através da tecelagem de ardilosas teias tecidas por linhas de interesses obscuros e nada transparentes de certos senhores engajados nos diferentes partidos (sobretudo da orbita do poder) que, a espaços, se vão revezando no topo, sem colocar, todavia, em causa os dividendos, que partilham.

Os “empregos” públicos conseguidos por via de eleições ou, em consequência disso, em nomeações, estrategicamente, tecidas de tal forma que o pano daí resultante constitua uma manta com tal força telúrica que nem Juízes, Provedor de justiça, Ministério Publico, ou tribunais conseguem resistir muito menos fazer inverter.

Casos como o Freeport, BPN/SLN, Portucal, Submarinos, Ongoing e tantos outros que se torna impossível enumerá-los a todos ou seria deveras fastidioso, são bastante ilustrativos da inversa do primado da soberania do direito face à soberania (temporária) de quem exerce cargos ou empregos públicos.

Perante tais factos e o desiderato de tal inversão não é possível, honestamente, (só por demagogia gratuita) se pode dizer que uma qualquer sociedade viva num Estado de Direito nem tão pouco se salvaguardam os direitos do Estado, a boa e rigorosa gestão da coisa pública, o respeito pela rés-publica.

Se o PS, o seu líder e outros altos responsáveis socialistas quiserem, efectivamente e sem equívocos, ser alternativa a esta desgraçada governação neoliberal têm de dar mostras de que são capazes de fazer diferente, não só dos actuais governantes como do que o próprio Partido Socialista andou a fazer nos últimos anos dos seus governos, começando por se demarcar de certos interesses esquemáticos envolventes de alguns dos seus militantes e dirigentes concelhios, federativos e nacionais. A esmagadora maioria dos militantes e eleitores dificilmente voltarão a dar o seu voto ao PS enquanto não vislumbrarem, sem equivocos, que ele é merecido.

Olhem, comecem por alterar a legislação sobre a prescrição de certos processos-crime bem como sobre as imunidades.



Publicado por Zé Pessoa às 19:19 de 16.05.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

François Hollande, e os raios

François Hollande, novo presidente francês, por mais pragas que a senhora Merkel lhe rogue não há raio que o parta. O avião não caiu ainda que tenha obrigado a dama a esperar duas horas para receber o novo interlocotor.

É assim mesmo, alguém tem de fazer frente e colocar no devido lugar aquela dama de ferro à alemã.



Publicado por Zurc às 22:05 de 15.05.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Portugal: somos dos maiores

É do domínio público que o Automóvel clube de Portugal (ACP), por intermédio do seu presidente, Carlos Barbosa (vá-se lá saber movido por que ímpetos?) apresentou queixa no DIAP e quer que se investiguem as actividades de ministros de anteriores governos ligados a lóbis das SCUTS. Acho que sim, investigue-se e puna-se, se houver que punir!

Foi, também, por estes dias divulgado o 1º relatório emitido pelo Sistema Nacional de Integridade (SNI) sobre o “fenómeno” da corrupção, onde se constata, entre muitas outras constatações aí registadas, um número significativo de condenações em processos-crime de corrupção (501 em 841 arguidos) por ilícitos praticados por funcionários públicos. Os grandes tubarões da corrupção continuam a coberto por um manto de silêncio e de tais sancionamentos. Acho mal, muito mal, só serem punidos os fraquitos. Deve ser porque estes não financiaram os partidos e seus acólitos!

Não admira, assim, que Portugal tenha melhorado o seu ranking na classificação internacional dos países mais corruptos subindo cerca de uma dúzia de lugares na respectiva tabela classificativa.

Somos dos maiores, no futebol e na corrupção!

Desculpem, esquecia-me do fado, de Fátima e Pingo Doce.



Publicado por DC às 15:20 de 06.05.12 | link do post | comentar |

Vacas sagradas

É por estas e por muitas outras, iguais ou idênticas, é que o país está na penúria e o Estado não tem dinheiro para as necessidades mais elementares e nos saca os subsídios e o dinheiro das nossas reformas, o que fomos acumulando ao longo de uma extensa vida activa.

Só presidentes já são, daqui a pouco, quatro (Eanes, Soares, Sampaio e cavaco, seriam mais dois se Spínola e Costa Gomes não tivessem já falecido) com principescas mordomias. Primeiros-ministros são tantos que se tornaria fastidioso enumera-los a todos que de um modo ou de outro estão isentos até de responder em tribunal presencialmente. Enfim, cidadãos especiais e não interpares.

Ainda agora, um desses presidentes, apanhado e multado por circular em excesso de velocidade no carro pago por todos nos (os que pagamos impostos), terá respondido, num misto meio arrogante meio sem-vergonha que “o Estado é que vai pagar!”. Ele há coiiiiiiiiiiiisas!!!!!!!!

Eles a dar-lhe e os nossos mais elementares direitos a fugirem. É a vida!



Publicado por Zurc às 14:23 de 07.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A Ameixoeira mais parece uma aldeia de província

 

Palavras para que, são artistas portugueses que promovem o urbanismo e o ordenamento do território. Por isso ele anda tão desordenado e entregue a “patos bravos”.

Mesmo nas barbas da junta de freguesia que não dista mais de 100 metros acontece esta barbaridade urbanística que as fotos ilustram o passeio que já era demasiadamente estreito vai ficar ainda mais apertado ao invés do que seria de bom senso acontecer.

Vejam bem onde está a armação de ferro o que dará lugar, não tarda nada a uma parede e a largura do passeio.

Ainda há quem duvide do poder do dinheiro e das influências. Palavras para que, uma foto vale por mil palavras, mas não alargam passeios, infelizmente!

A corrupção não é só dar ou receber luvas, o trafico de influencias também o é.



Publicado por Zurc às 19:53 de 13.03.12 | link do post | comentar |

Continuar nos paradoxos viciosos ?!

    Paradoxos da depressão  ("cuidado, é um círculo vicioso ! ")

    Segundo a UTAO [Unidade Técnica de Apoio Orçamental], a execução orçamental de Janeiro mostra uma queda de 2,3% na receita fiscal da administração central e segurança social. No Orçamento do Estado (OE) de 2012, o Governo prevê um crescimento anual de 3,8%. Esta desaceleração das receitas fiscais, que já se tinha verificado na fase final de 2011, decorre sobretudo do abrandamento do consumo provocado pela austeridade (…) A isso junta-se outro risco: a recessão está a fazer aumentar a taxa de desemprego, o que tem impacto nas contas da Segurança Social (SS).  ( Ana Rita Faria, Público)
     O défice é uma variável endógena, dependente do andamento da economia, e daí este paradoxo da austeridade. É apenas um dos paradoxos da economia da depressão. O que parece racional para cada agente, público ou privado, individualmente considerado – poupar mais devido à incerteza face ao futuro – gera um resultado global de compressão da procura, do rendimento e no final da própria poupança. É o famoso paradoxo da poupança.

    Juntem-lhe mais um paradoxo, o salarial: tratar os salários como um custo a conter a todo o custo pode parecer racional para tentar incrementar a procura externa à custa dos vizinhos, mas como todos os países estão na mesma senda, temos a procura externa deprimida em cima de uma procura interna que colapsa e lá se vai o único e sempre insuficiente motor. As reformas ditas estruturais, o tal aumento da liberdade dos patrões a que se chama flexibilidade, pura ideologia, só aumentam os encadeamentos perversos neste e noutros campos.

    E chegamos ao paradoxo fatal da dívida: quanto mais os devedores se esforçam por pagar, vendendo tudo a preço de saldo, mais eles devem
    Perceber os paradoxos da depressão exige sair do mundo mágico dos equilíbrios de mercado onde vive Vítor Gaspar e entrar no mundo real da causalidade cumulativa, no contexto do círculo vicioso da depressão em que estamos trancados, e que o bom jornalismo de economia vai revelando.
    A realidade tem tal força que os editoriais do Público, embora com rodriguinhos, já vão dizendo a “verdade singela” sobre as políticas do governo: “Ao fim de quase um ano de troika o país está pior do que o previsto e, mais grave ainda, não se vislumbram ao fundo do túnel nem expectativas de crescimento, nem sequer o regresso aos mercados financeiros. Quando se faz bem uma coisa má, não se está a fazer bem.”


Publicado por Xa2 às 19:05 de 02.03.12 | link do post | comentar |

Adivinha

É um jogador de palavras,

Não lê jornais.

Raramente se engana,

Nunca tem duvidas,

Diz que defende o mar mas,

Incentivou o abate de navios,

Jogou no BPN mas,

Nunca soube o preço de uma ação,

Está há muitos anos na politica mas,

Diz que não é, nem nunca foi politico,

Diz que não conhece nem teve amigos na gestão do BPN,

Diz-se preocupado com as injustiças sociais,

Dá cobertura aos rapinadores financeiros e económicos,

Diz que fala sempre a verdade e nunca mente,

Há quem o considere o facebook-Men,

Há cerca de seis anos mudou-se ali para os lados do seu elefante branco, o CCB

Alguém adivinha de quem se fala?

Só mais uma achega: dizem que recebe frequentes conselhos da sua Maria.



Publicado por Zurc às 09:39 de 03.01.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Crise provocada com intenções usurpadoras. Eu não sou adivinho!

