Desgoverno PàF (psd-cds) ... querem + + ?? !!!
Governo alterou contas da Parvalorem (que gere os activos tóxicos do BPN) para aldrabar défice de 2012 
(Só da Parvalorem?   Só para aldrabar o défice de 2012?)
Maria Luis Albuquerque

 Martelo

    E  mentem  e  mentem  e mentem e mentem e mentem e mentem ...
Ela não disse para martelarem os números. Só ordenou que os revissem em baixa.          (-LNT  #BarbeariaSrLuis)

      Fraude nas contas?   Subida do desemprego?   Maioria absoluta logo à noite

A  GOLPADA      Quatro anos de truques e manigâncias.

      -----  Mestificações   e  Port. em Fanicos   (-J.Martins, 365forte)

... Em 2011, já sabemos o que aconteceu: Passos prometeu que no governo não ia aumentar impostos; prometeu que não ia mexer nos subsídios; que não ia privatizar “ao desbarato” para arranjar dinheiro; que não ia cortar nos subsídios. Ao mesmo tempo, criticou os governos “sem orientação estratégica”, “sem capacidade de vender um sonho ou uma esperança para o futuro do país”, e que em vez disso deveriam “servir para ajudar o cidadão na busca da felicidade a que temos todos direito”, assumindo que não iriam "sacrificar sempre os mais desprotegidos".

Em 2015, o líder da coligação PSD/CDS já afirmava que não ia oferecer “aos portugueses um caminho de promessas fáceis, de ilusões nem de facilidades”. Contudo, uns meses depois, já veio dizer que lhe "parece de justiça e de equilíbrio que aqueles que mais sofreram sejam aqueles que também possam beneficiar do arranque da nossa economia e do crescimento do nosso país", ou seja, os mais sacrificados nestes últimos anos.

       -----  Sondagens e manipulação do voto   (- por Sérgio Lavos, 365forte)

 Esta campanha para as legislativas está a ser um paradigma no que diz respeito à influência que a comunicação social tem na opinião pública e, consequentemente, no voto. Desde a habitual falta de espaço mediático concedido aos partidos mais pequenos (sobretudo os que ainda não têm representação parlamentar) ao extraordinário acaso que é vermos dois antigos presidentes do PSD a comentar a campanha na SIC e na TVI, ocupando o prime-time nos telejornais dos dois canais (Marques Mendes chega ao ponto de escarnecer da nossa inteligência, ao gabar-se da "independência que me é reconhecida"), tem acontecido de tudo um pouco, sem que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) se pronuncie. Aliás, a avaliar pelo silêncio do organismo que deveria fiscalizar o acto eleitoral, estes acontecimentos devem ser absolutamente normais, e estarão a guardar-se para vigiar as redes sociais no dia de reflexão, acredito.

E depois há o caso das sondagens. Temos de tudo, à escolha do freguês: amostras que rondam as 300 entrevistas válidas; sondagens nas quais apenas são sondados residentes do continente com telefone fixo; contagens de voto que não têm em conta a densidade populacional de cada região e a distribuição de mandatos por círculo eleitoral (ou se têm, partem de inexplicáveis distorções); e até uma sondagem que, partindo de uma amostra com distribuição por regiões do país, extrapola os mandatos por círculo eleitoral (que não coincidem, como é evidente, com as regiões), construindo um potencial parlamento para usufruto dos comentadores, que depois discorrem longamente sobre cenários hipotéticos e pouco verosímeis. É um festim.  ...

   -----      O  eclipse  eleitoral

    «...   Nivelada, por baixo, a pobreza dos portugueses e tendo-se conseguido que estes aceitem essa condição, a (coligação PSD-CDS) PàF surge agora como a grande hipnotizadora das massas. Acena com a possibilidade de devolução da sobretaxa de IRS, o assalto fiscal que era para ser extraordinário, mas que se tornou mais um imposto normal. Resta saber se os cidadãos acreditam neste "contrato de confiança", feito na escuridão do futuro que não se sabe se se cumpre.
     Passos Coelho, como se nada tivesse tido a ver com o que se passou nos últimos quatro anos: nem o desemprego, nem os impostos brutais, nem a degradação dos serviços públicos, salta por cima disso. Passos consegue mesmo dizer, como se não tivesse nada a ver com isso, que todos os portugueses tiveram alguém na família que não tenha sido afectado no salário, no emprego ou na pensão. E acrescentou, condoído: "Eu tenho de tudo isso na minha família."
     Passos é líder da oposição? Não.     É o primeiro-ministro do Governo que fez tudo isso em nome da dívida e do défice. Mas talvez, em época de eclipses totais, Passos tenha sido o líder de um Governo PSD/CDS e, agora, seja o chefe da coligação PàF que aparentemente não teve nada a ver com o que se passou nos últimos quatro anos. Os eclipses em Portugal são mesmo diferentes…» - Fernando Sobral
     -----      Portugal invisível e o medo do abismo       (via Entre as brumas...)
«Esta campanha eleitoral desafia muitos padrões criados e a culpa é do sentimento mais poderoso presente na pré-campanha: o medo.
    Nos estados totalitários o status quo é mantido através do medo das represálias, mas nas democracias o status quo também pode ser mantido através do medo. (...)
    Por que é que quem chega a Portugal acha que o país se tornou invisível para fora? E por que é que isso nos interessa? Em primeiro lugar porque a narrativa estrangeira sobre Portugal é a de que hoje Portugal não é um problema na zona euro. Acima de tudo acha-se que não somos um país problema porque ninguém ouve falar de nós. (...)
    À pergunta "e então não foi positivo os nossos problemas terem-se tornado invisíveis?" podemos responder que sim, certamente, permitiu comprar tempo mas resolveu pouco. (...)
    Um quotidiano em emergência permanente equivaleu a deixarmos que o medo do abismo assentasse arraiais entre nós e que, posteriormente, a dúvida metódica sobre se não é melhor nada mudar, para que nada ponha em causa a invisibilidade dos problemas, germinasse em Portugal. (...)
    O medo do abismo é certamente o que impede que nas sondagens desta campanha se entreveja a clara vitória de um partido ou de outro e, também, o facto de para muitos a opção correcta já não ser escolher um partido ou outro mas sim não ir votar.
    Para sair deste clima de medo, implícito e transversal, precisaríamos que se cortasse com a instrumentalização eleitoral do medo, se falasse de verdade sobre os problemas "invisíveis" e sobre a necessidade de traçar as “fronteiras estruturais” que não serão jamais colocadas em causa, em particular, a dignidade do emprego dos jovens, o reforço da classe média e a dignidade dos reformados.
     Se isso não acontecer nesta última semana de campanha então talvez as vozes que dizem que não vale a pena votar tenham efectivamente razão, pois quem quer que seja o próximo primeiro-ministro e forme governo estará prisioneiro do medo criado ao longo destes anos e dificilmente conseguirá desfazer-se dessa herança para que se deixe de "ganhar tempo" e passemos finalmente a "resolver problemas".» - Gustavo Cardoso
 ----- O fim do pesadelo (síntese do desgoverno PSD-CDS) (-por A.Abreu, 30.09.2015, Expresso)
     Em 2011, a direita concretizou finalmente o seu velho sonho de dispor de um governo, uma maioria e um presidente do seu quadrante político.
     Fê-lo cavalgando uma série de promessas que nunca fez tenções de cumprir – e que, naturalmente, não cumpriu.
     Quatro anos depois, os desequilíbrios macroeconómicos estão muito PIOR do que há quatro anos.
     A dívida pública aumentou de 108% para 130% do PIB, a dívida externa líquida aumentou de 82% para 105%.
     A direita subiu ao poder prometendo ajustar os desequilíbrios macroeconómicos da economia portuguesa, mas conseguiu   apenas empobrecer o país, deprimindo a produção e fazendo alastrar as falências e o desemprego.
    Nos últimos dias, ficámos a saber que o défice orçamental foi de -7,2% em 2014 e de -4,7% no primeiro semestre de 2015,  que o défice externo regressou assim que o travão da austeridade foi temporariamente suspenso por motivos eleitoralistas  e que a poupança das famílias caíu para o nível mais baixo de sempre.
    Défice externo, défice público, endividamento, emigração e desemprego generalizados:    não houve qualquer ajustamento, apenas empobrecimento, agora momentaneamente interrompido por motivos eleitorais.
    Mas a parte mais nefasta da governação da direita não foi sequer o desastroso desempenho macroecónomico numa legislatura em que    a emigração regressou aos níveis da década de 1960 e em que o investimento regrediu 30 anos.
     Pior – muito pior - do que isso foi a forma como este governo transformou Portugal num país muito mais desigual e muito menos decente para benefício de uns poucos.
     Como repercutiu sobre os mais pobres e a classe média a maior parte dos impactos da crise, ao mesmo tempo que o número de milionários não cessava de aumentar.
     Como alterou o IRS, reduzindo o número de escalões, de modo a torná-lo deliberadamente menos progressivo e mais propenso ao aumento da desigualdade.
      Como colocou a generalidade dos trabalhadores a trabalhar mais horas por dia e mais dias por ano a troco de salários mais baixos,   de modo a transferir rendimentos para os detentores de rendimentos de capital.
      Como cortou pensões e retirou apoios sociais aos mais pobres, aos desempregados, aos reformados e aos pensionistas.
      Como atacou e esvaziou a saúde e a educação públicas, comprometendo o presente e o futuro dos portugueses.
      Como aumentou a carga fiscal de forma inícua e injusta, agravando brutalmente o IRS e o IVA ao mesmo tempo que reduzia o IRC.
     Como privatizou quase tudo o que havia para privatizar – resta a Caixa Geral de Depósitos e pouco mais –  por montantes irrisórios, fazendo com que os portugueses sejam adicionalmente penalizados enquanto consumidores  em resultado dos aumentos dos preços de bens e serviços essenciais.
     Felizmente, existe hoje uma ampla maioria social – de dois terços, a fazer fé nas sondagens – que se opõe a que o país continue a ser devastado desta forma em benefício das elites.
    É fundamental que esta maioria social se mobilize no próximo Domingo, contribuindo para que o actual governo se transforme rapidamente numa lamentável recordação.
     O sonho da direita revelou-se o pesadelo da maioria dos portugueses.
Quatro anos depois, está nas mãos desta mesma maioria pôr fim ao pesadelo.


