15 comentários:
De Contra NeoLiberal, "Podemos" ou ... a 15 de Julho de 2015 às 16:37
Sem alternativa à economia de mercado?
(-Maurício Castro , 15 /7/2015, Manifesto 74)

http://manifesto74.blogspot.pt/2015/07/sem-alternativa-economia-de-mercado-por.html#more
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...Com aquela social-democracia convertida definitivamente em social-liberal (i.e., neoliberal), as lideranças neo-reformistas do movimento indignado levantam o punho para reclamar o retorno a 2007, antes do rebentamento da atual crise. Eis o programa de Podemos e, no nosso país, das candidaturas cidadanistas que tam bons resultados obtivérom nas recentes eleiçons municipais.

Nom som relevantes as diversas doses de boa vontade ou oportunismo que podam alimentar essas iniciativas críticas de esquerda reformista. O relevante está na declaraçom de parte que agora Pablo Iglesias verbaliza com a sua frase: “nom há alternativa à economia de mercado”.

Podemos e o chamado cidadanismo, tal como o seu referente grego, Syriza, assumem a conceçom de vida burguesa e a impossibilidade material de quebrar a lógica mercantil-capitalista, hoje representada para nós, como galegos/as, polos poderes institucionalizados na Uniom Europeia, na NATO, na uniom monetária e no Estado espanhol.

Com essa limitaçom autoimposta, nada de substancialmente diferente à decadente barbárie capitalista poderá vir, como nunca véu, da mao de quem nom aspira a ser nada mais que a sua consciência crítica.

-------- *Autor Convidado
Maurício Castro, membro do Colectivo Editor do Diário Liberdade e militante da esquerda independentista galega


De Hegemonia ideológica vs Revolução democr a 15 de Julho de 2015 às 16:46
A conquista da hegemonia ideológica, condição para a revolução democrática

(-por João Vasconcelos-Costa, 27/5/2015 , http://no-moleskine.blogspot.pt/2015/05/a-conquista-da-hegemonia-ideologica.html )

(Comunicação ao “Congresso da Cidadania. Ruptura e Utopia para a Próxima Revolução Democrática”, Associação 25 de Abril, 2015)


O título deste congresso contém uma expressão pouco habitual: Revolução democrática. A expressão é ambígua. Pode ser, por exemplo, para Piketty, algo de indefinido, idealista, vagamente inspirado na mera vitória do Syriza. Por mim, tomo-a como rotura qualitativa com a situação vigente e não obrigatoriamente de acordo com as normas vigentes.

Entenda-se que, como sempre que se fala em revolução, não é obrigatório que se esteja a referir uma forma violenta de revolução. O que significa é uma mudança radical da filosofia, organização e funcionamento do sistema democrático.

Não é que não seja positiva uma reclamação mais simples de mais democracia, mas o necessário é uma alteração radical do contexto político, social e económico em que ela actua.

Embora a democracia não se esgote no Estado, ele é a sua expressão essencial. Em relação à reforma do Estado inserida na revolução democrática, certamente que haverá muitas propostas concretas no outro painel. Agora, preocupa-me mais o poder: quais as constrições a essa revolução, que ideias para as superar, que forças para lutar.

O capitalismo, nesta sua fase de afirmação hegemónica sob a forma de neoliberalismo, apropriou-se da democracia, reduzindo-a um jogo de espelhos em que a cidadania não tem significado real.

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Em conclusão

Em muitos aspectos, e observando-se mudanças sociais muito aceleradas, não há ainda resposta precisa para essa tarefa. É um processo de reconstrução que se vai fazendo, necessariamente com desdogmatização do que nos tem sido imposto como pensamento único.

