Admin. Pública: continuar a melhorar e a defender a res pública

Governo aprova novo regime para substituir a requalificação

  O Governo considera que a 'requalificação  "falhou em todos os aspetos", além de implicar uma redução remuneratória e uma redução de direitos.

O Conselho de Ministros aprovou o regime de valorização profissional dos trabalhadores em funções públicas que respeita a carreira, a categoria e a área de origem do trabalhador e mantém o nível remuneratório, revogando o regime da requalificação.

Na conferência de imprensa do Conselho de Ministros desta quinta-feira a secretária de Estado da Administração e do Emprego Público, Carolina Ferra, apresentou este novo regime, que revoga o aprovado pelo anterior Governo da 'requalificação' (/'mobilidade especial') da administração pública, justificando que este "falhou em todos os aspetos, além de que implicava uma redução remuneratória, uma redução de direitos e, no limite, a cessação de contratos de trabalho".

"Vamos ao encontro das necessidades da Administração Pública, promovendo uma mobilidade mais ágil, respeitando direitos dos trabalhadores porque não há redução absoluta e é respeitada a carreira e a categoria das pessoas", explicou.

O regime de valorização profissional dos trabalhadores em funções públicas mantém a categoria, posição e nível remuneratórios detidos no serviço de origem, durante um período máximo de três meses, respeitando assim os direitos dos trabalhadores.

"Ao contrário do regime da requalificação, há uma efetiva valorização profissional através de formação profissional", enfatizou a governante, sublinhando a "preocupação em acautelar a situação do trabalhador".

Este processo, segundo Carolina Ferra, chega a este ponto "fruto de um processo negocial" com sindicatos e estruturas representativas dos trabalhadores, esclarecendo que "o regime é para futuro" uma vez que "este Governo não conta ter quaisquer processos de reestruturação".

"Agora é preciso ter regras para quando isso acontecer. É um regime que tem origem em processos de reestruturação e racionalização", explicou.

Segundo a secretária de Estado da tutela "a Administração Pública é dinâmica e ir ao encontro das funções do Estado é dinâmico".

"É um estatuto mais claro, mais transparente, mais previsível, com maior segurança jurídica e com isso também valoriza os recursos que temos na Administração Pública", sustenta.

-------   A Greve       (- C.B. Oliveira, Crónicas do rochedo, 18/11/2016)

    Os funcionários públicos estão hoje em greve. Têm muitas razões para estar descontentes.

   As carreiras estão praticamente congeladas há mais de 10 anos, a transparência dos concursos continua a deixar muito a desejar, os salários estiveram sempre a diminuir desde 2010, há desigualdades salariais dentro das mesmas categorias, os horários de trabalho são diferenciados e foram, durante quatro anos, os 'bombos da festa' sempre que se falava em reduzir a despesa.
    Há no entanto uma grande diferença entre a justeza de uma greve e a sua oportunidade. E não me parece oportuno marcar uma greve poucas semanas depois de os funcionários públicos terem recuperado os salários que o governo anterior lhes tinha extorquido. (...)

--------

--Zé T.:  .Faltam os pormenores sobre o novo regime... mas é um 1º passo para valorizar a Adm. Pública e os servidores do Estado.
. Falta descongelar carreiras, categorias e remunerações (muito desactualizadas);
. Falta simplificar e melhorar o SIADAP (sistema de avaliação...) e instrumentos de controlo da Admin.Pública, como os QUAR, ...
. Falta reapreciar o sistema e a coordenação (e eventuais sobreposições ou lacunas) dos/ entre os organismos Públicos (DGs, serviços, divisões; institutos, agências, fundações, ... empresas púb., do Estado, regiões e municípios).
... falta muito...  oxalá se mantenha a conjugação de objectivos e práticas para fortalecer o estado social, com efetiva capacidade de regulação e defesa dos interesses estratégicos da res pública.---



Publicado por Xa2 às 20:05 de 24.11.16 | link do post | comentar |

Eu, "funcionári* públic*", um dia ... faço Greve !!

