De Purgatório: à espera nova crise ou... a 14 de Julho de 2015 às 17:07
A Grécia não foi expulsa do Euro.

(13/7/2015, http://maquinaespeculativa.blogspot.pt/2015/07/a-grecia-nao-foi-expulsa-do-euro.html )

Está alguém feliz com o acordo com a Grécia? Não me parece.

Teria sido melhor ter deixado que expulsassem a Grécia do euro? Não me parece.
A seguir à Grécia outros se seguiriam. E olhem que esteve perto.

Os socialistas europeus estiveram sempre bem ao longo deste processo? Não, não estiveram.
Mas acabaram por ser os socialistas que impediram que pregassem os gregos na cruz.
E - disto tenho orgulho - o SG do PS teve uma influência positiva na evolução da posição dos socialistas europeus, que,
depois de alguns terem dito alguns disparates, se afirmaram claramente contra empurrar a Grécia borda fora.

Faz sentido dizer que os gregos não deviam ter aceitado este acordo? Acho que não.
Não nos compete dar lições aos gregos, dizendo que eles não deviam ter aceitado o que aceitaram.
Isso seria muita arrogância nossa face aos gregos.

É fácil fazer revoluções com o sangue dos outros...

--------
Purgatório

(por Luís Naves, em 14.07.15, http://ofragmentario.blogs.sapo.pt/purgatorio-107909 )

Alexis Tsipras parece ter convencido os parceiros europeus de que será capaz de fazer uma transformação revolucionária na Grécia, acabando com o Estado clientelar, a corrupção e a evasão fiscal.

O Conselho Europeu evitou o Grexit, após uma maratona de negociações que dividiu a zona euro em dois blocos:
o vencedor, liderado pela França;
e o derrotado, chefiado pela Alemanha.

Apesar disso, a narrativa dominante é de que a Alemanha está a destruir a Europa, que o acordo só prolonga a agonia da Grécia e que o projecto da moeda única está mais do que condenado.
No fundo, ninguém acredita em Tsipras, que dependerá do apoio da oposição para fazer as reformas exigidas.
A Grécia será submetida a um programa de austeridade preparado pelos franceses e de concretização aparentemente impossível,
haverá quase de certeza resistência à mudança e talvez violência, mas os comentadores que sublinham estas possibilidades e criticam duramente a Alemanha estão
na realidade a apoiar os argumentos do ministro das finanças alemão, Wolfgang Schauble, que no Conselho Europeu defendeu o Grexit, considerando que este é inevitável
(e se não se pode evitar algo, então para que serve tentar o adiamento?)

A zona euro não tem cláusula de saída e pela primeira vez nas discussões surgiu um mecanismo hipotético para acomodar situações de bancarrota iminente:
chama-se "time out" (ou suspensão temporária do Euro) e coloca os países numa espécie de purgatório
onde são equiparados aos Estados com moeda própria ligada ao euro e que ainda não fazem parte da moeda única, embora por Tratado tenham obrigação de aderir um dia.

Para os comentadores, a hipótese de saída temporária é igual ao fim do mundo, mas o purgatório parece ser um mecanismo capaz de
resolver a rigidez da moeda única, forçando os países ao rigor orçamental e permitindo ajustamento mais rápido por desvalorização cambial.
É no fundo um sair sem sair e, caso não seja possível estabilizar um novo governo em Atenas, o assunto voltará dentro de semanas ou meses.


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres