Televisão, jornalismo e política

Por detrás das perguntas aos candidatos   (envieseamento, 'bias', manipulação)

(-por J.R.Almeida, 20/1/2016, Ladrões de B.) 

 
A televisão é o meio de comunicação social com maior penetração na população. O seu conteúdo pode condicionar a vida política nacional e influenciar acontecimentos.
     Por exemplo, estou convencido de que, em Setembro de 2012, foi a televisão que esteve na base da dimensão daquela que foi tida como a maior manifestação nacional pós 1ºMaio de 1974. Nos dias anteriores à manifestação "Que se lixe a Troika", os noticiários foram dando conta da evolução do número de "likes" na página da manifestação no facebook. Tudo porque os jornalistas se convenceram que se tratava de uma manifestação convocada fora do espectro partidário e, por isso, original e pura, digna de ser apoiada.
      O espaço televisivo é um bem público. E por isso a sua concessão a televisões privadas foi objecto de contratos que, na verdade, não são vigiados nem controlados pelas autoridades públicas. O Estado cedeu às televisões um bem público de importância crucial. E essa importância passa, necessariamente, pela qualidade (, liberdade e não-precariedade) dos jornalistas, criadores de informação.
     Vem isto a propósito das perguntas que foram feitas no debate dos candidatos a presidente da República, na emissão de ontem da RTP. Elas revelam mais o que lhes vai na alma do que propriamente algo que seja relevante para o país. Em muitos casos, as perguntas seguem pequenos fait-divers, falsos sensos comuns, e, muitas vezes, são picadelas para provocar opiniões veementes. Mas, pior, revelam as crenças do entrevistador.
    Senão, vejam-se as perguntas feitas (em comentário anexo ao 'post') apenas até ao 1º intervalo, supostamente perguntas sobre "as convicções" dos candidatos. ...
      ... A minha referência aos contratos de concessão do espaço televisivo apenas foi feita para sublinhar o vazio político em que o Estado se colocou perante esse poderoso instrumento político. E a forma como a televisão pública se deixou contagiar pela forma de funcionamento das televisões privadas, é igualmente sinal disso. E a falta de profundidade de jornalistas da televisão pública ou o mimetismo da sua prática, numa função de entretenimento (e concorrência por 'shares' e receitas, com abaixamento de qualidade), é igualmente sintoma disso. Em vez de ter sido a prática jornalística pública a contagiar os jornalistas das televisões privadas, como deveria ser dada a função pública do espaço televisivo, foi precisamente o contrário do que se verificou.
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A. Samara disse:

     O Presidente da República, no atual quadro constitucional tem poderes. Estou a pensar no poder de convocar extraordinariamente a Assembleia da República e no poder de recusar a demissão do Primeiro Ministro.
     Todos podemos recordar que diversos Presidentes puderam influenciar a governação, não ao nível das medidas concretas, mas, através dos seus discursos, do que decorre de uma concreta visão estratégica do devir social, quer nacional, quer global.
     Essa influência tem o suporte democrático do sufrágio universal, directo e secreto dos cidadãos portugueses eleitores recenseados no território nacional, bem como dos cidadãos portugueses residentes no estrangeiro.
     Saber qual é a visão estratégica dos candidatos à Presidência da República é crucial.
As questões que foram colocadas aos candidatos refletem a nossa "portugalidade": falta de informação e de formação e uma visão pouco profunda da realidade. Essa "portugalidade" tem vindo a ser induzida por aqueles que desejam que, à semelhança do desejado por Salazar, que os portugueses saibam escrever e contar mas não mais que isso.
    No mais, antes, dizia-se com ar impante que "a minha política é o trabalho" em associação com "manda quem pode e obedece quem deve". Agora privilegia-se a visão e o comentário de café, sem qualquer ponderação da profundidade, dos antecedentes, das consequências e dos objetivos das tomadas de posição.
    Tal como antes, promove-se a "levesa" de pensamento, empurrando os cidadãos para uma iliteracia política que convém a quem pretende comandar um povo sem que este dê por isso.
    Os entrevistadores (e...) são apenas os homens de mão daqueles que têm o poder de lhes dar emprego e estes aqueles que, sorrateiramente, acedem aos desejos dos que na sombra têm uma visão estratégica do país e do mundo que lhes permita manter o "manda quem pode e obedece quem deve", "devendo" o comum dos cidadãos ausentar-se de tomar uma qualquer posição política que não seja a do comentário alarve e inconsequente que é usual nos lugares públicos comuns.
    Muito há fazer para que seja valorizada a opinião política séria. Como primeiro passo, importa que os que podem reconhecer esta situação a denunciem de forma reiterada e consequente, intervindo junto dos cidadãos, na sociedade civil, que de tal facto não se apercebam por tal não lhe ter sido permitido, por encaminhamento para a renúncia inconsciente aos seus direitos de cidadania.
    Os entrevistadores devem ser incluídos como parte visível dessa manigância infernal de subalternização dos cidadãos.



Publicado por Xa2 às 07:45 de 23.01.16 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PaFiento mor + desgoverno neoliberal

  P.R. indigita P.Coelho ...  fazendo  inadmissível discurso PaFientoinsolente, faccioso, ameaçador da liberdade, democracia e poderes da A.R..   

     ... O  Pres. da Rep. não possui mandato para excluir qualquer partido do sistema politico, nunca lhe foi concedido mandato para impor as suas visões programáticas à vontade dos cidadãos da República.    O (ainda) Presidente da República sempre se evadiu de muitas da suas responsabilidades constitucionais. Sabe perfeitamente que o governo que Passos Coelho (sem apoio maioritário na A.R.) será derrubado pelo parlamento, que amanhã toma posse e que dentro de umas quantas semanas voltaremos a esta situação, em que quatro partidos (PS +BE+PCP+PV) com a maioria absoluta no parlamento lhe apresentarão uma solução governativa por eles suportada. Ao voltar a rejeitar tal projecto, Cavaco Silva estará, aí sim, a "alterar radicalmente os fundamentos do nosso regime democrático"... (-D.Crisóstomo, 365forte, 22/10/2015)

  Entretanto na sede do Secretariado Nac. da Informação   (-Aventar, J.Mendes):Propaganda.



Publicado por Xa2 às 09:14 de 23.10.15 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Repúblicas e ditadura -vs- democracia

Rescrever a História?   (Aventar, 01/10/2014 por António de Almeida)

-O Estado Novo existiu. É um tempo Histórico que ninguém deseja ver repetido, mas também não deve ser esquecido. Muito menos apagado como se entre 1926 (28 maio) e 1974 (25 abril) ninguém tivesse exercido o cargo de Presidente da República em Portugal. Ou não se realizaria uma exposição e parece-me duvidoso que a presença de 3 personagens o justifique, ou se vamos pelo carácter provavelmente alguns dos políticos da 1ª república talvez merecessem um escrutínio mais apertado. Isto para não ir mais longe, porque se abrirmos a caixa de Pandora acabamos a retirar as estátuas do Marquês de Pombal. Tenham juízo. Apagar imagens e rescrever História é prática de regimes totalitários, não de Democracias.

-O assunto nem merece toda esta polémica que se levantou à volta dos bustos. Mas então porque não retirar os quadros de todos os Presidentes da República que estão expostos no Palácio de Belém. Durante 40 anos ninguém levantou a questão. Nestes 40 anos em sucessivas audiências aos diversos P.R. terão passado extremistas e radicais durante o PREC, enquanto líderes de oposição Álvaro Cunhal, Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã entre outros. Quando este programa foi para o ar na RTP, ocupava o Palácio de Belém como chefe de Estado, Mário Soares. Será ele também um perigoso revisionista que pretende branquear o passado? Os quadros podem ficar expostos em Belém, mas os bustos em S.Bento já são intoleráveis? Porquê agora, passados 40 anos? Ou tem apenas a ver com o momento político e querem à força arranjar mais uma disputa ideológica?

Bustos       (01/10/2014 por José Gabriel)

Já cá faltavam as boas almas a desancarem o PCP, os Verdes e o BE pela oposição que aqueles partidos manifestaram à presença dos bustos dos “presidentes” nomeados por Salazar na exposição da Assembleia da República. Pois eu subscrevo o protesto daqueles deputados. E isso não tem nada a ver com o “apagar da história” com que tanto se preocupam alguns.

Deixando de lado o facto de a exposição de bustos ter sempre associada a ideia de homenagem – dou de barato que não será esse o caso – a questão é de saber se o tempo que vivemos é a ou a República, ou seja, se o período fascista foi uma fase da República Portuguesa. Se esse regime se plasma numa “res-publica”, coisa do povo, coisa pública. Na minha modesta opinião, não. Logo, é totalmente desadequado classificar os três títeres fascistas como “presidentes da república”, já que tal república não existia. Não podemos ficar reféns da dicotomia república-monarquia. Diria mesmo, talvez para escândalo de alguns, que a monarquia constitucional em Portugal teve momentos mais próximos dos valores republicanos que o Salazarismo.

Peninsulares   (02/10/2014 por João José Cardoso)

Onde, na Europa, um parlamento expõe bustos dos seus ditadores do séc. XX? na Alemanha ou em França, países com legislação anti-revisionista, que têm metido na cadeia os que tentam branquear a História?

Imaginam vária imprensa e imensos blogues a glorificarem um criminoso de guerra e terrorista confesso por altura do seu falecimento nesses dois países, ou numa Bélgica ou Holanda?

Estão a ver os partidos de um governo na defesa da “memória” de um Hitler (que até foi eleito), das estátuas de Estaline ou pregando por Petain?

Neste canto da Europa, o ibérico, também a desgraça nos une. O governo espanhol e o português juntam-se na mesma mistificação, são governos sabonete, lavam e ainda perfumam. Somos o canto das ditaduras que não soubemos extirpar, uns trocaram a democracia pela desonra dos seus milhares de heróis assassinados pelo bárbaro Franco, nós deixámos que lentamente o Estado Novo seja visto com a brandura habitual proclamada pelos seus herdeiros.

Somos a vergonha da Europa.

 



Publicado por Xa2 às 07:45 de 04.10.14 | link do post | comentar |

Captura do Estado, predação, tráfico e promiscuidade "políticos--negócios"...

             A  economia  política  está  à  vista         (-por J.Rodrigues)

    Temos insistido, por exemplo com a metáfora da ida ao pote, que uma das principais e mais perversas orientações das políticas públicas neoliberais é a transformação dos serviços públicos em outras tantas oportunidades para negócios – da saúde à educação, das prisões aos centros de emprego: “O Governo quer avançar com a colaboração entre os centros de emprego e as empresas privadas de recursos humanos na gestão e colocação de desempregados não subsidiados.”
    Obviamente, esta tendência predatória adensa a rede entre a política e o grande capital, essencial no capitalismo realmente existente, o que obriga a sair do romance do mercado para a realidade do poder e das suas redes, tanto mais fortes quanto mais fracos são os freios e contrapesos sindicais ou de controlo social através da propriedade e gestão públicas de sectores essenciais. Dois exemplos desta saída do romance para a realidade são o trabalho sobre os mais poderosos do Negócios e Os Donos de Portugal: têm agora uma infografia e uma visualização interactiva que vale a pena ver.    ---   (Também aqui na coluna à direita, em «destaque do mês» de janeiro 2014 apresenta-se : Um ecossistema ystem ofpolítico-empresarialcorporate politicians,,,, Portugal 1975-2013   (via http://pmcruz.com/eco/ ).      Clic na aplicação para ter uma visualização interactiva das relações de (ex-)membros de Governos de Portugal com empresas e grupos económicosive visualization of the relations between members of Portuguese governments and companies Tendo cada empresa um tamanho proporcional ao número de (ex-)políticos que participam nessa empresa (como acionistas, administradores, dirigentes, ...).
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- Será que existe mesmo grande correlação entre a promiscuidade política/políticos e os negócios ... ?
    É que a falta de interesse do parlamento/ A.R. em melhorar a "lei das incompatibilidades" (e o nepotismo, o tráfico de influências, fontes privilegiadas, as regalias de deputados e ...), o "período de nojo" após o exercício de cargos políticos, as despesas da sua própria 'casa/A.R.' (e da P.R.  e gabinetes governamentais), deixam muito a desejar em termos de exemplo a seguir pelos cidadãos...  - pois «à mulher de César não basta ser séria...» e a Democracia e a Res Púbica exigem transparência, justiça e igualdade de tratamento e de acesso.


