Admin. Pública: continuar a melhorar e a defender a res pública

Governo aprova novo regime para substituir a requalificação

  O Governo considera que a 'requalificação  "falhou em todos os aspetos", além de implicar uma redução remuneratória e uma redução de direitos.

O Conselho de Ministros aprovou o regime de valorização profissional dos trabalhadores em funções públicas que respeita a carreira, a categoria e a área de origem do trabalhador e mantém o nível remuneratório, revogando o regime da requalificação.

Na conferência de imprensa do Conselho de Ministros desta quinta-feira a secretária de Estado da Administração e do Emprego Público, Carolina Ferra, apresentou este novo regime, que revoga o aprovado pelo anterior Governo da 'requalificação' (/'mobilidade especial') da administração pública, justificando que este "falhou em todos os aspetos, além de que implicava uma redução remuneratória, uma redução de direitos e, no limite, a cessação de contratos de trabalho".

"Vamos ao encontro das necessidades da Administração Pública, promovendo uma mobilidade mais ágil, respeitando direitos dos trabalhadores porque não há redução absoluta e é respeitada a carreira e a categoria das pessoas", explicou.

O regime de valorização profissional dos trabalhadores em funções públicas mantém a categoria, posição e nível remuneratórios detidos no serviço de origem, durante um período máximo de três meses, respeitando assim os direitos dos trabalhadores.

"Ao contrário do regime da requalificação, há uma efetiva valorização profissional através de formação profissional", enfatizou a governante, sublinhando a "preocupação em acautelar a situação do trabalhador".

Este processo, segundo Carolina Ferra, chega a este ponto "fruto de um processo negocial" com sindicatos e estruturas representativas dos trabalhadores, esclarecendo que "o regime é para futuro" uma vez que "este Governo não conta ter quaisquer processos de reestruturação".

"Agora é preciso ter regras para quando isso acontecer. É um regime que tem origem em processos de reestruturação e racionalização", explicou.

Segundo a secretária de Estado da tutela "a Administração Pública é dinâmica e ir ao encontro das funções do Estado é dinâmico".

"É um estatuto mais claro, mais transparente, mais previsível, com maior segurança jurídica e com isso também valoriza os recursos que temos na Administração Pública", sustenta.

-------   A Greve       (- C.B. Oliveira, Crónicas do rochedo, 18/11/2016)

    Os funcionários públicos estão hoje em greve. Têm muitas razões para estar descontentes.

   As carreiras estão praticamente congeladas há mais de 10 anos, a transparência dos concursos continua a deixar muito a desejar, os salários estiveram sempre a diminuir desde 2010, há desigualdades salariais dentro das mesmas categorias, os horários de trabalho são diferenciados e foram, durante quatro anos, os 'bombos da festa' sempre que se falava em reduzir a despesa.
    Há no entanto uma grande diferença entre a justeza de uma greve e a sua oportunidade. E não me parece oportuno marcar uma greve poucas semanas depois de os funcionários públicos terem recuperado os salários que o governo anterior lhes tinha extorquido. (...)

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--Zé T.:  .Faltam os pormenores sobre o novo regime... mas é um 1º passo para valorizar a Adm. Pública e os servidores do Estado.
. Falta descongelar carreiras, categorias e remunerações (muito desactualizadas);
. Falta simplificar e melhorar o SIADAP (sistema de avaliação...) e instrumentos de controlo da Admin.Pública, como os QUAR, ...
. Falta reapreciar o sistema e a coordenação (e eventuais sobreposições ou lacunas) dos/ entre os organismos Públicos (DGs, serviços, divisões; institutos, agências, fundações, ... empresas púb., do Estado, regiões e municípios).
... falta muito...  oxalá se mantenha a conjugação de objectivos e práticas para fortalecer o estado social, com efetiva capacidade de regulação e defesa dos interesses estratégicos da res pública.---



Publicado por Xa2 às 20:05 de 24.11.16 | link do post | comentar |

Classe média e pobreza pagam a 1% privilegiados e a rentistas do Estado

Aqueles que põem o seu dinheiro a bom recato  (-V.J.Malheiros, 4/10/2016, Entre as brumas...)



Publicado por Xa2 às 10:41 de 02.10.16 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Aumenta o fosso entre trabalhadores e 'meritosos' gestores ...

Patrões das grandes empresas ganham até 90 vezes mais do que os trabalhadores

      Os salários dos líderes executivos das grandes empresas portuguesas, cotadas em bolsa, ganham cada vez mais do que os trabalhadores que dirigem. Há patrões que ganham 90 vezes mais do que os seus funcionários, de acordo com um estudo da DECO.

Um destes casos é o de Pedro Soares dos Santos, líder da Jerónimo Martins, que detém a cadeia de hipermercados Pingo Doce, que, em 2015, ganhou um total de 865 mil euros, “90 vezes mais do que o salário médio dos seus trabalhadores, revela o Dinheiro Vivo, citando a análise da Proteste.

Este estudo apurou que a disparidade salarial entre trabalhadores e dirigentes das empresas se agravou, no ano passado, notando que os CEO foram aumentados, em média, em cerca de 14,2% e os trabalhadores em apenas 3,6%.

Entre as empresas analisadas, a DECO coloca a Jerónimo Martins como aquela onde há maior disparidade salarial, seguindo-se a Galp, onde o presidente executivo, Carlos Gomes da Silva, recebeu 72 vezes mais de salário do que os trabalhadores da petrolífera.

O patrão da Sonae, Paulo de Azevedo, ganhou, por seu turno, 69,1 vezes mais do que os seus trabalhadores do grupo que detém o hipermercado Continente, no ano transacto.

Da análise da DECO ainda fazem parte as empresas Semapa, Ibersol, CTT, EDP, Mota–Engil, Portucel (nova Navigator) e NOS, concluindo-se que os seus trabalhadores ganham, em média, 30 vezes menos do que os seus chefes.

A Associação de Defesa do Consumidor também apurou que esta disparidade salarial tem vindo a crescer, tendo passado de 21,3 vezes, em 2014, para 23,5 vezes, em 2015.

“Em todos estes casos, o agravamento deveu-se quase exclusivamente a um significativo aumento do salário recebido pelo presidente executivo”, afiança a DECO.

“Apesar das políticas remuneratórias serem votadas em assembleia geral, as empresas levam princípios muito vagos e os accionistas acabam por votar remunerações em pouca consciência. Várias comissões (...) envolvem membros da família dos gestores que decidem em causa própria”, refere Rui Ribeiro, da Proteste, em declarações ao Dinheiro Vivo.

      Rendimento dos presidentes executivos do PSI-20 aumentou 20%

     CEO (chief executive officer, gestor, administrador, presidente) das maiores cotadas da bolsa portuguesa receberam 15,4 milhões de euros em 2015. Administradoras recebem, em média, menos cerca de 30% que os homens. (29 de Maio, 2016)

    Segundo avança o Jornal de Negócios, entre remuneração fixa, variável, diferida, contribuições para PPR e outras remunerações, (e benefícios, prémios, comissões, consultorias, participações, acções, seguros, subsídios, ajudas de representação, habitação, férias, cartões dourados, ... e também esquemas jurídico-contabilísticos de fuga a impostos... em offshores) os presidentes executivos do PSI-20 arrecadaram 15,4 milhões de euros brutos no ano passado, o que representa um aumento de 20% face a 2014.

     Se a Galp Energia foi a empresa que, em 2015, mais gastou com a sua presidência executiva, repartida entre Manuel Ferreira de Oliveira (1,19 milhões) e Carlos Gomes da Silva (1,36 milhões), já António Mexia, da EDP, destacou-se no primeiro lugar do pódio dos gestores mais bem pagos, tendo ganho um total de 1,82 milhões, mais 58% do que em 2014.

     No PSI-20 (indicador das 20 maiores empresas cotadas na bolsa de Lisboa), a discriminação salarial entre homens e mulheres é notória. Tendo em conta as remunerações pagas tanto a administradores executivos como não-executivos, desde que tenham estado em funções durante todo o ano de 2015, a remuneração média das mulheres foi, no ano passado, 28% inferior à dos homens. Conforme refere o Negócios, as administradoras das maiores cotadas da bolsa portuguesa receberam, em média, 171.318 euros, contra os 255.880 euros auferidos pelos administradores.

    Se for tido em conta o valor total pago pelas empresas aos administradores, independentemente do tempo que estiveram em funções, as mulheres ganharam somente 4,43 milhões dos 62,15 milhões destinados aos administradores, o que equivale a pouco mais de 7% do total.

    O aumento do rendimento auferido pelos CEO do PSI traduziu-se no agravamento do fosso salarial entre trabalhadores e gestores. Os trabalhadores precisam de trabalhar, em média, de 25 anos para ganharem o mesmo que um gestor arrecada num ano.

          Artigos relacionados: 


Publicado por Xa2 às 20:48 de 29.05.16 | link do post | comentar |

União Europeia e Humanismo -vs- interesses e competição materialista

----- Menos Europa facilita o terrorismo    (por AG, 25/11/2015, CausaNossa)

"Os atentados de Paris demonstram que precisamos de mais Europa para segurança dos nossos cidadãos: menos Europa facilitou a empresa assassina aos terroristas.

    Cabe aos Governos no Conselho a liderança política para instituir coordenação europeia dos serviços de informação, polícias e cooperação judiciária, que precisam de ter meios humanos e capacidades reforçadas e não continuar a ser reduzidos pelas desastrosas políticas de austeridade, que tambem fomentam os ghettos de onde sairam os terroristas. 

    Precisamos de trabalhar pela paz e segurança na nossa vizinhança - são os conflitos ali que nos entram porta adentro! Precisamos  Política Comum de Segurança e Defesa, no quadro de uma Política Externa e de Segurança Comum coerente. E bem precisamos de coerência: dizer que "estamos em guerra" é dar um estatuto político aos terroristas, faz-lhes o jogo.

    Temos, em vez disso, de atacar as fontes do financiamento terrorista: o tráfico de armas, o petróleo, o branqueamento de capitais, chamando à responsabilidade todos os financiadores e facilitadores, muitos fazendo jogo duplo como Arabia Saudita, Qatar e Turquia. "Business as usual" nas relações comerciais e diplomáticas trava a nossa capacidade de nos defender dos terroristas.            (...)".

 ----- Combater (as causas d)a radicalização e o recrutamento terrorista   (por AG)

"(...).     São milhares os jovens europeus que partiram para Síria e Iraque para combater nas fileiras do Daesh -  que não é Estado, nem é Islâmico. Mas não é - como nos acenam alguns ilusoriamente - com o cerrar de fronteiras ou com uma directiva PNR que vamos conseguir travar a sua radicalização e recrutamento. 

     O combate é também político e ideológico e trava-se aqui mesmo na Europa, dentro das nossas sociedades - porque, afinal de contas, os atacantes de Paris, em Janeiro como em Novembro, eram europeus, franceses e belgas!   E, por isso, é fundamental voltarmos a combater desigualdades, discriminações, a exclusão social sentida de forma particularmente aguda pelas comunidades migrantes em bairros que deixamos transformar em guetos de desesperança e ressentimento, com 60% de desemprego, como Molenbeek, no coração da Europa, Bruxelas, hoje sitiada pelo medo.

     A nossa segurança colectiva impõe acabar com a destrutiva política de austeridade cega, que também explica por que, em vez de terem meios humanos e outros reforçados, polícias e serviços de informação se debatem com incapacidades e explica que prisões se tenham transformado em centros de radicalização, em vez de reabilitação, de delinquentes.

      Era sabido que ataques deste tipo iam e vão ocorrer na Europa. Por isso precisamos de União na luta contra a ameaça terrorista transnacional.

     Precisamos de União Política em que os nossos Estados partilhem informações de segurança e cooperação policial e judicial e façam planeamento conjunto e avaliação de riscos de segurança em comum.

     Precisamos de Política Externa e de Segurança Europeia e Politica de Segurança e Defesa Comum - como Síria, Iraque e Libia evidenciam.

    Os Estados Membros da União Europeia têm de se coordenar e atacar o tráfico de armas, o financiamento terrorista e o crime organizado, associados à capacidade de organizações terroristas como o Daesh e a Al Qaeda e não continuar em modo "business as usual" relativamente a governos e estados onde o Daesh e a Al Qaeda têm encontrado financiadores e facilitadores. O comércio internacional, incluindo o de armas, e o petróleo não podem valer o nosso silêncio.

     A lição a retirar dos ataques em Paris é que os nossos governos se têm de coordenar para travar a ameaça terrorista e entender que isso passa por uma estratégia coerente e europeia, incluindo na dimensão militar. 

      E que não será à custa de direitos e liberdades fundamentais que venceremos o terrorismo:  sem direitos, nunca teremos segurança.   Desengane-se  quem argumenta em contrário, para deixar cair a protecção de dados, para convencer a opinião pública a desistir da privacidade dos cidadãos e de outras garantias fundamentais;   ou quem tenta estigmatizar muçulmanos e até refugiados que sofrem às mãos dos terroristas e por isso deles procuram fugir.   Fogem para a Europa justamente pela segurança e oportunidades que as nossas sociedades oferecem, porque aqui se protegem direitos, liberdades e garantias: essa é a nossa força moral contra o Daesh e outros terroristas que nos querem vergar pelo medo e destruir liberdades e democracia".

----- Assim vamos   ( o ciclo da estupidez internacional, grandes interesses e geopolítica 

.             O  tempo  e  os  ódios       

    Já se disse muito sobre o fanatismo religioso, que reduz a zero séculos de civilização. A barbaridade que Paris acaba de viver, mais uma, fez-nos retomar o tema, mantendo-se, na maior parte das análises, o foco apenas apontado ao fanatismo religioso: de um lado os “maus”, do outro os “bons”. Talvez devêssemos ampliar o campo das análises, para responder a perguntas que deveríamos estar a formular, com o intuito de intervirmos, de modo mais eficaz, nas nossas escolas e na nossa sociedade.     Comecemos por recordar algumas, apenas algumas, de tantas outras barbaridades recentes, cujos autores pertenciam às comunidades que atacaram:

       ...   ... A 20 de Abril de 1999, aconteceu no instituto Columbine o massacre que viria a dar filme. Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17, ambos estudantes, atacaram alunos e professores, ferindo 24 e matando 15.

