De Multinacionais contra Povos e Estados. a 17 de Junho de 2014 às 16:28

Um jornal para grandes transformações

[Grande Mercado Transatlântico: MULTINACIONAIS CONTRA POVOS. - LeMondeDiplomatique15]

O processo acelerado de eurofagia neoliberal, que no futuro deverá fazer os historiadores questionarem o uso que temos dado a palavras como «europeístas» e «eurocépticos» (quais destroem a possibilidade de um projecto europeu?), pode ter vários desfechos. Sociedades e territórios cada vez mais polarizados entre ricos e pobres, em que a liberdade é apenas apanágio das mercadorias e do capital, e em que os cidadãos são carne para canhão – talvez não em guerras no terreno militar, mas numa guerra económica sem quartel –, não pode ser uma possibilidade para quem entende que os vínculos que nos ligam uns aos outros têm de servir para a emancipação individual e colectiva de cada ser humano, de cada comunidade.

Sandra Monteiro, Eurofagia.

As eleições europeias de Maio de 2014 mostraram a rejeição crescente que as políticas aplicadas no Velho Continente inspiram. Qual foi a resposta de Bruxelas a esta condenação popular? Apressar a conclusão de um acordo negociado em segredo com Washington, o Grande Mercado Transatlântico (GMT). A resposta seria paradoxal se privatizações e comércio livre não fossem os dois credos habituais da União Europeia.

Serge Halimi, Os poderosos redesenham o mundo.

Do Le Monde diplomatique - edição portuguesa deste mês consta um extenso dossiê, que inclui um artigo do Nuno Teles, sobre o último esforço para construir e abrir, a golpes de política pós-democrática, mercados no Atlântico, protegendo assim os interesses dos mais fortes. Nem de propósito, foram hoje revelados documentos confidenciais que indicam o que está em causa no planeado acordo de comércio entre a UE e os EUA: desregulamentação e privatização.É urgente mandar o GMT para o mesmo sítio para onde se enviou o AMI. Também já é tempo dos que ainda mantêm ilusões sobre a possibilidade de a UE vir a constituir-se como baluarte de protecção face à globalização acordarem para a realidade: a UE é o outro nome da globalização neoliberal no continente.

De resto, e em mais um excelente contributo, desta vez sobre as novas estratégias para o desmantelamento dos sistemas públicos de pensões, Maria Clara Murteira não deixa de assinalar o papel negativo da UE também neste campo. O mal chamado modelo social europeu, dado que há vários modelos, foi construído a partir dos Estados, ali onde a democracia pôde ser mais intensa. A UE, em si mesma, tem inscrita na sua matriz um forte viés neoliberal. De quanto mais evidência é que precisam? O contra-movimento, a dar-se, dar-se-á a partir de impulsos nacionais e populares, de preferência articulados, contra a utopia do grande mercado, um outro nome desta UE.

(-por João Rodrigues , Ladrões de B., 17/6/2014)
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aprova-se em grande segredo um acordo de comércio livre com os Estados Unidos que fará com que os Estados sejam processados pelas multinacionais, em milhares ou milhões de euros, sempre que, por exemplo, as disposições laborais, sociais, ambientais ou sanitárias públicas prejudiquem os lucros que elas pensam ter direito a arrecadar"
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"O euro, os mercados financeiros, os tratados da UE, são verdadeiras camisas-de-forças para o progresso e a democracia para Portugal, mas também para os outros povos da UE."
E o silêncio atroador em torno deste "negócio" conduz-nos para onde?
Para o sítio onde eles nos querem.
Ignorantes, calados e obedientes.
Para que o "negócio" continue ad eternum.

Entretanto há quem tente sistematicamente atirar areia para os olhos dos demais. A tese de que as coisas são assim e sempre foram assim ganha novo palavreado com " a questão é se algum dia foi diferente" nm convite quase que obsceno à desistência e à rendição. Outras formulações para os velhos e batidos "pobres sempre os houve e haverá"

E de facto basta olhar à nossa volta e perceber que a "guerra sem quartel já começou há muito". Sob a capa de muitos pretextos e de muitos engodos.Sob o paleio de tantos a pregarem as virtudes da austeridade , enquanto se assiste à delapidação das riquezes dos povos e à concentraçao do capital.
De facto "os vínculos que nos ligam uns aos outros têm de servir para a emancipação individual e colectiva de cada ser hum


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