PORTUGAL, UM PAÍS INSTITUCIONALIZADO

Já são mais de 300 mil pessoas a passar fome em Portugal e parece que o governo de Passos Coelho, Relvas, Gaspar e Paulo Portas só se preocupam com o regresso do país aos mercados.

Mercados, mercados, mercados. Até enjoa tanta preocupação com o deficit e com a divida.

Cmo já alguem sugeriu, não deveriam, tais políticos, assumir que se deveria suspender o financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais?

Cada agrupamento político deveria só e apenas deitar mão de recursos próprios e de (eventuais e transparentes) donativos.

A verdade é que muitas famílias, dado o facto de ambos os cônjuges estarem desempregados e não entrar qualquer rendimento nas respectivas casas, não conseguem ter uma alimentação, minimamente, adequada. Até porque a os contornos e o âmbito da pobreza tem mudado, como se demonstra pelo número e natureza de atuação das instituições caritativas.

O "Direito à Alimentação" promovido por Cavaco Silva é feito distribuindo as sobras de restaurantes por 4500 instituições de solidariedade e assim matar a fome às famílias carenciadas. Um claro e quase “ordinário” eufemismo de considerar a distribuição de sobras como resolver o "direito à alimentação" por várias formas e sucessivos desgovernos e esbulhos políticos roubado. A institucionalização da sociedade portuguesa!

A chamada classe media, sustentáculo de uma qualquer sociedade, minimamente, desenvolvida, tem sido, paulatina e sucessivamente, destruída. Seja desativando-a da atividade profissional criativa, seja esbulhando-a dos recursos por si amealhados, tanto das pensões como do fundo de desemprego. Esbulho continuadamente arrastado para equilibrar orçamentos de esbanjamento político partidário em obras e subvenções nunca explicadas.

Receio que a situação socioeconómica, deste enorme exército de famintos, se torne num ciclo vicioso entre necessitados e benfeitores da pobreza. Nunca em tempo algum surgiram tantas (ditas) instituições de solidariedade e ninguém se dá conta da profunda hipocrisia social deste ciclo.

 Três instituições que da rua tiram a ideia de que a vida está mais complicada são a Legião da Boa Vontade, a Comunidade Vida e Paz (CVP) e a AMI. "Já não são só os sem-abrigo a procurar carrinhas de distribuição de comida", diz Heloísa Teixeira, da Legião. "A cara da pobreza mudou", reforça Elisabete Cardoso, da CVP. Já a AMI, nos primeiros seis meses deste ano ajudou tantas pessoas como em 2005. "Recebemos pedidos de ajuda de pessoas sem dinheiro para comer, para medicamentos, renda, água ou uma botija de gás para cozinhar", diz Ana Martins.

Parece que ninguém quer, não se vê com o mínimo de organização, atacar as raízes do problema. Desenvolver uma verdadeira e “radical” contestação à forma como a sociedade está organizada, como produz a riqueza e como a distribui. É urgente gerir melhor o “condomínio” global que a todos pertence, embora só alguns se apropriem dele.



Publicado por Zé Pessoa às 12:55 de 21.01.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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