A 26 de Abril de 2002, na Alemanha, Robert Steinhäuser, de 19 anos, voltou à escola donde fora expulso e matou 13 professores, dois antigos colegas e um polícia.

Em Setembro de 2004, dissidentes chechenos assaltaram uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde sequestraram 1200 reféns, entre crianças e adultos. Tomada de assalto por forças russas, morreram na escola 386 pessoas e foram feridas 700.

Em 2005, Cho Seung-Hui, estudante sul-coreano de 23 anos, há 15 emigrado nos Estados Unidos, descrito como perturbado e solitário e referenciado por importunar colegas com telefonemas e mensagens, trancou com correntes as portas da universidade Virginia Tech e matou, uma a uma, 32 pessoas.

A 22 de julho de 2011, ocorreu uma violenta explosão na zona dos edifícios do governo, em Oslo, a que se seguiu o massacre na ilha de Utoya, com um balanço de 77 mortos, a maioria jovens que participavam numa espécie de universidade de verão, organizada pelo Partido Trabalhista Norueguês. Anders Behring Breivik, de 32 anos, o autor, foi descrito como nacionalista de extrema-direita, inimigo da sociedade multicultural e defensor do anti- islamismo.

Em Dezembro de 2012, Adam Lanza, jovem de 20 anos, protegido com um colete à prova de balas e vestido de negro, depois de ter assassinado a própria mãe, entrou na escola primária de Sandy Hook, em Newtown, também nos Estados Unidos da América, e matou 20 crianças e seis adultos.   ...   ...   ...

           Posto isto, as perguntas:

    Como nasceu o ódio que levou os jovens protagonistas citados, nascidos no ocidente “civilizado” ou educados nas suas escolas, a fazerem o que fizeram?

    Como se justifica que jovens europeus abandonem a cultura e os valores em que viveram para se envolverem voluntariamente, com dádiva da própria vida, em acções extremistas, de culturas fanáticas?    Que atracção os motiva, que desilusões os catapultam, que ódios os animam, que desespero os alimenta?   É o quê?   É porquê?

    Que ódios bombardeiam hospitais, assaltam escolas e assassinam em salas de concerto?

As constituições dos estados democráticos têm teoricamente acolhido a educação como componente nuclear do bem-estar social. Mas nem sempre a têm promovido, na prática, a partir do enraizamento sólido dos valores civilizacionais herdados. A substituição da visão personalista pela utilitarista tem empobrecido a nossa filosofia de ensino e aberto portas a desesperos e fanatismos. A solidão e o abandono, tantas vezes característicos desta via, podem ser compensados com o aliciamento fácil para pertencer a grupos fanáticos, dotados de cativantes espíritos de corpo, sejam eles religiosos ou políticos.

    Talvez fosse tempo de roubar tempo ao tempo, ao tempo dedicado às chamadas disciplinas estruturantes, para termos algum tempo para olhar o modo como empregam o seu tempo os jovens para os quais nem a Escola, nem as famílias, nem a sociedade, têm tempo.

     Talvez seja tempo de todos, particularmente os que definem as políticas de educação, relerem uma carta a um professor, transcrita no livro Saberes, Competências, Valores e Afectos, Plátano Editores, Lisboa, 2001, de João Viegas Fernandes:

“… Sou sobrevivente de um campo de concentração. Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos deveriam poder ver: câmaras de gás construídas por engenheiros doutorados; adolescentes envenenados por físicos eruditos; crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas; mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados…

… Eis o meu apelo: ajudem os vossos alunos a serem humanos. Que os vossos esforços nunca possam produzir monstros instruídos, psicopatas competentes, Eichmanns educados. A leitura, a escrita e a aritmética só são importantes se tornarem as nossas crianças mais humanas”.

Porque, digo eu, parece não termos aprendido com a História. Porque, insisto eu, podemos policiar ruas e caminhos, estádios e salas de concerto, mas só pais, professores, tolerância, justiça e amor moldam consciências.      --       (Santana Castilho* 19/11/2015 Aventar)

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     Sim,... : A educação e ensino deve tornar as pessoas mais humanas. Ensinar apenas as ciência e tecnologias de nada servirá se não houver humanismo.
 ... e não tardaria voltavamos a falar da importância dos 'rankings' das escolas e dos 'números clausus' (e notas exageradas) para acesso a determinados cursos... (para obter emprego, estabilidade e carreira melhor remunerada ...)
      Na medicina, há alunos excelentes mas os médicos estão a escasssear para dar lugar a analistas de exames e licenciados em medicina.
Isto tb acontece noutras áreas.Poderíamos voltar a “pegar” no conceito de competição. (e capitalismo desenfreado, desregulado, neoliberal, ...)



Publicado por Xa2 às 07:57 de 20.11.15 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Desigual realidade, pesadelos e maus gestores/ dirigentes

(... para todos os que pensam sobre o presente e o futuro ...)

NÃO, NÃO ESTOU VELHO !!!!    NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO PARA JÁ SABER TUDO !

    Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.

E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.

    Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente, ordenadamente, no respeito das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.(!!)

    Sou dos que acreditam na invenção desta crise.

      Um “directório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média.  E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.

      Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz (campo Nazi de extermínio).

      Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.

     Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.

     Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho. Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.

    Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida.

    E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.

    A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o milagre da multiplicação dos pães.

    Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais ("...", agora com preços muito elevados) impedem-nos de sair de casa, suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se de sangue, 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores de geração espontânea, mas 81.000 licenciados estão desempregados.

    Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.

    Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada” faz um milhão de espectadores.

    Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças (e sem tribunal/ justiça), e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.

    Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.

    Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.

    Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.

    Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…

    Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras (estratégicas) que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?

    E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.

    Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.

    E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.

   Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.

   E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…

   Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.

   E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome, envergonhadamente, matar a fome dos seus meninos.

    É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade.

    - Júlio Isidro   http://www.ericeiraonline.pt/index.php/destaques/item/123-nao-quero-morrer 

------- PRIVATIZAÇÕES DE EMPRESAS QUE DÃO GRANDES LUCROS, PARA QUÊ? para quem ?!   QUE GANHA O POVO PORTUGUÊS COM ISSO ?

   A remuneração global do conselho de administração executivo da EDP ascendeu em 2014 a 6,29 milhões de euros, mais 19% do que no ano anterior, revela o relatório de governo da sociedade que a EDP publicou esta quinta-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), no âmbito da convocatória da sua assembleia geral de acionistas para 21 de abril.

    Com sete elementos, tal como no ano anterior, a administração executiva da EDP continuou a ter como gestor mais bem pago o presidente, António Mexia, que em 2014 arrecadou 1,15 milhões de euros, depois de em 2013 ter auferido um total de 988 mil euros.