Publicado por Xa2 às 07:46 de 30.09.15 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Jornalismo, 'mafiomídia', poder político e económico-financeiro ...

-----  Grupos MafioMidiáticos   (ex: no Brasil, via FichaCorrida, 1/6/2014)

No organograma feito para o Instituto Millenium não consta o Grupo RBS que também faz parte dos Grupos MafioMidiáticos, ... 
---- Ligações perigosas no trato da velha mídia, da publicidade e o novo jornalista (31/05/2014, por Assis Ribeiro, do Medium.com)

   - Qual é a missão de um jornal ou uma revista (ou TV)?   Se for perguntar a um leitor, este vai dizer que a função é deixa-lo informado ou entretido. Se perguntar para um empresário de mídia, a resposta vai ser outra: servir de painel de visualização para a publicidade.

Desde a criação dos classificados, o jornal se tornou uma ferramenta para as empresas de propaganda. O “informar” deu lugar ao “capitalizar” e, com isso, a ânsia por uma base cada vez maior de leitores virou regra para a sobrevivência do meio, em detrimento da qualidade da informação, por um lado, e das regras e preceitos básicos do jornalismo, por outro.

     Por que os jornais estão morrendo?  Por dois motivos interligados:

1- O leitor está abandonando a versão impressa para aproveitar as facilidades da versão online.

2- Sem leitor não há anunciante, sem anunciante desaparece o orçamento do jornal, que antes empregava vários profissionais.

    Como recuperar os danos?  Encarando o universo online ! ...

 (Freepress: índice de Liberdade de imprensa, democracia e financiamento público para os media.)   ...

     As ferramentas para a democratização da mídia já são uma realidade, só falta o custeio disso. Em paralelo a uma proposta efetiva, via lei de iniciativa popular ou projeto de lei pelo Congresso que democratize os meios de comunicação, regule o setor econômica, financeira e judicialmente e impeça o poder desmesurado e a concentração de mercado que há sobre a informação no Brasil, processo de concentração e oligopólio sobre a informação que remonta aos tempos da Ditadura. No longo prazo, só a educação garante a efetiva consciência do cidadão. (talvez por isso, para a direita, interessa destruir a escola pública...)

     Visto como está, o jornalismo alternativo e independente ganha prestígio e mantém a qualidade, como é sua característica, mas tem sérios desafios de sustentabilidade e custeio. No caminho contrário, a grande mídia impressa e televisiva – já que na internet o ambiente é mais democrático – continua a monopolizar a informação e prestar um desserviço ao país, cobrindo casos com arbitrariedade, interpretando como se estivesse reportando e pautando o noticiário diário segundo os seus interesses econômicos e políticos. ...

-----  FBI  aperta o cerco aos  bandidos da  corrupção  FIFA     (3/7/2015)

http://www.futbolpasion.mx/index.php?seccion=noticias&idn=32636

A TV Globo não pode mais dizer que "as empresas de mídia (TVs) não são alvo das investigações do FBI no escândalo de corrupção da FIFA". São sim.
    O FBI adotou a linha de investigar diretamente as emissoras de TV, suspeitando que as empresas de marketing que intermediavam os direitos televisivos funcionam apenas como "fachada" para viabilizar e despistar o pagamento de 'luvas'/comissões/ propinas. Os verdadeiros corruptores seriam algumas emissoras de TV.
    O FBI identificou que no México a FIFA vendeu os direitos de transmissão para a empresa de marketing Mountrigi. Esta vendeu para a Televisa. Só que a empresa Mountrigi é do próprio grupo Televisa. Para que criar uma empresa de fachada em vez da Televisa comprar diretamente da FIFA, perguntam os investigadores?
     No Brasil também ocorreu um esquema de negociação semelhante. Federações de Futebol filiadas à Fifa venderam para o grupo Traffic direitos televisivos, que revendeu para a Globo. J. Hawilla, o dono da Traffic, é sócio de donos da Globo em afiliadas da TV Globo.
     Chama atenção também a FIFA ter dispensado de fazer licitação no Brasil e vendeu diretamente para a Globo os direitos de transmissão das Copas de 2018 e 2022, alegando parceria de 40 anos com a emissora brasileira. A Record ameaçou processar a Fifa por conduta nociva à livre concorrência.
Segundo a coluna de Ricardo Feltrin, a Polícia Federal investiga os contratos da Globo com a CBF.
"Trata-se, inclusive, de parte da colaboração que o país vem fazendo com as investigações do FBI, que jogaram parte da cúpula do futebol mundial na cadeia (…) como sua relação [da Globo] com a CBF, especialmente a gestão Ricardo Teixeira, foi e ainda é atávica, ela entra no foco da investigação também", diz o colunista.       (- E em  Portugal 'no pasa nada' ?! )

----- Manipulação da opinião pública:   a lição grega    (3/07/2015 por J. Mendes, Aventar)
All seeing sheep

Para além de todos os chavões, de todas as mentiras, de toda a manipulação e do esforço colossal que determinados sectores encostados ao regime têm levado a cabo para instituir a narrativa do pensamento único (e a alienação), aquela que coloca a responsabilidade da crise sobre os ombros do Syriza, ilibando os verdadeiros responsáveis – PASOK, Nova Democracia, FMI, supervisão comunitária e restantes jihadistas financeiros – e transformando a situação actual num embate entre os caloteiros que não querem pagar e os honrados regimes europeus que se submetem religiosamente à candura dos mercados, a verdade é que tudo junto se tem revelado, até ao momento, insuficiente para tombar o governo grego. 

    Vai daí entramos na fase em que manipulação da opinião pública é aprofundada. O caso revelado ontem pelo site infoGrécia conta-nos a história da sondagem efectuada pelo instituto grego GPO, uma sondagem que a própria entidade afirmou estar incompleta mas que foi imediatamente difundida pelos meios de comunicação próximos das posições anti-Syriza como uma verdade absoluta. E porquê? Por ser a única que dá a vitória ao Sim no referendo deste Domingo. O instituto GPO difundiu prontamente uma mensagem na qual dá conta do referido e acrescenta que não se responsabiliza pela publicação e irá desenvolver as acções legais necessárias para proteger os seus interesses (declarações reproduzidas pelo infoGrécia a partir do comunicado original).

    Claro que, entre chavões, mentiras e manipulações, esta subversão da realidade passou como facto para muitos daqueles que leram notícias e declarações baseadas nestes dados aldrabados. E assim se manipula a opinião pública de forma deliberada. Vale tudo para derrubar o governo grego.

----- Brasil investiga bancos por suposta manipulação do câmbio e cartel anti-concorrência

REUTERS/Gary Cameron:   2/7/2015, L.Bruno e L.Goy,  S.Paulo/ Brasília, Reuters

    – O órgão antitruste brasileiro investigará 15 bancos estrangeiros e 30 pessoas por suposto cartel de manipulação de taxas de câmbio envolvendo o real e moedas estrangeiras, seguindo a processos similares abertos em outras jurisdições como Estados Unidos, Reino Unido e Suíça.

    Em comunicado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou que sua superintendência-geral abriu processo administrativo para investigar os bancos Barclays, Citigroup, Credit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JPMorgan, Bank of America Merrill Lynch, Morgan Stanley e UBS.   Outras instituições alvo são Banco Standard de Investimentos, Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland e Standard Chartered, além de trinta pessoas físicas.

     A ação do Cade ocorre em meio a investigações nos EUA e na Europa envolvendo grandes instituições financeiras acusadas de manipular o mercado global de moedas, inclusive o real.

    O órgão antitruste brasileiro vai apurar suposta manipulação de indicadores de referência do mercado de câmbio, tais como a Ptax, taxa de câmbio calculada diariamente pelo Banco Central do Brasil, e os índices WM/Reuters e do Banco Central Europeu.    Esses índices são usados como parâmetro em negócios entre empresas multinacionais, instituições financeiras e investidores que avaliam contratos e ativos mundialmente. O mercado de câmbio no Brasil movimenta estimados 3 trilhões de dólares anualmente, excluindo swaps e transações com derivativos.

     O parecer da superintendência do Cade aponta que "existem fortes indícios de práticas anticompetitivas de fixação de preços e condições comerciais entre as instituições financeiras concorrentes".   Segundo as evidências citadas pelo Cade, os acusados teriam organizado um cartel para fixar níveis de preços (spread cambial) e coordenar compra e venda de moedas e propostas de preços para clientes, além de dificultar e ou impedir a atuação de outros operadores no mercado de câmbio envolvendo a moeda brasileira.

"Todas as supostas condutas teriam comprometido a concorrência nesse mercado, prejudicando as condições e os preços pagos pelos clientes em suas operações de câmbio, de forma a aumentar os lucros das empresas representadas, além de distorcer os índices de referência do mercado de câmbio."   De acordo com o Cade, as práticas anticompetitivas foram viabilizadas por meio de chats da plataforma Bloomberg. As condutas teriam durado, pelo menos, de 2007 a 2013.

A ação do Cade vem seis meses após seis dos maiores bancos do mundo fecharem acordo para pagar 5,8 bilhões de dólares ao governo norte-americano para encerrar acusações de manipulação de moedas. A investigação dos EUA levou mais de cinco anos e cinco dos bancos agora investigados pelo Cade foram considerados culpados.

A investigação do Cade mostra a crescente importância de cooperação global nos esforços para combater a manipulação de mercados financeiros.  ...

Segundo a legislação de defesa da concorrência, a prática de infração da ordem econômica pode render multas de até 20 por cento do valor do faturamento bruto da empresa no último exercício anterior à instauração do processo administrativo. No caso de pessoas físicas, as multas variam de 50 mil a 2 bilhões de reais.          (- E em  Portugal 'no pasa nada' ?!