Publicado por Xa2 às 13:07 de 07.01.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O AFUNDADOR

Se a situação estava confusa, mais confusa ficou depois da enigmática proposta de Cavaco Silva. A sua intervenção da semana passada fez-me lembrar o mágico que queria mostrar um truque de cartas extraordinário, mas que a meio se atrapalhou e atirou o baralho ao ar, espalhando tudo em seu redor.

A ideia do lamentável Presidente que temos parte de dois pontos: ele acha que ao propor diálogo fica isento de culpas no cartório e, depois, consegue arranjar espaço de manobra para tentar impor uma solução sua, não sujeita a eleições e não controlada pelo Parlamento. O que este Presidente da República está a tentar é subverter o regime sob a aparência da normalidade.

Já tínhamos provas bastantes dos problemas que existiam com o semi-presidencialismo do regime português, agora, com azar, talvez tenhamos que  ver  a nossa vida num regime presidencialista com fraca cultura democrática. Preparem-se que a longa metragem em pré-produção em Belém parte desse guião.

Como se tem visto nestes últimos dias o Presidente, que despertou para o que se passava tarde e a más horas,  deixou de querer usar a magistratura de influência para usar a magistratura da imposição. No fundo ele  está apenas a usar os partidos para depois dizer que não se entendem, e aparecer ele próprio – ou por interposta pessoa de um seu escolhido – como o salvador da pátria.

Tenho uma certa embirração pelos salvadores da pátria e aquilo que está a acontecer  faz-me reforçar ainda mais a minha desconfiança. Daqui não vai sair nada de bom e o resultado deste presidencialismo está  já à vista: mais dificuldades externas, maior confusão política, maior instabilidade, degradação da situação económica. Ou seja, um afundador do país em vez de um salvador da pátria. Lamentável presidência.

Por: Manuel Falcão [Metro]



Publicado por [FV] às 11:02 de 17.07.13 | link do post | comentar |

Alternativas à Destruição dos Troikos

Da destruição, das alternativas


     O resultado desastroso da estratégia de austeridade e da diluição da legitimidade democrática da atual governação exigiriam do PR uma solução óbvia: a convocação de eleições. Mas, em vez disso, Cavaco Silva propôs ao país a constituição de um governo de Salvação Nacional e um compromisso entre PSD, CDS e PS para perpetuar o programa da troika, independentemente do resultado das próximas eleições legislativas. A proposta do PR é política e eticamente inaceitável. Aquele que deveria ser o garante do regular funcionamento das instituições pretende impor ao País a anulação da democracia – fazendo das eleições um ato de democracia condicionada e promovendo a legitimação de uma mera democracia de fachada.
     Vale a pena ler a tomada de posição do  Congresso  Democrático  das  Alternativas (CDA) :   o  regular  funcionamento  da  destruição .


Publicado por Xa2 às 07:43 de 12.07.13 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Este não é o caminho...

Custe o que custar, mesmo para além de…

 Passos Coelho     Já todos entendemos de que o “custe o que custar” pode ir para além da legalidade e do cumprimento dos próprios preceitos que definem a existência do actual Governo.

     Já todos nos apercebemos de que a mil vezes evocada condição de economista do Presidente da República o faz confundir o juramento constitucional de cumprir, defender e fazer cumprir a Constituição, com a sobreposição dos seus interesses partidários e com o cumprimento, defesa e obrigatoriedade de cumprimento do Orçamento do Estado, mesmo que seja contra os interesses nacionais e contra a Constituição.

     Já todos entendemos que o Presidente da República justifica os seus actos, nomeadamente este que revela uma quebra consciente e assumida do seu juramento constitucional – uma vez que tinha declarado, anterior e publicamente, estar consciente da violação da norma constitucional - com desculpas esfarrapadas como a de que nunca, anteriormente a ele, algum Presidente havia inviabilizado um OE e omitindo (como aliás é useiro e vezeiro em omitir no que lhe interessa (lembram-se da questão das pensões em que só falou de uma parte insignificante do que recebia?), que também nenhum dos seus antecessores tinha promulgado conscientemente uma Lei que contivesse clausulas inconstitucionais.

     Já todos nos apercebemos de que Paulo Portas só aparece quando os actos estão consumados e que se faz sempre de vítima quando os escândalos de que é co-responsável já são do domínio público.

     Já todos nos apercebemos de que este Governo exerce a política da chantagem e da ameaça e que só se prontifica a negociar depois de verificar que a sua chantagem não funciona (caso da greve dos médicos e da dos pilotos da TAP).

     Já todos nos apercebemos de que a agenda é despedir 100.000 trabalhadores da Administração Pública e que a estratégia seguida está a caminho de concretizar esta agenda.

     Já todos nos apercebemos de que o “ir mais além” é o ensaio para se saber até onde podem ir e que, se não lhes explicarmos que já foram longe demais, tentarão ir sempre ainda mais além.

     Já todos nos apercebemos de que, quando a Troika tiver de admitir que as suas políticas são miseráveis e que não servem os seus próprios interesses (porque não é possível conseguir o reembolso de quem já nada mais tem para reembolsar), irá desculpar-se com “o mais além daquilo que tinham proposto” com que Passos Coelho e Paulo Portas entenderem empobrecer Portugal.

     Já todos entendemos de que o “custe o que custar” está à beira de custar o próprio cumprimento dos nossos compromissos internacionais.

     Já todos entendemos e parece que só o Governo não entendeu ainda, de que estamos no caminho errado e de que a determinação do actual poder mais não é do que uma teimosia na defesa dos interesses de muito poucos à custa do inadmissível sacrifício de todos os outros.   (- LNT  [0.338/2012] A Barbearia, 8.7.2012) 
                        O pior ainda está para vir   (-por Sérgio Lavos, Arrastão, 8.7.2012)
     Fui perdendo o hábito de ver telejornais ao longo do tempo. E nos últimos anos, a sua obsolescência foi-se tornando cada vez mais evidente. Os jornais on-line actualizam a informação ao longo do dia e os canais noticiosos de hora a hora. Se pretendo informação, é melhor nem esperar pelos principais blocos noticiosos, repletos de informação que não é nova, reportagens sensacionalistas e "casos da vida" para o grande público. Mas o pior é que os telejornais servem de caixa de ressonância das opiniões mainstream sobre a realidade e de veículo de propaganda dos partidos do arco governativo, o PSD, PS e CDS. Se isso é claro na RTP (sempre com uma tendência para os partidos que ocupam o poder), acaba por ser mais ou menos evidente nos canais privados.
       Um dos exemplos deste via única do pensamento são os directos dos discursos políticos. Os assessores trabalham no terreno os jornalistas e editores dos telejornais, dão a cacha e, à hora prevista, lá está a propaganda servida em prime time. José Sócrates terá aprimorado o modelo, mas Pedro Passos Coelho (com a ajuda do inefável Relvas) é um bom seguidor do antigo primeiro-ministro.
      Quando passo pelos telejornais, confirma-se a ideia. Ontem, a partir das 20h30, lá teve Passos Coelho o seu tempo de antena em pleno Telejornal da RTP. O motivo? A festa da JSD - que, muito significativamente, foi organizada no Algarve. As banalidades barítonas do costume, e um ou outro chavão para animar a juventude partidária, entre eles uma esotérica referência à "proletarização dos recibos verdes" - parte-se do princípio que ele estaria a referir-se à precarização, mas não convinha utilizar o termo, com uma carga pejorativa para a sociedade.
      A cereja em cima do bolo foi o primeiro sinal do que aí vem, um apalpar do terreno que já começa a tornar-se comum neste Governo. Vai-se testando uma ideia na opinião pública até que o que à partida é inadmissível ou impraticável se torna inevitável. E onde pensa Passos Coelho ir buscar o dinheiro que o fim da suspensão do pagamento dos subsídios à Função Pública obriga? Ao Estado Social, como não poderia deixar de ser. Cada corte feito é uma oportunidade para este Governo. Uma oportunidade de aplicar no terreno a sua agenda ideológica. Não interessa que até aqui esta destruição não só tenha piorado a vida dos portugueses como não tenha trazido quaisquer resultados práticos em termos de redução do défice e da dívida pública. Isso é secundário.
      O mais importante é acabar com o Estado Social, cumprindo o sonho molhado neoliberal de Passos Coelho. De preferência, mantendo intocada a rede de interesses que suga o Estado dos recursos básicos para a população. Não esqueçamos: Passos Coelho poderia apontar às PPP's, à banca que paga muito menos impostos do que o resto da economia ou aos rendimentos e património dos mais ricos (como fez Hollande em França). Mas não o fez.
      O Governo não é forçado a cortar na Saúde e na Educação; escolhe-o fazer para não atacar o sistema que alimenta os interesses das corporações que parasitam o Estado. Uma escolha política, nunca uma inevitabilidade. E cada revés (como o da decisão do Tribunal Constitucional) é visto como uma oportunidade para avançar mais neste desígnio neoliberal: mudar para ficar tudo na mesma. Ou melhor, para reforçar o poder das corporações, das empresas de amigos, do capitalismo predatório que suga os recursos do país aproveitando-se da mão de obra cada vez mais barata dos trabalhadores portugueses. A China da Europa, como é o desejo, recentemente verbalizado, de Angela Merkel.
      Falar de Miguel Relvas - um morto-vivo político com a resistência de uma carraça e a flexibilidade de uma lesma - até acaba por funcionar como cortina de fumo para as medidas governamentais que estão a destruir o país. É preciso ver para além deste nevoeiro e perceber qual o objectivo do Governo. E o pior ainda está para vir.


Publicado por Xa2 às 07:45 de 09.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Nunca chega !!! Falta de vergonha

Omissões, inverdades e vídeos

Muppley     Desta vez foi Cavaco. Acredito que ele tenha dito o que disse para explicar que também lhe caiu em sorte uma parte dos "sacrifícios" exigidos aos portugueses e que faz parte do grupo daqueles a quem eles são impingidos de forma desigual.
     No fundo Cavaco é pensionista e é sobre os pensionistas e os trabalhadores da administração pública que estão a recair as maiores cargas de pancadaria.
     Cavaco Silva, o Presidente que jurou a Constituição, que reconheceu que as medidas tomadas por este Governo ferem o princípio da igualdade enunciado nessa mesma Constituição e que mesmo assim promulgou as medidas sem consultar o Tribunal Constitucional, é o mesmo que agora se lamenta por lhe ter sido retirado parte do seu sustento a favor de muitos que não são chamados equivalentemente a colaborar no esforço nacional.
     Até aqui entendeu-se (incluida a incoerência), a partir daqui ofendeu-nos.
     Quando só refere a pensão de 40 anos como Professor e fala de 1.300 euros mensais está a falar de qualquer coisa da qual omite razões. Nenhum professor universitário que trabalhou 40 anos recebe 1.300 euros de reforma a não ser que os descontos feitos se refiram a parcelas muito curtas de trabalho diário.
     Quando não refere o valor da pensão que recebe de Banco de Portugal nem o tempo que nele fez descontos para a poder usufruir, está a tentar enganar aqueles a quem dirige a mensagem. Sabemos que as pensões do Banco de Portugal são uma afronta a todos os que trabalharam toda a vida, fizeram descontos toda a vida e agora estão na dependência da prepotência de uma entidade patronal que unilateralmente lhes subtrai parte do pagamento.
     Quando diz que prescindiu do ordenado que a sua função lhe determinou e não explica o porquê, isto é, que entre o ordenado de Presidente da República e aquilo que recebe em reformas acumuladas preferiu as reformas por lhe darem um rendimento superior, está a tentar fazer de parvos todos os cidadãos.
     Quando informa que ele e a sua mulher foram muito poupados toda a vida e que agora usam parte dessas poupanças para fazer face à vida de luxo que levam (porque a quem 10.000 euros mensais não chegam tem de ter uma vida de luxo) está a insultar todos os portugueses que nunca puderam poupar porque o dinheiro nunca lhes chegou até ao fim do mês.
     Azar não ter acontecido mais perto do Natal. Alguém lhe teria metido uma fatia de bolo-rei na boca e teríamos sido poupados a mais este ultraje.
                  LNT, [0.045/2012]A Barbearia  ---------------------------

         A mentira (e a falta de vergonha na cara) como modo de vida ,(por Sérgio Lavos)
Cavaco diz que as reformas dele não chegarão para pagar despesas.        Palavras para quê? É um artista português. Pode-se bater mais fundo? Todos os dias se confirma que sim.     Adenda: para quem acredita ainda em fadas. As reformas de Cavaco totalizaram 10.042 euros por mês em 2009. Portanto, mentiu descaradamente. Outra coisa extraordinária na declaração de Cavaco é ele ter sugerido que abdicou de forma benemérita (!?!!) do seu salário de presidente, sendo apenas um mísero reformado. A expressão popular adequa-se: parem de gozar com a cara das pessoas. 
                