   No que concerne à remuneração do presidente executivo, António Mexia manteve em 2014 os 738 mil euros de vencimento fixo anual, mas a componente variável aumentou de 251 mil euros em 2013 para 410 mil euros em 2014.

    A remuneração variável anual dos administradores executivos da EDP pode atingir 80% do valor da remuneração fixa e está dependente de vários fatores. O valor a atribuir a título variável depende do desempenho do retorno acionista da EDP em relação aos índices Eurostoxx Utilities e PSI-20, mas é também determinado por resultados como o crescimento da margem bruta e do lucro da EDP (e os consumidores a pagarem a electricidade cada vez mais cara). Além disso, há ainda uma avaliação individualizada do desempenho de cada gestor.

    Quanto ao vencimento dos membros do Conselho Geral e de Supervisão (órgão onde estão os representantes dos acionistas, mas sem funções executivas), manteve-se no ano passado na casa de 1,7 milhões euros, continuando a ter Eduardo Catroga (o presidente) como o membro mais bem pago, com 490.500€, tal como em 2013.
     OS MAMÕES CHULOS  !!!     ELES COMEM TUDO  !!!...  

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Os maus gestores são mesmo um problema para Portugal  (-economiainfo, 18/3/2015)

Os casos BES e PT trouxeram a questão da qualidade da gestão das empresas em Portugal para o debate público nos últimos meses e agora chegou mesmo a um relatório do FMI. Depois de três anos em Portugal com a troika, o Fundo decidiu incluir numa avaliação a Portugal o aviso de que a qualidade dos gestores portugueses também afecta a produtividade dos trabalhadores.
A produtividade dos trabalhadores, sobretudo os menos qualificados, depende também das qualificações (e práticas...) dos gestores.
Os detalhes sobre o que levou o Fundo a chegar a esta conclusão não foram apresentados e a recomendação para resolver este problema não é mais do que “rever a eficácia e amplitude dos programas para promover as competências de gestão em Portugal”.    Embora seja possível que a inclusão deste tema não seja muito mais do que tentar equilibrar as contas com os constantes apelos a medidas que afectam maioritariamente os trabalhadores que não estão em cargos de gestão, não se pode esquecer que o problema da falta de qualidade de gestão é mesmo real
    O Banco de Portugal tem por diversas vezes chamado a atenção para esta questão e há realmente estudos que mostram como a qualidade da gestão em Portugal está abaixo da média europeia e que concluem que essa é efectivamente uma das principais explicações para o diferencial de produtividade registado pela economia portuguesa face aos países mais desenvolvidos.   Um dos estudos referência nesta área é o publicado por quatro economistas no NBER em 2012 en e que dá uso à base de dados World Management Survey, um dos poucos instrumentos existentes para quem quer medir e comparar a qualidade das práticas de gestão em todo o Mundo.    Dos dados retirados de cerca de 10 mil empresas, as conclusões retiradas pelo estudo em relação à qualidade da gestão são:
  • As melhores práticas de gestão na indústria são encontradas nas empresas norte-americanas, com países como a Alemanha, Japão, Suécia e Canadá a ficarem próximos.
  • Países emergentes como o Brasil, a Índia e a China obtém em média os piores resultados, para além de ser aí que se encontram maiores disparidades na qualidade de gestão entre as empresas de um mesmo país.
  • Entre as empresas, as que são detidas e geridas pela mesma família são as piores geridas, em contraponto com as que optam por uma liderança exterior aos accionistas. As empresas públicas obtêm os piores resultados principalmente devido a uma política de incentivos menos ambiciosa.
  • As multinacionais têm práticas de gestão semelhantes em praticamente todos os países.
  • O nível educativo dos gestores e dos outros trabalhadores está estreitamente ligado à qualidade da gestão das empresas.
Perante estes dados, os autores tentam depois fazer uma ligação entre a qualidade da gestão e a produtividade, seja da empresa seja do próprio país e a conclusão é clara:   existe uma correlação muito forte entre a qualidade das práticas de gestão num país e a produtividade da sua economia.   Para Portugal, os números apresentados mostram que este é um problema a que se deve dar atenção.   Em conjunto com a Grécia, Portugal é referido no estudo como um dos países do Sul da Europa com piores práticas de gestão nas suas empresas.    E num estudo subsequente dos mesmos autores en é feito um cálculo em relação ao impacto que isso pode ter na produtividade:  o diferencial entre a produtividade total dos factores dos Estados Unidos e a portuguesa é explicado em 50% pela qualidade da gestão das empresas instaladas nos respectivos países.   Um número que devia fazer com que o tema merecesse mais do que duas frases num comunicado do FMI (e nos estudos económicos, na academia, mestrados, comentadores TVs, políticos, governantes, associações empresariais, ...).


Publicado por Xa2 às 07:38 de 24.03.15 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Eu, "funcionári* públic*", um dia ... faço Greve !!

( Eu, funcionári* públic* " )    um  dia ...   faço  Greve  !!

 porque :

 

. Um dia decidem que apenas alguns podem ter desempenho de excelência.   -  Implementação do SIADAP - Lei nº 66-B/2007, de 28 de Dezembro

 

. Um dia tiram-me o vínculo à Função Pública. -  Alteração unilateral do vínculo - Lei nº 12-A/2008

  

. Um dia obrigam-me a estagnar na carreira depois de me aliciarem a fazer um estágio de 2 anos para progredir -  Suspensão dos procedimentos concursais e das mudanças de nível pendentes - Despacho do MF nº 15248-A/2010, de 7/10/2010

 

. Um dia decidem pagar-me menos pelo mesmo trabalho -  Redução salarial - Artº 19º da Lei Nº 55-A/2010, de 31-12 (Lei do OE 2011)

  

. Um dia supero todos os objectivos e apenas vou ganhar umas palmadinhas nas costas. -  Proibição das valorizações remuneratórias, designadamente das alterações de posicionamento remuneratório resultantes de progressões e promoções  - Artº 24º da Lei nº 55-A/2010, de 31-12 (Lei do OE 2011)

 

. Um dia vou ser solidário à força. -  Contribuição extraordinária de solidariedade - Artº 162º da Lei nº 55-A/2010, de 31-12 (Lei do OE 2011)

  

. Um dia fico sem subsídio de férias. -  Corte dos subsídios de férias e de Natal  -  Artº 21º e 25º da Lei Nº 64-B/2011, de 30/12 (Lei do OE 2012)

  

. Um dia obrigam-me a descontar durante 40 anos de trabalho para receber menos 30% do que já recebia antes. -   Alteração do cálculo da pensão de aposentação -  Artº 80º da Lei nº 66-B/2012, de 31-12 (Lei do OE 2013)

  ...

  . Um dia  o/a  chefe "não vai com a minha cara" e manda-me para a «mobilidade especial / requalificação», ...  i.e. para o desemprego. 

...

Por isto  e muito mais ... HOJE  É  O  DIA .  FAÇO  GREVE  GERAL . 

( recebido por e-mail )



Publicado por Xa2 às 07:41 de 27.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

É preciso empobrecer mais e muitos porque...

