Cuba: independência, ditadura, revolução, ... e "normalização" ?

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   Fidel Castro morreu (25/11/2016, com 90 anos)... e agora?

  ...   Descansa em paz amigo Fidel e se reencontrares  Che Guevara, dá-lhe um abraço.    Hasta siempre !

 

 Notas de contexto:

1- Não esquecer que a ditadura de Fulgêncio Baptista (fantoche dos EUA e dos mafiosos americanos que dominavam a República de Cuba...) era ... 'do piorio' (semelhante a outros 'quintais/ backyards' dos USA na América Latina).

2- Não esquecer que a revolução cubana só se 'passou' para o comunismo e aliado/ dependente da URSS, bastante depois da invasão falhada da  'Baía dos Porcos', dos ataques dos latifundiários/élite capitalista Cubana e Americana (fugidos e reagrupados em Miami, Fl.) e das sanções do presidente Kennedy, depois agravado para bloqueio económico (só agora parcialmente levantado, com Obama).

3- Algumas impressões da visita a Cuba em Agosto 2016: um país com poucos recursos naturais (elevado défice de energia petrolífera e de matérias primas industriais), um povo óptimo (como tantos outros), uma sociedade com educação e saúde excelente e gratuitas (raro), cultura rica, uma generalizada classe média baixa, pobre em 'bens de 2ª e 3ª necessidade', mas quase sem exemplos de miséria (nem de riqueza).

Cuba pareceu-me em transição para a sociedade de consumo capitalista e global (devido às receitas do turismo e do investimento estrangeiro, principalmente espanhol e europeu), e em processo de recuperação/melhoria (lenta) do seu imobiliário e infra-estruturas. Em Havana, os telemóveis já eram bastante comuns entre os locais, e a frota de autocarros e automóveis estava ser renovada com modelos/ marcas chineses ...

------- Hasta siempre     (-J.Rodrigues, 26/11/2016, Ladrões de B.) 
.  
--- e --- Che Guevara:  lutar contra injustiças   (e Feliz cumpleaños, Comandante! ) 
 .  (fotografia de Alberto Korda intitulada "Guerrilheiro Heroico")

Ernesto Guevara de la Serna, o Che Guevara, nasceu a 14 de Junho de 1928, na Argentina. Foi um revolucionário também por essa razão, a de nascer em 1928, que se tivesse nascido em 1978 ou em 1988 e tivesse tido o mesmo percurso de vida, por certo que não se teria imortalizado como revolucionário e sim como terrorista.  

   O que mudou? O imperialismo (agora mais multinacional-financeiro) que escraviza continentes inteiros está mais vivo do que nunca. Talvez precisamente por isso.

    A ideologia dominante (neoliberal) conseguiu formatar as consciências de tal forma que hoje em dia quem pegue em armas e esteja disposto a dar a vida para lutar contra a maior injustiça deste mundo é inevitavelmente considerado terrorista. O Che continuará vivo enquanto houver quem recuse que seja como querem que seja.          ¡ Feliz cumpleaños, Comandante !

   Victor Jara - Comandante Che Guevara 


Publicado por Xa2 às 15:50 de 27.11.16 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Economia neoliberal destrói mais empregos do que cria

Davos: até 2020 serão destruídos 7 milhões de empregos e criado 1,5 milhão

(oEconomistaP., 21/1/2016)

       Destruição e Criação de emprego, por Ramos de Actividade, em milhares, 2015-2020  (...)

     Daqui até ao ano 2020 serão destruídos cerca de sete milhões de empregos, dois terços dos quais em tarefas administrativas burocráticas, devido à «4ª revolução industrial» que provocará rupturas no modelo empresarial e no mercado de trabalho, afirma um relatório sobre «o futuro dos postos de trabalho».  O relatório é da responsabilidade do Forum Económico Mundial, que organiza o encontro de Davos (na Suiça). O Forum (de governantes de muitos países e responsáveis de grandes empresas) pediu aos responsáveis pelo pessoal de algumas das maiores empresas mundiais para imaginarem como mudarão os postos de trabalhos no seu ramo de actividade até ao ano 2020. As estatísticas acima são o resultado da opinião daqueles responsáveis. Um resumo dos resultados foi ontem publicado (http://www3.weforum.org/docs/WEF_FOJ_Executive_Summary_Jobs.pdf).

   Como o gráfico acima mostra, os empregos aumentam nas actividades registadas na coluna da direita (cerca de 1,5 milhão de novos postos de trabalho). Os empregos serão criados, por ordem quantitativa decrescente, nas operações comerciais e financeiras; gestão; computadores e matemática; arquitetura e engenharia; vendas; educação. Na coluna da esquerda diminuem. A criação de empregos é muito inferior à sua destruição e por isso o saldo líquido global é negativo. O relatório não indica quais os países considerados.

    O Forum lança a ideia de «4ª revolução industrial»: ela resulta da articulação de campos até hoje separados como a inteligência artificlal, as máquinas que aprendem, os robots, nanotecnologia, impressão a três dimensões, genética, que se reforçam mutuamente. A revolução industrial centrava-se nos computadores.

    O relatório prevê também o aumento da instabilidade política à escala mundial.

    No emprego avultam dois novos tipos de especialidades: analistas de dados, necessários para as empresas sobrenadarem uma informação demasiado abundante, e vendedores especializados, tecnomercadeiros.

     As competências mudarão em mais de 60% do total nos media, entretenimento e informação; consumo; saúde; energia; serviços profissionais; tecnologia da informação e da comunicação e mobilidade.

    O relatório afirma que os responsáveis pelas empresas estão conscientes da ruptura futura mas não actuam; os responsáveis pelo pessoal manifestam um confiança limitada na sua capacidade previsional. Os governos deverão também modificar as suas atitudes em relação ao ensino e formação.



Publicado por Xa2 às 09:00 de 24.01.16 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Viva a Europa dos Cidadãos !

A  EUROPA  não quer  ser  sangrada !

 
Hoje, os europeus espreguiçaram-se. De acordo com sondagens à boca das urnas.
      1. Hollande bateu Sarkosy por 6% de vantagem.
      2. Os dois maiores partidos gregos ficam claramente abaixo do 40%, passando o PASOK a ser o segundo partido da esquerda grega atrás de um dos partidos de uma esquerda mais radical. Os neo-nazis entram no parlamento grego.
    E agora , ó tróikos, encarregados de sanguessugar a Grécia ?
      3. No Estado Federado alemão do Schleswig-Holstein os partidos da coligação que no plano federal suportam a Srª Merkl e que governavam este estado, foram hoje derrotados.


Publicado por Xa2 às 07:35 de 14.07.15 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Poder(es), ideologia e (nova) revolução democrática

A conquista da hegemonia ideológica, condição para a revolução democrática

(Comunicação ao “Congresso da Cidadania. Ruptura e Utopia para a Próxima Revolução Democrática”, Associação 25 de Abril, 2015)
   O título deste congresso contém uma expressão pouco habitual: Revolução democrática. A expressão é ambígua. Pode ser, por exemplo, para Piketty, algo de indefinido, idealista, vagamente inspirado na mera vitória do Syriza. Por mim, tomo-a como rotura qualitativa com a situação vigente e não obrigatoriamente de acordo com as normas vigentes
    Entenda-se que, como sempre que se fala em revolução, não é obrigatório que se esteja a referir uma forma violenta de revolução. O que significa é uma mudança radical da filosofia, organização e funcionamento do sistema democrático.
    Não é que não seja positiva uma reclamação mais simples de mais democracia, mas o necessário é uma alteração radical do contexto político, social e económico em que ela actua. 
   Embora a democracia não se esgote no Estado, ele é a sua expressão essencial. Em relação à reforma do Estado inserida na revolução democrática, certamente que haverá muitas propostas concretas no outro painel. Agora, preocupa-me mais o poder: quais as constrições a essa revolução, que ideias para as superar, que forças para lutar.
    O capitalismo, nesta sua fase de afirmação hegemónica sob a forma de neoliberalismo, apropriou-se da democracia, reduzindo-a um jogo de espelhos em que a cidadania não tem significado real.
   ... Com esquematismo, aceite-se o emburguesamento das classes trabalhadoras tradicionais. A par disto, vem o consumismo, o gadgetismo, a massificação, a publicidade, a aquisição de símbolos de status, a inculturação, a estupidificarão dos lazeres. E imagine-se se Marcuse pudesse adivinhar em 1964 crianças agarradas a jogos electrónicos horas e horas.
    A outra ressocialização egoísta é a degradação da democracia. É numa perspectiva gramsciana – admito que curta – que ligo a revolução democrática ao combate à hegemonia ideológica e cultural do neocapitalismo. Digo assim por simplicidade de exposição porque é claro que isto não se isola da dominação política e económica.
... o poder das classes dominantes sobre as classes dominadas não reside simplesmente no controlo dos aparelhos repressivos do Estado. Este poder é garantido fundamentalmente pela "hegemonia" cultural que as classes dominantes conseguem exercer, através do controle do sistema educativo, de algumas instituições religiosas e, principalmente, dos meios de comunicação.  Destaque-se, no sistema educativo, o papel de formatação pelas escolas tecnocráticas da área social (economia, gestão, sociologia, etc.), prolongada pela cultura generalizada das empresas.
    A regeneração revolucionária da democracia, no processo histórico para objectivos mais distantes, é também um factor de humanização, um aspecto da desalienação pela Grande Recusa que nos propõe Marcuse.
    É a luta por uma democracia real, para os nossos tempos.
Uma democracia em que as pessoas são cidadãos com efectivo exercício de poder, em condições realísticas.   Que garante, harmoniosamente, a separação dos sectores privado e público da vida pessoal
    Uma democracia que reconcilie as pessoas com a política, com combate duro contra a corrupção e a promiscuidade política com os negócios.   Que promove a libertação da ditadura das verdades feitas.
    Questão central é de saber se uma revolução democrática é possível sem a alteração do sistema económico. ... A ordem democrática, como toda a ordem política, faz parte do sistema estrutural que serve o poder económico. Como não se vislumbra no tempo de uma geração a derrota do capitalismo, a revolução democrática exige o poder mas, ao mesmo tempo, confronta-se com a dificuldade de esse poder ser obrigatoriamente limitado. As classes economicamente dominantes não ficarão indiferentes. Veja-se, por exemplo, as campanhas ferozes na América latina (e na Grécia, ...) contra os governos progressistas e os partidos que os suportam.
    O bloco histórico constituído em torno da oligarquia neocapitalista (neoLiberal) ainda hoje domina a intelectualidade orgânica do bloco democrático. Esta, sem desprimor para muitos casos, remete-se muito para a propaganda tradicional ou o “esclarecimento” de há décadas. (e esta) Não entusiasma, não mostra novidade e, assim, ainda não ganhou para o “novo” bloco histórico as largas camadas objectivamente 'anticapitalistas' (trabalhadores, reformados, desempregados, jovens que nunca acederam ao mercado de trabalho, minorias, etc).   Muito menos lhes facultou meios de informação e reflexão sobre uma revolução democrática. Entretanto, a vida política reduz o eleitor a um papel pendular, votando sobre questões conjunturais ou, pior ainda, por questões de marketing ou clubismo partidário.
    O capitalismo neoliberal não oferecerá uma nova democracia. Pelo contrário, cada vez mais reduzirá a democracia que temos, como instrumento autoritário para sujeição das classes trabalhadoras à chamada desvalorização interna
    O outro lado da questão é a luta. Temos de a perseguir, mas ainda com muita coisa em aberto: que forças sociais se podem mobilizar? quais as tensões dialécticas que se porão em jogo? qual o papel de partidos ou de outros agentes políticos?
    A luta política tradicional com objectivos quantitativos é indiscutivelmente importante, mas não concentra o foco no essencial: o combate ideológico à hegemonia do capitalismo neoliberal, ao “pensamento único” e à alienação dos cidadãos pela “ordem natural das coisas”; e a reconstrução da democracia, como expressão efectiva da cidadania nos nossos tempos, de pessoas com recursos tecnológicos, comunicacionais e informativos até há pouco inimagináveis. 
    Hoje, com posições ideológicas, políticas e económicas extremadas, principalmente na Europa, as forças mais conservadoras conseguiram que uma larga maioria dos cidadãos aceitasse como senso comum, acriticamente, a sua “ordem natural das coisas”. É um facto que não devemos esconder.
    Um projecto revolucionário de transformação do sistema democrático defronta-se com grande resistência e exige uma ampla frente democrática, forte e principalmente estável. ...  É manifesto o desejo dos eleitores de unidade política de esquerda. ... Na prática, e para além de idiossincrasias partidárias, a unidade tem estado muito condicionada por factores conjunturais que não dizem directamente respeito à revolução democrática: a posição em relação à União Europeia, a questão da dívida, a defesa do estado social de bem-estar. 
     No entanto, tenho para mim que as novas atitudes dos eleitorados europeus, a congregar quase espontaneamente vontades unitárias, não se justificam tanto por essas matérias. Antes por um sentimento de desgosto do eleitorado, alimentado pelos vícios da democracia representativa, pela partidocracia, pelo carreirismo político, pela promiscuidade de relações entre a política e os negócios.
      A situação é paradoxal e de difícil resolução. 
1º: os problemas de política concreta que referi seriam de mais fácil resolução num novo sistema democrático, com um poder externamente forte e com grande legitimidade interna. 
Por isso, 2º: parte da chamada esquerda em sentido lato poderia ser pressionada pelos eleitores a um esforço unitário com base no seu desejo de reaproximação à democracia, a uma nova democracia, em vez de políticas concretas que eles não percebem. 
Mas, 3º: a rendição do centro-esquerda à ideologia e prática neo-liberal, desloca-o para uma área de pântano que está bem instalada na democracia que temos, e a aproveitá-la bem.
Para terminar, e pela importância da comunicação social como instrumento ideológico, deixo algumas questões concretas, como provocação ao debate sobre o controlo democrático da comunicação social.
1. Com o jornalismo em papel ou “online” ainda inacessível a muita gente, destaca-se o papel da televisão (creio que menos o da rádio, a não ser para os condutores de automóvel…). A forma mais frequente de intervenção política televisiva entre nós é o “comentarismo” (nem sequer é análise, como se dizia). Premeia-se o amadorismo e a pouca seriedade de figuras populares sem qualificação política. Com tudo a defraudar o cidadão, alienando-o numa atitude de espectador de política espectáculo.
2. Como se garante um canal público não generalista com programas de grande qualidade e com análises rigorosas e aprofundadas?
3. A entidade reguladora cumpre a função de defesa dos cidadãos, de garantia do rigor e da isenção? A sua composição e modo de designação são adequadas?
4. Deve poder ser atribuído a sectores político-partidários ou sociais um canal público de sinal aberto? Com que garantias de equidade, responsabilidade e isenção em relação aos poderes, em particular o governo e os executivos regionais e autárquicos?
5. Da mesma forma, pode haver um jornal público “online”, garantindo-se o que se acabou de dizer?
      Em conclusão.     Em muitos aspectos, e observando-se mudanças sociais muito aceleradas, não há ainda resposta precisa para essa tarefa. É um processo de reconstrução que se vai fazendo, necessariamente com desdogmatização do que nos tem sido imposto como pensamento único
O que deixo são apenas algumas posições de princípio, mas tendo em conta que:
1- num terreno ainda pouco desbravado e dominado por esquematismos, exige-se a articulação eficaz entre reflexão e debate teórico, e a validação pela acção política. 
2- as ações de defesa dos interesses materiais e sociais dos trabalhadores, reformados e desempregados são inseparáveis da consciencialização e da acção para a revolução democrática.      (-por J.Vasconcelos-Costa 27/5/2015, NoMoleskine)


Publicado por Xa2 às 13:33 de 31.05.15 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Regime de má memória

A Revolução de 28 de Maio de 1926, Golpe de 28 de Maio de 1926 ou Movimento do 28 de Maio, também conhecido pelos seus herdeiros do Estado Novo por Revolução Nacional, foi um pronunciamento militar de cariz nacionalista e antiparlamentar que pôs termo à Primeira República Portuguesa, levando à implantação da Ditadura Militar, depois auto-denominada Ditadura Nacional e por fim transformada, após a aprovação da Constituição de 1933, em Estado Novo, regime ("Corporativo" fascista) que se manteve no poder em Portugal até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974. A revolução (do 28 Maio) começou em Braga, comandada pelo general Gomes da Costa, sendo seguida de imediato em outras cidades como Porto, Lisboa, Évora, Coimbra e Santarém. Consumado o triunfo do movimento, a 6 de Junho de 1926, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, Gomes da Costa desfila à frente de 13 mil homens, sendo aclamado pelo povo da capital.

 Índice:
1-Os antecedentes; 1.1-A revolta de 18 de Abril de 1925;1.2-Os momentos finais da Primeira República
2-O movimento do 28 de Maio; 2.1-A estabilização no poder e as lutas fratricidas
3-O Reviralho;
4-Da Ditadura Nacional ao Estado Novo
...  (-fonte:  Wikipedia )

...   Foi num outro 28 de Maio, mais concretamente em 1936, no 10º aniversário da «Revolução Nacional», que Salazar proferiu um discurso que viria a ficar tristemente célebre: «Não discutimos a pátria...»