Publicado por Xa2 às 20:10 de 04.07.15 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Portugueses sem esperança : Mais do mesmo !?!

Um país a passo de caracol     (- Entre as brumas...)

(Para ver melhor, clique na imagem (linha 'azul escuro' PCP/PEV ?)
     O Jornal de Negócios divulgou os resultados da última sondagem realizada pela Aximage para as eleições legislativas. Virão os do costume reclamar que nada isto é fiável, que os dados são manipulados, etc., etc. – good luck, se isso os consola e os anima...
    Pergunta inocente: será que ainda há quem acredite que algum facto, ..., vai mudar significativamente este cenário, ou outro necessariamente parecido?   0,8% separam os dois únicos possíveis vencedores da contenda (PS ePSD/CDS).   Maioria absoluta à vista para algum deles?   Nem com o mais optimista e potente dos binóculos.  So, what?  Mais do mesmo, como nas últimas décadas – e pouca esperança, por mais que seja duro confessá-lo
  ------          PàF?             (P...  à  F... ?:  farsolas?  falácias?  furtos?...)
  (Imagem via Maria João Pires)

  ------ «A conferência para a apresentação das Linhas Orientadoras do Programa Eleitoral da Coligação PSD/CDS-PP foi um déjà vu da apresentação da reforma do Estado de Paulo Portas. Não aconteceu nada em meia dúzia de páginas com espaçamento triplo e discursos a bold.      A total vacuidade. Nem o nome da coligação se deram ao trabalho de inventar. No cartaz, só estava escrito: Acima de tudo Portugal PSD/CDS. Não acredito que a coligação se vá chamar uma coisa que soa a título de música do festival da canção da RTP. E é má ideia dizer vender a TAP e chamar que a Acima de tudo Portugal quer vender a TAP (e tudo o que é público). Fazia mais sentido, dado que as poucas coisas que este Governo cumpriu foram as privatizações, um "Acima de tudo os chineses". (...) - J.Quadros.

------ Duas pesadas heranças: a de 2011 e a de 2015    (José Pacheco Pereira, no Público ):

    «A táctica eleitoral da coligação PSD-CDS é só uma: levar a votos em 2015 a herança da bancarrota de Sócrates e nunca, jamais, em tempo algum, permitir que se faça o julgamento de 2015 da herança governativa de Passos Coelho-Portas. A estratégia da coligação PSD-CDS é manter na vacuidade do seu programa eleitoral as mesmas políticas de 2011-5, escondendo deliberadamente o seu conteúdo impopular através de fórmulas ambíguas e da mentira por omissão. (...)
    Se o PS fosse outro e não estivesse manietado pela sombra incómoda do preso n.º 44, pelas grilhetas europeias e pela procura pomposa da respeitabilidade e da “confiança” (dadas pelo “outro”), mimetizando o discurso da coligação com os mesmos pressupostos, embora com nuances nas medidas, esta táctica de apenas falar do país de 2011 e silenciar o (desgraçado) país de 2015 poderia ser contraproducente. Assim não é.   Do ponto de vista do conflito de “narrativas”, a coligação tem vantagem.   Deu-se a transformação do PS num partido de secretaria, que se manifesta essencialmente através de declarações à imprensa, intervenções parlamentares em que não brilha, apoio a uma central sindical (UGT) que se péla por fazer acordos “responsáveis” e vê o mundo do trabalho perder força todos os dias como se não fosse com ela, da participação nas internacionais europeias do socialismo em que não se conhecem nem posições, nem diferenças e por aí adiante. Se o PS não estivesse tão acomodado, já há muito teria percebido que vai a caminho de um desastre. (...)
    Muitos portugueses não se sentem representados no sistema político. Esses portugueses foram os alvos do “ajustamento” dos últimos anos. Uma parte importante é aquilo a que se chama "classe média", mas não só. São todas as pessoas com quem um governo que as desprezava actuou de má-fé. Esses portugueses são de esquerda e de direita, para usar as classificações tradicionais, e não são só “de esquerda”. Tratados como o sendo pela linguagem sectária do PCP ou do BE, ficam alienados e isolados, pasto do populismo, ou, ainda pior, da apatia e anomia política. E são esquecidos pelo PS, que tem medo de, ao falar por eles, cair no anátema de ser um Syriza nacional.
    Este Governo e esta coligação não mudaram – esta é a herança de 2015. Estão mansos, em modo eleitoral, mas são os mesmos e, acima de tudo, não conhecem outras soluções senão as mesmas que aplicaram com zelo ultratroikista. Os seus alvos não mudaram, os seus amigos não mudaram, a sua ideia de um Portugal singapuriano não deixou de existir, bem pelo contrário. (...) Dizem apenas: votem na avozinha e não vejam o lobo mau por baixo do disfarce.»
----  Enganar  a  uma  só  voz    (-por N.Serra, 7/6/2015, Ladrões de B.) 

   Para que uma mentira sobreviva e perdure, é preciso que todos os farsantes contem a aldrabice da mesma maneira.


Publicado por Xa2 às 19:35 de 08.06.15 | link do post | comentar |

Melhorar a Democracia, Sistemas Eleitorais e partidos

-----  Sistemas  Proporcionais     (-J.Vasco, 18/1/2016, EsquerdaRepublicana)

    No que diz respeito à democracia representativa, os sistemas proporcionais (quando os partidos têm um número de deputados proporcional ou próximo de um valor proporcional à sua votação) são os mais democráticos e justos, e isso só por si justifica que sejam preferidos. 
     O sistema eleitoral português não é muito proporcional, mas os sistemas uninominais conseguem ser bem piores. Mesmo que os sistemas proporcionais fossem menos funcionais do ponto de vista prático, deveriam ser escolhidos como se essa menor funcionalidade fosse um custo adequado a pagar pela obtenção de soluções mais justas e representativas
     No entanto, além da democracia e da justiça, existem duas outras importantes vantagens dos sistemas proporcionais:
   - diminuem o grau de conflitualidade por facilitarem o compromisso entre diferentes sectores da sociedade (ver um exemplo extremo aqui);
   - conduzem a um crescimento económico superior.
    Ou seja:    além de serem mais justos e democráticos, os sistemas proporcionais conseguem ser também mais práticos/funcionais.
    Não há nenhuma boa razão para não mudar o sistema eleitoral no sentido de reforçar a proporcionalidade, a não ser a inconveniência aos partidos que recebem as vantagens injustas que advêm da distorção da proporcionalidade.  Infelizmente, são precisamente esses que têm o poder de manter um sistema mais injusto e menos funcional...

    ----- Democracia (mais ou menos) verdadeira (II)    (Nuno Serra, 8/5/2015, Ladrões de B.)

 The Waterboys, Old England
      «No Reino Unido, os Conservadores ganharam claramente as eleições de ontem e estão, quando se contam os últimos votos, à beira da maioria absoluta. Conseguem mais 90 deputados do que os Trabalhistas. No entanto, em termos de percentagem de votos, a nível nacional, Conservadores e Trabalhistas estão separados por 1% (33% e 32% do número de votos expressos). Opta-se por sistemas eleitorais cujos resultados finais não representam a vontade dos eleitores, mas a procura da estabilidade governativa. (proporção directa% vs. circulos uninominais e/ou ...).  É assim na Grécia, onde o partido mais votado recebe como prenda 50 deputados. Vai passar a ser assim, mais coisa menos coisa, na Itália, a partir de 2016.  Na Hungria (pró-fascista) nem é bom falar. É a democracia cada vez mais afunilada neste velho continente.»
            Tomás Vasques, Sistemas eleitorais e democracia (facebook)
     «Declaração de interesses:  quanto mais conheço outros sistemas eleitorais mais gosto do português. Não estará feito para potenciar maiorias estáveis nem para "responsabilizar" individualmente cada deputado eleito, é certo, mas permite uma muito maior pluralidade de representação, e esta fica muito próxima da verdade dos números (a distorção que existe seria facilmente anulável com um círculo único mas isso, por outro lado, afastaria ainda mais os representantes dos representados).
    Adiante... habituada como estou ao sistema português reajo sempre com alguma estranheza quando, ao observar eleições de outros países, constato uma enorme diferença entre a percentagem de votos nas urnas e a constituição do parlamento que resulta das eleições.»
              Shyznogud, Eu e os meus botões
    A propósito das disfuncionalidades democráticas dos sistemas eleitorais, uma discussão que os resultados de ontem no Reino Unido voltam a suscitar, lembrei-me dos cálculos que o Alexandre Abreu fez, para diferentes cenários (círculos distritais, círculo único nacional e proporcionalidade estrita), a partir dos resultados das eleições legislativas de 2011.    A Shyznogud tem razão:  com tudo o que possa e deva ser feito para melhorar o sistema eleitoral português, não nos encontramos nos patamares de degradação funcional da democracia representativa que outros países exibem.
 
---- Como roubar uma eleição: sistema uninominal, sondagens, mídia e poder financeiro.