Nunca chega , Cavaco aufere rendimentos anuais que o colocam no último percentil nacional (o tal 1% do topo de que agora se fala). Ao afirmar que estes rendimentos não chegam para as despesas, Cavaco exemplifica bem o autismo social da sua economia política e moral.
   Indica também como estas elites políticas reaccionárias parecem ter sempre os olhos postos no peixe capitalista bem graúdo com quem convivem, seja a nível nacional, seja a nível internacional, tomando como suas as expectativas, hábitos e também os interesses destes. Só assim se compreende...


Publicado por Xa2 às 07:55 de 23.01.12 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

UM COMPROMISSO NACIONAL DE MERCEARIAS

António Barreto e Lobo Xavier

Os representantes das duas maiores mercearias portuguesas:

 Pingo Doce e Continente 

disfarçados de promotores de "Um compromisso nacional”.

Após um encontro de perto de hora e meia com o Presidente da República, António Barreto e António Lobo Xavier, dois dos promotores do manifesto “Um compromisso nacional”, já subscrito por mais de uma centena de personalidades, adiantaram aos jornalistas que a reunião teve como objectivo apresentar ao chefe de Estado “algumas das propostas, das sugestões ou das eventuais recomendações dos signatários”.



Publicado por JL às 00:03 de 20.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Viram por ai o Anibal?


Publicado por JL às 00:01 de 17.04.11 | link do post | comentar |

Desaparecido


Publicado por JL às 12:38 de 15.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Sugestão

Uma sugestão ao Senhor Presidente da República e aos que reclamam um seu maior protagonismo.

Acho espantoso como tanta gente ainda reclama do Presidente da República uma maior intervenção para um necessário entendimento partidário que permita negociar a "ajuda externa" a uma só voz.

Eu, que sou parlamentarista convicto e defendo um governo de coligação desde o momento em que o PS não conseguiu maioria absoluta nas últimas eleições legislativas, parece-me bem melhor que Cavaco Silva se abstenha de qualquer intervenção e o necessário entendimento seja conseguido com recurso exclusivo ao diálogo interpartidário.

É que se formos bem a ver, sempre que o actual Presidente da República decide deixar episodicamente o seu "anonimato" e assumir algum protagonismo, é certo e sabido que nada de muito positivo se pode esperar. Querem provas?

Pois foi o que aconteceu com o Estatuto dos Açores (onde até conseguiu desbaratar alguma razão que lhe assistia), o triste caso das "escutas", a audiência aos representantes da oposição madeirense numa sala de hotel, as críticas a Mª de Lurdes Rodrigues e Correia de Campos, os discursos de vitória e de posse, as "fantasias" (ou serão rapsódias?) húngaras e assim sucessivamente. Difícil, difícil mesmo é descobrir quando a sua intervenção se terá saldado por um qualquer sucesso e não por um fracasso rotundo.

Por isso mesmo, e bem vistas as coisas, é melhor que o senhor Presidente se deixe ficar lá quietinho, no "rimanço" do lar, e não se arrisque ainda a contribuir mais para a asneira que já por aí vai que chegue. Olhe, tire férias e apareça lá para Julho para dar posse ao novo governo! Mas em silêncio! Entretanto nós, os cidadãos, iremos passando lá pela sua página do Facebook ou pelo "site" da Presidência para sabermos se continua a gozar de boa saúde. Vale?

JC [O Gato Maltês]



Publicado por JL às 00:08 de 15.04.11 | link do post | comentar |

Compensação!?

Despacho n.º 6342/2011

Por despacho do Ministro dos Assuntos Parlamentares de 7 de Fevereiro de 2011, foi homologada a tabela de compensação pela emissão radiofónica de tempos de antena relativa à campanha para a eleição do Presidente da República de 23 de Janeiro de 2011, a seguir mencionada:

Estações de radiodifusão de âmbito regional:

TSF/Rádio Press — € 37 730

RRL Rádio Regional de Lisboa (RCP) — € 37 730

Posto Emissor de Radiodifusão do Funchal — € 9 659

Nota. — A estes valores aplicam -se as taxas e impostos em vigor.

6 de Abril de 2011. — O Director -Geral, em regime de substituição,

Jorge Manuel Ferreira Miguéis

 

Despacho n.º 6343/2011

Por despacho do Ministro dos Assuntos Parlamentares de 7 de Fevereiro de 2011, foi homologada a tabela de compensação pela emissão radiofónica de tempos de antena relativa à campanha para a eleição do Presidente da República de 23 de Janeiro de 2011, a seguir mencionada:

Estações de radiodifusão de âmbito nacional:

RTP, Rádio e Televisão de Portugal — € 115 138

RC, Rádio Comercial — € 143 546

RR, Rádio Renascença — € 325 525

Nota. — A estes valores aplicam -se as taxas e impostos em vigor.

6 de Abril de 2011. — O Director -Geral, em regime de substituição,

Jorge Manuel Ferreira Miguéis

 

Despacho n.º 6344/2011

Por despacho do Ministro dos Assuntos Parlamentares de 7 de Fevereiro de 2011, foi homologada a tabela de compensação pela emissão televisiva de tempos de antena relativa à campanha para a eleição do Presidente da República de 23 de Janeiro de 2011, a seguir mencionada:

Estações de televisão públicas e privadas:

RTP Radiotelevisão Portuguesa — € 478 400

SIC Sociedade Independente de Comunicação S. A. — € 766 000

TVI Televisão Independente S. A. — € 755 600

Nota. — A estes valores aplicam-se as taxas e impostos em vigor.

 

E eu a pensar que a crise era geral...inocência a minha.



Publicado por Izanagi às 12:20 de 14.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

A ser verdade...

A ser verdade o que se lê aqui, restam três conclusões:

1. O silêncio do Sr. Silva, presidente de uma facção de portugueses, mostra ou falta de capacidade para "ler" a evolução económica do país ou tacticismo em desfavor (mais uma vez) do Governo. Entre ser-se incompetente e traidor dos interesses do país, venha o diabo e escolha;

2. Passos Coelho, ao contrário do que passou na comunicação social e do que o próprio afirmou, foi afinal contactado antes da apresentação do PEC IV, mas recusou qualquer diálogo. Ou seja, a acusação de que este governo não fez os possíveis para negociar o PEC cai por terra. E confirma-se o desejo de PPC e do actual PSD em derrubar, o quanto antes, com ou sem rasteiras, o governo para ir ao pote; e

3. Há muita gente que insiste, mesmo à beira da falência, em colocar os interesses próprios à frente dos interesses nacionais e colectivos. E esta gente sempre ficou na História pela negativa. Mas, graças às suas limitações, não compreendem este facto histórico.

Ricardo Sardo [Legalices]



Publicado por JL às 14:56 de 09.04.11 | link do post | comentar |

O Estado do Conselho

Um conselheiro de Estado declarou publicamente que determinado assunto (que, no caso, é o que menos interessa) não fora falado na última reunião do Conselho.

Saltou logo para jornais e TV outro conselheiro acusando-o de mentir, pois o assunto teria, sim, sido falado na tal reunião.

Um terceiro conselheiro pulou então as cordas e, como nos espectáculos de "wrestling", atirou-se ao segundo em defesa do primeiro. Seguiu-se-lhe um quarto (conselheiro de Estado, repita-se) que, "entrando com tudo", como se diz no futebol, designadamente com as chancas, se foi sem piedade ao segundo dirigindo-lhe simpatias como "delator" e "desonra do Conselho".

E a coisa só não acabou em KO técnico porque, em socorro do segundo, um quinto conselheiro entrou por sua vez no ringue a garantir que o primeiro, o terceiro e o quarto mentiam e o segundo é que falava verdade.

A assistência ululava de entusiasmo, pois, como o outro dizia, "é disto que o meu povo gosta": insultos, murros, pontapés, golpes baixos (enfim, e de golos na baliza adversária também).

Ora não é preciso ser muito perspicaz para concluir que pelo menos dois conselheiros de Estado, ou então três (mas o espectáculo ainda vai no primeiro "round"...), mentem. Em público, e descaradamente.

O Conselho de Estado é o órgão de consulta do presidente da República. É suposto os seus membros manterem sigilo sobre o que lá se passa. E serem pessoas respeitáveis.

Manuel António Pina [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 12:58 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

NINGUÉM O LEVOU A SÉRIO

Para quem tinha como um dado adquirido, que o homem era um mentiroso compulsivo, ficou com a criança nos braços.

Sócrates, é certo, nem sempre falou a verdade (como todo e qualquer cidadão que se preze) e muitas vezes se enganou (ao contrário de certa pessoa que um dia afirmou que “eu nunca me engano e raramente tenho duvidas”) enganando, também com isso, o povo, em nome de quem governava. Por isso, quase, ninguém o levou a sério quando afirmou que o chumbo do PEC IV, (o apresentado ou outro qualquer, como afirmou estar disposto a negociar) significaria a sua demissão de 1º Ministro.

O PS poderá sofrer com ele e muito, mas o país sofre com todos inclusive com a incoerência (atentas as suas próprias palavras) da posição de Aníbal Cavaco Silva que não conseguiu colocar acima de todas as quezílias e querelas partidárias e pessoais os “soberanos interesses de Portugal”. Damos uma imagem interna e internacionalmente que o país não necessitava nem merecia.

Agora aí está o resultado, tanto mais que o Presidente da Republica, também, não esteve à altura de ter sido capaz de ultrapassar as suas próprias “comezinhas” questiúnculas pessoais e ter exigido que, no âmbito da Assembleia da Republica, se tivesse encontrado uma saída para a crise, sabendo-se que tal inépcia nos atiraria para o lixo do mercado financeiro internacional e, até como sociedade.

O Presidente deveria ter sido capaz (não fora ter tido uma atitude em causa própria, pelo menos da fama, disso, não se livra por mais justificações que venha a argumentar) de, no próprio dia em que viu recusada a proposta do, famigerado, PEC IV, declarado publicamente que a sua exigência e que o país teria acolhido de bom grado era a de que os partidos no âmbito da Assembleia se entendessem na constituição de um governo alagado e capaz de responder aos desafios do momento.

 

P.S. (1)

A Islândia, que depois da crise da banca rota a que teve de fazer face (que tal como por cá teve contornos criminosos), levou o respectivo governo local a anunciar aumentos de impostos, cortes sociais, cortes salariais, forte agravamento da inflação, enfim a receita do costume imposta pelo FMI.

Só que o povo não gostou e não se limitou a lamuriar mas concentrou-se, ininterruptamente, em frente ao seu parlamento até obrigarem à queda de um governo conservador e foram às urnas votar, chumbando estrondosamente a política que era a de salvar bancos falidos e corruptos à custa de quem trabalha.

