O MEDO, A INCOERÊNCIA, A HIPOCRISIA OU UMA GERAÇÃO TARTARUGA?

 

 

As atuais circunstâncias económicas e sociais, associadas à evolução negativa do regime democrático e do sistema judicial levam a que uma grande parte da população viva em permanente amedrontamento. É frequente ouvirmos dizer que o medo se apoderou de muita gente.

Contudo, com o medo misturam-se a incoerência e a hipocrisia tornando-se difícil distinguir onde começa um sentimento e termina o outro ou quando uns e outros se misturam.

Dois casos concretos que ilustram tal confusão ou mistura desses sentimentos passaram comigo, também, nestes primeiros dais de janeiro e que me deixaram um misto de raiva e de vergonha para com os meus concidadãos, supostamente, gente lucida, conhecedora dos seus direitos e obrigações e conscientes do dito exercício de cidadania.

O primeiro caso teve a ver com um dos projetos aprovados no orçamento participativo recentemente laçado a debate pela Câmara Municipal de Lisboa e cujo projeto veio a ser agora apresentado na junta de freguesia respectiva, antes de ser levado à aprovação em reunião de câmara.

Dos mais de uma dúzia de vizinhos que abordei, informando-os de tal evento e da importância das suas participações dado que tal projeto mexe com o espaço urbano e de lazer onde todos habitamos, nenhum deles esteve presente apesar de todos estarem já reformados.

Considerando que tais pessoas a cada passo barafustam por tudo e por nada em relação aos serviços da junta, da câmara e do comportamento dos políticos só posso concluir ser gente hipócrita e mal formada. Tal gente não se poderá considerar de cidadã.

O segundo caso, um dia depois, aconteceu-me na estação fluvial da Transtejo, no Cais do Sodré.

Acercando-me das instalações sanitárias constato que as mesmas se encontram fechadas, com a indicação de fora de serviço. Vejo junto de uma porta, ligeiramente ao lado, alguém falando com um segurança. Dirijo-me, dando as boas tardes e pergunto se haveria mais algumas instalações disponíveis, tendo-me sido respondido não haver mais nenhuma consto que o senhor ali presente fazia idêntica pergunta e, segundo ele próprio afirmou, “reclamava” pelo fato das referidas instalações se encontrarem encerradas há várias semanas.

Perante tais factos disse ao senhor que, querendo reclamar, o deveria fazer por escrito de outro modo não passaria de uma mera lamúria. Perguntei onde poderia solicitar o livro de reclamações tendo-me sido indicado o gabinete de apoio ao cliente onde fiz, por escrito, a respectiva reclamação.

Para espanto meu o “cidadão?”, muito seguro e com plena frontalidade argumentativa perante o segurança, recusou-se a reclamar, em letra de forma, com o argumento de não querer registar a sua identificação.

Medo? Incoerência? Hipocrisia? Ou Será que nos tronamos uma geração tartaruga?

Socialmente, tornámo-nos repteis, usamos carapaça, deixamos a cauda de fora, alguns tragam os próprios filhos e somos carnívoros.

Seja lá o que for, nunca será com comportamentos como estes que se mudarão os comportamentos dos políticos que nos desgovernam. Bem dizem que “cada povo tem os políticos que merece”, não é verdade?

 



Publicado por DC às 13:54 de 08.01.13 | link do post | comentar |

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