Sexta-feira, 28.01.11

Entre culpas e desculpas pelos resultados de domingo passado, ainda não vi ninguém dizer o que para mim é uma evidência: o maior responsável pelo prolongamento da estadia do dr. Cavaco em Belém é o Partido Socialista. E não porque se atrasou no apoio a Alegre, ou por não se ter empenhado suficientemente durante a campanha eleitoral, ainda menos por ter apoiado a mesma pessoa que o Bloco já tinha escolhido. O PS só se pode queixar de si próprio por ter desprezado a questão presidencial nos últimos dez anos: nos primeiros cinco por não ter pensado na substituição de Sampaio durante o seu último mandato, nos segundos por não se preocupar com o que viria a ser esta mais do que facilitada vitória de Cavaco.

Em 2006, inventou uma solução coxa e requentada com Soares – e foi o que se viu… -, este ano acabou por apoiar alguém que manifestamente não queria e está agora a tentar colar os cacos de uma rotunda derrota. É sabido que estratégias a longo prazo não fazem parte da religião praticada no Largo do Rato, mas não parece desculpável que um partido com o peso do PS cometa duas vezes o mesmo erro.

Teria sido certamente possível identificar um português com mais de 35 anos (e menos de 70, se possível…), dentro ou fora do partido, que desde há dois ou três anos fosse «aparecendo» como o candidato incontornável. É o que se faz em todo o mundo e, mesmo que não se vendam presidentes como sabonetes, propõem-se e impõem-se. No caso concreto, até podia ser alguém com um posicionamento ideológico semelhante ao de Manuel Alegre (mas sem um passado partidário tão complicado), e nem teria sido extraordinariamente difícil, julgo, chegar a um consenso que fizesse com que Alegre não insistisse uma segunda vez. E certamente que ninguém tinha inventado Fernando Nobre…

Teria esse hipotético candidato vencido Cavaco, apesar do desgaste actual do PS? Nunca se saberá (é o encanto da História Virtual ou a tal hipótese de a minha avó poder ter sido uma trotinete se tivesse tido rodas…), mas a fraquíssima figura que tinha pela frente, a relativa pouca consideração de que esta goza mesmo à direita e os resultados de domingo passado fazem crer que, pelo menos, passaria certamente à segunda volta onde muito provavelmente venceria.

Last but not the least: no panorama existente, Manuel Alegre fez mal em avançar, o Bloco devia ter ficado na sombra, etc., etc., etc.? Não, de modo algum. «Valeu a pena lutar», como muito bem diz Rui Tavares no Público. Apesar do PS. Não foi desta, mas um dia a esquerda convergirá e não há nenhuma razão que a impeça de sair vencedora.

P.S. – Só para que não se pense que isto é justificação a posteriori de derrota mal digerida. Escrevi há um ano (29/1/2010): «Como se o PS não fosse o único culpado da situação que criou: desde 2006, teve mais do que tempo para preparar o caminho a um outro candidato, se não queria ver-se «obrigado» a apoiar hoje Manuel Alegre. Talvez não o tenha feito porque, até há meia dúzia de meses, se sentisse confortável com Cavaco. Mas agora que a situação parece ter mudado e que Alegre se adiantou – e bem, do seu ponto de vista – decidam-se: ou partem para uma campanha pela positiva, sem "mas" nem "apesares de", ou fazem uma triste figura, provocam provavelmente uma monumental abstenção e dão talvez uma preciosa ajuda ao que dizem querer evitar: que o doutor Cavaco fique mais cinco anos em Belém.»

Joana Lopes – [Entre as brumas da memória]



Publicado por JL às 14:57 | link do post | comentar | comentários (2)

Terça-feira, 25.01.11

Manuel Alegre vai receber em subvenções estatais menos 514 mil euros do que tinha previsto. Já Cavaco Silva terá mais 351 mil euros do que o antecipado. Ao todo o Estado vai distribuir 3,8 milhões pelos quatro candidatos que conseguiram mais de 5% dos votos.

Manuel Alegre perdeu anteontem as eleições presidenciais e corre também o risco de perder o equilíbrio das contas da campanha. Isto, porque o número de votos que obteve no domingo apenas lhe confere o direito a receber 835 mil euros de subvenção estatal quando, no seu orçamento, tinha antecipado uma verba de 1,35 milhões nesta parcela.

O candidato apoiado pelo PS, BE e MRPP, esperava também obter 500 mil euros em contribuições de partidos e 50 mil euros em donativos para pagar as despesas totais orçamentadas em 1,9 milhões de euros. Todavia, se não se ultrapassarem as receitas oriundas de partidos e donativos, e a comprovar-se o total de despesas, a candidatura de Alegre ficará, assim, com um prejuízo de mais de meio milhão de euros nas mãos.

