2 comentários:
De Obrigado FMI, Troika e desGoverno neoLib a 10 de Novembro de 2014 às 12:55

Obrigado FMI

“A economia portuguesa continua a recuperar de uma grave crise de endividamento”, diz o FMI na primeira linha da declaração que emitiu depois da sua recente visita a Lisboa.

A crise agora é de endividamento, não da “dívida soberana”. Sempre o foi, como muitas vezes aqui (e aqui), por exemplo, dissemos. Mas, ao FMI convinha mais falar em “dívida soberana”, já que desta forma era mais fácil justificar cortes nos salários e pensões e aumentos de impostos.

Continua logo de seguida o FMI a cantar loas aos resultados do ajustamento: recuperação do produto, recuo do desemprego, correção do défice externo, contenção do endividamento privado, consolidação orçamental “substancial”, acesso restabelecido aos mercados de dívida soberana…

Seguem-se 11 parágrafos de “but”s e uma sentença final. Tentarei resumi-los:

- O crescimento é fraco, o desemprego alto e o sub-investimento está a erodir o stock de capital. É pouco provável que o crescimento do emprego continue, o que se pode traduzir em emigração continuada de numerosos trabalhadores qualificados;

- O “ajustamento orçamental” está a parar quando devia prosseguir para que a dívida pública fosse sustentável;

- Portugal precisa de aumentar a competitividade externa, mas isso é muito difícil tanto mais que: “a baixa inflação nos principais parceiros comerciais torna o necessário ajustamento de preços relativos ainda mais difícil”. “Sem instrumentos que permitam a desvalorização [cambial], as reformas estruturais são a única via…”.

- Para aumentar a competitividade externa Portugal deve aproveitar o seu potencial (boas infraestruturas públicas, sistemas de saúde e de educação de alta qualidade, forte capacidade de inovação e investigação e relativa facilidade de iniciar novos negócios). Deve também ultrapassar constrangimentos: administração pública ineficiente, justiça lenta, regulações laborais restritivas e falta de concorrência nos mercados de produtos locais.

- A dívida excessiva das empresas impede o investimento e o crescimento da produtividade. Deve ser reestruturada. Os bancos devem evitar assumir riscos excessivos

- A sentença final: Portugal não se pode desviar dos seus comprometimentos orçamentais. Mas, “o orçamento de 2015 não está em linha com os comprometimentos assumidos no atual quadro orçamental de médio-longo prazo”.

Vamos lá ver seu eu entendi bem. A coisa poderia ser dita de outra forma:

"Vocês foram bem-mandados. Fizeram tudo o que nós dissemos e obtiveram alguns dos resultados que nós esperávamos. Mas agora estão metidos num grande sarilho. A dívida parou de crescer mas agora vocês estão mais pobres e com menos capacidade para recuperar e até pagar a dívida. As empresas continuam sobre endividadas e os bancos frágeis.

O que temos para vos propor é mais ajustamento orçamental e mais reformas estruturais para recuperar a competitividade externa.

Nós sabemos que recuperar a competitividade externa é muito difícil em contexto de deflação e fraco crescimento na Europa. É certo que podiam tirar proveito do que têm de bom, mas com mais consolidação orçamental é difícil não darem cabo da boa educação, saúde, infraestruturas públicas e capacidade de investigação e desenvolvimento. Resta-vos portanto continuar a acabar com a legislação do trabalho para desvalorizar salários, com a justiça (lenta), com a administração pública (ineficiente), e com misteriosas rendas que ninguém vos vai dizer onde estão.

Resta-vos, portanto, continuar a fazer o que vos meteu neste sarilho. Não temos outra coisa para propor. Desculpem qualquer coisinha.

Na verdade estamos desorientados. Quisemos resolver uma crise de endividamento, sacrificando tudo e todos, sem beliscar um cabelo que fosse da hirsuta cabeleira dos credores. Como resultado estamos a colher uma ventania em quem nem os credores ficam livres de ficar sem a peruca que lhes escondia a careca."

(-por José M. Castro Caldas , 9/11/2014,)
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em 2013, 870 multimilionários deste país aumentaram as suas fortunas em 11,1%.
De 2010 para 2013, as 25 maiores fortunas aumentaram 17,8 por cento; a parte do capital no rendimento cresceu de 50,8%, em 2009, para 53,4%, em 2013.

