Voto útil ou democracia diminuída e desinteresse político ?!

«O que acontece se numa eleição os votos brancos e/ou nulos forem superiores aos votos nas candidaturas?»    (-29/09/2015 por Sarah Adamopoulos, Aventar)

         " Nada."         Apenas os votos expressos são válidos.

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«Os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos, não têm influência no apuramento do número de votos obtidos por cada candidatura e na sua conversão em mandatos.  Ainda que o número de votos em branco ou nulos seja maioritário, a eleição é válida e os mandatos apurados tendo em conta os votos validamente expressos nas candidaturas.» - [C.N.E.]
      Resultados  práticos  da  abstenção       (27/09/2015,S.Adamopoulos, Aventar)

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                                              Era  só  para   LEMBRAR.      Vamos  VOTAR.

   (via Entre as Brumas)                         Voto  útil     (por Sérgio Lavos, 365Forte, 21/9/2015)

   À medida que nos vamos aproximando das eleições, vai crescendo a pressão para o voto útil. É assim em todas as eleições, e é previsível que nestas seja bastante maior, tendo em conta a incerteza sobre o vencedor e a proximidade entre PS e Coligação PàF. Nos media, diariamente as fúteis discussões sobre o acessório tenderão a deixar de parte o essencial – as ideias e as propostas dos partidos.

   A pressão para o voto útil é a segunda parte de uma estratégia dos media (em conluio com os partidos maiores) que deixa de fora da campanha os pequenos partidos, os que não têm representação parlamentar. Depois de duas eleições consecutivas (as Autárquicas e as Europeias) sem cobertura televisiva, as estações televisivas partiram para a negociação com os partidos numa posição de força e conseguiram quase tudo o que pretendiam, a começar pela liberdade editorial (inalienável) e a acabar, na prática, no fim da obrigatoriedade de mostrar a campanha de todos os partidos (a que, de resto, a Constituição obriga). O Livre/Tempo de Avançar viu o seu programa cidadão aprovado praticamente sem qualquer cobertura televisiva (a excepção foi uma curta peça que passou na SIC-Notícias). Como ninguém prometeu despir-se na convenção, não estavam lá câmaras para filmar o acontecimento.

   Numa democracia parlamentar, cada deputado eleito vale por si. O poder legislativo emana dos deputados, não de outro órgão qualquer. Como tal, valerá tanto um deputado eleito por um partido pequeno como por um partido grande. Mais: na prática, como sabemos, um deputado eleito por um partido pequeno acaba por produzir mais do que muitos dos que se sentam nas últimas filas dos maiores partidos, os deputados que apenas estão lá para aprovar acriticamente Orçamentos de Estado e leis polémicas. A liberdade de voto, que deveria ser a essência de uma democracia parlamentar representativa, é na realidade inexistente, sobretudo nos partidos do centro (e no centralista PCP).

    O voto útil (tal como ele é entendido na generalidade) acrescenta muitas vezes inutilidade e redundância. Se somarmos a este facto a distorção (do nosso sistema eleitoral) provocada pela existência de círculos e pelo método de Hondt (que na prática significa que um partido pequeno precise de muitos mais votos para eleger um deputado do que um partido grande), percebemos que votar útil enfraquece a representatividade eleitoral. Começa no acto inicial, o da escolha do voto – votar de forma negativa, apenas para que um partido não ganhe eleições, retira algum valor ao voto – e acaba no resultado final, quando olhamos para uma Assembleia da República repleta de deputados que estão ali apenas para servirem os seus interesses e os do partido, e não os dos cidadãos que os elegeram.

   Fortalecer a democracia passará sempre pelo reforço do poder dos cidadãos. ... O voto consciente do cidadão é, na realidade, o verdadeiro voto útil.

-------------(comentários):

--... se eu desejar simplesmente livrar-me do presente Governo, ou seja, dado o sistema eleitoral vigente é muito mais fácil com o meu voto eleger um dos deputados de 'amen' do PS do que um deputado do Livre. Nesse sentido, o voto dito útil é de facto muito mais útil. Pode ser injusto, mas é verdade...  porque ... na maioria dos círculos eleitorais, pequenos e com poucos apoiantes, o voto num pequeno partido é um voto desperdiçado, 'inútil' porque não chega para eleger deputados ... já num círculo único (nacional) ou num círculo com concentração de apoiantes, o voto num partido pequeno é bem útil.

-- Eu sempre achei que o voto mais útil é aquele feito no partido que mais se aproxima do nosso ideal político.  Com esse voto, sabemos que haverá mais possibilidades das nossas ideias serem defendidas no parlamento.  Acho que nunca votei "útil", sempre votei em quem mais acreditava e não em quem poderia tirar um partido do poder.

