Trabalho e "empobrecimento competitivo"

Os limites da «economia do empobrecimento competitivo» (II)  (-N.Serra, 22/2/2016, Ladrões de B.)

     Um estudo recente mostra que «Portugal é um dos piores países da OCDE para trabalhar», com elevados níveis «de insegurança no mercado de trabalho e sendo um dos dez piores países em termos de qualidade das remunerações».   Aliás, na generalidade dos indicadores do relatório, Portugal surge de forma sistemática em posição desfavorável.   Em 25 países, é o 3º com maior «risco de desemprego»; o 4º com maior «insegurança laboral» e «desigualdade de rendimentos»; o 9º com níveis mais elevados de «stress laboral»; o 19º em matéria de «qualidade do rendimento» e «rendimento médio»; o 16º na «protecção no desemprego».   No indicador síntese da Qualidade do Mercado de Trabalho, estabelecido a partir deste conjunto de variáveis, Portugal ocupa a 20ª posição, apenas superando a Polónia, a Hungria, a Grécia, a Eslováquia e a Turquia.
     À escala europeia, o retrato que o estudo permite traçar é bem revelador das assimetrias existentes e do fosso de diferenciação entre centro e periferia, relembrando os círculos concêntricos de Heinrich von Thünen. Os elevados níveis de qualificação do mercado de trabalho nos países do centro e Norte europeu têm como contraponto a desqualificação do mercado de trabalho nos países da periferia e do Sul, num processo de clivagem e divergência que as políticas de austeridade e empobrecimento acentuaram nos últimos anos.
     Não por acaso, de facto, muitos dos países pior posicionados no ranking de qualidade do mercado de trabalho são os que registam uma evolução particularmente negativa em termos de saldos migratórios (como sucede no caso de Portugal, Espanha ou Grécia).  Do mesmo modo que muitos dos países melhor posicionados em termos de qualidade do mercado de trabalho são os que registam ganhos migratórios mais expressivos nos últimos anos (como é o caso do Luxemburgo, da Alemanha ou da Áustria).
     O mercado de trabalho não é pois imune às leis da oferta e da procura, reagindo aos processos de desregulação laboral, empobrecimento e alegado «ajustamento» das economias. Como referia há tempos o Luís Gaspar, «baixam-se os salários no pressuposto que o trabalho é demasiado caro. O trabalho vai-se embora. Mesmo para o mais ortodoxo dos economistas, isto deveria querer dizer que o trabalho não estava caro. A única transformação estrutural da economia arrisca-se a ser esta: em vez de serem os salários que se "ajustam" à economia, é a economia que se ajusta aos salários baixos». Ou seja, as políticas de austeridade não são almoços grátis, como dizia o outro. Têm contradições e limites intrínsecos, que as tornam contraproducentes e que se pagam caro, no presente e no futuro.
     Talvez sejam dados como os deste estudo que levam João César das Neves a concluir, nas Jornadas Parlamentares do PSD, que é necessário diminuir a «rigidez do mercado laboral» de um país que considera «em vias de extinção», devido à falta de nascimentos e à emigração.   Para enaltecer, logo a seguir, o facto de o anterior governo ter sido «o que mais liberalizou o mercado de trabalho» em Portugal, lamentando por não se ter, mesmo assim, conseguido aproximar o país dos seus parceiros europeus: em matéria de rigidez laboral, segundo César das Neves, «estamos à frente da tropa toda». Como os dados ali em cima permitem constatar, claro.


Publicado por Xa2 às 20:28 de 24.02.16 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Sacanice neoliberal aos FP e pensionists a 1 de Março de 2016 às 14:59
Austeridade ou sacanice?
(oJumento, 23/2/2016)

Austeridade é chamar todos os cidadãos a suportar os custos de um esforço nacional de controla despesa pública. Sacanice é um governo escolher um grupo profissional ou social com ase em critérios ideológicos ou em ódios pessoais para que suporte os custos da austeridade. Os democratas optam pela equidade e a austeridade não significa necessariamente injustiça. Os canalhas optam pela sacanice, acusam aqueles que odeiam de todos os males do mundo e aplicam-lhe todas as medidas odiosas.

Quando se escolhem pensionistas e funcionários públicos para suportarem um corte brutal de rendimentos, quando se promete que a medida é para um ano pois se destina a compensar um falso “desvio colossal”, quando depois se diz que é para o período de ajustamento e mais tarde se garante que tudo voltará ao normal apenas oito anos depois não estamos perante uma medida de austeridade, estamos perante uma sacanice.

Em Espanha o governo da mesma direita cortou vencimentos e recuperada a normalidade orçamental não só os repôs como os reembolsou. Aqui a ideia era cortar vencimentos e despedir e o cinismo foi tão grande que se inspiraram nos portões dos campos nazis e chamaram ao despedimento requalificação, foram ainda mais longe, disseram que o despedimento era uma oportunidade na vida destes novos judeus.

Não, aquilo que alguns portugueses sofreram nos últimos anos não foi austeridade, foi sacanice. A canalhice foi tanta que como não podiam cortar os ordenados do sector privado e depois de o fazerem no sector público tentaram o golpe da TSU, retiravam uma parte dos ordenados sob a forma de um aumento da TSU e entregavam-na aos patrões sob a forma de uma redução da mesma TSU aplicada aos empregadores. Como a manobra falhou optaram por reduzir o IRC compensando esta redução com um aumento do IRS, sob a forma de uma sobretaxa.

A sacanice foi tão grande que funcionários públicos e reformados levaram duas doses desvalorização fiscal, primeiro pela via dos cortes e depois pelo aumento do IRS. EM relação aos reformados a sacanice foi ainda mais longe e com requintes de inspiração nazi. Não só levaram um corte nas pensões sob a forma de um imposto, como ainda tiveram de pagar o IRS acrescido da sobretaxa como se não tivessem levado qualquer corte.

Bendita austeridade porque essa austeridade pode ser distribuída por todos, ao contrário da sacanice qe por definição é adoptada por sacanas e é aplicada àqueles que esses sacanas odeiam. E enquanto o sana mor, para não lhe chamar algo que possa ofender a progenitora, estiver na liderança do PSD considerarei este partido como nacional-social-democrata, um partido com a máxima “nacional-social-democracia sempre”.


De Sacanice de PàFiosos e neoliberais. a 1 de Março de 2016 às 15:04
---JM:

O comportamento dos pafiosos na discussão do O.E. 2016 vem confirmar que, não têm ideias
políticas só sabem chafurdar na sacanisse e, no mal dizer em mesquinhos ataques pessoais,

exemplo disso foi a subida ao palanque de deputado bem cevado à conta do érario público,
não para falar do O.E. mas, sim para dizer cobras e lagartos do P. Ministro, uma intervenção
que roçou a ordinarice ...
andou o fulano a passear a nossa conta pelo mundo como secretário
de Estado da Cooperação ou lá o que, diziam ser, como se pode entender isto?

Os pafiosos já evoluíram, agora já dizem quase bancarrota de 2011
com o esganiçado Almeida
do CDS a render grande homenagem ao Teixeira dos Bancos o olheiro que descobriu o Costa
governador do BdP e. in extremis salvador da Pátria porque pediu o resgate!

Resumindo, gostei da paciência do Ministro das Finanças Mário Centeno, ouvindo intervenções
ocas de conteúdo só a lançar a confusão com os números sem qualquer objectividade,
deu para ver toda a pobreza de argumentação e convicção dos afastados do Pote só lhes vai nas almas o ressabiabento de terem sido despedidos ... terão que pensar em trabalhar para ganhar a vida!!!


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