Eu não sou adivinho como parece ter sido o juiz que ilibou das acusações elencadas pelo Banco de Portugal a alguns dos presumíveis responsáveis pelos desvios nos BPN. Vejam lá que o dinheiro desaparece, nos pagamos e ninguém foi ou vai dentro. Isto é o máximo do expoente solidário em que os pobres, os excluídos, os sem abrigo, ajudam à faustosa vivencia de certas pessoas.

Ângela Merkel que havia dito, na semana passada, "não há milagres" na cimeira de domingo para a resolução da crise demonstrou que os seus interesses são outros que não seja a valorização dos mercados e o crescimento da economia.

Tudo indicia que esta gente está mais interessada nas quebras generalizadas nas bolsas europeias com o EuroStoxx 50 a cair 1,68% e o Bloomberg European 500 a descer 1,05%. Em Wall Street o balde de água frio germânico foi ainda mais pernicioso - com os principais índices a serem atacados pelo "urso": o índice Dow Jones quebrou 2,13%, o S&P 500 caiu 1,94% e o Nasdaq  teve uma queda de 1,98%. O saldo diário final das palavras alemãs foi uma quebra bolsista mundial de 1%. A nível do sector financeiro, a quebra de capitalização nas bolsas mundiais foi superior, de 1,2%.

Eu não sou adivinho mas lendo as declarações proferidas por certos alemães como sejam Wolfgang Schauble que falando de "irrealismo" na resolução da crise em oito dias, fez baixar drasticamente as expectativas sobre a cimeira de domingo quase a matando, mais parece estarem a fazer o jeito a certos empresários e especuladores para adquiram as empresas públicas gregas, portuguesas, espanholas e italianas e pelo menos uma ou duas ilhas dispersas, no Atlântico “ao preço da uva mijona”. 

Depois disso iremos constatar e retoma bolsista e a valorização da economia para que o capitalismo especulativo retome a sua marcha, a menos que, entretanto, os indignados se indignem, efectivamente, e as populações do planeta assumam nas suas mãos outras soluções e novos rumos para a economia mundial e fluxos financeiros.



Publicado por DC às 13:04 de 18.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

filosofias SocrÁticas, invejas e governanças

Já conhecíamos da existência de um o antigo, o Sócrates da Grécia, mais precisamente da Atenas, cidade-estado, ou seja o maior centro cultural da Grécia antiga. Sócrates não valorizava os prazeres dos sentidos, todavia escalava o belo entre as maiores virtudes, junto ao bom e ao justo. Era isso que postulava junto de seus discípulos e concidadãos dedicando-se ao parto das ideias (Maiêutica) com os citadinos Atenienses.

Esse Sócrates (Sōkrátēs; 469399 a.C.), só conhecido por divulgação e perpetuação através dos diálogos de Platão seu maior discípulo é um homem piedoso que foi executado por impiedade.

O Socrates dos nossos tempos, entre muitas dúvidas existenciais que possa arrastar consigo a de piedoso não é, com certeza. Uma dessas dúvidas, mais recentes, é a de se saber se o homem vai para Paris, mesmo estudar filosofia ou desenvolver espionagem económica a favor de quem lhe garanta sustento e fortuna, outra é a de saber, no caso de só ir estudar, de que rendimentos viverá o homem?

Entre o rumar a Paris, em busca do sentido filosófico ou de forma existencial de vida na busca de um sossego profissional que um curso de engenharia, presumivelmente, tirado em fins de semana, parece lhe não garantir ou ficar por cá, sujeito às pedradas e a outros arrufos mais ou menos (i)merecidos, a escolha não era difícil de fazer.

Há quem diga à boca, mais ou menos, pequena que segue as pegadas do seu conselheiro-sombra e secretário de Estado-Adjunto nos últimos dois anos, José de Almeida Ribeiro, pertence aos quadros do Serviço de Informações Secretas, (SIS) de onde foi requisitado nas várias vezes em que se deixou tentar pela política.

Essas más-línguas alcovitam da hipótese (mais que provável) do ex-secretario de Carrilho e do próprio José Sócrates, ele sim, Licenciado em Filosofia e considerado um dos melhores do seu curso, ainda venha a aterrar em Paris como mestre de José Sócrates e seu orientador de tese. As relações à prova de bala são (quase) indestrutíveis, mesmo em certos meandros da politica, mais a mais, quando à mistura com, eventuais, interesses económicos.

Gente mal intencionada e com veneno na ponta da língua é o que é. Invejas!



Publicado por DC às 12:35 de 06.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Presos em Luanda

A “democracia” do Petróleo, dos diamantes e dos... reina em Luanda.

Segundo vários órgãos de informação o “fenómeno democratico” do regime angolano repete-se com alguma Frequência.

Segundo o jornal “Público” o Bloco Democrático, onde militam professores universitários e advogados, alertou para a “gravidade da situação que se vive” e denunciou a “arbitrariedade da Polícia Nacional, sob ordens do Executivo”.

Foi também divulgado que o partido, liderado por Justino Pinto de Andrade, quantificava ontem de manhã as detenções em cerca 50, entre as quais as de três organizadores da manifestação — Carbono Casimiro, Mizinge e Sábio — e de uma militante sua, Ermelinda Freitas. Dois manifestantes foram “barbaramente agredidos” e tiveram de receber assistência hospitalar, denunciou também.

O mesmo partido qualificou as detenções como “prisões políticas”, contestou a falta de acesso aos detidos e apelou a uma mobilização que leve à sua libertação. A manifestação de sábado, promovida pelo Grupo de Jovens Revolucionários, que junta poetas e cantores de rap, foi autorizada.

“Este comportamento não é novo. Já se tem dado várias vezes, a nível de falta de protecção aos cidadãos que querem manifestar ideias e opiniões contrárias às políticas ou ao Presidente. No Presidente ninguém toca”, disse António Ventura.

E nos interesses económicos que a família Santos e dos seus próximos que se confundem com os do Estado (em beneficio daqueles), pergunta-se em muito lugar e por muitos famintos dessa rica Angola?

Pelos vistos, tanto a concentração de poderes, como a usurpação de riquezas e a falta de democracia é algo urge corrigir por esse mundo fora e em todos os continentes. As guerras das armas nunca foram resposta à resolução dos problemas sociais e económicos dos povos urge que se desenvolvam outras guerras de correcção das injustiças.



Publicado por Zurc às 09:43 de 05.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A Sr.ª Merkel é uma deles?

As suas mais recentes atitudes indiciam isso.

Afinal pouca coisa mudou nos comportamentos de certas pessoas que, hodiernamente, governam certos países e pretendem impor-se a certas regiões e ao mundo.

A filósofa russo-americana Ayn Rand (Judia, fugitiva da revolução Bolchevique,   que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920), mostrando uma visão com conhecimento de causa, proferiu a seguinte afirmação:

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens,  mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência,  mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar,  que sua sociedade está condenada”.

A Srª Angela Merkel, nascida na cidade de Templin, em 1954, filha de um pastor luterano, viveu na Alemanha Oriental até à queda do Muro de Berlim em 1989.

Depois de ter sido convidada para ministra, para os assuntos da Mulher e da Juventude, logo após a reunificação das duas alemanhas, em 1990, por Helmut Kohl, por ele mesmo haveria de ser apadrinhada para a entrada na CDU. É agora o mesmo Helmut Kohl que parece estar arrependido daquele apadrinhamento e lhe tece duras e publicas criticas à forma como conduz a politica alemã e como trata o projecto Europeu.

Esta senhora, que a revista forbes considerou, em 2009, a mulher mais poderosa do mundo, não se preocupa, minimamente, que a Grécia já tenha de suportar uma taxa de juro de 41%, como se algum país ou sociedade pudesse, algum dia, sobreviver e honrar os seus compromissos, com tais imposições.

Contudo, esta magnânime senhora tem solução para o caso, sugere que, depois de esgotadas todas as empresas e áreas de actividade geridas pelos Estado, os gregos abram mão de umas tantas ilhas que, certamente, alguns bancos e outros credores alemães sempre estariam dispostos a adquirir.

No caso português depois dos BPN`s, EDP`s, GALP`s, PT`s, CGD`s, ÁGUAS, Rede Eléctrica, Hospitais, Prisões, Transportes e tudo o mais que haja de alienável sempre poderemos hipotecar as Berlengas, as Desertas e a ilha de Faro onde farão um aeroporto internacional de entrada e saída para gestores e quadros de primeira linha. Nós, por cá, a geração do futuro, seremos a carne para canhão ou seja a geração 500.



Publicado por Zé Pessoa às 09:56 de 25.08.11 | link do post | comentar |

Strauss-Kahn: Quem se põe a jeito facilita o embuste

Segundo veiculado pela agência lusa o Ministério Público de Nova Iorque duvida da credibilidade da empregada de hotel pelo simples facto de ter detectado "grandes contradições" nos seus testemunhos, que alega ter sido agredida sexualmente pelo ex-director geral do Fundo Monetário Internacional, o que poderá colocar em causa a acusação de Strauss-Kahn.

 Ministério Público duvida da credibilidade da empregada

O jornal The New York Times, que cita fontes não identificadas ligadas ao processo, avança que o gabinete do Procurador de Nova Iorque está a duvidar da versão dos incidentes apresentada pela empregada de hotel desde que fez queixa contra o responsável a 14 de Maio, apesar de as provas forenses indicarem "evidências claras" de um encontro sexual com Dominique Strauss-Kahn.

A nosso ver e apesar de serem, internacionalmente, reconhecidas, tendências sexuais, supostamente incontroláveis, a Strauss-Kahn, muito provavelmente é que as verdadeiras razões deste escândalo terão sido outras e o homem acabou foi por ter cedido à cilada que lhe foi estendinda, tendo em conta as suas fragilidades de sexualidade.