( Eu, funcionári* públic* " )    um  dia ...   faço  Greve  !!

 porque :

 

. Um dia decidem que apenas alguns podem ter desempenho de excelência.   -  Implementação do SIADAP - Lei nº 66-B/2007, de 28 de Dezembro

 

. Um dia tiram-me o vínculo à Função Pública. -  Alteração unilateral do vínculo - Lei nº 12-A/2008

  

. Um dia obrigam-me a estagnar na carreira depois de me aliciarem a fazer um estágio de 2 anos para progredir -  Suspensão dos procedimentos concursais e das mudanças de nível pendentes - Despacho do MF nº 15248-A/2010, de 7/10/2010

 

. Um dia decidem pagar-me menos pelo mesmo trabalho -  Redução salarial - Artº 19º da Lei Nº 55-A/2010, de 31-12 (Lei do OE 2011)

  

. Um dia supero todos os objectivos e apenas vou ganhar umas palmadinhas nas costas. -  Proibição das valorizações remuneratórias, designadamente das alterações de posicionamento remuneratório resultantes de progressões e promoções  - Artº 24º da Lei nº 55-A/2010, de 31-12 (Lei do OE 2011)

 

. Um dia vou ser solidário à força. -  Contribuição extraordinária de solidariedade - Artº 162º da Lei nº 55-A/2010, de 31-12 (Lei do OE 2011)

  

. Um dia fico sem subsídio de férias. -  Corte dos subsídios de férias e de Natal  -  Artº 21º e 25º da Lei Nº 64-B/2011, de 30/12 (Lei do OE 2012)

  

. Um dia obrigam-me a descontar durante 40 anos de trabalho para receber menos 30% do que já recebia antes. -   Alteração do cálculo da pensão de aposentação -  Artº 80º da Lei nº 66-B/2012, de 31-12 (Lei do OE 2013)

  ...

  . Um dia  o/a  chefe "não vai com a minha cara" e manda-me para a «mobilidade especial / requalificação», ...  i.e. para o desemprego. 

...

Por isto  e muito mais ... HOJE  É  O  DIA .  FAÇO  GREVE  GERAL . 

( recebido por e-mail )



Publicado por Xa2 às 07:41 de 27.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

SIADAP e Administração Pública

A Frente Sindical da Administração Pública (Fesap) exige que a suspensão do Sistema de Avaliação de Desempenho (SIADAP) “deve abranger todos os trabalhadores” da administração pública e não apenas os professores.

- por Denise Fernandes, 28.3.2011

"Não aceitamos que haja um tratamento discriminatório entre os trabalhadores da administração pública", disse ao Económico o dirigente da Fesap, Nobre dos Santos. O dirigente sindical garante ainda que irá abordar o tema na reunião agendada para quarta-feira com o secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos.

Recorde-se que o SIADAP dos professores foi chumbado sexta-feira na Assembleia da República pelos partidos da oposição.

Dada as "especificidades do ensino", o sindicato "nunca levantou quaisquer problemas no que diz respeito ao facto de o sistema de avaliação dos professores resultar num certo favorecimento destes em comparação com os demais trabalhadores". Porém, a Fesap diz que "quando se coloca em causa o próprio sistema", a Fesap considera que a suspensão do SIADAP "terá de ser estendida a todos, sob pena de que o princípio de igualdade seja completamente subvertido".

----------------------

- A.Silva: 

O SIADAP e a avaliação de desempenho da função pública é uma palhaçada.
... Para além dos cheques e dos prémios de mérito atribuídos aos amigos, esta ''avaliação'' não serve para nada. Nos serviços onde nunca foi imposta, a qualidade não piorou, e nos serviços onde foi imposta a qualidade não melhorou, antes pelo contrário, pioraram as relações entre os "premiados" (são sempre os mesmos) e os outros que de facto trabalham.

- Gilberto :

Estou atónito????? o Nobre diz isso???? Não acredito???? Não é possivel um acólito do PS conjuntamente com aquele que assobia quando fala !! Sim aquele que é secretário geral da UGT , sim esse!!!!   venderam os trabalhadores e assinaram tudo o que era nefasto ao governo e patronato, conquistas pós 25 de abril , após muitas greves, muitas lutas, perdidas na secretaria á conta desses srs, ...

