3 comentários:
De Pior lugar para Trabalhar a 28 de Maio de 2014 às 13:11
A causa das causas
(http://opaisdoburro.blogspot.pt/ 28/5/2014)

[Mapa do Índice de Direitos Global da ITUC: a intensidade da cor assinala o grau de desrespeito pelos direitos laborais]


Qual é o pior lugar para se trabalhar? A avaliar pelo Índice de Direitos Global, da Confederação Sindical Internacional (ITUC), que classifica os diferentes países em função de como protegem os direitos laborais como a liberdade de associação, de negociação colectiva e o direito à greve, publicado pela primeira vez esta semana, a resposta é: o pior lugar para se trabalhar é quase todo o mundo. Este estudo fornece um indicador importantíssimo que nos conduz a uma abordagem a que algumas esquerdas se têm furtado de colocar no centro do centro das suas prioridades: há países, poucos e cada vez menos, onde os direitos laborais são respeitados, há países, em maior número, onde os direitos laborais existem pouco mais que formalmente e há países, muitos e cada vez mais, onde os direitos laborais são sistematicamente violados. As produções obtidas em todos eles concorrem como se estas diferenças abissais não existissem, facto que vai contribuindo decisivamente para que em todo o mundo se vá nivelando cada vez mais por baixo a vida de quem trabalha. Juntamente com as restrições ambientais, que uns enfrentam e outros continuam a poder recusar, a introdução de penalizações aduaneiras que desincentivem a exploração do trabalho e o completo desrespeito de regras ambientais mínimas para reduzir custos de produção é uma causa que toda a esquerda que é esquerda tem obrigação de trazer para o centro do debate político. Agradecem o planeta, a qualidade de vida em zonas do globo que as leis da selva do comércio internacional consagram como reservas de escravos das grandes multinacionais e a saúde das democracias. É sobretudo debatendo temas que determinam a vida das pessoas que se combate a abstenção. E não haverá muitos temas tão determinantes e que afectem tanta gente como o das condições em que se trabalha e o da forma como essas condições determinam a distribuição da riqueza em cada sociedade e no mundo.


De Tráfico Humano: desgoverno desresponsabi a 22 de Maio de 2014 às 11:18
http://bestrabalho.blogspot.pt/ 19/5/2014, A.B.Guedes
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TRÁFICO DE SERES HUMANOS AUMENTA !

Em Abril passado o Observatório do Tráfico de Seres Humanos publicou o seu Relatório sobre 2013. Comparativamente a 212 foram sinalizadas mais vítimas, com um aumento de 146%.

Os números gerais do relatório mostram o seguinte cenário:
entre as 299 pessoas sinalizadas como sendo potencialmente vítimas de tráfico em Portugal há 49 menores e 250 adultos.
A maioria são estrangeiros. Os romenos são os mais representados (185 sinalizações, incluindo seis menores com uma média de idades de oito anos), mas também há cidadãos da Guiné-Bissau, Nigéria, Brasil, Bulgária...

Quanto a portugueses sinalizados como potenciais vitimas de tráfico de seres humanos, em território nacional, são 31, dos quais 17 menores de idade (com uma média de 13 anos).
Há ainda nove cidadãos portugueses sinalizados no estrangeiro como potenciais vítimas – o que representa uma redução de 80% em relação às sinalizações feitas em 2012, segundo o relatório:
"O decréscimo de sinalizações no estrangeiro é explicável pela ausência de grandes ocorrências no estrangeiro durante 2013:
em 2012 uma só ocorrência envolveu 35 presumíveis vítimas (suspeita de exploração laboral na Alemanha)."

Se no caso dos 250 adultos sinalizados a suspeita de EXPLORAÇÂO LABORAL era a mais frequente (ela está presente em 198 denúncias feitas em Portugal),
entre as crianças e jovens é a de EXPLORAÇÂO SEXUAL. As presumíveis vítimas são, em geral, meninas, entre os 13 e os 17 anos, da Nigéria, Guiné-Bissau e também algumas portuguesas.

A maioria do tráfico para exploração laboral sinalizou-se no Alentejo e Ribatejo nas explorações agrícolas que produzem para a agroindústria ou para os mercados de grandes cidades como Lisboa e Madrid (legumes)
Estas explorações são elogiadas por este governo pela sua eficácia exportadora!
Pudera!


De Amianto: desgoverno desresponsabiliza a 22 de Maio de 2014 às 11:13
19 de Maio de 2014, A.B.Guedes, BemEstarNoTrabalho

----- AMIANTO NOS EDIFÍCIOS PÚBLICOS - é para levar a sério ?

O que se passa com o caso do amianto em edifícios públicos em Portugal é um exemplo de como funcionam os portugueses perante ameaças á saúde pública e até ameaças de outro tipo que, felizmente, não temos enfrentado nas últimas décadas, para além de algum acidente rodoviário ou uma cheia mais ou menos controlável!
Em geral o caso aparece na imprensa e ganha um eco tal que necessariamente obriga a que as entidades mais ou menos responsáveis se pronunciem de forma célere com medo de que, caso o não façam, possam aparecer como não competentes aos olhos da opinião pública! O caso da gripe das aves é paradigmático e valeria a pena estudá-lo. Agora temos o caso do amianto.

A imprensa obrigou as entidades públicas a reconhecerem que não estavam a fazer nada no caso dos edifícios públicos com amianto, apesar das resoluções da Assembleia da República e decretos do governo publicados no Diário da República.

Perante a situação é solicitada a cada ministério uma lista elaborada a «olhómetro» de edifícios com amianto. Esta lista, que deveria estar elaborada em março e entregue á ACT, tarda em chegar, para além de ser um trabalho pouco útil ou melhor dito, será uma perda de tempo.
Porquê? Porque seria muito mais rápido e eficaz que esta lista fosse elaborada por técnicos que definissem de imediato, após avaliação de riscos, quais os locais a intervencionar para se tomarem adequadas medidas de prevenção, nomeadamente remover ou enclausurar o amianto.

A lista que foi pedida a cada ministério como um primeiro levantamento foi apenas um paliativo burocrático para calar a imprensa e descansar a opinião pública em vésperas de eleições!
Foi um expediente barato ao Estado que, no fundo, está indiferente relativamente á morte de funcionários públicos!
Será que na Função Pública alguém se interessa realmente pela sorte de algum funcionário? Claro que não!

A degradação das relações de trabalho chegou a tal ponto que o destino de cada um é absolutamente indiferente para os que dirigem o Estado.

De facto é importante que não se caia no alarmismo.
Mas em Portugal tenho mais medo do contrário, ou seja, de que nada se leve a sério!
Tudo se relativiza, se arranjem paninhos quentes para tudo, em particular para retirar responsabilidades e poupar em nome da austeridade!
Será que a questão do amianto nos edifícios públicos não vai cair no esquecimento e a verdadeira intervenção nunca se fará?
É possível se não estivermos atentos!
Todos os trabalhadores, os sindicatos e a imprensa!


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