How_to_Steal_an_Election_-_Gerrymandering.svg  ... Compreende-se a defesa de um regime que apenas permite a vitória de dois partidos, repito, a seu tempo foi dos mais avançados do mundo, dois partidos sempre é melhor que nenhum. É o sonho húmido de quem se esforça por torturar a Grécia para não perder no estado espanhol. Mas não lhe chamem democracia . ...    (-por J.J. Cardoso, Aventar)

 ------------  Eleições  britânicas  (4)    (-por Vital moreira)
 Este quadro das eleições britânicas revela exuberantemente as impressionantes distorções da representação política causadas pelo sistema de maioria simples em círculos uninominais de pequena dimensão, ou seja,     (i) o "prémio de maioria" ao partido mais votado e o     (ii) "prémio de concentração territorial das preferências eleitorais" dos partidos regionais.
     Quanto à primeira, o Partido Conservador consegue maioria parlamentar (mais de metade dos deputados) com menos de 37% dos votos, ou seja, um prémio de 13 pp (em Portugal é cerca de 5 pp).     Quanto à segunda, enquanto cada deputado do DUP na Irlanda do Norte "custou" apenas 23 000 votos (e os do SNP escocês, somente 25 000 votos), o único deputado do UKIP custou 3 900 000 (ou seja, 170 vezes mais)!
Chamar a isto democracia representativa é um tanto forçado.
--------  Dilema trabalhista, e não só       (-
Há quem ache, como M. Alegre, que o Labour foi derrotado por não ter um discurso suficientemente à esquerda e ter cedido ao "centrismo".
   O problema é que muita gente acha, pelo contrário, que o Labour perdeu as eleições justamente porque insistiu no discurso trabalhista tradicional (mais despesa pública, mais impostos e mais défice orçamental), alienando o eleitorado centrista, que prefere a segurança e a estabilidade económica.   Não foram os conservadores que arrastaram o centro com uma suposta dinâmica de vitória (que simplesmente não existia), foram os trabalhistas que o assustaram com a incerteza política e económica que resultaria da sua eventual vitória.
     Como Blair advertiu antes das eleições, pertinentemente, quando a esquerda tradicional enfrenta a direita tradicional o resultado é a tradicional derrota da primeira.   A direita conservadora pode ser conservadora;  a esquerda, não.
     Desde os anos 70 do século passado que o Labour só ganhou eleições justamente com Blair e o seu refrescamento do discurso e das posições trabalhistas. Sem uma modernização semelhante o Labour não volta a Downing Street daqui a cinco anos.
    Como é evidente, o dilema do Labor não se resume às ilhas britânicas. Quem acha que esta história nada tem a ver com a social-democracia europeia em geral (e ibérica...) engana-se. Como diziam os clássicos, de te fabula narratur.
 ---  A vitória conservadora revela duas coisas:   (i) que a austeridade orçamental não é fatal para quem a adota, desde que ela tenha começado a produzir os seus efeitos (crescimento e descida do desemprego);    e (ii) que os eleitores preferem a segurança económica às promessas incertas. Ninguém ganha eleições alienando o eleitorado do centro. 
--- Logo após o referendo escocês no ano passado defendi aqui uma Grã-Bretanha federal  ('Federal Kingdom of Britain') como meio de resolver o problema do Estado britânico.    Timothy Garton Ash  também defende a mesma solução. Vale a pena ler. 
 ------------------ Santana pôde e Theresa "may"    (FSCosta, 2ou3coisas, 13/7/2016)
     (...)    Para quem não saiba, o sistema decisório do Partido Conservador britânico tem regras muito próprias. Quem dirige o partido é o grupo parlamentar (e não um Secretariado ou Conselho Nacional). É exclusivamente no seio deste que as decisões sobre a liderança são tomadas. O partido, à escala nacional, "não existe" como poder permanente de direção política. Às "constituencies" locais (=distritais e concelhias) cabe apenas organizar o Congresso anual (sob controlo discreto do "central office") e escolher os deputados, mas estes, depois de eleitos, ficam de mãos livres, embora respondam permanentemente na defesa dos interesses locais, sendo julgados no final do mandato. (Uma curiosidade: muitas "constituencies" conservadoras preferem designar deputados sem ligações locais, para evitar caciquismos: os candidatos às vagas (de deputados e ...), não importando a sua origem, são-lhes propostos pelo "central office" e depois escolhidos através de um exame oral. É verdade!)
     É por virtude dessa dependência parlamentar que, quando a vontade maioritária dos deputados começa a apontar numa determinada direção para a definição da liderança partidária, os contendores potenciais se afastam logo. 
     Veja-se o que aconteceu a Boris Johnson ou a Michael Gove, os quais, não obstante terem sido os "vencedores" do Brexit, desapareceram quase sem combate (e a candidata, deputada e ministra, Theresa May passou a 1ªMinistra, julho 2016). Já assim tinha sido em 1990, quando Michael Heseltine não conseguiu substituir Margareth Thatcher e John Major ascendeu a primeiro-ministro.  (...)


Publicado por Xa2 às 20:16 de 10.05.15 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Abstenção, indignação, inação, revolta ... na política portuguesa

 

Do abstencionismo à revolta   (-por S.L. Santos, Defender o quadrado)

sondagem aximage.png

As sondagens que vão aparecendo começam a deixar algum amargo de boca a quem, como eu, viu renascer a esperança numa verdadeira alternativa a este governo e ao marasmo que se apoderou do país aquando da mudança de líder do PS. António Costa corporizou, e bem, essa necessidade, criando uma verdadeira coligação de vontades, dentro e fora do PS.

    No entanto o tempo vai passando e o vendaval transforma-se a largos passos numa brisa ou mesmo na quietude anterior. E a percentagem de abstenções a subir, que atinge já os 40,4%, é o mais importante dado que nos permite perceber que a desmobilização voltou e que a descrença se torna a instalar.

    Será que o PS se contenta com uma vantagem tão magra em relação aos partidos da direita? Será que desistiu de cativar os abstencionistas, que é o grupo que pode dar a vitória ou a qualquer grupo ou movimento populista, dos que se vão desenhando e testando a desilusão dos cidadãos? Será que não precisa de seduzir a o eleitorado para a necessidade de uma maioria absoluta?

    A afirmação de valores e de ideias não depende dos mercados nem das negociações europeias. Como já manifestei anteriormente, as posições cautelosas do PS no que diz respeito ao tratado orçamental e ao pagamento da dívida só demonstra a inteligência e seriedade da sua liderança. Mas falta o resto, falta tudo o que poderá criar a tal onda que nos leva a acreditar que há alternativas à apagada e vil tristeza com que nos resignamos a viver.

    Queremos saber quais as reformas que o PS quer para os serviços públicos:

  1. Como vai remodelar o SNS? Investir nos cuidados primários? Como vai formar e incentivar Médicos de Família? Como vai organizar as Unidades de Saúde? Como vai organizar a referenciação dos cuidados? Como vai reorientar as prioridades de investimentos dado o tipo de patologias existentes e futuras, pelo envelhecimento populacional? Como vai rentabilizar e optimizar os os recursos humanos numa área com carências gritantes a nível médico e excedentes a nível técnico e de enfermagem?
  2. O que entende mudar em relação ao sistema de ensino? Como vai escolher os professores para o ensino público? Como vai avaliar as alterações curriculares que têm sido feitas, a concentração de escolas, a distribuição das ofertas a nível geográfico? O que vai fazer ao ensino de adultos? Quais os resultados dos reforços a Matemática e Português? Vai ou não alterar o acesso ao ensino superior?
  3. O que entende mudar nas carreiras da função pública? Vai manter a forma de remuneração ou vai alterá-la? Como pretende renovar os quadros? Ou quer esvaziá-los para continuar a fazer contratualização de serviços?
  4. Como entende dinamizar o mercado de emprego? Vai continuar a aumentar a idade da reforma e os horários de trabalho ou vai fazer o contrário? O que pensa dos empregos nas áreas de apoio social? O que entende fazer em relação à promoção da igualdade de oportunidades para homens e mulheres, combatendo a exclusão das últimas por causa da gravidez e apoio à família? O que pensa das creches e infantários nas empresas, dos horários parciais, do teletrabalho?

    Posso lembrar-me de milhares de perguntas às quais ninguém sabe o que pensam aqueles que se vão apresentar a eleições. Mais do que gastar muito ou pouco dinheiro, as pessoas querem ver ideias exequíveis, que possam significar uma melhoria nas suas condições de vida.

    António Costa terá que falar destes problemas e de outros que verdadeiramente interessam os cidadãos. A recuperação da ideia da regionalização (com a qual eu até concordo) diz quase nada a quase todos. Dá a sensação de que está a tentar ganhar tempo, como se estivesse a fazer sapateado enquanto espera pelo actor principal.

    O PS tem que se esforçar por ganhar a confiança dos eleitores. De outra forma será mais um balão a esvaziar, numa festa que não chegou a começar.

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A Miséria da Política (passe o exagero)  (-por JV Costa, no moleskine, 17/2/2015)