- honni soit qui mal y pense:
Acabar com o SIADAP das fichas maradas, quotas absurdas, e que destruiu toda a convivência entre colegas e chefes...
não há que dar quotas ou notas ... o País como está não precisa de tretas destas ... 
- Zé T.:
 esta falsa 'meritocrática e moderna' avaliação altamente autocrática e excessivamente burocratizada, juntamente com as leis da ''mobilidade especial'', da alteração do estatuto de 'funcionário público', das carreiras e o 'contorno' dos concursos públicos para 'entrar por cima' toda a 'boyada' familiares e paraquedistas ... deram cabo da Administração Pública, fizeram disparar os custos com 'outsourcings', afastaram os técnicos experientes e obrigaram à sua saída/reforma antecipada, ...
- Zé Santos:
O SIADAP deu "massa" a muita gente, muito consultor, muita formação (pseudo)profissional; deu também razão de ser a muito "chefe" pois de contrário nada tinham para fazer.
Para uma avaliação isenta e eficaz, apostem na simplicidade, não na opacidade.
K.I.S.S. (keep it simple stupid) é o lema.


Publicado por Xa2 às 08:08 de 30.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Prémios de funcionários públicos sob suspeita

Finanças vão inspeccionar fundamentação para promoções e mudança de nível remuneratório.

A atribuição de prémios de desempenho e as alterações de posicionamento remuneratório na Função Pública vão estar na mira da IGF. Tudo porque há casos em que a fundamentação para estas promoções terá sido insuficiente.

O Governo vai indicar à Inspecção-Geral de Finanças (IGF) que monitorize a atribuição de prémios de desempenho aos funcionários públicos com avaliações mais elevadas. Na mira da IGF, ao longo de 2010, vão também estar as opções gestionárias dos dirigentes dos serviços que, com a entrada em vigor da lei dos vínculos, carreiras e remunerações (Lei n.º 12-A), passaram a poder promover alterações do posicionamento remuneratório dos seus trabalhadores.

"Têm-nos chegado eco de algumas, poucas, situações em que a decisão parece insuficientemente fundamentada", precisou o secretário de Estado da Administração Pública, acrescentando ter sido indicado à IGF que verifique esses casos. Falando na abertura do 7.º Congresso do Instituto Nacional de Administração (INA), Gonçalo Castilho dos Santos lembrou que a maior flexibilização e poder de decisão de que gozam os dirigentes dos serviços desde há um ano e meio deve ser acompanhada de deveres acrescidos de fundamentação e transparência.

Gonçalo Castilho sublinhou que estas auditorias da IGF terão consequências, caso se prove que há efectiva falta de fundamentação e justificação para a atribuição de prémio ou alteração de posição remuneratória, mas recusou adiantar qual poderá ser essa consequência. "Cada caso é um caso", rematou.

Mas os dirigentes sindicais duvidam de que estas auditorias possam vir a ter algum resultado prático. "Tal como está, a lei permite o favorecimento de uns em detrimento de outros e este risco só se elimina mudando a lei e não a fazer auditorias", referiu ao JN a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila.

Já José Abraão, da Fesap, considerou que, à luz da legislação em vigor, o resultado das auditorias da IGF poderá ficar por se exigir uma correcção e melhor fundamentação da decisão.

Além das opções gestionárias e da atribuição de prémios de desempenho, em 2010, a IGF irá também monitorizar o recurso à prestação de serviços e a empresas de trabalho temporário. Esta orientação, explicou o secretário de Estado, insere-se na estratégia de combate à precariedade. A lei prevê para as situações que traduzem necessidade permanente dos serviços de recorrer a este tipo de soluções a substituição por abertura de procedimentos concursais.

Gonçalo Castilho anunciou ainda a intenção do Governo em "democratizar" a formação profissional, levando-a a todos os funcionários públicos e comprometeu-se a avançar já em 2010 com experiências-piloto, em colaboração com o INA. O programa que pretende delinear visa alargar a toda a função pública a formação que agora se destina preferencialmente a dirigentes e quadros técnicos. Não foram adiantados pormenores sobre de que forma irá esta formação ser custeada, ainda que o secretário de Estado tenha referido que o Estado tem obrigação de financiar a formação dos seus colaboradores.

Outra das matérias que deverá conhecer desenvolvimentos dentro de pouco tempo é a uniformização de critérios a ter em conta na ponderação curricular. Esta ponderação é a solução para as pessoas que não puderem ser avaliadas no âmbito do SIADAP e Gonçalo Castilho conta enviar proximamente aos sindicatos uma proposta de uniformização de critérios.