    Ainda num outro aniversário – no 40º, em 1966 – o chefe do governo, então com 77 anos, viajou pela primeira vez de avião até ao Porto (entre os outros passageiros, acompanhado pela governanta) para assistir às celebrações que tiveram lugar em Braga.
    Não se ouve, neste vídeo, uma frase do discurso que deixou o país suspenso:  «Eis um belo momento para pôr ponto nos trinta e oito anos que levo feitos de amargura no Governo». Mas Salazar continuou: «Só não me permito a mim próprio nem o gesto nem o propósito, porque, no estado de desvairo em que se encontra o mundo, tal acto seria tido como seguro sinal de alteração da política seguida em defesa da integridade da pátria».   E ficou – até que uma cadeira cumpriu a sua missão histórica.   (-por J.Lopes)

     O corporativismo é um sistema político que atingiu seu completo desenvolvimento teórico e prático na Itália Fascista. De acordo com seus postulados o poder legislativo é atribuído a corporações representativas dos interesses econômicos, industriais ou profissionais, nomeadas por intermédio de associações de classe, que através dos quais os cidadãos, "devidamente enquadrados", participam na vida política.   ...

... O regime Salazarista que vigorou em Portugal de 1933 até à revolução de 25 de Abril de 1974 era expressamente corporativista. Também no Brasil, entre os anos de 1930-45, sob a liderança do presidente Getúlio Vargas implantou-se um modelo corporativo de Estado, o chamado Estado Novo (Br.), sendo a sua legislação trabalhista claramente copiada da "Carta del Lavoro" de Mussolini. De igual forma, muitos outros países, tais como a França sob o governo do Marechal Pétain (1940-1945), a Argentina sob Juan Domingo Perón (1943-1952), o México sob Lázaro Cárdenas (1934-1940) e a Espanha do Generalíssimo Franco (1939-1973) estabeleceram uma imensa quantidade de leis e organizações inspiradas do ideário corporativista.

---(mas continua ...!!!) --- Crianças saúdam o Chefe de Estado à moda antiga

 Crianças saúdam o Chefe de Estado da Nação

Quando pensamos que batemos no fundo, descobrimos que continuamos a cair.

 (Imagem via Twitter do Pedro Sales)

Portalegre: Dia da Criança simula motim e carga policial 

1 de junho 2015, Dia Mundial da Criança, Portalegre. É de pequenino que se aprende a malhar. Sai uma comenda no dia 10 para a mente brilhante que planeou isto, sff.

1_jun_Portalegre.jpg

 (colocada no FB do município de Portalegre, depois retirada - esta, mas estão lá outras, só com a "polícia" - mas replicada noutras páginas)

 


Publicado por Xa2 às 07:30 de 28.05.15 | link do post | comentar |

Ó Brigada música popular e canção de intervenção

Ó Brigada

« Comem-nos vivos em vida /  Mortos a terra nos come /  Como dá tanta comida /  Quem cá passou tanta fome? ».

    Logo que o Homem toma consciência da sua condição, e o exprime esteticamente, está entornado o caldo da exploração do homem pelo homem. Por isso há quem tenha procurado – e insista – destinar a Arte Popular ao recanto do pitoresco, o lugar em que tudo o que é testemunho vivo soçobra. Chegariam então os tais turistas, «avinhados ao ritmo dos ferrinhos e da concertina»; e haviam de chegar os mandantes, orgulhosos dos governados humildes, na atitude, e garridos, no trajar; e chegariam também os entendidos, habilidosos na justificação do paradoxo de um povo empobrecido porém feliz. Lopes-Graça, apoiado no trabalho de Michel Giacometti (e alguns, poucos, mais) viria a baralhar tão conveniente harmonia, definindo a nossa música popular como «a crónica viva e expressiva da vida do povo português – quer dizer: da vida rústica do povo português» (Fernando Lopes-Graça, in A Canção Popular Portuguesa). O fascismo não facilitou a vida à música dos nossos campos. Ciente da sua inadequação no cenário idílico do Estado Novo fascista, Salazar deu a inventar a «política do espírito» em que um povo colorido e coreografado se exibiria em arraiais de FNATes e concursos de folclore. A música do povo português não era bem-vinda nesses certames de construção de uma “tradição popular” fascista, e ainda bem. Cairia o cantar do povo português no esquecimento da História não fora a persistência – a existência! – dos seus naturais cultores, o trabalho de recolha realizado por Michel Giacometti e alguns mais (poucos), e a própria História que, por artes do 25 de Abril, havia de lhe encontrar lugar e urgência no desenho da nossa identidade democrática. Nada mais natural, pois, do que um grupo de jovens ter considerado, faz agora 40 anos, que o seu tempo era «o tempo de, também aqui, no campo da cultura popular, dar um passo em frente, fazendo [a música popular] irromper do marasmo e do esquecimento de cinquenta anos de ditadura cultural» (texto de apresentação de «EitoFora», 1977). Estava, assim, achado o programa de acção da Brigada Victor Jara dois anos depois de, no ambiente dinamizador do MFA, se ter achado o nome do grupo: «o de Brigada, com intenção; o de Victor Jara, com admiração e saudade». Quarenta anos depois, permanecem o propósito e o nome.    ...    Para Ouvir e Ver:

Brigada Victor Jara   ;   No You TubeBrigada Victor Jara  ;   Victor Jara, relato das últimas horas deste cantor revolucionário chileno executado, juntamente com milhares de cidadãos em Setembro 1973, pelos fascistas do ditador Pinochet que derrubou a democracia e assassinou o presidente Salvador Allende.



Publicado por Xa2 às 07:36 de 22.05.15 | link do post | comentar |

Outro país: da revolução ao ... estado capturado

Comemorar Abril 

 
   Organizado pela «Em Abril Esperanças Mil» e pelo «Congresso Democrático das Alternativas», realiza-se na próxima sexta-feira - no ano em que se celebram os 40 anos da Assembleia Constituinte - o Jantar Comemorativo do 25 de Abril. As inscrições podem ser feitas aqui.     (-por N.Serra, Ladrões de B.)
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       Outro país    (-por Pais Mamede, Ladrões de B.)

     Em 1999 Sérgio Tréfaut realizou "Outro país", um documentário em que o período revolucionário português é revisitado por fotógrafos e cineastas de diversos país que viveram intensamente a experiência. E de que dela guardavam memória bem viva, ainda assoberbados pelo que viram e sentiram mais de 20 anos antes. É um período a não esquecer - e um filme a não perder. 
     Amanhã, quinta-feira, o documentário será exibido no Cinema Ideal em Lisboa, sendo apresentado pelo realizador. Segue-se um debate sobre o filme, organizado pelo Le Monde Diplomatique - versão portuguesa, no qual participarei com a Mariana Mortágua.
 
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     Em matéria de «ir ao pote», o «ajustamento» foi mesmo um sucesso   (!!)   (-N.Serra)
   «Fez no dia 6 de abril quatro anos que Portugal pediu ajuda internacional.   É mais do que tempo de fazer o balanço dos erros, mentiras e traições deste período e desconstruir o discurso que os vencedores têm produzido sobre o que se passou. (...)    Hoje, pegando nas projeções para a economia portuguesa contidas no MoU [Memorando de Entendimento], é espantoso constatar a disparidade com o que aconteceu.   Em vez de 1 ano de austeridade tivemos 3. Em vez de uma recessão não superior a 4%, tivemos quase 8%. Em vez de um ajustamento em 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita, tivemos exatamente o contrário: uma austeridade de 23 mil milhões reduziu o défice orçamental em apenas 9 mil milhões. Em vez de um desemprego na casa dos 13%, ultrapassámos os 17%. Em vez de uma emigração que não estava prevista, vimos sair do país mais de 300 mil pessoas. E em vez da recuperação ser forte e assente nas exportações e no investimento, ela está a ser lenta e anémica, assentando nas exportações e no consumo interno.
    A única coisa que não falhou foi o regresso da República aos mercados. Mas tal seria possível sem as palavras do governador do BCE, Mario Draghi, no verão de 2013, ou sem o programa de compra de dívida pública dos países da zona euro?   Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse isso, quando as agências de rating mantêm em lixo a nossa dívida pública?   Só mesmo quem crê em contos de crianças.»  -- Nicolau Santos, Anatomia e dissecação de um colossal falhanço
     «Nada como um momento de alguma incontinência verbal para a verdade vir ao de cima. Num "Fórum" da TSF desta semana, o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, foi de uma clareza ímpar. Confrontado com dados do INE que confirmam que, na última década, há menos camas de internamento na rede de hospitais públicos e mais nas unidades privadas, enquanto diminuíram também os serviços de urgência, o governante foi claro.   Admitiu existir de facto uma transferência para os hospitais privados, mas, esclareceu, parte dessas transferências é suportada por recursos públicos, o que mostra que não há um alívio das contas públicas na saúde (sic).   Fica assim mais uma vez demonstrado que, para onde quer que olhemos, a famigerada reforma do Estado reduz-se sempre, em última análise, à contratualização de serviços públicos, assegurando privilégios a negócios privados, construindo, assim, um verdadeiro Estado paralelo.   Não se diga, portanto, que o Governo falhou.   Naquilo que era a sua verdadeira intenção, a coligação concretizou os seus verdadeiros intentos. (...)    Como bem tem explicado o economista norte-americano James Galbraith, a direita há muito abandonou a crença nos mercados livres como instrumento racional.   Em "O Estado Predador" (e capturado por desgoverno ao serviço da alta finança, ...), Galbraith defende que, hoje, para a direita o laissez-faire é apenas um mito, ainda que útil na medida em que tem um efeito de ilusão, e que o que temos hoje é um Estado predador, ou seja, uma coligação de opositores à ideia de interesse público e que tem como propósito final reconfigurar as políticas públicas, de forma a que estas sejam um instrumento de financiamento de negócios privados. Quando ouvirem falar em sucesso da estratégia de ajustamento, não se iludam. Estão mesmo a falar verdade.»  -- Pedro Adão e Silva, O Estado predador

    Excertos de dois textos de leitura imprescindível, do princípio ao fim, no Expresso de sábado passado. Duas excelentes sínteses sobre o verdadeiro programa de governo da maioria PSD/PP, levado a cabo ao longo dos últimos quatro anos, e que as histórias para crianças sobre a «inevitabilidade e benefícios do ajustamento», a sobre a necessidade de «cortar nas gorduras sociais do Estado» ajudaram a ocultar.    Os resultados estão à vista:   uma economia desfeita e uma sub-reptícia transferência de recursos públicos para negócios privados, sobretudo nas áreas sociais (mas não só). Tudo alinhado para uma reconfiguração profunda do país, que regrediu entretanto décadas.   Nas legislativas que se aproximam, coloca-se aos eleitores uma pergunta muito simples:   é mesmo este o modelo de organização económica, social e política que desejam consolidar e aprofundar no futuro? É mesmo num país assim que querem, definitivamente, viver?


Publicado por Xa2 às 07:53 de 17.04.15 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Destruir países com demagogia e apoios facciosos

NÓS AMÁVAMOS A AMÉRICA  -  As ilusões perdidas dum russo da geração de 90.

 
Nós amávamos a América. É verdade, eu lembro-me. Quando éramos adolescentes, crescendo nos anos 90, a maioria dos meus amigos da mesma idade nem sequer questionava a sua atitude para com a civilização ocidental. Era o máximo, como poderia ser de outra forma?
    Ao contrário dos nossos avós, e até mesmo dos pais, nós não pensávamos na implosão da URSS - a "maior catástrofe geopolítica do século XX" - como um desastre. Para nós, era o início de uma longa jornada. Finalmente, íamos sair da concha soviética para o grande mundo - fixe e sem limites.
   O primeiro golpe sério na nossa orientação pró-ocidental foi o Kosovo. Foi um choque; os nossos óculos cor de rosa foram quebrados em pedaços. O bombardeamento de Belgrado foi, para minha geração, como os ataques do 9/11 para os americanos. A nossa visão do mundo girou 180 graus.
   Depois foi o Iraque, o Afeganistão, a separação final do Kosovo, a "Primavera Árabe", a Líbia, a Síria - tudo isso foi surpreendente, mas ainda não um tremor de terra.
   Mas com o Euro Maidan (Kiev, Ucrânia) e a subsequente e feroz guerra civil tudo ficou claro: "o processo democrático" - desprovido de regras e lançado em território inimigo - não é um brinquedo geopolítico, mas uma verdadeira arma de destruição maciça. É o único tipo de arma que pode ser usado contra um Estado com armas nucleares.
      É muito simples:   quando alguém apertar o botão e enviar um míssil nuclear através do oceano, vai certamente receber um idêntico de volta.   Mas quando semeia o caos em território inimigo, não é o culpado. Agressão? Que agressão ?! Este é um processo democrático natural! O eterno desejo das pessoas pela liberdade!
     Vemos o sangue e os crimes de guerra, os corpos de mulheres e crianças, um país inteiro (Ucrânia) a precipitar-se de volta para a década de 40 - e o mundo ocidental, que nós tanto amávamos, assegura-nos que nada disso está acontecendo.
     A cultura que nos trouxe Jim Morrison, Mark Knopfler, e os Beatles, não vê o que se está a passar. Os descendentes e os próprios participantes de Woodstock, os velhos hippies que tanto cantavam "All you need is love", também não vêem. Mesmo os atenciosos alemães da geração do pós-guerra que tentou penitenciar-se pelos pecados de seus pais, não vêem nada.
     Há vinte anos atrás, não fomos derrotados. Nós rendemo-nos. Não perdemos militarmente, mas culturalmente. Nós só queríamos ser como vocês. O rock-n-roll fez mais do que todas as ogivas nucleares. Hollywood era mais forte que as ameaças e ultimatos. O rugido das Harley-Davidsons durante a Guerra Fria soava mais alto do que o estrépito dos caças e dos bombardeiros.
     Vocês América eram um país fixe. Bom, vocês tinham Hiroshima, o Vietnam, o KKK e um armário cheio de outros esqueletos, como qualquer império. Mas, durante um tempo, toda essa porcaria não alcançou a massa crítica que transforma o vinho em vinagre.
     Agora estão a desperdiçar o vosso principal activo - a superioridade moral. Activo que uma vez perdido não pode ser restaurado.
    Vocês estão a começar a morrer lentamente, América. E se pensam que isso me faz feliz, estão enganados. Uma grande mudança de épocas é sempre acompanhada por grandes derramamentos de sangue, e eu não gosto de sangue. Nós, as pessoas que já passaram pelo pôr do sol do nosso império, podíamos até explicar o que vocês estão a fazer de errado. Mas não vamos explicar. Adivinhem vocês mesmos.
     --- Dmitry Sokolov-Mitrich, jornalista russo.  (Extractos dum texto em Inglês, que pode ler integralmente aqui: http://bit.ly/1Ba2JXe )


Publicado por Xa2 às 07:33 de 05.12.14 | link do post | comentar |

Che Guevara : lutar contra injustiças

Feliz cumpleaños, Comandante!

fotografia de Alberto Korda intitulada "Guerrilheiro Heroico"

 

Ernesto Guevara de la Serna, o Che Guevara, nasceu a 14 de Junho de 1928, há precisamente 86 anos. Foi um revolucionário também por essa razão, a de nascer em 1928, que se tivesse nascido em 1978 ou em 1988 e tivesse tido o mesmo percurso de vida, por certo que não se teria imortalizado como revolucionário e sim como terrorista. O que mudou? O imperialismo (agora mais multinacional-financeiro) que escraviza continentes inteiros está mais vivo do que nunca. Talvez precisamente por isso. A ideologia dominante (neoliberal) conseguiu formatar as consciências de tal forma que hoje em dia quem pegue em armas e esteja disposto a dar a vida para lutar contra a maior injustiça deste mundo é inevitavelmente considerado terrorista. O Che continuará vivo enquanto houver quem recuse que seja como querem que seja.    ¡Feliz cumpleaños, Comandante!
Victor Jara - Comandante Che Guevara


Publicado por Xa2 às 07:55 de 14.06.14 | link do post | comentar |

De revolta anti-nazi (... e FMI+UE+NATO) a revolução social e económica

Revolução Social em Donetsk. República vs Oligarcas, nazis e mafiosos.  (-por Francisco, 21/5/2014, 5Dias)

. "Os teus avós construíram as Fábricas. Agora o oligarca é dono delas.". A bandeira da República Popular de Donetsk com Che Guevara no centro. Graffiti em Donetsk.

“Os teus avós construíram as Fábricas. Agora o oligarca é dono delas.”

      ... Tudo isto ocorre tendo como pano de fundo a data de 25 de Maio, quando se irão realizar eleições presidenciais na Ucrânia. Eleições que irão decorrer num país em Guerra, onde os candidatos anti-junta não podem fazer campanha na zona do ocidente, onde todos os candidatos anti-junta desistiram das eleições, onde um dos maiores partidos está em vias de ser ilegalizado e vários jornalistas têm sido detidos pelos gangs a soldo da junta de Kiev (aqui, aqui e aqui)! ...  ...



