De Trabalho e civilização a 18 de Janeiro de 2016 às 14:55

Menos pode ser mais

(15 Jan 2016 Gabriel Leite Mota, Económico)

A questão do número de horas de trabalho semanais não é, essencialmente, um problema sindical, mas antes uma questão civilizacional.

Importante é saber se queremos evoluir para uma sociedade com um cada vez melhor equilíbrio entre trabalho e lazer ou não.

O governo anterior acreditava que aumentar as horas de trabalho era bom para Portugal.

O actual Governo não vê nesse aumento a solução para os nossos problemas e, por isso, quer fazer a reposição das 35 horas de trabalho na Função Pública.

A questão do ‘timing’ não me parece muito relevante.

Relevante seria inovar e instituir as 35 horas semanais também para o sector privado: Portugal é dos países europeus que mais horas trabalha por semana e isso em nada contribui para que sejamos competitivos.

É a aposta na criatividade, na diferenciação e na criação de valor que aumentará a nossa produtividade e competitividade. E isso é mais fácil com menos horas de trabalho, mas mais bem geridas e mais inteligentemente executadas.

É esse o caminho do sucesso, é esse o caminho da felicidade.


De . 35 H semanais a 29 de Fevereiro de 2016 às 16:38

Luta pela limitação da jornada de trabalho

Crise e Trabalho.jpg (: - A pretexto da crise, os patrões estão a tirar muitos dos direitos dos trabalhadores. - Se um dia a crise acabar, os patrões ainda vão ficar com saudades dela ...)

Em 1866 a 1.ª Internacional, no Congresso de Genebra, consagra a reivindicação das 8 horas de trabalho diário. O Congresso Operário americano, que decorreu em simultâneo, aprova idêntica reivindicação.

Uma reivindicação inteiramente actual. Mais do que actual, permanente: um nó central na luta de classes, sempre debaixo de fogo, sempre necessitando de ser reivindicado e defendido.

O espantoso desenvolvimento das forças produtivas e dos meios de produção nestes 150 anos justificaria não só uma radical redução do horário de trabalho – diário e no limite das 35 horas semanais – como também condições de produção capazes de libertar a humanidade de qualquer constrangimento económico e de bem-estar. Mas o que se passa é o inverso, e o empobrecimento dos trabalhadores é em todo o lado acompanhado pela intensificação da exploração do trabalho. Só para referir o nosso País, segundo dados da OCDE, cada trabalhador em Portugal trabalhou 1857 horas, em 2014 contra 1849 em 2012.

A limitação do horário de trabalho está presente em cada avanço histórico. E a cada retrocesso reaccionário é um dos primeiros alvos a destruir. Para intensificar a exploração, sem dúvida. Mas, mais do que isso, para debilitar a força dos trabalhadores, para atrasar, desarticular e bloquear a sua tomada de consciência e a sua organização de classe. Qualquer dos «três oitos» históricos (8 horas de trabalho, 8 horas de descanso, 8 horas de lazer) é uma ameaça para o capital, cuja ofensiva incide tanto sobre o tempo de trabalho como sobre os outros. Desarticulando arbitrária e anarquicamente horários, «flexibilizando» tarefas, intrometendo as empresas nos tempos livres, promovendo e massificando o consumo de meios de informação e entretenimento ideologicamente formatados. Prolongando nas relações sociais gerais a alienação do processo de produção.

A luta pela redução do horário de trabalho é a luta dos trabalhadores pelo seu próprio tempo. O tempo do estudo, do conhecimento, da cultura, da organização. Da compreensão do movimento da história e da sua inserção nele. 8 horas criam toda a riqueza. As outras 8 + 8 criarão as condições para que ela seja justamente distribuída.

( http://ocastendo.blogs.sapo.pt/ 12/2/2016 )


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