 
A actividade política portuguesa, a todos os níveis – institucional, partidária, social – está débil. Débil em intensidade e sobretudo em qualidade. A produção teórica é escassa e superficial, imperando a auto-censura dos autores que dão por certo que ninguém lhes lê um texto de mais do que uma página A4. Exceptua-se a intervenção crítica e informativa no domínio económico, mas nem sempre equilibrada por uma igualmente rigorosa e aprofundada análise política.
     Aliás, escasseiam os analistas políticos de qualidade. A presença na televisão é predominantemente de economistas ou de políticos partidários reformados. Já poucos têm a dizer alguma coisa interessante, muito menos de radical. “D'Alema di' una cosa di sinistra, di' una cosa anche non di sinistra, di civilità… D'Alema di' una cosa, di' qualcosa! Reagisci! (Nanni Moretti, “Aprile”).
     Pior ainda é o trabalho teórico dos partidos. A menos que se confunda com isso simples artigos de opinião ou propostas de acção política concreta, PS, PSD e CDS têm trabalho teórico nulo, o do BE é escasso e o do PCP desgasta-se em incontáveis e indigeríveis comunicados, todos a usar um estilo, linguagem e esquema de raciocínio a quererem convencer que ainda há quem cultive o marxismo-leninismo (o pior é quando os mais arrebatados descambam para o estalinismo).
     Na blogosfera (e FB,...), as “análises” são frequentemente ocas e limitam-se a amplificar em “sound bites” posições elementares, geralmente de indignação emotiva. Quando provêm de grupos proclamado como de debate independente, não é difícil, no Facebook ou nos blogues, fazer corresponder o seu discurso estereotipado ao de partidos políticos, por vezes até em versão mais extrema e reducionista de cartilha. Basta ver que, em redor dessas intervenções esvoaça sempre o mesmo enxame de implacáveis defensores da ortodoxia.
     A ação política dos partidos, em oposição, é muito incipiente no uso das novas tecnologias e é de suspeitar que o alcance dos seus sítios, pesados e à imagem dos seus órgãos impressos, fique muito aquém dos seus principais instrumentos de construção de imagem e de respeitabilidade política: a acção institucional (legislativa, autárquica e, distantemente, europeia) e a influência sindical.   (...   ... )
-------[por V.Magno]: 
  ... o apelo urgente que faz no final do texto à imaginação colide com a ausência de uma qualquer referência no texto às primárias abertas do (partido) LIVRE e da (coligação) Tempo de Avançar (TdA), aos métodos deliberativos que aplicam na elaboração de todos os documentos produzidos (caramba, até foi possível assistir em directo pela internet às votações das emendas enviadas) ou à própria natureza da TdA, que acaba por ser inovadora no panorama nacional - uma coligação que agrega um partido, movimentos e independentes.
    Afinal a imaginação a que apela já está a ser testada e agitada pelo LIVRE há um ano para cá. Mesmo que as pessoas - bloguistas incluídos - andem demasiado distraídos ou com pouca paciência para a estudar e acabem por a adjectivar com expressões como "boleia ingénua". E eu aproveito para fundamentar este meu argumento noutro parágrafo do seu texto. O João Vasconcelos-Costa afirma:     "Iniciativas da sociedade civil, movimentos sociais e culturais, associações comunitárias, etc., poderiam ter um papel importante na luta contra a desafecção da política e, em unidade com os partidos e outros corpos sociais, ir desbravando o terreno para uma absolutamente necessária reconversão do sistema político."    Esta frase documenta uma vez mais uma escassez de estudo cuidado do que se está a passar em Portugal.
   Não estará a experiência da sociedade civil organizada, em Portugal, a entrar para a arena da política?    Procure as listas das direcções nacionais da última década das maiores organizações não-governamentais em Portugal. Leia os nomes. Analise depois as listas de candidatos nas últimas autárquicas e Europeias em partidos sobretudo da esquerda (LIVRE já incluído no caso das Europeias) e compare. Ou pegue já na lista de subscritores e do Conselho da TdA, por exemplo, que são públicos.
    Há movimentação mas é preciso querer conhecer as pessoas - os mais activos da sociedade civil organizada em Portugal não são propriamente famosos.  Se nos deixamos distraír apenas pelos interlocutores que os media seleccionam para entrevistar regularmente, escapa-nos facilmente este trabalho de bastidores que - reconheço - antes era difícil de averiguar dentro dos partidos tradicionais, mas agora é mais fácil de medir nestes projectos recentes precisamente por estes tornarem tudo muito visível e público.


Publicado por Xa2 às 07:42 de 16.02.15 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Portugueses: como estão e sentem a economia e a política em P. e na U.E.

  Eurobarómetro especial divulgado hoje

  Inquiridos portugueses:
  85%  não confia no governo,
  70%  não confia na União Europeia,

  50%  em desacordo com o euro
 
 
Ainda o Eurobarómetro especial «Europeias 2014» (-por V.Dias, 14/5/2014, TempoCerejas2)
   Façam favor de comparar isto  com o discurso e a  propaganda governamentais (e a sua própria prática como eleitores e cidadãos).    Opiniões e atitudes manifestadas nesta sondagem (organizada pela Comissão Euopeia, note-se) pelos inquiridos portugueses
 
 
atitude face à vida que levam :
 - 62% insatisfeitos;
- 36% satisfeitos
 atitude face à situação económica nacional:
 - 97% insatisfeitos (o valor + alto da UE)
- 3% satisfeitos
 situação financeira do lar:
 - 87% má (2º mais alto da UE)
- 32% boa
 situação do emprego no país:
 - 97% má ( 3º valor + alto da UE)
- 2 % boa
 qualidade de vida no país:
 - 83% má
- 17% boa
 expectativas próximos 12 meses:
 - 30% piores
- 17% melhores
- 48% sem mudança
 expectativas situação económica do país nos próximos 12 meses:
 - 45% piores (2º valor + alto da UE)
- 16% melhores
- 35% sem mudança
 expectativas situação financeira do lar nos próximos 12 meses:
- 35% piores
- 16% melhores
- 32% sem mudança
funcionamento da democracia no país:
- 83% insatisfeitos (valor + alto da UE)
- 16% satisfeitos
 funcionamento da democracia na UE:
 - 66% insatisfeitos (2º valor + alto da UE)
- 20% satisfeitos
 O país faria melhor face ao futuro se não estivesse na UE:
 - 37% concordam:
- 52% discordam
 futuro da UE:
 - 53% pessimistas
- 32% optimistas
 imagem da UE:
 - 36% negativa (3º valor + alto da UE)
- 27% positiva
- 34% neutral
 confiança na Comissão Europeia:
 - 66% desconfiança ( 2º valor + alto da UE)
- 29%% confiança
 confiança no Banco Central Europeu:
 - 67% desconfiança (3º valor + alto da UE)
- 27% confiança
 a sua voz conta na Europa:
 - 71% discorda
- 26% concorda
 a sua voz conta em Portugal:
 - 59% discorda
- 40% concorda
 em que direcção vai o país:
 - 52% má
- 21% boa
- 21% nem boa nem má
... E o que vão fazer para melhorar a situação (do país e da U.E.) ??


Publicado por Xa2 às 07:58 de 17.05.14 | link do post | comentar |

Mobilizar e tomar 'as Bastilhas'

      Tomar a Bastilha

 

Discours de Jean-Luc Mélenchon à Bastille le 18... por PlaceauPeuple
    Teresa de Sousa pode tentar intoxicar os leitores do Público, comparando a plataforma de esquerda de Jean-Luc Mélenchon com a extrema-direita, o velho truque da propagandista oficial da terceira via e do europeísmo feliz no país, duas linhas convergentes e tão desgraçadas quanto esgotadas.

    A verdade é que quem se der ao trabalho de ler o programa do candidato apoiado pela frente de esquerda, prática sempre recomendável antes de se escrever, concluirá que este se filia na tradição da esquerda humanista e socialista que não desistiu, que não se rendeu ao euro-liberalismo, que não deixou de pensar autonomamente.

    A sua subida nas sondagens e a mobilização popular gerada, bem patente no extraordinário comício de ontem na Bastilha, estão a mudar os termos do debate francês e podem ajudar a mudar os termos do debate europeu. Aliás, veremos que os desafios europeus e democráticos a um euro e a uma globalização disfuncionaisvirão da fusão entre mobilização social e hegemonia nacional.

 
 


Publicado por Xa2 às 13:43 de 20.03.12 | link do post | comentar |

Dois passos atrás sem passos à frente...

As sondagens publicadas nos últimos dias dão conta que tudo está no fio da navalha, quer quanto à escolha do primeiro-ministro, quer quanto a maiorias parlamentares.

A seis semanas das eleições, ninguém arrisca dizer quem sairá vencedor do confronto eleitoral de 5 de Junho - se José Sócrates ou Passos Coelho. As sondagens publicadas nos últimos dias dão conta que tudo está no fio da navalha, quer quanto à escolha do primeiro- -ministro, quer quanto a maiorias parlamentares. Este quadro, a manter-se, indicia sérias dificuldades na formação de um governo sustentado por uma maioria parlamentar, com os perigos que daí advêm, particularmente quando paira no ar um cheiro a bancarrota. Mas não deixa de ser, também, um cenário arrasador para o PSD e, sobretudo, para o seu líder.

 Parece estranho que José Sócrates, com o desgaste natural de mais de seis anos no poder e no meio de uma profunda crise internacional, se mantenha em condições de ser eleito de novo primeiro-ministro. Mas é notória a desconfiança dos portugueses em relação às capacidades de Passos Coelho para o substituir. Sobretudo neste período de grandes dificuldades. Essa desconfiança começou no Verão passado, com a proposta de revisão constitucional. Passos Coelho mostrou que as suas "convicções" navegam à vista, ao sabor de sondagens. Meteu os pés pelas mãos, sem saber o que queria ou se o sabia não queria dizer.

Os dois exemplos mais significativos foram a "justa causa" nos despedimentos e o fim dos serviços de saúde "tendencialmente gratuitos". Mesmo se lhe assistisse razão na proposta inicial, as sucessivas alterações moldaram-lhe o perfil político. Contudo, foi a partir de 12 de Março que esse perfil se consolidou. O momento e os motivos do derrube do governo e as erráticas e contraditórias propostas avulso que tem apresentado ditaram a imagem de imaturidade política. A escolha de Fernando Nobre para Lisboa e o imbróglio da "oferta" da presidência da Assembleia da República foram a cereja em cima do bolo.

 Mesmo para quem tem razões de queixa do governo e de José Sócrates - e razões de queixa sobejam - é incompreensível a rejeição do PEC IV, numa estranha sintonia com a extrema-esquerda, exactamente no momento em que o primeiro-ministro tinha alcançado um pré-acordo com os parceiros europeus, para uma saída "airosa" da degradada situação financeira e económica em que nos encontramos.

Essa incompreensão aumentou quando, dias depois, o líder do PSD, ao contrário do que sustentara antes, desenvolveu, em versão inglesa, a tese segundo a qual o PEC IV não ia "suficientemente longe" nas medidas de austeridade a adoptar.

Esta reviravolta levantou a interrogação sobre os verdadeiros motivos da rejeição do PEC IV. E quando começaram as recusas públicas de figuras cimeiras do PSD em aceitar o convite de Passos Coelho para integrar as listas de deputados, caso de Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, António Capucho ou Luís Filipe Menezes; ou as críticas implacáveis de José Pacheco Pereira ou Morais Sarmento, entre outros, percebeu-se que os motivos que estiveram na origem do derrube do governo podem estar mais relacionados com a instabilidade interna da sua liderança do que com a situação do país.

A acelerada degradação da situação financeira após a demissão do primeiro-ministro e o pedido de "ajuda externa", percebido como consequência da crise política, evidenciaram ainda mais quão inoportuna foi a abertura desta crise política.

Por tudo isto, não é estranho que José Sócrates esteja, ainda, neste momento, em condições de ser eleito, pela terceira vez consecutiva, primeiro-ministro.