Muito certamente, ao conjunto de “forças ocultas” que hoje em dia gerem o tráfico de negocios obscuros e de circulação financeira, marginalmente especulativa de esvaziamento e destruição de certas economias nacionais, não lhe interessaria que alguém, profundamente conhecedor do sistema, ascendesse ao poder de um estado com o potencial de França e pela porta da esquerda o que poderia representar um perigo de inversão da ordem, ultraliberal, actualmente reinante na Europa e no mundo.

Tais forças terão concluído que o melhor e o mais seguro seria cortar o mal pela raiz e não correr quaisquer riscos. Daí que tais forças, que manobram, na sombra de certas cavernas e na escuridão do oculto especulativo financeiro e de fugas de capitais, muito secretamente negociadas em escritórios de advogados altamente credenciados e de nomes intocáveis pela própria lei e poderes legalmente instituídos mas materialmente anulados, tenham concluído pela eliminação politica. Fisicamente a figura ainda poderá, em certas circunstancia, vir a ser útil, há que conserva-la como exemplo de poder anulado.

Vamos ver as surpresas dos ratos que a montanha irá parir.



Publicado por Zé Pessoa às 15:36 de 01.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (22) |

desaparecido da campanha PSD

Há quem afirme que o homem se refugiou no Brasil, esse país irmão e acolhedor...

 

Ministério do Ambiente enviou à PGR denúncia contra empresa ligada a Catroga

25.05.2011
José António Cerejo

A Agência Portuguesa de Ambiente (APA) remeteu à Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território e à Procuradoria-Geral da República, no passado dia 2 de Maio, uma denúncia anónima, na qual são apontadas graves ilegalidades à gestão da Sisav - uma empresa que se dedica ao tratamento de resíduos industriais perigosos e que tinha como accionistas a Egeo, presidida por Júlio Castro Caldas, e a Sapec, presidida por Eduardo Catroga.

O documento, que a direcção da APA diz ter recebido a 19 de Abril, sustenta que a Sisav declarou em 2009 uma facturação inferior à realidade em cerca de dois milhões de euros, o que terá levado ao apuramento de um prejuízo de cerca de 800 mil euros. Este alegado "desvio de facturação" terá permitido que a empresa não pagasse o Imposto sobre o Rendimento Colectivo correspondente aos seus resultados efectivos, servindo também para reduzir em cerca de dez mil euros o valor da taxa anual de 0,5 por cento da facturação constituída, por lei, a favor da APA. 

A denúncia - a que a APA, que é a autoridade nacional dos resíduos, atribuiu credibilidade suficiente para enviá-la à Inspecção do Ambiente e ao Ministério Público - aponta também para o recurso à subfacturação como forma de reforçar a ideia de crise no sector dos resíduos perigosos, provocada pela falta de matéria-prima. Com efeito, a diferença entre o volume de negócios previsto no modelo financeiro que serviu de base ao licenciamento da empresa (12,8 milhões de euros em 2009) e o constante das suas contas (9,7 milhões no mesmo ano) foi um dos principais argumentos utilizados no pedido de prorrogação da validade da sua licença, de dez para 15 anos, apresentado à APA em 14 de Março.

A Sisav é uma das duas empresas a quem o Ministério do Ambiente atribuiu em 2006, na sequência de um concurso público, a licença para construir e explorar um dos dois centros integrados de recuperação, valorização e eliminação de resíduos perigosos (CIRVER) em actividade no concelho da Chamusca desde 2008. O capital da empresa estava distribuído até há poucas semanas pelo grupo Egeo (liderado por Manuel Serzedelo, um ex-administrador do Grupo Espírito Santo, e com cerca de 57 por cento das acções) e pela Sapec (presidida por Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, e com uma participação de 34 por cento).

A Sapec vendeu entretanto a sua parte à Egeo, numa operação que foi formalizada a 2 de Maio - precisamente o dia em que a APA fez seguir a denúncia recebida - e que pôs termo às graves divergências que desde o Outono passado opunham os dois accionistas da Sisav.

Guerra de accionistas

De acordo com documentos internos de ambas as sociedades, a que o PÚBLICO teve acesso, a Sapec, que partilhava as responsabilidades da gestão da Sisav com a Egeo, considerava, tal como os autores da denúncia anónima, que havia importantes desvios de facturação nas contas da empresa. Em correspondência trocada entre as partes em Outubro de 2010, a Sapec exige a realização de uma auditoria independente e alega que a subfacturação referente apenas a 2009, com benefício para outras empresas do grupo Egeo, atinge perto de 2,2 milhões de euros. 

Quanto às quantidades de resíduos entradas no CIRVER da Sisav e não facturadas, a administração da Sapec apontava para cerca de 2900 toneladas em 2008 (a exploração foi iniciada em Junho desse ano, depois de um investimento próximo dos 30 milhões de euros), 14.600 toneladas em 2009 e 11.500 em parte de 2010. As quantidades declaradas nos relatórios oficiais da Sisav para 2009 são 105.814 toneladas facturadas.

Na altura em que o litígio entre os dois accionistas atingiu o auge, em Outubro do ano passado, dizia-se nos meios ligados à indústria dos resíduos que a Sapec se estava a preparar para adquirir a participação maioritária da Egeo. O que sucedeu, porém, foi que as partes chegaram a acordo no sentido de não ser feita qualquer auditoria à empresa e de ser a Egeo a comprar as acções da Sapec. 

O negócio foi formalizado no dia 2 deste mês, tendo tido parte activa no mesmo o advogado Júlio Castro Caldas (actualmente membro do Conselho Superior do Ministério Público e antigo ministro da Defesa de António Guterres), que preside à administração da Sisav desde Dezembro, altura em que substituiu Manuel Serzedelo, da Egeo.

 

foi-me enviada poe e-mail



Publicado por Zé Pessoa às 12:58 de 30.05.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

É como certos políticos, não reconhecem as evidências

João e Maria estavam internados num hospital psiquiátrico.

Um dia, durante o seu passeio habitual, o João saltou para dentro da piscina e afundou-se de imediato.

Maria saltou rapidamente para a piscina e conseguiu salva-lo.

Quando o director teve conhecimento do acto heróico da Maria, deu imediatamente ordem para que esta fosse dada como curada.

Mandou chama-la e comunicou-lhe:

-Tenho boas e más notícias a comunicar-te: As boas são que vamos dar-te alta, visto teres demonstrado possuir capacidade racional para ultrapassares uma situação de crise, e salvares a vida de um doente. O teu acto mostra que estás recuperada! As más notícias são de que o João, depois de o teres salvo, enforcou-se na casa de banho com o cinto do roupão. Lamentamos imenso, mas está morto.

E a Maria respondeu:

-Ele não se suicidou, eu é que o pendurei a secar!



Publicado por Zurc às 10:48 de 30.05.11 | link do post | comentar |

Salteadores e afins, até 2013, pelo menos

Agora são as pensões e há quem diga que a seguir serão os subsídios de ferias e de natal

As afirmações do primeiro-ministro e do Ministro da finanças foram, a propósito dos cortes salariais, que não poderia legislar de forma universal e de aplicabilidade das mesmas medidas ao sector privado, algo muito discutível segundo os princípios da universalidade da aplicação da leis e da igualdade constitucionalmente consagrada.

Em vez do emagrecimento do aparelho do Estado e das mordomias a deputados e outros beneficiários da “vaca” orçamental parece mais facil extorquir do bolso dos contribuintes as migalhas com que se alimentam.

Agora veio o ministro das Finanças afirmar que vai ser exigida uma "contribuição especial" sobre as pensões acima dos 1500 euros, a partir  de 2012, será aplicada numa lógica semelhante à dos cortes salariais e, também, aos beneficiários do regime geral da segurança social (sector privado), que se manterá enquanto for necessário.     

Teixeira dos Santos recusou-se a estabelecer um prazo limite para a cessação desta "contribuição especial", indicando apenas que se manterá "enquanto for necessário para assegurar o cumprimento" das metas orçamentais.

O ministro das Finanças disse ainda que a dedução específica dos pensionistas no IRS será alterada, equiparando-se à que está prevista para os trabalhadores por conta de outrem.

O Governo de José Sócrates também está a estudar mexidas no subsídio de desemprego, mas Teixeira dos Santos não especificou o que irá mudar. Que mais nos irão sacar?



Publicado por Otsirave às 12:44 de 11.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Enriquecimento ilícito: Petição Correio da Manhã

"O titular de cargo político ou equiparado que, durante o período de exercício das suas funções ou nos três anos seguintes à respectiva cessação, adquirir, por si ou por interposta pessoa, quaisquer bens cujo valor esteja em manifesta desproporção com o seu rendimento declarado para efeitos de liquidação do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares e com os bens e seu rendimento constantes da declaração, aditamentos e renovações, apresentados no Tribunal Constitucional, nos termos e prazos legalmente estabelecidos, é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos. O agente político ou equiparado não será punido se for feita prova da proveniência lícita do meio de aquisição dos bens e de que a omissão da sua comunicação ao Tribunal Constitucional se deveu a negligência."

Leia e assine aqui a petição do Correio da Manhã.



Publicado por [FV] às 10:18 de 24.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

IMUNIDADE PORQUÊ ? . . . PARA QUÊ ? . . .