O enriquecimento de alguns é a miséria de muitos

São só 7 mas ganham mais do que 12.500. Aqueles são os administradores da EDP a quem o governo obedece. Estes são os portugueses do salário mínimo, licenciados ou de poucas letras que, como às classes médias, o governo trata por cima da burra. A quem corta salários, férias, acessos à saúde e ao ensino, lança no desemprego e convida a que emigrem, reduzidos pelo governo a hodiernos servos da gleba .
     Os 7 membros do Conselho de Administração da EDP receberam, o ano passado, 6 milhões e 90 mil euros. O que de acordo com as contas do CM corresponde a mais do que 2.569 salários mínimos, em Portugal.
Só o presidente da elétrica nacional, António Mexia, aquele Sr que mandou o Sr. Passos Coelho demitir o Secretário de Estado da Energia porque o estava a incomodar, auferiu 1,04 milhões de euros em remunerações em 2011. São 2.859 euros por dia o que lhe dá em dois meses e meio o que um trabalhador de salário mínimo ganharia em 40 anos de actividade. O que ganhará a minha amiga Dalila, socióloga, caixa no Pingo Doce, se não mudarmos Portugal, ou ela não mudar de emprego. 
        Da remuneração - diz a notícia do jornal de escândalos - 712 mil euros referem-se à remuneração fixa, ou seja, ao salário. Os outros 331 mil euros respeitam à remuneração variável, isto é, a prémios por terem sido atingidos os objetivos.
Mas falta somar o prémio trianual, correspondente ao mandato, que lhe dará, por ano, mais umas centenas de milhar de euros.
     A mesma fonte que, de acordo com o relatório e contas, entregue à CMVM, o presidente do CA da EDP conseguiu mesmo arrecadar a classificação de «excelente» ou «acima das expetativas» por parte do Conselho Geral e de Supervisão, agora dirigido pelo Senhor Eduardo Catroga que ganha pelo seu trabalho de avaliar o Senhor Mexia, 45 mil euros por mês.
     Que estes senhores não recusem estes salários e os achem merecidos num país em que 11% dos trabalhadores ganham o salário mínimo (485 € por mês) eu compreendo. É da natureza humana. Agora que o Governo, o Sr Passos Coelho e c.iª, permita isto, é que é assunto de todos nós, que deveríamos rapidamente libertar o país de um governo que considera ser sua missão obrigar os trabalhadores e as classes médias a pagar os milhares de milhões de euros de dívidas do Estado e dos bancos. Dívidas que serviram para enriquecer uma multidão de amigos e a aristocracia do dinheiro recriada após os anos de susto da revolução de Abril.  

      Perguntará o leitor mas que temos nós ou o governo a ver com a remuneração destes senhores, para mais empregados de uma empresa privada? É assunto - dir-se-á - apenas entre a empresa, os seus accionistas e estes, certamente excelentes, gestores. 
     Temos, de facto, todos a ver com isto. Por muitas razões. Uma delas é que estes milhões são pagos por nós na conta de electricidade a uma empresa que vende o seu produto praticamente em regime de monopólio. Depois porque a EDP goza de apoios do Estado (pagos por nós através dos impostos) muito para além do que seria legítimo e justificável. Foi aliás a tentativa do Secretário de Estado da Energia de acabar com tal escândalo que levou Passos Coelho a demiti-lo.
  -- Mas que pode, o governo fazer, sem subverter a boa ordem democrática e capitalista ? 
Pode fazer o que fizeram os presidentes dos Estados Unidos da América, Franklim D. Roosevelt (1933-45) e Eisenhower (1953-61) na sequência da grande depressão de 29, criaram escalões de impostos no equivalente ao nosso IRS, até 80% e Eisenhower, depois, até 90% para as remunerações "obscenas" e criaram impostos sobre o património da cúpula super-milionária. Isto é, redistribuiram parte da riqueza nacional do EUA tirando aos ultramilionários parte do que tinham sugado ao mundo do trabalho e às classes médias e devolvendo àquele e a estas, parte da riqueza que eles próprios tinham criado
     Manuseando a útil e legalíssima arma dos impostos é possível, sem ofensa da ordem capitalista, reduzir um salário obsceno de 100 mil euros mensais a uns honestos e muito razoáveis 10 mil euros, por exemplo e reduzir as aristocráticas remunerações invisíveis da gentinha das "grandes famílias", uns degraus acima destes felizes gestores, que recolhem por ano muitos milhões em dividendos.
     Mas Passos Coelho é um devoto da doutrina neoliberal e aplica-a com fervor, como um zeloso prosélito da religião dos mercados, redistribuido a riqueza nacional mas agora ao contrário, tirando aos que menos têm para enriquecer mais os que mais possuem.
     A pouco e pouco, demasiado lentamente para meu gosto, os eleitores perceberão o grande embuste que é esta governação do "simpático" rapaz do aparelho do PSD que subverteu o próprio PSD, conservador mas com matizes social-democratas e o transformou no partido extremista neoliberal que sofremos.                      (# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra)


Publicado por Xa2 às 07:58 de 20.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Portugueses trabalham mais do que alemães e finlandeses

Semana de trabalho lusa tem mais horas do que alemã ou finlandesa. Mas o que sai das empresas não tem o valor acrescentado de um BMW ou de um Nokia. Reside aqui a falta de competitividade portuguesa.

Na escalada da crise grega, há um ano, o tablóide alemão Bild publicou um editorial em que dava conselhos ao país do mediterrâneo sobre como ultrapassar as dificuldades económicas que estava a viver. À semelhança dos alemães, escreveu o jornal, os gregos deviam levantar-se «razoavelmente cedo» e trabalhar o dia todo. A proposta foi reproduzida em meios de comunicação internacionais e gerou chacota à escala europeia, mas tem um problema. Os gregos, tal como os portugueses, já são dos povos que mais horas trabalham por semana, ultrapassando países nórdicos como a Alemanha ou a Finlândia.

Quem pensa que as dificuldades económicas dos povos periféricos são causadas por passarem demasiado tempo na praia, está enganado. Segundo dados do Eurostat do último trimestre de 2010, baseados em inquéritos, os portugueses trabalham quase 39 horas por semana, acima da média europeia (37,5 horas). São mais três horas do que os alemães e quase mais duas do que os finlandeses. E os gregos ainda mais: a semana laboral tem 42,2 horas, o valor mais alto dos 27 Estados-membros da União Europeia. Portugal ocupa a 11.ª posição, a seguir a países como a Eslovénia ou a Hungria.

Mão-de-obra intensiva

Portugal tem de facto um problema de produtividade, mas está sobretudo relacionado com outra variável da questão: o que se faz com o tempo passado no posto de trabalho. O país está muito especializado em sectores de mão-de-obra intensiva, sem incorporação tecnológica ou geração de valor acrescentado, pelo que o rendimento gerado pela actividade económica é menor. Uma coisa é trabalhar em cafés, restaurantes ou em fábricas de têxteis que concorrem com produtos chineses; outra é fabricar telemóveis Nokia e automóveis BMW, dois dos produtos mais inovadores e vendidos do mundo.