Tomás Vasques [i]



Publicado por JL às 10:23 de 27.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Um pouco mais de decoro, sff

Compreende-se que os dirigentes do PSD tenham ficado à beira de um ataque de nervos com uma sondagem eleitoral destas.

Mas atribuir esse mau resultado à "máquina de propaganda" do PS, como eles se apressaram a justificar-se, revela um enorme despudor político, quando é evidente que actualmente o PSD domina avassaladoramente a comunicação social, a começar pelas televisões, que alimentam uma sistemática campanha de hostilidade contra o PS (como mostrou a miserável cobertura mediática do seu recente Congresso). O que os devia preocupar justamente é que eles não conseguem descolar nas sondagens apesar da sua própria "máquina de propaganda" tentacular...

Vital Moreira [Causa Nossa]


MARCADORES: , ,

Publicado por JL às 19:33 de 21.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Apenas seis pontos percentuais

O Barómetro da Universidade Católica indica que se as eleições se realizassem neste momento, o PSD ficava longe da maioria absoluta com 39% das intenções de voto. E com o PS a ganhar terreno com 33%, mais 7 pontos do que em Outubro passado. A distância é de apenas a seis pontos percentuais.

A mesma sondagem mostra que PSD e CDS coligados ficavam à beira da maioria absoluta, com os centristas a chegar aos 7%.

Já a CDU, neste estudo de opinião realizado entre 2 e 3 de Abril (ver ficha técnica), tem 8% nas intenções de voto e o Bloco de Esquerda 6%. E os votos branco e nulos também atingem o mesmo valor.

Esta estimativa de resultados eleitorais (que se baseia na intenção directa de voto no PSD de 16%, no PS de 13%, na CDU nos 3%, no CDS de 3% e no BE também de 3%, com 32% dos inquiridos a não querer responder sobre o seu sentido de voto), indica que o PS recupera 7 pontos relativamente ao último barómetro de Outubro. O PSD desce 1 ponto e o Bloco dá um tombo de 6 pontos. CDS e CDU mantêm os resultados.

[Diário de Notícias]



Publicado por JL às 18:08 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Vá lá, um pouco de memória

Bem-vindos ao fantástico mundo da Marktest

Já foi no dia 23 mas ainda vou muito a tempo de recordar que, nesse dia, foi divulgada uma sondagem sobre legislativas da Marktest para a TSF e o Diário Económico que atribuía 46% ao PSD, a vinte pontos de distância do PS. E, salvo erro, no dia a seguir, lá ouvi na rádio três ou quatro sujeitos a comentar estes dados (que transformariam Passos Coelho quase num Cavaco de 1987 e 1991) com o ar mais sério e compenetrado deste mundo, coisa que aliás também fariam caso houvesse três dias depois outra sondagem com resultados completamente diferentes, tudo dentro daquele sagrado princípio mediático de que cada dia é um dia dia, cada semana é uma semana e cada mês é um mês, ponto final parágrafo.

A este respeito e embora sabendo que estou a falar para o boneco, uma vez que no país político a memória e o espírito crítico estão pelas ruas da amargura, eu só quero lembrar que foi a Marktest que, no dia 19 de Janeiro, atribuiu a Cavaco Silva mais 37 pontos do que a soma de todos os outros candidatos, diferença que, manhosa e desonestamente, os resultados finais vieram a reduzir para 5 pontos. Estamos conversados, ou não?

Vítor Dias [o tempo das cerejas]



Publicado por JL às 18:48 de 03.03.11 | link do post | comentar |

Sondagem: Cavaco Silva recebe chumbo histórico dos portugueses

Pela primeira vez em muitos anos, a actuação de um Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. Talvez tivéssemos que recuar ao período pós-revolucionário para eventualmente encontrarmos uma avaliação igual.

Com crise ou sem crise, política, social ou económica, os chefes de Estado estiveram sempre acima dos humores dos portugueses. Aníbal Cavaco Silva acaba de abrir um precedente: é possível um presidente sair mal na fotografia.

Conseguiu-o com o desenlace do caso das escutas, no mês seguinte àquele em que decidiu vir a público falar sobre o caso, à hora dos telejornais. Cavaco falou sobre o caso em 29 de Setembro. Em Outubro, em resposta à sondagem da Aximage para o Jornal de Negócios e o Correio da Manhã, 42,4% dos portugueses entende que o Presidente tem actual mal, quando questionados sobre como Cavaco Silva tem actuado nos últimos 30 dias.

Apenas 35,5% do universo de respostas considera que o Presidente esteve bem, contra ainda 15,9% que diz assim-assim. Esta avaliação é ainda mais relevante quando se pediu aos portugueses que dessem uma nota de 0 a 20 de avaliação da actuação de Cavaco Silva em Outubro. O presidente recebeu um chumbo: 9,6! Nunca Cavaco Silva tinha descido do bom (14,5 foi a sua nota mais baixa, em Outubro de há um ano).

Entre os restantes líderes, Paulo Portas é o que recebe a melhor avaliação dos portugueses, com um 12,3. José Sócrates recebeu 12,1 e Jerónimo de Sousa e Francisco Louça aparecem separados por uma décima (11,5 e 11,4, respectivamente). No mesmo mês, apenas Manuela Ferreira Leite surge com avaliação negativa. Os portugueses dão-lhe um 6!



Publicado por JL às 00:03 de 20.10.09 | link do post | comentar |

Sondagem – esvaziar um empate

Acabo de ler no site do DN um texto sobre uma sondagem recente que abaixo transcrevo:

"A distância entre os dois principais partidos nas sondagens é cada vez menor, mas ambos estão a perder potenciais votos e o número de indecisos é cada vez maior. Um estudo da Eurosondagem dá 33% aos socialistas e 31 aos sociais-democratas.

Estes valores representam um empate técnico, pois a margem de erro máxima da sondagem, realizada para a SIC, Expresso e Rádio Renascença, é de 3,04%. Há um mês, outra sondagem da mesma empresa dava 35,1% ao PS e 33% ao PSD, ou seja, ambos perderam cerca de dois por cento de intenções de voto.

À queda do Bloco Central corresponde uma subida do Bloco de Esquerda (10%, mais 0,4) e do CDS-PP (8,5%, mais 1,1). A CDU caiu (9,4%, menos 0,3)."

Continuamos enfiados num alegado empate técnico com uma vantagem ligeira para o PS. É o meu empate preferido: o que dá vantagem ao PS. Mas não deixa de ser empate, conquanto apenas técnico. No mês anterior, a posição relativa dos dois partidos era a mesma, embora num patamar dois por cento acima. Mais indecisos, diz-se.

Os analistas correntes dirão: aumenta a probabilidade de um resultado final que reproduza esta paisagem, ou seja, uma ligeira vantagem para um dos dois maiores partidos. Sem descartarem esta hipótese, analistas menos lineares alegam que o aumento da indecisão pode apontar noutra direcção: o eleitorado apresta-se para pender para um lado ou para o outro. Por isso, qualquer dos dois partidos pode ainda vir a ter uma vitória ou uma derrota folgadas.

Verifica-se que o conjunto BE/CDU continua instalado em torno dos 20%. E, por outro lado, a subida do PP ao corresponder praticamente à descida do PSD, faz permanecer a direita, no seu todo, à volta dos 40%, patamar onde chegou nas eleições europeias e onde tem estado estacionada.

Razão suficiente para que o PS clarifique, desde já, a sua posição para o caso de a direita ficar abaixo da maioria absoluta, sendo embora o PSD o partido mais votado. E essa posição só pode ser uma: o PS rejeitará qualquer governo de direita, seja ele de um ou de dois partidos. Rejeitará, sublinho; ou seja, não o deixará passar.

Depois, deve desafiar o BE e o PCP a dizerem, desde já, o que farão nessa hipótese. Se o seguirem, mesmo que o PSD seja o partido mais votado, desde que somado ao PP não chegue à maioria absoluta, o Presidente da República deixará de ter legitimidade política para poder nomear um governo minoritário de direita, já que está prévia e publicamente anunciada a sua rejeição na Assembleia.

Se o PS fizer isto, deixará a Drª Ferreira Leite bem mais longe de qualquer sonho de poder e esvaziará a conspiração que, pouco a pouco, se está a tecer à sua volta, no sentido de, se for preciso, o atrairem para a armadilha fatal de se deixar converter numa muleta parlamentar de um governo de direita, constituído pelos que há anos o têm vindo a insultar dia após dia e a combatê-lo pelos mais sujos meios.

Dir-se-á que essa posição tem a desvantagem de implicar que o PS admita que pode não ser o partido mais votado. A isso respondo: a luta política não é um campeonato de futebol e o leader de um partido não é um treinador que tenha que dizer sempre que vai ganhar. Comentar honestamente os vários cenários pós-eleitorais não pode ser encarado como um risco de perder eleitores. Pelo contrário, ser transparente quanto àquilo que pensa fazer, em cada circunstância, é uma obrigação cívica de todos os partidos.

E seguramente que tudo ficaria mais claro. Os eleitores ficariam a dispor de um cenário completo. Depois das eleições as pressões deixariam de fazer sentido. Todos ficariam a saber que o PS seria governo se os eleitores lhe dessem maioria e que se oporia a qualquer governo de direita. Quanto à hipótese de a direita ser minoritária, sendo embora o PSD o partido mais votado, não podendo este formar governo no cenário que defendemos, a possibilidade de ser o PS a formar governo dependeria do Presidente da República e dos outros partidos, devendo o PS estar disponível para essa hipótese mediante um conjunto de condições políticas que certamente poria.