Publicado por Xa2 às 07:58 de 26.05.14 | link do post | comentar |

25 Abril 1974: líderes, grupos, 'golpes', revolução popular e evolução

A história deve ter a ambição de interpretar, explicar a realidade.  (-por Raquel Varela)

  Entrevista dada ao jornalista João Céu e Silva, Diário de Notícias, 5/3/2014.

DN: A primeira frase do seu livro é uma afirmação que muitos portugueses colocam hoje em dúvida: “A revolução mudou profundamente o País.” Porquê?

RV: O fotógrafo Sebastião Salgado, que esteve em Portugal antes e depois do 25 de Abril de 1974, disse que a maior diferença entre o antes e o depois era a alegria das pessoas.

A revolução fez de nós um país mais alegre, optimista, em que as pessoas acreditaram que podiam mudar as suas vidas – e mudaram-na muito. Um dos homens mais ricos do mundo, Warren Buffett, diz que estamos no meio de um grande confronto entre as classes. E que eles, os ricos, estão a ganhar. Pois nessa altura era ao contrário. Foi provavelmente o único período da nossa história em que se inverteu a tendência para os ricos ficarem cada vez mais ricos, como agora. A repartição do rendimento nacional sofreu uma inflexão em benefício da classe trabalhadora – na ordem segundo cálculos oficiais de 18% -, passou a existir um Estado social, chegámos a ter o 7º melhor serviço nacional de saúde do mundo; a educação unificada (isto é, com qualidade e um tronco comum de saber para todos); direito a não ser lançado no desemprego em baixas de produção (direito ao trabalho que é a essência do pacto social); nascimento da segurança social (o que havia antes era assistência social focalizada); durante algum tempo a reforma agrária deu emprego estável aos trabalhadores dos campos do Sul. E, claro, todas as conquistas democráticas (direito ao voto, liberdade de expressão, reunião associação) são asseguradas durante a revolução.

E ganhámos milhares de pessoas competentes e dedicadas, que nos seus locais de trabalho, nas empresas, nos hospitais, nas escolas e universidades fizeram o País dar um enorme salto em frente. Que se tornaram «militantes» da transformação social, dando muitas horas da sua vida para melhorar a sua vida e a dos seus concidadãos. Por convicção.

DN: Centra a cronologia da Revolução nas greves e manifestações. O que muda na visão histórica?

RV: Podia dar muitos exemplos. O 11 de Março pode ser resumido a uma luta de poder entre cúpulas de partidos e militares? Creio que não. Há uma situação social que leva Spínola a fazer o golpe e depois o CR a decretar a nacionalização da banca e ambas se encontram na extensão a que tinha chegado o controlo operário a partir de Fevereiro de 1975.

Porque cai o IV Governo em Julho? Por causa do “caso República”? Não, isso é resumir a história ao episódio. Justamente cai porque PS, PCP e MFA não se entendem mais. Mas porquê? Porque a situação social não aguentava mais um governo frente populista, estável. Porquê, se até aí se tinha aguentado? Porque se estende o controlo operário, há uma onda grevista em maio e Junho de 1975 – há jornais com uma lista de assembleias diárias – que os arquivos demonstram inequivocamente (fazemos no livro as tabelas de evolução deste conflitos). Mesmo com todos os esforços do PS e do PCP de por um lado controlar a situação social com eleições (PS) e do outro com a pressão da batalha da produção (PCP). Ambos em vão. Começa a haver a partir de Abril e maio de 75 aquilo que é mais determinante numa revolução – a coordenação nacional dos organismos de duplo poder (a construção de um poder paralelo ao Estado) e isso leva à constatação de um sector (PS, Grupo dos 9, direita, Igreja) que tinham que fazer um golpe para pôr fim à revolução (25 de Novembro). Preparam o golpe em Agosto e o PCP fica sozinho num governo que jamais apoiou de facto, o V Governo. Tinha ruido para o PCP o programa da frente popular. Mas porque ruiu? Porque a dinâmica do controlo operário e da coordenação nacional de comissões de trabalhadores e moradores tornou impossível manter a situação – criava-se uma situação objectiva de construção a nível nacional de um poder paralelo ao Estado que a pouco e pouco vai-se armar também (comissões de soldados sobretudo a partir de Setembro de 75). Como isto se traduz – traduz-se no Estado aprovar leis que não são cumpridas, traduz-se no controlo dos livros de contas pelos operários nas principais metalomecânicas, por exemplo. Fizemos aqui o levantamento destes organismos de coordenação – são mais vastos do que se pensava. E curiosamente toda a política do PCP neles é votar contra que se coordenem a nível nacional. Do outro lado, temos a esquerda radical que procura, de forma dividida, várias formas de coordenar estes organismos (em Abril, Setembro, etc). Chegam tarde porém – o 25 de Novembro dá-se sem que estas estruturas tenham um comando central de resposta.

A história que ignora o papel determinante dos indivíduos é muito limitada mas a história que resume tudo a lutas entre aparelhos militares e partidários não consegue explicar a realidade – Spínola respondia a uma situação social, a uma fracção de uma classe da mesma forma que os outros sectores. É o comportamento dessas classes e fracções que tem que ser rigorosamente estudado.

Estudei neste livro a dinâmica das classes trabalhadoras, falta estudar a dinâmica das outras classes e fracções – isto faz-se através do estudo dos partidos, das associações empresariais, patronais, etc. É difícil, é mais fácil fazer história somando decretos – e a história também é feita de decretos – mas ficará assim uma visão muito aquém da realidade.

DN: Considera que a História que existe não reflecte a realidade. Mesmo sendo parcial é um contributo válido?

RV: A história deve ter a ambição de interpretar, explicar a realidade. Isso implica muitas vezes ir contra aquilo que é conveniente. É mais fácil e cómodo refugiarmo-nos numa história descritiva e parcial.

Por outro lado há uma questão politica central – há uma unanimidade quase total em Portugal de repulsa à ditadura, por isso quem faz história do Estado Novo sofre menos pressões políticas. Há muito pouca unanimidade sobre a revolução e os protagonistas estão vivos. Há pressões fortíssimas sobre nós, porque quase todas as elites de hoje tiveram um papel na revolução e reclamam que o seu testemunho é parte da história. Acho que estas pressões devem ser na minha opinião absolutamente ignoradas. Trabalhamos com fontes, provas e contra provas, metodologias claras, teorias que devem ser explicitadas.

Agora centrando-nos na revolução: não digo que não é importante estudar o MFA, os governantes, os partidos… Não só é necessário como é indispensável. Mas não há um único acontecimento importante da revolução que possa ser explicado se omitirmos os movimentos sociais. Porque se a política corrente, como disse o poeta Paul Valéry, é a arte de impedir as pessoas de se imiscuírem nos assuntos que lhes dizem respeito, uma revolução é o contrário: é quando aquelas pessoas que normalmente não participam nas decisões capitais que afectam as suas vidas se tornam protagonistas dessas decisões.

DN: Refere que este volume faz a “história total” sobre as “decisões coletivas”. Foi um momento verdadeiramente popular ou também conduzido por ideologias?

RV: As ideologias estão sempre presentes nas mentes do povo. Aliás, nunca estão tão presentes como quando não há revoluções. Aí, as ideologias dominantes subjugam a consciência colectiva. Por exemplo, hoje, mesmo gente de esquerda tende a achar que a ordem social vigente – capitalismo e democracia representativa – é quase inabalável. E se mudar será para pior. É uma visão finalista, ahistórica. A terra move-se mesmo que os pés não sintam e nenhum modo de produção nem nenhum regime foram eternos, pelo contrário. Na altura da revolução de 1974-75 era o contrário, porque as pessoas passam a acreditar que podem mudar a realidade, as suas vidas.

DN: O período 1974/1975 é único na História de Portugal?

RV: É. Mas podemos sempre compará-lo com outros períodos de revolução: a revolução liberal de 1820, a guerra civil de 1828-1834, o período da I República… Fenómenos de certo tipo comparam-se com outros idênticos. Os revolucionários de 1917 usavam até na sua linguagem, como referência, os episódios da revolução francesa de 1789 ou da comuna de 1871. Falavam de ‘termidor’, de jacobinismo…

DN: Não houve imediatamente uma purificação dos ex-responsáveis na nova situação política. Brandos costumes?

RV: Não. Foi o prestígio dos novos protagonistas como Mário Soares ou Álvaro Cunhal, prestígio esse construído na resistência ao regime de Salazar e Caetano, ou o do MFA, que derrubara o regime, que impediu que as pessoas fizessem justiça elementar com os seus carrascos da véspera. O MFA tratou de despachar Tomás e Caetano para longe, primeiro para a Madeira e depois para o Brasil. Os pides quase não foram julgados. Houve apelos repetidos a que os representantes do regime deposto fossem poupados em nome da superioridade moral da democracia.

Quando se fala de violência da revolução esquece-se que o período mais violento da revolução foi protagonizado pela direita no verão quente (com atentados terroristas) e que os ditadores «fugiram», com a benevolência do novo regime.

Este é um tema difícil porque criou-se a ideia, sem qualquer lógica, de que numa sociedade normal cometem-se crimes e as pessoas são correctamente julgadas, mas quando há mudanças de regime há uma ideia de senso comum que o julgamento já é vingança e não justiça?! Falamos de ditadores que têm sob a sua responsabilidade uma polícia política que matou pessoas – devem ser julgados, de forma justa. Mas julgados. Não se trata de vingança mas de elementar justiça democrática.

DN: Porque foi o MFA conivente com o não julgamento de Caetano e Tomás e o consequente exílio brasileiro?

RV: O MFA quis ver-se livre deles quanto antes. Recorde-se que o MFA, num primeiro momento, entregou o poder a uma Junta de Salvação Nacional onde estavam generais que tinham feito parte do regime deposto. A preocupação de Marcelo Caetano em 25 de Abril foi entregar o poder a Spínola para que «o poder não caísse na rua», para usarmos a sua expressão. A intenção de Spínola não seria certamente a de ajustar contas com o regime de que fizera parte.

Na Madeira porém tiverem que sair mais cedo para o Brasil porque uma manifestação e 20 000 pessoas invadiu o Funchal exigindo que saíssem da ilha.

DN: O MFA é ultrapassado pelo povo nos dias que se seguem à Revolução?

RV: Sem dúvida. Fazem mais de 10 comunicados apelando às pessoas para que não saíssem à rua, que ficassem em casa. Em vão. O próprio Salgueiro Maia, aplaudido carinhosamente no Largo do Carmo, quando nesse dia 25 discursa pedindo às pessoas para irem para casa é apupado.

DN: Considera que o poder não caiu na rua durante 1974/75. Não é uma suavização dos próprios acontecimentos?

RV: Não, acho essa visão exagerada. O poder não caiu, entrou em crise. O poder de Estado ficou sobretudo na mão do MFA e dos partidos políticos PS e PCP – e paralelamente constitui-se um outro poder, o poder dor organismos paralelos. O Estado ficou dirigido por estes sectores, não pelos trabalhadores. Isto a um nível puro porque na realidade as comissões são muito influenciadas pelos partidos e os partidos e o MFA têm sectores que se dividem que vão apoiar este outro poder.

DN: Até que ponto houve uma rutura entre o anterior e o novo regime?

RV: Houve pelo menos duas rupturas de regime. Nunca houve ruptura do Estado, ao contrário do que se diz. O Estado permaneceu sempre um Estado capitalista, não se deu essa alteração, o que mudou foi o regime político. Entrou o Estado em crise porque paralelamente a ele criou-se outro poder, e havia uma disputa entre esses poderes, mas entrar em crise não é colapsar. São coisas muito diferentes.

DN: O sistema partidário criado à época era correto ou, 40 anos depois, mostra que foi apenas o possível?

RV: Os partidos criados na época, até pelos nomes, reflectem que houve uma revolução. Veja: ainda hoje temos um partido neoliberal que se intitula social-democrata (popular democrático na época) e o partido mais à direita do espectro político chamava-se democrático e social. Nenhum dos partidos, nem mesmo os de direita, se reclama herdeiro do regime de Salazar e Caetano.

À esquerda, o Partido Comunista, no espaço de um ano, passa de 2 ou 3 mil militantes para 100 mil. Porquê? Porque é, como reivindica, «o grande partido da resistência antifascista» e por que ganha muito espaço no aparelho de Estado, ao entrar para o Governo. O PS cresce também à sombra dessa herança de resistência de sectores mais de classe média, advogados, doutores e também á sobra dos lugares que os seus quadros ocupam no aparelho de Estado. E porque consegue vender aos Portugueses, órfãos da miragem das colónias, de um país que ia «do Minho a Timor», como afirmava a propaganda salazarista, uma outra miragem, a da integração na Europa dos ricos, a Europa da CEE. Foi o tempo da ‘Europa Connosco’, já depois do fim da revolução, em que os chefes de Estado dos países mais ricos da Europa, como a Alemanha Ocidental, o Reino Unido ou a Suécia, desfilaram por Portugal dando o seu apoio, moral e material, à construção do PS.

Hoje todos esses projectos políticos estão em crise. A social-democracia foi roída por dentro pelo neoliberalismo e hoje o PS, como os seus parceiros europeus, quase não se distingue dos partidos de direita, PSD e CDS, aliás seus parceiros no memorando que nos acorrenta à troika. O PCP, mais de vinte anos depois da queda do muro de Berlim e do fim da URSS, continua ligado a um passado de dependência política do bloco de Leste. Resiste, mas num estado de orfandade política. Para usar uma imagem hegeliana, nem chegou à antítese (contestação de regimes que enviavam os opositores para o Gulag), quanto mais a uma síntese superior. Há portanto espaço para novas alternativas. Mas nenhum dos projectos da esquerda radical de 75 vingou. O Bloco não é herdeiro da herança da revolução – não existe um programa, alternativo ou classistas ou sequer anticapitalista. O Bloco é herdeiro dos escombros do programa social-democrata. É uma país muito curioso porque objectivamente tem todas as condições para uma nova explosão social (imobilidade e regressão social, pobreza, desencanto com o regime parlamentar), e isso não tem qualquer reflexo subjectivo, organizativo. Vivemos um desencontro histórico das classes trabalhadoras com as suas estruturas organizativas. O velho já não é e o novo ainda não é.

DN: Contrapõe à sentença de “uma revolução sem mortos” com os “13 anos de horror nas colónias”. Por norma o passado colonialista dos militares de Abril não é branqueado?

RV: Não é branqueado, mas é esquecido. A revolução tem dois actos, o acto das revoluções anticoloniais e o acto da revolução na metrópole. Não é preciso ser cristão para acreditar na possibilidade de redenção das pessoas. O facto de, no seio das forças armadas, sustentáculo do regime deposto, ter surgido – graças ao impacto da luta dos povos das colónias – o MFA, que o derrubou, redimiu o exército colonial aos olhos das pessoas. E muita gente que certamente não se orgulha do papel que teve na guerra mudou genuinamente e ajudou a fazer um país melhor. Gosto desta ideia – as revoluções mudam realmente as pessoas. Por isso não compreendo a desilusão – há alguma dúvida que somos muito melhores hoje do que em 1973 mesmo com tudo o que está por fazer?

DN: Refere-se muitas vezes que os arquivos do antigo regime foram saqueados pelo PCP. É verdade?

RV: Referi que existe essa dúvida, se parte do arquivo da PIDE teria ou não sido enviada para a URSS. Creio que essa dúvida permanece.

DN: Os historiadores portugueses têm feito o seu trabalho para fixar o 25 de Abril de 1974?

RV: Têm, tem-se estudado muito, no campo social, agrário, dos militares, da influência estrangeira. Mas há muito por fazer. Está por fazer no período da revolução a história da Intersindical, das mulheres, da educação, do movimento estudantil, dos governos provisórios, da maioria dos partidos.

DN: E dos acontecimentos que se lhe seguem?

RV: Sim, também. A história do período da contra revolução está por fazer. Suspeito que é também um processo – no 25 de Novembro acaba a dualidade de poderes nos quartéis mas não acabam as ocupações de terras nem a democracia nas fábricas, isso vai levar tempo. Já sabemos como se dá o processo na reforma agrária mas não como se dá na inversão do controlo operário. É uma parte que me interessa muitíssimo descobrir. Como se pôs fim à revolução. Da mesma maneira que uma revolução não é uma quartelada, é um processo, uma contra revolução também não se resume ao golpe de 25 de Novembro. Há uma história por descobrir aí.

DN: As comemorações do 25 de Abril em 1975 mostram já a desunião ideológica que permanece – sob o conceito atual do consenso – no pós-Revolução em torno da independência nacional. Portugal está condenado a ser periodicamente um protetorado?

RV: Portugal não foi assim tantas vezes um protectorado. Num país com mais de oito séculos de história, isso foi certamente a excepção, não a regra. Foi-o no tempo dos Filipes, foi-o episodicamente durante o consulado de ‘el-rei Junot’, durante as invasões francesas (1807-08), terá sido no tempo do Beresford, entre 1809 e 1820, até à revolução liberal. Poderá tê-lo sido em finais do século XIX, no seguimento da bancarrota de 1892, mas não tenho a certeza. Não é a minha área de especialização.