«A questão não é trabalharmos mais, mas sim trabalharmos de forma diferente», resume a economista Aurora Teixeira, que fez vários trabalhos de investigação sobre o papel do capital humano e da investigação e desenvolvimento no crescimento dos países.

Segundo a docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, a falta de produtividade portuguesa tem sobretudo a ver com a «concentração em sectores de mão-de-obra intensiva», a par da falta de competências dos recursos humanos e da falta de capacidade de gestão e de organização das empresas. «Estar a trabalhar mais horas não significa estar a produzir mais», acrescenta, clarificando que o conceito de produtividade é «produzir o mesmo com menos custos ou produzir mais com custos semelhantes».

E neste campo Portugal não sai bem do retracto. Um dos indicadores de produtividade mais simples da OCDE consiste em dividir o Produto Interno Bruto de cada país, em paridade de poder de compra, pelo total de horas trabalhadas nessa economia.

Em Portugal, 60 minutos laborais resultam num retorno de 21 euros para a economia nacional, em termos de PIB. É praticamente metade da produtividade alemã: 37 euros de PIB por hora de trabalho. Só há três países com pior produtividade do que a portuguesa – Polónia, Hungria e República Checa –, e este desempenho tem depois reflexos a nível salarial.

Um trabalhador português recebe menos de metade do que um alemão, segundo dados sobre vencimentos também da OCDE. Só há salários mais baixos em alguns países de Leste.

Apesar de a produtividade agregada do país estar abaixo da média europeia, Aurora Teixeira destaca a capacidade que alguns sectores tiveram, nas últimas décadas, de melhorar o seu desempenho. A docente recorda o caso do calçado, cuja produtividade subiu, desde meados dos anos 80, com melhorias tecnológicas e na organização das empresas, com uma aposta mais forte no design. «Ajudou a subir a competitividade externa, ao contrário do que aconteceu com o sector têxtil».

Como melhorar

Para Aurora Teixeira, o que aconteceu no calçado devia ser replicado. As melhorias surgiram depois de ser elaborado um plano estratégico para o sector e de ser gerada uma ‘plataforma’ eficaz entre empresas, universidades e institutos públicos. «Teve um impacto assinalável na inovação e capacidade de ajustamento das empresas. O sector emagreceu em quantidade de empresas e emprego, mas aumentou em valor acrescentado».

Outro economista, Vítor Bento, tem-se destacado exactamente por defender que tem havido uma excessiva canalização dos investimentos nacionais para o sector não transaccionável, o que prejudicou a competitividade do país. E para sair da actual situação, considera ser necessária uma maior aposta no sector transaccionável. Num post recente do blogue da Sedes, defendeu que a descida da Taxa Social Única negociada com a troika «é uma boa ideia, sobretudo para quem não dispõe de moeda própria e pretende emular uma desvalorização».

João Paulo Madeira [SOL]



Publicado por DC às 00:07 de 21.05.11 | link do post | comentar |

GREVES NOS TRANSPORTES

Semana de 7 a 14, dias de lutas e agitações nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto

A machada caiu sobre as folhas de ordenados de Janeiro, já nada de, substancialmente, significativo alterará as circunstâncias e argumentos para iremos ter uma semana de Fevereiro acalorada, como há muito se não verificava, na mobilidade e circulação de pessoas e mercadorias. Mesmo que chova e, se chover, muito naturalmente, aumentará a temperatura circulatória automobilística citadina.

As paralisações, particularmente, dos transportes publicos, durante a semana de 7 a 14 do mês de Fevereiro, serão, pelo menos, a seguintes, tome nota:

A luta, segundo os sindicatos subscritores das convocatórias, é contra a diminuição dos salários, a garantia dos direitos adquiridos, o respeito pelos direitos de cidadania dentro das empresas, entre outros.

Relativamente aos salários, os sindicatos vão exigir um aumento de 4,5 por cento, indicou o dirigente da UGT, Sérgio Monte, que acrescentou "No plenário do dia 27 vamos propor aos trabalhadores a realização de mais greves em Março à segunda e sexta-feira, por períodos de duas horas, de manhã e à tarde".

Para Março devem ser marcadas novas greves, isto porque só em Fevereiro é que os trabalhadores vão ter uma noção mais real dos cortes que sofreram, diz Sérgio Monte, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Afins (SITRA).

Os sindicatos das empresas de transportes também estão a ponderar apresentar providências cautelares para travar os cortes salariais, mas apenas depois de concretizado o corte dos vencimentos.

Tenho como certo que as medidas assim tomadas, pelo governo, ferem os princípios constitucionalmente consagrados da igualdade e da equidade. Aos sindicatos resta elaborar processos que visem pedir a declaração de inconstitucionalidade das medidas e o respectivo ressarcimento dos descontos efectuados. A greve é, conforme toda a gente deveria saber, “a última arma a ser usada” para defesa dos legítimos e reais interesses dos trabalhadores e não para outras finalidades.



Publicado por Otsirave às 00:09 de 27.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

BANCO DE PORTUGAL REDUZ SALÁRIOS...

O Banco de Portugal veio, por estes dias, divulgar que, mesmo não sendo obrigado, optou por cortar 10% nas remunerações dos membros dos órgãos sociais e 7%, em média, nos salários dos trabalhadores. É moralizador

É pena, vivermos num país em que se extremaram, demasiadamente, os leques salariais pelo que reduzir 10% a quem assim ganha (conforme relatório) não é sequer parecido ao aumento das taxas moderadoras às consultas médicas e hospitalares para não falar nos que caiem no desemprego ou nos pensionistas.

Esta atitude fica muito aquém do que seria exigível. Parece aquele candidato que alivia a sua inconsciência com o apoio à distribuição da sopa aos infortunados da crise.

Feitas as contas em termos de órgãos sociais que, entre administradores conselho de auditoria e conselho consultivo serão 23, repartiram, de forma desigual naturalmente, em 2009, 1,429M€ tendo calhado aos trabalhadores 77.163.000€ que, a dividir por 1.672 corresponde a uma remuneração média de 46.150€ e aqui há-de existir muita discrepância, certamente.


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Publicado por Otsirave às 00:15 de 20.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Gestores não executivos recebem 7400 euros por reunião

Até custa a crer que possa ser verdade: Reflecte falta de pudor e é de uma imoralidade assustadora...

Embora não desempenhem cargos de gestão, administradores são bem pagos.

Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI-20, os administradores não executivos- ou seja, sem funções de gestão - receberam 7427 euros. Segundo contas feitas, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009. Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.

Proença de Carvalho é o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. O advogado é presidente do conselho de administração da Zon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de 30 empresas. Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu 252 mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15,8 mil euros por reunião.

O segundo mais bem pago por reunião é João Vieira Castro. O advogado recebeu, em 2009, 45 mil euros por apenas quatro reuniões, já que é presidente da mesa da assembleia geral do BPI, da Jerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria. Segue-se António Nogueira Leite, que é administrador não executivo na Brisa, EDP Renováveis e Reditus, entre outros cargos. O economista recebeu 193 mil euros, estando presente em 36 encontros destas companhias. O que corresponde a mais de 5300 euros por reunião.