[Jornal de Notícias, Lucília Tiago]



Publicado por Xa2 às 12:26 de 13.11.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Mais do mesmo na Administração Fiscal

Um sector como a Administração Fiscal onde seria de esperar a estabilidade das regras e uma aposta total na sua eficiência tem sido sujeito a sucessivas reformas, adoptam-se reformas para iludir a má gestão. Isso explica que cada vez que sai um secretário de Estado se procure outro com estudos e doutoramentos na matéria como se alguém da Faculdade de Direito tivesse a poção para resolver os problemas.

A melhoria do sistema de cobrança de dívidas, resultado do empenho de meia dúzia de quadros e de muitos funcionários e chefes de finanças anónimos tem alimentado algumas mentiras, foram dados louvores a quem nada fez, promoveram-se incompetentes à sombra do trabalho alheio e propagou-se a mentira do sucesso no combate à evasão fiscal. Pior ainda, esta ilusão permitiu aos gangs que dominam a Administração Fiscal continuar a deter uma boa parte dos altos cargos do fisco.

Nos últimos anos pouco ou nada se fez pela modernização do fisco, nada se fez para combater a corrupção ou os esquemas de influências de gangs estabelecidos em escritórios de advocacia comandados por barões universitários, antigos assessores de Oliveira e Costa ou ex-secretários de Estado. O PRACE ou qualquer outra reestruturação passou ao lado, o SIMPLEX não chegou a domínios onde a actuação do fisco roça o vergonhoso (como o reembolso de impostos pagos indevidamente), o SIADAP apenas trouxe confusão, a reestruturação das carreiras está por concluir. Toda os dirigentes colocados na sequência do saneamento colectivo promovido por Manuela Ferreira Leite, uma boa parte deles incompetentes, foram mantidos, promovidos e até louvados, algumas das nomeações caíram que nem ginjas aos gangs estabelecidos.

Como é costume com a escolha de um novo secretário de Estado volta-se a falar de reformas, até porque os seus “altos estudos universitários” faz esperar que tenha a poção mágica que os seus antecessores, possuidores dos mesmos altos estudos não tiveram. Mas o problema do fisco não se situa nas leis mas sim numa organização arcaica que não as consegue aplicar com eficácia, disfarçando essa ineficácia com um aumento brutal da carga fiscal sobre a classe média e os mais pobres, os únicos que declaram tudo o que ganham, pagam as suas dívidas ao fisco e ainda assim são de vez em quando massacrados por vagas de multas que um qualquer funcionário mais zeloso decide cobrar.

O que a Administração Fiscal precisa é de melhorar a sua gestão, acabar com o poder de gangs que mandam mais nos serviços do que os ministros das Finanças, reestruturar um modelo orgânico ainda assente no municipalismo e em serviços geradores de burocracia, desmaterializar uma boa parte dessas burocracia e deslocar recursos para o combate à evasão fiscal.

Os últimos anos mostram como a modernização pode ter resultados perversos, seria de esperar que os investimentos na informatização desencadeassem um processo de ajustamento das estruturas e de mudança na gestão dos recursos humanos, mas sucedeu o inverso, serviu para muitas chefias que em nada contribuíram para o suposto sucesso do fisco pudessem consolidar o seu poder, impedindo qualquer mudança ficando à sombra da bananeira à custa do trabalho alheio.

Com a escolha de um novo secretário de Estado os corredores agitam-se, medem-se relações de poder, os gangs do fisco avaliam as relações que têm com o novo senhor. Mas os poderes ocultos da Administração Fiscal já ganharam uma primeira batalha, vindo dos corredores da Faculdade de Direito o novo secretário de Estado desconhece a máquina e apostará na estabilidade para não perigar resultados, isto é, tudo vai ficar na mesma. Só que um dia destes a mina da cobrança das dívidas velhas estará esgotada e nessa altura chegaremos à brilhante conclusão de que muito pouco se fez. Por enquanto estão com sorte, a crise está a disfarçar os maus resultados da máquina fiscal. [O Jumento]



Publicado por Xa2 às 14:39 de 28.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Eficácia

Num país sem recursos significativos e com grandes problemas estruturais graves seria de esperar uma aposte forte na eficácia. Infelizmente isso não sucede, ainda que nos últimos anos algo tenha sido feito nesse sentido na Administração Pública.