-- O (apelo ao) voto útil é chantageante. Coloca-nos injustamente perante uma abdicação em nome de um bem "maior" induzidos pelo sentimento de culpa. Levado ao absurdo é intolerável e destruidor da individualidade e da noção de democracia. O voto tem que ser merecido por quem o pede e sentido por quem o dá. ...

-- Se existe uma maioria sociológica de esquerda no País, negoceiem, entendam-se. Dividam os méritos caso resulte e as culpas caso não resulte. É isso a politica. Coliguem-se para tentar governar, a sério.

--... não acredito que o voto possa mudar o que quer que seja. Hoje a politica é um circo de "fait divers" e a maioria dos políticos são (comprados ou) impotentes de mudar o que quer que seja.Os poderes fácticos (alta finança, media, lobbies,... UE, troika) são muito mais poderosos e condicionam o que se discute e o que se faz.  ... As envolventes externas e internas deixam uma margem muito pequena para o poder legislativo (e para o executivo e para a Democracia!). É um tecto que conduz à menorização do voto e da cidadania. Sinto-me menos cínico e conformista não votando. Já não sinto esse apelo ilusório.

--...Na medida em que as (não-) escolhas políticas nos afectam a todos, a abstenção é uma abdicação parcial do exercício da cidadania (que não se esgota no voto), deixando que outros decidam o seu presente e futuro...!!  Francamente, no largo espectro partidário de partidos representados na AR (ou com chances de elegerem deputados), não há mesmo ninguém de quem esteja próximo (mesmo não tendo a mesma opinião em tudo)?!  Como pode esperar que as ideias que defende sejam alguma vez implementadas se não se dá ao trabalho de apoiar quem o poderia representar? Se é que realmente defende alguma coisa ...

-- A cantilena do voto útil tem servido o rotativismo PSD-PS (o centrão), com graves perdas para a Democracia.   Agora (em vez de coligações e acções/medidas conjuntas) criam-se partidos, só porque alguém decide querer um partido que seja seu, mas sem alicerces no povo nem capacidade de mobilização eleitoral, ... o resultado só pode ser dividir e enfraquecer a esquerda (dos muitos idealistas e rivais) para a direita (mais prática) continuar a reinar...

-- ...No dia seguinte às eleições o mundo não passa a girar ao contrário e os que mandam não vão ser outros. Vão continuar a ser os mesmos. Os que pressionam e compram aqueles que estão em lugares políticos de poder. É por isso que estas eleições são importantes, não para saber se ganha a continuidade ou a alternância da continuidade. O que importa é que aqueles que não sei deixam pressionar nem comprar pelos que mandam aumentem a sua influência na Assembleia da República. É esse o verdadeiro voto útil.

Maioria  absoluta ?     Não,  muito  obrigada  

Porque  não  deveria  haver   maioria absoluta. 
    «Governe a PAF ou governe o PS, enquanto a União Europeia, com a actual organização e relação de forças políticas, não quiser ou não puder, não haverá verdadeiro progresso económico em Portugal mas apenas crescimento ou depressão sazonal, numa variação que oscilará ao sabor de interdependências financeiras em que os interesses económicos portugueses são secundarizados ou cruamente ignorados. É um destino errático, uma pura lotaria que decide o destino de dez milhões de almas. (...)
     É preciso começar um caminho que, certamente de forma lenta e ponderada, comece a alterar aos poucos esta situação de colonato a que ficámos reduzidos para um dia ser eliminada a excessiva dependência externa em que capitulamos a nossa energia criadora.
    O primeiro passo parece-me lógico:   impedir que uma maioria absoluta volte a dar-nos um governo que não precisa de dar explicações ao país e tenha, apenas, de dar explicações à União Europeia.» 
           Diz a Fitch que…   (Mariana Mortágua) 
«É interessante ler o que diz a Fitch (agência de notação financeira), nem que seja como forma de compreender e antecipar o comportamento/pensamento de quem, de facto, tem mandado no nosso país:   só não há medidas orçamentais adicionais porque estamos em período eleitoral.   Acontece, e isto já sou eu a falar, que as eleições vão passar, e tanto PS como PSD/CDS se comprometeram com as metas do défice estrutural estabelecidas no Tratado Orçamental.»
  -----               Voto   Útil   (5)        
  