O ex-vice presidente do PSD José Pedro Aguiar-Branco é outro dos "campeões" dos cargos nas cotadas nacionais. O advogado é presidente da mesa da Semapa (que não divulga o salário do advogado), da Portucel e da Impresa, entre vários outros cargos. Por duas AG em 2009, Aguiar--Branco recebeu 8080 euros, ou seja, 4040 por reunião.

Administrador não executivo da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, António Lobo Xavier auferiu 83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, o advogado ganhou, por reunião, mais de 3700 euros.

Apesar de desempenhar apenas dois cargos como administrador não executivo, o vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa, Vítor Gonçalves, recebeu mais de 200 mil euros no ano passado. Membro do conselho geral de supervisão da EDP e presidente da comissão para as matérias financeiras da mesma empresa, o responsável é ainda administrador não executivo da Zon, tendo um rácio de quase 5700 euros por reunião.

[Diário de Notícias]



Publicado por JL às 00:05 de 29.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

CORTES CIRÚRGICOS

Daniel Bessa, como os outros economistas de todos os quadrantes, só tem falsas soluções e sempre no sentido de reduzir as receitas do Estado ou aumentar as despesas. Agora, o homem aparece com a defesa delirante do fim do IRC ou corte do mesmo imposto nas empresas de segurança social sem especificar o que são: seguradoras de saúde, fundos de pensão privados? Sim, não há empresas de saúde e pensões com o adicional do subsídio de desemprego, subsídio de doenças, maternidade, nascimento, abono de família e de funeral.” Afirma “DD” num dos seus comentários a um dos posts publicados aqui, no LUMINÁRIA.

A ser assim teremos de concluir que a maleita está em “todos os quadrantes” que nos têm desgovernado. Urge uma de duas coisas; ou matar a maleita ou sanear os quadrantes.

Por mim, como aliás venho fazendo há longos anos só que nem alguns dos que têm estado por perto, muitas vezes coniventes com os quadrantes, me seguem as ideias embora afirmem (hipocritamente?) estar de acordo, não deixarei de fazer propostas que tais economistas não têm tido a coragem de fazer:

Uma, a redução, pelo menos, 40% do número de administradores nas empresas públicas e autárquicas, naquelas que sejam comprovadamente necessárias, as outras à que dissolve-las. Essa redução deve ser feita através das “figuras” que já tenham uma reforma de nível considerável e acumulam com o desempenho de funções desnecessárias ou que deveriam sê-lo por pessoas não reformadas;

Outra, a redução das chamadas viaturas de serviço atribuídas a funcionários e os, concomitantes, cartões de abastecimento das mesmas;

Outra ainda, não menos importantes, é acabar com a entrada de “pára-quedistas” pagos a peso de ouro, para cargos inexistentes ou criados à medida. São exigíveis a existência de códigos de ética na gestão dos bens públicos, sejam eles recursos económicos ou humanos, tanto no Estado central, autarquias ou Entidades Publicas Empresariais. Esses códigos de ética e de boas práticas devem ser públicos e ter controlo obrigatório, por parte dos trabalhadores e de quem os representa, que muitas vezes, também, têm estado coniventes com o degradante estado regabofeiro que vivemos.

Porque será que um governo, pressupostamente, socialista não é capaz de por em prática tais preposições?

Se por acaso, por mero acaso, alguém souber responder a tão singela questão é mister que a dê, aqui no LUMINÁRIA. Talvez Pedro Rolo Duarte, um dos mais assíduos na blogosfera, nos ajude a encontrar respostas a esta, “delicada” pergunta.



Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Trabalho: valor diminuído até ... à explosão social ?

"Valor acrescentado" ou "Valor diminuido" ?

Citroën contrata ex-operários a ganhar menos do que auferiam”.
    Era este o título da página 21 do Público de ontem (2/11/2010) contendo uma desenvolvida notícia sobre a contratação de 300 novos operários pela PSA Peugeot Citroën de Mangualde para um terceiro turno (nocturno) para responder ao aumento de encomendas.
“Entre os 300 novos operários contratados, cerca de uma centena são ex-trabalhadores da PSA que, em 2009, foram atingidos pela vaga de despedimentos” (mais de 500, segundo a reportagem).
    Mais à frente, referem-se palavras de um membro da Comissão de Trabalhadores, segundo o qual, a tal centena de “ex” “são trabalhadores especializados, que tinham um vínculo com a empresa, com vencimentos entre os 700 e os 800 euros e que agora regressam a ganhar metade”. Li e pensei de imediato: o mesmo trabalho a valer metade? E continuei a perguntar: e os carros (de modelos iguais ou semelhantes) valerão agora metade? O tão falado “valor acrescentado” é agora “valor diminuído”?
     Mesmo que a remuneração anterior (a tal dos 700 ou 800 euros e que, certamente é a mesma dos que escaparam à ”vaga de despedimentos”) fosse justa como participação no “valor acrescentado” (e duvido muito que o seja quer neste caso quer na esmagadora maioria das empresas…), com que fundamento agora, 1 ano depois, para o mesmo tipo de funções se estipula remuneração equivalente a metade? E o princípio de “para trabalho, igual salário igual” deixou de ser válido? As funções dos novos admitidos serão certamente muito semelhantes não só às anteriores como às actuais da linha de produção. E são remuneradas por metade?!
     Abstenho-me de comentar o montante, pois segundo o mesmo membro da CT, estes operários, contratados por seis meses, passam a usufruir de um vencimento-base de 440 euros, ao qual somam 25 por cento de subsídio de turno, mas feitos os descontos, relativos à segurança social e IRS, “muitos não chegam a levar o ordenado mínimo para casa”. Aproveito para sugerir uma leitura da entrevista de Alfredo Bruto da Costa à última edição da revista Visão.
    Antes das assinaturas dos contratos, houve reuniões entre a CT, a ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) e a administração. Não deixo de perguntar: e que fez/faz a ACT neste processo quanto ao tal princípio “a trabalho igual, salário igual”? Provavelmente os inspectores da ACT não dispõem de regras para “avaliar funções” ou, pelo menos, para “comparar funções”: as dos que (re)entram e as dos que já lá estão… A burocracia tem destes buracos…
    Neste caso e noutros semelhantes, não se trata, a meu ver, de “racionalidade económica”. Do que se trata é da lógica da lei do mais forte. Deixar apenas à relação de forças dentro das “relações laborais” e aos pretensos mecanismos do “mercado de trabalho” os critérios ou a razão para estipular a remuneração do trabalho leva a situações como esta. Multiplicam-se os casos de prepotência e chantagem, jogando com a necessidade de emprego (isto é, em muitos casos, com a necessidade do “pão para a boca”, mesmo que esta expressão pareça demagogia…). E isto é acompanhado pelo coro dos que exigem ainda maior “flexibilidade laboral”!.
    Perante estas situações como perante a de tantos trabalhadores que, mesmo com salário, não conseguem sair da pobreza, perante os mais de 600.000 desempregados, perante os cerca de milhão de precários, etc. exprime-se o receio de explosão social. É cada vez mais urgente que cidadãos informados ajudem a pôr a claro a lógica, os interesses e as forças que estão na raiz de situações que de racionalidade económica têm muito pouco ou mesmo nada. E isso será um contributo para democratizar a economia.
Promover o trabalho digno implica também fazer com que o trabalho não seja quase sempre ou sistematicamente (porque é de sistema que se trata!) o “valor diminuído”.