Publicado por [FV] às 10:17 de 24.01.11 | link do post | comentar |

Postais (V)

Brancura e promessas inscritas num cubo de gelo

Mais branco só a “Carta da Saúde” de A. Costa, que prometia, em tempo pré-eleitoral, sete novos Centros de Saúde em Lisboa, alem da remodelação de 18 existentes. Na zona do Lumiar, Ameixoeira e Charneca eram previstos duas unidades, uma no Montinho de São Gonçalo e outra no Vale da Ameixoeira.

Será que certos senhores que "gravitam" pelas Assembleias, das respectivas freguesias, ainda se lembram dos papeis que andaram a assinar sobre estas e outras promessas?



Publicado por Zé Pessoa às 10:10 de 06.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

DD de Dois Dedos de conversa

Em muitas situações, a deriva dogmática alimenta-se, paradoxalmente do que, à primeira vista, poderia parecer o seu antídoto mais eficaz: a razão.

 

O título do presente artigo bem poderia servir como uma apressada definição de dogmático. Definição que destaca, de entre os diferentes traços que convergem na figura, o de que o dogmático nunca se reconhece a si mesmo como tal. Talvez porque (interessadamente?) tende a confundir dogmatismo com fanatismo, que é a atitude característica de quem se liga às suas ideias ou princípios com tanta veemência como falta de espírito crítico, e isso faz sentir-se ao dogmático como imune a essa imputação.

O que caracteriza o dogmático não é tanto o facto de que não está disposto a debater, como a forma em que planeia o debate. Repare que digo “forma” porque no fundo, em certo sentido, poderíamos considerar que está claro: o dogmático entende que o conjunto das suas opiniões não admite contradição nem controvérsia (de facto é assim que surge definido no dicionário da Língua portuguesa da Porto Editora:” diz-se da pessoa que não admite contradição; peremptório nas suas opiniões). Sem dúvida, ao contrário do fanático, não aceita que a sua inflexibilidade seja devida a nenhuma abdicação da sua capacidade reflexiva, nem crê que a ausência de toda a dúvida deva atribuir-se á adesão a dogma algum, mas apenas que, ao contrário, tende a interpretar a própria firmeza como prova inequívoca da solidez das teses que defende.

Em que se reconhece então o dogmático? Desde logo em que, visto que não pode enclausurar as discussões com nenhum recurso do tipo: “Até aqui podíamos chegar!” “mas você, por quem me tomou?”, “nesse caso, terminamos!” (ou outras modalidades de morte súbita do debate com as quais os fanáticos de qualquer sinal obstruem a possibilidade de que sejam colocadas em questão as suas mais profundas convicções) acostumaram-se a recorrer a um tipo de estratégia, em aparência mais respeitosas com as regras do jogo da livre discussão, mas orientado a um único fim, a saber: o de desactivar as críticas.

Em alguma ocasião propus descrever o dogmático como aquele tipo que, a qualquer objecção que se coloque, responde sempre e sem qualquer vacilação “mais a meu favor”. Pretendo assinalar com esta descrição que, ainda que o próprio dogmático esteja acostumado a ignorá-lo, este procedimento em última análise poderia ser alvo de críticas dele mesmo. Popper, quem em reiteradas ocasiões, assinalou que o traço mais característico das doutrinas metafísicas (especialmente as inspiradas na doutrina hegeliana), é precisamente o facto de que são capazes de neutralizar qualquer elemento eventualmente falsificador da sua doutrina, dar-lhe a volta, fazê-lo jogar a seu favor e convertê-lo em prova da sua verdade.



Publicado por Izanagi às 09:34 de 23.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Acerca dos imperativos categóricos da retórica de Assis

Para que se perceba a verdadeira natureza dos imperativos categóricos da retórica de Assis, que o tornam um autêntico discípulo de Sócrates e justificam, com evidência, a sua escolha para líder da bancada socialista, trago à reflexão um texto que escrevi numa coluna (Educação e cidadania) que, em tempos, dispunha no Jornal de Notícias.

Transcrevo-o:
“Todos iguais, todos diferentes”

Há situações que são paradigmáticas da necessidade de uma profunda reforma dos partidos e do sistema político por forma a dar credibilidade, rigor e transparência à actividade política.

Francisco Assis, nas últimas eleições autárquicas, apresentou-se como cabeça de lista à Assembleia Municipal do Marco pelo PS.

Muitos não acreditaram que esse gesto fosse apenas um “número de espectáculo” para conquistar votos (como alguns já faziam crer), mas uma marca de um novo modo de estar na política, servir a causa da democracia e os ideais socialistas.

Foram, por isso, criadas naturais expectativas que se apoiavam no suposto de que o líder distrital do PS pudesse dar uma outra visibilidade aos problemas de prepotência, caciquismo e má gestão de que era publicamente acusado Ferreira Torres.
Rapidamente, estas expectativas foram frustradas:
por acumulação de faltas, o deputado e líder do PS foi obrigado a renunciar ao mandato.

A justificação avançada pela Federação do PS é digna de ficar registada numa antologia da especialidade:
a presença de Assis na Assembleia Municipal do Marco era susceptível de “limitar e inibir a participação” dos restantes membros do seu partido na assembleia.

Foi, agora, tornado público que Francisco Assis tinha aceitado o cargo honorífico (segundo o mesmo) de presidente da assembleia-geral da Edinorte, empresa ligada a um dos empreiteiros do regime de Ferreira Torres que é compadre de Major Valentim Loureiro.

Uma questão se colocará, entretanto: será que os interesses da luta contra a prepotência, o caciquismo e a falta de transparência da gestão de Ferreira Torres não nobilitavam tanto o deputado e líder distrital do PS, como ser presidente da assembleia-geral da polémica empresa Edinorte?!...

Tal como um rolo compressor, vai-se se impondo a ideia de um centrão político, onde se aplica o slogan “todos iguais e todos diferentes”.

Se o PS quer marcar a diferença tem de promover reformas que evitem que, no seu interior, o sucesso se faça por jactos de verborreia incoerentes, mas pela competência, coerência e rigor.

De contrário, não faltarão razões para seguir a lucidez do “voto em branco” de que nos fala Saramago no último livro.


# posted by Primo de Amarante, http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/,02,12.2010

 

O da "Retórica e coerência" vai-me desculpar, mas entendo que este assunto é mais um IMPORTANTE contributo para identificar este PS e por isso merece um destaque mais consentâneo.



Publicado por Izanagi às 09:36 de 10.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

E não se pode ...?!

Leitura obrigatória – 2 Este livro

faz outras revelações essenciais para percebermos bem as linhas com que nos cosemos (ou com que nos coseram).

Nas suas páginas finais, dedica-se a analisar (e a ilustrar abundantemente) a promiscuidade entre os partidos do centrão – PS e PSD, com algumas sobras para o CDS/PP – e os donos do poder económico em Portugal (as tais quatro ou cinco famílias da alta burguesia que mencionámos no “post” anterior).

O retrato que resulta dessa análise é, ao mesmo tempo, revelador e deprimente.

Ficamos a saber que os cargos ministeriais que contam, pela influência que podem exercer as decisões aí tomadas, têm sido ocupados, em governos do PS, do PSD ou do PSD/CDS, por duas categorias de pessoas:

- as que transitam temporariamente para o Governo, vindo de grandes empresas ou grupos económicos, e que no cargo de ministros ou secretários de Estado se encarregam de servir os interesses dos sectores empresariais de onde saíram;

- e as que, tendo estado no Governo a servir os mesmíssimos interesses acima referidos, são depois premiadas com empregos de luxo nas empresas cujos interesses promoveram  ou protegeram enquanto governantes. Empregos esses onde, de resto, farão frutificar toda a rede de influências e as carteiras de contactos privilegiados que foram construindo nas suas carreiras de ministros e secretários de Estado.

 

Estamos a falar de quadros técnicos, de professores universitários ou de meros funcionários de partido.

Estamos a falar de gente que, em muitos casos, chegou à vida política “com uma mão atrás e outra à frente” e que, passados uns aninhos de edificação de carreiras assentes no favorecimento objectivo dos interesses do grande capital financeiro e empresarial, passam a subir vertiginosamente na vida como compensação pelos serviços prestados.

Estamos a falar de indivíduos que mostraram, com notável frequência, não possuir o mínimo brilho intelectual ou os mais elementares dotes de governantes, mas que, mesmo assim, se vêem promovidos a uma ascensão social meteórica apenas por se terem revelado úteis aos detentores do poder económico-financeiro neste país.

Estamos a falar de criaturas como esta: -- Pina Moura, conhecido por várias inépcias na sua qualidade de ministro dos governos de Guterres, pressionou, nessa sua função, para que a participação da Petrocontrol na GALP fosse vendida à ENI e à Iberdrola e, por sua decisão, as mais-valias da venda das acções dessa holding foram isentas de imposto. Resultado: o país não ficou a ganhar, mas Pina Moura sim, visto que mais tarde a Iberdrola o contratou para ser presidente da sua filial portuguesa.

Este outro cavalheiro, -- Joaquim Ferreira do Amaral, enquanto ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações num dos governos de Cavaco Silva (entre 1990 e 1995), negociou o contrato da Lusoponte em termos tais que o país ficou refém dessa empresa para as próximas décadas. Em 2005, chegou o momento de a Lusoponte lhe agradecer, dando-lhe o cargo de presidente da mesma.

Outros casos igualmente obscenos são por demais conhecidos: A. Vara, J.Coelho, ...      