Agora, a manter-se o actual quadro social e político, e com dirigentes que acham o máximo da realização pessoal virem a ocupar um cargo na Goldman Sachs, essa possibilidade existe. Mas a verdade é que os períodos de protectorado em Portugal sempre acabaram com alguém atirado pela janela do palácio ou a fugir à frente de uma revolução. Por isso, mantenho o optimismo. Adoro viver neste país…

----xxx----comentário de S.:

O povo português não é muito dado a revoluções, e a última vez que se revoltou foi na Maria da Fonte, por uma causa aliás pouco nobre. Sem a nobreza não tinha havido 1º de Dezembro, sem parte da tropa não tinha havido 5 de Outubro, sem a tropa não tinha havido 28 de Maio, e o mesmo em 25 de Abril. Os portugueses são mansos ou se não são ainda não foram empurrados para lá dos limites da mansidão. Curiosamente onde o povo mais claramente se manifestou foi no apoio a D. Miguel, como até Oliveira Martins reconheceu. Portanto tenhamos algum cuidado nos lirismos em redor do “Povo” quanto a manifestações revolucionárias. O que eu aliás lamento, pois fôssemos nós um pouco mais briosos e há muito que nos tinhamos livrado desta cáfila oligárquica que nos espezinha sistematicamente.



Publicado por Xa2 às 07:53 de 15.04.14 | link do post | comentar |

40. aniversário da revolução do 25 Abril 1974: lembrar e agir

Um País Suicidado... 40 Anos Depois... 

   Aproxima-se o 40º aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974. Na madrugada libertadora desse dia, o Movimento das Forças Armadas iniciou um conjunto de operações militares, as quais seriam coroadas de êxito e puseram fim a uma ditadura que oprimia o povo português há 48 anos.

    A assinalar a efeméride e para além das Comemorações Oficiais, vão existir por todo o país Comemorações Populares do 25 de Abril. Em ..., um grupo de cidadãos e cidadãs desta terra, procurando corresponder às aspirações da população, entendeu que não poderia ficar indiferente àquela data, pelo que se assumiu como Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril. Nesse sentido, convida toda a população a associar-se às Comemorações ...

Filmes sobre o 25 de Abril   (-por H.Matos)

A HORA DA LIBERDADE (1999 - Joana Pontes)

 



Publicado por Xa2 às 07:40 de 13.04.14 | link do post | comentar |

Revolução "MFA-povo" e contra-revolução "democrática-representativa"

               Ramalho Eanes           (-por V.Moreira)

     A homenagem ao primeiro Presidente da República da era constitucional-democrática é inteiramente merecida. Como poucos dos que tiveram intervenção na implantação do regime democrático em Portugal ele passou o teste do tempo, com sabedoria, equilíbrio, modéstia e moderação. E sem ressentimentos!     Virtuosos não são os homens de Estado que presumem nunca ter errado mas sim os que sempre procuraram agir acertadamente.
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    25 de Novembro de 1975: um dia final que não foi inteiro nem limpo      (-por Raquel Varela)

Alguns historiadores, e certamente a maioria da população, consideram que o regime democrático-representativo tem origem na revolução portuguesa de 1974-1975. Esta visão confunde, cremos, aquilo que é a revolução com a contra-revolução, dois momentos distintos de um mesmo processo histórico.   Esta visão omite que existe um período de regime distinto entre o fim da ditadura – a 25 de Abril de 1974 – e o início do regime democrático, cuja construção se inicia a 25 Nov.1975.   Trata-se de um período marcado por aquilo que se designa historicamente como formas de democracia directa ou como a existência de um duplo poder, um poder paralelo ao Estado assinalado pelo protagonismo dos trabalhadores, diversos sectores/fracções desta classe social. Confesso que acho o equívoco, não para o senso comum, mas entre historiadores, pesado. Porque ele confunde formas de Estado, Regime e Governo.

      Houve vários Governos em Portugal desde sempre. O Estado foi sempre, mesmo em crise, um Estado capitalista (nunca houve um Estado Socialista em Portugal mas um Estado em crise marcado pela existência de poderes paralelos, em 1974-1975). Mas houve vários regimes dentro do Estado: ditadura, os regimes que perduraram durante a revolução, o regime democrático-representativo.

    Está por discutir, e não o fazemos aqui, qual a natureza dos regimes, se é que houve mais do que um, durante o biénio 1974-1975. Teria sido dominante um regime kerenskista durante este biénio, por alusão ao regime de Kerensky depois de Fevereiro de 1917 na Rússia? Há um regime semi bonapartista depois de 11 de Março de 1975, primeiro pressionado pelo PCP (Documento Guia Povo-MFA) e depois pelo PS e a direita (IV Governo)?

Independentemente dos regimes que vigoraram no biénio 1974-1975, a revolução tinha um curso, passo a tautologia, influenciado e influenciante dos regimes. Mas ainda assim um curso independente marcado pelos organismos de duplo poder. Neste sentido, compreende-se que é reducionista considerar que a democracia é filha da revolução. A democracia-directa é filha da revolução, a democracia representativa é filha da contra revolução.

Muitas vezes esta expressão é de imediato alvo de críticas que consideram que ela acarreta mais uma visão ideológica do que histórica. É uma pressão injusta porque a outra visão, que omite ou desvaloriza a existência de uma situação de duplo poder, é muito mais alvo da pressão ideológica de um país que não ainda fez contas – e por isso tem mais dificuldades em fazer história – com um estranho passado:

   1) Um passado em que os mesmos militares que fizeram uma guerra (colonial) terrível contra povos indefesos em África, alguns deles, corajosamente, derrubaram a ditadura a 25 de Abril de 1975 (com o chamado MFA - Movimento das Forças Armadas que, com a adesão popular, se tornou na Revolução dos Cravos).

   2) Um país onde muitos destes militares (Grupo dos 9) que derrubaram a ditadura se juntaram numa ampla frente para pôr fim ao duplo poder, à revolução, num golpe de Estado a 25 Novembro de 1975, que termina com a prisão em massa dos militares afectos às perspectivas revolucionárias que pugnavam por um deslocamento do Estado e não só do regime (a maioria naquilo que se chamou então teorias «terceiro-mundistas»).

   3) Um país onde a democracia liberal encaixou os Partidos que são a constituinte do regime desde então, num amplo pacto social, que implicou desmantelar a origem da pressão para o deslocamento do Estado, isto é, a dualidade de poderes nos lugares de trabalho (comissões de trabalhadores), no espaço de moradia, na administração local e reprodução da força de trabalho (comissões de moradores) e finalmente, a partir de 1975, aquilo que Mário Soares designou como a «sovietização do regime», isto é, a dualidade de poderes emergente nas Forças Armadas.

   4) É ainda uma memória que pesa porque o Partido que teve um papel heróico contra a ditadura – o PCP – aceitou não resistir ao 25 de Novembro assumindo publicamente, pela mão do seu líder de então, Álvaro Cunhal, que a esquerda militar se tinha tornado um fardo para o PCP porque a sua actuação punha em causa o equilíbrio de forças com os 9 e os acordos de coexistência pacífica entre os EUA e a URSS.

     Foi a partir de 25 de Novembro de 1975 que se inicia um novo regime – paulatinamente é verdade, uma vez que a revolução leva mais de 10 anos a ser derrotada e a força de trabalho flexibilizada (a partir de 1986-89), a contra-reforma agrária a ser feita bem como a progressiva erosão do Estado Social com as privatizações.   Mas foi nesta data que se dá o retorno à disciplinarização da produção para a acumulação de capital, aliás reconhecida publicamente no discurso do chefe militar do golpe, o general Ramalho Eanes, nas celebrações do segundo aniversário do 25 de Novembro de 1975.

    Mas o papel dos historiadores não é fazer a história da memória nem arrumar a escrita da história na gestão das relações de forças sociais do momento.

Existe ainda hoje uma intensa polémica à volta do que foi o 25 de Novembro – e há dados que ainda não estão totalmente esclarecidos – porém é indiscutível que esta data marca o início do fim da revolução e a consolidação daquilo que António de Sousa Franco, insuspeito apoiante do PSD, economista e cientista social, chamou a «contra revolução democrática» e que, fruto da força ideológica dos vencedores é hoje apelidado de «normalização democrática».

     Há porém algo que ninguém pode questionar. Independentemente das tendências bonapartistas levadas a cabo pelo PCP no IV Governo e exactamente nas mesmas tendências dominantes no VI Governo, liderado pelo PS (o V Governo a contrario do veiculado é dos mais moderados nas medidas, e instáveis), ambos reflectindo uma acirrada disputa pelo Estado, estava em curso um processo revolucionário. Estava em curso a maior revolução da história da Europa do pós guerra e uma das mais belas do século XX, belas é mesmo o termo, em que o Estado tinha que negociar sistematicamente com organismos de duplo poder (organizados de facto ou não, até maio de 1975, e a partir daí coordenados regional ou sectorialmente).

     Historicamente existem várias formas de revoluções e várias de contra-revolução. Da mesma forma que uma revolução é um processo histórico que não se resume a um golpe militar, uma quartelada, a contra-revolução não é um processo histórico que possa ser resumido a um golpe violento que instaura uma ditadura. Na verdade nasce a contrario do exemplo português, e seguindo o sucesso de Espanha desse ponto de vista, um laboratório de processos contra-revolucionários que nada têm a ver com o modelo Chileno (um golpe contra revolucionário feito sob as botas de uma ditadura militar).   Este modelo «pacífico» de contra-revolução (hoje enquadrado pelo conceito teleológico de «transições para a democracia») será adoptado pelos EUA para  sua política externa, a célebre teoria Carter – e aplicado depois nas ditaduras latino-americanas. Um modelo que se centra na ideia de pôr fim às revoluções ou evitá-las criando uma base social eleitoral, no quadro do regime democrático-representativo, isto é, uma transição para uma democracia liberal, que evite a ruptura revolucionária.

     Em 25 de Novembro de 1975 não começou um país mítico de sonho, de igualdade e justiça, alicerçado num Pacto Social duradouro. Começou o fim de um sonho, de gentes pobres, quantas analfabetas, estudantes, intelectuais, trabalhadores de diversos sectores que não acreditavam só utopicamente numa sociedade mais igual, acreditavam, e essa é a história da Revolução de Abril, que podiam ser eles a fazê-la, a construi-la, em vez de delegar nos outros esse poder.



Publicado por Xa2 às 20:25 de 25.11.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Afastar os mais inconformados e manter o "status quo" de privilégio dos 1%
              Emigração  e  Tribunal  Constitucional   (-por F.A. Duarte, 30-10-2013, MIC)
      Como explicava Joel Serrão na sua obra de referência sobre a emigração portuguesa, ao longo da nossa história a emigração constituiu sempre “uma válvula de escape para a manutenção de um sistema social tradicional e tradicionalizante”. No momento actual, em que temos uma vaga migratória comparável aos anos 60, voltámos a este reflexo antigo (com a agravante de o índice de fecundidade nunca ter descido tão baixo - 1,28 filhos por mulher – o que criará um buraco demográfico no médio prazo). Os primeiros a partir são os mais inconformados. (e aptos, ou aqueles em situação de extrema necessidade, mas sem fé suficiente para se unir e fazer a revolta, nem crença na mudança política e de oportunidades no seu país).

     Nos dias de hoje emigram também os mais qualificados. Não admira, por isso, que alguns sectores da nossa sociedade e da sua classe dirigente (financeira, económica e política) incentivem este fenómeno. A emigração alivia a pressão política e social, ajuda a que tudo fique na mesma ou pior, sobretudo no que se refere à mobilidade social e aos instrumentos públicos necessários para garantir que haja verdadeira igualdade de oportunidades, como o Serviço Nacional de Saúde e o Ensino Público de qualidade.
      A política de austeridade, recessão e desemprego, a degradação deliberada do Estado Social, a privatização das suas componentes mais rentáveis e o encorajamento da emigração fazem parte de uma mesma estratégia política, que visa proteger os interesses e os privilégios de uns poucos - os mesmos de sempre, que, aliás, pouco sentiram os efeitos desta crise -, mesmo que isso signifique a perda de tantos jovens, de tanto talento e a consagração de uma grande regressão social
      Quem incentiva a emigração certamente que não tem filhos emigrados (ou experimentou a dureza desta 'sub-vivência', embora possa ter 'expatriados' em 'lugares protegidos'...).
      No fundo, (a EMIGRAÇÃO é um ostracizar de cidadãos, uma perda de recursos, uma política reacionária mortal e) é uma traição, desde logo desse compromisso colectivo que é a nossa Constituição (da R.P.  e da "res pública"). Tornou-se claro que a Constituição constitui o maior entrave a estes desígnios políticos. Até porque a direita não dispõe dos dois terços necessários na AR para alterá-la. Então resta o seu esvaziamento e violação despudorados. Mas sem o respeito pela Constituição deixa de fazer sentido afirmar que Portugal ainda é um Estado de Direito democrático.
      Os juízes do Tribunal Constitucional têm sido verdadeiros heróis face às inqualificáveis pressões, internas e externas, a quem têm sido sujeitos. A grande maioria dos portugueses está com eles (faça-se uma sondagem e veja-se a percentagem de portugueses que apoia o TC). Eles são o último reduto na defesa da nossa dignidade e também da estabilidade - porque quando já não houver nada a perder, para os portugueses que não emigraram, torna-se difícil travar a revolta.



Publicado por Xa2 às 07:45 de 05.11.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Alguém faça uma REVOLUÇÃO, com luvas s.f.f.