        Caça  aos  gansos
    «A CE acha que ainda há margem para aumentar impostos em Portugal, o que no meio do fantástico Tratado Orçamental a que nos obrigámos devotamente mostra o que aí vem. (...)   Tudo, claro, em nome da sagrada consolidação orçamental, que parece ser a única norma que sobra da célebre "solidariedade" europeia. (...)
     A sua qualidade [do governo] de cobrador sem fraque tornou-se tão evidente, que a Comissão Europeia (essa entidade que só toma pretensas decisões quando o caos lhe bate à porta) veio agora, em plena campanha eleitoral, mostrar que tem o verbo fácil, mesmo quando não tem a mínima noção do que está a dizer
     Ou seja, Portugal, com o alto patrocínio da Comissão Europeia, vai reabrir a caça aos gansos, o célebre ensinamento do ministro das Finanças de Luís XIV, Jean-Baptiste Colbert: "A arte da tributação consiste em depenar um ganso para conseguir o maior número de penas com a menor quantidade possível de assobios." Os gansos, no caso, são os portugueses (e principalmente os da classe média, trabalhadores por conta de outrem, aqueles que não podem fugir aos impostos através de offshores, 'planeamento fiscal' e 'esquemas criativos'.). Como já eram antes desta nova descoberta da CE e de quatro anos de austeridade e do "enorme aumento de impostos" de Vítor Gaspar. E, pelos vistos, vão continuar a ser.» - Fernando Sobral


Publicado por Xa2 às 07:52 de 29.09.15 | link do post | comentar |

8 comentários:
De VOTAR e DEMOCRACIA activa, plena. a 17 de Novembro de 2015 às 09:26
--- .Não abdicar de VOTAR . a 28/9/2015----

Do voto e do pouco que vale o voto

(-por Sérgio Lavos, 27/9/2015, http://365forte.blogs.sapo.pt/

Um texto de Rui Zink sobre o poder do voto. Abster-se é abdicar desse poder.

"O meu voto vale pouco? Valerá.
Mas é o único momento em que vale exactamente o mesmo - o mesmo pouco - que o voto de Assunção Esteves ou O diácono-superior dos ex-CTT.
Essa a beleza do voto: cada um vale pouco e todos valem EXACTAMENTE o mesmo pouco.
Ao contrário de um reunião de accionistas ou de um clube, onde há votos de qualidade, e uma pessoa pode ter um zilião de votos, aqui naquele dia TODOS valem exactamente o mesmo: pouco.
A fórmula é simples: 1 adulto = 1 voto.
Claro, há pessoas que são fotografadas a votar e outras não. Mas a cruzinha vale exactamente o mesmo: pouco.
1 = 1.
Ronaldo é mais influente? Medina Carreira mais careca? O prof. Cavaco mais... Enfim, mais qualquer coisa? Sim. O prof. Marcelo é mais omnipotente? O sr. Pingo Doce mais rico? O dr. Catroga mais administrador da EDP? Claro. Como duvidar?
E não, nem de longe, não temos todos o mesmo poder de influenciar os outros. Falar na tasca, na televisão, no FB, ao telefone ou no jornal não é a mesma coisa.
Nem tem de ser.
Há filmes vistos por milhões, poemas lidos por nem meia-dúzia de amigos.
Segundos antes e, lamento dizê-lo, segundos depois de votar deixaremos de ter o mesmo poder, a mesma fortuna, o mesmo destino.
Contudo, naquele instante, na cabine, com a caneta e o boletim, temos todos o mesmo poder.
Pouco. Maravilhosamente pouco."

---- Libertar a Democracia. a 28 /9/2015----

Afunilamento Democrático: a verdade sobre o sequestro da democracia pelo bloco central

28/09/2015, João Mendes, Aventar

Who controls the past

É recorrente, em discussões com amigos ou conhecidos que apoiam os partidos do bloco central, ouvir da parte destes o argumento de que estamos em democracia, que o povo é livre para escolher ou para formar partidos e que todos têm iguais oportunidades de chegar ao poder. E se os dois primeiros são questionáveis, o terceiro é pura e simplesmente falso.

Trata-se de um argumento que serve essencialmente para justificar aos militantes e simpatizantes de partidos como o PS ou o PSD a sua permanência ad aeternum no poder. Porque por mais poder que as cúpulas possam concentrar, esse poder só existe e se mantém porque existe uma base de apoiantes leais, muitos deles permeáveis a qualquer tipo de propaganda e dispostos a (quase) tudo e que, regra geral, desconhecem os meandros podres e anti-democráticos por onde passa parte substancial das movimentações políticas de quem efectivamente manda. Se soubessem, PS e PSD assemelhar-se-iam mais a mafias do que a partidos políticos porque pouco mais que criminosos por lá permaneceriam.