E o mais preocupante nem sequer são as suspeitas de envolvimento de alguns destes senhores em negociatas obscuras:

é a própria legalidade com que tudo isto é feito;

é o facto de a promiscuidade entre a política e os grandes interesses privados ser absolutamente tolerada por leis feitas à medida deste jogo iníquo.

É o facto de ser letra morta a independência do poder político em relação à rapacidade dos «donos de Portugal».

 

Imprescindível é a leitura das páginas 345 a 381 do livro que estamos a citar. Aí se publica a lista de 115 políticos, quase todos oriundos do PS e do PSD, que passaram pelos governos em posições chave, como ministros das Finanças, da Economia ou de pastas como os Transportes, o Turismo, e as Obras Públicas, e que desempenharam ou desempenham funções relevantes em grandes empresas, muitas vezes sentados nos seus conselhos de administração ou como seus prestimosos consultores.

Muito são “reputados” economistas, como este:  ou este:  que têm feito carreiras sentados à mesa do BES, do BCP, da PT, da Siemens. ...  Até este:  está bem instalado na Fundação Oriente, que não é exactamente uma instituição destinada à promoção desinteressada da cultura chinesa…

Não esqueçamos que são todos estes senhores que hoje colonizam o espaço público, com a ajuda de uma comunicação social subserviente (ela mesma dominada pelo poder económico), matraqueando até à náusea a ideia de que o português comum tem de se habituar a uma vida de empobrecimento acelerado (desde que não sejam eles os afectados), de cortes salariais maciços (desde que as suas contas bancárias permaneçam seguras), de contracção nas despesas e no endividamento (desde que os negócios chorudos dos grupos económicos que os empregam permaneçam intocados).

Facilmente se percebe que, com esse discurso de intoxicação mental, é mais um serviço que eles prestam a quem sempre soube colocá-los no lugar certo.  E de novo nos lembramos daquele título da peça de teatro que, em tempos, a Cornucópia levou à cena:   E não se pode exterminá-los ?

     (em Promiscuidades por APEDE em 08/11/2010)



Publicado por Xa2 às 19:30 de 09.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

HUMILDADE, A MELHOR SABEDORIA

 

O famoso comentador da TV, um jovem político licenciado em economia, seguia a bordo de um avião, de Lisboa para o Porto, em regresso de fim-de-semana.

O lugar a seu lado estava ocupado por um garoto de uns 10 anos, natural de Amarante, de óculos, com ar sério e compenetrado.

Assim que o avião descolou, o garoto abriu um livro, mas o jovem político, economista, puxou conversa.

- Ouvi dizer que o voo parece mais curto se conversarmos com o passageiro do lado. Gostarias de conversar comigo?

O garoto fechou calmamente o livro e respondeu:

- Talvez seja interessante. Qual o tema que gostaria de discutir?

- Ah, que tal política, o momento actual? Achas, se houver eleições intercalares, quem devemos reeleger Sócrates ou dar uma oportunidade ao Passos Coelho?

O garoto suspirou e replicou:

- Poderá ser um bom tema, mas, antes, gostaria de lhe colocar uma questão.

- Então manda! - encorajou o politico, jovem economista.

- Os cavalos, as vacas e os cabritos comem a mesma coisa, certo? Pasto, ervas, rações. Concorda?

- Sim. - disse o politico, economista.

- No entanto, os excrementos dos cabritos são umas bolinhas, as vacas largam placas de bosta e, os cavalos, umas bolas bem grandes... Qual é a razão para isto?

O político pensou por alguns instantes, mas acabou por confessar que não sabia a resposta...

E o garoto concluiu:

- Então como é que o senhor se sente qualificado para discutir quem deve governar Portugal se não entende de "merda" nenhuma, tal-qualmente como esse dois de que falou?...

Falta sabedoria à esmagadora maioria dos, actuais, políticos que nos (des)governam. 



Publicado por Zé Pessoa às 00:12 de 08.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

PEC?

Os políticos mentirosos, com dois falseiros mor á frente (sem esquecer o eurofojitivo e o que anda por aí), o senhor de Belém e o senhor de São Bento, dizem-nos que PEC significa “Plano de Estabilidade e Crescimento”, puro engano, grande mentira.

Vemos pelo comportamento de uns e de outros que, estabilidades nenhuns a querem, muito menos a praticam, atitudes que não sendo exclusivas muito contribuem para a reacção dos mercados e para a instabilidade das taxas de juros a aplicar tanto à divida soberana com às dividas das famílias, com todos os riscos que tal circunstancia acarreta.

Quanto ao crescimento, o que se constata é a sua quase nulidade nos tempos mais recentes e o orçamento que foi aprovado e está a ser debatido, na especialidade, pela Assembleia da Republica indicam-nos que se pode elidir que o país vai crescer no sentido da pobreza. Será esse a que se referem os políticos e o povo não percebeu?

Não, têm andado a mentir ao povo e os maiores ilusionistas foram e são um tal “sr. Silva” que durante oito anos de governação permitiu, “em tempo de vacas gordas” um desmesurado esbanjamento de “Eurobruxelins” só comparável com o tempo do ouro do Brasil e um “sr. Sousa” que sempre iludiu o povo com realidades virtuais só existentes na só própria cabeça e na dos seus acólitos mais próximos. Essa virtualidade levou a que se destruíssem os incentivos à poupança, permitiu o endividamento sem controlo, entregou nas mãos de energúmenos banqueiros e especuladores a vida do Estado e das famílias portuguesas.

Conclusão, factualmente verificável, sobre o verdadeiro significado da sigla PEC é a de que “Portugal Está Condenado”.



Publicado por Zé Pessoa às 09:28 de 05.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Texto de um azulejo em Toledo

A SOCIEDADE É ASSIM:

 

      O POBRE TRABALHA
      O RICO EXPLORA-O
      O SOLDADO DEFENDE OS DOIS
      O CONTRIBUINTE PAGA PELOS TRÊS
      O VAGABUNDO DESCANSA PELOS QUATRO
      O BÊBADO BEBE PELOS CINCO
      O BANQUEIRO "ESFOLA" OS SEIS
      O ADVOGADO ENGANA OS SETE
      O MÉDICO MATA OS OITO
      O COVEIRO ENTERRA OS NOVE
      O POLÍTICO VIVE DOS DEZ

 


MARCADORES: ,

Publicado por Izanagi às 21:03 de 20.10.10 | link do post | comentar |

Manuel Fernandes Tomaz

     A Revolução Liberal ocorreu em 24 de Agosto de 1820 e dela foi principal mentor e respeitada figura de proa o figueirense Manuel Fernandes Tomaz (ou Thomaz), ao qual Almeida Garrett chamou Patriarca da Regeneração Portuguesa.

     O Sinédrio, sociedade secreta que, com outros, criou no Porto, foi o cadinho, digamos assim onde um grupo de personalidades amantes da Liberdade e da dignificação da Pátria, planeou e preparou aquela Revolução, com a qual se acabou com os abusos dos nossos “aliados” ingleses, que por Portugal ficaram após as Invasões Francesas, quase colonizando o nosso país.

     E também com essa Revolução se instituiu uma monarquia liberal, consagrando esse regime na Constituição de 1822, aprovada pelas Cortes e que foi a primeira Constituição de Portugal.
     A participação de Manuel Fernandes Tomaz na elaboração daquela lei fundamental foi notável, destacando-se aquele deputado constituinte pela sua inteligência esclarecida, pelos seus brilhantes dotes oratórios e pela sua firme convicção liberal.
     Manuel Fernandes Tomaz é, incontestavelmente, um ilustríssimo político português e um dedicado e esforçado patriota.
     Além da sua sólida formação política, que o tornou numa valiosa e justa referência, Manuel Fernandes Tomaz foi um cidadão impoluto, com qualidades humanas de grande mérito, sendo exemplo de honestidade (morreu pobre, apesar do seu valor profissional e político), de verticalidade, de respeito pelos direitos fundamentais e de grande amor à Pátria.

     A Figueira honra-se em homenagear em 24 de Agosto de todos os anos a memória deste seu insigne filho. A cidade do Porto (e outras) homenageia-o também através da ''Rua Fernandes Tomás'' e à revolução de 1820 com o ''Campo de 24 Agosto''.


MARCADORES:

Publicado por Xa2 às 23:07 de 24.08.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Marco de ética e coerência, dedicado à causa pública

Centenário do nascimento de Manuel Tito de Morais assinalado com conjunto de iniciativas

Tito de Morais, fundador do PS e antigo presidente da Assembleia da República, foi hoje evocado como “marco de ética e coerência” e homem entregue “à causa pública”, na apresentação do programa de comemorações do centenário do seu nascimento. Para assinalar os cem anos do nascimento de Manuel Alfredo Tito de Morais, a Comissão Executiva das Comemorações anunciou hoje um conjunto de iniciativas públicas entre 28 de junho – data de aniversário do ex militante socialista – e 2 de julho, promovidas em conjunto com a Assembleia da República, a Câmara Municipal de Lisboa, o Grande Oriente Lusitano (GOL), o PS, a Fundação Mário Soares, a RTP e os CTT.

A Comissão de Honra das Comemorações é presidida pelo Presidente da República, Cavaco Silva, seguida do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, do primeiro ministro, José Sócrates, e diversas figuras da política nacional e internacional – o presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, o antigo secretário geral do PSOE Felipe Gonzalez, e o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Pierre Schori.

