REINVENTAR A DEMOCRACIA

José Gil, considerado pelo Nouvel Observateur como um dos 25 maiores e melhores pensadores mundiais do seu tempo, autor de varias publicações e livros de pensamento, dos quais se destaca “Portugal Hoje – O Medo de Existir”, deu recentemente uma grande entrevista ao DN, 10 de Março. Aí, o ensaísta, coloca o dedo nas várias feridas da nossa existência social e democrática (da quase não democracia) e da necessidade de «transformarmos o sistema político e reinventarmos o regime democrático».

Acrescenta, com a sua natural convicção e constatação, que, dos atuais partidos políticos, já pouco ou nada há que esperar. Vão continuar a ser mais do mesmo, uma vez que não deixam de estar aprisionados por grupos envolvidos por interesses nada recomendáveis.

Se o PCP não apresenta (não apresentou) mudanças e não foi capaz de realizar o “enxertar da liberdade a uma reinventada teoria social e política, numa nova organização económica necessária e na sequência do aparecimento da perestroika exigida, também, pela consequente queda do muro de Berlim, já dele não há que esperar inovações.

Por outro lado, o BE deixou que “o seu élan reformista e revolucionário” fosse engolido pelo sistema destruidor da democracia e dos valores que a fundamentam, mesmo no plano interno da sua estrutura, o que já vinha sucedendo, repetitivamente, nas tradicionais forças partidárias. Afundou-se na mesma teia.

No PSD já Cavaco Silva havia alertado, há muito tempo, para os existentes e infiltrados “barões sociais-democratas” aos quais, ele mesmo, por conveniências próprias, se deixou aprisionar. Foi acomodado e acomodou-se.

No PS desde que “o pai fundador” Mário Soares, por necessidade ou convicção ideológica, “meteu o socialismo na gaveta”, este nunca mais viu a luz do dia e terá, mesmo, sucumbido, por asfixia, até que ressurja das catacumbas.

Assim, nesta caminhada de caminhos desfeitos, deixámos que nos tirassem quase tudo:

Será que ainda haverá lugar para alguma réstia de esperança que nos permita reinventar a democracia e transformar o sistema político?

Creio que sim, se um Papa, no Vaticano, foi capaz de bater com a porta porque não acreditar ser possível a revolta dos povos?



Publicado por Zé Pessoa às 14:11 de 13.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Quem manda nas agências de 'rating'?

É accionista de referência da S&P e da Moody’s e tem participações de relevo em 36 países.

Capital Group é accionista de referência da Standard & Poor's.

É considerada a entidade mais poderosa do mundo a actuar nos mercados financeiros e talvez seja uma das mais discretas. A Capital Group é, através de uma das suas empresas, a Capital World Investors, a maior accionista da entidade que detém a agência de ‘rating' Standard & Poor's e tem uma participação de mais de 10% na Moody's. Além disto, através de fundos de investimento, a Capital World Investors detém ainda milhões em dívida soberana, onde se incluíam no final de 2010, pelo menos, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. Este valor pode ser superior, já que diz respeito apenas a dois fundos direccionados para o retalho de uma das cinco entidades do Capital Group.

A reputação do Capital Group é de discrição quase absoluta. Raramente aparece na imprensa e nem sequer faz publicidade aos seus produtos e serviços. Uma das poucas vezes que a entidade financeira deu que falar aos jornalistas foi quando um dos seus analistas criticou, em 2003, o presidente da Time Warner. Meses depois, este foi demitido. O mesmo analista do Capital Group voltou ao ataque, criticando em 2008 o presidente-executivo da Yahoo por este ter rejeitado uma OPA lançada pela Microsoft. O guião repetiu-se e, meses depois, o homem forte da tecnológica foi forçado a sair do comando.

A Bloomberg refere que a Capital Group opera com "luva de veludo" no controlo e influência das empresas onde está investida. Já o britânico "Independent" refere que a instituição "é quase patologicamente receosa dos media". Mas a sua influência é inversamente proporcional ao seu ‘modus operandi' recatado.

Um estudo publicado no ano passado por dois investigadores do Swiss Federal Institute of Technology concluiu que o Capital Group era a instituição financeira com maior poder nos mercados globais. A investigação incluiu 48 mercados, concluindo que o grupo é "uma accionista proeminente do controlo simultaneamente em vários países", concluem Glattfelder e Battiston. O ‘ranking' feito pelos investigadores pode ser encarado como "uma medida de controlo e de poder potencial (nomeadamente, a probabilidade de determinada entidade conseguir atingir os seus próprios interesses em oposição a outros actores). Dadas estas premissas, não podemos excluir que os maiores accionistas com vasto poder potencial global não exerçam esse poder".

Capital Group tem mais de 10% da Portugal Telecom

O montante canalizado para dívida nacional por dois dos veículos geridos pela Capital World Investors, o American Capital World Bond Fund e o American Funds Insurance - Global Bond Fund, ficava-se pelos 19,5 milhões de euros no final de 2010, aplicados em Obrigações do Tesouro que vencem em 2020, segundo a Bloomberg.

No entanto, os investimentos do Capital Group em Portugal não se ficam pela dívida. Uma outra empresa pertencente ao universo da sociedade de investimento mais influente do mundo, a Capital Research & Management, detém 10,09% da Portugal Telecom, posição avaliada em perto de 600 milhões de euros aos preços actuais da operadora liderada por Zeinal Bava transacciona em bolsa. É mesmo o maior accionista da operadora portuguesa.

Os fundos geridos pela Capital Research & Management construíram uma participação qualificada na PT, isto é, acima de 2%, a 12 de Agosto, já depois da empresa nacional ter decidido vender a posição que detinha na brasileira Vivo à Telefónica. No final desse mês, a Capital Research reforçou a posição 5,07% e a última posição conhecida era de 10,09%, podendo ser superior sem que tenha de ser comunicada.

Poder de fogo do Capital Group é igual ao do mega-fundo da UE

Em Maio, a União Europeia, em conjunto com o FMI, tentou impressionar o mercado, com a criação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira com um poder de fogo de 750 mil milhões de euros. Mas o arsenal financeiro do Capital Group não fica atrás do valor astronómico colocado à disposição por Bruxelas. As estimativas apontam que a sociedade financeira sediada na Califórnia tenha activos sob gestão superiores a um bilião de dólares (mais de 743 mil milhões de euros). O número é quase cinco vezes superior à riqueza produzida anualmente em Portugal.

Rui Barroso  Diário Económico 07/07/11



Publicado por Zé Pessoa às 09:20 de 11.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

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