Qualquer pessoa que se interesse pelo fenómeno tem plena noção que o acesso ao poder não é igual para todos e que desde a fundação da democracia, em 1974, a República foi tomada de assalto por um grupo cada vez mais restrito de pessoas. Na verdade, nós não escolhemos deputados e muito menos primeiros-ministros. É-nos apenas dada a opção de escolher entre as escolhas das elites do bloco central, escolhas essas que reflectem alinhamentos de conveniência e poder no interior dos partidos e não aspectos relacionados com a competência ou o mérito. Se assim fosse, Pedro Passos Coelho nunca teria sido primeiro-ministro, seria contranatura.

Depois existe a questão do financiamento. Com fortes redes clientelistas implementadas em todas as freguesias, fruto da distribuição de tachos e similares, o bloco central garante um eleitorado fixo e leal, mais não seja pelo medo de virem a perder o emprego, o estágio do filho, a nomeação da tia. Desta forma, é-lhes garantido um financiamento permanente decorrente das vitórias eleitorais, que ascende à casa dos milhões de euros e que permite colocar no terreno, eleição após eleição, máquinas esmagadoras cuja propaganda que abafa a dos restantes partidos, mesmo daqueles com assento parlamentar, e que lhes permite hoje colocar autênticos exércitos de manipuladores virtuais online como o clone-galdério recentemente desmascarado aqui no Aventar que dá pelo nome de Maria Luz.

Mas o afunilamento democrático não se resume ao poder das elites ...


De Democracia, eleições e manipulação opini a 17 de Novembro de 2015 às 09:32
Mas o afunilamento democrático não se resume ao poder das elites do bloco central. Reparem por exemplo na cobertura mediática das campanhas eleitorais. Os candidatos do PS e PSD (actualmente PàF, desde que engoliu o táxi de Paulo Portas) são frequentemente referidos como “o próximo primeiro-ministro de Portugal”, excluindo, à priori, a possibilidade de qualquer outro partido vencer as eleições. A imprensa, regra geral controlada por destacados militantes destes partidos ou por gente próxima do poder, decide quem pode ou não aspirar a governar.

E esta ideia, martelada até à exaustão, cria na cabeça de muitos eleitores a ilusão de que apenas PS e PSD são elegíveis e capazes de governar. Que os restantes são partidos de protesto que não querem governar, apenas ser oposição, a que se junta a narrativa de que “são todos iguais”, uma narrativa falsa que apenas serve para retirar ainda mais votos aos pequenos partidos, apesar de não haver um único entre estes que tenha qualquer responsabilidade no estado a que isto chegou, com a excepção de um período muito particular no pós-25 de Abril em que o PCP, através do PREC, causou alguns danos na economia, danos esses que ainda assim não têm sequer comparação com o que os governos de Cavaco Silva fizeram à agricultura.

Ainda no campo mediático, reparem que a cobertura das campanhas incide essencialmente no PS e PSD. Existe depois uma nesga de tempo para BE, PCP e CDS (quando não surge como muleta pré-eleitoral do PSD) e os restantes partidos nem sequer existem. Se juntarmos a isto o facto de, quanto mais pequeno menos verbas para fazer campanha e por conseguinte a menos pessoas se consegue chegar, ...

------ Votar p. Libertar a Democracia ,28/9/2015----

Afunilamento Democrático:
a verdade sobre o sequestro da democracia pelo bloco central

28/09/2015, João Mendes, Aventar
...
...
... a menos pessoas se consegue chegar, nomeadamente quando saímos das grandes cidades do litoral para o interior, onde as redes clientelistas erguidas à décadas controlam parte substancial da população, as possibilidades de um partido exterior ao Parlamento conseguir lá chegar são diminutas, excepto em casos muito pontuais e raros.

Redes de clientelas, deputados, secretários de Estado e ministros em cargos-chave nos grandes escritórios de advogados que desenham legislação para os governos que integram, o monopólio das nomeações públicas, empresários-militantes que injectam milhões através dos Jacintos Leite Capelo Rego desta vida a troco de favores e outras corrupções, batalhões de jotas dispostos a tudo na esperança de virem a ser a próxima pop star no Parlamento e terrorismo virtual, tudo isto controlado ao melhor estilo siciliano. Orwell poderá ter exagerado em algumas coisas mas a frase que abre estas linhas é tão actual como o era em 1948. Quem controla o passado controla o futuro, quem controla o presente controla o passado. E consegue inclusive reescrevê-lo.

Democracia? Liberdade de escolha? Igualdade de oportunidades de acesso ao poder? Não seja ingénuo. Eles não o são.

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--- Os indecisos vão decidir a eleição
(27/09/2015, j. m. cordeiro)

É o que apontam as sondagens. 25% segundo a Católica. 22.8% segundo a Intercampus.

Quanto ao PS e à PAF, não saem do seu eleitorado clubístico.
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--- Continua: Novo Banco vai-lhe ao bolso.