   POR  FAVOR  TIREM-ME  DAQUI

  ( -por J.Pacheco Pereira, 28/10/2013, Abrupto) 
        De cada vez que escrevo sobre o que acontece em Portugal,
haja ou não haja "guião", haja ou não haja Orçamento, haja ou não haja mais peripécias do Governo bipolar que temos, haja ou não haja avaliações da troika, haja ou não haja manifestações, haja ou não haja greves, haja ou não haja mais uma mentira, um escândalo, uma inconfidência, uma fuga via Marques Mendes, ou um "recado" via Expresso, haja ou não haja um retorno vingativo e um ajuste de contas, haja ou não haja o que houver,        Portugal parece Sísifo com a sua pedra, ou um navio que não sai do sítio, encalhado por uma maldição qualquer num canto do oceano.
       Até aqui, nestes textos, parece que se volta sempre à maldição de Sísifo, ou do Navio-Fantasma, ou, mais prosaicamente, ao Dia da Marmota do filme Groundghog Day com Bill Murray, traduzido para português apropriadamente como o Feitiço do Tempo. Nem o mítico Sísifo, nem o wagneriano Navio-Fantasma, nem o Bill Murray, acordando sempre no dia seguinte no mesmo dia anterior, são novidades, porque já estou a repetir referências que já fiz.
     Já não tenho mais metáforas, nem mitos, nem filmes.
Por favor, tirem-me daqui.
     Quando falo em público, as perguntas das pessoas são sempre as mesmas:
"Quanto tempo é que isto vai durar?",
"Como é que nos vimos livres destes senhores?",
"Quando é que saímos disto?",
"Como é que se dá a volta?", e outras variantes do mesmo.
      E embora eu desconte a relação entre o que diz o palestrante e as expectativas dos ouvintes, cujo acto de lá ir é já de si uma mostra de empatia e interesse, seja de simpatia, seja de antipatia,
mesmo assim há alguma coisa que está muito errada quando uma sala com duas ou três centenas de pessoas, no meio de uma noite de tempestade, no fundo,      quer saber quando é que anda tudo à pancada e a partir montras ou coisas piores, e manifesta o seu enorme desagrado e impotência por tal não acontecer.
      E quando falo de uma sala destas - e estou a pensar em exemplos muito concretos e recentes - estou a falar de gente da CLASSE MÉDIA, composta, educada, com profissões reconhecidas como sendo de elite, engenheiros, médicos, professores, advogados, funcionários públicos dos escalões superiores, reformados com pensões acima de mil euros, pelo menos, alguns pequenos empresários privados, e os seus filhos qualificados e desempregados. 
     Bem sei que são eles, os que "ainda têm alguma coisa", o ALVO preferencial da sanha governativa, aquilo que antes se chamava "classe média", e hoje se considera os 'ricos' e os 'privilegiados',      para confiscar fiscalmente e REDUZIR, por todos os meios, salários e pensões, ao remedeio, à quase pobreza, quando não à POBREZA.
      E são eles que me perguntam, de uma forma cada vez menos eufemística, quando é que há uma REVOLUÇÃO, nem mais nem menos.
      E mesmo eu, que entendo que toda a intransigência face ao Governo e à governação é pouca, ainda fico surpreendido com a veemência da sua REVOLTA,     que já ultrapassou a hostilidade aos governantes, para estar já na raiva por NADA ACONTECER e no vitupério ao "povo" que aceita tudo e NÃO FAZ NADA.
     E se pensam que estou a exagerar, enganam-se.      A coisa está muito negra por estes lados.
     Não estou a falar de gente que tenha simpatias pelo PCP, pelo BE.     Bem pelo contrário, a sua esmagadora maioria são votantes "centrais", votaram no PSD e no PS e mesmo no CDS.
     Estão informados, muito mais informados do que a média dos portugueses, vêem a SICN e a TVI24, acompanham os debates, lêem o Expresso no fim-de-semana, sabem o que disse o Marcelo e o que escreveu o Vasco Pulido Valente ou o Miguel Sousa Tavares, conhecem-me da Quadratura mais os meus companheiros de debate. 
     E estão positivamente FURIOSOS, não só porque o seu bolso é o alvo principal mas também porque se sentem IMPOTENTES e, acima de tudo, insultados e HUMILHADOS.
     Se voltarmos ao nosso país, permanentemente no Dia da Marmota, ou encalhado no Mar dos Sargaços, ou a levar a pedra ao cimo do monte para a ver cair, percebe-se que não lhes faltam irritantes quotidianos.
     Há, primeiro que tudo, o estado ontológico da "inevitabilidade", ou seja, nós somos os "forçados da dívida", presos numa prisão de alta segurança, cujos carcereiros menores, empregados dos carcereiros maiores, nos dizem que não há a mínima esperança de sair de lá.
     Volto ao armazém literário, para ver a entrada do Inferno de Dante:     ó vós que entrais, perdei toda a esperança.
     Como é que se vive sem esperança?     Eles sabem.
     Depois que palavras novas - nem sequer estou à espera de dizer promissoras, salvíficas, esperançosas    - esperam eles ouvir de Cavaco Silva ou Passos Coelho, que logros e enganos renovados esperam de Portas ou Maduro, que coisas convincentes de Seguro, que não sejam as mesmas de ontem, gastas, cansadas, fora de qualquer prazo de validade.       Nem sequer MENTIRAS novas, mas sempre as mesmas recicladas.    Já vimos tudo, já ouvimos tudo, já sabemos tudo, e é também por isso que a indústria das peripécias, vulgo comunicação social, nunca descansa nos seus moinhos de orações.
     Coisa graves há, Angola, dívida, orçamento, SAQUE fiscal, DESTRUIÇÃO da confiança, VIDAS estragadas, perda, PERDA, perda.
     Mas misturadas com muita irrelevância que ganha terreno no meio do cansaço, a ver se ainda há alguma novidade.     Ah! Sócrates escreveu uma redacção sobre a tortura e desceu dos céus parisienses via RTP...       E depois? Serve de entretenimento, mas mais nada.
     Este gigantesco marasmo inquina tudo. 
     Bloqueia qualquer solução política que "abra" a situação e permita avançar.      Cavaco Silva tem muita culpa ao não ter fechado uma crise endémica, que está aí todos os dias no governo da diarquia, com eleições antecipadas.       Não mudava tudo, mas permitia uma descompressão da situação.
     O que é que o impedia de ter exigido aos partidos nova legislação para encurtar os prazos eleitorais e assim minimizar os danos dos tempos longos entre a decisão de haver eleições e a posse de um novo governo?
     O que é que o impedia de forçar um pacto pré-eleitoral entre os três partidos, dizendo-lhes claramente que ia convocar eleições, em vez de andar penosamente a pedi-lo em público, recebendo um não?
     Havia riscos e custos? 
     Certamente que havia, nos juros que nos impediriam de ir aos mercados.
     Mas a verdade é que depois da "crise Portas" também não há condições para ir aos mercados, e suspeito que os portugueses preferiam defrontar o problema com ELEIÇÕES do que ter que pagar o mesmo preço com Portas a agitar-se todos os dias para parecer bem e Passos Coelho a tirar-lhe o tapete para que ele pareça mal.
      Até a troika, que sabe o que são factos consumados, aceitaria a inevitabilidade, esta virtuosa, de haver eleições.      Mas C. Silva não quis e agora está condenado a aceitar um orçamento INCONSTITUCIONAL, ele que jurou defender a Constituição.
     O bloqueio político é o maior problema que Portugal hoje conhece, maior do que o défice e do que a dívida,
porque ele condiciona o defrontarmos o problema do défice e da dívida em democracia e a médio prazo, única forma de o podermos fazer.
Sublinho,    EM  DEMOCRACIA. 
      Bloqueado politicamente, com este PSEUDOGOVERNO, arrastando-se nas suas contradições, preparando um GOLPE contra o Tribunal Constitucional, com uma ilegalidade tornada normal pela retórica da "emergência financeira", com as instituições a não funcionarem, Portugal está encalhado no meio do mar, traz aos ombros a pedra maior dos sacrifícios do seu povo, para a ver cair de novo, e assiste pela milionésima vez às comemorações do Dia da Marmota. 
     Admirem-se pois que aqueles pacíficos cidadãos queiram a revolução. 
     Tirem-me daqui.
     Por favor, porque somos gente educada.
Queremos partir tudo, mas somos educados.
------  porém  :
«A corja que despreza a Constituição que se ponha a pau.    É que, se os meus direitos à saúde, à educação, pensão, trabalho, habitação, não valem nada; então, também os seus direitos à propriedade privada, ao lucro, à integridade física e moral, deixam de valer.     E nós somos mais que eles ! »  - Miguel Tiago, deputado.
------ e  : 
 
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                       EUA  arrasam  política  económica  alemã  e  europeia

      Aqui, páginas 24 a 27, infelizmente só em inglês.   As razões por detrás deste ataque à austeridade são múltiplas e variadas, mas o receio que a Zona euro seja o rastilho para uma nova crise global é real. De forma certeira, é na esfera política que os riscos são identificados.
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 Cortes- ou do progresso do fim da democracia ?! ...    (-por A.P.Fitas, 30/10/2013)
    Os cortes anunciados para 2014, designadamente no que se refere aos vencimentos e às pensões dos funcionários públicos, são, simplesmente, imorais!...
    Estamos a viver uma vertiginosa e histórica fase de investimento na destruição dos direitos dos trabalhadores e da qualidade de vida dos cidadãos... Há um preço que toda a sociedade irá pagar por isto... e não é a libertação da dívida e dos credores internacionais ou um efetivo e real fim da recessão (para além de todas as nominalidades estratégicas de que o ilusionismo político se possa socorrer para garantir a continuidade da manipulação das massas)!...
    Os políticos contemporâneos, designadamente ao nível europeu e no contexto do mundo da alta finança em que se move o G20 e o G8, estão a atravessar, sem precaução, o gelo fino que separa as sociedades do enregelamento total do humanismo e deixa a nu os caminhos da crueldade, da desigualdade, da injustiça e da violência.
    Vivemos um interregno político sem ética, sem valores e sem referências capazes de, inteligentemente, transformarem a economia e as finanças em instrumentos de uso e recurso úteis à sociedade
    É urgente que a tomada de consciência coletiva seja real, global e incisiva e não apenas conjuntural e setorial... para que a mudança aconteça! 


Publicado por Xa2 às 07:44 de 31.10.13 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

MEMÓRIA | SÓ A ARTE É REVOLUCIONÁRA!

MARCADORES: , ,

Publicado por [FV] às 12:08 de 13.10.13 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Somos todos iguais, ... Quem sabe faz a hora, não espera acontecer ...

O homem que sabe a hora e que faz acontecer nasceu há 78 anos. Parabéns Vandré!



Publicado por Xa2 às 10:36 de 14.09.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Direitos para violar e contratos para cumprir ?!!

CITAÇÃO,  458  (-por Eduardo Pitta, DaLiteratura, 8/9/2013)

 José Pacheco Pereira, Contratos para cumprir e contratos para violar, ontem no Público. Excertos, sublinhados meus:
    «A questão que se segue pode ter um tratamento jurídico, mas não é esse tratamento que me interessa. Pode ter um tratamento de ciência política, mas não é esse tratamento académico que me interessa. O único tratamento que me interessa é um tratamento que se pode chamar “civilizacional”, cultural no sentido lato, político no sentido restrito, de escolha, visto que prefiro viver numa sociedade assente em contratos, confiança e boa-fé, do que numa selvajaria em que impera a lei do mais forte. [...]
    A tempestade originada pela decisão do Tribunal Constitucional equipara a “confiança” a umdireito adquirido”, uma expressão que ganhou hoje, na linguagem do poder, a forma de um qualquer vilipêndio. Segundo essa linguagem, repetida por muito pensamento débil na comunicação social, os “direitos adquiridos” não são mais do que privilégios inaceitáveis, que põem em causa a “equidade”. [...]
     Claro que os “direitos adquiridos” são essencialmente do domínio do trabalho, dos direitos do trabalho e dos trabalhadores, activos e na reforma, e não se aplicam a outros “direitosque esses são considerados intangíveis na sua essência. Por exemplo, os contratos com as PPP e os swaps, ou a relação credor-devedor, são tudo contratos que implicam a seu modo “direitos adquiridos”, mas que, pelos vistos, não podem ser postos em causa.
     O meu ponto neste artigo é que o Governo e os seus propagandistas, ao porem em causa os “direitos adquiridos” quando eles se referem a pensões, salários, direitos laborais e emprego, estão também a deslegitimar os outros contratos e a semear a “revolução”. Assim mesmo, a “revolução”, defendendo uma sociedade em que o Estado e, mais importante, a lei ou a ausência de lei em nome da “emergência financeira”, não assegura qualquer “princípio de confiança”, ou seja, os pactos feitos na sociedade, pelo Estado, pelas empresas, pelas famílias, pelos indivíduos. Esta lei da selva é, espantem-se ó defensores da ordem, outro nome para a “revolução”, a substituição do Estado de direito e da lei pela força [...]
    Ao porem em causa o cumprimento dos contratos com os mais fracos, os que menos defesa têm [...] por que razão é que os contratos das PPP são “blindados” [...] e não podem ser pura e simplesmente expropriados, em nome da “emergência financeira”. [...]
    Ou seja, por que razão é que tenho que aceitar que o Governo me pode confiscar o meu salário e despedir sem direitos, por livre arbítrio de um chefe de uma repartição, ou diminuir drasticamente a minha pensão, agora que já não existo para o “mercado de trabalho” e sou completamente dependente, ou condenar-me ao eufemismo do “desemprego de longa duração”, ou seja tirar-me muito mais do que 60% ou 70% da minha “propriedade”, que não são acções, nem terras, nem casas, nem depósitos bancários, e quem tem tudo isso não pode ver a sua propriedade confiscada num valor semelhante ao que eu perco? E aí, ironia das ironias, teríamos o Tribunal Constitucional, com os aplausos do outro lado, a defender a propriedade e a condenar o confisco, como deve fazer.
     É por isso que estes meninos estão a brincar com o fogo e depois gritam que se queimaram
         (Etiquetas: Austeridade selectiva, Citações )
-------- Brincar com o Fogo
    ... de futuro, os pensionistas da Segurança Social e dos fundos de pensões públicos, bem como os titulares de cargos políticos, não poderão acumular a pensão com os honorários auferidos pelo exercício de funções no Estado. Mas só os do futuro. Quem já recebe dos dois lados continuará a acumular. Não vale a pena citar nomes. O país conhece-os e não são as pessoas que estão em causa. A pestilência alastra e a opinião pública tem dado provas de conviver bem com o fedor.


Publicado por Xa2 às 07:42 de 11.09.13 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Vias do desastre e vampiros do Estado social e dos contribuintes

      Passam hoje 50 anos sobre a canção «Os Vampiros» 

 Muita coisa mudou em Portugal. Só não mudaram os vampiros, que por cá continuam a querer comer tudo. Enquanto houver quem lhes franqueie a porta.

                  A direita e a “suspensão da democracia     

Fazendo jus ao lapsus linguae ..., Cavaco Silva resolveu de facto “suspender a democracia”.  ...

                         Uma maioria, um presidente, uma merda     (-por nunotito)

as revoluções começam sempre nas ruas sem saída-1  (fanado à Gui)

... O que Cavaco pretende não é a recuperação económica do país e do emprego, mas é a concretização do plano da troika: tornar Portugal um devedor crónico que seja obrigado a executar durante décadas um plano de empobrecimento generalizado da população, para criar uma China na Europa do sul. E, ao mesmo tempo, garantir uma nova fatia dos rendimentos ao capital financeiro à conta da destruição do Estado Social e alienação das empresas públicas.

    Não existe um interesse nacional, existem vários interesses em Portugal, este governo e este Presidente defendem os do capital financeiro e dos credores internacionais, mesmo à conta da perda de direitos sociais e políticos dos portugueses.

    Não é preciso ser muito esperto para perceber que com a continua destruição de empregos e do aparelho produtivo, com o crescimento da dívida e com o aumento da recessão provocado pelos novos cortes de mais de 4 mil milhões de euros, vamos chegar ao fim do período de intervenção da troika, em Junho de 2014, com mais problemas económicos de que quando a famosa “ajuda” cá chegou.

     Mesmo que os juros da agiotagem caíssem para valores abaixo dos 5%, isso não significa um regresso duradouro aos mercados: um país não pode ir buscar dinheiro a 5%, se não cresce mais que esse valor.  Acresce que para atingirmos os valores de dívida que nos obrigam é preciso nos próximos 20 anos andarmos a pagar mais de 5 mil milhões por ano, para além dos juros crescentes do serviço da dívida.

     Depois do primeiro resgate, seguir-se-á o segundo, o terceiro e assim sucessivamente, caso não seja alterada esta política.

     Obviamente, do ponto de vista meramente económico esta política é um desastre, como até o demissionário Vítor Gaspar reconheceu na sua carta de demissão. Ela tem outros objectivos. Existe um plano a nível europeu de reduzir os direitos sociais na Europa e de destruir o Estado Social europeu, dando mais rendimentos e novos mercados ao grande capital financeiro. Depois da crise de 2008, os decisores políticos falaram em controlar os mercados financeiros e extirpar as offshores, mas nada disso foi feito. Pelo contrário foram desviados biliões de dólares para garantir que a banca sobrevivesse à crise que provocou e foram-lhes dadas as condições políticas e económicas para continuarem a lucrar à conta do empobrecimento dos contribuintes e a perda de direitos dos cidadãos europeus.

     Num recente estudo do Instituto Europeu da Faculdade de Direito revelou-se que apenas 10,8 % dos portugueses tinham confiança no Memorando da troika e pretendia que ele continuasse inalterado. É por essa razão que Cavaco e Passos não querem eleições. Sabem que há muito perderam a confiança dos portugueses. Não é de admirar que Passos Coelho afirme que “não há nada mais incerto que as eleições” e que por isso se deve evitar dar a voz ao povo. Não vão os “mercados” constiparem-se. Aliás, não fazemos nada sem mendigar a aprovação desses ditos “mercados” mesmo que a benção, daqueles que lucram com a política para “os mercados”, nos conduza sempre a uma posição subalterna em que estejamos a pagar juros de agiotagem para garantir a sua fatia crescente de lucros.

     O Presidente retirou a possibilidade que o normal funcionamento das instituições garanta o cumprimento da vontade popular de alterar esta política e de correr com este governo. Mas por muito que queira, os governos não conseguem sobreviver contra a vontade da sua população para todo o sempre.   Cavaco pode declarar a sua inutilidade total para a democracia, mas não pode calar a vontade do povo. Quem costuma construir muros esquece-se que eles podem ser derrubados e que, na maioria das vezes, os autores, ficam soterrados nos seus escombros.



Publicado por Xa2 às 13:55 de 22.07.13 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Salvação de quê ...?!! - antes por uma «Coligação de Esquerda»

         A crise chegou lá a casa.           (-por M.Afonso  em  http://revistaanexo.wordpress.com/ )

    E, de repente, não havia dinheiro nem perspectivas de trabalho.  A miúda chorava ...

 

         “Compromisso  de  salvação  nacional”   ?!          Quem  diria ?   !!

  PS PS   (-por M. Cardina)    Das duas, uma: ou o PS, ao aceitar o repto de Cavaco, vai fingir que negoceia, tomando o povo por parvo;

ou vai mesmo negociar com aqueles que considera não terem já legitimidade para estar no poder. Se assim for, predispõe-se a indicar como se processará o corte de 4700 milhões - a tal "reforma do Estado" -

 e qual o itinerário daqui até ao 2.º resgate - que assim ficará "ratificado" por acordos prévios entre o "arco da austeridade", sem passar por essa maçada das eleições (ou levando a que elas ocorram tendo como pano de fundo um "facto consumado"). Finalmente percebi o que significa um "catch-all party"...

           Uma  ideia  mesmo  perigosa :  aspirar a  melhorar a  vida

    Nasci em (…) A minha mãe morreu quando eu era muito novo e fiquei ao cuidado da minha avó. Cresci na pobreza (relativa) e por várias vezes fui para a escola com buracos nos sapatos. A minha educação foi, no sentido original da palavra, bastante austera. O rendimento familiar consistia num cheque do Estado, mais concretamente numa pensão de velhice, para além das ajudas ocasionais do meu pai trabalhador manual (…) Sou um filho do Estado-Providência e tenho orgulho neste facto.    Actualmente, sou professor ...  - Mark Blyth, Austerity – The History of a Dangerous Idea,...
            É o  tempo  da  corrupção e  das  plutocracias        [Sala Mecenato BES  (ISEG)]
     Veio enfim um tempo em que tudo o que os homens tinham olhado como inalienável se tornou objecto de troca, de tráfico, e podia alienar-se. É o tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas nunca trocadas; dadas, mas nunca vendidas; adquiridas, mas nunca compradas - virtude, amor, opinião, ciência, consciência, etc. - em que tudo enfim passou para o comércio. É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal. - Karl Marx
    ... finjamos que levamos a sério a última cerimónia (de doutoramento honoris causa) e que imaginemos o que o “padrinho” de Salgado, João Duque, terá dito: o Doutor Ricardo Salgado ensinou-nos a fugir com capitais, a reconstruir, a golpes de política, o poder financeiro, a desenhar parcerias público-privadas lucrativas, a capturar políticos e não só, a entrar em conselhos de ministros para fazer valer os seus interesses, a minimizar obrigações fiscais, a beneficiar de ditaduras e de democracias que se parecem com plutocracias, a mandar vir a troika para ajustar contas com o que resta da economia política do 25 de Abril e muito mais.  ...