Das respectivas eleições saio uma coligação entre a Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde, chefiada por uma mulher, Johanna Sigurdardottir, a actual chefe do governo, foi equilibrando as finanças do país e saiu da recessão.

O povo, pela pressão e exercício de cidadania, impôs um estilo de governança diferente e os responsáveis internos pelas dívidas foram responsabilizados, abriu-se “caça” aos suspeitos de fraude e falsificação de documentos, que sacrificaram a Islândia e o próprio procurador-geral, fugitivo, já foi convencido a regressar ao país, a população sente que está a fazer-se justiça e a falar-se verdade.

A actual coligação islandesa criou uma assembleia de 25 cidadãos sem filiação partidária que foram eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, entre outros.

As contas de toda a estrutura dos Estado, seja local ou central, são tornadas públicas, bem como toda a area de negocios e contratos.

Esta genuína revolução pacífica está sendo omitida, quase completamente desaparecida dos órgãos de comunicação social e, os habituais comentadores de serviço, não lhe têm dado o merecido relevo. Ironias e estranhas coincidências a contrastarem com o atribuído às agências de rating e ao FMI.

P.S. (2)

O jornal “Público” noticiou, no dia 3 do corrente, que o líder do PCP disse esperar que as eleições legislativas permitam um governo patriótico de esquerda, e que o partido está disponível para fazer alianças com o BE, depois das eleições, desde que este clarifique os seus objectivos.

Uma verdadeira coligação à islandesa, só falta saber qual é o programa e se o PS (de Sócrates) também estará disponível para tal desafio.



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 05.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (338) |

Tempos (ainda mais) difíceis

O tempo que vivemos não é seguramente dos mais brilhantes da nossa História. Nem tanto pelas dificuldades, que são enormes mas não inéditas. As atitudes que vamos observando em quem tem responsabilidades é que nos fazem descrer da possibilidade de rapidamente unirmos esforços para vencer a crise.

Vejamos: tudo começou em 2009 com a vitória do PS e de Sócrates sem maioria absoluta. Toda a Oposição viu aí a primeira oportunidade de vergar o primeiro-ministro, e a verdade é que alguma arrogância dos tempos da maioria absoluta terá contribuído para um sentimento muito generalizado de que faltava humildade ao primeiro-ministro. O próprio Cavaco Silva - e com ele muitos barões do PSD - viram aí a ocasião de retribuir o sufoco em que tinham vivido nos últimos anos, estando ainda fresco na memória a forma como Manuela Ferreira Leite tinha sido sucessivamente cilindrada.

Cavaco Silva deveria ter nessa altura iniciado a sua tarefa de conciliador, de agregador, deveria ter tentado que se formasse uma maioria que garantisse vida longa ao Governo. Não o fez. Sócrates disse-se aberto a alianças, mas não foi nem convincente nem disponível para abdicar de algumas das suas propostas. Teve o que se sabe. A Oposição, em alianças negativas, foi destruindo diplomas, impondo políticas. Ainda agora, o Governo acabado de se demitir, as alianças negativas mataram a avaliação dos professores e revogaram medidas do Executivo para os medicamentos. Mas o Governo foi, como se costuma dizer, passando entre os pingos de chuva, sabendo que dificilmente seria destronado por aliança do PSD com a Esquerda do PCP e do Bloco. Veio a crise. Com ela, o bom senso de Passos Coelho, entretanto chegado à liderança do PSD. Um PEC e mais outro e mais outro. Até que, depois do violento discurso de posse de Cavaco Silva e perante o desdém de Sócrates que agiu como se não precisasse de apoio parlamentar nem devesse informar o presidente, o PSD cortou o apoio e lá vamos nós para eleições, provavelmente no momento menos adequado. Aqui ao lado, os espanhóis vão no quinto PEC, num crescendo de austeridade.

Vamos para eleições no preciso momento em que as agências de rating vão tornando o crédito a Portugal cada vez mais oneroso. Sócrates apostou tudo na rejeição do FMI. Apostou em que a Europa se chegaria à frente antes que o FMI fosse necessário. Mas a Europa foi esticando a corda e quando parecia que talvez pudesse dar razão a Sócrates, a Finlândia - um dos elos fortes da solução europeia - vai inesperadamente para eleições. As contas do primeiro-ministro caem pela base. Erro de cálculo, claríssimo.

Agora, com Governo de gestão, Sócrates diz que não pode chamar o FMI - até aqui o Governo não queria - Passos Coelho diz que sim e Cavaco diz que sim também, acrescentando - pela primeira vez - que as agências de rating exageram na pressão que fazem. Mas já exageram há muito. Interessou pouco dizê-lo noutras alturas, como certamente também já poucos ouviram, perante a correcção do défice - a Europa dizer que Portugal não mentiu nas contas, porque já todos entraram na fase das acusações.

Não é preciso dizer quem é o mexilhão desta história. Mas é preciso dizer que com os três principais protagonistas portugueses acontece só isto: Cavaco não gosta de Sócrates e ainda não confia (ou melhor, ainda desconfia) em Passos Coelho. Sócrates tem para com Cavaco sentimentos recíprocos aos do presidente para com ele e com Passos disputa o mesmo lugar, o que desde logo os afasta. Entre Passos e Cavaco há um fosso geracional, há um passado de separação, restando o respeito devido a uma linha comum e, acima de tudo, a oportunidade política. É pouco. Entre os três não haverá muito a fazer. Da cena política, restam dois dirigentes de Esquerda: um, fiel ao seu eleitorado e fazendo um caminho previsível mas certeiro na defesa dos seus; o outro, menos previsível, mas em sentido único, o sentido do protesto, nunca o sentido do contributo para que algo se construa. Resta, mais à direita, Paulo Portas, por ora na expectativa de saber se o PSD vai precisar dos seus votos ou não, mas coerentemente pronto para agravar a factura por cada dia que passa sem o PSD se aproximar.

E é assim que, a um mês e pouco das eleições estamos como em 2009, à parte uma situação económica sem paralelo: ou um partido, ou uma coligação tem maioria absoluta ou amargaremos ainda mais a nossa sorte. Os líderes em presença serão incapazes de aproximações e o presidente continua sem margem para intervir. Ou alguém dá um passo durante a campanha eleitoral ou o pior está para vir.

José Leite Pereira [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 13:58 de 04.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

MÁRIO SOARES

Entre a angústia e a ingenuidade

Naturalmente que uma velha raposa da politica como, obrigatoriamente, se terá de reconhecer a Mário Soares é muita ousadia estar a atribuir-lhe o epíteto de ingénuo.

Contudo e, admitindo memo que o tenha feito conscientemente, não deixou de ser oportuna a sua, pública, angustia manifestada no artigo que acaba de fazer publicar, na sua habitual crónica no DN e que aqui se poderá ler. Fê-lo tendo em conta a gravíssima situação, de deficit público e recessão económica, em que o país se encontra e que o bom senso deveria levar os partidos (chamados pelo Presidente) a formar um governo de coligação multipartidária sem necessidade do recurso antecipado a eleições. Infelizmente e para nosso mal não será lido nem escutado com a assertividade que as circunstancias o exigem.

Ingénuo porque parece ignorar, ou não ter percebido, a real intenção (os factos demonstram-no) das referidas declarações produzidas por Cavaco Silva, no discurso da sua posse, quando se comprometeu a “exercer uma magistratura de influência activa.” Essa e outras declarações do mesmo discurso foram, elas próprias, o exercício da influência activa visto que as mesmas, partir desse momento, impulsionaram Pedro Passos Coelho e o PSD para desenvolver toda a actividade seguinte e que irá continuar. Cavaco foi tão-somente o impulsionador dessa actividade, os multiplicadores passaram a ser, a partir daí, toda a oposição com o PSD ao leme.

Cavaco Silva nunca esteve tão activo como está actualmente, ainda que se não oiça, se não veja e se não sinta. Ele anda por aí, vai estar na queda do governo, vai estar na marcação das eleições, vai estar na escolha do próximo governo e até de alguns ministeriáveis.

Como diz o poeta, só que desta vez é o corpo e, também, o povo é que paga.



Publicado por Zé Pessoa às 14:02 de 22.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O Presidente do Conselho regressou?

 “Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do país com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.

Dizer que quem foi alistado para a guerra de África o fez com 'desprendimento' , 'determinação' e 'coragem' e que essa guerra foi, por analogia, 'uma missão ou causa essencial ao futuro do país' ultrapassa tudo o que devíamos estar dispostos a ouvir de um presidente da república em democracia.

Não está obviamente em causa discutir o sentido de homenagear quem combateu e morreu numa guerra estúpida e criminosa, ainda que com a noção de que muito de pavoroso se fez em nome da ditosa pátria bem-amada, mas pedir aos jovens de hoje que sigam o exemplo dos que foram obrigados a combater, a matar e a morrer numa guerra sem sentido ecoa, sem distância, o 'para Angola e em força' do Presidente do Conselho no Terreiro do Paço.

Isto é inaceitável e insulta a memória de todos os mortos e estropiados desta guerra. Nada, mesmo nada do que até hoje ouvi a Cavaco chega perto desta enormidade. Este homem não está, definitivamente, à altura do cargo que ocupa.

f. [Jugular]

 

Cavaco está mesmo doente. Treme. Está senil. Diz baboseiras. Fala daquilo que desconhece porque não soube o que foi passar pelo teatro de guerra no Ultramar. Ultraja não só a memórias das pessoas cujos familiares morreram naquela guerra injusta como aqueles que ainda hoje muito sofrem pelas situações horrorosas que por lá passaram e pelos problemas motores que ficaram para o resto das suas vidas.

Fui para o Ultramar forçado/obrigado, borrado/com medo e com uma única preocupação: regressar são e salvo, tudo fazer para salvar a minha pele. Esta era a minha determinação.

Recordo um dos actos dominicais, o içar da bandeira nacional portuguesa com toda a companhia perfilada. Uma cerimónia de um enorme simbolismo e respeito. Sabíamos que naquela terra a bandeira nacional era a única coisa que nos ligava à Pátria (Portugal).



Publicado por JL às 22:56 de 15.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

É precisa uma pedrada no charco

...

Está, pois, na hora, de obrigar cada um a assumir as suas responsabilidades. Não vale a pena conversar com o PSD, porque o PSD não existe. Existe Passos Coelho, que quer qualquer coisa que evite a descida de Rui Rio à capital, e cujo principal exercício político é disfarçar. Disfarçar as políticas que quer tentar, resumidas no “salve-se quem puder”. Existe Rui Rio e os que querem um PSD “credível” para tomar conta da intendência, mas que ainda não acabaram de ultimar o plano de assalto ao palácio de inverno. E existe o chefe da oposição, que reside oficialmente em Belém.

Assim sendo, Sócrates, como PM e SG do PS, deve ir a Belém e dizer a Cavaco Silva: “o senhor Presidente acha que os portugueses não podem fazer mais sacrifícios; os seus aliados nas instituições europeias passam os dias a exigir-me que peça mais sacrifícios aos portugueses; os seus aliados nos partidos portugueses concordam consigo que isto vai lá sem mais sacrifícios – e eu não estou a ver como; o senhor Presidente teve a sua manifestação da maioria silenciosa, que ajudou a convocar no seu discurso de tomada de posse, na sua habitual abrangência política alimentada pela crítica sem alternativa, porque a alternativa é onde a porca torce o rabo; portanto, senhor Presidente, eu vou-me embora, o PS vai para a oposição, que já se esforçou o suficiente, e o senhor Presidente assuma as consequências do seu activismo e arranje uma solução”.