“Governo paga mais juros ao FMI por causa do Novo Banco” [DN]. Obrigado Passos Coelho pela solução sem custos para os “contribuintes” (como se o resto do país não fosse gente).
---
... isso não me impede de ver a mentira “não terá custo para os ‘contribuintes’.”
E não me apaga a memória de Cavaco e o governo, a um mês da falência, meterem as mãos no fogo pelo BES.
E que meter 3.9 mil milhões de euros do Estado para o fundo de resolução é, para todos os efeitos, uma nacionalização.
O BPN passou directamente para o Estado e foi vendido com prejuízo.
O BES passou indirectamente para o estado e, tudo aponta, vai ser vendido com prejuízo.

A solução teria que ter passado por impedir que esta porcaria tivesse acontecido.
Tendo acontecido, mesmo assim, não vi uma única cabeça ainda a rolar.
E, ainda, tendo acontecido, como é que o Estado ainda não foi capaz de ir buscar o dinheiro roubado? Este não desapareceu…
Não, o que se fez foi ir ao dinhei


De Democracia, Burlões e Bangsters. a 17 de Novembro de 2015 às 09:35

... E, ainda, tendo acontecido, como é que o Estado ainda não foi capaz de ir buscar o dinheiro roubado? Este não desapareceu…

Não, o que se fez foi ir ao dinheiro público e remendar a situação.

“Ah e tal, isso é muito lindo”, até pareço ouvir dizer, mas vejamos o caso Maddoff e comparemos com cá.


---- Kruzes Kanhoto, 26/9/2015-----

Esta é uma questão pertinente. Nomeadamente em círculos como o meu que elege apenas três deputados. Significa, portanto, que tenho apenas três opções se não quiser ver o meu voto desperdiçado. E mesmo assim até poderão ser apenas duas, pois a CDU poderá pela primeira vez não eleger nenhum deputado por aqui...


De Esmagar ovo da Cobra PSD-CDS... a 1 de Outubro de 2015 às 09:42
O OVO DA SERPENTE

Esmaguemos o ovo da serpente!

1. Está em marcha uma tentativa de distorção do significado dos resultados das eleições do próximo domingo, concebida para a hipótese de a coligação PSD/CDS não ter maioria absoluta, mas ter mais deputados do que o PS. O que essa tentativa de golpe branco procura é desconsiderar a dualidade de partidos da coligação para a ficcionar como se eles fossem um só. E desse modo comparar o PS com a soma do PSD e do CDS, fingindo que eles são em definitivo uma entidade única.

Criada a falsa evidência mediática de que isso é o espelho da realidade e não a sua distorção, passa a sustentar-se que o PR deve agir em conformidade, quando se tratar de indigitar um primeiro-ministro após as eleições. Para tanto, força-se sorrateiramente o texto constitucional, retirando-se qualquer significado político ao imperativo constitucional de ouvir os partidos políticos para decidir essa indigitação e defende-se que a necessidade de o PR ter em conta os resultados eleitorais aponta para o imperativo de ele indigitar sem mais o representante do partido com mais deputados. Claro, sempre à sombra da falsa evidência de que no plano jurídico-constitucional é legítimo neste caso considerar a Coligação de direita como um todo (como se ela própria fosse um partido), esquecendo a relevância e a identidade autónomas de cada um dos partidos que a integram.

Deste modo, na hipótese de a coligação PSD/CDS não ter maioria absoluta, mas ter mais deputados do que o PS, chamar-se-ia a formar governo o líder do PSD e não o do PS, apesar deste partido ter um maior número de deputados do que aquele. Seria como se o CDS fosse um simples banco ao qual subiria o PSD para ficar mais alto do que o PS. Ou seja, seria um expediente para contornar a vontade popular, a legalidade constitucional e assim um atentado grosseiro á legitimidade democrática.

2. Basta recordar o que foi dito a propósito da recente recusa de o PS de deixar passar um futuro orçamento e da possibilidade de apresentar uma moção de rejeição do programa de governo de um governo PSD/CDS sem maioria absoluta, para se perceber quem está envolvido na tentativa de golpe de Estado constitucional e quem beneficia dele. Estamos perante uma inqualificável tentativa da direita de vir a ancorar o seu poder numas eleições em que o povo a tenha derrotado.

Mas esta tentativa golpista, para poder resultar, não pode ser demasiado descarada, demasiado ostensiva. Não pode ser excessivamente provocatória. Por isso, ela ainda pode ser neutralizada. Pode esmagar-se o ovo da serpente, antes da serpente nascer. Basta que o PS, o PCP e o BE declarem formalmente que aprovarão uma moção de rejeição do programa de um governo de direita, muito especialmente se ele não tiver maioria absoluta. Por que é essa a sua decisão política, porque terá sido essa a vontade do povo expressa nas eleições, porque a tentativa de impor um governo minoritário de direita seria, por si só, uma tentativa de golpe de Estado. Desse modo, depois de os ouvir, o PR não pode indigitar um governo minoritário que já tem adquirido o respetivo chumbo, tentando instalá-lo precariamente no poder durante uns meses, a não ser que queira assumir o protagonismo central da tentativa de golpe de Estado.