O que deixo são apenas algumas posições de princípio, mas tendo em conta que
1.num terreno ainda pouco desbravado e dominado por esquematismos, exige-se a articulação eficaz entre reflexão e debate teórico, e a validação pela acção política.
2.as ações de defesa dos interesses materiais e sociais dos trabalhadores, reformados e desempregados são inseparáveis da consciencialização e da acção para a revolução democrática.
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De Capitalismo neoLiberal vs Eco-Soc-Democ? a 15 de Julho de 2015 às 16:55
A conquista da hegemonia ideológica, condição para a revolução democrática

(-por João Vasconcelos-Costa, 27/5/2015 , http://no-moleskine.blogspot.pt/2015/05/a-conquista-da-hegemonia-ideologica.html )
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A ordem democrática, como toda a ordem política, faz parte do sistema estrutural que serve o poder económico.
Como não se vislumbra no tempo de uma geração a derrota do capitalismo, a revolução democrática exige o poder mas, ao mesmo tempo, confronta-se com a dificuldade de esse poder ser obrigatoriamente limitado.
As classes economicamente dominantes não ficarão indiferentes.
Veja-se, por exemplo, as campanhas ferozes na América latina contra os governos progressistas e os partidos que os suportam.

O bloco histórico constituído em torno da oligarquia neocapitalista
ainda hoje domina a intelectualidade orgânica do bloco democrático.
Esta, sem desprimor para muitos casos, remete-se muito para a propaganda tradicional ou o “esclarecimento” de há décadas.

Não entusiasma, não mostra novidade e, assim, ainda não ganhou para o “novo” bloco histórico as largas camadas
objectivamente anticapitalistas (trabalhadores, reformados, desempregados, jovens que nunca acederam ao mercado de trabalho, minorias, etc).

Muito menos lhes facultou meios de informação e reflexão sobre uma revolução democrática.
Entretanto, a vida política reduz o eleitor a um papel pendular,
votando sobre questões conjunturais
ou, pior ainda, por questões de marketing ou clubismo partidário.

O capitalismo neoliberal não oferecerá uma nova democracia.
Pelo contrário, cada vez mais reduzirá a que temos,
como instrumento autoritário para sujeição das classes trabalhadoras à chamada desvalorização interna.

O outro lado da questão é a luta.
Temos de a perseguir, mas ainda com muita coisa em aberto:
que forças sociais se podem mobilizar?
quais as tensões dialécticas que se porão em jogo?
qual o papel de partidos ou de outros agentes políticos?

A luta política tradicional com objectivos quantitativos é indiscutivelmente importante, mas não concentra o foco no essencial:
o combate ideológico à hegemonia do capitalismo neoliberal,
ao “pensamento único” e à alienação dos cidadãos pela “ordem natural das coisas”;
e a reconstrução da democracia, como expressão efectiva da cidadania nos nossos tempos,
de pessoas com recursos tecnológicos, comunicacionais e informativos até há pouco inimagináveis.

Hoje, com posições ideológicas, políticas e económicas extremadas, principalmente na Europa,
as forças mais conservadoras conseguiram que uma larga maioria dos cidadãos aceitasse como senso comum, acriticamente, a sua “ordem natural das coisas”.
É um facto que não devemos esconder.

Um projecto revolucionário de transformação do sistema democrático defronta-se com grande resistência e exige uma ampla frente democrática, forte e principalmente estável.
Mais uma vez, a revolução do 25 de Abril nos serve de lição, com o seu refluxo contra-revolucionário em grande parte às divisões que se instalaram entre os militares de Abril após o 11 de Março.

É manifesto o desejo dos eleitores de unidade política de esquerda
. Para fugir à ambiguidade da categoria esquerda, hoje, aproveito o título deste tema, unidade para a revolução democrática.
Não me parece que seja abusivo, porque não creio que uma nova democracia, nascida revolucionariamente, não venha acompanhada por um conteúdo de verdadeira esquerda, no plano económico, social e cultural.

Na prática, e para além de idiossincrasias partidárias,
a unidade tem estado muito condicionada por factores conjunturais que não dizem directamente respeito à revolução democrática:
a posição em relação à União Europeia,
a questão da dívida,
a defesa do estado social de bem-estar.

No entanto, tenho para mim que as novas atitudes dos eleitorados europeus, a congregar quase espontaneamente vontades unitárias, não se justificam tanto por essas matérias.
Antes por um sentimento de desgosto do eleitorado,
alimentado pelos vícios da democracia representativa,
pela partidocracia, pelo carreirismo político,
pela promiscuidade de relações entre a política e os negócios.
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