Somo ineficazes na forma como utilizamos a energia, no aproveitamento que fazemos dos recursos ambienteis, na forma como exploramos a terra ou os recursos do mar, enfim, somos ineficazes em quase tudo. Se algumas destas ineficácias resultam do atraso tecnológico, outras resultam da forma de estar dos portugueses, diria mesmo da falta de sentido de Nação de muitos portugueses.

Se os recursos são escassos resta-nos utilizá-los da forma mais eficiente possível, mas não é isso que fazemos. Temos um défice público que nos oprime há décadas mas é ver possível ver, mesmo a olho desarmado, dezenas de situação de esbanjamento dos impostos cobrados aos portugueses. Precisamos de promover o investimento e a criação de emprego mas a burocracia asfixia a vontade de investir, os investimentos protegidos pelo Estado andam sobre rodas, mas as iniciativas empresariais do comum dos portugueses esbarra numa burocracia corrupta e oportunista.

É verdade que muitas fontes de ineficácia só serão eliminadas com investimento, mas também é verdade que uma boa parte delas resulta de maus hábitos culturais, da preguiça de muitos, dos esquemas montados para obter ganhos ilegais ou legais, como muitas das pequenas taxas cobradas pelos serviços públicos, destinadas a pagar mordomias ou benesses corporativas.

O combate total à ineficácia deveria ser um dos grandes objectivos de qualquer governo que venha a sair das próximas eleições, um combate que elimine definitivamente muitos obstáculos artificiais ao desenvolvimento. [O Jumento]

 

(alguns comentários:)

...Concordo inteiramente com a necessidade de apostar na eficácia e já agora também na eficiência (i.e. eficácia com menores custos), a começar desde logo pela nossa nova governação, já que a actual pouco disso tem. Aliás, tem confundindo eficácia, com obstinação, teimosia e arrogância.

Quando diz que na Administração Pública algo tem sido feito nesse sentido, não concordo nada, pois os seus trabalhadores estão altamente desmotivados com toda a legislação da pseudo reforma que os faz "progredir" na carreira de 10 em 10 anos, com um sistema estúpido associado adjectivado de SIADAP, bem como a sua passagem à força de nomeados a simples contratados. Tudo isso e a perseguição que se faz a quem não concorda com estúpidas atitudes de chefias politizadas e incompetentes só tem contribuído para prejudicar o desempenho da Administração Pública. Por isso, apenas o profissionalismo desses trabalhadores tem contribuído para que a máquina ainda funcione com alguma eficácia e eficiência.

Veja o que se passa na sua casa profissional e na DGCI, a vergonha despudorada do governo com a atitude serôdia do "dividir para reinar". Um SIADAP estúpido e a quebra do vínculo laboral.

Augusta

...com as carreiras a começar para os técnicos superiores nos 1000 euros e acabar nos 1400 euros ao fim de 40 anos aumentando 100 euros de dez em dez anos de serviço e para os administrativos nos 500 euros acabando nos €700 aumentando 50 euros de 10 em 10 anos, no futuro só irão para a Administração Pública os broncos... a qualidade dos serviços públicos obviamente vai crescer imenso...

Atento

…acrescento 2 pontos:

1- A burocracia ainda continua a asfixiar a vontade de investir e a manter os pequenos negócios e micro-empresas que queiram fazer tudolegalmente.

 Com tanta regulamentação, com tantas entidades inspectoras e autoridades, com tantas licenças e autorizações, com tantos custos laterais/burocráticos... pouco resta para o essencial duma micro ou pequena empresa (seja comprar máquinas e matéria-prima, transformar, prestar serviços, comprar e vender...),

pelo que quem tiver pouco capital não se atreve a investi-lo ... e vai gastá-lo em coisas não essenciais, pois também já poucos se atrevem a aplicar dinheiro na bolsa, em acções e ladrões.