Se isso acontecer, estar-se-á a pôr em causa a legitimidade das instituições, a fazer correr um grave risco à paz cívica e social, a lesar gravemente as condições sociais e institucionais do funcionamento da economia. Só uma grande sofreguidão pelo poder , uma sobranceria bacouca ou um profundo desprezo pela democracia podem justificar um tal dislate. É realmente uma aventura perigosa querer manter no governo uma coligação que acabe de ter contra ela nas urnas uma grande maioria do eleitorado, tendo contra ela mais deputados do que aqueles que tem a favor.

E o PS tem que estar especialmente atento e precavido, uma vez que a hipótese de imposição de um governo minoritário PSD/CDS tem como pressuposto a captação do apoio ou da complacência do PS. Por isso, a direita quer espolia-lo do exercício legítimo do poder e ainda por cima transformar o espoliado num fiel escudeiro. Se por absurdo isso acontecesse, por força de um impossível acesso de delírio dos seus responsáveis, o PS seguiria o calvário ...


De Esmagar o ovo da Cobra PàF... a 1 de Outubro de 2015 às 09:47
O OVO DA SERPENTE
Esmaguemos o ovo da serpente!
....
...
... a hipótese de imposição de um governo minoritário PSD/CDS tem como pressuposto a captação do apoio ou da complacência do PS. Por isso, a direita quer espolia-lo do exercício legítimo do poder e ainda por cima transformar o espoliado num fiel escudeiro.
Se por absurdo isso acontecesse, por força de um impossível acesso de delírio dos seus responsáveis, o PS seguiria certamente o calvário dos seus congéneres grego, polaco e húngaro.
Ora, se isso seria trágico para nós, socialistas, não o seria menos para a democracia portuguesa que dificilmente resistiria como tal com um PS que ficasse reduzido a uma sombra de si próprio.

Não estamos pois perante uma simples burla política destinada apenas a ser pasto de comentadores gulosos.
Estamos perante um profundo golpe na democracia,
um irresponsável desafio á paciência do povo,
uma grosseira provocação a todos os democratas, digna do vinte e quatro de abril.

Nem as "sondagens" dos seus DONOS apontam para uma maioria absoluta da coligação dos partidos da direita,
razão pela qual estão tão presos a essa tentativa de golpe. Mas não esqueçamos.
A direita ganha se a coligação tiver maioria absoluta.
Se a não tiver é derrotada.
Derrotada!


Repito, portanto: esmaguemos o ovo da serpente antes de ela nascer !

(- por Rui Namorado, 30/9/2015, http://ograndezoo.blogspot.pt/2015/09/o-ovo-da-serpente.html )


De Pode ser que isto MUDE. a 30 de Setembro de 2015 às 17:12
Pode ser


Fernanda Câncio faz uma pergunta pertinente:
“Campanha. Que é feito dos empresários faladores e interventivos de outrora?”
Creio que o silêncio relativo das fracções mais poderosas deste capitalismo diz muito sobre o seu triunfo, num contexto, é certo e sabido, de um país mais pobre e dependente;
diz muito sobre anos de reforçada transferência de recursos do trabalho para o capital, processo articulado com a transferência de recursos de dentro para fora do país;
diz muito sobre a sua satisfação com a actual correlação de forças e com a tutela externa tão reforçada quanto por desafiar,
que é, tudo somado, ainda seu melhor seguro político contra veleidades de recuperação democrática de instrumentos de política económica.
Estes poderiam constituir freios e contrapesos ao seu poder.

Satisfação também pela possibilidade de uma alternância sem verdadeira alternativa a esta política.
É claro que eles também não precisam de se maçar, até porque grande parte da comunicação social está cada vez mais domesticada
e, de qualquer forma, os que mandam só falam fora dos corredores do poder, na praça pública, em situações excepcionais, de algum perigo.

No entanto, pode ser que a sua aposta, até agora aparentemente acertada, no “aguenta, ai aguenta, aguenta” se venha a revelar mais frágil.
Pode ser que, por exemplo, graças ao crescimento das forças de esquerda portadoras de uma verdadeira alternativa nas próximas eleições, eles ainda tenham de vir a terreiro.
Pode ser que não tenham sempre o mesmo sucesso. Pode ser.