É fartar vilanagem. Com a benção da troika , do FMI e dos seus comparsas a viver das rendas, PPP, ...


De Desgoverno, devastação do país. a 17 de Outubro de 2014 às 15:24

Pedro Delgado Alves: Contra o esquecimento e a desfaçatez


«Hoje pede-se a esta Câmara que faça um exercício de esquecimento colectivo dos últimos três anos. (...) Quem tem um legado de DESTRUIÇÃO social, como a actual maioria, não tem autoridade, não tem credibilidade para pretender abrir uma discussão séria sobre esta matéria [a natalidade].
(...) Depois de ter colocado o «visto familiar» na gaveta mais recôndita da Gomes Teixeira - e na recta final de uma legislatura que não dá tempo para implementar qualquer alteração estrutural que se queira séria, transformadora e capaz de, efectivamente, inverter o rumo - o PSD apresenta-nos um Projecto de Resolução em que nem sequer consegue concretizar, do relatório que vem em anexo, as medidas que aparentemente serão desejáveis.

(...) Recordemos o que foram estes três anos. Recordemos o que a maioria fez para permitir o crescimento demográfico.
Em primeira linha, o mote dado pelo senhor secretário de Estado da Juventude, que entretanto já cessou funções, e pelo primeiro ministro, quando convidava à EMIGRAÇÃO e quando dizia que o fundamental era sair da "zona de conforto".
A geração mais qualificada da história portuguesa foi convidada a sair.
Famílias inteiras abandonaram o país e os índices que revelam a quebra demográfica, por essa razão, são reveladores do erro estratégico desta mesma maioria.

Por outro lado, se olharmos para a legislação LABORAL, também facilmente percebemos por que é que não há autoridade moral nesta maioria e neste governo, para falar em NATALIDADE.
Olhemos para o Banco de Horas individual. Olhemos para o aumento do HORÁRIO laboral para as 40 horas.
Olhemos para a PRECARIZAÇÃO adicional das relações laborais, especialmente penalizadora das mulheres e da sua capacidade de conciliar vida profissional e vida familiar. Mas não fica por aqui.

Olhemos para o DESEMPREGO jovem. (...) Olhemos para as propostas aqui discutidas na passada semana, relativamente às rendas sociais e ao impacto devastador que terão em muitas famílias numerosas, cuja capacidade de sustentar custos com a HABITAÇÃO também é piorada por esta via.
Mas, finalmente, não esqueçamos também o domínio da EDUCAÇÃO. Porque se olharmos para a devastação provocada na Escola Pública nos últimos três anos, e se olharmos até para aquelas medidas no âmbito da Escola Pública que mais directamente podiam contribuir para a natalidade, vemos também que o legado deste governo é tudo menos famoso. (...)
Olhemos para o fim dos PASSES 4-18 e Sub 23, que mais uma vez oneram os orçamentos das famílias com crianças em idade escolar. (...)
Olhemos para a eliminação e alteração das regras sobre a dedução à colecta, em matéria de Educação.
Olhemos para isto tudo e perguntemo-nos:
este devastador efeito dos últimos três anos, que legado e que responsabilidade traz à actual maioria?
Não era seguramente de apresentar esta resolução! Era do pedido de desculpas, que já está a começar a ser habitual entre os membros do governo, mas que aparentemente ainda não chegou à bancada parlamentar do PSD.
Estivemos três anos, não parados, mas sim a remar para trás em matéria de políticas públicas na área da natalidade.
Apesar disto, apesar deste cenário de DEVASTAÇÃO, poderíamos estar hoje perante uma genuína contrição. Poderíamos estar hoje, com esta Resolução, perante uma vontade genuína de lançar um debate sério, para começar a ter, eventualmente, uma borboleta a sair do casulo da bancada parlamentar do PSD.
Só que parece-me que tem asas, que está a procurar voar, mas que é uma TRAÇA que vem comer o que sobrou, no armário que a TROIKA deixou. Não há borboleta nenhuma neste debate e para isso basta olhar para o que foi apresentado ontem com o Orçamento de Estado para 2015.»

(Da imperdível intervenção de Pedro Delgado Alves, a ver na íntegra, no debate em reunião plenária - «Aprofundar a protecção das crianças, das famílias e promover a natalidade» - ontem realizado na Assembleia da República).

(-Postado por Nuno Serra, 17.10.2014, http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/ )


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