É preciso saber sair a tempo. Sócrates não quer deixar a sua obra por mãos alheias, compreendo – mas o julgamento de Sócrates não terá lugar agora, mas daqui a dez anos, quando as estatísticas mostrarem o que mudou radicalmente por consequência da sua governação. E o grande sobressalto de que o país precisa é ser confrontado com as responsabilidades próprias dos cobardes que falam para não serem entendidos. O chefe de orquestra, que está em Belém, que trate do concerto. Única objecção razoável: o país não suporta uma crise política. A minha resposta: crise ou mudança, como lhe queiram chamar, terá sempre de acontecer antes de o país voltar a entrar nos eixos; assim sendo, que não tarde. O país precisa de uma pedrada no charco do faz de conta. Sócrates pode ser o autor de mais esse serviço ao país, habituado como está a fazer os lances decisivos.

Ler o artigo na íntegra

Porfírio Silva [Machina Speculatrix]



Publicado por JL às 22:58 de 13.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Um Presidente mísero

Já tínhamos tido o "sisudo", o "bonacheirão" e o "piegas".

Depois dos discursos na noite eleitoral, passamos a ter o "rancoroso".



Publicado por JL às 14:41 de 25.01.11 | link do post | comentar |

A amizade é muito bonita…

Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa. Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.

Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.

Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.

A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.

Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.

Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro. Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.

Até que, ninguém sabe bem como nem porquê… desapareceu sem deixar rasto… E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.

Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.

Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.

De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.

A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita…

Recebido por email



Publicado por JL às 20:35 de 14.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Homens

 Vítor Alves : morreu-nos um Herói !  (por  A.G.)

    Um Capitão de Abril, o "diplomata" dizem.  Era mesmo: convivi de perto com Vítor Alves, quando eu trabalhava em Belém com o Presidente Eanes e ele vinha lá quase todos os dias, tirando aqueles em que viajava pelo mundo inteiro a preparar Dezes de Junho e eu sei lá quê mais que o Presidente lhe dava como encargo. 
    Entrava-me pelo gabinete dentro jovial, atento, aqueles olhos brilhantes e vivos a querer trocar impressões rápidas e sôfregas, a tomar aceleradamente a temperatura do MNE, de S. Bento, de Belém, do país, e a dar noticias das suas andanças. "Atão como vai a menina?" atirava sempre para preparos, super-simpático. Riamos muito, nós na Assessoria Diplomática e o nosso imparável e impagável Major Vitor Alves.
     Traz-me à memória tantos episódios divertidos, recordações tão boas! Eram tempos dificeis, duros, mas aureos na recuperação da imagem e da auto-estima do país, no ensaiar das nossas capacidades de projecção de Portugal no exterior, com orgulho e eficácia na defesa dos interesses da nossa jovem Democracia.
    Impossível não evocar também outro especialissimo Capitão de Abril já desaparecido e com quem também conviviamos diariamente em Belém, na presidência de Ramalho Eanes: Ernesto Melo Antunes
    Melo Antunes e Vitor Alves - dois Heróis inesquecíveis, a quem devemos muito mais do que a tolerância e a Democracia que o 25 de Abril que fizeram nos abriu: devolveram a Portugal a dignidade perdida. Morreram probos e distantes das ingratidões.

 

 

    O (ex-)Presidente Ramalho Eanes disse que recusou comprar a “preços especiais” acções de bancos que o queriam como accionista para credibilizar as suas imagens.  Explicou tudo. Tudo o que o separa de Cavaco Silva (apesar de ser seu apoiante). 
    Tudo o que me faz gostar muito dele e continuar cada vez mais a admirá-lo, para além de algumas (poucas) discordâncias, como essa de apoiar Cavaco – não gosto, mas até compreendo, tendo nós vivido o que vivemos no seu tempo em Belém. 
    Ora aqui está um Homem honrado, impoluto, escrupuloso ao ponto de ter recusado um milhão de euros de indemnização do Estado por ter sido miseravelmente discriminado durante décadas.
    Um Homem não tem de apregoar que é sério, para o ser e ser reconhecido como tal.


Publicado por Xa2 às 07:07 de 14.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Da honestidade...


Publicado por JL às 00:05 de 03.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

SOBRE O BPN/SLN

BPN: as perguntas a que Cavaco deve responder

Com o ataque que lançou à administração do BPN, Cavaco trouxe para a campanha um tema do qual provavelmente escaparia, se tivesse ficado calado, e com o qual vai ter de lidar com alguma dificuldade.

Certamente, que Cavaco ao fazê-lo conta com o apoio de uma parte muito representativa dos media, nada interessados no aprofundamento do assunto e muito prontos a espalhar, urbe et orbi, que, quanto mais se falar do assunto, mais o candidato se vitimiza para do facto tirar vantagem, tentando, assim, por antecipação, criar uma generalizada inibição que faça sentir-se incómodo aquele que o aborda.

A verdade é que há aspectos a esclarecer. Em Novembro de 2008, Cavaco, preocupado com aquilo a que chamou uma onda de boatos sobre as suas ligações ao BPN, publicou na página oficial da Presidência da República um comunicado no qual "punha a nu" o seu património e declarava formalmente que “nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas”.

Não se julgava Cavaco tão exímio em subtilezas jurídicas. De facto, ninguém até hoje logrou provar a falsidade de tal afirmação.

Todavia, o Expresso passado algum tempo descobriu que Cavaco, em 2001, comprou à Sociedade Lusa de Negócios (SLN), detentora a 100% do capital do banco, 105 387 acções do BPN, por um euro, tendo-as vendido, em 2003, por 2,4 euros.

Como se compreende que tendo pretendido Cavaco pôr cobro àquilo a que chamou uma campanha de boatos não tenha referido este negócio? Dir-se-á que não vinha a propósito por já ter (à época) ocorrido há 8 anos.

Mas se o comunicado era para “limpar a testada”, e isso depreende-se da enunciação de factos que não vinham ao caso – como o acima citado, mais dois do mesmo género, uma sobre o exercício de funções no banco, outra sobre a percepção de remunerações – como se explica que um facto tão relevante tenha sido omitido?

Só há uma explicação: Cavaco não queria tornar público o lucro da transacção. Ele, que é especialista nestas coisas de economia, sabia que um lucro tão significativo, num tão curto espaço de tempo, levantaria múltiplas objecções, não apenas por a SNL não estar cotada em bolsa, mas principalmente por ser dominada por quem era.

A tal subtileza jurídica de que Cavaco se socorreu não favorece muito quem tanto preza a verdade substancial...

Outra questão que não pode deixar de ser posta a Cavaco tem a ver o facto de, em virtude das suas últimas declarações, se ter justificadamente criado uma suspeita de parcialidade no tratamento do mesmo assunto. De facto, como se explica que Cavaco, quanto mais não fosse na defesa do erário público, nunca tenha verberado nem condenado a “gestão” dos seus amigos políticos no BPN, mas tenha sido tão lesto a criticar a administração em funções, que não passa de uma verdadeira administração da massa falida.

Finalmente, quando Cavaco diz que teve muitas dúvidas na promulgação da lei de nacionalização do BPN – que, aliás, promulgou em tempo recorde, como há época se vangloriou –, tais dúvidas advinham-lhe de já estar a antecipar o que iria acontecer ao erário público, por o BPN ser um banco sem salvação possível, ou, pelo contrário, porque supunha que deveria ter sido seguido outro caminho? E, nesse caso, qual? Deixar falir o banco? Emprestar-lhe dinheiro? Enfim, é um assunto que Cavaco também tem que esclarecer.

Aliás, compreende-se mal que, tendo Cavaco tantos amigos no Banco, não tenha junto deles obtido uma segunda opinião que pudesse, fundadamente, apresentar ao governo.

Se fez isso em tantas outras ocasiões, porque não o fez também desta?

JM Correia Pinto [Politeia]



Publicado por JL às 00:36 de 02.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A mentira

Há algum tempo atrás numa qualquer universidade americana fez-se um estudo onde nas conclusões se diziam cobras e lagartos sobre a utilização de computadores por crianças, um daqueles estudos que dão sempre nas vistas porque vão contra a corrente. Ninguém perguntou quem eram os estudiosos, ninguém leu o estudo ou interessou-se por o ler, limitaram-se a usar a mensagem das agências de notícias e correram a sacrificar o Magalhães. Até o Carrilho, acabadinho de chegar de Paris e a dar os primeiros passos nas entrevistas ao Crespo não arranjou melhor do que usar o dito estudo e desfazer no Magalhães e, de caminho, nas Novas Oportunidades.

Mas quando a OCDE publicou o PISA onde se apresentavam conclusões brilhantes sobre a evolução do ensino em Portugal foram todos ler o estudo, analisar as suas premissas, avaliar a forma como foram elaboradas as amostras, questionar as conclusões. Isto é, em relação a um estudo feito sabe-se lá por quem bastou a conclusão divulgada por um tablóide, mas o estudo da OCDE já mereceu todo o tipo de suspeitas.

Poderia dar dezenas de exemplos da falta de honestidade intelectual com que muito boa gente deste país, gente que não faz a ponta de um corno e vive à custa do Pinto Balsemão e doutros barões da comunicação social ou do empresariado que tentam a todo o custos melhorar os resultados das suas empresas à custa do Orçamento de Estado.

Nestes dias o INE divulgou indicadores que apontam para uma redução significativa do abandono escolar que entre 2003 e 2009 caiu 10%. Alguém comentou? Ainda não, mas não me admiraria nada que alguém se lembrasse de inventar uma alteração de critérios estatísticos ou, pior ainda, que o ensino é tão mau que é indiferente se as crianças vão para a escola ou coser sapatos em casa.

O descaramento e a falta de honestidade dominam cada vez mais o debate político inquinando as conclusões e impossibilitando os portugueses de discutirem os seus problemas. Ainda, no debate com Manuel Alegre, o candidato Cavaco Silva deu um bom exemplo de falta da falta de honestidade intelectual que domina o país. Sempre que não tinha resposta para as perguntas de Manuel Alegre ou da entrevistadora o actual presidente mandava ler o que estava no site oficial da Presidência da Repúblicas. Quando questionado sobre o negócio estranho com as acções do BPN teve mesmo o descaramento de mandar ler a sua declaração de rendimentos, quando esse mesmo negócio foi anterior à tomada de posse e só se Cavaco fosse mesmo parvo é que se esqueceria de manter acções tão inconvenientes.

É evidente que o site da Presidência não explica nem os negócios de acções feitos debaixo da mesa com Oliveira e Costa e muito menos a forma como foi montada a operação de intoxicação da opinião pública com as falas escutas a Belém. No site não está a verdade dos factos, estão as explicações que convinha a Cavaco dar. Um exemplo, está no site da presidência a declaração de Cavaco às televisões afirmando a inocência de Dias Loureiro? Estão no site da presidência as actas das conversas de Fernando Lima com os jornalistas do Público ou mesmo com Cavaco Silva?

É grave que o país discuta os problemas com base em argumentos falsos e desonestos, é demasiado grave que o país escolha um presidente com base em mentiras.

[O Jumento]



Publicado por JL às 19:57 de 30.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Eleições presidenciais

Estou um pouco desligado das próximas eleições presidenciais. Acho tudo demasiado mau para que me sinta atraído por esta democracia enferrujada, sucateira, milagreira e corrupta.

Olho para o senhor de Boliqueime, para aquele sorriso cínico, meço a profundidade dos seus tabus, analiso a obra feita e as desculpas esfarrapadas que vai dando para a sua ineficácia, penso na sua dramática falta de cultura, a colagem que a direita faz à sua candidatura, e a minha desilusão não tem medida. Descarto-o.

A seguir, encaro o poeta Alegre, sempre impecavelmente vestido, e penso no que ele fez pela nossa democracia. Concluo que não fez nada. Enfim, é um poeta de estrofes heróicas, de cuja poesia gosto. E um cidadão culto. Mas o que fez ele, como político, em 35 anos de democracia? Esteve confortavelmente sentado na AR a deputar. Deputa, deputa, lá diz o Millôr Fernandes. A estrema esquerda professoral e funcionária colou-se à sua candidatura. Matou-a à nascença por mais votos que o poeta venha a obter. Descarto-o.