2- E que dizer da ''nova igualdade'' de estatuto atribuído às chefias das Finanças (agora também são funcionários públicos ou equiparadas, tal como os diplomatas, magistrados, polícias,...porque exercem «funções de soberania»...) separando-se das outras chefias e trabalhadores da Administração pública, que desde 1.1.2009 perderam o estatuto de funcionários públicos (passaram a contratados...).

Mais uma vez voltamos a comprovar não a eventual coerência ou justeza de uma medida política-governamental, mas sim, para melhor reinar, a divisão artificial de grupos profissionais e a cedência (eleitoralista?) a alguns lobbies...

- quanto a este assunto o que diz o caro Jumento?

Zé T.



Publicado por Xa2 às 08:32 de 26.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

E se o SIADAP fosse adoptado numa empresa privada?

Já que os autores do brilhante sistema de avaliação do desempenho dos funcionários públicos afirmam que o modelo adoptado transpõe para a Administração Pública seria interessante que a título de experiência fosse testado numa empresa privada.

Imaginemos que uma grande empresa privada, por exemplo, a PT adoptava o SIADAP tal como foi e está a ser implementado nos serviços do Estado. É evidente que a administração da empresa ficaria seriamente preocupada, não só a quota de bons funcionários seria reduzida exponencialmente fazendo perigar a motivação dos trabalhadores, como teriam que reforçar de forma significativa a burocracia interna só para implementar o modelo. Mas suponhamos que os administradores da PT estavam tão convencidos do seu sucesso como os criadores do sistema de avaliação do Estado e prosseguiam com a avaliação.

As perspectivas de resultados da PT baixariam brutalmente em termos financeiros e melhorariam exponencialmente em termos qualitativas, os lucros reduziriam mas esperar-se-ia uma melhoria substancial da eficácia e imagem da empresa. OS administradores determinariam que os directores estabelecessem metas, estes ordenariam aos chefes dos serviços que contemplasse essas metas e, por sua vez, os chefes dos serviços chamariam o electricista para contratualizar a meta.

Se no fim do ano os resultados fossem acima do esperando concluiriam que os dirigentes tinham estado acima das expectativas e receberiam um prémio, o electricista seria considerado bom (a quota do excelente tinha sido distribuída pelas secretárias dos administradores, principalmente das que têm belas pernas) e ficar-se-ia por uma palmadinha nas costas.

Se, pelo contrário, os resultados fossem negativos os dirigentes concluiriam que o seu trabalho (e o das secretárias, principalmente as que tivessem belas pernas) foi excelente, mas a culpa dos resultados negativos era do desgraçado do electricista. Nem mesmo os accionistas, que tinham escolhidos amigos e sobrinhos para cargos de direcção, iriam questionar tal solução.

Pois, isto seria impensável numa empresa privada onde ainda antes de se proceder à avaliação do electricista alguns dos administradores já teriam sido despedidos. Poderão dizer-me que não é bem assim e isso é verdade, o modelo cultural herdado da ex-URSS que impera na Administração Pública existe em muitas empresas, resultado de muitas terem sido empresas públicas ou nascido e crescido no tempo do antigo regime.

A verdade é que enquanto não for feita uma revolução cultural no Estado todas estas modernices, principalmente as falsas modernices, terão mais resultados perversos do que benéficos. Muitos dos nossos dirigentes da Administração Pública poderiam transitar directamente para a URSS dos planos quinquenais que ninguém sentiria a diferença. Tal como na URSS os planos quinquenais era sempre superados ao mesmo tempo que a economia se afundava, com uma boa parte das empresas a produzir lixo ou peças defeituosas, também por cá o SIADAP vai acabar pró se assemelhar mais aos modelos de planeamento e gestão de objectivos do tempo dos planos quinquenais soviéticos do que a um instrumento de gestão de uma empresa privada.

Não faz sentido gerir o Estado de cima para baixo como se fazia na URSS e de baixo para cima como se pensa que se faz numa empresa privada. Vamos ter um sistema híbrido, Até ao chefe de divisão tudo se faz como na URSS, até porque uma boa parte dos dirigentes são escolhidos segundo critérios político-tribais, enquanto de baixo para cima se aplica um SIADAP que vai acabar por ser mais um instrumento de repressão, funcionando como um chicote nas mãos de chefes incompetentes, do que como uma ferramenta de avaliação. [O Jumento]



Publicado por Xa2 às 21:09 de 29.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

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