(-por João Rodrigues, 29/9/2015, Ladrões de B)


De Abstenção vs Luta por Direitos a 30 de Setembro de 2015 às 15:43
Da abstenção em particular e do desconhecimento das mulheres em geral

30/09/2015 por Raul M. Braga Pires

Mulheres em geral, avós e netas em particular, já vão perceber porquê, o que vos proponho é um prévio apelo à memória e uma solução para ajudar o minimizar o problema.
--O problema é a abstenção.
O problema é o “eles são todos farinha do mesmo saco”, o “isto já lá não ia nem com dois salazares”, os “claro, não sabias!?”. O problema somos nós!

O problema da abstenção é o tempo de antena que as experiências orwellianas têm tomado nas tv’s portuguesas, contribuindo assim para um esboroar contínuo da memória, mesmo que não seja assim tão longínqua.

O problema da abstenção é fruto de uma ignorância das mulheres sobre o que elas próprias são, da força que têm e aquilo que conseguem atingir, quando embirram com o homem!

Com a revolução industrial, a mulher passou a integrar progressivamente o mercado de trabalho, tendo sempre de lutar contra as desigualdades e injustiças dessa sua nova condição. Ainda hoje o faz.
A luta pelo direito ao voto feminino grosso modo iniciou-se há uns 150 anos, pelo que ficou conhecido pelo Movimento Sufragista e, as que o integravam, por Sufragistas, Suffragettes. “Há uns 150 anos”, acham assim tão longínquo? É do tempo da Monarquia!

Só a partir de 1910 é que o Congresso e a imprensa dos Estados Unidos da América se interessam pelo assunto e só no início da década de 20 tiveram direito a votar.
Em Inglaterra, só em 1918 é concedido o voto a mulheres com mais de 30 anos e, claro, não poderiam ser divorciadas. Só em 1928 se procedeu a uma equiparação total entre sexos, baixando também a idade de voto para os 21 anos. Foi assim há tanto tempo? Nem há 100 anos!

Para tal, mulheres como Millicent Fawcet (1847-1929) e Emmeline Pankhust (1858-1928), entre muitas outras, levaram com a matraca da polícia, foram permanentemente vigiadas, presas, condenadas, mas também partiram montras à martelada, cortaram fios de telefone e telegrafo e, até foram acusadas de conspirar para dinamitar a Catedral de S. Paulo, em Londres.

E tu, Maria Saudade, quando é que te indignaste a sério pela última vez? Não tens tempo, pois é, tás ao telefone e não é propriamente com uma chamada telefónica!

Em Portugal a primeira mulher a votar, foi Carolina Beatriz Ângelo, exercendo tal direito nas eleições constituintes de 28 de Maio de 1911.
Para tal, invocou a sua condição de chefe de família, após o óbito de seu marido Januário Barreto, vindo assim a obter a concessão do direito de voto por sentença do Juiz de Direito Dr. João Baptista de Castro. Faleceu em Lisboa, com 33 anos, a 03 de Outubro de 1911.

Portanto, Marias Saudades da República, tendes todas oportunidade de homenagear a Carolina Beatriz Ângelo, 104 anos e 1 dia, após a sua morte, com o vosso voto e, certamente também, com a vossa vontade de destituir de Portugal a letra Jota, a que mais escalões subiu no alfabeto nos últimos 41 anos.

Já agora e por falar em 41 anos, é há quanto tempo todos nós, homens e mulheres livres, que de facto somos, podemos votar em paridade total e absoluta. Há pouco falei em 150 anos, já passei para 41, mas dou-vos ainda mais um dado para melhor relativizarmos isto das distâncias e da memória.
Só a partir de 1961 é que as missas em Portugal (e restante espaço lusófono, bem entendido) passam a ser “dadas” em português. O Concílio Vaticano II reforma a Liturgia e a Missa deixa de ser lida em latim. Ou seja, há 55 anos, as pessoas iam à Missa e não sabiam o que estavam a ouvir!

E lembrei-me agora, só há 40 anos é que se realizou a 1ª manifestação feminista em Portugal, na qual apareceram homens com crachás partidários na lapela (de todos os partidos) e tentaram impedir a realização da mesma, no Parque Eduardo VII, em Lisboa. Queimaram-se soutiens sob insultos de mais de 3 mil homens, do novo Portugal velho. Houve mulheres despidas à força, agredidas.
Houve medo, muito medo, há apenas 40 anos.

Em 1980, eu e os meus amigos aqui da praceta, partimos o vidro de uma montra a jogar à bola e o dono da “loja”, disse que um novo custaria 10 contos. O meu pai na altura só ganhava 8 por mês. Este exemplo não tem nada a ver, é apenas uma memória minha.

O que quero dizer é… percebem? Será que tudo isto foi assim há tanto tempo ? ...
...