Tenho, depois, o santo Fernando Nobre. Viro-o do avesso, abano-o, parece-me morto. O lugar de um santo é no altar. Ou a evangelizar as populações, o que ele fez bem enquanto o fez, levando-lhes aquilo de que elas precisavam: auxílio na desgraça, cuidados médicos, uma mão amiga. Mas não me parece talhado para presidente da República. Pode ter bons contactos internacionais, mas isso não chega. Não terá conhecimentos suficientes de governação, da vida pública e política, dos dossiers, etc. Descarto-o.

Há, também, aquele autarca de província, que embora se chame Defensor Moura só me lembro que tenha defendido Viana do Castelo. Nem penso nele. Descarto-o.

Enfim, não posso esquecer aquele anónimo funcionário comunista chamado Francisco Lopes, que apareceu na televisão de fato e gravata, colando-o à burguesia, que não é o seu estatuto de defensor da classe operária (seja lá o que for a classe operária nos dias que correm). Apagadito e repetindo a cassete do costume, que até já parece uma cassete pirata. Demasiado enjoativo para o meu gosto. Descarto-o.

E agora, António? Sim, eu sei, ainda há mais uns tantos candidatos ou que se propõem sê-lo, o mais destacado dos quais é o bem-humorado Manuel João Vieira.

Mas isto agora é a sério. E, a sério, não vejo em quem votar.

Voto útil? Para esse peditório já dei.

Quero ficar puro para outras eleições. Voto em branco.

António Garcia Barreto [O voo das palavras]



Publicado por JL às 01:23 de 21.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Integradissimo salazarismo

Em 1967, o general Martiniano Homem de Figueiredo mostrou interesse na investigação de Cavaco Silva, na altura com 28 anos e já casado com a actual primeira-dama. Este pedido veio com a possibilidade de Cavaco poder ser autorizado a manusear documentação restrita na Comissão Coordenadora da Investigação para a NATO.

Cavaco Silva foi então chamado à sede da PIDE para preencher o “formulário pessoal pormenorizado”. À alínea “Sua posição e actividades políticas”, Cavaco Silva respondeu “Integrado no actual regime político”, acrescentando um reparo: “Não exerço qualquer actividade política”. Os documentos estão assinados pelo actual presidente da República.

Realmente este é o tipo de notícias que não têm um grande interesse nem se compreende porque terá o Sr. Silva omitido o facto na sua autobiografia. Vendo bem ele é do tipo de pessoa que tanto teria feito carreira política na falsa democracia em que vivemos como na bafienta ditadura do Salazar. Estava integrado na altura como está agora. Não presta agora como teria fedido então.

[wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 09:10 de 15.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

As vergonhas do Sr. Silva

O Presidente da República considerou que os portugueses têm de se sentir “envergonhados” por existirem em Portugal pessoas com fome, um “flagelo” que se tem propagado pelos mais desfavorecidos de forma “envergonhada e silenciosa”.

Se há alguém se se deva sentir envergonhado por haver quem passe fome em Portugal não são os portugueses, mas sim aqueles que nos últimos anos tiveram a responsabilidade de estar à frente do estado e nada fizeram para o evitar. Pior, impuseram políticas e soluções económicas que não só não evitaram a fome e a pobreza como contribuíram para o seu aumento. Quem lutou por menos direitos, menores salários e maior precariedade no emprego é que se deve sentir envergonhado pelas culpas que tem no cartório. Eu, não é vergonha que sinto por haver quem passe fome, mas uma vontade enorme de contribuir para o fim das acusas que a criaram, ou seja correr com a corja que se tem alimentado e engordado à custo do que devia ser distribuído por todos. Certamente que o Sr. Silva não se lembra dos que passam fome quando oferece os grandes banquetes com copos de cristal e talheres de prata, nem quando mostra satisfação pela realização de grandes cimeiras, como a da NATO que custou muitos milhões a Portugal. Certamente não era no problema dos que passam fome que pensa quando abraça os Dias Loureiros deste país. Vergonha devia ter quando recebe as confederações patronais e lhes sorri quando estes afirmam que as empresas não podem pagar mais 80 cêntimos por dia a quem recebe o ordenado mínimo.

Mas, realmente há uma coisa de que nós portugueses podemos e devemos ter vergonha, é a de termos como Presidente da República uma pessoa como o Sr. Silva. Disso tenho vergonha, muita vergonha.

[wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 17:55 de 13.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A Presidencial falta de memória

 

Cavaco Silva denuncia "flagelo" da fome em Portugal.

Seria bom recordar à data da fundação do Banco Alimentar Contra a Fome quem era primeiro-ministro e já agora, quem foi o chefe de governo que quando abandonou funções tinha uma taxa de pobreza de 23%, contra os actuais 18%.

Carlos Alberto [Rotunda da Anémona]



Publicado por JL às 00:10 de 12.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

ALEGRE, O CANDIDATO DOS COMPROMISSOS

Manuel Alegre fez, no pretérito e simbólico passado dia 11, a reentre da campanha eleitoral com vista à sua eleição presidencial que acontecerá em Janeiro próximo e fê-lo assumindo um conjunto de compromissos os quais, segundo ele próprio e conforme grande parte da população reconhece, o seu mais directo opositor (ainda que não assumido) o não pode fazer, tanto pela sua postura de ambiguidades assim como pelo vínculo comprometido que tem com a ala mais conservadora e retrógrada da sociedade portuguesa.

De forma clara e inequivocamente assumida MA referiu que com ele na presidência os portugueses têm a garantia que:

O candidato, Manuel Alegre, assume compromissos que, pelo menos alguns, outros, efectivamente, não têm condições de assumir.

A eleição não está certa nem segura, têm, o candidato e seus apoiantes, muito trabalho pela frente. Sendo eleito nós, por aqui, estaremos para relembrar estes e os mais compromissos assumidos.



Publicado por Zé Pessoa às 00:11 de 14.09.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Cavaco, o turista conservador

Cavaco Silva é um turista psicocêntrico que desvaloriza a necessidade de conhecer o mundo.

A imagem de Aníbal Cavaco Silva sedento de aventura a subir a um coqueiro numa praia de São Tomé, há quase 20 anos, já não cola. Não haja dúvidas que hoje, Cavaco Silva é um viajante psicocêntrico. Isso explica o seu apelo aos portugueses esta semana, para irem para fora cá dentro, porque “férias passadas no estrangeiro são importações e aumentam a dívida externa portuguesa”. Cavaco é, de facto, um turista com um perfil definido: é um professor de Finanças Públicas obrigado a viajar mais do que gostaria pelas funções que ocupa, e que deseja que todo o País se divirta, como ele, com férias sossegadinhas à beira mar dentro de fronteiras, porque lá fora há perigos e o maior perigo do viajante hoje é o da balança comercial.

O investigador Stanley Plog passou a ser uma referência para a indústria turística quando, em 1974, dividiu os turistas em psicocêntricos e alocêntricos. Cavaco enquadra-se na primeira categoria: são pessoas tímidas, como o Presidente da República, pouco curiosas, sem atracção pela aventura, que preferem de viajar de carro, com a família, e raramente vão para o estrangeiro. Quando o fazem, adquirem pacotes turísticos e vão para destinos sossegados. Segundo Plog, os viajantes alocêntricos são curiosos, querem explorar o mundo, viver aventuras ou experimentar coisas novas. Não é o caso de Cavaco, que gosta de contar as suas incursões alocêntricas nos parques naturais moçambicanos como expoente da aventura de viagem, mas são recordações com 40 anos, quando lá fez o serviço militar.

As últimas férias de Cavaco Silva fora de Portugal – antes de se candidatar à Presidência da República – foram no Brasil, em 2005, com filhos e netos, num resort tranquilo, perto da praia. De resto, há décadas que a família Cavaco passa os Verões no Algarve, na célebre vivenda Marani e agora na Gaivota Azul, em Albufeira, entre um mergulho nas águas mornas da Praia da Coelha e umas braçadas na piscina de casa. Se quiser ir tomar um cafezinho a Ayamonte, tem de pedir autorização ao Parlamento para sair do território nacional.

Mário Soares acusava Cavaco Silva de não ter mundo. E um político que seja um turista psicocêntrico terá facilmente tendência em desvalorizar que os outros precisem de mundo. Os países também se desenvolvem quando as pessoas abrem os horizontes, mesmo que a dívida aumente um bocadinho.

Vítor Matos [Elevador da Bica]



Publicado por JL às 00:09 de 13.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sem sentido

“Chegámos a uma situação insustentável"



Publicado por JL às 21:37 de 10.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Alegre recolhe assinaturas

 

Mário Soares, por mais respeito que nos mereça, não se poderá confundir com atitudes de nepotismo como, em certas circunstancias, o “pai fundador” cai com demasiada frequência

Nem será por alguma falta de apoio oficial (ou envergonhada) do PS, que Manuel Alegre será impedido de criar as condições para concorrer à Presidência de República.

A recolha das respectivas 7500 assinaturas necessárias para formalizar a candidatura de 2011 está já, desde ontem, a decorrer.

A lei permite que até 30 dias antes do plebiscito sejam entregues as assinaturas necessárias, para esse efeito quem o desejar encontra em www.manuelalegre.com os elementos para subscrever a candidatura do antigo deputado socialista.

Mário Soares, que, convém não esquece-lo, nas presidenciais de 2006, como candidato oficial do Partido Socialista foi ultrapassado por Manuel Alegre, disse que, por uma questão de «consciência», não vai apoiar Alegre. Diz-se, ainda que à boca pequena que ele tem o seu próprio candidato. Ainda há quem se possa dar a tais luxos, por isso é que o país esta perante esta crise existencial. Novos paradigmas urge encontrar.



Publicado por Zé Pessoa às 09:39 de 28.05.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

O candidato catavento

No site de um semanário de grande circulação acabo de ler que Fernando Nobre, médico, Presidente da AMI e pai de quatro filhos, vai ser candidato a Presidente da República.

Adianta, entretanto, o essencial do seu currículo político:

1. participou na Convenção do PSD, em 2002;

2. foi membro da Comissão de Honra e da Comissão Política da candidatura de Mário Soares à Presidência da República, em 2006;

3. nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, em Junho de 2009, foi mandatário nacional para a campanha do Bloco de Esquerda;

4. ainda em 2009, foi membro da Comissão de Honra da candidatura de António Capucho à presidência da Autarquia de Cascais.

Em termos políticos, isto não é um candidato, é um catavento!

[O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 16:05 de 18.02.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Grã-Cruz da Ordem de Cristo vs. Touros de Morte em Barrancos

Em nota divulgada na sua página na Internet, a Presidência da República adianta que Pedro Santana Lopes será agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, que distingue "destacados serviços prestados ao País no exercício das funções dos cargos que exprimam a actividade dos órgãos de soberania ou na Administração Pública, em geral, e na magistratura e diplomacia, em particular", de acordo com a justificação oficial.

O ex-primeiro-ministro era o único antigo chefe de Governo que não tinha sido ainda agraciado.
[Semanário Expresso]


Publicado por [FV] às 10:48 de 20.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Da utopia se faz o sonho, do sonho à realidade

“Pela Republica, por Portugal” parece ser a sigla com que se apresenta a primeira candidatura às próximas eleições presidenciais de 2011.

Eu sugeriria ao candidato Manuel Alegre que nela acrescenta-se “pelas Pessoas”. De certa maneira está lá, mas, nestas coisas sempre convém ser claro, ab initio.

Há quem afirme ser ainda muito cedo para o debate que se avizinha e há razões de sobra para tais afirmações. O chamamento dos eleitores, em tão curto espaço temporal, a actos eleitorais e a falta de perspectiva na resolução dos problemas em torno de desemprego, do excesso de endividamento, da degradação da justiça, dos elevados índices de corrupção, tudo forma um barril de pólvora explosivo, que leva ao cansaço das populações.

Os partidos e os seus dirigentes pouco mais têm feito que disputarem, entre si, lugares de benesses, tanto políticas como económicas, desaparecendo, quase por completo, qualquer pingo de ética ou vergonha.