Já Cavaco Silva, tudo o indica, ficará com um excedente de 351 mil euros, pois apenas tinha antecipado 1,57 milhões de euros em subvenções estatais e, face à sua votação, vai receber 1,92 milhões de euros. Ou seja, apenas precisará de usar menos de 200 mil euros dos 550 mil que esperava obter em donativos para saldar todas as despesas de campanha, estimadas em 2,12 milhões de euros.

Quem também sai a ganhar destas eleições, não só pelo resultado surpreendente, mas também pelo lado financeiro, é Fernando Nobre. O candidato independente esperava obter 511 mil euros em subvenções estatais, mas vai receber um total de 835 mil euros, ficando os custos da campanha, orçada em 842 mil euros, quase cobertos na totalidade.

O candidato Francisco Lopes tinha inscrito nas suas receitas 512 mil euros de subvenções estatais, mas, face à votação alcançada, apenas vai receber 424 mil euros.

Já José Manuel Coelho e Defensor Moura não receberão qualquer subvenção porque não atingiram os 5% de votação. O primeiro, tinha previsto no orçamento de campanha receber 10 mil euros; o segundo, cerca 225 mil euros.

[Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 14:57 | link do post | comentar

Já tínhamos tido o "sisudo", o "bonacheirão" e o "piegas".

Depois dos discursos na noite eleitoral, passamos a ter o "rancoroso".



Publicado por JL às 14:41 | link do post | comentar

Manuel Alegre lutou mas não venceu. O candidato apoiado pelo PS e BE alcançou nestas eleições 19.75% dos votos contra 20.70% em 2006, ou seja menos 294559 votos.

Manuel Alegre, outrora o candidato rebelde e independente que conquistou o voto de mais de um milhão de portugueses, perdeu a luta nestas eleições presidenciais, mesmo contando com o apoio do seu partido de sempre, o PS, do BE e do PCTP/MRPP.

O candidato assumiu todas as responsabilidades pela derrota, isentando os partidos que o apoiaram, mas houve falhas. E esse mesmo apoio, aliado a alguma falta de tacto que Alegre demonstrou ter no contacto com as pessoas, pode ter ajudado à perda de votos.

Depois de mais de um milhão de votos em 2006, o candidato que um dia foi independente não conseguiu alcançar o seu objectivo destas eleições: ir a uma segunda volta. Nem em Águeda, a sua terra natal, conseguiu convencer e perdeu para Cavaco Silva.

Resta agora saber qual será a próxima luta de Manuel Alegre, o candidato que um dia surpreendeu o país.

[Sapo]



Publicado por JL às 00:03 | link do post | comentar | comentários (2)

Domingo, 23.01.11

 

Alegre reconhece derrota pessoal e rejeita responsabilidade do PS

O candidato Manuel Alegre assumiu, pessoalmente, a derrota nas presidenciais, garantindo que esta é sua e não “daqueles que o apoiaram”, rejeitando qualquer responsabilidade do PS, recordando que “todos os candidatos”, a começar por Cavaco, tiveram menos votos.

No discurso no hotel Altis – que contou com a presença do secretário-geral do PS, José Sócrates – Manuel Alegre salientou que “não foi o Partido Socialista que perdeu este combate”.

“Assumo pessoalmente esta derrota. Rejeito qualquer comparação com outras eleições. Cada eleição tem a sua dinâmica própria”, disse.

Segundo o candidato derrotado – que afirmou já ter felicitado Cavaco Silva pela vitória nas presidenciais – “em democracia não é vergonha perder, vergonha é fugir ao combate e não saber pelo que se luta”.

“A derrota é minha, não é daqueles que me apoiaram. Tenho pena e peço-vos desculpa por não ter conseguido fazer melhor”, reforçou, saudando o PS, Bloco de Esquerda e demais partidos e movimentos cívicos que o apoiaram na corrida a Belém.

Questionado pelos jornalistas sobre o que falhou para não ter conseguido uma segunda volta, o candidato rejeitou que o apoio dos partidos tenha falhado. “O que falhou foi eu não ter conseguido o resultado que pretendia. Aliás, todos os candidatos, a começar pelo vencedor, tiveram também menos votos. Isso em nada diminui a legitimidade da sua eleição”, declarou.

À pergunta se poderia ter sido prejudicado por ter o apoio do partido que está no executivo, Alegre garantiu que “não era candidato do Governo”. “Era um candidato que se apresentou por decisão pessoal e que foi apoiado depois pelo Partido Socialista, Bloco de Esquerda e outros partidos”, relembrou.

O ex-dirigente socialista disse ainda estar “nos combates do PS para o bem e para o mal”. “A riqueza e a força do PS é sermos um partido plural, onde há divergências e liberdade”, defendeu.

[Público]



Publicado por Izanagi às 23:32 | link do post | comentar | comentários (9)

Sexta-feira, 21.01.11


Publicado por JL às 21:47 | link do post | comentar

Boaventura de Sousa Santos recebeu o Prémio México de Ciência e Tecnologia2010, que distinguiu pela primeira vez um cientista social. O sociólogo confessa que se sente feliz por este reconhecimento das ciências sociais.