Não fazer isto, é dar campo de manobra aos adeptos do pantanoso bloco central, é atrair sobre si a sofreguidão de todas as pressões, é desperdiçar uma oportunidade efectiva de recuperar uma parte do apoio eleitoral que se perdeu dentro da esquerda. E, não o esqueçamos, é correr o risco de, num eventual cenário pós-eleitoral ambíguo, trazer para dento do PS o "olho do furacão". [O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 00:01 de 03.08.09 | link do post | comentar |

Sondagens e política

1. Antes das eleições europeias, procurei manter um panorama actualizado e comparativo das sondagens que foram saindo. De acordo com o clamor público as sondagens enganaram-se redondamente. Também foi isso que me pareceu. Não partilho a suspeição de um propósito deliberado de distorção dos resultados. Inclino-me mais para a intromissão de um ou vários factores não previstos ou insuficientemente valorizados. Este aspecto central das sondagens não deve contudo fazer desaparecer por completo outros aspectos da sua divulgação.

Digo isto, a propósito dos célebres empates técnicos que regressaram agora nas notícias de alguns meios de comunicação social sobre os resultados da mais recente sondagem da Eurosondagem, dirigida á eleições legislativas.

De facto, recentemente foi difundida um resultado em que era atribuída uma vantagem de 1,3% ao PSD relativamente ao PS, e foi essa a notícia. Nesta segunda sondagem, o PS surge 2,1% à frente do PSD, o que para alguns meios de comunicação social foi designado por empate técnico. Basta esta comparação para se intuir para que lado estão a torcer esses órgãos de comunicação social. É uma subtil parcialidade talvez inócua, mas não deixa de o ser.

2. Quanto ao conjunto dos resultados em si próprios (PS: 35,1% - PSD: 33,0%- CDU: 9,7%-BE: 9,6%CDS-PP: 7,4%), para além da inversão de posições entre os dois partidos mais votados, há três considerações que me parecem relevantes. Em primeiro lugar, a soma do BE e do PCP desce ligeiramente, fixando-se nos 19,3%; em segundo lugar, a soma dos partidos de direita continua na casa dos 40%; em terceiro lugar, os três partidos de esquerda mantêm-se na casa dos 54%. Ou seja, as transferências de intenções de voto parecem ocorrer principalmente dentro de cada um dos dois blocos.

Por isso, o PS tem que declarar desde já que, em coerência com o que tem sido a agressividade do PSD, em face do seu Governo, e dada a demarcação essencial quanto à sua política, que tem assumido a Drª F. Leite, não viabilizará qualquer governo de direita. E assim ficará claro que a referida senhora tem muito poucas hipóteses de vir a ser primeira-ministra após as próximas eleições.

De facto, se assim for, como aliás não pode deixar de ser, sob pena de fragmentação do PS, a Dama de Cinza só formará governo se a direita tiver maioria absoluta, ou se o BE e o PCP viabilizarem um governo minoritário de direita, o que me parece improvável e politicamente suicida para qualquer desses dois partidos.

[Rui Namorado, O Grande Zoo]



Publicado por JL às 12:40 de 05.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Brancos/Nulos/Sondagens

… Olho para os resultados disponíveis e observo que para além dos quase 6.000.000 de eleitores que não votaram houve mais 163.000 que votaram em branco (mais de três vezes que o primeiro partido que não elegeu um deputado – o MEP – 52.400 votos) e perto de 71.000 votos nulos.

São contas que tradicionalmente ninguém faz, mas começa a ser tempo de se fazerem.

Quanto a outras contas, as das sondagens de campanha, algo está realmente muito mal e não parece que seja só pelos níveis de abstenção atingidos, conforme os fazedores de sondagens gostam de se justificar. Principalmente em relação ao CDS começam a ser incompreensíveis os valores apresentados em todas elas e os resultados que depois são obtidos. [Luís Novaes Tito, Eleições 2009]



Publicado por JL às 01:10 de 08.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Eleições Europeias: Eurosondagem

 

O Partido Socialista vai vencer as europeias de domingo com uma vantagem de cerca de quatro por cento em relação ao PSD. Esta é a conclusão da última sondagem da SIC, Expresso e Rádio Renascença.

De acordo com o estudo da Eurosondagem, se as eleições fossem hoje, a lista encabeçada por Vital Moreira conseguiria 36 por cento dos votos. O que representa uma subida de meio por cento em relação à sondagem da semana passada. O PSD, de uma semana para a outra, caiu: a projecção dá-lhe 31,9 por cento, tendo perdido 0,6 por cento.

A surpresa destas eleições pode ser a subida do Bloco de Esquerda a terceira força política do país. A sondagem aponta para um resultado de 10,1 por cento, a subir 1,3 por cento em relação à semana passada. O bloco ultrapassou a CDU, que consegue 9 por cento dos votos com uma ligeira queda.

A lista do CDS-PP pode ser a grande derrotada destas europeias.Tem pouco mais de 6 por cento. e perde 0,4 em relação à última sondagem. [SIC]



Publicado por JL às 11:46 de 05.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Europeias: Sondagens

 

PS elege nove eurodeputados

O PS mantém-se na liderança das intenções de voto. De acordo com uma sondagem CM/Aximage, o cabeça-de-lista do PS, Vital Moreira, reúne 36,2 por cento das intenções de voto contra 30,9 por cento do candidato do PSD, Paulo Rangel. Isto significa a eleição de nove deputados pelos socialistas e de oito pelos sociais-democratas.

De um total de 22 eurodeputados portugueses, menos dois que no anterior mandato no Parlamento Europeu, tanto o PCP como o BE elegem dois candidatos, segundo os resultados desta sondagem. O cabeça-de-lista do BE, Miguel Portas, somou 10,2 por cento das intenções de voto, enquanto a lista da CDU, liderada por Ilda Figueiredo conquistou 10,1 por cento. Já o CDS-PP, cuja candidatura é liderada por Nuno Melo, registou cinco por cento das intenções de voto, o que implica a eleição de um deputado. [Correio da Manhã]

 

 

PS elege mais um eurodeputado que PSD

O Partido Socialista (PS) deverá eleger nove eurodeputados e o Partido Social Democrata (PSD) oito, segundo sondagem da Universidade Católica para o Diário de Noticias, a Antena 1, a RTP e o Jornal de Notícias.

A pesquisa prevê também que a Coligação Democrática Unitária (CDU) e o Bloco de Esquerda (BE) elejam dois eurodeputados cada e o Centro Democrático e Social (CDS) um.

Em termos percentuais, o PS deverá obter 34% dos votos, o PSD 32%, a CDU 11%, o BE 9% e o CDS 4%. A confirmarem-se estas previsões, a CDU recupera terreno em relação ao BE, mantendo-se como o primeiro partido à esquerda do PS, e o CDS sobre ligeiramente em relação à anterior sondagem para DN/JN/RTP/Antena1.

Estes valores foram obtidos calculando a percentagem das intenções directas de voto em cada partido em relação ao total de votos válidos (excluindo abstenção e não respostas) e redistribuindo indecisos proporcionalmente pelas opções válidas. [Diário de Notícias]



Publicado por JL às 23:26 de 04.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sondagem Intercampus: Vital alarga vantagem

Vital Moreira ganha uma grande vantagem sobre Paulo Rangel e Nuno Melo, do CDS-PP, fica fora do Parlamento Europeu. São estas as duas principais ilações da sondagem realizada pela Intercampus para a TVI e Rádio Clube Português.

Na projecção dos resultados da sondagem, o PS atinge os 37,1%, o que lhe garante entre nove e dez deputados. O PSD fica-se pelos 32 (7 a 9 deputados), o Bloco atinge o limiar dos 10% (mais precisamente 9,9) e pode estar entre dois e três deputados. Em quarto lugar surge a CDU com 7,7 (1 ou 2 deputados) e no quinto vem, então, o CDS-PP, com apenas 3,5%, o que deixa Nuno Melo fora do Parlamento Europeu. Os outros partidos, todos juntos, deverão chegar aos 4,9%. [Portugal Diário]


Publicado por JL às 23:55 de 29.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Uma colherada de Maizena dá saúde e faz crescer

A rapaziada e outra gente mais crescida do PSD gosta de dizer, desde o início das hostilidades para as Europeias, que estas eleições têm pouca importância em termos eleitorais (não vão os maus resultados dar-lhes cabo da propaganda) mas que funcionam como um teste, uma espécie de sondagem-à-boca-das-urnas, para aquilo que se irá passar nas legislativas.

Essa rapaziada e outros seniores desenvolvem estas teorias de desvalorização ao mesmo tempo que se centram no pecado maior de Portugal (leia-se: - dos deputados eleitos em Portugal para o PE) poder vir a não apoiar o porreiro José Manuel na sua nova recandidatura ao lugar para onde foi catapultado por Bush, Blair e Aznar, na sequência dos cafés que serviu nas Lajes.
Estranha-se que venha agora a rapaziada e os demais adultos analisarem outra ligeira subida do empate técnico a favor do PS com a lembradura de que este facto se deve à entrada do engenheiro na campanha e no empurrão que ele está a dar ao Professor coimbrão.
Afinal em que ficamos? Se estas eleições são um teste punitivo ao engenheiro, como pode o seu empurrão fazer arrancar as intenções de voto no PS? Será por o engenheiro apoiar José Manuel e o Professor não? Será porque, como sonha Rangel, a disputa ser entre ele (Rangel) e Sócrates, ou será que isto é tudo uma fantochada e nem Barroso é candidato nestas eleições, nem Rangel tomou ainda o lugar de dona Manuela e por isso não é candidato a Primeiro-Ministro, ao contrário de Sócrates?
Era bom que a rapaziada esclarecesse estes assuntos. Dizem que a papa Mayzena ajuda. Experimentem! [LNT, A Barbearia do Senhor Luís]


Publicado por JL às 22:32 de 29.05.09 | link do post | comentar |

PS e PCP sobem nas intenções de voto para as europeias

Uma subida das intenções de voto no PS, que se distancia do PSD, e no PCP, que ultrapassa o BE, são as duas novidades do estudo sobre intenção de voto para as eleições europeias de 7 de Junho feito pela Eurosondagem para a Renascença, Expresso e SIC.

O PS subiu 1,2 por cento e atinge os 35,5 por cento. O PSD atinge os 32,5 por cento, o que significa uma diferença de três por cento em relação ao PS.
A CDU, coligação que integra o PCP e o PEV, sobe três por cento, para 9,2 por cento. O BE aparece com 8,8 por cento, isto é, com menos 0,4 por cento do que a CDU. Já o CDS recebe 6,5 por cento das intenções de voto. [Público]


Publicado por JL às 14:06 de 29.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Sondagem Europeias 2009: PS à frente com 38%

A sondagem da Aximage para o Jornal de Negócios e o Correio da Manhã dá uma vantagem de sete pontos ao PS nas eleições para o Parlamento Europeu. Abstenção atinge 64,7%.

O PS recolhe 38% das intenções de voto nas eleições para o Parlamento Europeu, de acordo com os resultados de uma sondagem realizada pela Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã. Este desempenho permitiria aos socialistas a eleição de nove eurodeputados para o Parlamento de Estrasburgo, resultado que significaria, apesar da vitória nas eleições, a perda de três lugares em comparação com o número de eleitos em 2004.
O PSD recolhe 31,1% das intenções de voto, segundo o mesmo estudo, o que abriria a possibilidade de eleger oito eurodeputados. O Bloco de Esquerda surge como a terceira força política mais votada, ao alcançar 8,5% das intenções de voto. Com este comportamento, o BE conseguiria eleger mais um deputado, aumentando a sua representação em Estrasburgo para dois representantes.
O PCP manteria os seus dois deputados no Parlamento Europeu, com uma votação de 7,9%, e o CDS conseguiria eleger um deputado, passando a quinta força política mais votada, com 6,3% das intenções de voto.
O estudo da Aximage prevê uma abstenção elevada, na ordem de 64,7%, sendo os eleitores que se situam na faixa etária entre os 18 e os 29 anos aqueles que menor interesse demonstram em votar para as eleições em causa: 74,6% deverão abster-se, revela a sondagem. [Jornal de Negócios]


Publicado por JL às 22:37 de 26.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Eleições europeias – sondagens

 

1. Estas três sondagens foram divulgadas por uma ordem que não correspondeu às datas em que decorreram os trabalhos de campo de cada uma delas. Nomeadamente, a sondagem da Marktest /Semanário Económico foi a última a ser publicada, embora tenha sido a primeira a ser feita. A ordem das outras duas, a da Intercampus/TVI e a do CESOP(UC)/RTP, JN, DN, foram divulgadas pela ordem em que foram feitas.
No quadro comparativo acima apresentado, as três sondagens são ordenadas pela ordem em que foram feitos os trabalhos de campo. Por aí se vê que há uma tendência de subida do PS (5,9%), bem como do PSD, embora esta mais ligeira (3,1%). O BE não reflecte uma tendência de subida uniforme, mas revela um reforço de 3,6% entre a primeira e a mais recente das sondagens, com uns espectaculares 18%, como resultado intermédio. A CDU oscila ligeiramente, descendo 0,6 %, entre a primeira e a terceira data. O CDS, quando parecia querer erguer-se no ponto intermédio, acaba por se estatelar no último resultado.
Comentadores menos escrupulosos (ou simplesmente tontos) fingiram julgar que a sondagem mais recentemente publicada era a que espelhava a mais recente opção dos eleitores e apontaram para um PSD em subida rumo à vitória. Como se viu, no entanto, a diferença entre o PS e o PSD é curta, mas, a haver alguma impressão de vantagem a extrair deste quadro comparativo, ela não vai seguramente para o PSD. Pode pois dizer-se que, se as sondagens estiverem certas, haverá uma vitória escassa de um destes partidos, parecendo mais provável que essa vitória acabe por ser do PS.
A CDU parece caminhar para um resultado próximo dos 8%; o BE dispõe de expectativas que oscilam entre um bom e um excelente resultado; o CDS parece estar à beira de um desastre, mas com hipóteses de ainda lhe poder escapar.
2. Pela mesma entidade (CESOP/UCat) que realizou a mais recente das três sondagens acima referidas e com os trabalhos de campo realizados na mesma altura, foi feita uma sondagem, mas agora dirigida a conhecer as intenções de voto para as eleições legislativas.
De acordo com ela, o PS chegaria aos 41% (+2% do que nas europeias); o PSD teria 34% (-2%); o BE, 12% (ficaria igual); a CDU, 7% (igual); o CDS (igual). [Rui Namorado, O Grande Zoo]


Publicado por JL às 18:58 de 14.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sondagem: PS não dá sinais de ceder

 

Recuperação assinalável do PSD, em parte à custa do CDS, mas longe de pôr em causa maioria socialista
Não há crise que afecte a performance eleitoral do PS. Se as eleições legislativas fossem hoje, obteria uma vantagem de 7% sobre o PSD. Contudo, não atingindo a maioria absoluta, poderia ter de negociar com um surpreendente BE.
Há nove meses que o score do partido liderado por José Sócrates se mantém, nas sondagens realizadas pela Universidade Católica, acima dos 40%. Mais: se o período de análise recuar a Outubro de 2006 - há dois anos e meio -, verifica-se que só em Fevereiro do ano passado o PS ficou abaixo daquela fasquia, ainda assim apenas um ponto percentual.
A sondagem realizada para o JN, o DN, a RTP e a RDP que apresentamos revela que a popularidade do chefe do Governo está em queda e que se reduziu a margem de apoio ao Governo (ler página seguinte). Nenhum desses factores, no entanto, demove a maioria dos inquiridos da vontade de confiar de novo aos socialistas os destinos do país.
Os resultados do estudo de opinião não constituem, portanto, neste particular, uma novidade. O PS continua, com 41% das intenções de voto, em condições de lutar pela maioria absoluta, apesar de a crise económica, que presumivelmente afectaria o Governo que suporta, não abrandar.
A questão reside na escolha dos parceiros, se não obtiver votos suficientes para governar sozinho. Os dois partidos à esquerda do PS continuam a valer, em conjunto, quase 20%, mas as posições relativas inverteram-se.
Os comunistas recuaram três pontos em relação à última sondagem, aproximando-se do pior resultado, os 6% obtidos em Maio de 2007. Embora não seja lícito estabelecer uma relação directa, quem aparentemente beneficia com a perda de influência do PCP são os bloquistas.
Francisco Louçã tem motivos para alimentar o optimismo. O Bloco de Esquerda ultrapassa pela primeira vez a barreira dos dois dígitos, chegando aos 12%, mais três pontos percentuais do que em Dezembro passado. Em matéria de popularidade, Louçã é o líder que regista uma subida mais acentuada. Reverso da medalha: diminuiu o número de inquiridos que encara o partido como alternativa credível de Governo. Conclusão lógica: o BE funciona bem... desde que se mantenha na Oposição.
O facto de a sondagem apresentar o BE como o partido que mais tem capitalizado o descontentamento não retira mérito à assinalável subida do PSD, que prefigura uma inversão de tendência. A maior atractividade do partido não resulta de mais eficaz penetração no eleitorado socialista. Tudo indica que se prende, sobretudo, com o efeito do voto útil à Direita, que desfere um profundo rombo no "território" do CDS e "arranca" da letargia eleitores que em anteriores sondagens declaravam que votariam em branco.
O principal problema de Manuela Ferreira Leite reside, precisamente, no facto de o país estar "inclinado" para a Esquerda. Nem a concentração de votos de toda a Direita no PSD seria susceptível de abalar a maioria socialista.
O CDS corre o risco de desaparecer do mapa político. Os 2% registados repetem o resultado de Outubro de 2008, que assim deixam de ser encarados como acidente de percurso. A prosseguir a "sangria", Paulo Portas não pode ambicionar a função de "bengala" de um Governo de José Sócrates. [Paulo Martins, Jornal de Notícias]

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Publicado por JL às 23:02 de 04.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O que mostra a sondagem

A sondagem sobre as eleições europeias, mostra vários factos interessantes. De entre eles, há um particularmente relevante para esta altura da peleja: mais de metade dos eleitores garante que exercerá o seu direito de voto no próximo dia 7 de Junho. Sabendo nós que, desde 1987 (primeira participação nacional em europeias, na qual votaram 72% dos portugueses), os eleitores fogem destas eleições como o diabo foge da cruz (nos últimos três sufrágios, a abstenção fixou-se sempre acima dos 60%), esta intenção declarada de ir às urnas merece alguma reflexão.

A primeira ideia que imediatamente ocorre é a de que o "povo" está mortinho por ir às urnas para poder ali descarregar o seu descontentamento. E descarregar o descontentamento traduz-se num voto contra o Governo (no caso, contra Vital Moreira, o candidato apoiado pelo Partido Socialista). Pode ser. A sondagem sugere, contudo, o contrário. É que, apesar de a uma curta distância do seu principal rival (3%), Vital Moreira é o candidato mais votado.
Verdade que a percentagem de indecisos (23%) é ainda significativa. Mas, ainda assim, os números revelam, a esta altura, que Sócrates pode arrancar com uma vitória, pelo menos "psicológica", para um terrível ciclo eleitoral em que também se joga a liderança do próximo Governo português. Se assim for, isso quererá dizer uma de duas coisas. Ou os portugueses escolhem penalizar o Governo, mas pouco (facto relevante, dadas as crescentes dificuldades que o quotidiano lhes mete em casa). Ou os portugueses conseguiram, finalmente, entender o motivo pelo qual são chamados às urnas: eleger deputados para o Parlamento Europeu.
Eu voto na primeira hipótese. Que é, de resto, ajudada por outros dois factos da sondagem: a excelente votação (12%) do candidato do Bloco de Esquerda (o que mostra para onde vai o voto de protesto) e a circunstância de os candidatos, todos sem excepção, serem muito pouco conhecidos (o que mostra como não é neles, nem nas propostas políticas que fazem, que os eleitores estão concentrados, quando pensam em que quadrado hão-de colocar a cruzinha).
De modo que, pelo que se vê, Sócrates tem razões para ficar preocupado. Mas Ferreira Leite tem bem mais. … [Paulo Ferreira, Jornal de Notícias]

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Publicado por JL às 20:23 de 03.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

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