Têm faltado propostas sérias e proposições de desafios credíveis, que mobilizem capacidades e recursos, que coloquem, de forma justa, o Estado ao serviço das populações. O lançamento de novas ideias e a sensibilização para outros métodos de trabalho e de organização é uma tarefa por fazer à qual uma candidatura, um candidato à Presidência da Republica, pode e deve fazer.

Um Presidente pode ser e deverá ser o “Maestro” ideológico e social mobilizador, que tem faltado ao país, que já evoluiu bastante, já inovou muito, já aumentou, considerável e inequivocamente, o número e qualidade técnica e científica dos seus cidadãos, faltando, agora, a Portugal e aos portugueses, para um virar de página completo, uma mudança comportamental valorativa destas capacidades. Basta-nos rentabilizar, organizadamente, todos os meios disponíveis em proveito de todos.

Portugal precisa de um Presidente que deixe ao governo e aos partidos, representados na Assembleia de Republica, as tarefas da governação e normativas, incluindo negociações orçamentais, sempre e quando o entendam. Ao fiel depositário e garante de funcionamento das instituições, cabe-lhe desenvolver “a pedagogia do gesto”, a pedagogia da forma e do conteúdo dos actos, com objectividade universalista, sempre atento ao equilíbrio social e à estabilidade segura das populações, nos termos estatuídos pela Constituição da Republica.

Se um poeta for capaz de sonhar, fazendo-o com os pés bem assentes na terra que pisa e consigo conseguir levar o povo nesse sonho, porque não?

Afinal aos portugueses, em Portugal, o que lhes falta é sonhar, acreditando como o fazem os que partem à procura de outros sonhos e veja-se, ouça-se o que deles de diz, “são os melhores e mais competentes”.

É tudo uma questão de querer, de acreditar. Se acreditarmos mudaremos o futuro se não acreditarmos será o futuro que nos muda a nós.



Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 19.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Francisco Louçã

Tal como afirmou numa entrevista ao Público o primeiro objectivo político de Francisco Louçã é dividir e destruir o PS, tem sido essa a sua estratégia, chegando ao absurdo de aprovar propostas parlamentares da direita só para criar dificuldades ao governo. Louçã, que nas últimas presidenciais se candidatou pelo BE antecipou-se agora ao PS e ao próprio Manuel Alegre lançando a sua candidatura com o objectivo claro de lançar a confusão no PS e mais tarde tomar conta dessa candidatura.

Louçã está-se nas tintas para saber se Alegre ganha ou perde, há muito que o líder do BE se aproveita da imensa vaidade do poeta do PS manipulando-o e usando-o contra o PS. É evidente que um Manuel Alegre apoiado pelo BE será um candidato derrotado, mas se isso servir para dividir o PS e dar a vitória a Cavaco Silva o BE terá conseguido o seu objectivo.

O objectivo de Louçã é o de qualquer líder comunista ortodoxo, não é chegar ao poder a curto prazo, é destruir a corrente social-democrata, o grande obstáculo político ao comunismo. Para isso serve-se de tudo, até da ambição política de Manuel Alegre para quem a vaidade pessoal está acima do seu partido. [O Jumento]



Publicado por JL às 11:51 de 20.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Os moinhos de Belém

 

Este Alegre Quixote continua a ir a jantares de apoio à sua candidatura a Belém para dizer que ainda não sabe aquilo que todos sabemos, que vai ser candidato.

Uma coisa é certa, já mostrou não ser o que este país necessitava para sair da apatia e crise de valores em que se encontra.

O limbo socialista em que vive, em que não é nem carne nem peixe, em que critica hoje os mesmos que apoia amanhã não dá nenhumas garantias.

Quem não assume as suas posições com clareza e determinação, quem continua a fazer guerras a moinhos de vento acaba por não ser a mudança necessária.

[Wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 00:02 de 16.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Belém atinge o estado de Nirvana



Publicado por JL às 00:01 de 15.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Cavaco Silva

[…] Portugal está sem Presidente da República, o que tem é um candidato às presidenciais que instalou a sede de campanha no Palácio de Belém, usando as competências e os programas da Presidência da República para fazer campanha e promover a desestabilização do país. Ainda andou uns tempos calado mas aproveitou a instabilidade política para relançar a sua campanha eleitoral.

É urgente preparar uma alternativa a Cavaco Silva para que a normalidade regresse às instituições da República. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:02 de 14.12.09 | link do post | comentar |

Não devemos cometer novamente o mesmo erro

Se hoje temos como inquilino no Palácio de Belém, o mais insuportável dos Presidentes da Republica, talvez só comparável a Américo Tomaz, é porque também tivemos a mais estúpida das esquerdas no momento da escolha.

 Cavaco é presidente, por culpa de toda a esquerda. Toda.

Aparentemente a esquerda tem um candidato ganhador. Quando iremos discutir o assunto?

[Carlos Alberto]



Publicado por JL às 00:01 de 13.12.09 | link do post | comentar |

O pé de fora

As candidaturas presidenciais ganhadoras são as que, partindo de um determinado espaço político, conseguem alargá-lo.

Quando Mário Soares diz que Alegre está com um pé dentro e outro fora do PS tem, de facto, razão, mas está também a reconhecer o potencial eleitoral da recandidatura alegrista.

O problema é que o pé que Alegre tem fora do PS - e em muitos dias é esse o "pé-director" -, ao mesmo tempo que tem ajudado a tornar a sua candidatura presidencial uma quase inevitabilidade, está a amarrar Sócrates a uma estratégia que não lhe convém.

Há uns dias, Alegre proclamava que não estava refém de ninguém. É verdade, até porque são hoje Sócrates e o PS que estão reféns de Alegre: as lições de 2005 impedem uma candidatura alternativa à do poeta (que só fraccionaria o PS), mas Alegre Presidente ameaça o projecto político que Sócrates tem tido para o PS.

Se a cooperação estratégica entre Cavaco e Sócrates é uma miragem de um passado longínquo, entre Sócrates e Alegre é uma utopia distante.

É inevitável que, dentro de um ano, José Sócrates e Manuel Alegre estejam nos braços um do outro, enquanto proclamam a partilha dos valores da esquerda democrática.

Acontece que, politicamente, não há convergência estratégica possível entre os dois. E, como se não bastasse, Alegre candidato oficial do PS não terá o potencial eleitoral de Alegre candidato com o "pé fora" do PS.

Nisto, as presidenciais servirão para revelar o bloqueio estratégico que existe à esquerda.

[Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 16:31 de 12.12.09 | link do post | comentar |

Onde andas, Cavaco?

O governo, governa, O Parlamento, fiscaliza. Certo? Errado. Sócrates talvez mereça a vingança. O país, de joelhos, não sobreviverá.

O Parlamento anda num frenesim imparável. Cada pedra que se levanta e cada deputado que se ergue tem uma vontade indomável de fazer leis, rever códigos, mudar o país e mandar no governo. Pelo caminho, abrem-se comissões de inquérito - agora para investigar o computador Magalhães - e desconfia-se de tudo o que tenha o dedo ou a sombra do primeiro-ministro.

Para um país a caminho da bancarrota, apesar das braçadeiras da zona euro, não deixa de surpreender a tendência suicida que se apoderou da Assembleia da República.

Já se esperava: com um governo socialista minoritário, a oposição haveria de vingar-se dos pecados acumulados pelo primeiro-ministro na legislatura anterior. A arrogância e a gula de José Sócrates deixavam pouco ou nenhum espaço para o diálogo, a não ser que os partidos percebessem a gravidade do problema. Mas já ninguém acredita em milagres, a não ser Cavaco Silva.

A principal agência financeira que avalia Portugal - a Standard & Poor's -, veio repetir o diagnóstico sombrio: as contas públicas estão uma miséria e não vale a pena ter sonhos irrealistas. Ou há genuína contenção orçamental - e o Estado controla a despesa -, ou não há viabilidade e futuro possíveis. O país (Estado, empresas e particulares) pagará cada vez mais caro pelos empréstimos que precisa. Os mercados financeiros saberão desferir o golpe - ou ir apertando o garrote, através do aumento dos spreads - quando acharem que o risco exige margens mais gordas para acautelar o dinheiro que têm emprestado cada vez em maior quantidade.

A quem compete corrigir a trajectória? A pergunta é banal, simples, mas no Parlamento.

A excitação reinante parece não entender o óbvio. Convém por isso esclarecer. Apesar da euforia messiânica que se apodera todas as manhãs de José Sócrates não ajudar a construir pontes e entendimentos, é ao governo que - surpresa! - compete governar. Quem deve fazer as leis? O governo, claro, seja directamente ou através do Parlamento. Ora bem, o Parlamento inclui os partidos da oposição que podem e devem ter iniciativa legislativa, mas esta súbita vontade rebarbativa de propor e mudar deve ser feita sempre - sempre, mesmo - na base de acordos negociados com o partido do governo.

Forçar leis e modificações com impacto social e orçamental à margem do que pretende o primeiro-ministro é não apenas batota, é um risco enorme para o país. Se em Portugal os governos já são acometidos de vários ataques de esquizofrenia - defendem tudo e o seu contrário -, se lhe juntarmos o coro de vozes dos deputados e a suas influenciáveis e pueris vontades, não teremos governo nenhum, mas um desgoverno ainda mais perigoso, lunático e analfabeto.

Chumbar as leis propostas pelo governo se forem consideradas negativas, sim, esse é um dever da oposição. Mas serão todas as leis más, como parece hoje? Todas erradas e estúpidas? Passámos de um país absolutamente centrado nos humores e vontades do ego do primeiro-ministro, para outro onde o centro do poder tresmalhou-se pelos corredores lustrosos da Assembleia da República. O poder não caiu na rua, caiu nas bancadas parlamentares, onde, apesar da aparência, a vontade de reformar o país passa demasiadas vezes para último plano, muito atrás das vinganças e das estratégias para substituir o poder logo ao virar da esquina. Há muitos anos que não se via tremenda irresponsabilidade política. Sócrates talvez mereça. O país, não merece. Cavaco Silva, onde andas?

[ i , André Macedo]



Publicado por JL às 08:12 de 11.12.09 | link do post | comentar |

Cavaco e a torre de marfim

António Vitorino já deixou o pedido formal: "O Presidente da República não vai poder ficar fechado numa torre de marfim", quando o País lhe cai aos pés de uma crise de ingovernabilidade. Atente-se: só passaram dois meses das eleições legislativas e já se clama pela intervenção de Cavaco Silva para tentar um regresso à normalidade.

A bem da verdade, o Presidente está, nesta crise iminente, como o resto do País. Preso ao resultado eleitoral de há tão pouco tempo, limitado pelas funções que jurou cumprir e que o obrigam a respeitar o poder de uma Assembleia mais dividida e acalorada que nunca. Mas se isto é verdade, em bom rigor não é - e não pode ser - toda a verdade.

É que ao Presidente da República cabe garantir, pela mesma Constituição da República, o regular funcionamento das instituições. Dir-se-ia que lhe será impossível pedir outro Governo quando este acaba de ser eleito. Mas nem só de dissoluções vive o poder de Belém. A um chefe do Estado cabe, como muito bem tem vindo a dizer o próprio Presidente, o maior dos poderes: o da palavra. E a última coisa que o País espera de um Presidente eleito directamente é que deixe de o usar, precisamente no momento em que ele mais é preciso.

Mas, mais do que isso, o Presidente tem nas mãos outro instrumento precioso: o de mediação de conflitos. Cavaco Silva já o fez, em pleno Governo maioritário de José Sócrates. Fê-lo no caso do aeroporto da Ota e no Pacto da Justiça. Talvez seja tempo de o voltar a praticar, a bem do futuro colectivo. Uma coisa é certa: Portugal precisa de alguém ao leme para não correr o risco de um dia perder o rumo. [Diário de Notícias]



Publicado por JL às 08:44 de 10.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Presidenciais antecipadas

As eleições presidenciais tomaram importância acrescida desde o episódio das escutas  a Belém. Ao perder credibilidade e capacidade de acção, perante a crise económica e a crise política que se avizinha, seria necessário um Presidente respeitado pelas restantes instituições, que fosse capaz de congregar esforços sem intervir na luta partidária.