Publicado por Xa2 às 00:07 de 16.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Os militares e os enteados

Assumo estar a ser politicamente incorrecto

Com uma abordagem pela rama do aumento de salários hoje noticiado na comunicação social, autorizado pelo ministro da defesa a 423 militares nos três ramos das forças armadas, apenas levanto a questão banal e muito popular de que uns são filhos e outros enteados.
Isto leva a pensar que a crise afinal não é para todos e que normalmente sempre dela beneficiam os mais fortes, aqueles que falam alto. E isto da nação é uma treta, palavra na boca de muita gente para defesa da ideia corporativa.
Mas o mais grave é que lendo bem não são apenas 423 os premiados. Serão muitos mais os que vão por tabela, que até não se sabe estimar.
Porquê?
Porque há uma cláusula (ratoeira) no sistema remuneratório (2009) acautelando a promoção em cascata: a promoção de um militar arrasta automaticamente a de todos os que sejam mais antigos no posto.
Já viram bem toda esta desigualdade criada face a outros trabalhadores do Estado?!
Ninguém percebe isto. Iria dizer o povo, mas esta palavra já pouco conta. Acho mesmo que fora os felizes contemplados e a sua corporação ninguém percebe.
Ninguém percebe muito da utilidade de tão grande corpo de militares, que custa tanto ao País e ainda por cima o que fazem é reivindicar melhores condições na saúde e várias outras no campo salarial.
É a minha visão politicamente incorrecta desta situação.
As pessoas gostariam de ver umas forças armadas de menor dimensão, com funções claras, bom desempenho e integradas na sociedade.
# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra


Publicado por Xa2 às 13:07 de 17.09.10 | link do post | comentar |

GESTORES & MEMÓRIAS CURTAS

Vi há dias na SIC Noticias uma entrevista ao gestor da TAP, Dr. Fernando Pinto, pessoa que conduz os destinos daquela companhia de bandeira portuguesa há mais de 10 anos.

Se a memoria das pessoas, especialmente de certos outros gestores, não fosse tão limitadamente curta, lembrar-se-iam qual era a situação de permanente conflitualidade laboral e de ruptura financeira em situação de pré-falência.

Lembrar-se-iam, ainda, se a memoria não fosse tão curta, que há 10 anos e sem que a situação do país e da economia mundial não tivesse atingido a gravidade dos dias que correm, o então ministro que tutelava a TAP ter dito a Fernando Pinto que não poderia cumprir o que com ele havia sido acordado pedindo-lhe que aceitasse a redução na sua remuneração fixa em 25%. Como publicamente foi divulgado o brasileiro, compreendendo a situação crítica que o país enfrentava para a diminuição do deficit público, aceitou o sacrifício.

Se a memória não fosse tão, exageradamente, curta toda a gente se lembraria que tal pedido foi feito pelo portuguesíssimo(?) António Mexia, exactamente, essa mesma figura que agora não prescinde de receber (não remuneração fixa) o bónus atribuídos pela EDP, uma empresa de monopólio em nada comparado com a concorrência internacional que a TAP tem de enfrentar.

Ética, memoria, princípios..., tudo muito bonito mas bom de aplicar a terceiros. Com Gestores à portuguesa está provado que este país não vai longe, não vai não.



Publicado por Zé Pessoa às 00:22 de 27.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Igualdade de oportunidades e de resultados

Segundo o velho provérbio, "o importante não é dar o peixe, é ensinar a pescar". Mas às vezes isso não basta e é importante também dar o peixe.

O novo governo elegeu a justiça social como uma das suas prioridades. Isso é uma boa notícia. Mas é também necessário pensar sobre o real significado desse propósito. Nisto, como noutras coisas, creio que existe uma divisão entre a esquerda e a direita.

Para a esquerda, a justiça social implica maior igualdade de oportunidades e redução das desigualdades sociais medidas pelo índice de Gini. A direita não pensa exactamente da mesma forma. Esta considera que é importante promover a igualdade de oportunidades, mas não costuma prestar grande atenção à diminuição das desigualdades sociais (apenas à assistência aos muito pobres - o que é diferente). Para a direita, a igualdade de oportunidades é importante, mas não a igualdade de resultados.

A disjunção entre igualdade de oportunidades e de resultados é atraente porque corresponde à visão do senso comum. Tendemos a pensar que se deve ensinar a pescar em vez de oferecer o peixe. O importante é que cada um tenha oportunidade de pescar, embora uns possam obter melhores pescarias do que outros. Mas será que esta disjunção é conceptualmente satisfatória? Vejamos.

Aquilo a que chamamos "igualdade de oportunidades" requer, em primeiro lugar, a ideia de "abertura das carreiras às competências", isto é, a não-discriminação em função das hierarquias sociais, da raça, do sexo, etc. Em segundo lugar, a igualdade de oportunidades, para ser substantiva e não meramente formal, implica o efectivo acesso de todos, inclusive dos mais desfavorecidos, à educação e formação profissional e a cuidados de saúde básicos. Até aqui não fugimos da intuição do senso comum: uma igualdade de oportunidades ao mesmo tempo formal e substantiva é uma forma de "ensinar a pescar" e não de "oferecer o peixe".

Mas será que pode existir uma verdadeira igualdade de oportunidades numa sociedade que seja profundamente desigual em termos de rendimento e riqueza?

Claro que não. Os mais favorecidos estarão sempre numa posição privilegiada para aceder a mais oportunidades - educativas e outras - para si mesmos e para os seus filhos. Portanto, o aprofundamento da igualdade de oportunidades implica sempre a diminuição da desigualdade social medida pelo índice de Gini. Não basta ensinar a pescar. Para que as oportunidades sejam verdadeiramente iguais é também necessário que não haja uma grande disparidade entre os recursos de que dispõem os diversos pescadores - o peixe que cada um tem à partida e serve de isco, por assim dizer.

O tema da igualdade de oportunidades e a sua relação com outros aspectos da igualdade social estará em discussão a partir de hoje e até sábado na Biblioteca Nacional, numa conferência internacional organizada em conjunto pela Universidade do Minho e pela Universidade Nova de Lisboa. O tema é complexo. Para além dos aspectos meramente conceptuais, será necessário explorar as suas muitas ramificações com a economia, os sistemas de saúde, a escola e a família.

[ i , João Cardoso Rosas]



Publicado por JL às 13:57 de 30.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Homem rico, homem pobre...(ou os eleitos e os gentios)

 



Publicado por JL às 22:14 de 28.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

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