Na apresentação do programa, que começou a ser trabalhado em setembro do ano passado, a filha do homenageado, Teresa Tito de Morais caraterizou-o como um homem com “sentido do dever, de entrega à causa pública e, sobretudo, com uma vontade inabalável de que Portugal progredisse”.

“Penso que o seu combate fundamental foi a fundação do PS”, afirmou.

Já Luís Novaes Tito, coordenador da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Manuel Tito de Morais, sublinhou que este conjunto de iniciativas congrega “todo o espectro político nacional e todas as correntes”. O organizador defendeu que este é o reconhecimento de que Tito de Morais foi “um marco da ética na política e de coerência com o que defendeu durante toda a sua vida”.

As comemorações do centenário iniciam-se a 28 de junho com a apresentação de uma fotobiografia de Tito de Morais, no Palácio Galveias.

No dia 29, a Assembleia da República organiza o descerramento de uma lápide na casa onde viveu o fundador do PS, na rua Magalhães Lima, seguida de uma sessão solene, da apresentação de uma biografia, uma exposição e o lançamento de um postal evocativo dos CTT.

A Câmara de Lisboa promove, a 30 de junho, o descerramento de um busto no jardim público junto à sede do PS e o GOL uma sessão branca, no Palácio do Grémio Lusitano.

A 1 de julho vai ser criada a Associação Tito de Morais e haverá uma sessão solene na Fundação Mário Soares, terminando as comemorações a 2 de julho, com uma sessão na sede do PS, no Largo do Rato.

A 26 de junho a RTP2 transmitirá um documentário com depoimentos de várias figuras ligadas a Tito de Morais.

Para mais informação ver o Blog da CCTM - Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais.

Ionline


MARCADORES:

Publicado por Xa2 às 00:09 de 19.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Dinheiro na política

O governo dos bancos

A insolência dos especuladores suscita uma viva oposição popular e força os governos a distanciarem‐se, pelo menos um pouco, do poder financeiro. A 20 de Maio, o presidente Barack Obama designou como «hordas de lobistas» os banqueiros que se opunham ao projecto de regulação de Wall Street. Será que quem assina os cheques vai continuar a escrever as leis?

A 10 de Maio de 2010, os detentores de títulos do banco Société Générale, tranquilizados por uma nova injecção de 750 mil milhões de euros na fornalha da especulação, registaram ganhos de 23,89%. No mesmo dia, o presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou que, por necessidades de rigor orçamental, iria ser cancelada a ajuda excepcional de 150 euros às famílias em dificuldades.

Crise financeira após crise financeira, vai crescendo a convicção de que o poder político alinha a sua conduta pelas vontades dos accionistas. Periodicamente, porque a democracia assim exige, os eleitos convocam a população a privilegiar partidos que os «mercados» pré‐seleccionaram em função da sua inocuidade.

A suspeita de prevaricação mina, a pouco e pouco, o crédito da invocação do bem público. Quando Barack Obama repreende o banco Goldan Sachs, a fim de melhor justificar medidas de regulação financeira, os republicanos imediatamente difundem um spot que recapitula a lista das doações que o presidente e os seus amigos políticos receberam da «Banca» nas eleições de 2008: «Democratas: 4,5 milhões de dólares. Republicanos: 1,5 milhões de dólares. Os políticos atacam a indústria financeira, mas aceitam os milhões pagos por Wall Street».

Quando os conservadores britânicos, invocando a preocupação de proteger o orçamento das famílias pobres, se opõem à instauração de um preço mínimo para o álcool, os trabalhistas respondem que eles estão, isso sim, a querer agradar aos proprietários dos supermercados, que se opõem a tal medida desde que fizeram do preço do álcool um produto chamativo para adolescentes encantados com o facto de a cerveja poder custar menos do que a água.

Por fim, quando Sarkozy elimina a publicidade nos canais públicos, toda a gente fareja o lucro que as televisões privadas dirigidas pelos seus amigos (Vincent Bolloré, Martin Bouygues, etc.) vão retirar de uma situação que os liberta de qualquer concorrência na partilha dos produtos dos anunciantes.

Este género de suspeita tem uma longa história. Mas muitas realidades que deveriam escandalizar, mas às quais as pessoas se resignam, acabam por ser minoradas por um «sempre foi assim». Em 1887, o genro do presidente francês Jules Grévy tirava seguramente partido da parentela do Eliseu para o negócio das condecorações; no início do século passado, a Standard Oil ditava as suas vontades a muitos governadores dos Estados Unidos. Por fim, no âmbito da ditadura do sistema financeiro, desde 1924 que se fala do «plebiscito diário dos detentores de títulos» − os credores da dívida pública de então −, também chamados «muro de dinheiro».

Com o passar do tempo, no entanto, várias leis tinham regulado o papel do capital na vida política, mesmo nos Estados Unidos: durante a «era progressista» (1880‐1920) ou depois no fim do escândalo de Watergate (1974), mas sempre no seguimento de mobilizações políticas. Quanto ao «muro de dinheiro», em França o sistema financeiro foi colocado sob tutela a seguir à Libertação. Em suma, «sempre tinha sido assim», mas também podia mudar.

E depois volta a mudar... mas no outro sentido.

A partir de 30 de Janeiro de 1976, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos invalidou várias disposições fundamentais que limitavam o papel do dinheiro na política e que haviam sido votadas pelo Congresso (sentença Buckley contra Valeo). O motivo invocado pelos juízes foi o seguinte:

«A liberdade de expressão não pode depender da capacidade financeira que um indivíduo tenha para se envolver no debate público». Dito de outro modo, regular os gastos é asfixiar a expressão... Em Janeiro de 2010, esta sentença foi alargada ao ponto de autorizar as empresas a gastar o que elas quisessem para promover (ou combater) um candidato.

Noutras paragens, há vinte anos que a derrapagem venal voltou a ser sistemática entre os antigos apparatchiks soviéticos metamorfoseados em oligarcas industriais, entre os patrões chineses que ocupam um lugar destacado no Partido Comunista, entre os chefes do executivo, ministros e deputados europeus que preparam, à americana, a sua reconversão no «sector privado», ou entre um clero iraniano e entre militares paquistaneses seduzidos pelos negócios. Esta derrapagem veio inflectir a vida política do planeta.

Na Primavera de 1996, no fim de um primeiro mandato muito medíocre, o presidente Bill Clinton estava a preparar a campanha para ser reeleito. Precisava de dinheiro. Para o arranjar, teve a ideia de propor aos mais generosos doadores do seu partido uma noite na Casa Branca, por exemplo no «quarto de Lincoln». Uma vez que ver‐se associado ao sono do «grande emancipador» não estava ao alcance das bolsas mais pequenas, nem era necessariamente a fantasia das maiores, foram leiloadas outras guloseimas. Uma delas foi «tomar um café» na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos. Os potenciais investidores do Partido Democrata encontraram‐se, portanto, às fornadas com membros do executivo encarregados de regular a sua actividade. Lanny Davis, porta‐voz do presidente Clinton, explicou ingenuamente que se tratava de «permitir que os membros das agências de regulação conhecessem melhor as questões da respectiva indústria». Um destes «cafés de trabalho» pode ter custado alguns biliões de dólares à economia mundial, favorecido o disparo da dívida dos Estados e provocado a perda de dezenas de milhões de empregos.

A 13 de Maio de 1996, portanto, alguns dos principais banqueiros dos Estados Unidos foram recebidos durante noventa minutos na Casa Branca pelos principais membros da administração. Ao lado do presidente Clinton, o ministro das Finanças, Robert Rubin, o seu adjunto encarregado das questões monetárias, John Hawke, e o responsável pela regulação dos bancos, Eugene Ludwig. Por um acaso certamente providencial, o tesoureiro do Partido Democrata, Marvin Rosen, também participou na reunião. Segundo o porta‐voz de Ludwig, «os banqueiros falaram sobre a futura legislação, incluindo ideias que permitirão acabar com a barreira que separa os bancos de outras instituições financeiras».

O New Deal, ensinado pela bancarrota financeira de 1929, tinha proibido os bancos de depósitos de arriscarem de forma imprevidente o dinheiro dos seus clientes, o que a seguir obrigava o Estado a salvar estas instituições por temer que a sua eventual falência provocasse a ruína dos seus numerosos depositantes. Esta disposição (Lei Glass‐Steagall), assinada pelo presidente Franklin Roosevelt em 1933, e ainda em vigor em 1996, desagradava imenso aos banqueiros, desejosos de lucrar também com os milagres da «nova economia». O «café de trabalho» visava recordar esse desagrado ao chefe do executivo americano, no momento em que ele estava a tentar que os bancos lhe financiassem a reeleição.

Algumas semanas depois do encontro, vários despachos anunciaram que o Ministério das Finanças ia enviar ao Congresso uma panóplia legislativa «pondo em causa as regras bancárias estabelecidas seis décadas antes, o que permitiria que os bancos se lançassem em força nos seguros e na banca de negócios e de mercado». Toda a gente sabe o que aconteceu a seguir.

A abolição da Lei Glass‐Steagall foi assinada em 1999 por um presidente Clinton reeleito três anos antes, em parte graças ao tesouro acumulado na guerra eleitoral. A medida atiçou a orgia especulativa da década de 2000 (sofisticação cada vez maior dos produtos financeiros, do tipo dos créditos imobiliários subprime, etc.) e precipitou o colapso económico de Setembro de 2008.