Nesta entrevista conduzida pela jornalista Carolina Ferreira, Boaventura de Sousa Santos fala ainda sobre a situação atual do país, considerando que poderá haver agitação social caso as medidas de austeridade decretadas pelo Governo falhem.

Em relação a uma eventual intervenção em Portugal do Fundo Monetário Internacional (FMI), Boaventura de Sousa Santos afirma que não é necessária e seria negativa para o país. O sociólogo analisa ainda a campanha eleitoral para as eleições presidenciais de domingo e sublinha que há sinais de uma possível crise política.

 

RDP, Antena 1



Publicado por [FV] às 10:15 | link do post | comentar



Publicado por JL às 08:05 | link do post | comentar | comentários (9)

Os que votam no Senhor Silva e os que usam a cabeça

Um amigo meu comprou um frigorífico novo e para se livrar do velho, colocou-o em frente do prédio, no passeio, com o aviso:

"Grátis e a funcionar. Se quiser, pode levar".

O frigorífico ficou três dias no passeio sem receber um olhar dos passantes.

Ele chegou à conclusão que as pessoas não acreditavam na oferta. Parecia bom de mais para ser verdade e mudou o aviso:

"Frigorífico à venda por 50,00 €. No dia seguinte, tinha sido roubado!

Cuidado! Este tipo de gente vota! No Senhor Silva.

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Ao visitar uma casa para alugar, o meu irmão perguntou à agente imobiliária para que lado era o Norte, porque não queria que o sol o acordasse todas as manhãs. A agente perguntou: "O sol nasce no Norte?"

Quando o meu irmão lhe explicou que o sol nasce a Nascente (aliás, daí o nome e que há muito tempo que isso acontece!) ela disse: "Eu não estou actualizada a respeito destes assuntos".

Ela, também, vota! No Senhor Silva.

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Trabalhei uns anos num centro de atendimento a clientes em Ponta Delgada - Açores.

Um dia, recebi um telefonema de um sujeito que perguntou em que horário o centro de atendimento estava aberto.

Eu respondi: "O número que o senhor discou está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana."

Ele então perguntou: "Pelo horário de Lisboa ou pelo horário de Ponta Delgada?"

Para acabar logo com o assunto, respondi: "Horário do Brasil."

Ele vota! No Senhor Silva.

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Um colega e eu estávamos a almoçar no self-service da empresa, quando ouvimos uma das assistentes administrativas falar a respeito das queimaduras de sol que ela tinha, por ter ido de carro para o litoral.

Estava num descapotável, por isso, "não pensou que ficasse queimada, pois o carro estava em movimento."

Ela, também, vota! No Senhor Silva.

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A minha cunhada tem uma ferramenta, salva-vidas no carro, para cortar o cinto de segurança, se ela ficar presa nele. Ela guarda a ferramenta no porta-bagagem!

A minha cunhada, também, vota! No Senhor Silva.

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Uns amigos e eu fomos comprar cerveja para uma festa e notámos que as grades tinham desconto de 10%. Como era uma festa grande, comprámos 2 grades. O caixa multiplicou 10% por 2 e fez-nos um desconto de 20%.

Ele também vota! No Senhor Silva.

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Saí com um amigo e vimos uma mulher com uma argola no nariz, ligada a um brinco, por meio de uma corrente.

 O meu amigo disse: "Será que a corrente não dá um puxão cada vez que ela vira a cabeça?"

Expliquei-lhe que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem à mesma distância, independentemente da pessoa virar a cabeça ou não.

O meu amigo, também, vota! No Senhor Silva.

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Ao chegar de avião, as minhas malas nunca mais apareciam na área de recolha da bagagem.

Fui então ao sector da bagagem extraviada e disse à senhora que as minhas malas não tinham aparecido.

Ela sorriu e disse-me para não me preocupar, porque ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos. "Agora diga-me, perguntou ela... o seu avião já chegou?"

Ela também vota! No Senhor Silva.

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À espera de ser atendido numa pizzaria observei um homem a pedir uma pizza para levar. Ele estava sozinho e o empregado perguntou se ele preferia que a pizza fosse cortada em 4 pedaços ou em 6.

Ele pensou algum tempo, antes de responder: "Corte em 4 pedaços; acho que não estou com fome suficiente para comer 6 pedaços."

Isso mesmo, ele também vota! No Senhor Silva.

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Mais ninguém vota no Senhor Silva porque há outras escolhas e a maioria das pessoas têm cabeça e fazem uso dela. Não se esqueça de, no próximo Domingo, usar a sua cabeça.


MARCADORES:

Publicado por Zé Pessoa às 08:00 | link do post | comentar | comentários (4)

Quinta-feira, 20.01.11

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Publicado por JL às 22:47 | link do post | comentar | comentários (1)

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