       Entrevista a Jean-Luc Mélenchon  da Frente de Esquerda (francesa)

 A única maneira de fazer mexer a social-democracia é a outra esquerda ultrapassá-la nas urnas. 

 

14 de Julho de 1789   A Bastilha (forte- prisão política e símbolo do poder absolutista, arbitrário e monárquico-oligárquico) foi tomada pelos cidadãos de Paris há 224 anos (e passou a símbolo da Revolução Francesa, da República, da Liberdade-Igualdade-Fraternidade). O mundo mudou. Levou tempo, mas mudou. E para muito melhor, mau grado todos os avanços e recuos e todos os desvarios da natureza humana que não olham a contextos históricos.  (E as outras «bastilhas», quando cairão?)

 


Publicado por Xa2 às 07:45 de 15.07.13 | link do post | comentar | ver comentários (20) |

Bancocracia: enriquecer à custa da Democracia e da dívida do Estado

               Compreender a dívida Pública     (-por  #  Raimundo Narciso)

     Até 1973 o Estado francês controlava o sistema financeiro do país, assim como a moeda, o franco, através do Banco Central. Para as necessidades do Estado, para pagar a administração pública, para investir na saúde ou na educação o governo, se o dinheiro dos impostos não lhe chegava, pedia dinheiro emprestado ao Banco Central e não pagava qualquer juro.
     Aconselhado pelos banqueiros, em 1973, o presidente Pompidou publicou uma lei que alterou radicalmente a situação. A partir de então o Estado quando necessita de dinheiro pede emprestado aos bancos privados que, obviamente levam o seu juro. Parece absurdo. Parece, mas assim os bancos, os acionistas dos bancos e os administradores dos bancos passam a ter uma gigantesca fonte de riqueza e de facto passam a controlar, mais ainda, a vida económica do país.
     No vídeo que aqui está, informa-se que, de 1973 a 2010 a dívida pública da França tinha aumentado 1,348 biliões (milhões de milhões) e que, sintomaticamente, os juros pagas pelo Estado à banca privada nesse mesmo período foi de 1,408 biliões de euros. O aumento brutal da dívida pública da França nestas 4 décadas foi praticamente igual aos juros pagos, neste período, pelo Estado aos banqueiros , consequência daquela lei de Pompidou que entregou aquele poder do Estado, poder do povo, aos banqueiros e acionistas dos bancos.
     Esta situação de os Estados terem de pedir dinheiro emprestado aos bancos privados em vez de o obterem sem juros do banco central do seu país generalizou-se a quase todo o mundo. E é  também a situação na zona euro. Esta mudança de paradigma foi aliás um passo grande do sistema financeiro internacional na sua longa caminhada para o controlo dos governos nacionais e do "governo do mundo".
    Obviamente que não podemos concluir que os bancos são "maus". Os bancos foram instrumentos fundamentais e absolutamente indispensáveis ao desenvolvimento histórico e atual da economia mundial. Deveriam era serem propriedade dos Estados ou controlados por eles e não o contrário.
  

            Pseudodemocracia - Entre a Revolução e a Ditadura      (-por Ana Paula Fitas )

Na crueldade abusiva e indiferente com que a política vai conduzindo os tempos, como se a servidão, a pobreza e a dependência fossem naturais por inerência à condição social da vida humana, vale a pena registar as palavras de D. Januário Torgal que podemos ler AQUI e a síntese assertiva de um homem cuja experiência e determinação em marcar o pensamento e a história de Portugal podemos encontrar no texto que, a seguir, transcrevo:

     «O antigo Presidente da República Mário Soares considera que a «democracia está em baixa», porque as pessoas tem «muito medo», mas, adverte, o desespero é tal que aqueles que têm fome podem zangar-se.   Em entrevista ao jornal "Público", o histórico socialista afirma que os portugueses não reagem com veemência às dificuldades que estão a atravessar porque "há muito medo na sociedade portuguesa".

    "É por isso que a democracia está em baixa, porque não havia medo e hoje há muito medo. As pessoas têm de pensar duas vezes quando têm filhos. Mas é uma coisa que pode levar a atos de violência", adverte.   Mário Soares ressalva que é uma situação que não quer que suceda. No entanto, "pode acontecer, porque o desespero é tal que aqueles que têm fome podem zangar-se".

     Fazendo um paralelismo sobre a reação dos portugueses às dificuldades que atravessam e o que se passa no Brasil, afirma que "no Brasil vieram para a rua de forma pacífica porque acham que há muita corrupção. Aqui, em Portugal, não há corrupção a rodos, porque a justiça não funciona. Ou por outra, a justiça só funciona para os pobres".    "Aos que roubam milhares de contos ao Estado, em bancos e fora de bancos, não lhes acontece nada", critica. Mário Soares receia que a seguir à crise política possa "vir uma revolução": "Eu esperaria que fosse pacífica, mas pode não ser". Pode também seguir-se uma ditadura, o que "era ainda pior", sublinha.

     O antigo presidente considera que não existe uma relação entre o país e o Governo, que "ignora o povo", e que a "democracia está em perigo".

Neste momento, somos uma pseudodemocracia, porque a democracia precisa de ter gente que resolva os problemas", diz, questionando: "Quando o Presidente da República não é capaz de resolver nada a não ser estar de acordo com o Governo, e o Governo não faz nada porque não tem nada para fazer, nem sabe o que há-de fazer, o que é que se passa?"

    Sobre o que faz a oposição, Mário Soares afirma: "protesta". "Eu não tenho nenhuma responsabilidade política, nem quero ter, mas penso, leio, escrevo e estou indignado, claro, porque estão a destruir o país", sublinha.    Questionado pelo Público sobre se o Banco Central Europeu devia estar a emitir moeda, Mário Soares foi perentório: "pois claro". Não admite a saída do euro, frisando que é a "favor do euro e da União Europeia, embora não aceite que a chanceler Merkel seja uma pessoa não solidária com os outros países, é contra o espírito da União Europeia.     Relativamente ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, Mário Soares acusa-o de ser "um camaleão", considerando que Portugal não ganhou nada em tê-lo naquele cargo. "Foi só desprestigiante para Portugal. Nunca achei que ele podia ser bom. Avisei sempre, escrevi que era um grande erro. Diziam que era português, mas na Europa não há portugueses, nem de qualquer outro país, há europeus", comenta.   Mário Soares diz ainda que Durão Barroso "não pode" chegar ao cargo de secretário-geral da ONU, "depois de tudo o que disseram dele, a senhora Merkel, os franceses e tantos europeus". "Futuro político acho que não tem", remata.»   in DIÁRIO DIGITAL/LUSA

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           Este é um dos «clubs da elite política-financeira-...»

(há outros, incluindo 'pensadores/thinkTanks', fundações, associações maçónicas, religiosas /OpusD, caridadezinhas, universidades, partidos, ... financiados por magnates da Banca, da Especulação bolsista, das Multinacionais : armamento, farmacêuticas, alimentos/sementes, petróleo, automóveis, aviões, minérios, água-distribuição, electricidade, telefones, jornais, TVs, redes sociais/internet, ...) 
    ... que MANDA, compra/ameaça/manipula desGovernos FANTOCHES, seus capatazes e avençados escribas. ... e "faz a opinião" das maiorias e dos eleitorados, desvirtuando a Política, a Democracia, a transparência, as liberdades e a equidade de acesso, ... prejudicando o interesse público e milhões de contribuintes e cidadãos.



Publicado por Xa2 às 07:40 de 25.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

1984 ... e ... imitações : Cuidado !!

          A  democracia  é uma  chatice      (-por João Vilela)

     No mesmo dia, o PSD decidiu brindar-nos com duas pérolas de cultura democrática.

 ... O primeiro... Sugeria Jardim, decerto no seguimento da proposta de Nuno Crato, ontem vinda a público, de «mexer numa série de coisas» na Lei da Greve, que esta fosse liminarmente proibida aos trabalhadores dos transportes, da saúde, da justiça, e das forças armadas. ...acho pouco.

 ... a proibição devia ser extensível a todos os assalariados rurais, que claramente só fazem greve por repulsa pessoal em andar a cavar terra. ... o direito de greve não pode vigorar para os trabalhadores de hotéis de cinco estrelas, que com isso perigam a imagem de Portugal como destino turístico de estrangeiros endinheirados, comprometendo o afluxo de divisas e o equilíbrio da balança de transações correntes. Ou ... à sinistra corporação dos professores o direito de parar os trabalhos e deixar, assim, os jovens da nação à mercê da vadiagem, dos cafés e dos charros, quando deviam estar na escola a aprenderem a ser homens.  ... o direito à greve só devia vigorar nas profissões que não impliquem nenhum transtorno para nenhuma pessoa em nenhum momento. Salvo em tais circunstâncias nada legitima que o trabalho pare, e negá-lo é, francamente, ceder sem verticalidade mínima ao politicamente correcto. Um erro crasso.

     Por seu turno, Poiares Maduro identificou o grande problema nacional do nosso tempo: em Portugal, as coisas não andam porque «tudo é contestado». Enfim chegou ao poder quem tivesse a coragem de pôr o dedo nesta ferida! Com efeito, se não somos a terra da leite e do mel isso nada tem que ver com o desmantelamento do tecido produtivo, com a promoção do desemprego, com a precarização do trabalho, com o ataque aos direitos sociais e a descaracterização da democracia pelo tratamento desigual e desprovido de isenção dispensado às várias correntes de opinião nos meios de informação.

    Tudo isso é paleio esquerdista para iludir o essencial: que a salvação do país está na supressão liminar desse hábito birrento e aborrecido de tudo criticar, tudo contestar, tudo maldizer. Felizes são os países onde não existe nenhum tipo de protesto, nenhuma forma de oposição a quem governa, onde, felizes e contentes, os cidadãos obedecem sorridentemente aos líderes e percebem que deles só pode vir o bom, o belo, e o verdadeiro.

 Só lamento que Poiares Maduro não dite, sobre este assunto, qualquer solução a tomar, atendo-se ao desabafo desanimado: porque não proíbe ele a crítica pública dessas decisões? Porque não põe comissões de fiscalização do espírito positivo (atenção, não lhe chamemos censores!) a purgar jornais e revistas da sinistra peste contestatária?

Porque não emprega um conjunto diligente de inspectores na procura pelos cafés, os restaurantes, os autocarros, os metropolitanos e as salas de espera, desses nossos réprobos concidadãos que criticam e fomentam pela palavra o espírito de sedição, que os retire discretamente de circulação e, nos termos eufemísticos do 1984 de Orwell, os «vaporize»? Para grandes males, Sr. Ministro, grandes remédios! Não se pode encarar e debelar uma doença nacional desta gravidade com tibieza: seja dinâmico, seja determinado! O povo lhe agradecerá!

     ... Estamos a andar mal, ...! Só um país onde os trabalhadores nunca parem (nem nas greves, nem nos fins de semana, nem nos feriados – saravá, Rui Rio! -, nem sequer na doença ou na maternidade), e estejam sempre felizes e bem dispostos, será um país de futuro. Até porque, importa reter, a contestação atrai energias negativas, gera sentimentos de peso e desconforto, aborrece, irrita, tira de nós o entusiasmo e o sorriso no rosto. Longe, bem longe de nós, querermos alguma vez criticar ou não trabalhar. Ser trabalhador consciente ou cidadão interventivo é um péssimo serviço que se presta ao país e ao povo.

     1984 ...   'Grande irmão'/'big brother' ...  (de  Michael Radford, baseado na obra de George Orwell.  Legendado em português.   Pode obter gratuitamente o livro aqui. ) 

   --------  Revolução,  Manif. 'mansa'  ou  sofá  ?  (-por guicastrofelga)

 bastilha 



Publicado por Xa2 às 13:27 de 21.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Jílio Pomar... diz que continua um resistente

Júlio Pomar confessa que continua um resistente perante o que considera errado no país
e afirma que a reação é uma necessidade.
Em entrevista à SIC Notícias, no atelier museu que acaba de abrir em Lisboa,
o pintor nota que a sociedade portuguesa está a perder o que conquistou
ao longo de anos de aprendizagem.



Publicado por [FV] às 12:02 de 19.05.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Alternativas ao caminho suicida ...

       Pedalada 

(João Rodrigues recupera as entrevistas feitas ao Jorge Bateira e ao João Galamba, entre outros economistas, pelo i:)


Jorge Bateira, economista:
    -O que deve o governo fazer face à decisão do TC ?   Imagino que vai seguir o guião do FMI e explorar todas as possibilidades de corte na despesa. O que imagino que se vá traduzir em despedimentos na função pública.
    -Onde é que é possível cortar para cobrir os 1,1 mil milhões de euros ?   O governo vai certamente fazer cortes em prestações sociais diversas. Confesso que fico com dúvidas sobre ir buscar o dinheiro que pretende, sobretudo tendo em conta que não é só compensar estas inconstitucionalidades, mas também seguir na linha dos cortes já previstos de 4 mil milhões. Na minha opinião, o governo está a entrar num caminho suicida e vai provocar um desastre nacional. Todos estes cortes vão induzir o agravamento da espiral recessiva, o que vai fazer com que o défice se reduza muito pouco e a dívida continue a aumentar. Estamos num buraco sem saída.
     -Está em causa a permanência de Portugal no euro?   A permanência de Portugal no euro depende de uma só coisa: a capacidade do povo português suportar esta política. No dia em que o povo português explodir de revolta com esta política, o país sai do euro.
     -Estamos na iminência de um segundo resgate?   Já estávamos antes. A espiral recessiva já nos estava a conduzir para a inevitabilidade do segundo resgate. Mesmo que o BCE pudesse ajudar nos mercados da dívida normal, isso não seria feito sem algumas condicionalidades.
     -O que deve o executivo dizer à troika?    É normal que o governo tente explorar a possibilidade de alguma tolerância para o aumento do défice. Até usando a crise política para dizer:  isto está muito mau, tenham lá alguma tolerância.

João Galamba, economista e deputado do PS:
     -O que deve o governo fazer face à decisão do TC ?    Eu penso que este governo e que o que qualquer governo deve fazer perante a inconstitucionalidade de algumas normas do orçamento seria usar o Acórdão para reforçar a posição negocial junto da troika.  E o que o governo fez foi o contrário. O primeiro-ministro demonstrou que não está interessado em negociar com a troika e que a única coisa que faz é decretar guerra aos portugueses e ao Tribunal Constitucional. É um governo à margem da lei e que tem de cair quanto antes, em nome do regular funcionamento das instituições. Já há um precedente na Letónia em que o TC decretou a inconstitucionalidade de cortes nas pensões e o FMI aceitou as consequências financeiras dessa decisão.
     -Onde é que é possível cortar para cobrir os 1,1 mil milhões de euros ?   Em lado nenhum. O país não aguenta nem mais um euro de impostos nem mais um euro de corte na despesa. A única despesa que pode ser cortada é a despesa com juros pagos ao exterior.
     -Está em causa a permanência de Portugal no euro?   Por causa do Acórdão do Tribunal constitucional não. Penso que a manutenção de vários países pode estar em causa se não houver alteração da actual orientação política da União Europeia.
     -Estamos na iminência de um segundo resgate ?   Essa é uma chantagem e uma mistificação: Se Portugal tiver o apoio dos seus parceiros internacionais não é necessário um segundo resgate, porque a nova modalidade de funcionamento do BCE é que um país poderá financiar-se nos mercados com ajuda do BCE, embora envolva a assinatura de uma espécie de Memorando.
     -O que deve o executivo dizer à troika ?   Devia ensaiar uma confrontação com a troika, mas este primeiro-ministro já anunciou que não quer isso.