Manuel Alegre apresentou-se às últimas eleições presidenciais sem o apoio do PS. Foi um erro político de Sócrates que, ao arrepio de muitas vozes dentro e fora do PS, preferiam um candidato que englobasse a área do centro esquerda. Mário Soares surgiu já derrotado e Cavaco Silva capitalizou a existência de duas candidaturas com base na matriz socialista.

Votei em Manuel Alegre. O meu blogue surgiu precisamente com o objectivo de, dentro do pouco que podia, fazer campanha por aquela candidatura. As minhas razões estão explicadas ao longo desses dias e não vou repeti-las.

Passaram-se quatro anos e tivemos uma legislatura inteira de governo socialista. Foi um governo que tentou apresentar alternativas, fazer reformas, mudar o que estava parado. Manuel Alegre, ao longo de toda a legislatura, fez um contraponto muitas vezes incompreensível à política governamental. Estão neste grupo as críticas à actuação do Ministro Correia de Campos, acusando o governo de tentar destruir o SNS, e à actuação da Ministra da Educação, pactuando com a demagogia e o populismo dos partidos que se dizem de esquerda, mas cuja defesa da escola pública se limita à defesa dos interesses instalados de uma classe profissional.

Os jantares de apoio a Manuel Alegre são os preparativos para uma onda de dinamização para a próxima candidatura a Belém. Respeito Manuel Alegre e penso que será sempre uma referência, pelo menos é-o para mim, pela sua frontalidade e pela forma de exercer a cidadania. Mas se Manuel Alegre não está refém de ninguém também o PS não deverá estar refém de Manuel Alegre. E seria bom que Manuel Alegre e os seus apoiantes pensassem se essa é a candidatura que melhor servirá o país.

[Defender o Quadrado, Sofia Loureiro dos Santos]



Publicado por JL às 00:03 de 09.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O dr. Cavaco não gosta do cravo

O dr. Cavaco revela um manifesto conflito com o 25 de Abril. Embora não tivesse a mais escassa participação na batalha contra o fascismo: uma discreta assinatura num protesto, uma petição colectiva contra a censura, uma indignação contra a perseguição a estudantes - o dr. Cavaco beneficiou da queda do regime, embora lhe não esteja muito grato. A efeméride é canónica: não pertence à Esquerda nem à Direita, assim como a República não é uma propriedade unilateral. O 25 de Abril permitiu que gente de todos os quadrantes pudessem demonstrar as opiniões, exactamente o contrário do que a ditadura fez, durante quase meio século.

Relembrar estas evidências é como compor uma redacção de terceira classe. Parece uma futilidade, mas não o é, quando o máximo representante da República escusa-se, omite, faz de conta - quando se trata de comemorar a nobre data.

Quando primeiro-ministro opôs-se a que a viúva de Salgueiro Maia recebesse pensão de viuvez. Isto, no mesmo ano em que caucionou pensões a antigos torcionários da PIDE-DGS. Nunca o dr. Cavaco colocou na lapela o singelo cravo de Abril, quando das cerimónias oficiais da data. Obrigado, pelas circunstâncias, a soletrar umas frases, estas saem-lhe, sempre, vazias de sentido, inócuas, sem emoção e sem grandeza.

Alguém tem de recordar a este homem que ele é Presidente da República, e não dirigente de um agrupamento restrito. E alguém terá, também de lhe ensinar que o acontecimento pertence ao historial mais nobilitante dos fastos portugueses. O que ele tem cometido, sobre ser muitíssimo feio, são actos que a ética e o civismo reprovam com veemência.

Agora, sustentado por uma absurda evasiva protocolar, não compareceu na grande homenagem à memória de Melo Antunes. A justificação brada aos céus. Estavam presentes três antigos Presidentes da República, demonstrando que a questão central, o tributo a Melo Antunes, evocava o sentido dos valores e a magnitude de uma Revolução que determinava a defesa desses valores. O dr. Cavaco virou as costas. E a Associação 25 de Abril, cansada de ambiguidades e de escusas disparatadas a quatro convites destinados a memórias semelhantes, a Associação decidiu nunca mais solicitar a presença do dr. Cavaco. Há, portanto, um corte de relações entre uma instituição que simboliza a Revolução de 1974 e os seus heróis, e um indivíduo que, casual e episodicamente, é Presidente da República.

Tudo isto conduz a um extremo mal-estar e ao acentuar das divisões na sociedade portuguesa, cisão cada vez mais protagonizada pelo dr. Cavaco, já de si pouco propenso ao estreitamento de laços e à renovação de novas relações de proximidade. A figura de autoridade, por ele pretendidamente representada, fixa-se, afinal, num autoritarismo gelado que permite e incita a todas as indignações. E, cada vez mais, cava o abismo que o separa da reeleição. Ele não serve, está mais do que provado.

[Jornal de Negócios, Baptista Bastos]



Publicado por JL às 00:01 de 09.12.09 | link do post | comentar |

O regresso do assessor

Cavaco Silva não deixou cair Fernando Lima. Deu-lhe apenas cerca de dois meses de descanso por causa das eleições e do escândalo. Passado o burburinho, falhada a estratégia da "asfixia democrática", o assessor volta ao activo como se nada se tivesse passado. Como se não tivesse sido o protagonista de uma maquinação político-jornalística inédita em Portugal, na importância e no descaro.

Num outro País, democraticamente maduro, isto seria impossível.

Por cá, acima da opinião pública, se é que ela existe, e às vezes sinceramente duvido, está a vontade do Presidente da República.

A responsabilidade política, tão reclamada para outros servidores do Estado, e noutros sectores, não é coisa de Belém. Aí todos os cidadãos são livres de ter e explicitar a sua opinião - até de imaginar teorias conspirativas e passá-las para os jornais. Tudo isso é legítimo e pode ser pago com o dinheiro dos contribuintes.

Nunca tive dúvidas, no tal processo das escutas, de que Fernando Lima não dera um único passo à revelia de Cavaco. No campo da lealdade e devoção ao PR, o assessor não cometeu um erro em 20 anos de serviço.

Desta vez, a única coisa que se revelou errada foi a escolha do mensageiro. Tivesse isso resultado bem e não teria havido qualquer problema. A insídia teria feito caminho e evitaria aquela medíocre comunicação de Cavaco Silva que fica para os anais da pequena história política nacional.

Como as coisas correram da forma que é conhecida, este regresso de Lima, após dois meses "adormecido", significa confiança e apoio, mas também igualmente que Cavaco Silva continua a esticar a corda com José Sócrates. Não há um português que não saiba que os dois homens se detestam. Mas se alguém andasse desatento bastaria esta segunda nomeação do assessor que pretendeu levar ao País a convicção de que o gabinete do primeiro-ministro andava a espiar a Presidência da República...

Neste momento sabemos o que Cavaco, que não pode falar de escutas, pensa de Sócrates. Só nos falta saber o que Sócrates, que não pode falar de corrupção, pensa de Cavaco.

[Diário de Notícias, João Marcelino]



Publicado por JL às 00:03 de 30.11.09 | link do post | comentar |

O gato da Alice

 

Cavaco promove assessor das escutas a assessor da Casa Civil.

Envolvido no caso das escutas a Belém, como a suposta fonte que terá feito chegar a notícia à Comunicação Social, o assessor da Presidência da República (PR), Fernando Lima, foi promovido por Cavaco Silva, passando a assessorar o chefe da Casa Civil do Presidente.

Este Sr. Silva só me faz lembrar o gato da Alice no País das Maravilhas, que, quando queria, ficava invisível. Tanto aparece como desaparece e quando aparece mais valia nunca mais aparecesse. [wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 00:01 de 28.11.09 | link do post | comentar |

Presidenciais: Gama ameaça unidade Alegre no PS

António Costa, António José Seguro e Carlos César apoiam Manuel Alegre para as presidenciais. Jaime Gama espreita.

Por estes três homens passa a sucessão de José Sócrates e os três apoiam Manuel Alegre às presidenciais. António Costa, António José Seguro e Carlos César querem que Alegre seja o candidato do PS para o confronto com Cavaco Silva em 2011. Mas Sócrates - cujo apoio a uma candidatura de Manuel Alegre às presidenciais parecia evidente durante o processo de pacificação interno - vai ter de se confrontar com uma nova frente. A proto-candidatura de Jaime Gama ameaça a unidade à volta de Alegre e tem o apoio dos socialistas que, como José Lello recentemente afirmou, consideram que a actuação de Alegre na passada legislatura contribuiu "para o PS perder a maioria absoluta".

Os sectores antialegristas - onde pontificam os soaristas, que se converteram em grandes inimigos do alegrismo - encontraram outro candidato que, garantem alguns dos seus membros, estará disponível para se bater com Manuel Alegre no combate pela nomeação de candidato do PS a Belém. É Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, que teve o bálsamo de uma votação esmagadora quando foi reeleito para o cargo.

Imediatamente a seguir, Gama abriu o ano parlamentar com uma "chicotada psicológica" que os seus apoiantes consideram já fazer parte de uma estratégia com vista à nomeação presidencial: acabou com os desdobramentos de viagens que permitiam aos deputados levar acompanhantes nas deslocações oficiais, trocando o bilhete de primeira classe a que têm direito por dois bilhetes de segunda classe.

Doutrinas Jaime Gama vai permanecendo em silêncio, enquanto os seus apoiantes no interior do PS admitem, em privado, a sua disponibilidade para ser o candidato presidencial, afastando Alegre, senão da corrida, pelo menos da bênção do partido.

Mas a doutrina divide-se sobre o que realmente move Gama: segundo outros observadores, não se estaria a posicionar para as eleições presidenciais de 2011, mas para as de 2016. A teoria é simples: a recandidatura de Cavaco Silva é um dado praticamente adquirido e em Portugal nunca foi possível desalojar um Presidente da República em funções.

Apesar da maioria de esquerda no país e das más relações entre Cavaco Silva e o governo, que tiveram como epicentro o episódio das escutas e vigilância a Belém no Verão, está por provar que Cavaco possa ser derrotado quando se apresentar a um segundo mandato.

Um sinal de como será difícil remover o inquilino de Belém já foi dado: depois das sondagens desastrosas que o Presidente obteve na sequência da guerra estival, a popularidade de Cavaco Silva já voltou a subir. Bastou-lhe retomar a discrição presidencial e uma ou outra iniciativa mais institucional: aparentemente, o país já lhe perdoou a confusão das escutas.

Manuel Alegre mantém-se em reflexão sobre o que fazer. Na última intervenção pública, afirmou não estar disposto a uma candidatura presidencial em que tivesse de enfrentar a guerrilha interna que sectores próximos de Mário Soares lhe estariam a mover.

Apesar de ter participado em debates sobre cidadania, Alegre reduziu as suas intervenções públicas, mas foi evidente a sua moderação nos comentários ao caso "Face Oculta", que nunca poderiam ser utilizados pelos seus "inimigos" dentro do PS para o acusarem de "oposição interna".

O milhão de votos O desfecho da guerra das presidenciais ainda não é líquido, mas mesmo entre os apoiantes de Jaime Gama - onde se incluem figuras como Vítor Ramalho, Correia de Campos e Sérgio Sousa Pinto - permanece a dúvida sobre a capacidade de Gama vencer Cavaco Silva.

Quanto a Manuel Alegre - que gerou vários anticorpos dentro do próprio PS quando se aliou ao Bloco de Esquerda em duas iniciativas públicas - foi notória a sua capacidade para "juntar a rua" em torno da sua candidatura, mesmo havendo um candidato oficial do PS com o peso de Mário Soares.

O milhão de votos que Alegre um dia disse "não poder levar pela trela" vai ser decisivo quando se tiver de resolver esta equação.

[ i , Ana Sá Lopes]



Publicado por JL às 00:01 de 24.11.09 | link do post | comentar |

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