De Ocupação, Roubo e Ditadura Financeira a 14 de Julho de 2015 às 12:49
Leituras

------ «A humilhação a que o governo grego foi sujeito durante a interminável reunião do Conselho Europeu vai ficar na história como o dia em que se perderam todas as esperanças na bondade do projecto europeu.
A Alemanha torturou um governo eleito, obrigando-o a capitular nas mais humilhantes condições para mostrar quem manda e quem obedece. (...)
O que todo o processo nos ensina também é que não vale a pena prometer lutar contra a austeridade sem um plano B.
Foi esse o pecado mortal do Syriza: não ter reconhecido à partida que um projecto antiausteridade não se faz dentro do euro.
O Syriza foi eleito para permanecer no euro e acabar com a austeridade, dois programas incompatíveis, como agora ficou clarinho.
Não vale a pena nenhum partido candidatar-se a dizer que não aceita a austeridade, como fizeram tantos socialistas, a começar por François Hollande, com resultados nulos.
O momento da clarificação chegou.»

Ana Sá Lopes, Deustschland über alles. Toda a Europa está ocupada

------- «O que a Alemanha fez, sob a direcção de Schäuble, a aquiescência de Merkel, a cumplicidade gananciosa de meia dúzia de países e a assistência de uns quantos servos solícitos
como Passos Coelho e a hesitação de uns políticos medrosos, como Hollande e Renzi,
foi a ocupação da Grécia e a substituição do que restava de democracia por uma ditadura financeira.
Não foi uma ocupação militar, mas foi uma ocupação, que roubou a Grécia da réstia de soberania que lhe sobrava.
(...) A austeridade não é um remédio amargo que a Grécia não quer tomar.
É uma invasão de um país por meios não militares, uma usurpação da democracia, uma substituição de governos democráticos e uma forma de eternizar a submissão política dos países.
A austeridade é o novo colonialismo.
E a União Europeia tornou-se a sua ponta de lança.»

José Vítor Malheiros, O fim-de-semana em que a Europa morreu

-------«O acordo que ontem foi imposto, sob ameaça de expulsão, traz de volta a austeridade e sequestra activos fundamentais do Estado grego.
Curiosamente, nessas condições, traz também a discussão da reestruturação da dívida grega, que Schäuble tinha garantido ser contra os Tratados.
(...) A esta Europa, acima de tudo, interessa a destruição da soberania nacional.
Hoje foi um mau dia para a Europa e para a democracia europeia.
Mas deixemo-nos de confortos.
Não tivesse sido esta luta tão isolada e talvez o resultado fosse diferente.
Hoje, não apenas nós, toda a gente conhece as fronteiras da chantagem.
Nessa cartografia o espaço da política depende de nós mais do que nunca.
Os poderosos e os seus colaboradores não querem democracia.
Temos a obrigação de fazer muito mais.
Sabemos hoje, como sabíamos ontem e ignorámos, que
a derrota do capitalismo global precisa de mais do que um governo e um primeiro-ministro.»

Marisa Matias, E agora, Grécia? E agora, nós?

( por Nuno Serra, Ladrões de B., 14/7/2015)


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