Publicado por Xa2 às 07:08 de 11.04.13 | link do post | comentar |

Da corrupção e fantochada à ... manifestação e ... à revolução

             Revoluções            (-por O Jumento)

     As revoluções são momentos de ruptura, ... podem ser antecedidas por sinais evidentes de que vão ocorrer ou podem ocorrer de forma inesperada, podem limitar-se a criar um rio de lava como podem fazer explodir montanhas, tanto podem ter os seus efeitos circunscritos à região onde se localizam como podem afectar meio mundo.
     Pensar que uma Europa onde se vive em paz há algumas décadas é um vulcão extinto ... é um erro perigoso. A democracia, por um lado, e o equilíbrio que durante décadas manteve a paz nas relações entre capitalismo e comunismo, permitiram manter a paz e diluir as erupções sociais. A democracia libertou energias e o medo do comunismo levou o poder financeiro a aceitar a repartição mais justa dos recursos, aceitando o financiamento do estado social.
     Vivemos momentos de ruptura, o grande poder financeiro sente-se liberto de compromissos sociais e com o argumento da integração, do euro e da globalização acha que está na hora de se libertar do peso das nações, criando-se um mundo internacional virtual, onde não existem nem regras, nem regimes fiscais ou laborais. Liberto do medo do comunismo o capitalismo exige liberdade total, nada de impostos, nada de preocupações sociais, nada de legislações laborais, nada de despesas com estados nacionais.
     Primeiro liberalizaram-se os negócios, agora desmantelam-se os Estados e em nome da competitividade impõem-se as regras aos que insistem em proteger socialmente os seus povos, como disse o Salassie quem não tem dinheiro não tem estado social. e em nome dos credores aceitou a ideia dos seus parceiros locais de destruir o estado social. A austeridade deixa os cofres do Estado vazios, os credores cobram juros absurdos sobre dívidas que não se pagam e corta-se o estado social para compensar os desvios colossais premeditados na receita fiscal que cai de forma abrupta apesar da espoliação fiscal da classe média e dos mais pobres.
     A democracia tornou-se numa fantochada, o governo exibe-se como poderoso porque tem o apoio de funcionários de organizações internacionais, gente com cara de parvos que de vez em quando aparecem por cá para fazerem falsas avaliações, onde se escreve o que se combina com o governo para os próximos passos no sentido da destruição do estado e da perda de direitos sociais. O presidente parece ter perdido a lucidez, o Tribunal Constitucional é desprezado e chantageado com a crise, a opinião do povo é desprezada em favor de uma falsa legitimidade.
    Tudo o que na democracia serve para dirimir a conflitualidade social é eliminado, as manifestações do povo são ignoradas, os quarto poder dos jornalistas é comprado pelo Miguel Relvas a troco de jornas pagas pelo Estado a dezenas de jornalistas contratados para gabinetes governamentais onde se manipula a informação.   Aos poucos vão sendo criadas as condições para que a caldeira dos conflitos sociais se transforme num vulcão sob pressão. Só resta saber se a lava vai escorrer tranquilamente sob a forma de eleições legislativas ou se vai explodir muito antes sob a forma de uma revolução. Com um governo autista, um presidente a podar roseiras na esperança de encontrar rosas no inverno, um governo irresponsável e uma troika idiota a palavra está em quem sempre está e como é o povo que mais ordena veremos o que ele decide.


Publicado por Xa2 às 19:12 de 05.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Não aguentamos esta destruição ! ... vamos à manif. e à Luta !

Não, não aguentamos

         «Esta semana tivemos mais notícias do projecto de (re)engenharia social em que nos tornamos. Já vamos em praticamente um milhão de desempregados registados e umas largas dezenas de milhares que não arranjam coragem suficiente para ir ao centro de emprego dar o nome. Mais de metade destes nossos concidadãos já não recebem o subsídio de desemprego caminhando rapidamente para a miséria. Gente que não era sequer pobre há dois ou três anos. Homens e mulheres de classe média, na sua maioria entre os trinta e cinco e os cinquenta anos, com filhos, com casas para pagar, cujas perspectivas de voltar a trabalhar são muito ténues. Pessoas que cedo ou tarde trabalharão por quase nada, se essa sorte tiverem, tal será o desespero. Tudo gente a quem foi dito que se devem ajustar a um novo modelo social. Um que não tem contemplações com quem não for empreendedor, com quem não for especializado em indústrias transaccionáveis; aquele que não suporta piegas.
     Também ficamos a saber que quarenta por cento dos nossos rapazes e raparigas não conseguem começar as suas vidas profissionais. A mais bem qualificada geração portuguesa está condenada a emigrar. São, no fundo, uns privilegiados. Estes ainda podem zarpar para outros lugares. Como os seus avós, fogem à fome e como os seus avós partem não porque querem mas porque não há lugar para eles. Ficam os velhos, os que não podem fugir.
     Números, muitos números que o primeiro-ministro promete rever. Para já temos uma economia em recessão profunda, sem investimento, sem procura interna, com as exportações a diminuir e dentro em pouco com menos 4 mil milhões de euros a circular: ninguém percebe como raio não vão ser destruídos ainda muitos mais empregos que o previsto ou que milagre se dará para que a economia comece a crescer. As boas notícias são que lá para o segundo semestre o ritmo da subida do desemprego vai diminuir, ou seja, vamo-nos afundando mais devagarinho. Nessa altura o primeiro-ministro volta a rever a folha de cálculo.
      Os valores do desemprego correspondem a uma vontade política. Não da responsabilidade integral do Governo, que fique claro. Mas que o Governo abraçou de forma entusiástica as políticas que conduzem à recessão e ao desemprego, não há dúvidas.
      Todas as medidas que foram sendo tomadas e que vão continuar a ser terão sempre este tipo de consequências. No fundo, o Governo acredita que destruindo o actual tecido económico, provocando a maior recessão da nossa história recente, atirando milhões para o desemprego, dum momento para o outro e duma forma radical, resultará num país novo, dinâmico, exportador, empreendedor. Sem preguiçosos e sem os mandriões que viviam à custa dos subsídios de desemprego e dos rendimentos de inserção.
      Não é só uma revolução económica que está em marcha, é sobretudo uma revolução social. O Governo e os loucos europeus apostaram na revolução, no mais puro radicalismo ideológico (neo-liberal). Resolveram testar meia dúzia de princípios ideológicos colados com cuspo e decidiram tornar uma geração praticamente inteira num exército de inúteis, de gente dispensável, de pessoas que não encaixam, que viverão à margem.
      Só que uma comunidade não subsiste, não coopera, não prospera, dividindo os seus cidadãos em obsoletos e modernos, em velhos e novos, em úteis e inúteis, em funcionários privados e públicos, em empreendedores e não empreendedores. Quando destruímos a solidariedade entre os cidadãos, quando deixamos de ter objectivos comuns deixamos de ter uma comunidade no verdadeiro sentido da palavra. Uma sociedade onde um em cada quatro cidadãos não tem emprego (por enquanto), com pessoas que dentro em pouco não conseguirão subsistir por si próprias, em que as outras em grande parte viverão no limiar da pobreza, que expulsa do País uma geração, não é uma verdadeira comunidade.
      Num país com um exército de desempregados, minado pela pobreza, com as prestações sociais muito diminuídas, a democracia será apenas um detalhe sem importância. Pouco tempo sobreviverá.
    Quanto tempo ainda teremos? De quanto tempo mais precisará a Europa para perceber que está a destruir um país? De quanto tempo mais precisará Passos Coelho para entender que tem de inverter o rumo? Nós já temos pouco, muito pouco tempo.»
[DN], Pedro Marques Lopes.   


Publicado por Xa2 às 19:12 de 18.02.13 | link do post | comentar |

"Refundação" ultraliberal é destruição do estado social

A  refundação  social  de Passos Coelho  (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

     Às escondidas, o governo está, mais uma vez, a negociar com representantes de instituições internacionais o futuro deste País pelas próximas décadas. Nada mais, nada menos do que a "reconfiguração do Estado Social" ou, como eufemisticamente chamou Pedro Passos Coelho, a "refundação do memorando". Marques Mendes deu com a língua nos dentes e levantou o véu: uma poupança de 4 mil milhões anuais, quase tudo na educação, saúde e segurança social. Quem conhece os valores das despesas do Estado percebe que não estamos a falar de um ajuste, mas da destruição do Estado Social. A receita é simples:

 passar as principais funções sociais do Estado para privados. Sabendo que Dias Loureiro continua a ser um dos principais conselheiros deste governo, não ficamos descansados quanto à seriedade do processo. Sabendo que António Borges é o ministro sem pasta, não ficamos descansados quanto à sensibilidade social com que isto será feito.

      Sabemos bem o que quer dizer esta "refundação": o fim do Estado Social para grande parte da classe média e para os pobres. E um Estado Social mínimo e caritativo para os indigentes. Dos anos 60 até ao final do século XX Portugal deu um salto assombroso de que nos deveríamos orgulhar. O País que o nascimento do Estado Social recebeu era este: grande parte da população sem direito a segurança social e reformas; cinco milhões de portugueses sem cobertura médica; a mortalidade infantil mais alta da Europa; vinte vezes mais analfabetos do que licenciados. Miséria e ignorância, como sabem os mais velhos e deviam saber os mais novos. Graças àquilo a que Pedro Passos Coelho, num artigo publicado em Julho de 2010, considerou serem "políticas sociais demasiado generosas", o País mudou. Mudou muito. Mudou radicalmente. E eu, como português, orgulho-me disso.

      É a esta mudança que Passos Coelho e os fanáticos ideológicos que o acompanham sempre chamaram de "gorduras do Estado". E quem leu o seu projeto de revisão constitucional feito por Teixeira Pinto, que acabou por ser guardado para não revelar demais dos verdadeiros objectivos dos então candidatos a governar o País, não fica espantado com o que aí vem. E sabe que não se trata apenas de uma resposta às nossas dificuldades financeiras. Trata-se de uma confissão e de um pretexto. Confissão de que tudo o que fizeram até agora teve os efeitos opostos aos que se diziam serem pretendidos. Um pretexto para aplicar a agenda ideológica em que este governo realmente acredita.

      uma alternativa:

uma renegociação profunda da dívida. Só os juros levam 9% da despesa. Cortar uma parte disto chega e sobra para resolver o problema do défice. Mas é mais fácil violar o contrato social com os portugueses. E, no meio, dar aos privados o maravilhoso negócio da saúde, da educação e da segurança social, negando à maioria dos portugueses uma vida digna e a possibilidade de garantirem para si e para os seus filhos a igualdade de oportunidades que a democracia lhes deve.

      Não é admissível que uma revolução social destas dimensões seja decidida em negociações escondidas. É o nosso futuro, enquanto comunidade, que está em causa. É o salto social que nos permitiu ser um País digno do primeiro mundo que está a ser destruído. A Escola Pública, o Serviço Nacional de Saúde e o Estado Providência são nossos. Não se vendem nas nossas costas.



Publicado por Xa2 às 07:49 de 02.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Não à revolução ultra-liberal

AJUSTE DE CONTAS

    A Europa está ameaçada, não pelo anúncio do referendo grego, mas pela ausência de democracia e solidariedade, pela deriva de um directório sem mandato nem legitimidade (como sublinhou, em Florença, Cavaco Silva), pela impotência da Comissão Europeia e por políticas, comandadas pela Alemanha, que provocam recessão, desemprego, empobrecimento, destruição do modelo social e desvalorização do mundo do trabalho.

    E também pela sobreposição de poderes não legitimados e sem rosto (mercados e especuladores) ao poder legítimo dos Estados, em dimensões nunca vistas. A democracia e a soberania estão sequestradas pelo poder incontrolado e desregulado do capital financeiro. Esta é a raiz da crise, da qual não se sairá enquanto se propuserem e impuserem soluções destinadas a preservar o sistema que a originou. O referendo grego não é uma causa, é um efeito e um revelador.
    Repetem-se as mesmas receitas:    supressão da procura e do crescimento internos, apoiadas na fé monetarista do BCE e na sua cruzada contra a inflação. Nem políticas fiscais e orçamentais comuns, nem um BCE com uma função adequada em matéria de emissão monetária, crédito e controle da taxa de câmbio, nem eurobonds como garantia mútua do endividamento europeu.
    Em 2010, a UE absorveu quase 80% do excedente comercial alemão (56% para a zona euro). Apenas uma parte de 20% desse excedente alemão resultou de exportações para o resto do mundo. A França foi, de longe, o maior contribuinte do excedente alemão (29 mil milhões de euros de saldo favorável para a Alemanha nas trocas entre os dois países). Ao longo dos últimos anos, e sobretudo desde o surgimento do euro, este fosso foi sendo cavado e alimentado pelo recurso ao endividamento (público e privado) pela maioria dos países da UE, numa pirâmide de dívida que tem, no seu topo – sem surpresa –, os maiores bancos alemães. Ou seja os mesmos que os actuais planos de resgate visam agora proteger, depois de anos a emprestar à tripa forra. A imprudência não veio apenas de quem pediu emprestado (a taxas de juro que eram inferiores à inflação, é bom lembrar), mas também de quem emprestou.
    A Alemanha teve o mérito de saber prosperar à custa dos outros europeus, mas está na hora de o resto da Europa acordar, incluindo Portugal. Sem o conjunto das cigarras europeias (do qual fazem parte a francesa e a italiana, que estão agora aflitas), não haveria nenhuma formiga rica alemã.
    O projecto de construção europeia -baseado na solidariedade de facto, do carvão e do aço até ao mercado interno e à moeda única - trouxe décadas de paz e de prosperidade partilhada ao velho continente. Poucos países beneficiaram tanto deste projecto como a Alemanha. Com muito mérito e esforço dos alemães, mas a verdade é que nada do que conseguiram teria sido possível sem os outros europeus.
    O limite do tolerável está a ser ultrapassado. É o que explica o anúncio de um referendo na Grécia. Os que não têm nada a perder, para além da sua dignidade, podem sempre dizer não. Assim escreveu Miguel Torga: “ Temos nas nossas mãos /o terrível poder de recusar”.
    Também Portugal deve trilhar o seu próprio caminho. Não o que defende o PM, empobrecimento da generalidade da população, destruição da classe média, degradação de serviços públicos essenciais como a saúde e a educação. Não tirando aos pobres e remediados para poupar os ricos, nomeadamente a banca. Não virando os trabalhadores do privado contra os funcionários públicos. Não privatizando as empresas públicas ao desbarato, em sectores de interesse estratégico nacional, como a água, nem desvalorizando os custos do trabalho para além do limite da dignidade de cada trabalhador.
    Os ditames externos de austeridade não podem servir de pretexto para um ajuste de contas ideológico em Portugal, com o qual a direita sempre sonhou.
    É tempo de compreender que este não é um ciclo político normal. O governo está a aproveitar a crise para fazer uma revolução ideológica, conservadora e ultra liberal. Essa é a estratégia consagrada no OE. Ultrapassa a agenda da troika e põe em causa o consenso sobre o nosso modelo de organização democrática e social. Passos Coelho o disse, no Paraguai: “Temos de mudar o regime económico”. Só que essa mudança significa uma mudança de democracia. O que já nada tem a ver com a consolidação das contas públicas nem com o interesse nacional. É um PREC de direita. Contra o qual têm de estar todos aqueles, em primeiro lugar os socialistas, que ajudaram a construir a nossa democracia.

    [-por Manuel Alegre, JN, 04-11-2011, via MIC]


Publicado por Xa2 às 13:35 de 04.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Do desemprego à servitude e/ou à revolta social

A CRISE ESCONDIDA (e o que aí virá...)

        Quem não tem já nada a perder, pode levar à perdição toda a sociedade.

    A crise actual é uma bomba ao retardador que ainda não mostrou, sequer, todos os seus efeitos sobre o emprego e o nível de vida das famílias. Na verdade, as repercussões da profunda recessão, em que vamos mergulhando, sobre o emprego fazem-se, sempre, sentir com um certo desfasamento no tempo. De igual modo, existe também um lapso de tempo, maior ou menor, entre o aumento do desemprego e o crescimento do número de necessitados de prestações sociais.

    Ora, é de prever que a situação dos desempregados vá tornar-se cada vez mais crítica à medida que se prolonga a crise e é, por isso, urgente reagir, desde já, a esta tragédia social que abalará cada vez mais a sociedade pois, sem novas medidas de solidariedade, é a própria coesão da sociedade, no seu conjunto, que vai ficar ainda mais fragilizada, podendo, mesmo, vir a ser a pólvora que detonará a revolta social e as suas imprevisíveis consequências políticas.

    Perder o emprego é perder os rendimentos da actividade que lhe está associada (e é perder a dignidade de Cidadão, de Pessoa, é perder a família o corpo o coração e a razão). E mesmo que o sistema de protecção social preveja redes de segurança, esses rendimentos de substituição não permitirão manter o mesmo nível de vida. Além de que não são eternos.

    Os tão apregoados “brandos costumes” dos portugueses não se manterão, decerto, ao chegar mais exclusão social, e, até, a fome. Ora já estão reunidas todas as condições para que, mais dia, menos dia, tal momento aconteça. Seria bom, pois, que os responsáveis políticos não ignorassem, nas suas decisões, que, quem não tem já nada a perder, pode levar à perdição toda a sociedade.

    Vivemos numa sociedade que é essencialmente consumista, que transferiu os seus valores de ideais para objectos, para o imediato, para o virtual. E não é fácil – mas é necessário – voltar atrás, à vida honesta (viver de acordo com as nossas possibilidades), ao respeito pelos outros (não lucrando gananciosamente à custa dos nossos semelhantes), à justiça (na distribuição dos rendimentos, na sua taxação e nos sacrifícios que são pedidos pelo Estado).

    É puramente ilusório acreditar que alguém nos virá tirar do atoleiro em que estamos. Mais realista, de resto, será pensar que muitos dos nossos parceiros, na União Europeia e fora dela, anseiam pela continuação da crise portuguesa (e de outros países) com o que vão ganhando fortunas. Sublinhe-se, no transe, que entre os “remédios” que os nossos “amigos” da “troika” nos impuseram tão generosamente está a alienação (/saldo dos nossos melhores recursos e) do capital das nossas maiores empresas públicas, com o que, no final, nos deixarão como servos de gleba do século XXI.

    A saída da crise é dificílima, ninguém o ignora.

(-por António Vilar)


Publicado por Xa2 às 08:01 de 11.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Contra-ofensiva para resgatar Democracia confiscada pela finança
 
O então capitão Varela Gomes, que chefiou, em 1961, o assalto ao quartel de Beja, durante o qual foi gravemente ferido, diria mais tarde no seu julgamento que Salazar “continuava no poder a profissão do pai: feitor dos ricos”. Não pude deixar de me lembrar desta expressão quando Warren Buffet veio dizer que não queria continuar a ser mimado com o excesso de isenções fiscais que beneficiam os mais ricos e pediu para fazerem o favor de lhe aumentarem os seus impostos, no que foi seguido por cerca de trinta dos detentores das maiores fortunas de França. Não para que, ao contrário do que parece ter entendido o nosso governo, se sobrecarregassem aqueles que já estão com a corda ao pescoço, mas sim os mais ricos, sistematicamente protegidos, aqui e em outros países ocidentais, por opção ideológica dos respectivos governos.

 

Também não se trata, da parte de Buffet e dos seus confrades franceses, apenas de um sobressalto cívico, mas sobretudo do receio de que o empobrecimento geral possa ter consequências económicas, políticas e sociais que não os deixarão impunes. Claro que não estamos perante a luta de classes virada do avesso. O americano reconheceu, sem complexos, que há uma luta de classes que eles, os mais ricos, estão a liderar e a ganhar. Graças à subserviência com que os “feitores” instalados nos governos, alguns dos quais oriundos da esquerda, têm gerido, nesta era de globalização desregulada, a causa do capitalismo financeiro. Com o senão de ainda não terem compreendido as causas da crise e estarem a repetir as receitas que estiveram na sua origem. Eis o que preocupa Buffet e alguns ricos que vêm mais longe do que os “feitores”. Não entre nós, onde parece que alguns dos mais ricos, coitadinhos, são trabalhadores assalariados. Ao ouvi-los fica-se na dúvida se um dia destes não irão inscrever-se no Rendimento Social de Inserção.

Seja como for, a posição tomada pelo terceiro homem mais rico dos Estados Unidos é, objectivamente, a acusação mais humilhante até agora feita aos governos das nossas democracias. Constitui o reconhecimento de que os governos actuais estão capturados pelo grande capital. O que significa que a democracia está confiscada pelo capitalismo financeiro triunfante. A democracia e a soberania. Porque não vale a pena ter ilusões.
Quando se afirma que é preciso mais Europa é preciso saber o que isso quer dizer. Não pode ser, com certeza, mais Alemanha e mais França, ou seja mais Merkel e mais Sarkozi – em quem nós não votámos - e menos Portugal, menos Espanha, menos Grécia, menos Irlanda, menos Itália. Ou por outras palavras: menos Europa e menos democracia.
Nunca houve tanta desigualdade na Europa, entre os Estados e dentro de cada país. E se o caminho fosse o do federalismo, lembro que não há, neste momento, nenhum mecanismo institucional capaz de assegurar, à semelhança do que acontece nos EUA, a igualdade entre os Estados, como o Senado, cuja composição é paritária, independentemente do peso demográfico de cada Estado. Lembro também que nos actuais tratados da EU está consagrado o princípio da igualdade soberana entre Estados, cada vez mais letra morta.
Convém ser lúcido. Estamos numa nova era. Depois de se ter lutado para libertar o nosso país de uma ditadura política, trata-se de compreender que hoje, o objectivo essencial, em Portugal e na Europa, é libertar a democracia da ditadura do capitalismo financeiro e também do cada vez mais ostensivo Directório europeu. O que implica, da parte dos partidos socialistas, uma nova visão, uma nova estratégia e uma nova radicalidade democrática. Há muitos anos que não era tão grande a responsabilidade do PS. Até os mais ricos perceberam que a austeridade provoca recessão, que por esta via a economia não cresce, os países empobrecem, as desigualdades aumentam, o desemprego dispara e chega a um momento em que os pobres, os trabalhadores e a classe média já não têm mais nada que possa ser cortado. É então que o inesperado pode acontecer.

Perante o excesso de zelo do actual governo, o seu ataque sem paralelo às funções sociais do Estado, a venda ao desbarato de bens públicos, a sobrecarga de impostos sobre trabalhadores e classe média e a rendição do primeiro ministro à Sr.ª Merkel, os socialistas não podem pactuar com políticas e cumplicidades que estão a subverter o projecto europeu e a colocar em risco a coesão nacional.
Exige-se-lhes de novo uma grande intransigência ética. A mesma intransigência e o mesmo idealismo daqueles que há cerca de dois séculos e meio fundaram o movimento socialista. Como escreveu Octávio Paz, prémio Nobel da Literatura, “faliu a resposta histórica à pergunta formulada pelos primeiros socialistas sobre a injustiça inerente ao capitalismo, mas a pergunta permanece.” Até porque nunca, como agora, foi tão poderoso e tão injusto o poder do Capital consubstanciado nesta nova forma de ditadura, a ditadura dos mercados. Recordo um verso de Sophia: “Os ricos nunca perdem a jogada”. É disso que se trata. Os mais lúcidos dos mais ricos não querem perder a jogada e sabem que o excesso de zelo dos seus ideólogos e “feitores” pode provocar um desastre de consequências incalculáveis.

Apetece ouvir de novo a voz do grande Presidente F.D.Roosevelt quando, no célebre discurso do Madison Square Garden, em 1936, ripostou e passou à ofensiva contra o poder organizado do grande dinheiro: “Porque eu tenho um mandato popular.” Eis a questão: ser ou não ser fiel ao mandato popular. E eis o grande combate político deste novo ciclo: resgatar a democracia e restitui-la aos cidadãos.
   (-por Manuel Alegre, 7.9.2011)


Publicado por Xa2 às 01:07 de 09.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Ludibrio e batalhas

MINEIROS  CHILENOS -  voltar  à  realidade !

    Os mineiros chilenos que sobreviveram 69 dias bloqueados numa mina no Chile no ano passado vão processar o Estado chileno por negligência. Motivo? As condições de segurança na mina não foram controladas antes do acidente que os deixou no fundo da mina tanto tempo!
    O advogado dos mineiros exige do estado uma indemnização de 540 mil dólares para cada um dos trabalhadores. Exigem igualmente reformas antecipadas.
    Depois de estrelas mediáticas os mineiros só agora é que reagiram ! Acusam o serviço de minas de não ter inspeccionado as condições de segurança na mina de São José! Ora, foi pena não terem reagido há mais tempo, pois na altura logo se denunciaram as condições de insegurança nas minas que pertencem a grupos económicos nacionais e internacionais com grande influencia no poder político!
Deixaram-se ludibriar pelas promessas do Governo e pela fama! Agora vão ter que travar a verdadeira batalha que na altura adiaram!
 


Publicado por Xa2 às 08:08 de 21.07.11 | link do post | comentar |

Nossos vizinhos e primos do sul.

 Entre "muita" maquilhagem e a "revolução tranquila"
«Dois líderes derrubados, um hospitalizado no estrangeiro, outro sob as bombas da NATO.

Mohammed VI sabe que não pode ficar indiferente às ondas de choque da Primavera Árabe, que começou na Tunísia mas chegou já ao Iémen. Também em Marrocos há quem proteste contra o poder abusivo e exija mais liberdade, uma coragem que vem dos tempos de Hassan II. Por isso, o rei propõe uma nova Constituição que aproxima o seu país das monarquias parlamentares ao estilo da Europa. Cumpre mais uma parte das promessas que fez em 1999, quando subiu ao trono. Mas mesmo assim o texto a ser referendado a 1 de Julho não corresponde ainda à ideia de que um monarca "reina mas não governa", como acontece em Espanha, só para falar do outro vizinho.
      Sim, porque Marrocos é o nosso vizinho do Sul. Rabat só não fica mais próximo de Lisboa do que Madrid por uma unha negra. A unir-nos estão mais de mil anos de história, desde quando Tariq atravessou o estreito de Gibraltar e trouxe o islão até esse século XVIII em que, transportando toda a gente de Mazagão para o Brasil, Portugal desistiu do seu sonho de conquista das terras marroquinas pelo qual viu morrer D. Sebastião. Também nos liga o presente, seja porque nesse país do Magrebe passa o gasoduto que traz a energia para os fogões das nossas casas, seja porque uma grave crise poderia tornar o Algarve uma espécie de Lampedusa. Não é a rota mais lógica, mas os ventos e as marés já trouxeram barcos de ilegais às nossas costas.
 
      Mohammed VI aceita perder o seu carácter "sagrado", passando a ser apenas "inviolável". O primeiro-ministro poderá escolher os ministros, mesmo que o rei continue a presidir às reuniões do Governo. No preâmbulo, a Constituição de Marrocos salientará, além do carácter árabe, os contributos hebraicos, andaluzes e africanos para a sua identidade, nota o El País. E a língua berbere, falada no Rif e no Atlas, tornar-se-á oficial. O islão mantém-se religião de Estado, mas é reconhecida a liberdade de culto, ainda que não a de consciência, que legalizaria conversões de muçulmanos e daria argumentos aos islamitas, alguns deles - minoritários - adeptos do terror, como se viu em Maraquexe. 
     Herdeiro de uma dinastia com 400 anos mesmo que o país só se tenha libertado do jugo francês em 1956, Mohammed VI possui uma legitimidade que não se compara às de Ben Ali, Mubarak, Ali Saleh ou Kadhafi, só para falar dos quatro dirigentes árabes mais afectados pela Primavera Árabe. Descendente do profeta, é também Comendador dos Crentes. Por isso pode arriscar aquilo que o Le Monde chama "Revolução Tranquila", outros de mera "mudança de roupa e muita maquilhagem", como é o caso do intelectual Ahmed Benseddik, adepto das manifestações convocadas via Facebook.
     Por trás das palavras da nova Constituição, um pormenor prometedor: todos os partidos vão poder usar tempo de antena. Até o Via Democrática, marxista, que defende a república e a autodeterminação do Sara Ocidental, dois tabus em Marrocos.» [DN, Leonídeo Paulo Ferreira].



Publicado por Xa2 às 13:07 de 21.06.11 | link do post | comentar |

Revolta e esperança

por Daniel Oliveira ]

    A crise económica provocou um movimento de revolta nos países árabes. Não se tratou, como alguns românticos gostam de pensar, de uma revolta espontânea. As revoltas que vencem nunca são. No Egito, teve uma direção política que a preparava há pelo menos três anos. No caso, jovens educados e apostados num movimento assumidamente não-violento.

    Contaram com o descontentamento que resultou da situação económica? Sim.

    Com o facto de, vivendo numa ditadura, não haver outra forma de protesto? Claro.

    De, com um desemprego galopante e a ausência de Estado Social, os egípcios não terem nada a perder? Provavelmente.

Mas contaram, antes de mais, com a única coisa que constrói movimentos em tempos de crise: a esperança, essa palavra maldita para os cínicos. Não tinham um programa, mas tinham um objetivo possível: o fim da ditadura. E um inimigo claro: Mubarak. A revolta só constrói alguma coisa quando sabe contra quem e para onde vai. Os egípcios não estavam desesperados. Eles acreditaram que podia ser diferente.

   

    E essa, entre tantas outras, é a diferença entre o que se passa nos países árabes e na Europa.

    Somos mais ricos e temos mais a perder, é verdade. Mas é mais do que isso: estamos desesperados. Não sabemos quem é o inimigo ou então ele é demasiado etéreo para cair. E não acreditamos que pode ser diferente. A revolta que se sente nas conversas públicas e privadas não se vai transformar num movimento coletivo porque lhe falta um horizonte e um adversário com rosto.

    Quem julga que este será um momento cheio de enormes lutas sociais e de oportunidades para a esquerda se afirmar engana-se. Sim, haverá uma minoria mais politizada que irá à luta. Mas para a grande maioria o desespero traduz-se em medo. Medo da crise, de perder o emprego, das taxas de juro, da dívida, da instabilidade, de tudo. Não é por acaso que o discurso do poder sobre a crise aposta no medo. Porque resulta.

 

A radicalização, nestes períodos, não é apenas ineficaz. Ela alimenta o medo que devia combater. Mas, acima de tudo, ela isola os que querem dirigir uma oposição que não aposte apenas na alternância. É o populismo autoritário de quem promete 'pôr o país na ordem' que conquista apoios nestes momentos. É a situação e não a oposição que ganha nestas alturas.

     Nada a fazer? Pelo contrário. Há uma forma de vencer o desespero: dar esperança. E para isso é preciso que as pessoas acreditem que há alternativas e que elas podem vencer. Ninguém se arrisca a troco de coisa nenhuma. Duas condições para que isso seja possível: credibilidade no que se propõe e uma ação política que se dirija a uma base social maioritária. Programa exequível e alianças alargadas. Exatamente o oposto da radicalização.

 

    Não, não estou a falar de flores. Estou a falar do Bloco de Esquerda, do PCP e dos muitos eleitores e militantes do PS que ainda acreditam que o poder pode ser mais do que gestor da desgraça. Estou a falar dos sindicatos, dos movimentos sociais, de quem tem espaço na comunicação social. Na radicalização podemos sentir-nos mais fortes, mas é uma ilusão. Porque ninguém acredita que podemos vencer, fica a faltar a esperança. E, sem ela, o medo acaba sempre por levar a melhor.

            Texto publicado na edição do Expresso de 19 de fevereiro de 2011



Publicado por Xa2 às 08:07 de 25.02.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Viva o povo tunisino

TUNÍSIA: jovem imola-se pelo fogo e derruba ditadura

    No dia 17 de Dezembro, em Sidi Bouzid, localidade tunisina, Mohamed Bouazizi, de 26 anos, com curso superior de informática, no desemprego, ia subsistindo como vendedor ambulante de fruta e hortaliça, quando mais uma vez a polícia o proibiu de vender na rua, única forma que lhe restava de subsistência da família. Revoltado, Mohamed Bouazizi foi comprar gasolina e imolou-se pelo fogo, em frente da câmara municipal.
    Em 14 de Janeiro, menos de um mês depois, o ditador Ben Ali, que há 23 anos governava o país, teve de fugir para a Arábia Saudita, derrubado pela onda de revolta que por todo o país alastrou resistindo à repressão que causou 66 mortos (dados de organizações dos direitos humanos.)
    O acto de desespero de Mohamed Bouazizi foi a centelha que incendiou o mar de descontentamento, humilhação, desemprego e pobreza da população tunisina revoltada com a corrupção e o enriquecimento faustoso do ditador e seus apaniguados.
    O ditador prometeu tudo. Não se “recandidatar”, dar liberdade de expressão, diminuir os preços da alimentação. Tarde demais. As manifestações principalmente de estudantes e comerciantes não paravam e receando os excessos na repressão (e a justiça internacional) o chefe do Exército suspendeu-a contra as ordens do ditador.
    Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egipto, como aliás os restantes países árabes vivem sob ditaduras toleradas quando não apadrinhadas pela Europa. Só quando os ditadores não são “os nossos ditadores”, e atacam os “nossos” interesses, é que a democrática Europa se agonia com as ofensas à liberdade.
    Estes ditadores corruptos e a minoria privilegiada que os apoia, saqueiam e condenam à miséria e atraso os seus povos. A democrática União Europeia, a França, a Alemanha, a Suiça, a Itália e outros, recebem, escondem e aplicam as fabulosas fortunas roubadas por estes ditadores e ao apoiarem-nos são um factor decisivo contra a  democratização dos seus países.
    E não serve de desculpa o perigo de serem substituídas por ditaduras fundamentalistas piores. O fundamentalismo é alimentado pela miséria, pela consciência das injustiças sociais e do conúbio do Ocidente com estes regimes corruptos e despóticos em troca do saque das riquezas nacionais. Na Tunísia o movimento islâmico fundamentalista, proibido, Nahda (Renascimento) não teve nenhum papel nesta revolta popular.
    Obama saudou o derrube do ditador. Os líderes europeus seguem-lhe o exemplo timidamente. A queda do ditador, por enquanto é só isso e para dar lugar a uma revolução democrática a movimentação popular tem de continuar e desmantelar o aparelho que suportava o regime.
      Dois dados muito interessantes da “revolução” tunisina:
1º: O papel das novas tecnologias, telemóvel, internet, canais estrangeiros de televisão não censurados, nomeadamente da Al Jazira permitiram a comunicação e a coordenação das manifestações à escala nacional.
2º: o surgimento de manifestações de apoio por todo o norte de África onde o Egipto poderá estar na calha para seguir o exemplo da Tunísia.
__________________
Tunísia:  163.610 Km2. Cerca de 10,6 milhões hab. Pib/capita USA $9,500 (2010 est.) Link ; link .

 # posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra 



Publicado por Xa2 às 07:07 de 18.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

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