De Pagar resgate vs ser indemnizados a 16 de Julho de 2015 às 10:44

Fundo de Activos ou Pacote de Indemnizações?

Depois de ter sugerido a Jack Lew que a Europa poderia «ficar com Porto Rico na zona euro, se os Estados Unidos estivessem dispostos a levar a Grécia para o dólar», e de surgir no Conselho Europeu do passado fim-de-semana a hipótese de transferir um fundo de activos gregos (no valor de 50 mil milhões de euros), para uma instituição independente no Luxemburgo, gerida por um banco estatal alemão que tem o próprio Schäuble como chairman e Sigmar Gabriel (líder do SPD e responsável pela pasta da Economia) como vice-chairman, o ministro das Finanças alemão veio ontem dizer que cabe ao governo grego encontrar uma «solução de financiamento temporário para a Grécia», tendo em vista resolver as necessidades urgentes de liquidez.

Se não vivêssemos em tempos virados do avesso, com a Europa dominada pelos interesses financeiros e bancários, em vez de exigir ao governo grego as tais ideias para a constituição do referido fundo de activos (que sirvam de garantia de empréstimos), Schäuble estaria incumbido de uma outra tarefa: a de estimar o valor do pacote de indemnizações a atribuir à Grécia, pela destruição provocada na economia e na sociedade, em resultado do fracasso das políticas de austeridade impostas ao país nos últimos cinco anos.

Aliás, se estivéssemos numa sala com políticos adultos, responsáveis pelas suas decisões e pelas consequências das suas imposições, nenhuma negociação com o novo governo grego, eleito em Janeiro, poderia ter-se iniciado sem que antes fosse feita uma avaliação muito séria do fracasso da austeridade. Mais que isso, nenhum governo europeu que se afirma socialista ou social-democrata - e que reverbera a sua oposição à austeridade - poderia ter condescendido e pactuado com o tipo de medidas impostas à Grécia no célebre «acordo» do passado fim-de-semana. Medidas que insistem no erro, prolongando e acentuando a devastação já causada, e cujo apoio por parte desses governos ditos de esquerda - mas que continuam na defensiva e incapazes de sair da toca dos calculismos - descredibiliza de uma penada, na prática, quaisquer discursos contra a austeridade e em defesa de verdadeiras alternativas para sair da crise.

(-por Nuno Serra,16/7/2015, http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2015/07/fundo-de-activos-ou-pacote-de.html )

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A visão de um dirigente destacado da ala esquerda do Syriza sobre a condução do processo negocial da Grécia

“Toda a abordagem confrontacional [seguida pelo governo grego, consistia na ideia de que] temos que jogar o jogo até mesmo, mesmo, mesmo ao fim e, em seguida, eles [governos da UE e instituições internacionais] iriam recuar, porque supostamente o dano que teriam de aguentar caso não o fizessem seria grande demais. Mas o que realmente aconteceu foi semelhante a uma luta entre duas pessoas, onde uma pessoa corre o risco de perder um dedo do pé e a outra as duas pernas.”

“[Tsipras, Varoufakis e Tsakalotos] acreditaram até ao fim que poderiam obter algo da troika, pensavam que se iria encontrar algum tipo de compromisso entre "parceiros" que compartilhavam alguns valores fundamentais, como seja o respeito pelo mandato democrático, ou a possibilidade de uma discussão racional com base em argumentos económicos.”

“Isto diz muito sobre uma esquerda que está repleta de pessoas bem-intencionadas, mas que são totalmente impotentes no campo da política real. Mas diz muito também sobre o tipo de devastação mental, forjado pela crença quase religiosa no europeísmo.”

Vale a pena ler na íntegra a entrevista de Stathis Kouvelakis ao site Jacobin.

https://www.jacobinmag.com/2015/07/tsipras-varoufakis-kouvelakis-syriza-euro-debt/
--Key Points:
The government was overtaken by the referendum's momentum.
The ideology of left-Europeanism was crippling.
Remaining unprepared for Grexit was deliberate.
The government has two main camps.
The "No" campaign was driven by class.
After the vote, Tsipras revived a discredited opposition.
The Left Platform plans to stay and fight to reclaim Syriza.
Syriza's leadership want to purge the party.
The new agreement is the worst yet.
It's unknown what resistance will follow.
Syriza's left made some errors.
But working within the party wasn't a mistake.


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