De Conquistar e Defender Direitos... a 30 de Setembro de 2015 às 15:56
Da abstenção em particular e do desconhecimento das mulheres em geral
...
...
...Será que tu, Maria Saudade, não estarás a desrespeitar todas as mulheres de novecentos que estiveram dispostas a queimar as asas pela liberdade?
Será que não “percebestes” que é teu Dever preservar e defender os Direitos que “herdastes”?
Nunca sentiste essa responsabilidade?
Pois que a sintas agora e que digas presente no domingo, mesmo que nenhum dos candidatos te tenha convencido.
Não deixes de Votar e não me venhas também com o “tenho direito a não votar”. Pois tens, mas não tens!

Sabes, todas estas mulheres vanguardistas, foram-no em tudo. A Carolina Beatriz Ângelo, por exemplo, frequentou o Curso de Liceu na cidade da Guarda e veio a ingressar em medicina, terminando o Curso na Escola Médica de Lisboa no ano de 1902.
Nesse mesmo ano casa com Januário Barreto (um dos fundadores da Liga Portuguesa de Futebol). Enquanto médica, foi a primeira mulher a operar no Hospital de São José, em Lisboa.
Boa parte da sua vida foi dedicada à luta pela emancipação e pelos direitos da mulher.
Desempenhou o cargo de Presidente da Associação de Propaganda Feminista e Vice-Presidente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.
Com Ana de Castro Osório fundou Associação de Propaganda Feminista.

Todas estas mulheres estiveram sempre no tempo certo, o homem é que inventou expressões como “antes-da-letra” (avant la letre) e “antes-da-guarda” (avant garde)!
Por isso mesmo, não tens direito a não votar, tens o dever de o fazer, para o manter, pois o direito há muito que foi conquistado.
És uma Herdeira do mesmo, é essa a tua condição e, terás que o passar à(s) tua(s) filha(s) e neta(s), através de convicções, valores e interesses legítimos.
Como?
Praticando-o, exercendo o teu dever de preservação de um direito que te foi passado, a cada pleito eleitoral.
Garanto que pescadinha-de-rabo-na-boca melhor que esta, não há.
Auto-sustenta-se, renova-se!

Proposta de acção

Como proposta de acção para a tentativa de minimização do problema da abstenção em Portugal, convoco agora avós e netas.

A ideia é simples, as avós, que muitas ainda são do tempo da Missa em latim e, cujas memórias estão muito menos poluídas por sonhos ao nível do bigue bróder e do maquedonale,
deverão partilhar com as netas as suas realidades de infância e adolescência.
As dificuldades, os não direitos, os muitos deveres e obrigações, o namoro à janela e às escondidas,
os sacrifícios salazarentos que se faziam para se poder ir à escola, das distâncias que se percorriam a pé, de como é que se ia à casa-de-banho.
Dessas coisas todas e de como hoje achamos que tudo o que temos sempre lá esteve.
Certamente que já o fez. Faça-o de novo, peço-lhe.
Aliás, nunca deixe de o fazer, em nome da Memória!

Ambas, avó e neta, deverão também fazer esta conversa à hora da refeição, para assim ensanduicharem a restante família e esse passar a ser o tema discutido por todos/as.
Caso não jantem todos juntos, o que deverá ser o mais provável, instrua a sua neta e a sua filha, para serem estas a ensanduicharem os rapazes e o efeito será o mesmo.

Parece-me simples e, caso os netos estejam agarrados ao telemóvel, é tirar-lhes e concentrar a conversa naquilo que menos sabemos fazer.
Cidadania e perceber que a podemos fazer todos/as no próximo domingo.

Debater direitos e deveres e perceber que o que conta são sempre as acções.
Por isso mesmo, poderemos no domingo ir às urnas, não pelos partidos, mas com o sentimento maior de que estamos a honrar a memória das nossas egrégias avós.
Com o sentimento de que somos herdeiros da Liberdade,
o que nos confere de imediato a Responsabilidade de a proteger e preservar, pois há mais herdeiros a caminho.

Não te deixes substituir enquanto portuguesa!
Não te deixes substituir enquanto português!
Vai lá e vota.
E “pronto” era só isto que eu tinha para dizer!


------Raúl M. Braga Pires, a Low Level Researcher, em Lisboa e que escreve de acordo com a antiga ortografia!

Fonte da biografia e foto de Carolina Beatriz Ângelo

Peço-vos a gentileza de acederem às páginas FB do Blogue e do Tornado (novo projecto media o qual integro) e carreguem GOSTO. Grato a Todos/as
http://aventar.eu/2015/09/30/da-abstencao-em-particular-e-do-desconhecimento-das-mulheres


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