Na verdade, o «café de trabalho» de 1996 (ocorreram 103 do mesmo género no mesmo período e no mesmo local) apenas veio confirmar o peso que já vinham tendo os interesses do sector financeiro. Porque foi um Congresso de maioria republicana que enterrou a Lei Glass‐Steagall, em conformidade com a sua ideologia liberal e com os desejos dos seus «mecenas» − os parlamentares republicanos eram também beneficiados com dólares pelos bancos.

Quanto à administração Clinton, com ou sem «café de trabalho», não terá resistido durante muito tempo às preferências de Wall Street, até porque o seu ministro das Finanças, Robert Rubin, tinha sido dirigente do Goldman Sachs. Tal como, aliás, Henry Paulson, que chefiava o Tesouro americano na altura do colapso de Setembro de 2008. Depois de ter deixado trespassar o Bear Stearns e o Merryl Lynch, dois concorrentes do Goldman Sachs, Paulson salvou o American International Group (AIG), um segurador cuja falência teria atingido o maior credor da instituição, que era o Goldman Sachs.

Porque é que uma população que não é maioritariamente composta por ricos aceita que os seus eleitos satisfaçam prioritariamente as exigências dos industriais, dos advogados de negócios ou dos banqueiros, a tal ponto que a política acaba por consolidar as relações de força económicas em vez de lhes opor a legitimidade democrática?

Porque é que estes ricos, quando são eles próprios eleitos, se sentem autorizados a exibir a sua fortuna? E a clamar que o interesse geral impõe a satisfação dos interesses particulares das classes privilegiadas, as únicas dotadas do poder de fazer (investimentos) ou de impedir (deslocalizações), e que têm por isso de ser constantemente seduzidas («tranquilizar os mercados») ou conservadas (lógica do «escudo fiscal»)?

Estas questões fazem pensar no caso de Itália (ler o artigo de Francesca Lancini na edição de Junho). Neste país, um dos homens mais ricos do planeta não se juntou a um partido na esperança de o influenciar, mas criou o seu próprio partido, a Forza Italia, para defender os interesses dos seus negócios. A 23 de Novembro de 2009, o jornal La Repubblica publicou aliás a lista das dezoito leis que favoreceram o império comercial de Silvio Berlusconi, desde 1994, ou que lhe permitiram escapar a processos judiciários.

Por seu lado, o ministro da Justiça da Costa Rica, Francisco Dall’Anase, alerta já para uma etapa ulterior desta evolução, a que passará por certos países colocarem o Estado ao serviço, já não apenas dos bancos, mas de grupos criminosos: «Os cartéis da droga vão apoderar‐se dos partidos políticos, financiar campanhas eleitorais e, a seguir, controlar o executivo».

Na prática, que impacto tem a (nova) revelação do La Repubblica no destino eleitoral da direita italiana? A julgar pelo êxito eleitoral que este registou nas eleições regionais de Março passado, nenhum. Tudo se passa como se a relaxação comum da moral pública tivesse «intoxicado» populações doravante resignadas à corrupção da vida política.

Porque é que as populações haviam de se indignar quando os eleitos zelam permanentemente pela satisfação dos novos oligarcas − ou por se lhes juntarem no topo da pirâmide dos rendimentos?

«Os pobres não fazem doações políticas», observava com muita razão o antigo candidato republicano à presidência, John McCain. Desde que deixou de ser senador, este tornou‐se lobista da indústria financeira.

Pessoas comuns, fundos de pensões e sistema financeiro

No mês seguinte a ter abandonado a Casa Branca, Bill Clinton ganhou tanto dinheiro como havia ganho durante os anteriores cinquenta e três anos de vida. O Goldman Sachs pagou‐lhe 650 000 dólares por quatro discursos. Um outro, proferido em França, rendeu‐lhe 250 000 dólares; desta vez, foi o Citigroup que pagou. No último ano do mandato de Clinton, o casal havia declarado 357 000 dólares de rendimentos; entre 2001 e 2007 totalizou 109 milhões de dólares.

Doravante, a celebridade e os contactos adquiridos durante uma carreira política rendem sobretudo depois de essa carreira ter terminado. Os lugares de administrador no privado ou de consultor de bancos substituem com vantagem um mandato popular que acaba de chegar ao fim. Ora, como governar é prever...

Mas a passagem do público para o privado não se explica apenas pela exigência de passar a ser membro vitalício da oligarquia. A empresa privada, as instituições financeiras internacionais e as organizações não governamentais ligadas às multinacionais tornaram‐se, por vezes mais do que o Estado, lugares de poder e de hegemonia intelectual. Em França, o prestígio do sector financeiro e o desejo de construir um futuro dourado desviaram muitos antigos alunos da Escola Nacional de Administração (ENA), da Escola Normal Superior ou do Politécnico da sua vocação de servidores do bem público.

Alain Juppé, antigo membro das duas escolas e antigo primeiro‐ministro confidenciou ter sentido uma tentação semelhante: «Ficámos todos fascinados, incluindo, perdão, a comunicação social. Os “golden boys”, aquilo era extraordinário! Estes jovens que chegavam a Londres e que estavam ali à frente das máquinas a transferir milhares de milhões de dólares em apenas alguns instantes, que ganhavam centenas de milhões de euros todos os meses, toda a gente estava fascinada! (...) Não seria completamente honesto se negasse que até eu, de vez em quando, dizia a mim mesmo: Ora, se eu tivesse feito aquilo, talvez hoje estivesse numa situação diferente».

Em contrapartida, Yves Galland, antigo ministro francês do Comércio que se tornou presidente da Boeing France, uma empresa concorrente da Airbus, nem balançou. O mesmo pode ser dito de Clara Gaymard, mulher de Hervé Gaymard, antigo ministro da Economia, Finanças e Indústria, que depois de ter sido funcionária pública em Bercy, e a seguir embaixadora itinerante delegada para os investimentos internacionais, se tornou presidente da General Electric France. Também Christine Albanel, que durante três anos ocupou o Ministério da Cultura e da Comunicação, está de consciência tranquila. Desde Abril de 2010, continua a dirigir a comunicação... mas agora da France Télécom.

Metade dos antigos senadores americanos tornam‐se lobistas, muitas vezes ao serviço das empresas que regulamentaram. Foi o que aconteceu também com 283 ex‐membros da administração Clinton e 310 antigos elementos da administração Bush. Nos Estados Unidos, o volume de negócios anual dos grupos de pressão deve aproximar‐se dos 8 mil milhões de dólares por ano. É uma soma enorme, mas com um rendimento excepcional! Em 2003, por exemplo, as taxas de tributação dos lucros realizados no estrangeiro pelo Citigroup, o JP Morgan Chase, o Morgan Stanley e o Merrill Lynch caiu de 35% para 5,25%. Factura da acção dos lóbis: 8,5 milhões de dólares. Vantagem fiscal: 2 mil milhões de dólares. Nome da disposição em questão: «Lei de criação de empregos americanos»...

«Nas sociedades modernas», resume Alain Minc, antigo aluno da ENA, conselheiro (a título gracioso) de Nicolas Sarkozy e (assalariado) de vários grandes patrões franceses, «o interesse geral pode ser servido noutros lugares que não no Estado, pode ser servido nas empresas». O interesse geral − está tudo dito.

Esta atracção pelas «empresas» (e respectivas remunerações) não deixou de fazer estragos à esquerda. «Uma alta burguesia renovou‐se», explicava em 2006 François Hollande, então primeiro secretário do partido Socialista francês, «na altura em que a esquerda estava a assumir responsabilidades, em 1981. (...) Foi o aparelho de Estado que forneceu ao capitalismo os seus novos dirigentes. (...) Vindos de uma cultura de serviço público, acederam ao estatuto de novos‐ricos, falando como donos e senhores aos políticos que os haviam nomeado». E que a seguir foram tentados a segui‐los.

O mal causado não lhes pareceu tão grande assim porque, através dos fundos de pensões e dos investimentos, uma parte crescente da população associou o seu futuro, por vezes sem o querer, ao futuro do sector financeiro. Doravante pode, portanto, defender‐se os bancos e a Bolsa fingindo preocupação com a viúva arruinada, com o empregado que comprou acções para completar o salário ou garantir a aposentação. Em 2004, o antigo presidente George W. Bush encostou a campanha da sua reeleição a esta «classe de investidores». O Wall Street Journal explicava: «Quanto mais os eleitores são accionistas, mais apoiam as políticas económicas liberais associadas aos republicanos. (...) 58% dos americanos têm um investimento directo ou indirecto nos mercados financeiros, contra 44% há seis anos. Ora, a todos os níveis de rendimentos, os investidores directos são mais susceptíveis de se declararem republicanos do que os não‐investidores». Percebe‐se que Bush tenha sonhado privatizar as aposentações.

«Subjugados ao sector financeiro desde há duas décadas, os governos só se virarão por si próprios contra ele se este sector o agredir directamente de tal forma que lhes pareça intolerável», anunciava em Maio o economista Frédéric Lordon. O alcance das medidas que a Alemanha, a França, os Estados Unidos e o G20 venham a tomar nas próximas semanas contra a especulação irá dizer‐nos se a humilhação quotidiana que «os mercados» infligem aos Estados e a fúria popular que o cinismo dos bancos suscita terão despertado nos governos, cansados de serem tomados por criados, a pouca dignidade que lhes resta.

Serge Halimi, Le Monde Diplomatique



Publicado por Xa2 às 00:07 de 12.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Estado sobredimensionado agrava défice

É lamentável o estado a que chegou o Estado.
É lamentável que o nosso Governo peça ao povo português que faça sacrifícios (PEC) sem dar um simples sinal de estar disposto a fazer o mesmo.

 

“O Governo corta no investimento do Plano, mas aumenta as despesas de funcionamento dos seus membros e altos quadros da Nação.
Tribunais superiores, Presidência da República, Presidência do Conselho de Ministros e Forças Armadas parecem dispensados de ‘apertar o cinto’ imposto aos portugueses em nome da contenção do défice. O mesmo se passa em relação aos membros do Governo, órgão que vai continuar a gastar milhões em serviços e estudos que depois são deitados fora.
As associações representativas dos empresários dizem que o Estado dá mau exemplo e pedem maior contenção. A solução passa pela implementação do Programa de Reforma da Administração Central do Estado.”

[Vida Económica, de 09.04.2010]

 

A solução passa, antes de mais, pelo Programa de Reforma destes Políticos, digo eu.
No fim dos portugueses terem feito e sofrido com os sacrifícios que fizeram e que foram obrigados a fazer, estará o País e todos nós, bem pior do que estávamos hoje.
Lamentável o estado onde chegámos. Lamentável.



Publicado por [FV] às 10:08 de 13.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

'Eu é que não as pago

Os nossos políticos dividem-se em dois grupos: Um formado por gente totalmente incapaz e outro por gente capaz de tudo.

  

"Eu é que não as pago" - terá declarado a deputada Inês de Medeiros a propósito das seis viagens que já efectuou a Paris para ir ver a família. Os cornos do ex-ministro Manuel Pinho não passam de uma brincadeira de mau gosto ao pé do desaforo desta frase. A deputada Inês de Medeiros pode viver em Poiares ou Pequim. Paranhos da Beira ou Praga. No Porto ou em Petersburgo. Mas, se se candidata a deputada por Lisboa, não é aceitável que exija que os seus concidadãos lhe paguem as viagens para os locais onde entende que reside a sua família. Se alguém lhe disse o contrário quando aceitou candidatar-se a deputada por Lisboa, embora tendo a família em Paris ou em qualquer outra cidade começada por P existente no planeta Terra ou no despromovido Plutão, esse é um problema que a deputada terá de resolver com o partido que a convidou, mas é um problema que não nos diz respeito. Na verdade, a deputada Inês de Medeiros recorreu a um estratagema muito comum quando se quer iludir o Estado: dá-se outra morada. Há quem o faça para que os filhos vão para uma determinada escola pública ou para serem integrados num centro de saúde onde exista médico de família. Dando outra morada, Inês de Medeiros conseguiu eleger-se por Lisboa. Mas agora a senhora deputada quer ainda ser compensada por essa sua esperteza e diz que não paga as viagens que já efectuou. Os contribuintes portugueses é que não devem pagar certamente. E não é por o país estar em crise, nem sequer porque centenas de portugueses fazem viagens equivalentes pagas do seu bolso, aos fins-de-semana, em carrinhas nem sempre seguras que os trazem de umas obras em Espanha até Portugal. Não é por nada disso. É por uma questão de decência. Para a próxima legislatura, a senhora deputada pode beneficiar de ajudas de custo para viajar para Paris se concorrer pelo círculo da emigração, coisa que pelo menos a obrigaria contactar mais com o povinho e, quiçá, de vez em quando sair da torre de marfim da classe executiva. Quem sabe isso ainda lhe dava um filme.

Público

 

 

 


MARCADORES: ,

Publicado por Izanagi às 09:45 de 30.03.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Alexandre Herculano : exemplo de Português
 Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em Lisboa, em 28 de Março de 1810 numa modesta família de origem popular; a mãe, Maria do Carmo de São Boaventura, filha e neta de pedreiros da Casa Real; o pai, Teodoro Cândido de Araújo, era funcionário da Junta dos Juros (Junta do Crédito Público).

    Na sua infância e adolescência não pode ter deixado de ser profundamente marcado pelos dramáticos acontecimentos da sua época: as invasões francesas, o domínio inglês e o influxo das ideias liberais, vindas sobretudo da França, que conduziriam à Revolução de 1820. Até aos 15 anos frequentou o Colégio dos Padres Oratorianos de S. Filipe de Néry, então instalados no Convento das Necessidades em Lisboa, onde recebeu uma formação de índole essencialmente clássica, mas aberta às novas ideias científicas.

      Impedido de prosseguir estudos universitários (o pai cegou em 1827, ficando impossibilitado de prover ao sustento da família) ficou disponível para adquirir uma sólida formação literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra literária. Estudou Latim, Lógica e Retórica no Palácio das Necessidades e, mais tarde, na Academia da Marinha Real, estudou matemática com a intenção de seguir uma carreira comercial.

 

      Com apenas 21 anos, participará na revolta de 21 de Agosto de 1831 do Regimento n.° 4 de Infantaria de Lisboa contra o governo ditatorial de D. Miguel I, o que o obrigará, após o fracasso daquela revolta militar, a refugiar-se num navio francês fundeado no Tejo, nele passando à Inglaterra e, posteriormente, à França, indo depois juntar-se ao exército Liberal de D. Pedro IV, na Ilha Terceira (Açores). Alistado como soldado no Regimento dos Voluntários da Rainha, como Garrett, é um dos 7 500 "Bravos do Mindelo", assim designados por terem integrado a expedição militar comandada por D. Pedro IV que desembarcou, em 8 de Julho de 1832, próximo da praia do Mindelo (um pouco a Norte do Porto - hoje "praia da Memória"), a fim de cercar e tomar a cidade do Porto. Como soldado, participou em acções de elevado risco e mérito militar.

      Passado à disponibilidade pelo próprio D. Pedro IV, foi por este nomeado segundo bibliotecário da Biblioteca do Porto. Aí permaneceu até ter sido convidado a dirigir a Revista Panorama, de Lisboa, revista de carácter artístico e científico de que era proprietária a Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, patrocinada pela própria rainha D. Maria II, de que foi redactor principal de 1837 a 1839.

      Fez poesia, como A Voz do Profeta em 1836 e A Harpa do Crente em 1838, publicou obras como Eurico, o Presbítero de 1844 (obra maior do Romance Histórico em Portugal no século XIX) e a História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal. Mas a obra que vai transformar Alexandre Herculano no maior português do século XIX é a sua História de Portugal, cujo primeiro volume (de 4) é publicado em 1846. Obra que introduz a historiografia científica em Portugal, não podia deixar de levantar enorme polémica, sobretudo com os sectores mais conservadores, encabeçados pelo clero.

      Atacado pelo clero por não ter admitido como verdade histórica o célebre Milagre de Ourique – segundo o qual Cristo aparecera ao rei Afonso Henriques naquela batalha -, Herculano acaba por vir a terreiro em defesa da verdade científica da sua obra, desferindo implacáveis golpes sobre o clero ultramontano, sobretudo nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba.

     O prestígio que a História de Portugal lhe granjeara leva a Academia das Ciências de Lisboa a nomeá-lo seu sócio efectivo (1852) e a encarregá-lo do projecto de recolha dos Portugaliae Monumenta Historica (recolha de documentos valiosos dispersos pelos cartórios conventuais do país), projecto que empreende em 1853 e 1854.

     Herculano permanecerá fiel aos seus ideais políticos e à Carta Constitucional, que o impedira de aderir ao Setembrismo. Apesar de estreitamente ligado aos círculos do novo poder Liberal (foi deputado às Cortes e preceptor do futuro Rei D. Pedro V), recusou fazer parte do primeiro Governo da Regeneração, chefiado pelo Duque de Saldanha. Recusou honrarias e condecorações e, a par da sua obra literária e científica, de que nunca se afastou inteiramente, preferiu retirar-se progressivamente para um exílio que tinha tanto de vocação como de desilusão. Numa carta a Almeida Garrett confessara ser seu mais íntimo desejo ver-se entre quatro serras, dispondo de algumas leiras próprias, umas botas grosseiras e um chapéu de Braga. Ainda desempenhou o cargo de Presidente da Câmara de Belém (1854 de 1855), cargo que abandona rapidamente.

 

      Em 1857, após o seu casamento com D. Mariana Meira, retira-se definitivamente para a sua quinta de Vale Lobos (Azóia, Santarém) para se dedicar (quase) inteiramente à agricultura e a uma vida de recolhimento espiritual - ancorado no porto tranquilo e feliz do silêncio e da tranquilidade, como escreverá na advertência prévia ao primeiro volume dos Opúsculos.

     (Nas Cortes/Parlamento e no exílio em Vale de Lobos) Herculano exerce um autêntico magistério moral sobre o País (reconhecido pelos seus pares e concidadãos de qualquer quadrante partidário). Na verdade, este homem frágil e pequeno, mas dono de uma energia e de um carácter inquebrantáveis era um exemplo de fidelidade a ideais e a valores que contrastavam com o pântano da vida pública portuguesa. Isto dá vontade de morrer!, exclamara ele, decepcionado pelo espectáculo torpe da vida pública portuguesa, que todos os seus ideais vilipendiara.

     Aquando da segunda viagem do Imperador do Brasil a Portugal, em 1867, Herculano entendeu retribuir, em Lisboa, a visita que o monarca lhe fizera em Vale de Lobos, mas devido à sua débil saúde contraiu uma pneumonia dupla de que viria a falecer, em Vale de Lobos, em 13 de Setembro de 1877.

   Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_Herculano


MARCADORES: ,

Publicado por Xa2 às 23:28 de 28.03.10 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO